EDITORIAL | Governador manda estudante negro cortar o cabelo

O Governo do Distrito Federal (GDF) segue os passos da Presidência da República: em vez de governar para a cidadania e o desenvolvimento do Brasil, esconde-se atrás de comportamentos aparentemente tolos para implantar um projeto autoritário de destruição da nação e do país.

Essa situação atinge todas as instituições públicas, e até algumas privadas. A regra desses governos é sucatear os serviços públicos e extinguir direitos sociais para privatizar tudo o que for possível. Isso todo mundo já viu. E já sabe também que a principal política deste governo é a da exclusão social.

Nesta etapa do golpe de Estado que começou em 2016, a educação pública e gratuita e o SUS são os principais alvos da sanha neoliberal. Alinhado com esse pensamento privatista, para pôr o projeto do governo Bolsonaro em curso no Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB) fica de lá do Palácio do Buriti desviando a função da Polícia Militar (PM) a fim de ter, nela, o respaldo armado para se sentir livre para dar ordens inconstitucionais nas escolas.

Um exemplo disso é o de ordenar, por meio da intervenção militar, os estudantes negros(as) da rede pública de ensino a cortarem os cabelos e de proibir as estudantes negras de usar brincos grandes, cabelos grandes e adereços coloridos.

É isso mesmo que você está lendo!

Em pleno século XXI, apesar de todas as evoluções ocorridas no campo da gestão pública, da pedagogia e de todas as áreas inerentes à sociedade, o governador do DF se comporta como enviado do rei. Isso é uma ação proposital, planejada e coordenada para assegurar a uma camada social se apropriarem indevidamente dos recursos e serviços públicos e privatizarem direitos, como o direito à educação e à saúde públicas de qualidade.

Esse tipo de política privatista só é colocada em curso quando a população está subjugada, iludida e massacrada por regimes autoritários. Para isso acontecer, é preciso impor regras desumanas com autoritarismo.

E foi assim que assistimos com tristeza, na semana passada, um servidor de nome Guilherme Neves, assessor do secretário de Educação do DF, que substitui o doutor Mauro, antigo assessor de Rafael Parente, tentar convencer a comunidade escolar de seis escolas de que a exigência da PM de cortar os cabelos dos(as) estudantes seria algo benéfico.

Neves, que é professor de história, não conseguiu apresentar nenhum argumento científico de que, de fato, os(as) estudantes seriam beneficiados(as) psicológica, comportamental e pedagogicamente com o corte de cabelo.

O assessor faz parte da comissão criada pelo Decreto 39.765/2019 que tem a tarefa de criar o projeto para o que hoje não passa de uma aventura privatista de três homens que se autodeclaram “brancos” e imbuídos de poder.

O professor de história não aprendeu nada com o terrorismo da Segunda Guerra Mundial. Nem o advogado eleito para governador do DF. O Brasil não apreendeu os ensinamentos da história. Importante lembrar que, há apenas 74 anos, a II Guerra Mundial foi o período em que o totalitarismo dominou o mundo e homens “brancos”, poderosos e “de bem” se autodeclararam proprietários dos corpos dos negros, judeus, mulheres, LGBTQi e das minorias e, com regras desumanas para salvaguardarem seus interesses privatistas e pessoais, assassinaram mais de 60 milhões de pessoas.

O racismo de Ibaneis
Travestido desse pensamento totalitário e alinhado com a gestão belicista e racista de Jair Bolsonaro (PSL), o governador Ibaneis se embranqueceu. Ele crê que faz parte da minoria branca e, associado a homens “brancos” e poderosos do Brasil, declara-se proprietário dos corpos dos negros e das minorias de nossa nação para impor um projeto de privatização na educação pública e colaborar com a extinção de outros direitos sociais e trabalhistas.

O comandante em chefe da Polícia Militar do DF, por sua vez, também de descendência negra, diz ter se baseado no Art. 144 da Constituição Federal para ordenar os(as) estudantes negros(as) com cabelos black power, rastafári etc. a cortarem os cabelos ou rasparem a cabeça, no caso dos meninos, e, a hidratarem com creme e amarrarem em coque, no caso das meninas.

Mas a Constituição Federal, em seu Preâmbulo, é clara em afirmar que o Brasil respeita a liberdade de ser de cada um dos brasileiros. Portanto, adotar regras autoritárias e fúteis para subjugar estudantes das classes menos favorecidas é inconstitucional. Além disso, em termos científicos, as regras autoritárias da PM nas escolas não têm nenhuma compatibilidade com nenhum estudo científico sobre educação, pedagogia, psicologia etc.

Pelo contrário, estudos acadêmicos comprovados cientificamente do comportamento humano demonstram que ações assim não melhoram a indisciplina e nem a falta de comprometimento com os estudos. O fato é que essa ação do governo Ibaneis e da PM tem um nome: violência de Estado.

Isso mostra que a elite rica brasileira nunca aceitou a emancipação das minorias e, no caso dos negros, nunca aceitou a abolição, uma vez que ao longo da história a população negra brasileira sempre foi prejudicada. Nunca usufruiu do desenvolvimento do país e sempre foi alijada de quase todo tipo de direito.

Paralelamente, o Brasil tem em andamento uma política racista, obscurantista e camuflada de extermínio da juventude negra. A PM, cujo corpo funcional é formado, prioritariamente, por pessoas negras e descendentes diretas, é acusada de ser a principal protagonista desse genocídio.

A violência como política de privatização
De 2015 para cá, o Brasil vem se tornando, rapidamente, em um Estado policial-totalitário, com a violência transformada em instrumento de coação e imposição de um modelo econômico excludente. Afinal, esse modelo só é adotado por meio de ditaduras e opressão. O racismo, juntamente com outras formas de discriminação, é uma das causas dessa violência.

Como explica a socióloga Nilma Lino Gomes e a educadora Ana Amélia de Paula Laborne, no artigo “Pedagogia da crueldade: racismo e extermínio da juventude negra”,  o racismo é fruto da ideia de raça que se construiu desde os tempos coloniais no Brasil.

“Raça e racismo se tornaram ideias e práticas ainda mais complexas após a abolição da escravatura possibilitando a política de branqueamento. Elas fazem parte da estrutura de desigualdade vivida pela população negra brasileira”, afirmam as pesquisadoras Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A intervenção militar nas escolas
A intervenção militar nas escolas públicas do DF é isso. E como tudo que é autoritário, mostra sua face racista com toda a sua crueldade.  Ibaneis Rocha, o governador de descendência negra, mostra-nos sua índole perversa e revela sua intolerância diante da diversidade cultural do nosso povo.

Rafael Parente, o secretário de Educação do DF, e sua assessoria são mensageiros da violência de Estado contra um povo já oprimido no seu dia a dia pelas dificuldades financeiras, pelas reformas neoliberais que extinguem direitos e serviços públicos sucateados.

Esse tipo de pensamento e de comportamento da elite rica é mostrado pelo sociólogo Gilberto Freyre, na polêmica obra clássica “Casa-Grande & Senzala”, de 1933. Nela, o sociólogo mostra que o Brasil é o país do parentesco, e daí, o nepotismo e outras mazelas; da familiaridade; um país escravocrata e patrimonialista.

Parece que o advogado que se tornou governador, descendente de nordestino, cuja família veio para a capital federal nos primeiros anos da cidade para tentar a vida, associou-se a essa classe dominante, sofre do complexo de capataz nesta terra das casas-grandes e senzalas em que, de vez em quando, as Forças Armadas têm o mau hábito de assaltar a democracia para subordinar o país à alta burguesia estrangeira e seu povo ao sofrimento.

O “Senhorzinho” do Buriti chegou!
Senzala, uni-vos! Os homens “brancos” voltaram.

Observação: Importante esclarecer que o Art. 144 da Constituição Federal não autoriza a PM e nem ninguém deste país a perseguir a liberdade de ser dos brasileiros, principalmente da juventude das escolas públicas.

O artigo diz apenas que: A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: […] § 6º As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. (CF do BRASIL, 1988).

Incêndio no Caseb alerta para necessidade de investimento nas escolas

Na noite dessa segunda-feira (05), devido a um incêndio no arquivo do Centro de Ensino Fundamental (CEF) Caseb, localizado na 909 Sul,  as aulas desta terça (06) foram canceladas.

Conforme informações, um vigilante do colégio notou as chamas e acionou o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) por volta das 19h. Com a chegada do socorro, a corporação conseguiu restringir o incêndio ao cômodo.

Não houve feridos no incidente, as causas ainda são desconhecidas e deverão ser esclarecidas logo mais, pela perícia. As aulas serão retomadas normalmente na quarta-feira (07).

Em vídeo divulgado por funcionários, é possível ver o momento em que as chamas destroem o local. A diretora do colégio lamenta a tragédia e alega que foi sorte o incêndio ocorrer no contra turno das aulas. No vídeo, também é possível escutar a diretora explicando que a estrutura estava velha, sucateada e há muito tempo sem reforma.

 

 

Para o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), o desastre é um alerta para a situação precária e preocupante em que se encontra inúmeras escolas do DF.  As unidades estão funcionando sem professores efetivos e muitas se quer receberam as verbas do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF).

Paralelo a esse cenário caótico, o governador Ibaneis Rocha (MDB) que já implementou a militarização em quatro escolas públicas, se preocupa em ampliar o projeto para mais seis escolas, sem qualquer dado oficial sobre o efeito da militarização, totalizando 10 unidades escolares.  Sendo que 668 estão largada às traças e, em quase oito meses de gestão, não houve nem ao menos sinalização de investimento nessas escolas. O projeto intitulado de gestão compartilhada é, na verdade, uma forma de esconder da comunidade escolar a falta de investimento e a situação calamitosa pode ser vista em outras escolas.

O CAIC  do Gama, por exemplo, foi interditado ano passado com risco de desabamento. Os estudantes foram alocados em outra escola para reconstrução da estrutura, porém,  até hoje a obras não começaram

Já a Escola Classe 410 de Samambaia que deveria estar interditada por risco de desabamento, está funcionando normalmente porque o GDF sempre solicita dilatação de prazo. A informação era de que a desocupação ocorreria em abril deste ano, porém, nada foi feito.

No CEF 01 Vila Planalto a situação não é diferente. Interditado em 2014, obra de reconstrução também não foi concluída.

A diretora do Sinpro-DF, Letícia Montandon esclarece que episódios como estes escancaram o descaso do governo com a educação e apontam para a necessidade urgente de melhorias e investimentos nas escolas. “Muitas unidades não recebem o PDAF como deveriam e não existe nenhum programa específico de reformas. A maioria estão com estruturas deterioradas, uma verdadeira tragédia anunciada. Precisamos urgentemente da contratação de mais profissionais, da presença permanente do Batalhão Escolar, de reduzir o número de alunos por turma, construir escolas atraentes, estruturadas, com quadras poliesportivas, laboratórios, bibliotecas, refeitórios bem como batalhar pelo cumprimento das metas do PDE. Nosso objetivo é garantir uma escola pública, laica e de qualidade socialmente referenciada para todos”, afirmou a sindicalista.

 

Sinpro-DF alerta categoria para a prova de vida e o recadastramento

Professores(as) e orientadores(as) educacionais aposentados(as)  e pensionistas devem ficar atentos(as) no mês de seu aniversário para não perder os prazos da realização da prova de vida.

A prova de vida deve ser feita anualmente e presencialmente nas agências do Banco de Brasília (BRB), de segunda a sexta-feira, no horário de expediente bancário, no mês em que o(a) servidor(a) público(a) aposentado(a) faz aniversário.

PARA QUEM MORA FORA DO DF
Se o(a) aposentado(a) não fizer a prova de vida poderá deixar de receber o benefício. Os(as) aposentados(as) e pensionistas que moram fora do DF devem fazer a prova de vida no cartório da cidade em que reside, levando toda a documentação exigida e listada a seguir, e enviar para o Iprev no seguinte endereço:

SCS Quadra 9 – Torre B – 1º Andar – Ed. Parque Cidade Corporate – Asa Sul – Brasília-DF – CEP: 70.308-200. O número do telefone do Iprev é (61) 3105-3446.

DECRETO
De acordo com Decreto nº 39.276, publicado em 6 de agosto deste ano, pelo Governo do Distrito Federal (GDF), e regulamentado pela Portaria nº 199/2018, a prova de vida é obrigatória, bem como o recadastramento dos(as) servidores(as) públicos(as) da ativa.

“Os professores (as) e orientadores (as) aposentados (as) e pensionistas devem ficar atentos (as), pois aqueles que, porventura, não comparecerem à prova de vida no mês do aniversário, terão os pagamentos suspensos. Por isso, evitem transtornos e apresentem-se na data prevista”, ressalta a coordenadora da Secretaria de Assuntos dos Aposentados do Sinpro-DF, Sílvia Canabrava.

Confira, a seguir, a documentação necessária:

Aposentados(as)
Documentos obrigatórios:
– Documento de identificação com foto (Carteira de Identidade ou Carteira de Habilitação ou Carteira Profissional com validade em todo o território nacional e emitida por órgão de regulamentação profissional).

– CPF.

– Comprovante de residência atualizado nos últimos três meses (conta de água, luz ou telefone), ou na falta deste, declaração de residência;

– PASEP/PIS/NIT.

Pensionistas
Documentos obrigatórios:
– Documento de identificação com foto (Carteira de identidade ou Carteira de Habilitação ou Carteira Profissional com validade em todo o território nacional e emitida por órgão de regulamentação profissional).

– CPF.

– Comprovante de residência (conta de água, luz ou telefone – de um dos últimos 3 meses) ou na falta deste, declaração de residência.

Recadastramento dos ativos somente em 2020

Os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais magistério público do DF também devem ficar atenta, a partir de 2020, para não perder os prazos do recadastramento.

O GDF ainda não definiu a data de início do recadastramento dos(as) servidores(as) públicos(as) da ativa. A previsão, segundo informações da Secretaria de Estado de Fazenda, Planejamento, Orçamento e Gestão (SEFPDF), é de que comece em fevereiro de 2020.

A SEFPDF informou que irá divulgar uma portaria que regulamentará o recadastramento dos(as) servidores(as) ativos(as) do GDF está prevista para ser publicada a qualquer momento. Nela constará o calendário do recadastramento de cada categoria do serviço público.

A princípio, será na seguinte ordem:
Primeiro grupo – servidores de empresas públicas.
Segundo grupo – servidores da administração direta, exceto Educação e Saúde.
Terceiro grupo – Educação (com data provável para começar em 15 de fevereiro de 2020).
Quarto grupo – Saúde.

Publicado edital do Concurso de Remanejamento

Foi publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) desta quinta-feira (01) o Edital nº 37 (página 38), que aborda o Concurso de Remanejamento 2019. Além das normas básicas que a categoria já participou em outras edições do Concurso, o edital ainda traz o cronograma da realização do certame, onde o Sinpro destaca:

 

Conferência de dados cadastrais

Até o dia 23 de agosto o(a) servidor(a) deverá entrar no seu SIGEP (sigep.se.df.gov.br) para conferir se seus dados cadastrais estão corretos. Os(as) servidores(as) também têm prazo para serem identificados(as) no SIGEP como pessoa com deficiência.

 

Apresentação de carências

Ainda estamos na chamada Fase 1 do Concurso de Remanejamento. A apresentação das carências do Concurso de 2019/2020 só serão disponibilizadas a partir do dia 3 de setembro, de forma preliminar.

 

Aquisição de aptidões

O Sinpro está cobrando da Secretaria de Educação a publicação da portaria e do Cronograma de Atendimento das entrevistas, para que estes dados possam ser inseridos nos dados cadastrais do(a) servidor(a) para uso já neste procedimento de remanejamento. No entanto, orientamos que aqueles(as) que atuaram no passado em áreas de atendimento do ensino especial e hoje não atuam e não tem esta atuação anterior lançada no SIGEP, solicitem via SEI a inclusão desta aptidão no SIGEP, conforme já orientamos na primeira matéria de 2019 sobre o Concurso de Remanejamento.

A partir de 2020 todos os acessos relacionados ao ensino especial se darão por entrevista e apresentação de curso, onde a atuação até poderá ser apresentada para enriquecer o currículo na entrevista, mas não será utilizada como único requisito para a concessão de aptidão.

 

Publicação do cronograma

O Sinpro já conversou com a SEE e ainda não foi publicado um cronograma de atendimento para novas entrevistas e novas concessões. O sindicato recebeu um áudio que tem circulado falando sobre prazos de entrevistas para aptidão, mas isto não procede. A Secretaria ainda não publicizou o cronograma de atendimento e será preciso aguardar a publicação, que sairá a qualquer momento.

É importante lembrar que já fizemos uma publicação nos últimos dias sobre o Remanejamento Fase 1 e ainda continuamos na mesma fase. A Fase 2 começa no dia 3 de setembro com a apresentação, de forma preliminar, das carências que estarão disponíveis no Concurso de Remanejamento 2019/2020.

 

Portaria nº 241/2019

MPF na Bahia derrota racismo e preconceito da intervenção militar nas escolas

O Ministério Público Federal na Bahia determinou esta semana que as escolas públicas municipais no estado que tenham gestão compartilhada com a Polícia Federal não mais interfiram na liberdade de expressão dos estudantes, nem controlem a vida privada deles. A decisão do MPF na Bahia é a esperança que os estudantes do Distrito Federal não tenham que se submeter a esta truculência racista, homofóbica e misógina do governo do DF.

O Sinpro tomará providências para garantir a integridade física e moral dos estudantes da capital federal.

Confira abaixo a matéria da decisão tomada pelo MPF na Bahia, que proíbe a Policia Militar local de, por exemplo, intervir em cortes de cabelo, forma de vestir ou impedir que os estudantes namorem.

 

MPF na Bahia proíbe escolas militares de controlar vida dos estudantes

 

O Ministério Público Federal na Bahia determinou que as escolas públicas municipais no estado que tenham gestão compartilhada com a Polícia Federal não mais interfiram na liberdade de expressão dos estudantes, nem controlem a vida privada deles. Isso significa que não podem exigir padrões estéticos, como cortes de cabelo, unhas, forma de vestir ou obrigatoriedade de uso de bonés ou boinas, dentre outros.

Também fica vedado o controle de publicações levadas pelos estudantes para a escola ou feitas em redes sociais, ou proibição à participação deles em manifestações.

A recomendação foi encaminhada no dia 26 de julho, via Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão na Bahia, para a prefeitura e as 63 escolas públicas municipais que atuam no modelo militarizado. O entendimento é de que essas ações são inconstitucionais e não têm potencial de melhorar o ensino, que depende de maior investimento em educação, com melhoria da estrutura física e valorização dos docentes.

De acordo com a recomendação, as unidades também não podem fiscalizar ou proibir comportamentos dos estudantes que não afetem o direito de terceiros ou interesses públicos, com base em moralismo ou convicções incompatíveis com o Estado Democrático de Direito. Por exemplo, proibir que os estudantes frequentem locais de jogos eletrônicos, usem óculos esportivos ou namorem.

O MPF estabelece ainda que a recomendação tenha ampla divulgação e orienta ao Comando da Polícia Militar da Bahia que se abstenha de firmar ou colocar em execução novos acordos que resultem na aplicação da metodologia dos Colégios da PM em escolas públicas, “por incompatibilidade com a Constituição Federal, convenções internacionais, leis e resoluções do Conselho Nacional da Educação, além de importar em violações múltiplas de direitos fundamentais de crianças e adolescentes”.

A militarização das escolas na Bahia

A militarização das escolas no estado da Bahia acontece desde 2018. O MPF reitera que, embora a Constituição Federal determine, em seu art. 206, que os profissionais da educação escolar das redes públicas ingressarão na carreira exclusivamente por concurso público, o termo de cooperação permite à Polícia Militar nomear livremente militares inativos para funções nas escolas municipais.

Ainda considera que os requisitos desses profissionais que atuam na educação básica estão à revelia do estabelecido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, visto que não são feitas exigências de formação específica aos militares indicados.

A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão alerta que, diferente dos colégios militares – que possuem público específico, com a maior parte das vagas reservadas a filhos de militares, que buscam essa opção baseada na hierarquia e disciplina, cuja finalidade é formar futuros militares – os demais colégios públicos são voltados para a comunidade em geral, composta por pessoas de diferentes personalidades e vocações, devendo formar os alunos e alunas com base no pluralismo e na tolerância, com respeito e incentivo às individualidades e diferenças socioculturais.

A recomendação ainda destaca os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) sobre as notas do Enem de 2015, último ano em que as médias das escolas foram divulgadas. As notas apontam, por exemplo, que das 20 escolas públicas mais bem avaliadas no estado da Bahia, 17 eram unidades do Instituto Federal da Bahia ou do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do estado – instituições públicas de ensino não militarizadas.

O documento aponta a necessidade de garantir a segurança nas escolas públicas e no entorno sem violação dos direitos fundamentais dos estudantes. “Os estudantes, principais vítimas da violência, em vez de serem duplamente penalizados, com ensino autoritário, que suprime suas liberdades e individualidades, devem ser alvo de políticas públicas que promovam sua proteção integral, com garantia à incolumidade física e psíquica e à educação adequada para o livre desenvolvimento da personalidade”, destaca o Ministério Público Federal.

Ampliação do modelo

Em julho, o Ministério da Educação anunciou a implantação de 108 escolas militares até 2023. A proposta depende da adesão dos Estados, que ficarão responsáveis por sua administração, e receberão recursos federais. Segundo o MEC, já há atualmente 203 escolas do tipo em 23 estados e no Distrito Federal. Outra ideia do ministério é fortalecer, com recursos, 28 unidades já existentes no modelo.

A implementação das escolas militares já era anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro desde a sua campanha presidencial. No modelo, a gestão das escolas públicas é transferida para instituições militares, como a Polícia Militar, bombeiros e até mesmo integrantes das Forças Armadas. O ministério afirma que 108 mil alunos serão atendidos nas 108 novas unidades.

*Com informações do Ministério Público Federal na Bahia

 

 

“Educação Moral e Cívica” é inconstitucional

Na última terça-feira (30), a Lei nº 6.122/18, que inclui a disciplina “Educação Moral e Cívica” na grade curricular educação básica do Distrito Federal foi julgada como inconstitucional pelo Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT). A decisão da Corte parte da avaliação que existiu vício da forma. A lei aprovada, enquanto ordinária, deveria ter sido uma lei complementar, afinal, o conteúdo do projeto versava sobre outro veículo normativo já existente, a Lei de Diretrizes e Base da Educação (Lei nº 9.394/96).

Outro destaque importante diz respeito ao conteúdo aprovado pela nova lei. A avaliação é que os conteúdos da “Educação Moral e Cívica” já era contemplado nas disciplinas existentes como Sociologia, História, Filosofia e Geografia. Por último, ainda que existisse a necessidade de incluir o conteúdo na grade curricular local, a competência para a elaboração da matéria seria de um órgão técnico e a apresentação pelo Executivo.

O resultado vitorioso dessa Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) é fruto da força da nossa categoria, que pautou o debate na nossa sociedade e, também, pelo Sinpro-DF ter se associado ao processo como amicus curiae, ou seja, o sindicato interviu na qualidade de informante dispondo de elementos informativos possíveis e necessários à solução da controvérsia.

 

Em defesa da educação e da democracia

Essa disciplina de nova não tem nada. Em 1969, em plena Ditadura Militar, ela foi incorporada como obrigatória na grade curricular das séries que hoje correspondem ao ensino fundamental e médio, substituindo Sociologia e Filosofia.

Atualmente as disciplinas de Sociologia e Filosofia estão ameaçadas com a atual Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que nasceu da recente Reforma do Ensino Médio. As tentativas locais, seja no DF ou em outros estados, com incentivo do MEC, de aprovar a disciplina “Educação Moral e Cívica” reforça o ataque à Educação em não garantir o amplo acesso aos conteúdos acumulados pela humanidade. É a precarização do ensino! Ao mesmo tempo, é a tentativa de resgatar e valorizar a memória de um período que não cabe na democracia conquistada pelo povo brasileiro.

Não aceitaremos, seguiremos na luta!

Intervenção militar chega às escolas sem qualquer tipo de projeto

A intervenção militar imposta pelo Governo do Distrito Federal à educação pública do DF não tem sequer um projeto para descrever o que será feito nas escolas selecionadas pelo GDF para receber este formato de organização da escola pública. Os documentos oficiais do Estado que tratam do assunto são a Portaria Conjunta nº 1, das secretarias de Educação e de Segurança Pública, e o Decreto nº 39.765/2019, do próprio governador.

Os dois documentos não são Projeto Gestão Compartilhada. No caso do decreto, institui uma comissão que criará o projeto. O próprio governador é quem preside a comissão, que é composta por oito pessoas, onde apenas duas são da SEE e uma delas, o secretário Rafael Parente, nem pertence ao quadro de professores do DF. No Artigo 3º, que aponta para a possibilidade de solicitar outros servidores da Secretaria de Segurança, o documento sequer cita a Educação, onde tem as pessoas mais gabaritadas.

Qual o problema operacional?

Atualmente, quatro escolas do DF estão funcionando com intervenção militar sem um projeto específico para este tipo de funcionamento e o governo já anunciou outras seis escolas que também serão militarizadas a partir de agosto.

É a primeira vez no DF que uma mudança na organização da educação pública é feito sem projeto. Neste ponto o atual governo superou a truculência do ex-governador Joaquim Roriz.

Durante a semana de retorno do recesso as seis escolas militarizadas receberam a visita da assessoria do secretário de Educação Rafael Parente. Questionado pelos(as) professores(as) das escolas sobre o detalhamento deste projeto e todas as mudanças que as escolas que receberiam a intervenção militar teriam, a Secretaria de Educação se limitou a pedir desculpas porque o projeto ainda não estava pronto, tendo em vista que os 90 dias fixados pelo Decreto nº 1 não haviam sido suficientes para a finalização de um projeto para ser apresentado à comunidade, de forma que ainda necessitariam de mais tempo para a conclusão do documento. No entanto, a mesma equipe do secretário informava que a comunidade escolar teria que ser consultada e a escola, uma vez a comunidade escolar aceitando a intervenção, funcionaria sem qualquer projeto. Foi aí que teve início um grande embate entre o sindicato e o governo. Uma escola funcionará sem projeto?

Durante as visitas feitas pela SEE ao longo da semana para convencer os professores a embarcarem nesta aventura, a secretaria se limitou a responder questões vagas, como por exemplo o fardamento utilizado pelos(as) estudantes, o uso de adornos (brincos e piercings), a cor do esmalte, o corte de cabelo dos(as) estudantes, dentre outros pontos.

Entenda ponto a ponto o que o GDF está propondo para as escolas que receberão a intervenção militar:

 

Funcionamento das escolas

Além das quatro escolas que já receberam a intervenção militar a partir do início do ano letivo, outras seis escolas devem começar a funcionar em parceria com a Polícia Militar e com o Corpo de Bombeiros do DF já a partir de agosto, sem projeto específico desta “parceria”.

 

Cabelo dos estudantes

A equipe do secretário de Educação pediu desculpas, mas que neste ponto não houve avanço no grupo criado para fazer o projeto da intervenção militar (Decreto nº 1) e a PM exige que os estudantes tenham o cabelo cortado curto, sendo proibidos cabelos rastafári, Black Power ou longo. As meninas poderão usar o cabelo solto se o cumprimento for até o início dos ombros. Cabelos longos deverão ser cortados ou amarrados em forma de coque, e cabelos coloridos estão proibidos.

 

Uso de adornos nas escolas militarizadas

É proibido o uso de piercing e de brincos grandes para as meninas, e qualquer tipo de brinco para os meninos. Até mesmo o uso de esmalte para unhas terão as cores limitadas.

 

Disciplina militar e seus “supostos benefícios”

Segundo a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania, Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Legislativa do Distrito Federal, não existe, no Brasil, um estudo científico que comprove que esta disciplina militar melhore o rendimento escolar. Porém, o relatório sinaliza que nos Estados Unidos um estudo sobre as escolas que adotaram a política de Tolerância Zero detectou que não houve melhora do aspecto disciplina. Portanto, nos EUA a conclusão foi de que este tipo de intervenção policial nas escolas só serviu para oprimir as minorias norte-americanas, em especial os negros.

 

Rendimento escolar

O mesmo relatório da CLDF, produzido em 2019, aponta que o rendimento escolar em escolas militarizadas no Brasil ocorre em função da exclusão que a escola promove, expulsando estudantes que não se submetam à disciplina militar. O documento sinaliza que a suposta melhora no rendimento ocorre na exclusão, onde estudantes que não se adequam são expulsos, os estudantes que tem baixo rendimento escolar e são reprovados são transferidos de escolas ou são alvo de constrangimentos que o forçam a pedir transferência.

 

Duplicidade de funções e remunerações

A Polícia Militar, que já é paga para prestar serviços de segurança para a cidade, nesta intervenção está sendo bonificada com o pagamento de uma gratificação de Símbolo DF 12 (R$ 1.793,39), 13 (R$ 2.043,30) ou 14 (R$ 2.350,17), o que na avaliação do Sinpro torna este pagamento uma duplicidade na função do policial, uma vez que eles já possuem uma remuneração para exercer a atividade de segurança pública.

O fato é mais gritante no caso dos policiais que atuarão na direção da escola, recebendo os DF’s 13 e 14, conforme organograma no anexo da Portaria Conjunta nº 1. Neste caso, temos dois diretores na escola e dois vice-diretores: um diretor e vice da SEE e um diretor e vice da Polícia Militar.

Até o presente momento o Tribunal de Contas do Distrito Federal e Territórios (TCDFT) não se manifestou sobre o pagamento de salário e gratificações de direção em duplicidade para a mesma unidade escolar.

Ainda na questão da remuneração, a mediação de conflitos no ambiente escolar é uma tarefa da direção escolar e do pedagogo-orientador educacional. Neste ponto, o governo do DF optou por instalar na escola 20 monitores, que são policiais militares com DF 12, a contratar para cada unidade escolar 20 professores ou 20 orientadores.

 

Número de policiais nas unidades escolares

A proposta do governo para intervenção militar é que cada escola tenha de 20 a 25 policiais militares ou bombeiros militares. Segundo a assessoria da SEE, que visitou as escolas ao longo da semana, a maioria destes oficiais seriam aqueles que estão readaptados e/ou afastados do serviço de rua por questões de saúde. No entanto a SEE não soube precisar se dentre os policiais alocados no projeto estariam policiais afastados do serviço de rua por motivos de stress, depressão, transtornos de diversos tipos ou problemas relacionados a vícios.

O suposto projeto chega em agosto a 10 escolas realocando dos quadros da PM cerca de 220 policiais militares, aumentando o déficit de policiais que a capital federal já tem.

Ao longo da semana a SEE informou que continuará o processo de militarização até alcançar o mínimo de 40 escolas, ou seja, o GDF utilizará cerca de 900 policiais militares no suposto projeto. No entanto o próprio governador já deu entrevistas aos jornais da cidade afirmando que pretende militarizar 200 escolas até o final do mandato. Neste sentido, ele teria que alocar em torno de 5 mil policiais para atender 200 escolas.

A despesa financeira com o pagamento dos DF’s de 12 a 14 nas unidades escolares gira em torno de R$ 40 mil por mês e cerca de R$ 533 mil por ano só com o pagamento do efetivo policial encaminhado para uma única escola. Este valor nunca foi disponibilizado para uma única escola utilizar em seus projetos pedagógicos e nem serão por meio da intervenção militar, já que este valor pago via gratificações de DF 12 a 14 serão consumidos para pagar em duplicidade o salário do policial militar.

Ao término da implementação de 200 escolas, o GDF estará destinando mais de R$ 106 milhões no salário de 5 mil policiais, por ano.

Ao contrário do que foi divulgado que a segurança pública passaria a injetar recursos nas escolas, o dinheiro está sendo injetado na remuneração dos policiais, que como já dissemos, já ganham mais que os(as) professores(as), que estão com os salários congelados desde março de 2015.

 

Matrícula e renovação de matrícula nas escolas militarizadas

Na chegada da intervenção militar na unidade escolar, todos os estudantes matriculados permanecem com vaga nesta unidade. Porém, até o momento a SEE não confirmou se estudantes que reprovarem terão garantido a renovação da matrícula para o ano seguinte. No Brasil as escolas já militarizadas não renovam matrículas de estudantes que reprovam. Esta é uma exigência da Polícia Militar nos estados que já tem escolas militarizadas e uma forma de camuflar paulatinamente o rendimento das escolas com intervenção, visto que elas excluem os estudantes que têm menor rendimento, ficando apenas com aqueles que obtêm rendimento satisfatório.

No Estado de Goiás, a média para aprovação tem sido aumentada ao longo dos últimos cinco anos justamente para que a escola pudesse, a médio prazo, “selecionar” somente aqueles que têm notas altas.

A partir do segundo ano de início da intervenção militar as vagas passam a ser disponibilizadas por meio de sorteios nas demais unidades da federação. A SEE não confirmou se no DF as vagas destas escolas serão disponibilizadas pelo tele matrícula 156 ou se a SEE adotará o mesmo critério de outros estados, ou seja, sorteio das vagas ou processo seletivo.

O processo seletivo é outra forma de pinçar estudantes com rendimento mais alto para serem estudantes de “sucesso” nesta unidade escolar. Os estudantes que moram próximo à unidade escolar e que historicamente sempre tiveram direito a estudarem naquela escola pelo sistema do tele matrícula, com a intervenção correm o risco de terem que estudar longe de casa porque não foram selecionados ou porque foram reprovados nestas escolas. Isto já ocorre na maioria dos estados que adotaram este projeto. Inclusive o Ministério Público de Goiás proibiu a reserva de vagas para filhos de policiais militares, fato que ocorreu nos primeiros anos de implementação da intervenção.

Aqui no DF esta reserva ainda não chegou a ser cogitada, mas em Goiás houve a necessidade de fazer alterações.

 

Fardamento

Os estudantes nestas escolas receberão do GDF uma farda, que após vários debates nas cidades e publicações na imprensa local o governo recuou na questão da taxa que seria cobrada pelo fardamento. Nos demais estados a família tem que pagar por este fardamento, fato que acaba sendo um fator de exclusão social, pois as famílias mais carentes têm dificuldade em gastar em torno de R$ 700.

Neste ponto não há segurança de que no futuro, com outro governador, as famílias teriam que desembolsar este valor. Em Valparaiso, a escola militarizada informou ao Sinpro que o custo do uniforme gira em torno de R$ 700, tendo em vista que o estudante adquire uniformes para aulas regulares e de educação física, e este custo é pago pela família.

 

Aulas da Polícia

No contraturno, os estudantes têm “aulas cívicas” com a Polícia Militar. Estas aulas não têm qualquer tipo de planejamento e os temas são tratados por cada policial do momento.

Em junho, o Correio Braziliense divulgou um vídeo em que um policial estimula os estudantes a cantarem músicas evangélicas. Além disso, há relatos de que nestas “supostas aulas” policiais fazem uso de linguagem machista, sexista e misógina.

 

Prática do xerife

Os policiais nomeiam entre os estudantes um “xerife”, que tem a função, por tempo determinado, de “dedurar” eventuais infrações dos colegas. Isso resultou na briga do CED 7 de Ceilândia durante o intervalo, quando o policial usou de força desproporcional aplicando um mata-leão em um estudante que nada tinha a ver com a briga.

 

Beijos no cantinho da boca

O assédio também é um risco que estudantes passam a ter. Em reportagem do Correio Braziliense do dia 4 de junho, no CED 3 de Sobradinho, outra escola sob intervenção militar, um policial militar de 54 anos passava mensagem para as estudantes. Segundo a reportagem, nestas mensagens o policial assediava as estudantes dizendo “beijo no cantinho da boca” e outras levavam “tapas na bunda”. O acesso ao telefone, segundo a reportagem, ocorreu por meio do arquivo da escola.

 

 

Confira outros materiais do Sinpro sobre o tema:

Folha do Professor nº 202

Sinpro Cidadão nº48

Material de apoio

Fake News da Secretaria de Educação

O Sinpro promoveu nesta segunda-feira (29), durante o horário de intervalo, uma panfletagem nas seis escolas que estão na lista da militarização, debatendo com os estudantes a política arbitrária da intervenção militar nas escolas públicas do Distrito Federal. Ao contrário da informação publicada no Twitter do secretário de Educação Rafael Parente, de que o sindicato, juntamente com o diretor do Gisno, estaria suspendendo as aulas para orientar os estudantes a votarem contra o projeto de gestão compartilhada, a diretoria do Sinpro afirma que as denúncias são totalmente mentirosas e que o debate foi realizado durante o intervalo justamente para não acarretar nenhum tipo de prejuízo aos estudantes.
Em resposta ao Twitter do secretário, o sindicato afirma que a informação se trata de uma Fake News com origem na Secretaria de Educação.

Entrega de documentos para ação do FGTS. Prazo final: 2 de agosto

O prazo para entrega dos documentos na Justiça termina em setembro, por isso, o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) começa a receber a documentação nesta segunda-feira (29) e prossegue até o dia 2 de agosto, de 8h às 18h, de segunda a sexta-feira, nas sede e subsedes do Sinpro-DF.

A diretoria colegiada avisa que só devem comparecer para entregar a documentação os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais que constam da listagem a seguir:

LISTAGEM DOS(AS) FAVORECIDOS NA AÇÃO DO FGTS

DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA PARA O INGRESSO NA JUSTIÇA:

  1. Kit de Procuração, Contrato de Honorários Advocatícios e Declaração (Fornecido pelo sindicato).
  2. Cópia de RG e CPF.
  3. Comprovante de residência em seu nome (conta de água ou luz ou telefone ou fatura de cartão de crédito, etc.).
  4. Últimos  três contracheques.
  5. PIS/Pasep (Qualquer documento que conste número impresso do PIS/PASEP, esse número tem na FICHA FINANCEIRA obtida no mesmo site que acessa ao contracheque no portal do servidor).

HISTÓRICO
No início da década de 1990, após anos de luta do sindicato, os(as) professores(as) e orientadores(as) da rede pública de ensino do Distrito Federal conseguiram passar do regime celetista para o regime estatutário. Nesse momento, uma das consequências da mudança de regime foi o direito de sacar os valores relativos ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Ocorre que, no momento do saque, a Caixa Econômica Federal (Caixa) deixou de realizar a atualização devida e, aproximadamente, 11 mil profissionais da educação foram prejudicados(as) pela ação do banco.

Sabendo da ilegalidade cometida pela Caixa, o Sinpro-DF, buscando defender o direito dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais, ingressou com uma ação judicial (Processo nº 96.0019387-8) para condenar o banco a pagar as diferenças.

A ação em questão foi julgada procedente, dando o direito a todos(as) os(as) professores(as) e orientadores(as) que realizaram os saques no período de novembro a dezembro de 1992 a receberem a correção monetária de seus saldos do FGTS.

Apesar do curto espaço de tempo, entre novembro e dezembro de 1992, aproximadamente, 11 mil professores(as) e orientadores(as) educacionais fizeram o saque do FGTS no período, isso porque, tendo em vista a dificuldade que muitos(as) encontraram para sacar os valores, o Sinpro-DF ajuizou ação à época para obrigar a Caixa a disponibilizar o saque dos valores.

O Poder Judiciário concedeu medida liminar (Processo nº 92.0061163-0) que resultou na liberação dos valores em 1º de dezembro de 1992 para milhares de profissionais da educação.

Dessa forma, o Sinpro-DF convoca a todos(as) os(as) beneficiados(as) pela ação a entregarem a documentação necessária para a apuração dos valores devidos.

Aqueles(as) que passaram por esse período de transição e não têm a absoluta certeza sobre a data do saque poderão entregar os documentos, que serão analisados pela assessoria jurídica do sindicato com o objetivo de identificar se o(a) servidor(a) faz jus ou não aos valores devidos.

Processos da GAEE

O Sinpro informa à categoria que diante da falta de posicionamento final do Judiciário sobre processos que travam o andamento das ações individuais referentes à Gratificação de Atividade de Ensino Especial (GAEE) devidos aos professores em turmas inclusivas, o sindicato deixará de receber documentação para o ajuizamento de novas causas.

A suspensão no recebimento de documentação ocorre devido à falta de desfecho em relação ao Incidente de Demandas Repetitivas (IRDR) proposto pelo DF, que trava a continuidade de todas as ações individuais no TJDFT até um julgamento final da ação judicial proposta pelo governo.

É importante, inclusive, como estratégia jurídica de embate aos argumentos rasos do Distrito Federal, que as novas ações sejam propostas após o julgamento do IRDR e também do recurso apresentado pelo SINPRO ao STF no âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade que trata do mesmo tema.

Situação semelhante ocorreu há quase dez anos, a partir da Lei 4.075 de 2007, o  DF mudou o texto do Plano de Carreira para limitar o recebimento da GAEE aos professores em turmas inclusivas. Na época, também foi necessário suspender o ajuizamento de demandas individuais até que o TJDFT tivesse declarado inconstitucionais as mudanças legislativas promovidas pelo governo. Sendo que após declaração da inconstitucionalidade, o SINPRO voltou a ajuizar as demandas, alcançando milhares de decisões favoráveis aos professores.

Desta forma, este também é um momento de luta para efetivar o pagamento daqueles professores que já ganharam as ações na Justiça, mas, por deliberações ilegais e intoleráveis do governo distrital nos últimos três anos, ainda não receberam seus valores reconhecidos judicialmente.

Pensando nisso, o Sinpro realizou denúncia ao Conselho Nacional de Justiça (0003643-63.2018.2.00.0000) que resultou na realização de força tarefa para o pagamento destes valores.

Os pagamentos foram iniciados no início do ano e somente ocorreram porque o Judiciário bloqueou diretamente das contas do governo os valores devidos, não fossem os sequestros realizados, mais uma vez,  o DF não teria cumprido com a Lei e pago espontaneamente os servidores.

Infelizmente, por meios escusos, mais uma vez o governo buscou protelar o pagamento a milhares de professores que aguardam o que lhes é devido e de direito, ajuizando mandado de segurança contra o Juiz que efetivava os sequestros e dava cumprimento à Lei.

Assim foi deferida liminar que proibiu os sequestros de valores relativos a GAEE, fazendo com que a força tarefa que somente ocorreu pela atuação do Sinpro beneficiasse a todos os demais credores do Distrito Federal menos aqueles que lutaram contra as ilegalidades do DF.

Vale ressaltar que o Mandado de Segurança impetrado pelo Distrito Federal não tinha o Sinpro como parte, em mais uma desrespeitosa atitude do governo, razão pela qual o sindicato somente foi ouvido no processo após o deferimento da liminar.

Após as explicações apresentadas pela entidade sindical, a liminar foi revogada, possibilitando o pagamento dos professores que tinham ações de GAEE já encerradas.

Ocorre que o prazo para a realização da força tarefa já se escoava quando a decisão foi revogada, restando apenas alguns dias para o seu encerramento, situação que resultou em poucos pagamentos, deixando a maior parte dos professores ainda em compasso de espera.

Com o fim da força tarefa, o SINPRO buscará juntos aos juízes de cada Vara o pagamento individualizado e o sequestro dos valores de cada professor.

Obviamente, o DF o já se movimenta mais uma vez para por meios escusos evitar os pagamentos que se anunciam, tendo já sido informada a entidade sindical que após a derrota no Mandado de Segurança, mais uma ação foi protocolada pelo Distrito Federal com o intuito de proibir os sequestros e eventuais pagamentos.

O SINPRO já apresentou pedido de ingresso na ação justamente para trazer as informações omitidas pelo DF e evitar novos transtornos para os professores, que aguardam ansiosamente os seus pagamentos.

Como já sabemos nossas conquistas nunca foram fáceis e sempre se concretizaram através da luta, desta forma, o Sinpro continuará empenhado e  na luta pelo direito dos professores e orientadores, sem ceder a pressões ou intimidações.

Incorporações  

O Sinpro informa que os processos de incorporação exitosos da GAEE continuarão sendo feitos como já foi anunciado. Leia mais em >>

PROFESSORES PODEM FAZER NOVO PROCESSO SOLICITANDO À JUSTIÇA INCORPORAÇÃO DA GAEE NO SALÁRIO

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