Editorial | “Gestão Compartilhada”, um eufemismo para a intervenção militar na escola pública

Entre os desafios, está este de lecionar debaixo de chuva dentro da sala de aula

 

Mais de 450 mil estudantes retornam às aulas, nesta segunda-feira (11), e encontram o mesmo problema de todos os anos: falta de investimento. Deparam-se com a falta de contratação de professores e de orientadores educacionais concursados; encontram as mesmas escolas condenadas e falta de reformas em outras. Reiniciam os estudos sujeitados à falta do investimento financeiro e humano.

Os desafios são muitos e não param de aumentar. Este ano, por exemplo, a escola pública do DF terá de conviver com o marketing político do governo Ibaneis Rocha (MDB, ex-PMDB) que decidiu implantar, desnecessariamente, a intervenção militar em algumas escolas. E como se não bastassem os infortúnios do sucateamento da rede pública de ensino – cujo objetivo evidente é a mercantilização e a privatização do direito social à educação – a comunidade escolar tem de enfrentar o desrespeito e o proselitismo da mídia local, notadamente a coluna Visto, Lido e Ouvido, redigida por Circe Cunha, no Correio Braziliense, domingo (10/2).

Num texto mal formulado e mal-intencionado, a autora descarrega seu ódio de classe contra professores que enfrentam todos os dias os desafios impostos, propositadamente, por governos de plantão. Todavia, mesmo sob a pressão do sucateamento, esses e essas profissionais têm vencido as barreiras e colocado estudantes da escola pública dentro da Universidade de Brasília (UnB) com notas excelentes. Um levantamento do sistema de cotas indica que, em 2018, nove mil estudantes ingressaram na UnB e 45% deles vieram da escola pública. Isso mostra que a violência está na sociedade.

E significa que com menos da metade dos recursos que o GDF irá investir nas escolas sob intervenção militar e sob o sucateamento pesado, a escola pública vence os desafios, incluindo aí o da violência, que, embora venha da sociedade e das desigualdades sociais, na concepção de Ibaneis está dentro das escolas.  O texto da colunista desrespeita o Sinpro-DF, entidade de uma categoria consciente que, de lá do chão da escola, cobra da sua instância sindical a crítica sistemática, pertinente, consciente e consequente da política de sucateamento e privatização com intervenção militar nas escolas públicas do DF.

Importante recordar que, diferentemente do que diz a colunista do CB, os(as) docentes formam uma categoria de opinião firme que, historicamente, sempre defendeu a democracia. O Sinpro-DF foi criado debaixo das botinas de uma ditadura militar que exterminou pessoas defensoras da liberdade de pensamento e de opinião. O sindicato foi criado por uma categoria avessa e contrária a qualquer tipo de patrulhamento, incluindo aí este da mídia conservadora e privatista, que defende a opressão dos mais carentes para tentar omitir o real problema da violência fazendo de conta que o problema está na escola.

O movimento é o contrário do que diz a colunista. Em vez de o Sinpro-DF criar o senso comum da categoria, o que ocorre é justamente o contrário. O sindicato foi criado pela sua base, ou seja, pela categoria para fazer frente justamente a esses ataques e defender a escola livre, gratuita, pública, democrática, de qualidade socialmente referenciada. Uma escola que, como defendeu Antonio Gramsci, deve ser humanística, capaz de desenvolver a inteligência e a formação consciente; uma escola aberta de fato para conquistar a liberdade.

A inconsequente ação do governo e a irresponsabilidade da mídia parecem ter vieses de uma omissão que cuida de esconder do público os verdadeiros objetivos das intervenções, assim como ocultam os valores reais contidos nos cofres públicos destinados à prestação do serviço público de qualidade. Por causa dessa falta de transparência, números obscuros e opiniões autoritárias, mais de meio milhão de pessoas e 678 escolas terão um desafio e um infortúnio a mais em 2019.

A insistência em impor a militarização em quatro escolas do DF visa a mexer com o imaginário da população carente no sentido de criar uma ilusão de uma escola ideal quando, na verdade, 450 mil estudantes, de acordo com a proposta do governo com o “Programa de Gestão Compartilhada”, ficarão de fora porque as demais escolas públicas continuam relegadas ao desprezo e iniciam o ano letivo de 2019 com a mesma falta de recurso financeiro e humano que têm enfrentado sistematicamente.

O governo Ibaneis não mudou seu posicionamento nem mesmo depois de, nesses últimos 40 dias, ter recebido críticas do sindicato, de juízes, de especialistas em educação e em segurança pública, de deputados distritais e da própria Secretaria de Estado da Educação (SEEDF), que emitiu um parecer técnico dizendo que a militarização não era o caminho, e resultou na demissão do subsecretário de Educação Básica do DF, Sérgio Elias, que escreveu o documento sobre os impactos da intervenção militar nas escolas.

Fez ouvido de mercador para o fato de que a escola reproduz as relações de poder da sociedade, que a violência não está associada a nenhum segmento específico e que a construção da paz está, visceralmente, ligada ao exercício da democracia e à expressão de todas as vozes que integram o universo escolar. Ignorou até mesmo a defasagem de quase cinco mil servidores no setor de segurança pública ocorrida durante o governo Rodrigo Rollemberg . Entre 2015 e 2018, o DF perdeu 17,2% do seu efetivo. A maior parte do desfalque ocorreu na Polícia Militar, que conta com 3.888 integrantes a menos, ou seja, 25,7%.

Desprezou a opinião de juízes, como a da juíza Gláucia Foley, coordenadora do Programa Justiça Comunitária e membra da Associação dos Juízes para a Democracia. Em artigo publicado na página de Opinião do Correio Braziliense, desta segunda-feira (11), a juíza Gláucia diz que “o projeto denominado “Programa de Gestão Compartilhada”, um eufemismo para a militarização das escolas, representa um movimento diametralmente oposto à pacificação nas escolas por meio do desenvolvimento da autonomia, essencial para o exercício da ética democrática”.

Ela alerta para o fato de que “quando o comportamento ético depende de um sistema pautado na vigilância e na punição, a consciência moral não se desenvolve. A cidadania – cuja dimensão mais valiosa está na alteridade entre os seres humanos – não se constrói pela obediência cega às normas, pelo cumprimento às liturgias marciais e pela punição como mecanismo de controle comportamental”. Sabemos, e o governo também sabe, que o modelo de escola pública com melhor rendimento do país são os Institutos Federais, nos quais não há militarização.

 

MPL apresenta PL que amplia direito ao passe livre, inicia mobilização contra proposta de Ibaneis e defende tarifa zero

MPL realizou, na quarta-feira (6), ato público na Rodoviária em defesa do passe livre

 

Nesta sexta-feira (8), às 14h, o Movimento Passe Livre (MPL), em parceria com entidades sindicais e o movimento social, irá protocolar, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), um projeto de lei que amplia o passe livre para a população.

“Com esse PL, o Movimento se contrapõe à lógica do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB, ex-PMDB), de revogar a Lei nº 4.462, de 13 de janeiro de 2010, e acabar com o passe livre estudantil no Distrito Federal”, informa Gabriel Magno, diretor do Sinpro-DF. Na quarta-feira (6), após uma Plenária, o MPL realizou um ato público na Rodoviária do Plano Piloto contra o fim da lei do passe livre.

O governador Ibaneis Rocha, que prossegue com a mesma estratégia do ex-governador Rodrigo Rollemberg de avisar, pela imprensa, os projetos de ataque aos direitos da população, anunciou, nesta semana, pela imprensa, que irá acabar ou, no mínimo, reduzir ainda mais o direito ao passe livre para estudantes. Ele alega que o direito custa caro para o Distrito Federal e onera as contas públicas.

Na Plenária de quarta-feira, o MPL aprovou a divulgação de uma nota pública sobre o assunto e a criação de comitês de mobilização nas 33 regiões administrativas do Distrito Federal em defesa do passe livre. Nesta sexta-feira, o movimento pretende conversar com os deputados distritais sobre a situação.

Após a reação dos estudantes e da sociedade, Ibaneis desistiu de acabar com o passe livre, mas apresentou, nessa quinta-feira (7), à CLDF, um projeto de lei que limita a concessão do benefício à rede pública de ensino do Distrito Federal, à Universidade de Brasília (UnB), ao Instituto Federal Brasília (IFB) e à Escola Superior de Ciências da Saúde (SCS). Pelo projeto de Ibaneis, estudantes da rede privada de ensino terão de pagar a tarifa cheia.

O IDEAL É TARIFA ZERO – Mais do que passe livre, o MPL defende a tarifa zero para transportes coletivos para toda a população. Vários municípios, no Brasil e no mundo, já utilizam esse modelo e não têm problemas com as contas públicas.

No Brasil, Maricá, no Rio de Janeiro, foi o terceiro município do estado a implantar a medida, já adotada em Porto Real e Silva Jardim. Maricá foi a primeira cidade com mais de 100 mil habitantes a oferecer a tarifa zero. Em São Paulo, os municípios de Agudos, Paulínia e Potirendaba também experimentam a tarifa zero. Minas Gerais implantou a experiência em Muzambinho e Diamantina.

A ideia da tarifa zero também se expande pelo mundo. A tarifa zero já é realidade na China, Croácia, Bélgica, Austrália, Gibraltar, Suécia e EUA. Em dezembro de 2018, um levantamento realizado pelo Tarifa Zero BH deu conta de que a passagem de ônibus em Belo Horizonte (BH) deveria custar R$ 0,60 a menos e apontou o faturamento indevido das empresas de coletivos de quase R$ 180 milhões no ano passado.

O levantamento joga ainda mais luz sobre a briga travada antes mesmo do anúncio do preço dos coletivos para 2019. Por contrato, o valor de R$ 4,05 iria até 30 de dezembro, podendo aumentar, a partir de 1º de janeiro. Com o documento em mãos, o movimento afirmou não aceitar qualquer reajuste e que estava disposto a acionar a Justiça para barrar novos aumentos.

O estudo foi feito ao longo de 2017 com dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. Teve como base a chamada planilha Geipot, com atualizações conforme recomendações da Agência Nacional de Transportes Públicos (ANTT). Foram analisados diversos parâmetros, como pneu, recapagem, óleo diesel e salário de cobradores e motoristas.

Com a diferença nos valores, apenas em 2017, as empresas de ônibus teriam faturado, segundo o movimento, R$ 179.259.975,28, indevidamente, por cobrarem uma passagem mais cara do que deveriam. Pelo cálculo, o prejuízo anual do passageiro que pega dois ônibus por dia, sete dias por semana, é de R$ 436,80.

Em 2013, após a mobilização nacional denominada Jornadas de Junho, que o MPL foi às ruas em defesa do passe livre e da tarifa zero, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentou a Nota Técnica Transporte Integrado Social na qual apresenta a real possibilidade de se implantar a tarifa zero e isentar as tarifas de 7,5 milhões de pessoas que não têm acesso ao sistema de transporte ou possuem dificuldades em acessá-lo.

Um levantamento do MPL, de 2017, mostrou que é possível o Distrito Federal adotar a tarifa zero ou ampliar profundamente, não só para estudantes, o passe livre. Em 2017, diante dos reajustes das passagens, o Movimento levou à Câmara Legislativa uma ideia para tirar os concessionários e permissionários do sistema e uma proposta de custeio de passagem por meio de aumento progressivo de impostos a empresas e grandes fortunas.

Na época, representantes do MPL disseram à imprensa que “aumentar a tarifa não é a única saída possível para custear o transporte público no Distrito Federal e que existem outras soluções, inclusive soluções que você coloca a população de verdade na posição de debater e não só à mercê da vontade do governador”.

Confira matéria sobre passe livre feita pelo Sinpro-DF:

Governador ameaça retirar passe livre dos estudantes do DF

Passe Livre e Educação

 

Fotos: Mídia Ninja

 

 

94% da comunidade escolar do CED 308 do Recanto das Emas rejeita militarização

Em assembleia pública, realizada na manhã desta quinta-feira (7), pais, estudantes e professores que formam a comunidade escolar do Centro Educacional (CED) 308, do Recanto das Emas, rejeitaram a militarização da escola.

“Na votação, 94% dos votantes disseram não à intervenção militar. Ninguém resiste à democracia. Ao ouvir todos os lados e todos os argumentos sobre ter ou não ter a militarização, definiu, após votação, que não é este o modelo de educação que a comunidade quer para os seus filhos”, disse Cláudio Antunes, diretor de Imprensa do Sinpro-DF.

No resumo do debate, os participantes não abriram mão, ao dizer não para à militarização, de mais investimentos na escola. A fala da comunidade deu conta de que se o Governo do Distrito Federal (GDF) tem recursos financeiros e humanos para colocar 25 policiais militares na escola, também tem dinheiro para colocar mais orientadores(as) educacionais e mais professores(as) para atender à comunidade. Esse é o projeto que a comunidade quer: investimento na escola pública.

CEILÂNDIA – O Sinpro-DF está acompanhando o processo de votação nas demais regiões administrativas em que a comunidade escolar das unidades escolhidas para serem militarizadas está reunida para decidir o destino da escola.

Na Ceilândia, o processo de eleição será concluído às 20h, desta quinta-feira (7). Lideranças estudantis do próprio Centro Educacional (CED) 07 estão monitorando o procedimento. Alguns participaram, na manhã desta quinta, de reunião no gabinete do deputado distrital Fábio Félix (PSOL), na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), sobre o assunto e, à tarde, retornam para a mobilização no CED 07 da Ceilândia.

No CED 07, houve uma primeira votação e o GDF perdeu. Mesmo diante da derrota, o governo pediu nova votação, desta vez, com a utilização de cédula.

Confira o vídeo:

Sinpro se reúne com o secretário de Educação para tratar de pontos de interesse da categoria

A comissão de negociação do Sinpro se reuniu com o secretário de Educação Rafael Parente durante a tarde dessa quarta-feira (6) para dar prosseguimento à mesa permanente, que trata da pauta de reivindicações da categoria. Durante o encontro o secretário informou que o governo iniciou o pagamento do PDAF referente à parcela pendente de 2018, e também foi encaminhado à Casa Civil o projeto de lei que altera o artigo 10, que estabelece as condições da coordenação pedagógica.

O Sinpro solicitou agilidade no encaminhamento para garantir a redução de 20% de regência.

Na ocasião foram definidos os pontos da pauta que serão tratados diretamente com o governador Ibaneis Rocha na próxima sexta-feira (8), tendo como ponto principal o eixo financeiro. Também ficou confirmado para essa quinta-feira (7) uma reunião com o secretário de Fazenda, tendo como ponto central o pagamento das pecúnias.

 

Sinpro se reúne com parlamentares para debater a militarização nas escolas

A Comissão de Negociação do Sinpro se reuniu com alguns deputados distritais na tarde dessa segunda-feira (04) para debater o projeto de militarização de escolas públicas no Distrito Federal. Além de alguns diretores do sindicato, estavam presentes os deputados Chico Vigilante (PT), Arlete Sampaio (PT), Fábio Félix (PSOL), Jorge Viana (PODE) e a chefe de gabinete da distrital Júlia Lucy (NOVO).

O objetivo do encontro foi o de pensar ações no âmbito legislativo local para enfrentar o projeto de militarização das escolas proposto pelo GDF. Segundo os parlamentares presentes na reunião, a portaria do governo desrespeita o legislativo e passa por cima da Câmara Legislativa do DF e de seus representantes, uma vez que a própria Portaria Conjunta nº 1, em seu Artigo 8º, reconhece que o programa dependerá da criação de legislação específica.

Uma vez que os parlamentares entendem que uma mudança dessa magnitude depende de lei, ficou acordado que os deputados presentes apresentarão uma proposta de suspensão da Portaria Conjunta, tendo em vista que para a implantação do projeto é preciso ter amplo debate com a comunidade, que a CLDF seja respeitada e que o governo respeite as instâncias políticas e a opinião popular.

A diretoria do Sinpro reconhece a falta de segurança nas escolas, mas entende que não é por meio do SOS Segurança, ou seja, transformando nossas escolas em escolas militares, que acabaremos com a violência e com a insegurança. O que fará a diferença é mais investimento do Governo do Distrito Federal na educação.

Os parlamentares presentes vão propor uma agenda de debates públicos na Câmara Legislativa junto ao poder público para que se aprofunde o debate sobre o projeto.

Governador ameaça retirar passe livre dos estudantes do DF

Com as restrições, Rian, do Riacho Fundo, não poderá fazer curso em Taguatinga

 

Os estudantes da escola pública do Distrito Federal voltam às aulas, na próxima semana, com a ameaça de perderem o direito ao passe livre. Em janeiro, o governador Ibaneis Rocha (MDB, ex- PMDB) disse à imprensa que uma das coisas que irá restringir é o direito ao passe livre. “Trata-se de mais um governador a desrespeitar as leis em vigor para atender ao empresariado”, disse Cláudio Antunes, diretor do Sinpro-DF.

Rocha disse que considera injusto um estudante, como o filho dele, ter direito ao passe livre. “Duvido que um estudante com condições financeiras tenha disposição para enfrentar a imensa burocracia que existe hoje para aquisição do passe livre. Atualmente, apenas 40% dos 100% dos estudantes que têm direito utilizam o passe livre justamente por causa da burocracia que os impede de acessarem o direito”, afirma o diretor.

Rian Santos Reis, é estudante do Centro de Ensino Médio 01 (CED 01) do Riacho Fundo, diz que a mudança proposta pelo governador irá prejudicar bastante. “Porque o governo irá dizer que nós temos condições de pagar, mas a maioria que eles vão dizer que têm, não tem condições. Eu, por exemplo, não poderei continuar com meu curso que faço em Taguatinga. Para pagar a passagem para o curso não vai dar. Vou ter de abandoná-lo”, declarou. (Foto)

Paulo Cesar Marques da Silva, professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB) e doutor em Estudos de Transportes pela University College of London (Inglaterra), diz que a Lei nº 4.462/2010, tem limitações e que em vez de criar mais burocracia, o governador deveria ampliá-lo porque a educação não ocorre só em sala de aula.

“A ideia do passe livre é reconhecer a condição de estudante e não uma de carente.  Por que o governador não está falando em reduzir o valor da meia-entrada em cinemas só para quem não pode pagar a inteira? A ideia da meia-entrada para o cinema, show, teatro  etc., todas as atividades culturais, é porque se entende que essa atividade promove a cultura, a educação. Educação não é somente ir para a sala de aula na escola e voltar para casa. É uma formação mais completa. Não existe o crivo nem em relação à condição socioeconômica e nem deve existir”.

Ele afirma que esse direito deveria ser ampliado. “Acho que esse conceito de por ser estudante as pessoas devem ter acesso livre ao transporte é para ir para a escola, assistir aula, como ir para a escola fora do horário de aula para se encontrar, para ir à biblioteca, fazer trabalhos, ir para o cinema, teatro,  é para ter acesso à vida e suas atividades, bem como uma vida independente  que faz parte da formação da pessoa”, afirma o professor da UnB.

Silva diz ainda que todo ano a UnB tem de ir no DFTrans explicar que o ano letivo da universidade não se resume a um dia que começam as aulas e outro que terminam. Ele conta que todo ano a UnB vai lá explicar que, além das aulas, a universidade tem atividades de extensão, pós-graduação e outros e que os estudantes precisam ir à universidade na hora da aula e fora da hora da aula e que o estudante do mestrado, doutorado, pós-graduação não têm aula e que tem de ir à universidade todo dia, incluindo aí o período de férias e precisam do passe livre nas datas fora do ano letivo. Dois dias depois das declarações de Ibaneis Rocha, Silva publicou, no Correio Braziliense, um artigo intitulado “Passe livre e educação” (confira).

MOVIMENTO ESTUDANTIL – A estudante de agronomia da UnB e militante do movimento Levante Popular da Juventude, Katty Hellen da Costa, disse que, com essa fala, Ibaneis prova que não sabe ou não quer diferenciar o que é um direito e o que é uma política pública para redução das desigualdades sociais. Direito tem de ser garantido a todos, independentemente, de quem seja, se rico, pobre, preto, branco, mulher, homem, LGBT.

“Direito é garantido a todos e o passe livre é um direito conquistado pelo movimento estudantil que não deve ser retirado e, sim, assegurado a todos assim como os direitos previstos na Constituição, nas leis infraconstitucionais e tudo o mais, tais como a saúde, a educação, a moradia, a segurança, o transporte público etc.”, afirma a estudante.

Ela diz que todos os governos que passaram pelo Palácio do Buriti aperfeiçoaram a burocracia para dificultar ao máximo a aquisição do passe livre. Se ele fizer isso, haverá uma piora no processo de burocratização que irá impactar de fato, dificultando ao estudante acessar a faculdade ou a escola.

“Somos contra essas medidas. O que temos comprovado em levantamentos que fazemos é que os estudantes que não precisam de passe livre nunca o procuram até porque não querem enfrentar a burocracia. Retirar o passe livre de qualquer estudante é retirar o direito conquistado. Quem estuda em faculdades particulares, majoritariamente, são pessoas de baixa e média rendas, que precisam trabalhar o dia inteiro para pagar a mensalidade da faculdade no fim do mês. Eles praticamente usam todo o seu salário para isso”, assegura.

O GDF diz que de 195 mil estudantes usam o passe livre no Distrito Federal. Apesar desse número, existem milhares de casos de evasão escolar por causa da burocracia para aquisição do passe livre. “Para a gente não se trata somente de aumento das tarifas, mas a quem o governador Ibaneis Rocha quer servir com o transporte público do DF. O dinheiro que é repassado para as empresas é um valor elevadíssimo que poderia assegurar o transporte público sem cobrança de tarifa”, garante Katty Costa.

O Movimento Passe Livre (MPL) defende a tarifa zero para todos indistintamente. Em 2013, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou uma Nota Técnica intitulada “Transporte Integrado Social – Uma proposta para o pacto da mobilidade urbana” sobre a viabilidade de criação de um mecanismo de gestão e regulação federativa do transporte público urbano que institui gratuidades sociais e compete para o rebaixamento do valor das tarifas por meio, dentre outras medidas, da desoneração do setor.

FINANCEIRIZAÇÃO DO DIREITO AO PASSA LIVRE – Gabriel Magno, diretor do Sinpro-DF, afirma que o passe livre é um direito garantido e que a declaração do governador é uma tentativa falaciosa, de jogar para a plateia, e dizer que só merece quem não pode pagar e que tem de comprovar a renda é o mesmo discurso da escola pública, da universidade pública, do hospital público, enfim, é a concepção de que isso não é um direito e sim uma mercadoria e pode ser vendido.

“O direito de ir e vir dos estudantes é direito. Direito precisa ser garantido, regulamentado e não criar mecanismos de dificuldades para acessá-lo. Essa conversa de dizer que quem pode pagar, pague, é a lógica da financeirização dos direitos. Trata-se de um equívoco de concepção”, afirma Magno.

Ele diz que, na opinião da diretoria do sindicato, Ibaneis está achando que, por ter sido eleito, ele tem superpoderes e é um supergovernador e esquece que tem outros poderes instituídos também. “O caso do passe livre é mais um exemplo dessa arrogância porque o passe livre, hoje, é uma lei”, afirma. Magno explica que, em primeiro lugar, o passe livre é um direito previsto em lei e que para alterá-lo é preciso mudar a lei. “É preciso enviar projeto para a Câmara Legislativa do Distrito Federal, os deputados terão de debater entre si e com a sociedade, ou seja, o projeto para isso terá de tramitar. Não é a vontade do governador e que se faça valer a vontade”.

Em segundo lugar, outro problema na lógica do passe livre no Distrito Federal é que o governo apresenta as contas, e essas contas são bem duvidosas, mas é preciso identificar a parte do empresário porque sempre o discurso é, e agora nesse caso, de que a conta para o governo é muito alta, mas, se o sistema de transporte é uma concessão pública, é importante que essa conta seja dividida com o empresariado. “Se a gente abrir a caixa-preta do sistema de transporte, qual é o lucro? Qual o tamanho? Qual é a margem disso? Isso vale não só para o passe livre, mas para todo o sistema. Tanto do preço da passagem do usuário que não tem acesso ao passe livre, as condições e qualidade dos ônibus. Há muitos anos que a gente bate nessa tecla”.

Em terceiro lugar, “a outra mentira do governo Ibaneis com relação ao passe livre, é que hoje somente 41% dos estudantes do DF é que acessam o passe livre. Ou seja, dos 100% que poderiam, menos da metade o utiliza. Também não é verdade o que Ibaneis  fala de que é preciso restringir. Já é restrito”, afirma.

 

Sinpro disponibiliza tira-dúvidas para escolha de turma no ano letivo de 2019

Para ajudar os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais no momento de distribuição da carga horária, o Sinpro montou um tira-dúvidas com o objetivo de facilitar a aplicação da nova portaria, que regulamenta normas para a coordenação pedagógica, normas sobre a distribuição da carga horária e normas sobre os procedimentos de escolha de turma para 2019.

Hoje a Secretaria de Educação do Distrito Federal confirmou que a Portaria nº 395/18 será retificada para atender questões relacionadas às salas de recurso dos Centros Interescolar de Línguas (CIL). Caso a republicação não ocorra até o dia 4 de fevereiro, a SEE irá reorientar essas unidades escolares via circular até que a portaria possa ser publicada no Diário Oficial do DF.

Além do tira-dúvidas, o Sinpro realizou, em janeiro, uma transmissão pelo Facebook orientando o preenchimento do formulário eletrônico do SIGEP, de forma que os professores e diretores podem acessar este vídeo para ter mais informações.

Solicitamos que cada professor(a) faça a leitura e em caso de dúvidas entrar em contato com o diretor do sindicato que visita a sua escola.

 

Clique aqui e confira o tira-dúvidas.

GDF descumpre cronograma para pagamento da pecúnia dos aposentados

A diretoria do Sinpro entrou em contato com representantes do Governo do Distrito Federal durante a manhã dessa sexta-feira (1) para cobrar o crédito da pecúnia da licença-prêmio dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais aposentados(as) que não ocorreu no último dia útil do mês, e foi informada pelo governo que o crédito será feito na noite da próxima quarta-feira (6). O crédito contemplará os(as) servidores(as) aposentados(as) até o dia 7 de julho de 2016.

Esse atraso quebra um acordo firmado entre o GDF e o Sinpro, de manter o cronograma mensal de pagamento desse direito até o último dia útil do mês.

O Sinpro solicitou uma reunião com o governo e estamos aguardando a confirmação da data para que possamos debater os itens financeiros da nossa pauta de reivindicações, dentre eles a quitação das pendências da pecúnia.

O sindicato continuará cobrando uma reunião com o governo para debater propostas de quitação de todos os valores pendentes, e é importante que todos(as) fiquem atentos às publicações do sindicato, porque em caso do crédito não ser feito na data sinalizada pelo governo (6), a categoria será convocada para ações que agilizem o processo de pagamento.

Intervenção militar: governo publica portaria

O Governo do Distrito Federal decidiu que fará intervenção militar nas escolas públicas do DF e já começou a instrumentalizar a manobra com a publicação da Portaria Conjunta nº 1. O processo intensifica a precarização da educação pública na capital federal, já que a proposta do governo é fazer intervenção militar em quarenta unidades do DF, enquanto que na outra ponta 638 escolas não tiveram, até o momento, nenhuma sinalização de novos investimentos.

No Distrito Federal, investimento por estudante/ano gira em torno de R$ 10 mil e, segundo o Ministério da Educação, as escolas militarizadas têm um investimento de 19 mil. Mesmo o GDF sabendo que todas as escolas precisam de mais investimentos, a opção foi de tentar iludir a população promovendo a intervenção em algumas unidades, que servirão de vitrine política para o governo, em detrimento a 450 mil estudantes das demais escolas, que não terão acesso a esses investimentos.

Nas redes sociais, muitos(as) professores(as) já tem demonstrado insatisfação em relação à opção do governo, inclusive debatendo o óbvio: se o GDF colocar mais recursos financeiro e mais 25 professores/orientadores em qualquer escola, o rendimento dos estudantes melhorará substancialmente.

O DF atualmente está em 4º lugar no ranking do IDEB do ensino médio e em 5º lugar no mesmo ranking para as escolas de ensino fundamental. Para o diretor do Sinpro Júlio Barros, os dois argumentos básicos para a militarização das escolas públicas são a questão da disciplina e da qualidade da educação. “Com relação à disciplina, temos a destacar que a rede pública não conhece a própria rede. Um dos exemplos é o PROEM, que é uma escola vocacionada, dentre outras questões, para estudantes com problemas disciplinares, e a alternativa para este problema passa pela execução do Plano Distrital de Educação, como a Meta 2, que na sua estratégia 2.19 fala da criação de um PROEM nas 14 regiões administrativas. Mas inicialmente poderíamos criar 4 polos de PROEM nas cidades de Sobradinho, Ceilândia, Estrutural e Recanto das Emas. No tocante à qualidade de educação, o que fará com que o DF avance mais ainda na qualidade de ensino é dar as condições objetivas para um bom funcionamento das escolas de tempo integral, a criação das escolas parques nas 14 RA’s, a ampliação dos investimentos por estudante com a criação do CAQ, e cumprir a Meta 20 do PDE, que é a ampliação do investimento na educação tendo como parâmetro o PIB do Distrito Federal”, ressalta Júlio Barros.

O Sinpro entende que o governo do DF optou por impor uma forma de administração da educação e continuará denunciando a ausência de política e investimento para os 450 mil estudantes das nossas 638 escolas, que estão neste momento sem sinalização alguma do governo para receber melhorias.

A posição do sindicato é de que o que faz a diferença é o investimento, e a prova disso são os Institutos Federais. Com menos investimento que as escolas militarizadas, mas com mais recursos que as escolas civis, elas conseguem um rendimento superior que as escolas militarizadas. Segundo o MEC, o investimento médio nos IF’s gira em torno de R$ 16 reais/ano.

Para que a categoria e a comunidade escolar possam ter mais informações sobre esse tema, o Sinpro produziu vasto material, que pode ser acessado pelos links abaixo. Os(as) professores(as) e orientadores(as) também podem pegar o material na sede e nas subsedes do Sinpro.

Folha do Professor

Sinpro Cidadão

 

SEEDF se posiciona contrária à militarização

A própria Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) sabe que a militarização não é boa e que é divergente.  Na quinta-feira (24), a SEEDF publicou um relatório técnico e conciso contrário à iniciativa proposta pelo governador Ibaneis (MDB).

O parecer foi protocolado no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), entretanto, não durou muito. O chefe da pasta, Rafael Parente, discordou da emissão e anunciou que o responsável pela construção do texto será exonerado do cargo.

No documento, a secretaria criticou diversos pontos do projeto SOS segurança, que determina a militarização do ensino sob a desculpa de necessidade de combate a violência nas escolas.

Além de denunciar os impactos negativos da medida que cria uma estrutura desigual uma vez que investe, a princípio, em apenas quatro escolas e ignora as outras 638 unidades educacionais, o parecer também questionou a composição da equipe gestora. De acordo com o texto, o projeto desrespeita a Lei 4.751/2012, que determina a Gestão Democrática do Sistema Público de Ensino do DF,  e aponta para o fato de que a medida não seria a solução para os reais problemas da educação pública. O parecer também questiona a nivelação hierárquica e afirma que o projeto piloto é um ataque ao  Artigo 205 da Constituição Federal de 1988 e à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), que estabelecem a função social essencial da escola.

Após a divulgação do documento, ao invés de refletir sobre o conteúdo do parecer, o governo optou pelo silêncio e exonerou o servidor que fez os questionamentos baseados na legislação e na realidade da própria SEEDF que, atualmente, também carece de efetivo para atender as demandas pedagógicas da comunidade escolar. Isso porque o relatório aponta para a necessidade de contratação de efetivo para atuar em projetos.  O Sinpro destaca que várias escolas estão com laboratórios fechados, projetos de redação, matemática e muitos outros parados porque, de fato, há um déficit no quadro.

Entenda o projeto

A proposta prevê a  militarização da CED 1 da Estrutural, CED 3 de Sobradinho,  CED 7 de Ceilândia e CED 308 do Recanto ). O modelo educacional anunciado já foi implementado em alguns estados como Goiás, Bahia, Roraima e Mato Grosso e dividiu opiniões. A princípio, o projeto SOS segurança será implementado em quatro escolas e a pretensão é de expandir para mais 36 unidades até o fim do mandato.

O secretário de Educação afirmou que essas unidades de ensino adotarão o mesmo formato das escolas militares em relação à exigência da disciplina e ao cumprimento de horários. Cada uma das escolas receberá de 20 a 25 militares (policiais ou bombeiros) que deverão integrar o quadro de servidores. De acordo com o chefe da Casa Militar, coronel Júlio César Lima de Oliveira, os policiais que participarão do projeto serão aqueles que “estão com restrição médica e na reserva”.

Para o Sinpro-DF, a medida é apenas uma maquiagem aos reais problemas da educação. É preciso encontrar uma solução democrática que atenda todos alunos de forma igualitária sem segregação, como por exemplo,  por meio do investimento em todas as escolas públicas civis, redução do número de alunos por turma e a contratação de mais professores (as) e orientadores (as) educacionais.

 

 

 

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