Regular empresas de comunicação aumenta a liberdade de expressão

Em conversa com jornalistas durante o voo entre o Siri Lanka e as Filipinas, em seu recente  périplo pelo Oriente Médio, o Papa Francisco,  defendeu a existência de limites à liberdade de expressão: “Quanto à liberdade de expressão, todos têm direito de se pronunciar, mas sem ofender. Há um limite, toda religião tem sua dignidade e não pode ser entregue à chacota“. O Papa referia-se às sátiras do Charlie Hebdo, mas é evidente que defendia uma tese: todos — religiões e cidadãos — têm direito a que  sua dignidade não seja maculada. Esta é, aliás, também, a voz do Estado de direito democrático.  Mas o Papa-estadista vai  em frente e afirma:  “Se meu amigo Gasbarri [seu médico acompanhante] ofender minha mãe, merece um soco” (Carta Capital, ed. de 21 de janeiro, p. 24). Um soco ou um tiro (ou vários tiros) integram o gênero agressão física; a distingui-los, a intensidade do dano imposto; e ambos, o soco e o tiro, ferem a ordem legal.
São sabidamente diversas e imprevisíveis as reações humanas.  Há aqueles que, diante de uma injúria,   silenciam   (dando ou não a outra face), e há os  que respondem  mediante a agressão física, resvalando para o que a crônica policial encerra sob a denominação de as ‘vias de fato’, que compreende desde o ‘soco’ prometido pelo Papa Francisco, ao assassinato, ou mesmo a atos de pura barbárie como aquele de 7 de janeiro em Paris. O direito à mais ampla liberdade de expressão, porém, tem como contrapeso a mais ampla responsabilidade.  Essa liberdade, contudo, só se materializa quando a opinião livre encontra canais de manifestação. Só  pode ser punido pelo que diz ou escreve, ou desenha ou caricata aquele que é  livre para dizer e escrever o que quiser.
O direito de expressão deve ser livre e universal, isto é, comum a todos os cidadãos. Esta é a regra, da qual se segue que  todo cidadão tem  o direito de dizer o que quiser, sob as penas da lei, que não pode impedir a manifestação do pensamento,  mas tão-só punir o delito por ventura decorrente dessa manifestação.
Ocorre que, diferentemente ao ‘direito à opinião’ (subjetivo), o direito à expressão livre (de opinião) depende da existência de um veículo mediante o qual a opinião seja expressada. Livre expressão subjetiva é igual a nada. A liberdade de expressão se materializa na circulação das ideias.
A questão crucial é que a ‘liberdade de expressão’ não é universal, ou seja, não é direito objetivo de todos, porque não somos igualmente sujeitos de direitos, nada obstante tratar-se de uma promessa  do art. 11º da ‘Declaração Universal dos Direitos Humanos’, da qual o Brasil é  signatário.  A imprensa nativa — para melhor dominar, como em um evidente silogismo–,  forceja por confundir liberdade de expressão com liberdade de imprensa, quando esta, entre nós,  está reduzida à liberdade de as empresas proprietárias de meios de comunicação dizerem o que bem entenderem, podendo, inclusive e livremente, ofender, distorcer, criar fatos e acontecimentos, ou,  ainda impunemente, construir e desconstituir conceitos e honras, noticiando ou omitindo a informação.
Na sociedade de massas, real (acontecido) não é o fato realmente ocorrido, mas o fato narrado pelos meios de comunicação. Só existe o fato noticiado, mas não necessariamente como ocorreu, mas sim como foi narrado, ou seja, como foi manipulado. Mas nem por isso defendo o fechamento dessas empresas ou a proibição  da circulação   ou emissão de sinais desses veículos.   Gostaria de vê-los sujeitos às leis do país (precárias, sim, mas são as que temos), como o Código Penal  e,  principalmente, gostaria de ver regulamentadas as atividades das  empresas proprietárias dos  veículos dependentes de concessão de serviço público, como regulamentadas são todas as concessões de serviço público. No Brasil, porém, os meios vivem erga Estado, ergalei, senhores inatingíveis, habitando um mundo próprio.
Por que não regulamentar as concessões dos serviços de rádio e de televisão, por excelência serviço público de interesse social?
A liberdade de expressão, ampla, para existir, pressupõe o acesso  de cada cidadão a um canal de expressão, ou seja um instrumento  mediante o qual  possa expressar sua opinião, e expressar opinião não é simplesmente emiti-la, é divulgá-la e essa divulgação exige um ‘veículo’.  O outro lado do direito à livre e ampla expressão é o direito à informação, a toda informação, sem censura, no sentido mais amplo possível. Essa ‘liberdade de informação’ é transmutada pela ideologia dominante, a ideologia veiculada pelos grandes conglomerados de comunicação,  em  ‘liberdade de imprensa’ que na verdade é apenas a liberdade de a empresa informar (deformando) sem nenhum limite, ou código de ética, dependente que é tão-só daqueles interesses ditados pela sua opção político-ideológica ou político-partidária, ou seus negócios políticos ou comerciais.
Esse direito que se transforma em poder monopolizado (o monopólio do direito de divulgar e opinar) nega o direito à informação, pois, ao cidadão é fornecida uma ‘informação’ filtrada pelo olhar ideológico da classe dominante, e ao invés do livre fluxo da informação e do livre-fluxo da opinião, temos, consabidamente, a ditadura da informação única, do pensamento único, da versão única, uniformizada, estandardizada, expelida pelo centro hegemônico e reproduzida, tal qual é emitida, por quantos meios e veículos se espalham país afora. No Brasil, os meios de comunicação de massa constituem, em seu conjunto, um Partido político, uma representação de interesses e um projeto de poder e esse Partido juridicamente externo ao sistema partidário legal orienta a ação e a prática dos partidos formais, e mesmo os substitui quando esses não cumprem com o papel que lhes foi designado.
As palavras são de Maria Judith Brito, então presidente da poderosa Associação Nacional de Jornais: “A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação. E, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo Lula”. A citação, evidentemente, não precisa ser atualizada, pois esse papel de exacerbado oposicionismo, de reconhecida ausência de isenção,  foi levado ao paroxismo no primeiro governo Dilma, realimentado na campanha eleitoral e prossegue impávido nos  dias de hoje, nas fímbrias do golpismo.
Como falar em direito à livre expressão, se os meios de comunicação (que devem expressar opinião e informação), estão, como é o caso brasileiro, monopolizados, oligopolizados, cartelizados? Não mais que três jornais, das duas metrópoles, ditam a opinião nacional, pois suas opiniões e informações (seu padrão editorial) são reproduzidas pelos jornais das províncias; uma rede de televisão oligopolista dita a audiência e a linha e o padrão e a estética de todas os demais canais, os quais, embora concorrentes na disputa  pela audiência/publicidade, seguem-na no discurso único do telejornalismo. O sistema de rede, reduzindo toda a programação nacional a dois ou três sinais, é, também, uma forma de ação autoritária (e neste caso claramente inconstitucional) dos centros hegemônicos (da economia, da política, da ciência e da cultura) de Rio e São Paulo sobre os demais Estados que veem sotopostas suas próprias manifestações e expressões culturais, assim esmagadas no nascedouro.
Do monopólio dos meios decorre o monopólio do conteúdo construindo o monopólio da fala e como consequência inevitável a destruição de uma das pilastras fundamentais da democracia, qual a praticamos, o livre curso das ideias. Se inexiste a opinião diversificada, advém a ditadura. A pior delas, a do monopólio privado.
Em um mesmo Estado, o Rio de Janeiro (trata-se apenas de um exemplo), uma só empresa é proprietária do maior jornal de opinião (que é também um dos três maiores do país), do maior jornal popular do Estado (aquele de maior circulação), do canal televisivo de maior audiência e igualmente da emissora de rádio de maior audiência. Quatro famílias controlam  o jornalismo gráfico brasileiro;  uma delas controla  também o meio televisivo. Esse sistema se reproduz, fractalmente, em todo o país, reduzindo a nada o direito à informação, a livre produção de pensamento e o intercâmbio de ideias, mutiladas ou inexistentes se não há liberdade de expressão. Suas consequências são notáveis, contribuindo para a crise geral da cultura, a crise das ideias, a crise da política, a ausência de debate. A regulação — do papel das empresas, e não da liberdade de imprensa que deve permanecer sem peias— é, pois, o instrumento do qual depende a sociedade para assegurar-se de  seu direito à informação e de o cidadão recuperar seu direito a expressar-se, isto é, ver circulando suas ideias. Condição pétrea e fundamento da cidadania numa sociedade democrática.
(Da Carta Capital)

Prioridade para governo, ensino médio demanda profunda reformulação

“Nós não temos uma fórmula pronta, mas temos indicadores de que o ensino médio precisa ser repensado.” A constatação da pesquisadora Carla Linhares, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), revela o desafio da etapa escolar a  ser enfrentado pela sociedade e governos brasileiros.
Atualmente, metade das crianças e adolescentes que estão fora da escola são jovens que deveriam estar no ensino médio. São 1,5 milhão de pessoas de 15 a 17 anos que não estudam, segundo dados do Observatório do PNE. Além disso, a etapa enfrenta altos índices de evasão. De acordo com o Censo Escolar de 2013, 9,2% dos estudantes da rede pública evadem ao longo dos três anos, sendo que o índice alcança 11% no 1º ano.
O debate sobre o ensino médio ganhou ainda mais visibilidade com o discurso de posse da presidenta Dilma Rousseff, que apresentou a reformulação curricular da etapa como prioridade de seu mandato, tornando-os um dos eixos do Brasil, Pátria Educadora. “Sabemos que essa é uma área frágil no nosso sistema educacional”, admitiu a governante.

A opinião é partilhada pela coordenadora geral da Ação Educativa, Vera Masagão. “Este é o nível em que mais estamos devendo, seja em termos de qualidade, de proposta pedagógica e até de compreensão do que fazer com esse aluno.”
Se o diagnóstico é claro, os caminhos para superá-lo ainda estão em discussão. Entender mais o adolescente é apontando como ponto de partida para o êxito de qualquer reformulação do ensino médio. “Há que refletir e pesquisar muito para pensarmos que jovem é esse e a partir daí vem a questão do currículo”, explica Carla, da UFMG.
Já Vera destaca que o ensino distante da realidade tem como consequência o desestímulo aos adolescentes. “É um grupo que exige conexão da escola com o mundo adulto e o ensino médio não tem sentido se não cumpre esse papel”, argumenta, discutindo a importância da etapa pautar com o estudante as questões contemporâneas.
Caminhos abertos
A conexão entre a realidade dos adolescentes e o mundo adulto é visto como uma maneira de preparação para os desafios que os jovens irão enfrentar. Isso significa trazer para dentro da escola temas de interesse dos estudantes para que possam explorar e vivenciar seus desejos e anseios e prepará-los para os possíveis caminhos que desejem seguir.
A coordenadora da Ação Educativa aponta que a a escola deve “introduzir uma cultura científica para que eles possam seguir estudando”, seja no ensino técnico, superior ou profissionalizante. No entanto, isso não basta. “A maioria dos cursos encaminha para as faculdades, mas muitos jovens nem pensam em ir para a universidade”, problematiza Carla, “o trabalho é uma das dimensões fundantes do adolescente”.
Diante das múltiplas demandas e possibilidades que os jovens trazem, é importante pensar uma formação integral dos sujeitos. “O currículo deve ser pensado como uma questão mais ampla de desenvolvimento do sujeito jovem, não apenas elencar disciplinas”, argumenta Carla. “Temos que pensar que ele é o objetivo maior do ensino médio e refletir quais são as necessidades dele no mundo contemporâneo”, complementa.
Reformulação em pauta
Mudanças e melhorias do ensino médio já previstas pela legislação. O Plano Nacional de Educação (PNE) prevê que, em 2024, 85% dos jovens de 15 a 17 anos estejam no ensino médio – sendo que atualmente esse número é de 54%.
Como estratégia, o PNE prevê que haja a diversificação de conteúdos e espaços. Entre as possibilidades está a participação dos estudantes em cursos das áreas de tecnologia e ciência; o incentivo a práticas interdisciplinares que conectem teoria e prática; e o fomento de atividades culturais e esportivas.
Na Câmara dos Deputados desde o ano passado está sendo debatida uma proposta de reformulação do ensino médio. O Projeto de Lei busca aproximar os conteúdos do ensino médio aos interesses e realidade dos alunos, e prevê o aumento de vagas em tempo integral.
(Do Luis Nassif Online)

Frente de esquerda quer ir às ruas para defender reformas populares e direitos

Nesta quinta-feira (22), será divulgada a primeira carta de intenções da Frente Pelas Reformas Populares, um coletivo formado por diversas organizações sociais e políticas de esquerda que pretende criar uma agenda de lutas pelo país em “defesa do trabalhador”.
O documento, assinado por 26 organizações, prevê um grande ato unificado, que deve ocorrer entre março e maio. A Frente estabelece, na carta, quatro grandes eixos de discussões e luta: Luta pelas Reformas Populares; Enfrentamento das pautas da direita na sociedade, no Congresso, no Judiciário e nos Governos; Contra os ataques aos direitos trabalhistas, previdenciários e investimentos sociais; e contra a repressão às lutas sociais e o genocídio da juventude negra e pobre e periférica.
A iniciativa da formação de uma frente de esquerda partiu do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), após o processo eleitoral de 2014. Com a adesão de outros movimentos, partidos políticos e centrais sindicais, há uma expectativa de que haja intensa participação popular nas ruas. “Há uma vontade e uma compreensão de que para se fazer as reformas que buscamos, a esquerda precisa estar reunida. Para isso, temos que ter muita gente na rua”, afirma Natália Szermeta, da Coordenação do MTST.
Após duas reuniões, uma em dezembro e outra na última segunda-feira (19), no centro de São Paulo, a Frente convive, no noticiário da grande mídia, com especulações de que haveria por trás a articulação do ex-presidente Lula. Em seu editorial no último dia 2 de janeiro, O Estado de S. Paulochega a insinuar de que o líder petista quer, com a Frente, “ditar a agenda de Dilma e da base aliada.”
“Isso é uma mentira, não temos vínculo algum com o ex-presidente Lula, ele nunca apareceu em nossas reuniões. A Frente não nasce nem para ser oposição, nem para blindar o governo. O nosso interesse é a defesa do trabalhador”, defende Natália. Na carta, o coletivo afirma que “por sua própria natureza será uma frente com total independência em relação aos governos.”
Confira o documento na íntegra:
DECLARAÇÃO DA FRENTE PELAS REFORMAS POPULARES
São Paulo, 22 de janeiro de 2015
As organizações sociais e políticas que assinam esta declaração entendem que é urgente e necessária a construção de uma frente que coloque em pauta o tema das Reformas Populares no Brasil.
Esta frente terá o objetivo de concretizar uma ampla unidade para construir mobilizações que façam avançar a conquista de direitos sociais e bandeiras históricas da classe trabalhadora. Buscará também fazer a disputa de consciência e opinião na sociedade. Por sua própria natureza será uma frente com independência total em relação aos governos.
Neste momento, a proposta de ação da frente se organizará em torno de 4 grandes eixos:
1) Luta pelas Reformas Populares;
2) Enfrentamento das pautas da direita na sociedade, no Congresso, no Judiciário e nos Governos;
3) Contra os ataques aos direitos trabalhistas, previdenciários e investimentos sociais;
4) Contra a repressão às lutas sociais e o genocídio da juventude negra e pobre e periférica.
Num cenário de demissões, tentativas de redução salarial e cortes de direitos é preciso colocar em pauta o enfrentamento da política de ajuste fiscal do Governo Federal, dos Governos Estaduais e Prefeituras. Defendemos a imediata revogação das MPs 664 e 665/14, que representam ataques ao seguro-desemprego e pensões.
Chamamos também para a necessidade de enfrentar o aumento de tarifas de serviços e concessões públicas, como o transporte urbano, a energia elétrica e a água. Não aceitaremos que os trabalhadores paguem pela crise.
Neste sentido, a Frente adotará os seguintes encaminhamentos:
– Construir conjuntamente o dia de lutas de 28/1 chamado pelas centrais sindicais;
– Apoiar e construir lutas em relação ao ajuste fiscal e ataque a direitos sociais, o aumento das tarifas do transporte, a falta d’água, a criminalização das lutas sociais e o genocídio da juventude nas periferias;
– Realizar mobilizações em torno do mote “Devolve Gilmar” visando imediato julgamento pelo STF da Ação da OAB contra o financiamento empresarial de campanhas eleitorais;
– Apoiar as Jornadas pela Reforma Urbana e pela Reforma Agrária, em março;
– Organizar um Dia Nacional de Lutas unificado, com indicativo entre março e maio.
– Realizar um Seminário Nacional para avançar na plataforma e construção da Frente, com indicativo para 7/3.
Assinam:
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)
Central de Movimentos Populares (CMP)
União Nacional dos Estudantes (UNE)
Coletivo Juntos
Coletivo Rua
Fora do Eixo
Intersindical – Central da Classe Trabalhadora
União da Juventude Socialista (UJS)
Uneafro
Unegro
União Brasileira de Mulheres (UBM)
Igreja Povo de Deus em Movimento
Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras)
Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade
Serviço Inter-Franciscano de Justiça, Paz e Ecologia
Movimento Nós da Sul
Movimento Popular por Moradia (MPM)
Coletivo Arrua
Juventude Socialismo e Liberdade (JSOL)
Rede Ecumênica da Juventude (REJU)
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC)
Fórum Ecumênico ACT Aliança Brasil (FEACT)
Articulação Igrejas e Movimentos Populares
(Da Revista Forum)

Senadora propõe o fim da “reeleição infinita” para parlamentares

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) apresentou Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que restringe o número de reeleição de senadores e deputados. De acordo com a proposta, senadores poderiam se reeleger uma vez e deputados estaduais e federais, duas vezes. De acordo com a parlamentar, o objetivo é “evitar a profissionalização da política”. “A atividade política se tornou uma carreira, em que muitos do que nela ingressam não mais retornam para as suas atividades profissionais de origem”, acredita a parlamentar.
Além da proposta de Vanessa Grazziotin, outras duas, com objetivos semelhantes, foram apresentadas. A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) apresentou projeto de lei que acaba com a reeleição para presidente da República, governadores do estado e do Distrito Federal e prefeitos. Da Mata afirma que a reeleição “provoca desequilíbrios na disputa eleitoral, em razão da utilização da máquina estatal e do prejuízo causado à governabilidade”.
O senador Walter Pinheiro (PT-BA) também apresentou PL que acaba com a reeleição para os cargos do Executivo. “A reeleição – sistema que não é unanimidade nos regimes presidencialistas modernos – permanece como uma forma de subverter o princípio de alternância no poder, que é uma das características essenciais dos regimes democráticos”, analisa o parlamentar.
(Da Revista Forum)

Trabalhadores terceirizados realizam caminhada de protesto. Sinpro apoia

Em greve desde a última quinta-feira (15/1), os trabalhadores terceirizados realizam na manhã desta quarta-feira (21) uma caminhada de protesto, saindo do Teatro Nacional rumo à Praça do Buriti.
Dirigentes do Sinpro/DF também reforçarão o ato, organizado pelo Sindserviços/DF – sindicato que representa a categoria – e pela CUT Brasília.
A concentração dos trabalhadores está marcada para às 9h, no estacionamento do Teatro Nacional (ao lado da Rodoviária do Plano Piloto).
Mais tarde, às 10h, eles seguirão em caminhada até a Praça do Buriti, onde realizarão assembleia geral da data-base 2015 para deliberar sobre os próximos passos que o movimento deverá seguir para conquistar um reajuste salarial digno e melhores benefícios, com respeito profissional e social.
Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 30%, tíquete-alimentação de R$ 28, inclusão de cláusulas sociais na Convenção Coletiva de Trabalho, entre outros pontos. Mas, até o momento, os patrões só ofereceram 8% de reajuste para o salário e o tíquete-alimentação.
Os terceirizados prestam serviço de manutenção, conservação e limpeza em diversas repartições públicas do GDF, incluindo escolas (merendeiras, porteiros e apoio administrativos), e em empresas privadas do DF.

Professor(a) sem graduação pode se inscrever em licenciaturas

Começa nesta terça-feira, 20, o período de pré-inscrição de professores da educação básica em cursos de licenciatura específicos para educadores das redes públicas que ainda não possuem graduação e para aqueles que precisam complementar a formação. São 47 mil vagas para primeira e segunda licenciaturas, ofertadas pelo Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor) presencial, do Ministério da Educação.

A pré-inscrição deve ser feita até 13 de março na Plataforma Freire e as aulas iniciam no segundo semestre. Os cursos especiais para a formação de professores da educação básica são criados e ministrados por universidades públicas. A Universidade Federal da Bahia (UFBA), por exemplo, anunciou a oferta de 280 vagas para primeira licenciatura em matemática, história, ciências biológicas, geografia, letras vernáculas, química e pedagogia. Cada curso terá 40 vagas. Na UFBA, as aulas serão ministradas em módulos de uma semana por mês, em horário integral de segunda-feira a sábado.

A oferta de cursos, turmas e vagas no Parfor obedece a uma dinâmica com três fases em sequência: as redes públicas e os institutos federais de educação profissional informam o número de vagas que suas redes precisam; as instituições de ensino superior, que participam do plano, definem e informam a oferta de cursos e de vagas; e os educadores fazem a pré-inscrição na licenciatura que pretendem cursar. Todo o processo é realizado na Plataforma Freire.

Concluído o período de pré-inscrição dos professores, as secretarias de educação e os institutos federais analisam se os requisitos foram atendidos pelos pré-inscritos. Se a inscrição é validada, o professor garante a vaga na licenciatura.

Para ocupar as vagas da primeira licenciatura, o professor precisa atender a diversos requisitos: estar vinculado a uma rede pública estadual, municipal ou do Distrito Federal; no exercício da atividade do magistério; não ter curso de licenciatura. A carga horária mínima é de 2.800 horas, das quais, 400 horas de estágio supervisionado. O curso tem duração de quatro anos.

Já o educador com graduação em área diferente daquela em que leciona precisa estar há pelo menos três anos na rede pública, para fazer a segunda licenciatura. Esse curso tem carga horária de 800 horas a 1.400 horas e duração entre dois anos e dois anos e meio. O Parfor também oferece formação pedagógica para docentes graduados não licenciados, em exercício da docência nas redes públicas. Essa formação complementar é de 540 horas, ministrada durante um ano.

Os cursos são gratuitos para todos os professores. O custeio é de responsabilidade da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes), que repassa recursos para as instituições responsáveis pela formação, supervisão de estágio e certificação. Cabe às secretarias de educação assegurar aos cursistas material escolar, transporte, hospedagem e alimentação durante o processo de formação.

Em vigor desde 2009, o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica abre todos os anos turmas especiais em cursos de licenciatura e em programas de segunda licenciatura, na modalidade presencial, exclusivas para educadores das redes públicas que não possuem formação superior na área onde atuam, conforme exigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).

A Plataforma Freire, espaço criado no portal do Ministério da Educação para informar os professores sobre cursos especiais, traz orientações, o calendário do Parfor, as instituições participantes, as vagas.

Com informações do MEC

SINTE-SC reivindica a aplicação do reajuste do Piso Nacional do Magistério

No último dia 6 de janeiro, o  Ministério da Educação anunciou o percentual de 13,01% para o reajuste do piso salarial profissional nacional do magistério público da educação básica. Assim, o valor passa de R$ 1.697,00 para R$ 1.917,78, sendo esta a referência mínima para o vencimento das carreiras de professores com formação de nível médio.
De acordo com o Coordenador Estadual do SINTE, Luiz Carlos Vieira, logo após a definição do percentual, já iniciaram as conversas com o Governo do Estado de Santa Catarina. Vieira disse que em contato telefônico com representantes da Secretaria de Educação, os sindicalistas foram informados de que o governo está recalculando os valores para o pagamento do Magistério Catarinense e devem, em breve, apresentar  os novos cálculos ao Grupo Gestor.
A expectativa, segundo Vieira, é de que após os estudos do Grupo Gestor, a proposta seja enfim trazida ao sindicato para ser  apresentada e discutida com a categoria. Ele afirma ainda que o SINTE mantém sua posição do reajuste no mês de janeiro, data base do magistério conforme a lei 11.738/08 e para toda a categoria, com a aplicação do reajuste do Piso na carreira.
O Sindicato se mantém alerta, realizando seu trabalho de negociação com o Governo do Estado e informará a categoria sobre qualquer novidade com relação ao reajuste de 2015.
Com informações da CNTE

Região do ABC ainda patina para se adequar à Lei do Piso

A promessa de adequação à Lei do Piso por parte das prefeituras da região ainda caminha a passos lentos. Isso porque apenas São Bernardo cumpre integramente a legislação que determina que professores destinem um terço de sua jornada de trabalho para atividades extraclasse. A principal justificativa para a dificuldade em cumprir a medida é o impacto orçamentário, tendo em vista a necessidade de contratação de docentes para adequar a carga horária de todos os profissionais.

Apesar de ter sido promulgada em 2008, a Lei Nacional do Piso do Magistério ainda representa gargalo às administrações.

Segundo a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), apenas Acre, Ceará, Distrito Federal, Pernambuco e Tocantins cumprem a medida na totalidade – pagam no mínimo R$ 1.917,78 para o professor de nível médio com jornada de 40 horas semanais e garantem 33% das horas de trabalho para atividades de formação. Na região, todas as cidades oferecem salário acima do piso nacional.

Em São Bernardo, os ingressantes formados em Pedagogia ou outro curso superior ganham R$ 3.202,65 por 40 horas de trabalho semanais. Para se adequar à questão da jornada de um terço dedicada às atividades extraclasse, a administração contratou 400 professores de Educação Física e Artes para o Ensino Fundamental e adequou a jornada dos docentes na Educação Infantil.

Santo André já garantiu o benefício aos trabalhadores da EJA (Educação de Jovens e Adultos) e de Educação Física. De acordo com a secretária adjunta de Educação, Ana Lúcia Sanches, até o fim do ano será resolvido o problema na Educação Infantil e o Ensino Fundamental estará adequado até 2016. Atualmente, a rede oferece R$ 2.400 por 40 horas semanais.

A Prefeitura de Diadema paga salário de R$ 3.468,72 para professores com licenciatura em Pedagogia. A administração informa que está elaborando estudo e planejamento financeiro e pedagógico para cumprir a Lei Nacional do Piso do Magistério até 2016. A estimativa é que sejam necessários 320 novos profissionais para compor a rede.

Mauá garantiu que as adequações necessárias à legislação encontram-se em discussão em caráter avançado no Estatuto do Magistério, mas não estabeleceu prazos para o cumprimento integral da medida. Atualmente, a cidade paga R$ 2.976 para jornada de 40 horas semanais.

Ribeirão Pires alcançou a equiparação salarial do piso nacional a todos os docentes em 2014. De acordo com a vice-prefeita e secretária de Educação, Leonice Moura, desde 2013 existe comissão para análise e alteração do Estatuto dos Funcionários Públicos e do Magistério e do plano de cargos, salários e carreira. Entretanto, a cidade não informou em que prazo pretende se adequar à lei integralmente.

As prefeituras de São Caetano e Rio Grande da Serra não se pronunciaram.

Educação precisa de verba externa, defende especialista

A melhoria da qualidade da Educação passa pela valorização salarial dos professores e, por isso, depende de investimento, aponta a coordenadora do GT (Grupo de Trabalho) Educação do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e secretária adjunta de Educação de Santo André, Ana Lúcia Sanches. Na visão da especialista, as administrações dependem de verba adicional, tendo em vista a insuficiência da aplicação de 25% dos orçamentos municipais para a área.

“Garantir um terço da jornada de trabalho para atividades extraclasse impacta na contratação de mais funcionários, por isso, precisamos de mais dinheiro para investir na carreira do magistério. Temos que garantir a aplicação da verba do pré-sal na Educação”, considera Ana Lúcia. Segundo ela, outra necessidade é o investimento em plano de formação dos profissionais que garanta melhores resultados na qualidade do ensino.

ESTADO

A Secretaria Estadual da Educação informou que os docentes paulistas têm um terço de sua jornada destinado a atividades extraclasse e recebem R$ 2.415,89 por 40 horas de trabalho semanais nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.

Com informações da CNTE

Lei autoriza GDF a contratar concursados além do cadastro reserva

A lei que amplia a contratação de concursados além do cadastro reserva já está valendo. O Governo do Distrito Federal (GDF) sancionou e determinou a entrada em vigor, na segunda-feira (12/1), da Lei nº 5.450, que altera a Lei nº 4.949/2012.
A alteração estabelece normas gerais para realização de concursos públicos pela administração direta, autárquica e fundacional do Distrito Federal. Ela modifica os parágrafos 2º e 3º do artigo 10 da Lei nº 4.949/12, indicando que, desde já, incluindo aí os concursos em andamento e os certames  que se encontrem dentro do prazo de validade ou de sua prorrogação, podem convocar pessoal aprovado além das vagas definidas no cadastro reserva, se comprovada a necessidade do serviço público e a disponibilidade orçamentária, bem como respeitada a ordem de classificação.
Assim, de agora em diante, a administração pública pode realizar nomeações além do número de vagas inicialmente previstas no cadastro de reserva.
Confira aqui a lei.

Reforma política volta à pauta do Congresso em 2015

Uma das principais demandas nas manifestações sociais de 2013, a reforma política também é promessa da presidenta Dilma Rousseff para o novo mandato, além de ser considerada prioridade pelos parlamentares. O assunto é polêmico e divide as opiniões. Na Câmara dos Deputados, o assunto vem sendo discutido há cerca de 20 anos, sem que se chegue a um acordo que permita a votação.

A ideia da presidenta Dilma é de um plebiscito para consultar a população sobre os pontos que devem ser alterados. O deputado José Guimarães (PT-CE) apresentou um projeto – assinado também por deputados do PCdoB, PDT e PSB –, convocando o plebiscito, mas o texto não avançou na Câmara.
A reforma política está sendo discutida pela Casa em várias instâncias. Uma proposta é de iniciativa popular, apresentada pela Coalizão Democrática pela Reforma Política e Eleições Limpas, que reúne entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), e foi assinada por mais de 100 deputados.
O texto impede empresas de financiarem campanhas eleitorais, autorizando apenas pessoas físicas a fazerem doações de até R$ 700 aos candidatos. Além disso, o texto criminaliza a prática de caixa dois eleitoral, com punição de até oito anos de detenção.
Pressão popular
A proposta é defendida pela bancada do PCdoB. Segunda a líder do Partido na Câmara, deputada Jandira Feghali (RJ), “fundamental neste caminho é a aprovação de uma reforma política que acabe com o financiamento de empresas nas campanhas eleitorais. Não porque isso determine, de forma generalizada, comportamentos questionáveis, mas porque limitaria distorções, dificultaria a fraude e a violação dos direitos dos cidadãos, verdadeiros destinatários dos recursos orçamentários”.
Para o líder do PT, deputado Vicentinho (SP), acabar com o financiamento privado de campanha é essencial. Porém, ele acredita que uma proposta nesse sentido só será aprovada com a pressão da sociedade civil.
“O Congresso ficou mais conservador, diminuiu a representação dos trabalhadores e aumentou a participação de pessoas ligadas a segmentos empresariais. Com tantos deputados que ganham a eleição porque têm dinheiro, muitos não vão querer aprovar essa proposta. Por isso, a população tem que participar.”
A necessidade da pressão da população para votar e aprovar uma reforma política democrática também é defendida pela líder do PCdoB. “A democratização da comunicação junto com a reforma política começou a ocupar o devido espaço de debate aqui dentro, mas precisaremos do reforço das ruas, das mobilizações, para avançarmos de fato, pois teremos uma resistência ainda maior, correndo o risco de serem aprovadas propostas que vão de encontro aos interesses da população”, afirmou ao final das eleições do ano passado.
Outra polêmica
Outro ponto polêmico no debate sobre a reforma política é o voto distrital, em que estados e municípios são divididos em regiões, chamadas distritos. Cada distrito escolhe seu candidato a deputado pelo sistema majoritário – vence quem ganhar mais votos.
Para vencer a resistência dos que são contrários ao voto distrital que, na prática, ameaça a existência dos pequenos partidos, outra proposta de reforma política em tramitação na Casa, formulada pela Comissão Especial da Reforma Política, cujo relator foi o deputado Henrique Fontana (PT-RS), propõe o voto distrital misto.
No voto distrital misto, uma parte dos candidatos é escolhida de acordo com o voto distrital puro, e outra parte dos deputados é eleita de acordo com o sistema proporcional, que é o utilizado hoje. A proposta chegou a entrar na pauta do Plenário algumas vezes, mas não foi votada por falta de acordo.
Em seu parecer, Fontana também propõe, entre outros pontos, o financiamento público exclusivo de campanhas; o fim das coligações para eleições proporcionais – ou seja, “casamentos temporários” feitos entre os partidos às vésperas da eleição –; e a simplificação do processo de apresentação dos projetos de iniciativa popular.
Antirreforma
Outra proposta de reforma política foi elaborada pelo Grupo de Trabalho (GT) de Reforma Política, coordenado pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a proposta prevê o voto facultativo, o fim da reeleição para presidente, governador e prefeitos e a coincidência das datas das eleições a cada quatro anos. A proposta estabelece um sistema misto – público e privado – para o financiamento das campanhas.
Sobre essa proposta, o PCdoB aponta como uma antirreforma, já que, entre outros pontos, cria mecanismos para acabar com os pequenos partidos e institucionaliza a doação privada de campanha ao incluir no texto da Constituição a possibilidade dos partidos receberem doações de pessoas jurídicas.
(Do Portal Vermelho)

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