Autorizada contratação de 1.150 professores temporários para rede pública de ensino
Jornalista: Luis Ricardo
Foi publicado no Diário Oficial do Distrito Federal desta terça-feira (29) a autorização para a contratação temporária de 1.150 professores(as) temporários(as) para o exercício de 2016. Dos atuais 4.600 contratos temporários, poderão ser contatados, a partir de agora, até 5.750 professores(as). Trata-se de uma ampliação da capacidade de contratação temporária da Secretaria de Educação do DF.
Em contrapartida à ampliação que está sendo feita para a contratação temporária, o Governo do Distrito Federal ainda não publicou o edital do concurso público para a educação básica da Secretaria de Educação. O Sinpro tem reivindicado a publicação do edital, uma vez que a contratação de professores temporária não acaba com os problemas existentes na rede pública de ensino.
Alckmin apresenta reajuste pífio para professores de SP
Jornalista: Leticia
O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) suspendeu os bônus que eram pagos aos(às) professores(as) estaduais anualmente. O valor, que seria de 2,5%, foi cancelado e automaticamente revertido para um reajuste irrisório para a categoria, que há dois anos já não recebe aumento.
Esta política de meritocracia instalada em 2008 em São Paulo (e outras regiões do país) é duramente combatida pelo Sinpro, pois bônus não é salário e o governo inclui, retira e o transfere quando bem entender.
Em entrevista para o jornal O Estado de S. Paulo, Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), criticou duramente a proposta. “É um absurdo que nos ofereçam uma proposta de reajuste de 2,5%, quando temos uma inflação acumulada neste período de 16,5%. É humilhante para os professores uma proposta como essa. Para nós, o razoável seria repor as nossas perdas salariais do período”, disse.
Para a Folha de S. Paulo, o presidente do CPP (Centro do Professorado Paulista), José Maria, Cancelliero, disse que “esse percentual é uma miséria. O professor está sem reajuste desde 2014, mas a choradeira do governo é que está em crise e que não tem arrecadação”.
Segue abaixo a nota publicada no site da Apeoesp:
NOTA DA APEOESP SOBRE A PROPOSTA SALARIAL DO GOVERNO ESTADUAL
A Diretoria da Apeoesp recebeu do Secretário Estadual da Educação na tarde desta segunda-feira, 28/03, a informação de que o Governo Estadual pretende converter, emergencialmente, neste ano, os recursos que seriam destinados ao pagamento do bônus para os profissionais do Magistério em reajuste linear de apenas 2,5%.
Este percentual está muito distante do necessário para a valorização de uma categoria tão importante como são os professores, sobretudo os professores estaduais paulistas, que estão há dois anos sem reajuste salarial, com grandes perdas acumuladas. Por isso, a diretoria da Apeoesp recusou este percentual na própria reunião. Não dá para iniciar uma conversa sobre um reajuste tão insignificante.
O Secretário reuniu-se pela manhã com as demais entidades da educação e com a Apeoesp na parte da tarde. Ou seja, já pela manhã as entidades receberam a minuta de projeto de lei convertendo o bônus em reajuste e tomaram conhecimento do percentual de 2,5% de reajuste linear para todas as categorias dos profissionais da educação, o que só ocorreu à tarde com relação à Apeoesp.
Frente à proposta do Governo, é necessário debater nas escolas, para que a categoria tome suas decisões na Assembleia Estadual que será realizada no dia 8 de abril, às 14 horas, na Praça Roosevelt, em São Paulo.
Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da Apeoesp
(Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo)
Autorizada a ampliação de carga horária para professores(as) em regime de jornada ampliada
Jornalista: Luis Ricardo
A governança do gabinete do Governo do Distrito Federal autorizou, durante a tarde desta quinta-feira (24), a ampliação de carga horária de aproximadamente 250 professores e professoras da rede pública de ensino do DF. A ampliação se dará aos professores que atuarão em regime de jornada ampliada. A autorização de ampliação deve ser publicada no Diário Oficial do DF nos próximos dias.
Os(as) professores(as) que solicitaram ampliação de carga para ficar no formato 20h + 20h e os(as) orientadores(as) educacionais não tiveram a autorização liberada. Para estes casos o Sinpro continuará negociando com a Secretaria de Educação do DF.
Movimento sindical de todo o País lança Comitê em Defesa da Democracia
Jornalista: Luis Ricardo
O movimento sindical em todo o País lançou, nesta quinta-feira (24), o Comitê em Defesa da Democracia. Além de defender a democracia brasileira, o objetivo do Comitê é evitar um golpe de estado, exemplo do que aconteceu em 1964, quando um golpe militar foi deflagrado contra o governo legalmente constituído por João Goulart. O que se viu a partir daí foi uma violenta repressão aos trabalhadores e àqueles que se opunham ao regime militar que tomou o poder.
A tentativa de um golpe de estado volta a se repetir, agora num contexto de golpe institucional, com a abertura de um processo de impeachment sem a existência de um crime cometido pela presidente da República Dilma Rousseff.
Apesar de toda massificação e deturpação das informações feitas pela grande mídia, a população brasileira começa a ter uma leitura mais clara da atual conjuntura política. Por meio das discussões e análises feitas ao redor do País, é cada vez mais clara a constatação do povo que a tentativa de se utilizar da própria legislação para instituir um impeachment sem fundamento legal, configura um golpe de estado e uma grande mácula na democracia e no estado democrático de direito.
O impeachment é sim um instrumento legal do regime democrático, mas desde que utilizado a partir da existência de um crime. Sem a caracterização de crime por parte da presidente da República, torna-se golpe de estado.
Em decorrência da gravidade do que vem ocorrendo hoje, movimentos sociais, sindicatos, associação de moradores e setores da sociedade em geral começam a se organizar com o objetivo de impedir que o golpe aconteça. No Distrito Federal, vemos este movimento se expandindo para além das grandes avenidas, do Plano Piloto, surgindo, também, nas periferias da capital federal, vindas de pessoas simples. Esta organização espontânea também é realizada por artistas, jornalistas e demais profissionais que, nos espaços onde atuam, tem defendido a manutenção da democracia, que passa pelo respeito ao resultado das urnas em outubro de 2014. O pensamento que ganha cada vez mais espaço é que o golpe de 64 não vai se repetir.
A partir das condições de se organizar por meio das redes sociais e das mídias alternativas, o povo tem mostrado que pode impedir que atores como a Rede Globo, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a FIESP e políticos de partidos de direita estabeleçam no Brasil um estado de exceção, como fizeram em 1964. Passadas cinco décadas, os mesmos atores, incluindo a Rede Globo e a OAB, que apoiaram o golpe de 64 e voltaram atrás apenas em 68, quando não tinham mais opção, voltam à cena na tentativa de um novo golpe de estado. A FIESP, por sua vez, criou o mesmo pânico nos trabalhadores da época e, hoje, é quem mais luta para tirar direitos dos trabalhadores, ou seja, está aguardando o golpe para atacar os principais benefícios dos trabalhadores, exemplo do 13º salário, das férias remuneradas e da licença maternidade de 180 dias.
O que está em curso, hoje, é a manutenção dos direitos e de todas as conquistas obtidas pelos trabalhadores, o respeito à democracia e a luta pelos avanços alcançados nos últimos quatorze anos. A luta pela democracia não está focada na defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff, mas na defesa do estado de direito e no entendimento que o projeto que venceu as eleições de 2014 precisa começar a discutir a ampliação dos direitos, que é o que defendemos.
Desta forma é cada vez mais importante que as pessoas comecem a se organizar em defesa da democracia nos atos e demais atividades que começam a surgir nas cidades, universidades, igrejas ou em qualquer lugar onde o debate comece a se intensificar.
Dia 31 de março, Dia Nacional de Mobilização, será a data para toda a população, entidades do movimento social brasileiro e a sociedade em geral exijam a manutenção das conquistas e o respeito ao sistema democrático com uma Marcha a Brasília. A manutenção das conquistas e o respeito ao sistema democrático depende de cada um de nós.
Já estão abertas as inscrições e adesões para a 5ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, que oferece aos professores de língua portuguesa um processo formativo que o auxilia na reflexão sobre sua prática e sobre a função social da escrita, fortalecendo seu trabalho em sala de aula. A experiência de produção de textos possibilita aos estudantes a ampliação das competências na linguagem oral, na leitura e na escrita, além de aprofundar o olhar sobre o lugar em que vivem. As inscrições serão feitas exclusivamente pelo site www.escrevendoofuturo.org.br.
Os primeiros 100 mil professores(as) inscritos(as) receberão um DVD com a versão virtual da Coleção da Olimpíada, material de apoio para o ensino da escrita em quatro gêneros textuais. Podem participar da olimpíada professores da rede pública e seus estudantes, nas categorias: Poema, Memórias Literárias, Crônica e Artigo de Opinião. Participe, inscreva-se e prepare seus estudantes.
Inscrições para o curso "Distrito Federal: seu povo, sua história"
Jornalista: Leticia
As inscrições para o curso “Distrito Federal: seu povo, sua história” vão até o dia 23 de março. Confira no site da Eape.
O público-alvo são professores(as), coordenadores(as) locais, supervisores(as), diretores(as) e demais profissionais da Secretaria de Educação.
São 60 vagas e carga horária de 180 horas. O curso é presencial e será realizado de 05/04/2016 a 22/11/2016, sempre às terças-feiras, das 14h às 17h, no Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal (SEP/Sul, EQ 703/903, Conjunto C, entre o Colégio Leonardo Da Vinci e a UDF).
As inscrições são gratuitas. Participe!
Concurso propõe a estudante de até 15 anos escrever uma carta para si mesmo aos 45
Jornalista: Leticia
Escrever uma carta para você mesmo ler aos 45 anos de idade é a proposta do 45º Concurso Internacional de Redação e Cartas, promovido pela União Postal Universal (UPU). Com sede na Suíça, a organização estimula, com o concurso, a criatividade e o conhecimento linguístico em crianças e adolescentes de mais 191 países. No Brasil, há seis anos, a inciativa encontrou no Ministério da Educação e nos Correios o apoio necessário para ser realizada.
Alunos com até 15 anos de idade, das redes pública e particular, podem participar dessa experiência. As redações devem ser enviadas pelos Correios, com a ficha de inscrição assinada pela escola, até o dia 17 próximo. Cada instituição pode indicar apenas duas redações para concorrer na etapa estadual.
Vencedora da etapa nacional e terceira colocada na fase internacional na edição do ano passado, a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Carlos Drummond de Andrade, localizada no município de Cacoal, em Rondônia, já está se preparando para a edição desse ano.
De acordo com o diretor da instituição, Celso Silveiro, 47 anos, mais de cem redações são examinadas pela banca formada por professores da escola. “Já estamos nos preparando. Os professores estão trabalhando com os alunos técnicas de redação e o tema para este ano. Estamos nos organizando para apresentar boas redações. Esperamos ter o mesmo êxito do ano passado”, afirma Celso, diretor há 15 anos da instituição.
Este ano, a proposta do concurso é gerar uma autorreflexão, sem limites para a imaginação. A sugestão é abordar temas como política, religião, artes e descobertas científicas, mas é possível descrever como o autor se sente. Escritas em português e a mão, com caneta de tinta preta ou azul e, preferencialmente, em folha pautada, indicada pelos Correios, as redações devem ser argumentativas e apresentadas no modelo de carta internacional. É importante começar sempre com uma saudação, incluir endereço do destinatário e remetente e, ao final, despedida e assinatura. Premiação— Dividido nas etapas escolar, estadual, nacional e internacional, o concurso oferece, além dos tradicionais certificados, premiação variada. Na fase estadual, os primeiros colocados receberão R$ 1 mil; as escolas, R$ 2 mil. Na etapa nacional, ambos ganharão troféus. Além disso, a escola receberá R$ 10 mil; o aluno, R$ 5 mil. O estudante ganhará ainda uma viagem a Brasília, com acompanhante, para participar da premiação nacional.
Na fase internacional, os três classificados receberão medalhas. Para a categoria ouro haverá uma premiação especial, a ser anunciada no momento da entrega.
O regulamento e o formulário da redação, a ficha de inscrição e o endereço para o envio das redações estão napágina dos Correiosna internet.
(do MEC)
CIL 1 de Brasília divulga vagas remanescentes para 1°/2016
Jornalista: Leticia
O CIL 1 de Brasília divulgou as vagas remanescentes para o primeiro semestre de 2016, para as aulas de espanhol, francês e inglês. Os níveis disponíveis são 1A (estudantes do 6° e 7° anos do ensino fundamental), 1C (estudantes de 8º e 9º anos do ensino fundamental) e E1 (estudantes do ensino médio, EJA e para toda a comunidade – desde que maiores de 16 anos).
As inscrições são realizadas nos dias 8 e 9 de março e são por ordem de chegada. Os documentos necessários são o comprovante de escolaridade (estudantes da rede) ou certificado de conclusão de curso, uma foto 3×4, cópia do RG ou certidão de nascimento e cópia de comprovante de residência.
A inscrição de candidatos(as) menores de 18 anos deve ser realizada pelo pai, mãe ou responsável legal. O CIL 1 de Brasília está localizado no SGAS 907/908 (Asa Sul). As vagas são para os três turnos (manhã, tarde e noite).
Mais informações estão disponíveis aqui.
Estudantes de escolas públicas do DF são premiados em concurso da DPU
Jornalista: Luis Ricardo
Cinco estudantes da rede pública do Distrito Federal fizeram bonito no 1° Concurso de Redação da Defensoria Pública da União (DPU). O concurso de 2015, que teve como tema Eu tenho direito e a DPU está comigo!, premiou 42 estudantes, 14 professores(as) e três escolas da rede pública de cursos regulares e de Educação de Jovens e Adultos (EJA) de todo o país. Do DF foram premiados: William dos Reis Lopes Vieira, do Centro Educacional Dona América Guimarães, em Planaltina; Rafaela Durães, do 8º ano do ensino fundamental EJA, e Rayane Vitória Neves do Nascimento, do 9º ano do ensino fundamental EJA, ambas do Centro de Ensino Fundamental 12, de Ceilândia; Dominga Ribeiro Santana, do 2º ano do ensino médio EJA, e Rosenilde Martins Pereira, do 3º ano do ensino médio EJA, que estudam no Centro Educacional do Lago Norte.
O Distrito Federal foi a unidade da federação com o melhor desempenho no concurso. Para William dos Reis, um dos vencedores, iniciativas como a da DPU tem uma importância muito grande na vida do estudante. “É muito importante e gratificante, pois no bairro em que moro há muita violência, e o concurso serviu para a gente poder aprender um pouco sobre nossos direitos e como incentivo aos estudos”, salienta.
Uma das maiores lutas do Sinpro e de toda a categoria é por uma escola pública de qualidade e prêmios como este mostram que a educação do DF está no caminho certo. De acordo com Ana Pedrosa, professora de Português do Centro Educacional do Lago Norte, este concurso colabora para o aprendizado e crescimento do cidadão. “Além de conhecer um pouco da DPU, este concurso oferece um conhecimento a mais para cada um deles, pois auxilia na escrita e na análise que fazem da sociedade como um todo”, finaliza.
Menino cria canal no YouTube para resgatar a história afro-brasileira
Jornalista: Leticia
Existe um panteão oculto de heróis brasileiros. Livros os escondem entre linhas ou citações vagas, a escola não os cola em cartazes pelos corredores, e os filmes, quando os retratam, acabam por embranquecê-los – como fazem com os egípcios nos longas-metragens hollywoodianos. Um panteão sombreado por outro, branco e aclamado, como se somente descendentes de europeus fossem os responsáveis por construir o Brasil, cultural e socialmente. Mas o paulistano Pedro Henriques Cortês, com apenas 14 anos, sabe mais. Bem mais. Ele entende que negros como ele foram o corpo, o cérebro e a alma visível e invisível da constituição do país.
Conhecer as andanças e feitos de gigantes como Dandara, Zumbi dos Palmares e Luiz Gama não é tarefa fácil, ainda mais para crianças. Em 2003 entrou em vigor (e com muito atraso histórico) a lei 10.639/03, que torna obrigatória a inclusão da história afro-brasileira nas redes de ensino público. Sua aplicação, mais de dez anos depois, está longe de ser adequada, com resultados ainda não precisos: estima-se que em apenas 10% das mais de 5 mil escolas públicas brasileiras houve algum mudança curricular.
Quando se folheiam os livros didáticos de História, a gravidade dessa falta é notória. Quando muito, há capítulos dedicados ao genocídio que foi a escravidão ou às heranças culturais que, embora muitos importantes, já foram abordadas à exaustão, como o samba e a capoeira. São essas as páginas folheadas em escolas públicas e particulares, e quando uma criança negra não se vê nos livros, ou se encontra espelhada em lugares-comuns, ela tem dificuldades de se sentir representada e gostar de si própria.
A representatividade – como também sua falta – afetam profundamente o desenvolvimento das crianças. O artigo Infância Negra, das autoras Sephora Santana Souza, Tarcília Melo Lopes e Fabianne Gomes da Silva detalha o exílio representativo, sentimento que meninos e meninas negros compartilham por se verem isolados de representações comuns, como contos de fada ou figuras históricas. “A identidade da criança negra está em processo de construção e se constitui nas interações sociais. Por isso, é fundamental que ela encontre na escola elementos significativo referente à sua etnia, proporcionando a percepção da sua autoestima”, relata uma das passagens do texto. Pesquisa e resgate
Pedro Henrique Cortês encontrou a centelha de representatividade dentro de casa. Sua mãe sempre fez questão de que o lar fosse muito bem frequentado por heróis e heroínas negros, estivessem eles em livros ou em conversas descontraídas. Foi uma provocação dela que fez Pedro Henrique se questionar o motivo de não conhecer os heróis de seu próprio país. Após ter assistido à peça O Topo da Montanha, encenada por Taís Araújo e Lázaro Ramos, Pedro ficou curioso sobre a história de Martin Luther King. Assim, pediu à sua mãe um presente: as biografias de Martin, de Nelson Mandela e de Malcolm X.
Falar rasamente de Zumbi, das danças, comidas e música, é desprezar tudo que esses homens e mulheres célebres fizeram
A mãe argumentou que só daria os livros de presente se Pedro se dispusesse a pesquisar e conhecer a histórias dos heróis e heroínas brasileiros. Pesquisando entre livros, internet e com a ajuda da família, o jovem percebeu a dificuldade em encontrar informações sobre os ídolos negros nacionais. Na escola onde estudava, tudo que ele ouvia era estereotipado. “Falar rasamente de Zumbi, das danças, comidas e música, é desprezar tudo que esses homens e mulheres célebres fizeram”, opina.
Pedro se considera muito tímido. A fim de se tornar mais desenvolto, criou o canal PHCortês no YouTube. Logo percebeu que o conhecimento acumulado em suas leituras e pesquisas precisava ser compartilhado. Começou, no simbólico 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, a série Heróis Brasileiros. Nela, aborda com sabedoria acima de sua idade, sem deixar a irreverência natural de um adolescente de sua idade, sobre fatos e anedotas de personagens negros importantes da história brasileira.
O primeiro a ser retratado foi Zumbi dos Palmares. No começo do vídeo, Pedro já avisa: para quem não tem orgulho de suas raízes brasileiras, é melhor fechar o vídeo, pois as histórias que ele conta bebem sem fim nas peripécias orgulhosas de seus protagonistas.
Seguiram-se então outros grandes nomes, como o advogado abolicionista Luiz Gama, o escritor Machado de Assis – um dos favoritos de Pedro. “Um célebre escritor, aclamado no mundo. Negro, gago, epilético, pobre. Ele derrubou tantas barreiras para chegar onde chegou, foi genial!”, afirma, com convicação. Pedro dedicou uma das gravações a João Cândido, líder almirante de umas das revoltas negras mais importantes, a da Chibata.
A heroína quilombola Dandara e a escritora Carolina de Jesus foram as primeiras mulheres sobre as quais Pedro falou, sendo Dandara também uma de suas grandes referências. “Imagine, naquela época uma mulher deter práticas de guerrilha e ser de fato uma líder! Ela era tão líder quanto Zumbi.”
O vídeo mais recentemente gravado foi sobre uma heroína contemporânea, “a mulher do fim do mundo”, como é conhecida a cantora Elza Soares. Se o bloco Ilú Obá de Min recentemente a homenageou, levando-a pelas ruas de São Paulo durante o Carnaval, Pedro também a relembra como uma musicista icônica e mulher muito à frente de seu tempo. De todos os tempos.
Ainda que não faltem matérias sobre o seu trabalho e que os comentários de seus vídeos sempre o encorajem a continuar, até mesmo sugerindo outros personagens, Pedro é bastante modesto em relação ao alcance do seu canal. “Não sei se posso influenciar, mas pelo menos há uma reflexão sobre esse assunto que parece tabu em todos os núcleos, tanto escolar, como familiar e social”. Hoje o seu canal conta com mais de 10 mil inscritos, e são muitos os educadores que prezam e dizem utilizar o seu material dentro das salas de aula.
Um herói que figura em um panteão, o historiador Franz Fanon – autor do livro Pele Negra, Máscaras Brancas, escreveu que “a consciência é uma atividade transcendente”.
Os olhos de Pedro refletem uma história que corre violenta e brava em suas veias – e na veia de todos brasileiros, conscientizando o ato de se importar, de reconhecer nossas raízes. Sem perceber, e talvez fique mais tímido se ouvir o elogio, Pedro também se torna parte dessa constelação de heróis, simplesmente por jorrar uma rara luz sobre eles.
(do Porvir)