Educação especial: elevar autoestima dos alunos é a base do atendimento no DF
Jornalista: sindicato
A professora Leila Branco atua há dez anos no atendimento educacional especializado a alunos com altas habilidades–superdotação. O desenvolvimento da autoestima dos estudantes é, para ela, o resultado mais importante. “O aluno com altas habilidades é invisível ou rotulado no contexto escolar, muitas vezes incompreendido”, destaca. “Ele fica feliz ao participar do atendimento e ao encontrar outros alunos que tenham paixão por aprender assuntos incomuns ou motivação intrínseca para realizar projetos.”
Há 23 anos no magistério público do Distrito Federal, Leila trabalhou como professora de história e de sociologia no ensino médio em escolas das regiões administrativas de Ceilândia, Guará e Taguatinga. Foi também coordenadora pedagógica do ensino médio e do ensino especial.
A Secretaria de Educação do Distrito Federal oferece, desde 1975, um serviço educacional a alunos com superdotação. Leila aprovou a metodologia adotada e viu ali a oportunidade desafiadora de trabalhar com alunos de alto potencial. “Fiquei curiosa e fascinada pelo referencial teórico, do educador norte-americano Joseph Renzulli”, recorda.
No Centro de Ensino Fundamental 1 do Lago Norte, Leila atua na sala de recursos para altas habilidades, que atende estudantes da própria escola e de outras instituições. O trabalho é realizado uma vez por semana, com oito alunos por turno, no período contrário ao das aulas normais. “Tive alunos que escreveram livros de ficção, de até 350 páginas, e de poesia. Outros criaram jogos. Um deles descobriu novo padrão matemático”, revela a professora. “Meu trabalho é de tutoria, e busco suporte e parceria com a Universidade de Brasília (UnB) ou de especialistas quando o trabalho supera as expectativas ou requer um conhecimento de que não disponho.” Observação — Segundo Leila, os alunos podem ser indicados por professores, pela família ou procurar, eles mesmos, o atendimento, caso se identifiquem com o perfil de altas habilidades. Em todos os casos, devem passar por um período de observação, no qual vão desenvolver atividades exploratórias de conhecimento, de instrumentalização e de projetos para resolução de problemas vinculados a áreas de interesse, tais como astronomia, botânica, literatura e sustentabilidade.
De acordo com dados do primeiro semestre deste ano, mais de 1,5 mil estudantes foram atendidos por professores do Núcleo de Altas Habilidades–Superdotação (Naah-s), que atuam em 19 unidades escolares. O atendimento é feito nas diversas coordenações regionais de ensino. “No Distrito Federal, contamos com a participação importantíssima da Associação de Pais, Professores e Amigos dos Alunos com Altas Habilidades–Superdotação (Apahs-DF)”, salienta a representante do Naah-s na Secretaria de Educação, Viviane Calce de Moraes. “Acredito no trabalho de parceria com a Apahs para fortalecer do atendimento e ampliar as conquistas.”
Viviane explica que o núcleo do Distrito Federal atende 70% dos estudantes da rede pública e 30% da rede particular, da educação infantil até a idade máxima de 18 anos. O atendimento é feito de acordo com a habilidade ou área de interesse do aluno, mas certos temas têm mais destaque em alguns locais. “É o caso de Sobradinho, com a robótica; Planaltina, com as artes cênicas; Gama, com a área acadêmica, e Plano Piloto, com as artes visuais, entre outros”, explica Viviane. Há 16 anos no magistério, ela tem graduação em pedagogia e especialização em psicopedagogia.
(Do MEC)
MEC premia professores da rede pública por boas iniciativas
Jornalista: sindicato
O Ministério da Educação (MEC) premiou 39 professores da rede pública de ensino por iniciativas que contribuíram para a melhoria da educação básica no país. O 8º Prêmio Professores do Brasil, que contou com 6.808 projetos de mais de 2 mil municípios, selecionou trabalhos desenvolvidos em diferentes etapas da educação básica.
O número de participantes este ano mais que duplicou em relação a 2013, quando 3.221 trabalhos foram apresentados. A premiação ocorreu nesta quinta (11) no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Entre as iniciativas premiadas está a da professora Maria Áurea Alves Rocha, de Palmas, capital do Tocantins, com o tema Meus Avós São Estrelas. Ela dise que, enquanto trabalhava o livro Flicts, de Ziraldo, com seus alunos, a figura do escritor aguçou a curiosidade das crianças: aquele senhor de cabelos brancos foi logo associado a seus avós. Isso inspirou a professora a abordar o tema da terceira idade, a fim de aproximar os alunos daquele universo.
Fotos e objetos antigos passaram a decorar a sala de aula, e as crianças despertaram interesse em aprender com os avós, que foram convidados a participar de atividades na escola, como nas aulas de culinária, confecção de brinquedos e plantio de horta medicinal. A iniciativa foi um sucesso entre os alunos. “O contato próximo com os avós despertou nas crianças a sensibilidade e o respeito pelos mais velhos. Elas passaram a vê-los como pessoas que merecem carinho e atenção especial”, disse a professora. Educação para o trânsito
Em Belém, no Pará, a professora Diana Lemes Ferreira colocou em prática o tema Educação para o Trânsito, a Vida Pede Passagem. Em 2011, a cidade deu espaço a uma nova avenida, a Independência/Centenário. Houve aumento no número de carros, motos e pedestres transitando no bairro de Benguí, que é cortado pela via. O fato elevou o índice de acidentes e mortes na região, que é próxima à escola.
Diante do problema, a professora encontrou uma maneira de lutar contra a situação. Ela desenvolveu um projeto para conscientizar os estudantes sobre a nova realidade do tráfego local, a importância da segurança nas ruas e do convívio social no espaço público, por meio da construção de uma via pública pedagógica no pátio do colégio e da promoção de oficinas de educação no trânsito. A educadora concluiu que “a realidade do aluno traduzida no projeto pedagógico foi impactante”. “Trabalhar o cotidiano do trânsito fez com que as crianças se interessassem mais pelas aulas, envolvendo inclusive a família.”
A professora Gina Vieira Ponte de Albuquerque, que leciona em uma escola na periferia de Brasília, também foi premiada. Ela desenvolveu com seus alunos o tema Mulheres Inspiradoras, em que trabalhou pela valorização da mulher e contra a violência de gênero. Ela deu uma declaração emocionada ao contar que sua mãe estudou apenas até a quarta série primária. “[Meu pai], com muito custo, aprendeu a desenhar o nome para não carregar no documento de identidade, o estigma de analfabeto”. Gina Vieira ressaltou que eles fizeram questão de que ela estudasse. Autoestima dos professores
“Com o prêmio, volto fortalecida e encorajada à minha escola, à minha cidade, à minha sala de aula, podendo dizer ‘vejam o que a educação fez em minha vida’. Eu não só realizei o meu sonho de ser professora, mas posso me orgulhar de ter recebido o maior reconhecimento institucional possível pelo trabalho que realizo.”
Participaram da cerimônia de premiação o Ministro da Educação (MEC), José Henrique Paim, a secretária de Educação Básica do MEC, Maria Beatriz Luce, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e o secretário municipal de Educação, Cesar Callegari.
O ministro, em sua fala, destacou a importância do evento por mostrar trabalhos desenvolvidos pelos professores, objetivando a cidadania de seus alunos. “Sem dúvida, [esse] é o principal evento do Ministério da Educação durante o ano, porque nós acreditamos que a premiação do professor e o reconhecimento ao trabalho que ele faz é fundamental para que nós tenhamos no país uma educação cada vez melhor”, disse.
Já a secretária de Educação Básica, que é professora, manifestou a sua alegria com os trabalhos apresentados no evento. “As experiências que vocês inscrevem, e nos ajudam a dar visibilidade à qualidade do trabalho que está sendo realizado nas escolas públicas, são projetos que precisam se integrar cada vez mais para fortalecer o projeto político pedagógico da escola, para assim constituirmos um projeto de educação presente no plano municipal e estadual e que venha a constituir a força de todas as metas do nosso Plano Nacional de Educação”, disse.
(Da Agência Brasil)
Comissão da Verdade: sociedade precisa conhecer relatório
Jornalista: sindicato
Eu não tive a possibilidade de estar nesse ato, mas estive em outro ato relativo aos direitos humanos, que contou também com a participação da Presidenta Dilma Rousseff e da ministra Eleonora Menicucci, titular da Secretaria de Políticas para a Mulher, que ainda estavam muito carregadas de emoção, porque, além de ser uma parte importante da história brasileira, que passa a ser oficializada com a apresentação e a finalização do relatório, para muitas pessoas, como essas duas grandes mulheres, é um momento que lembra, talvez, o período mais difícil de suas vidas.
A Presidenta Dilma, quando jovem ainda, estudante, ficou detida por muito tempo, assim como a Ministra Eleonora Menicucci e tantos outros homens e mulheres, a exemplo de grande parte da direção do meu Partido. E quero aqui homenagear a todos através da figura do nosso Presidente Renato Rabelo, que também teve que deixar o Brasil, teve que se exilar, durante muito tempo, na Europa, impedido que estava de exercer livremente as suas atribuições, os seus direitos de cidadania em território nacional.
O relatório final da Comissão Nacional da Verdade aponta 434 mortes e desaparecimentos de vítimas da ditadura militar no País. Entre essas 434 pessoas, 210 ainda estão desaparecidas.
No documento, fica clara e evidenciada a ocorrência de graves violações aos direitos humanos durante o período do regime militar.
O relatório diz textualmente: “Essa comprovação decorreu da apuração dos fatos que se encontram detalhadamente descritos no relatório, nos quais está perfeitamente configurada a prática sistemática de detenções ilegais e arbitrárias e de tortura, assim como o cometimento de execuções, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres por agentes do Estado brasileiro.”
Mais de 300 pessoas, entre militares, agentes do Estado e até mesmo ex-presidentes da República, foram responsabilizadas por essas ações ocorridas no período que compreendeu a investigação.
O documento ainda relata que as violações registradas e comprovadas pela própria Comissão Nacional da Verdade foram resultantes “de ação generalizada e sistemática do Estado brasileiro” e que a repressão ocorrida durante a ditadura foi usada como política de Estado “concebida e implementada a partir de decisões emanadas da Presidência da República e dos ministérios militares.”
O relatório final apresenta 29 recomendações. Essas recomendações estão divididas em três grupos, assim denominadas: medidas institucionais, iniciativas de reformulação normativa e de seguimento das ações e recomendações dadas pela Comissão.
Dentre as recomendações, eu gostaria de destacar a determinação da responsabilidade jurídica dos agentes públicos envolvidos nessas ações. E, nesse caso, não propõe uma mudança na Lei de Anistia. Nesse caso, o que a Comissão propõe é afastar – afastar – a aplicação da Lei da Anistia, que é a Lei nº 6.683, de 1979, por considerar que essa atitude seria incompatível com o direito brasileiro e a ordem jurídica internacional, pois tais ilícitos, dadas a escala e a sistemática com que foram cometidos, constituem crimes contra a humanidade, imprescritíveis e não passíveis de anistia.
A Comissão Nacional da Verdade não propõe, em nenhum momento, a mudança da Lei da Anistia, mas tão-somente que a um conjunto de pessoas – localizadas através do relatório como responsáveis por todos os atos de arbitrariedade cometidos durante o regime militar –, que a essas pessoas seja, sim, aplicada a responsabilidade jurídica.
Quero dizer da minha concordância com relação a esse aspecto, a esse ponto do relatório da Comissão da Verdade, porque nós não podemos sequer imaginar que possamos, ainda, no futuro, retroceder e voltar a viver o que o Brasil passou a viver a partir de 1964.
Grande parte da direção do meu Partido teve sua vida ceifada – dirigentes do Partido Comunista. Espalhavam que eram terroristas.
Eu nunca me esqueço de um episódio em 1976. Lendo uma revista de circulação nacional, me chamou atenção uma matéria que era retratada por fotografias, ilustrada por fotografias de pessoas mortas, segundo a qual seriam terroristas que teriam sido pegos pelas forças policiais brasileiras e teriam sido mortos.
“Esses terroristas”, entre aspas, eram dirigentes do Partido Comunista do Brasil que estavam na Lapa, num bairro do Estado de São Paulo, em reunião, e lá foram pegos e foram brutalmente assassinados.
O relatório trata, de forma detalhada, de alguns episódios importantes ocorridos durante o regime militar, como a Operação Condor, como a Guerrilha do Araguaia, como o assassinato do filho da estilista Zuzu Angel, e tantos outros episódios.
A título de manter a História sempre viva, a memória viva, seria importante, e com a facilidade da tecnologia hoje, que todos os brasileiros e brasileiras pudesse acessar esse relatório. As gerações mais jovens não tiveram a oportunidade, felizmente, de viver esse momento triste da História brasileira, mas têm o dever de conhecê-lo na sua plenitude.
No mesmo dia da divulgação e da entrega à Presidente Dilma do relatório da Comissão Nacional da Verdade, nós tivemos outros dois grandes eventos relativos também ao Dia Internacional dos Direitos Humanos. Um deles foi a premiação a várias pessoas e entidades que praticam a defesa dos diretos humanos no Brasil.
Na sequência, foi dada posse aos novos conselheiros, que passam a integrar o Conselho Nacional dos Direitos Humanos. O Conselho Nacional dos Direitos Humanos, foi criado através da lei de 2 de junho deste ano de 2014, a Lei 12.986, que transformou o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana em Conselho Nacional dos Direitos Humanos. O Conselho que tomou posse é, portanto, fruto de uma lei, de um projeto que contou com a forte participação dos movimentos sociais brasileiros.
E o Conselho Nacional dos Direitos Humanos, hoje, é muito mais forte e mais democrático do que era o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. Mais democrático, porque amplia a participação da sociedade civil; e também mais forte, do ponto de vista institucional. E é um conselho que visa à garantia da participação do diálogo plural e transversal, entre os vários atores sociais na defesa dos direitos humanos.
Portanto, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos é o guardião dos direitos humanos do nosso País. E é o mais antigo colegiado do Brasil, que foi criado, pela Lei nº 4.319, de 16 de março de 1964, ou seja, exatos 15 dias antes da efetivação do Golpe Militar no Brasil. Ou seja, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos, no Brasil, completa 50 anos de existência.
São 22 membros do Conselho Nacional dos Direitos Humanos, dos quais 11 representam o Poder Público – e o Poder Público por meio não só do Poder Executivo, mas também do Poder Legislativo – e 11 membros representantes da sociedade civil. Ou seja, corresponde a um Conselho paritário.
A representação do Congresso Nacional ocorre por meio de dois membros da Câmara dos Deputados e dois membros do Senado Federal: um membro, representando a Maioria da Câmara dos Deputados, que é o Deputado Vicentinho (PT-SP); e um membro Parlamentar, representando a Minoria, que é o Deputado Domingos Sávio (PSDB-SP). E, pelo Senado Federal, representando a Maioria, tive a honra de ter tido a minha indicação feita pelo Presidente Renan Calheiros (PMDB-AL); e, representando o Bloco da Minoria, a senadora Lídice da Mata (PSB-BA).
É importante destacar a sensibilidade do Presidente Renan, uma vez que a Câmara dos Deputados tem dois representantes homens, ao Senado coube a indicação de duas representantes mulheres. E isso é muito importante, porque, sem dúvida nenhuma, no âmbito de tantos debates e discussões que deveremos tratar no Conselho Nacional dos Direitos Humanos, uma é a questão da mulher.
O Conselho é formado ainda pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, e por representante da Procuradoria-Geral da República; do Conselho Nacional de Justiça; da Defensoria Pública da União; do Ministério das Relações Exteriores; do Ministério da Justiça; da Polícia Federal; do Senado e da Câmara, representando o Poder Legislativo.
E, entre os representantes da sociedade civil, é composto por representantes do Coletivo Brasil de Comunicação Social, do Conselho Indigenista Missionário; do Conselho Federal de Psicologia; do Movimento Nacional dos Direitos Humanos; da Ordem dos Advogados do Brasil e de tantas outras entidades representadas.
*É senadora pelo PCdoB do Amazonas, Procuradora da Mulher do Senado e membro do Conselho Nacional de Direitos Humanos.
(Do Portal Vermelho)
Tipificação do crime de feminicídio está na pauta do Senado
Jornalista: sindicato
A tipificação especial para o feminicídio, homicídio praticado contra a mulher por razões de gênero, não elimina punições por demais crimes a ele associados, como estupro. A inclusão desse tipo de conduta no Código Penal foi recomendada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher, presidida pela deputada Jô Moraes (PCdoB-MG).
Ao justificar a proposta, a CPMI argumentou que a aprovação da Lei Maria da Penha foi um ponto de partida, e não de chegada, no combate à violência contra a mulher. Daí a defesa da inclusão do feminicídio no Código Penal, em sintonia com recomendação da Organização das Nações Unidos (ONU).
Para a procuradora da Mulher no Senado, Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que vem lutando pela aprovação do projeto, é preciso endurecer a pena contra os agressores que matam mulheres no país.
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2014, no ano passado foram mortas no país nessa condição 4.580 mulheres, a média anual é de cinco mil mortes. Informações do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontam que entre 2001 a 2011 aproximadamente 50 mil feminicídios ocorreram no Brasil.
“São dados alarmantes. O Brasil está muito atrasado do ponto de vista da nossa legislação”, disse a senadora. Segundo ela, países latino-americanos e caribenhos como Costa Rica, Guatemala, El Salvador, Nicarágua, México, Panamá, Venezuela, Honduras, Bolívia, Colômbia, Argentina, Chile, Peru e Equador já possuem no seu ordenamento jurídico o feminicídio.
Para a procuradora, a mudança da legislação vai retirar o crime da invisibilidade; reduzir a impunidade; estimular a implementação de políticas públicas e programas de proteção a mulher; e conscientizar, educar e reprimir a cultura de subjugação da mulher.
“O óbito é a expressão maior da violência contra as mulheres – e normalmente é resultado de uma escalada de agressões que envolvem abusos físicos, emocionais e até coações sexuais”, explicou a procuradora.
(Da Revista Forum)
Inscrições para 1ª Colônia de Férias do Planetário terminam nesta segunda (15)
Jornalista: sindicato
Terminam nesta segunda-feira (15) as inscrições para a 1ª Colônia de Férias do Planetário de Brasília, que acontece de terça (16) a sexta-feira (19) desta semana. Para se inscrever, os interessados devem fazer a doação de 2 kg de alimento não perecível, no próprio Planetário.
O evento reunirá crianças de 7 a 12 anos e será dividido em quatro turmas de 30 crianças, uma para cada dia da atividade. A viagem pela astronomia começa às 14h e termina às 17h, e os pequenos serão acompanhadas pela equipe de monitores do Planetário e professores colaboradores da Agência Espacial Brasileira (AEB).
A meninada também poderá conhecer o Bosque das Constelações, um espaço criado para comemorar o primeiro ano de atividades do local, desde a reinauguração. Trata-se de um espaço onde foram plantadas mudas de árvores, representando as constelações.
Serviço: 1ª Colônia de Férias do Planetário de Brasília
Inscrição: Planetário de Brasília, das 9h às 17h, de 12 a 15 de dezembro
Público: crianças entre 7 e 12 anos
Ingresso: 2 kg de alimento não perecível por participante
Período das atividades: de 16 a 19 de dezembro, das 14h às 17h
Programação:
14h – Apresentação do Planetário de Brasília e do Bosque das Constelações
14h30 – Oficina de foguete da AEB
15h – Lançamento de foguetes ou montagem de satélites
16h – Sessão especial na cúpula de projeção do planetário
(Da Agência Brasília)
CUT e Marcha Mundial das Mulheres pedem cassação de deputado
Jornalista: sindicato
A CUT e a Marcha Mundial das Mulheres manifestaram nesta quarta-feira (10), por meio de nota, “repúdio e indignação” ao discurso proferido na véspera pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), no Congresso Nacional, durante sessão que tratava dos direitos humanos. Ao verificar que a deputada Maria do Rosário (PT-RS) estava saindo do plenário, após haver discursado em defesa da punição aos militares que cometeram crimes durante a ditadura no país, Bolsonaro irritou-se e disse: “Fica aí, Maria do Rosário. Há poucos dias tu me chamou de estuprador no salão verde e eu falei que não iria estuprar você porque você não merece. Fica aqui para ouvir”. Ele continuou sua fala fazendo críticas às ações da ministra e desqualificando as políticas de direitos humanos dizendo que estas só defendem bandidos, marginais, sequestradores e até corruptos.
Segundo a nota, esse posicionamento expressa a misoginia e o machismo desse indivíduo: “Evidencia que [o deputado] se sente tão impune sem nenhuma preocupação em expressar a possibilidade de cometer um crime hediondo. Fato como esse faz com que não seja necessário enumerar os argumentos para afirmar que o Congresso Nacional não deve ter em seus membros pessoas com esse tipo de visão e comportamento. O papel do Legislativo deve ser justamente de propor políticas que combatam a violência e por isso é inadmissível ser conivente e cúmplice dessa violência. Por isso a exigência democrática e republicana é a imediata cassação do seu mandato”.
(Da Rede Brasil Atual)
Emocionada, Dilma diz que o país tem direito à verdade
Jornalista: sindicato
A presidente Dilma Rousseff se emocionou nesta manhã ao discursar durante a cerimônia de entrega do relatório dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, que aponta a responsabilidade de mais de 300 militares por crimes cometidos no período da ditadura. Dilma defendeu que o Brasil tem direito a saber a verdade sobre esse período, e que “a verdade não significa a busca de revanche. A verdade não precisa ser motivo para ódio ou acerto de contas”.
“A verdade produz consciência, aprendizado, conhecimento e respeito. A verdade significa a oportunidade de apaziguar cada indivíduo consigo mesmo e um povo com a sua história. A verdade é uma homenagem a um Brasil que já trilha três décadas de um caminho democrático. Tornar público este relatório nesta data é um tributo a todas as mulheres e homens do mundo que lutaram pela liberdade pela democracia e, com essa luta, ajudaram a construir marcos civilizatórios e tornaram a humanidade melhor”, afirmou, em referência ao Dia Internacional dos Direitos Humanos.
Dilma chorou e fez uma pausa no discurso ao dizer que os parentes das vítimas da ditadura “continuam sofrendo como se eles morressem de novo, e sempre, a cada dia”. Nesse momento, foi aplaudida de pé pelos presentes.
O trabalho da comissão, prosseguiu a presidente, “fez crescer a possibilidade de o Brasil ter um futuro plenamente democrático e livre de ameaças autoritárias”. O discurso é feito em um momento em que manifestações contra Dilma, convocadas inclusive por líderes da oposição, pedem o retorno do regime militar. Ela condenou a volta de “fantasmas do passado”.
(Do Brasil 247)
Professora do CEF 12 de Ceilândia cria projeto e ganha prêmio nacional
Jornalista: sindicato
Uma aluna de 13 anos do Centro de Ensino Fundamental 12, em Ceilândia, gostava de enviar vídeos em que ela dançava com poucas roupas. O material logo se espalhava e os colegas a reprovavam, faziam comentários hostis. Mas a garota seguia provocando a turma com novas publicações.
O caso de sexting, que aconteceu no ano passado, chamou a atenção da professora de português Gina Vieira Ponte. “O que eu percebi é que a menina encontrava nos vídeos uma forma de chamar atenção, de ser vista”, conta.
“Comecei a ver que eles postavam muito conteúdo erótico e que desvalorizava a mulher”, diz a professora. Ela mostrou aos alunos, no começo do ano, fotos de mulheres que estão na mídia e personalidades históricas: “Os alunos só reconheceram as famosas. Aí pude ter uma ideia do exemplo de mulher que eles tinham”.
Mulheres Inspiradoras
Gina elaborou, então, um projeto de valorização da mulher e incentivo à leitura para os alunos do 9º ano. Chamado de “Mulheres Inspiradoras”, ele foi criado no início deste ano e instituído na grade curricular dentro da disciplina Projeto Interdisciplinar.
Após o diagnóstico, seus 187 alunos leram seis livros. Entre as obras estavam “Quarto de Despejo”, da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, “Eu Sou Malala”, da paquistanesa Malala Yousafzai e “Diário de Anne Frank”.
A turma se engajou no projeto interdisciplinar e cerca de 110 alunos leram os livros e chegaram à fase final do projeto, que era criar uma biografia da “mulher inspiradora”. Como? Os estudantes conheceram biografias de mulheres que lutaram por uma causa. Depois, eles discutiram a posição da mulher na sociedade usando a internet para as conversas em grupo. Por fim, produziram seus próprios textos, sobre mulheres notáveis da história ou personagens de suas comunidades.
Mudança de comportamento
Para Gina, a história que mais chamou sua atenção foi a de Luísa*. Introspectiva, a menina de 14 anos costumava ficar isolada dos colegas. A professora já havia tentado, sem sucesso, descobrir qual era o problema dela.
De acordo com Gina, Luisa* se mostrou uma aluna brilhante durante o projeto. Após ler o Diário de Anne Frank, a aluna confidenciou que queria entrevistar a própria mãe, mas não achava que conseguiria.
Gina ajudou na conversa entre as duas. E Luisa* teve a entrevista que queria. “Em um início de semana, ela falou comigo emocionada que havia conseguido entrevistar a mãe. E que havia descoberto que era amada por ela [a mãe]”, relata a professora. Isso causou uma mudança de comportamento na garota. De menina que nunca falava nada, ela acabou recitando um poema para cerca de 120 alunos da escola em uma homenagem à Gina.
Também durante a disciplina nasceu a banda 11D3. A banda criou composições durante o projeto. Os próprios garotos dizem que saber das histórias das mulheres inspiradoras mudaram o jeito deles agirem: “Eu achava que as mulheres não podiam fazer tanto como os homens. Hoje, eu mudei”, diz Yury Gomes, de 15 anos.
Continuidade
No final de novembro, o projeto ganhou o 1º lugar do Prêmio Nacional Educação em Direitos Humanos, dado pelo MEC. O prêmio rendeu ao projeto R$ 15 mil. Gina disse que não sabe ainda como vai ser investido o prêmio. Porém, há o plano de transformar as redações dos alunos em um livro. A professora diz que o livro seria uma forma de documentar o que foi feito durante o ano.
De acordo com a diretoria da escola, o projeto deve continuar em 2015. Como novos alunos estarão no 9º ano, a turma será totalmente diferente. Ou seja, no ano que vem estudantes vão poder ter acesso novamente a histórias de mulheres inspiradoras.
(Do Uol)
Investimento por aluno deve dobrar até 2030 e carecem de melhor gestão
Jornalista: sindicato
A aprovação das metas de investimento do Plano Nacional de Educação deve dobrar o gasto público por estudante até 2030. O alerta é de pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas e foi divulgado hoje (8), durante o seminário Financiamento e Gestão da Educação no Brasil. Segundo eles, sem melhoria na gestão, o montante de recursos pode não gerar os resultados desejados.
“Se não tomarmos cuidado com a gestão, não chegaremos a 10% do PIB [Produto Interno Bruto, investidos na educação] e não teremos o que o povo espera, que é educação de qualidade”, disse o pesquisador Fernando de Holanda Barbosa. Ele defende escolas mais atrativas no ensino médio, nível no qual é preciso entender as causas das altas taxas de reprovação. “Se você alocar mais dinheiro para escolas que têm falhado, só vamos gastar mais dinheiro para ter o mesmo resultado.”
O também pesquisador Fernando Veloso lembrou que o financiamento da educação reivindica maior fatia do PIB, enquanto o gasto por aluno é o que tem maior impacto. Apesar da meta de atingir 10% do PIB na educação em dez anos superar o orçamento de países desenvolvidos com o setor, o investimento brasileiro por aluno é de aproximadamente um terço da média desses países. Aumento do investimento
O investimento por aluno cresceu duas vezes e meia entre 2000 e 2011, passando de R$ 1.962 para R$ 4.916, conforme o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Para Veloso, os resultados não acompanharam esse ritmo. “Houve progresso nos anos iniciais do ensino fundamental, um progresso menor nos finais e uma estagnação do ensino médio”, salientou.
Segundo Veloso, as projeções para a população brasileira apontam para redução de 4 milhões de alunos no ensino fundamental até 2020, ano em que começará a cair o número de estudantes de 15 a 17 anos. Ele acrescentou que, em um cenário com garantia 10% do PIB e crescimento médio de 2% ao ano, até 2050, o investimento por aluno pode aumentar três vezes e meia.
Entre as iniciativas apresentadas como exemplo, estão parcerias com a iniciativa privada em escolas públicas do estado do Rio e o modelo adotado pelo Ceará, que mudou a lógica de repasses do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para premiar municípios que reduzissem o analfabetismo e o abandono escolar, além de exigir projetos ambientais e avanços na saúde.
GDF desrespeita artistas que protestaram na terça (9) em frente ao Buriti
Jornalista: sindicato
O Governo do Distrito Federal está com mais de seis meses de atraso no pagamento dos artistas que se apresentaram a convite da Secretaria de
Cultura. Eles atuaram em aniversários de cidades, atividades culturais da Copa e outros eventos do Sistema de Cultura. A Secretaria alega que não tem
recursos para pagá-los, mas, antes de contratar, a Secretaria verificou que havia orçamento para a despesa e emitiu as notas de empenho. Então, se
tinha o orçamento, por que não tem o dinheiro? E pior: se há despesas empenhada há seis meses, por que esse dinheiro não está disponível até hoje?
Também ameaça não contratar os projetos do Fundo de Cultura
Além dos artistas que já prestaram serviços, a Secretaria de Cultura está em falta com outro compromisso cultural: todo ano ela é obrigada a
investir 0,3% da Receita Corrente Líquida no Fundo de Apoio à Cultura – FAC (art. 246, § 5º, da LODF). Esse fundo patrocina os projetos culturais da comunidade. A Secretaria de Cultura publicou os editais de seleção dos projetos. Cerca de mil projetos concorreram. Saiu o resultado da maior parte deles, mas os processos estão parados há mais de dois meses porque, no dia 07 de outubro o governador proibiu as secretarias de empenharem suas despesas. Sem
empenhar, o secretário não pode assinar os contratos dos projetos aprovados.
Um artifício para fazer sobrar dinheiro no FAC
O GDF criou um artifício para represar os recursos do FAC e faz isso há vários anos. Antes, as pessoas podiam concorrer aos recursos fazendo o
projeto que desejasse realizar. O artifício foi estabelecer previamente nos editais quais os tipos de projetos que podem concorrer e qual o limite
financeiro de cada tipo. Assim, retiraram a liberdade de o artista propor o projeto que desejasse. Mas ficou ainda pior. Eles destinam recursos em
excesso para os tipos de projetos que o governo quer dar ênfase e deixam pouco para os projetos que mais interessam à comunidade. Com esse
artifício, fazem “sobrar dinheiro” nos tipos de projetos inventados pelo governo. Essas “sobras” poderiam ser utilizadas para apoiar os projetos dos
outros tipos em que a demanda da comunidade foi maior que o volume de recursos alocado. Mas a Secretaria de Cultura não remaneja, causando
prejuízo a muitos projetos que ficam sem apoio, mesmo depois de serem aprovados pelo difícil processo seletivo do Conselho de Cultura.
Uma coisa leva à outra
As “sobras artificiais” de recursos do FAC passaram a servir de argumento para a retirada de recursos deste fundo. Assim, no ano passado, o governo
conseguiu a aprovação da Lei Compelmentar nº 872/13, autorizando o governo a retirar recursos do FAC. Neste ano, tentaram repetir a façanha, mas os
artistas, depois do prejuízo do ano passado, já tinham esclarecido todos os deputados de que não existem “sobras” e sim mecanismos artificiais de
exclusão de projetos aprovados pelo Conselho de Cultura. O próprio Conselho de Cultura publicou uma Nota Pública em janeiro deste ano esclarecendo que
não existem sobras no FAC. Então, em junho, os deputados fizeram uma emenda no projeto do GDF e impediram que o FAC sofresse mais um golpe.
Mesmo depois dessa derrota, o governo insiste em saquear o FAC. Em novembro, enviou à CLDF o projeto de Lei Complementar nº 108/2014,
alterando a destinação dos recursos do FAC para que o próprio governo possa utilizá-lo para pagar despesas da Secretaria de Cultura. Os artistas
reagiram e fizeram uma grande manifestação na entrada da CLDF e conseguiram das lideranças da Casa um compromisso de não votarem esse projeto. Agora o governo tenta outra tática: está dizendo que só assina os contratos dos editais do FAC deste ano se os artistas concordarem com o uso do FAC para
despesas do governo. Ontem (08/12) os artistas reunidos na Casa d’Itália (208 sul) rechaçaram a proposta, classificando-a como uma chantagem. E hoje, junto com outras categorias profissionais, realizam uma bela manifestação de protesto contra o calote geral da cultura.