CED 02 do Guará (GG) recebe IV Circuito de Ciências nesta quinta-feira (21)
Jornalista: sindicato
Nesta quinta-feira (21) a etapa regional do Guará do IV Circuito de Ciências ocorre no Centro Educacional 02 do Guará (GG). O público alvo são estudantes da educação básica, porém o evento é aberto para toda comunidade escolar. Ele ocorre entre 9h e 17h.
O Circuito de Ciências visa a socialização de vivências e trabalhos interdisciplinares realizados por estudantes nas escolas, além de fomentar a produção de conhecimentos científicos, tecnológicos e práticas inovadoras nas escolas da rede pública do DF.
Mais informações com Anne Braga, da Coordenação Regional de Ensino do Guará, no telefone 3901-6657 e e-mail annecnbraga@gmail.com
IV Circuito de Ciências do Núcleo Bandeirante ocorre nesta quinta-feira (21)
Jornalista: sindicato
A Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante realiza na quinta-feira (21), no Parque Bandeirante, o IV Circuito de Ciências – Etapa Regional. No evento, de 8h às 17h, serão apresentados 50 trabalhos desenvolvidos por alunos (as) da rede pública localizadas da Candangolândia, Núcleo Bandeirante, Riacho Fundo I e II e Vargem Bonita.
Também ocorrerão apresentações artísticas e culturais. Participe! Serviço:
IV Circuito de Ciências – Etapa Regional
Data e horário: 21/08/2014, das 8h às 17h
Local: Parque Bandeirante – Av. Central, Área Especial 19, bl. 11, Núcleo Bandeirante, Brasília – DF
Escola Parque Anísio Teixeira de Ceilândia realiza 1º Sarau nesta quarta-feira (20)
Jornalista: sindicato
A comunidade escolar está convidada para participar nesta quarta-feira (20), até as 11h30 e das 14h30 às 16h30, do 1° Sarau da Escola Parque Anísio Teixeira localizada na QNM 27, Módulo B, Área Especial, em Ceilândia. O evento tem o objetivo de comemorar o Dia Nacional do Patrimônio Histórico, movimentando a vida cultural da unidade escolar, com a presença de professores e estudantes.
Serão duas exposições de fotos com textos sobre o início da história de Ceilândia, uma exposição de trabalhos de estudantes das oficinas de artes visuais e outra exposição sobre Carlos Drummond de Andrade, além de apresentações musicais e performances com artistas da comunidade.
(Da Agência Brasília)
PNE só fará revolução se cumprido, avalia especialista
Jornalista: sindicato
A diretora-executiva do movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, iniciou sua fala no fórum da série Estadão Brasil Competitivo, nesta terça-feira (19) avaliando que o PNE (Plano Nacional de Educação) é uma agenda importantíssima, que merece toda a atenção da sociedade, mas que só fará uma revolução na educação brasileira se de fato for cumprido no prazo de 10 anos. Segundo ela, o maior erro histórico do Brasil foi o descaso com a educação. Ela defendeu que, além da meta de universalizar a educação infantil, o ensino fundamental e médio até 2016, é preciso investir na qualidade do ensino brasileiro.
Nesse aspecto, afirmou que é necessário alfabetizar todas as crianças no máximo até o final do terceiro ano do ensino fundamental. Além disso, defendeu a implantação de escola integral, citando que a meta é ampliar dos atuais 34,7% para 50% as matrículas nesse regime. Priscila ressaltou ainda que é preciso investir na qualidade dos professores. “Não existe qualidade no ensino sem professores de qualidade”, afirmou, avaliando que esse é um debate mundial, no qual o Brasil tem condições de ser referência nessa melhoria.
Além de investir na qualificação dos docentes, a diretora defendeu que é preciso valorizá-los. Para isso, afirmou, “não tem jeito, tem que pagar melhor”. “Isso exige muito recurso, mas é o dinheiro mais bem gasto”, disse. Ela defendeu que, para o País avançar de forma justa e de forma sustentável, a equação necessária envolve conhecimento diversificado, complementar e coordenado.
Priscila lembrou que, em razão de todos esses problemas da educação, o Brasil está em 57º lugar no ranking do índice de complexidade econômica. Em sua fala, a diretora executiva do Educação Para Todos defendeu que é preciso mudar a estrutura e o modelo da escola atual que, na avaliação dela, estão atrasados e divergentes da sociedade complexa atual. De acordo com ela, a estrutura da escola atual é do século 19, marcada por um currículo inchado, pouco definido e transparente, o que tem desmotivado os alunos. “Os alunos são do século 21 e vivem em uma sociedade muito mais complexa do que o modelo que vigora”, afirmou.
Priscila avaliou também que o modelo de escola atual tem respondido muito pouco à complexidade do mercado de trabalho atual. “Temos que ter coragem para mudar, de quebras as estruturas”, defendeu. Ela criticou também que o conhecimento científico, apesar de cada vez maior, está cada vez mais distante da população. Em sua fala durante o fórum, a diretora ainda parabenizou o programa Ciências Sem Fronteiras, do Governo Federal, mas ponderou que é preciso avançar mais.
(Do Uol)
Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente prorroga inscrições
Jornalista: sindicato
Interessados em participar da 7ª edição da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (OBSMA) podem se inscrever até 1º de setembro. Para se inscrever basta acessar o sistema de cadastro do site da competição. Acesse oregulamento completo.
Além do registro on-line é preciso enviar o material de trabalho, via correio, a uma das coordenações regionais da competição, até o dia 8 de setembro. Acesse este link para encontrar a regional mais próxima.
A Olimpíada contempla os projetos realizados por alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º ao 4º ano do ensino médio, incluindo os ensinos profissionalizante e de jovens e adultos (EJA)
Nesta edição são aceitos trabalhos escolares nas modalidades: Produção Audiovisual, Produção de Texto e Projeto de Ciências.
Confira em detalhes os requisitos referentes a cada categoria: Produção Audiovisual
Nessa modalidade são aceitos trabalhos coletivos desenvolvidos por um grupo de alunos, turma ou escola. O tema a ser abordado é de livre escolha dos autores, no entanto, deve estar relacionado com a temática da competição.
Os materiais apresentados devem utilizar a linguagem audiovisual e a duração máxima de cada vídeo é de 10 minutos. Vale ressaltar que os vídeos que ultrapassarem este limite de tempo não serão avaliados. Produção de Texto
Podem se inscrever nessa modalidade trabalhos individuais ou coletivos. O texto deve ser inédito e original, pode ter no máximo 10 páginas, e poderá ser ilustrado (literatura de cordel, história em quadrinhos, pinturas, colagens, fotografias, desenhos etc). Projeto de Ciências
Na categoria podem se inscrever somente propostas de projetos coletivos (grupos de alunos, turmas ou escola) que busquem tornar interessante, dinâmico e inovador o processo de ensino-aprendizagem das diversas disciplinas do ensino fundamental e médio. Sobre a competição
A Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente busca incentivar a realização de trabalhos que contribuam para a melhoria das condições ambientais e de saúde no Brasil, além de possibilitar que o conhecimento científico se torne próximo do cotidiano escolar e que as atividades pedagógicas de professores e escolas ganhem visibilidade.
O projeto educativo foi criado em 2001, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz),em parceria com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), e conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Para mais informações e/ou dúvidas envie um e-mail paraolimpiada@fiocruz.br
(Do Portal Brasil)
Regional de Ceilândia promove mostra sobre aprendizagem e inclusão
Jornalista: sindicato
A Coordenação Regional de Ensino de Ceilândia, por meio da Gerência de Educação Básica, realiza a mostra de Mãos dadas com a Inclusão, a 5ª edição do projeto. O encontro será nesta quarta (20) e quinta-feira (21), das 8h às 17h, no Campus da Universidade de Brasília (UnB), em Ceilândia, e na sexta-feira (22), no ginásio da Escola Parque Anísio Teixeira, da cidade.
O evento visa promover a integração entre os serviços de apoio e a comunidade escolar de Ceilândia e divulgar experiências exitosas, no que se refere à aprendizagem e inclusão.
Os profissionais dos serviços de apoio realizam coordenações setorizadas de estudo e integração de ideias, que resultam na mostra, levando o conhecimento ao público em geral.
Essa ação promove a formação continuada e valorização dos profissionais e dos estudantes. Além disso, amplia o olhar e colabora para o processo educacional dos envolvidos a fim de perceberem a inclusão como melhor caminho.
(Da Agência Brasília)
Participe das comemorações dos 30 anos de lutas e conquistas da CUT Brasília
Jornalista: sindicato
A CUT Brasília convida todos os dirigentes e militantes de entidades sindicais filiadas e do movimento social, bem como representantes da sociedade civil para participarem das atividades em comemoração aos 30 anos de CUT Brasília. Veja a programação: 25 de agosto (segunda-feira), 15h, Plenário da Câmara Legislativa do DF. Sessão solene em homenagem à CUT Brasília e ao Dia do Bancário. Iniciativa do deputado distrital Chico Vigilante (PT). 29 de agosto (sexta-feira), às 15h, Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados 9/8. Sessão solene em comemoração do Dia do Bancário e do aniversário de fundação da CUT. Iniciativa da deputada federal Erika Kokay (PT-DF). 30 de agosto (sábado), a partir das 12h, na quadra da Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc), na Área Especial 8 – Cruzeiro Velho. Feijoada ao som do Grupo Luz do Samba. Um comemoração da fundação da CUT, que promove cultura popular, integração social e fortalecimento de identidade dos trabalhadores. Ingresso a R$ 25 por pessoa.
A CUT conta com sua presença em todos os eventos que marcam o aniversário de fundação da maior Central Sindical de Brasília, do país e da América Latina e a quinta maior do mundo. As comemorações representam a reafirmação de nossos princípios e a continuidade da luta pela construção de uma sociedade justa, democrática e igualitária.
5ª Expocemi ocorre na quinta (21) e sexta-feira (22) no CEMI do Gama
Jornalista: sindicato
Cerca de 100 projetos de alunos (as) do ensino médio estarão na 5ª Expocemi, exposição que ocorre no CEMI do Gama (EQ 12/16, Área Especial – Setor Oeste) nesta quinta (21) e sexta-feira (22). De acordo com a professora Rachel Antoni, que atua na coordenação da instituição de ensino, este evento serve de motivação para os (as) alunos (as).
“Após apresentarem os trabalhos nesta feira de ciência e tecnologia, muitos estudantes foram premiados e participaram de outros eventos similares pelo país”, comemora.
A feira é aberta para a comunidade escolar e ocorre entre 8h e 18h. Prestigie!
Mais informações no telefone 3901-8078.
Desvendando o PNE: inclusão pode ajudar a construir uma sociedade mais tolerante
Jornalista: sindicato
Quando descobriram que a filha que esperavam possuía síndrome de down, Maria Antônia e seu marido se prepararam para contar a notícia ao filho já adolescente. Com muito cuidado explicaram a situação, mas o garoto não pareceu surpreso com a notícia, ficando indiferente. Os pais insistiram e tornaram a explicar, tentando mostrar a gravidade da situação. A resposta do menino seguiu no mesmo tom de tranquilidade: “tudo bem, eu sei como é; tem uma garota da minha sala de aula que tem síndrome de down”. Os pais ficaram surpresos e questionaram porque ele nunca havia contado aquilo. O garoto seguiu com naturalidade. “É apenas mais uma de minhas colegas”, disse. Meta 4: universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados.
O episódio ocorrido há quase quatro anos é recontado por Maria Antônia Goulart – hoje à frente do Movimento Down e uma das principais referências no assunto – com um peso simbólico, demonstrando a importância da escola na construção de uma sociedade mais inclusiva e menos preconceituosa. “É importante saber que ter deficiência não é o fim do mundo e isso a gente só aprende quando convivemos com pessoas com deficiência”, explica Maria Antônia.
O desafio da inclusão trazido pela meta 4 do Plano Nacional de Educação (PNE) demanda não apenas modificações na estrutura física das escolas mas também mudanças paradigmáticas do ensino nas escolas. No entanto, além de garantir os direitos de crianças e adolescentes com necessidades educativas especiais, a efetivação da meta 4 pode ajudar no desenvolvimento integral de todos os alunos e na construção de uma escola mais aberta aos diferentes ritmos de aprendizado e de uma sociedade mais tolerante.
aria Antônia acredita que uma escola que não olha para o aluno com deficiência é uma escola que também não dá atenção individual a cada um de seus alunos, “então, ela acaba deixando estudantes no caminho, mesmo os que não possuem deficiência”. A opinião é partilhada por Rodrigo Mendes, presidente do Instituto de mesmo nome, que critica os métodos de ensino padronizados. “O modelo é pautado para aquilo que é considerado ‘normal’, ou estatisticamente mais frequente. Como resultado, aqueles que não se adequam ao normal, não alcançam esse parâmetro”, analisa.
Escola plural
A diversidade dentro das escolas é uma bandeira importante do movimento que luta pela educação inclusiva. Atualmente, o Brasil tem cerca de 850 mil alunos da educação básica (do ensino infantil ao médio) com algum tipo de necessidade especial; destes 76%, segundo dados do Ministério da Educação, frequentam o ensino regular e o restante está em classes ou instituições especializadas. “A sala de aula deveria espelhar a diversidade humana, não escondê-la. O resultado final é uma educação melhor para todos”, defende Mendes, cujo Instituto mantém a plataforma Diversa, que reúne experiências de educação inclusiva.
Ainda que os especialistas defendam que todos devem estar matriculados no ensino regular, a meta 4 traz um trecho que pode ser considerado uma brecha. “A presença do termo ‘preferencialmente’ na meta 4 representa uma involução conceitual”, contesta Mendes, apontando que isto “autoriza escolas especiais a desempenharem o papel da sala de aula regular”.
crítica é feita também por Maria Antônia: “Um número significativo de organizações se posicionaram contra isso. O que todas as pesquisas mostram é que os alunos aprendem mais e melhor em escolas regulares”, pondera. Mendes afirma que, se a separação ocorrer, “desperdiçaremos a oportunidade de investirmos em uma pedagogia não homogeneizadora, que estimula o desenvolvimento de competências para o convívio com as diferenças”.
Já a diretora da Diretoria de Políticas de Educação Especial do MEC, Martinha Clarete Dutra dos Santos faz uma diferente leitura do texto. “A meta 4 tem que ser entendida à luz do artigo 8 do PNE, que diz do atendimento no sistema educacional inclusivo em todos os níveis. Isso significa que as pessoas tem que estar em classes comuns”, explica. O “preferencialmente” se refere ao atendimento educacional especializado, que são atividades pedagógicas específicas ao grupo no contraturno ou suplementares às aulas regulares, também previsto na meta. Ainda assim, Martinha ressalta que é dever do poder público garantir esta oferta, “mas, se ele não tiver condições, a lei permite que se busque este apoio na sociedade civil”.
Obstáculos e desafios
A inserção de quase 200 mil estudantes com necessidades educacionais especiais no ensino regular traz o desafio da permanência, que implica na oferta de educação de qualidade e estrutura que atenda às especificidades do aluno. São necessárias adequações na infraestrutura, garantia de transporte escolar acessível, formação continuada dos profissionais da escola e desenvolvimento de métodos de ensino adequados à maneira de aprendizagem do aluno.
Além disto, currículo e o sistema de avaliações devem ser adequados ao conjunto de estudantes como um todo para garantir a inclusão. “É importante que, considerando o que está no currículo, seja dado ao estudante o máximo de oportunidades para aquisição de conhecimento. No entanto, a avaliação não pode ser a mesma, é necessário que haja uma flexibilização para aquilo que seja estratégico e que a avaliação seja em referência a ele mesmo, vendo o quanto ele avançou”, explica Maria Antônia. Ela destaca ainda que não se pode rebaixar o currículo e que o estudante deve aprender o mesmo conteúdo que o restante da turma.
Para alunos com deficiências ou transtornos globais do desenvolvimento, aponta Martinha do MEC, “temos especificidades como a promoção de acessibilidade e a disponibilização de serviços de apoio. Há também o atendimento educativo especializado complementar, que é um dos serviços da educação especial”. Em geral, o atendimento ocorre no contraturno escolar e nas salas de recursos multifuncionais, que hoje chegam a quase 42 mil.
Para o grupo com altas habilidades, também conhecidos como superdotados, também contemplado na meta 4, são necessárias ações que deem condições ao desenvolvimento de talentos. Martinha explica que isto não necessariamente deve ocorrer dentro do espaço escolar. “Cabe à escola articular com a comunidade, com as outras áreas de políticas públicas e com a sociedade, espaços pra que esses estudantes com superdotação possam continuar a desenvolver a sua potencialidade.” Para a diretora do MEC, esta interlocução “contribui para o desenvolvimento integral dos estudantes”.Maria Antônia destaca o papel destas salas na criação de métodos e ferramentas para aprimorar o ensino, já que nem sempre o professor diante de uma sala cheia consegue dar conta das especificidades. “Não existe uma especialização em cada deficiência, então é preciso que a escola entenda como se dá o processo de aprendizagem e seja capaz de diversificar suas dinâmicas”, explica. Maria Antônia conta que profissionais tem relatado que os materiais e ferramentas pensados pelo professor do atendimento especializado têm ajudado inclusive outros alunos. “Na escola, não é apenas o aluno com deficiência que tem dificuldade de aprender. A sala pode fornecer tecnologias para diversificar as estratégias e garantir uma aprendizagem mais significativa.”
O processo de construção de uma escola inclusiva demanda também mudanças de paradigmas. “A inclusão deve ser entendida como um processo complexo, que demanda transformações estruturais em toda comunidade escolar”, aponta Mendes, “a começar pela ruptura da ideia de que os estudantes devem aprender da mesma forma, no mesmo ritmo, avaliados por instrumentos padronizados de desempenho”.
(Do Luís Nassif Online)
Os porta-vozes israelenses já têm muito trabalho tentando explicar como os israelenses assassinaram mais de 1.000 palestinos em Gaza, a maioria dos quais civis, em comparação com apenas 3 civis mortos em Israel por foguetes e fogo de morteiro do Hamas. Mas pela televisão e pelo rádio e pelos jornais, porta-vozes do governo israelense hoje, como Mark Regev, parecem menos enroladores e menos agressivos que predecessores, que eram muito mais visivelmente indiferentes ao número de palestinos mortos.
Há pelo menos uma boa razão para esse ‘aprimoramento’ das capacidades de Relações Públicas dos porta-vozes de Israel. A julgar pelo que se os veem dizer, já estão trabalhando conforme um estudo feito por profissionais, bem pesquisado e confidencial, sobre como influenciar a mídia e a opinião pública nos EUA e na Europa.
Redigido pelo especialista em pesquisas e estrategista político dos Republicanos, Dr. Frank Luntz, aquele estudo foi encomendado há cinco anos por um grupo chamado “The Israel Project” [Projeto Israel], que mantém escritórios nos EUA e em Israel, para ser usado “por todos que estão na linha de frente da guerra midiática a favor de Israel”.
Cada uma das 112 páginas do folheto é marcada com “proibido distribuir ou publicar” [orig. “not for distribution or publication”], e é fácil entender por quê. O relatório Luntz – oficialmente intitulado “Dicionário de Linguagem Global do Projeto Israel 2009” [orig. “The Israel project’s 2009 Global Language Dictionary[1]] vazou quase imediatamente para Newsweek Online, mas até hoje só muito raramente mereceu atenção, e sua verdadeira importância ainda mão foi devidamente considerada.
Deveria ser leitura obrigatória para todos, sobretudo para jornalistas interessados em conhecer a política de Israel, por causa da lista de “Faça/diga X” e “Nunca faça/diga Y” dirigida aos porta-vozes de Israel.
Aquelas duas listas são altamente iluminadoras para que se compreenda a distância imensa que separa o que funcionários e políticos israelenses pensam e creem, e o que eles dizem; o que eles dizem é modelado por pesquisa mantida ativa minuto a minuto, para detalhar o que os norte-americanos desejam ouvir. Com certeza, nenhum jornalista deveria arriscar-se a entrevistar qualquer porta-voz de Israel sem conhecer muito bem aquele manual e ter-se preparado para contra-perguntar sobre os muitos temas – e sempre com as mesmas palavras e frases – que se ouvem hoje da boca do Sr. Regev e seus colegas.
O panfleto é cheio de saborosos conselhos sobre como eles devem modelar suas respostas, para diferentes audiências. Por exemplo, o estudo diz que “os norte-americanos aceitam que ‘Israel tem direito a ter fronteiras defensáveis’. Mas Israel não tem vantagem alguma em definir com precisão que fronteiras são essas. Evitem falar em fronteiras em termos de pré- ou pós-1967, porque isso só faz relembrar aos norte-americanos o passado militar de Israel. Essa expressão prejudica os israelenses, sobretudo no campo da esquerda. Por exemplo, o apoio da direita israelense a fronteiras defensáveis cai de 89% para menos de 60% sempre que vocês falam em termos de 1967.”
E quanto ao direito de retorno dos refugiados palestinos que foram expulsos ou fugiram em 1948 e nos anos seguintes, e que nunca mais puderam retornar às próprias casas e terras? Aqui, o Dr. Luntz é muito sutil nos conselhos que dá aos porta-vozes israelenses; diz que “o direito de retorno é questão difícil para que os israelenses falem dela com eficácia, porque praticamente toda a linguagem israelense soa muito semelhante à fala de ‘separados, mas iguais’ dos racistas segregacionistas dos anos 1950s e dos defensores do Apartheid nos anos 1980s. De fato, os norte-americanos não gostam, não acreditam nisso e não aceitam o conceito de ‘separados, mas iguais’.”
Assim sendo, como devem os porta-vozes enfrentar questões que até o manual considera ‘difíceis’? Recomendam que a coisa seja chamada de “demanda” – porque os norte-americanos detestam gente que faz demandas. O manual ensina: “Digam portanto: ‘os palestinos não estão satisfeitos com o estado que têm. Agora, estão demandando mais territórios dentro de Israel.”
Outras sugestões para resposta israelense efetiva incluem dizer que o direito de retorno deve ser item de um acordo final “algum dia, no futuro”.
O Dr Luntz observa que os norte-americanos em geral temem qualquer imigração em massa para dentro dos EUA, “portanto falem sempre de ‘imigração palestina em massa para dentro de Israel’ –, e os norte-americanos sempre rejeitarão a ideia. Se mais nada funcionar, digam que a volta dos palestinos faria ‘descarrilhar o esforço para alcançar a paz’”.
O relatório Luntz foi redigido logo depois da Operação Chumbo Derretido em dezembro de 2008 e Janeiro de 2009, quando morreram 1.387 palestinos e nove israelenses.
Um capítulo inteiro é dedicado a “isolar o Hamás, apoiado pelo Irã, como obstáculo à paz.” Infelizmente, agora, quando está em curso a Operação Fio Protetor, iniciada dia 6 de junho de 2014, e nova matança de palestinos, há um problema grave para a propaganda de Israel, porque o Hamás está rompido com o Irã por causa da guerra na Síria e está completamente sem contato com Teerã. Só reataram relações amistosas há poucos dias – e por causa da invasão israelense.
Muitos dos conselhos do Dr Luntz tratam do tom e do modo de expor o pensamento de Israel. Diz que é absolutamente crucial mostrar vastíssima simpatia pelos palestinos: “Os persuasíveis [sic] não dão importância ao que você saiba, até que se convençam de que você lamenta muito, do fundo do coração, toda a situação. Mostre empatia PELOS DOIS LADOS!”
Isso provavelmente explica por que tantos porta-vozes israelenses vão praticamente às lágrimas quando falam do sofrimento dos palestinos bombardeados por bombas e mísseis israelenses.
Em frase escrita em negrito, sublinhada e toda em maiúsculas, o Dr Luntz diz que os porta-vozes ou líderes políticos israelenses NÃO DEVEM, NÃO PODEM, nunca, de modo algum, justificar “o massacre deliberado de mulheres e crianças inocentes”, e devem reagir agressivamente contra qualquer voz que acuse Israel por tal crime. Vários porta-vozes israelenses esforçaram-se muito para seguir esse conselho na 5ª-feira passada, quando 16 palestinos foram mortos num abrigo da ONU em Gaza.
Há uma lista de palavras e frases a serem usadas e uma lista de palavras e frases a serem evitadas. Há de tudo: “O melhor meio, o único meio, para alcançar paz duradoura, é alcançar respeito mútuo.” O mais importante é que o desejo de paz de Israel com os palestinos tem de ser sempre enfatizado, porque é o que os norte-americanos mais querem que aconteça. Mas se observarem pressões para que Israel realmente faça alguma paz, a pressão deve ser imediatamente reduzida; nesse caso, os israelenses devem dizer: “um passo de cada vez, um dia depois do outro” – expressões que serão facilmente aceitas como “abordagem de bom senso, para a equação ‘deem-nos A terra, que lhes damos a paz’.”
O Dr Luntz cita como exemplo de “pegada israelense muito eficaz” a seguinte frase: “Quero muito particularmente falar às mães palestinas que perderam seus filhos. Nenhum pai ou mãe deveria ter de enterrar suas crianças.”
O estudo admite que o governo israelense não quer, de fato, qualquer solução de dois estados, mas diz que isso não pode ser declarado publicamente, porque 78% dos norte-americanos são favoráveis àquela solução. Devem-se enfatizar sempre as muitas esperanças de que os palestinos progridam economicamente.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é citado com elogios, por ter dito que “já é hora de alguém perguntar ao Hamás: o que, afinal, estão fazendo para melhorar a vida de seu povo?!” A hipocrisia, aí, é inacreditável: é Israel, com os sete anos de bloqueio econômico que impõe a Gaza, quem reduziu Gaza ao estado de pobreza e miséria em que vive hoje.
Em todos os casos e ocasiões, o modo como porta-vozes israelenses apresentam os fatos é planejado para dar a norte-americanos e a europeus a impressão de que Israel desejaria muito a paz com os palestinos e estaria disposta a ceder para chegar à paz. Todas as evidências, e também o Manual do Dr. Luntz, sugerem que tudo aí, são mentiras. Embora não tenha sido requisitado ou produzido com essa finalidade, poucos estudos mais reveladores foram jamais escritos sobre a Israel contemporânea, em tempos de guerra e paz.
(Da FNDC)