Boletim do MST – Especial 50 anos do golpe

Para rememorar os 50 anos do golpe civil-militar, a Página do MST traz uma série de artigos, entrevistas e matérias ao longo dessa semana, que relacionam o papel da Reforma Agrária e das lutas sociais do campo em torno do golpe de 1964. Veja a seguir alguns deles.
Dênis de Moraes: Reforma Agrária foi o que mais preocupou as classes dominantes.
“Goulart apontou reformas de base em várias áreas, mas uma das que mais preocupava as classes dominantes eram as medidas em relação à Reforma Agrária e as grandes linhas para o desdobramento da democratização do campo”. Em entrevista à Página do MST, Dênis de Moraes analisa o papel das lutas sociais no campo durante o governo Goulart, no período da ditadura militar e a diferença na luta pela terra daquele período com as de hoje”.
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Reforma Agrária e o Golpe de 1964: imaginar o passado para projetar o futuro
A paisagem monótona aos lados da maioria das estradas brasileiras, marcada pela monocultura de commodities agrícolas, com quase nada de vegetação nativa, amplos desertos verdes monocromáticos desprovidos de gente, poderia ser diferente se há 50 anos o destino do país não fosse golpeado por uma ditadura civil militar.
Hoje, não seríamos o país recordista em consumo de agrotóxico por cidadão, mais de 5,5 litros por ano. Certamente, também não estaríamos na vergonhosa posição de um dos países mais desiguais em termos de renda e distribuição de terras, nem deveríamos ser a quarta maior população carcerária do planeta.
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José Porfírio de Souza e a resistência camponesa contra a ditadura
José Porfírio de Souza foi um militante camponês que participou de revoltas no interior de Goiás, em Trobas e Formoso na década de 1950. Com o Golpe Civil-Militar de 1964, teve que entrar na clandestinidade.
Após denúncias de fazendeiros, foi capturado e torturado. Ao ser liberado, teve um encontro com sua advogada e, logo em seguida, desapareceu. Até hoje sua família luta para resgatar seus restos mortais.
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A política de ocupação militar na amazônia e o medo da Reforma Agrária
O ambiente político se radicalizou, pois o presidente João Goulart prometia fazer as reformas de base “na lei ou na marra”. Quando o golpe de estado aconteceu em 1964, as principais lideranças políticas do Pará, o então governador Aurélio do Carmo e o prefeito de Belém, Moura Carvalho, não estavam em território amazônico. Estavam no Rio de Janeiro, que a rigor ainda funcionava como centro político, onde ocorria a reunião do Partido Social Democrata (PSD).
Até a década de 60, o Brasil desconhecia a região amazônica. A primeira “grande” política foi a realização do processo de colonização da região por meio de grandes projetos, organizados pelo primeiro presidente da ditadura, o general Castelo Branco.
O Pará, pelo seu potencial energético e mineral, passou a ser foco de atenção. Os planos de desenvolvimento a todo custo para a região amazônica faziam parte da ideologia da ditadura militar, para preservar e legitimar o próprio regime.
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Ato em Brasília pede revisão do número de vítimas da ditadura no campo
O reconhecimento dos 1196 camponeses assassinados entre 1964 e 1989 como vítimas da ditadura e a devida punição dos culpados foram as principais reivindicações que os camponeses brasileiros, liderados pelo Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), levaram às ruas de Brasília, nesta segunda (31), véspera da data que marca os 50 anos do golpe que deu início à ditadura civil-militar.
Em ato simbólico, militantes do movimento cravaram no gramado do Congresso Nacional 1.196 cruzes, representando as vítimas já identificadas por estudos preliminares, e queimaram bonecos batizados com os nomes dos torturadores mais conhecidos do regime, como os coronéis Brilhante Ustra, diretor do Doi-Codi de São Paulo entre 1970 e 1974, e o major Sebastião Curió, que atuou na repressão à Guerrilha do Araguaia.
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A Reforma Agrária no Discurso de João Goulart, em 13 de março de 1964

“Trabalhadores, acabei de assinar o decreto da Supra. Assinei-o, meus patrícios, com o pensamento voltado para a tragédia do irmão brasileiro que sofre no interior de nossa pátria. Ainda não é aquela reforma agrária pela qual lutamos. Ainda não é a reformulação do nosso panorama rural empobrecido. Ainda não é a carta de alforria do camponês abandonado. Mas é o primeiro passo: uma porta que se abre à solução definitiva do problema agrário brasileiro.
O que se pretende com o decreto que considera de interesse social, para efeito de desapropriação, as terras que ladeiam eixos rodoviários, leitos de ferrovias, açudes públicos federais, e terras beneficiadas por obras de saneamento da União, é tornar produtivas áreas inexploradas ou subtilizadas, ainda submetidas a um comércio especulativo, odioso e intolerável.
Não é justo que o benefício de uma estrada, de um açude ou de uma obra de saneamento vá servir aos interesses dos especuladores de terra, que se apoderam das margens das estradas e dos açudes. A Rio-Bahia, por exemplo, que custou 70 bilhões de dinheiro do povo, não deve beneficiar os latifundiários, pela multiplicação do valor de suas propriedades, mas sim do povo.
Não o podemos fazer, por enquanto, trabalhadores, como é de prática corrente em todos os países do mundo civilizado: pagar a desapropriação de terras abandonadas em títulos da dívida pública e a longo prazo.
Reforma Agrária com pagamento prévio do latifúndio improdutivo, à vista e em dinheiro, não é reforma agrária. Reforma agrária, como consagrado na Constituição, com pagamento prévio e a dinheiro é negócio agrário, que interessa apenas ao latifundiário, radicalmente oposto aos interesses do povo brasileiro. Por isso de decreto da Supra não é a reforma agrária.
Sem reforma constitucional, trabalhadores, não há reforma agrária autêntica. Sem emendar a Constituição, que tem acima dela o povo, poderemos ter leis agrárias honestas e bem intencionadas, mas nenhuma delas capaz de modificações estruturais profundas.
Graças à colaboração patriótica e técnica das nossas gloriosas Forças Armadas, em convênios realizados com a Supra, graças a essa colaboração, meus patrícios, espero que dentro de menos de 60 dias já comecem a ser divididos os latifúndios das beiras das estradas, os latifúndios ao lado das ferrovias e dos açudes construídos com o dinheiro do povo, ao lado das obras de saneamento realizadas com o sacrifício da Nação. E, feito isto, os trabalhadores do campo já poderão, então, ver concretizada, embora em parte, a sua mais sentida e justa reivindicação, aquela que lhes dará um pedaço de terra para cultivar. Aí, então, o trabalhador e sua família irão trabalhar para si próprios, porque até aqui eles trabalharam para o dono da terra, a quem entregam, como aluguel, metade de sua produção. E não se diga, trabalhadores, que há meio de se fazer à reforma sem mexer a fundo na Constituição. Em todos os países civilizados do mundo já foi suprido do texto constitucional aquela parte que obriga a desapropriação por interesse social, a pagamento prévio, a pagamento em dinheiro.
No Japão de pós-guerra, há 20 anos, ainda ocupado pelas forças aliadas vitoriosas, sob o patrocínio do comando vencedor, foram distribuídos dois milhões e meio de hectares das melhores terras do país, com indenizações pagas em bônus com 24 anos de prazo, juros de 3,65% ao ano. E quem é que se lembrou de chamar o general Macarthur de subversivo ou extremista?
Na Itália, ocidental e democrática, foram distribuídos um milhão de hectares, em números redondos, na primeira fase de uma reforma agrária cristã e pacífica iniciada há 15 anos. Cento e cinquenta mil famílias foram beneficiadas.
No México, durante os anos de 1932 a 1945, foram distribuídas 30 milhões de hectares, com pagamento das indenizações em títulos da dívida pública, 20 anos de prazo, juros de 5% ao ano, e desapropriação dos latifúndios com base no valor fiscal.
Na Índia foram promulgadas leis que determinam a abolição da grande propriedade mal aproveitada, transferindo as terras para os camponeses. Essas leis abrangem cerca de 68 milhões de hectares, ou seja, a metade da área cultivada da Índia.
Portanto, não existe argumento capaz de poder afirmar que no Brasil, uma nação jovem, que se projeta para o futuro, não se possa também fazer a reforma da Constituição para a reforma agrária autêntica e verdadeira.
A reforma agrária não é capricho de um governo ou programa de um partido. É produto da inadiável necessidade de todos os povos do mundo. Aqui, no Brasil, constitui a legenda mais viva da esperança do nosso povo, sobretudo daqueles que labutam no campo. A reforma agrária é também uma imposição progressista do mercado interno, que necessita aumentar a sua produção para sobreviver.
Os tecidos e os sapatos sobram nas prateleiras das lojas e as nossas fábricas estão produzindo muito abaixo de sua capacidade. Ao mesmo tempo em que isso acontece, as nossas populações mais pobres vestem farrapos e andam descalças, porque não têm dinheiro para comprar.
Assim, a reforma agrária é indispensável, não só para aumentar o nível de vida do homem do campo, mas, também, para dar mais trabalho às indústrias e melhor remuneração ao trabalhador urbano.
Interessa, por isso, também a todos os industriais e aos comerciantes. A reforma agrária é necessária, enfim, à nossa vida social e econômica, para que o país possa progredir, em sua indústria, e no bem-estar do seu povo.
Como garantir o direito de propriedade autêntica quando, dos 15 milhões de brasileiros que trabalham a terra, no Brasil, apenas dois milhões e meio são proprietários?
O que estamos pretendendo fazer no Brasil, pelo caminho da reforma agrária, não é diferente, pois, do que se fez em todos os países desenvolvidos do mundo. É uma etapa de progresso que precisamos conquistar e haveremos de conquistar.
Esta manifestação deslumbrante que presenciamos é um testemunho vivo de que a reforma agrária será conquistada para o povo brasileiro. O próprio custo da produção, trabalhadores, o próprio custo dos gêneros alimentícios está diretamente subordinado às relações entre o homem e a terra. Num país em que se paga aluguéis da terra que sobem a mais de 50% da produção obtida daquela terra, não pode haver gêneros baratos, não pode haver tranqüilidade social. No meu estado, por exemplo, o estado do deputado Leonel Brizola, 65% da produção de arroz é obtida em terras alugadas e o arrendamento ascende a mais de 55% do valor da produção. O que ocorre no Rio Grande é que um arrendatário de terras para o plantio de arroz paga, em cada ano, o valor total da terra que ele trabalhou para o proprietário. Esse inquilino rural desumano e medieval é o grande responsável pela produção insuficiente e cara que torna insuportável o custo de vida para as classes populares em nosso país.
A reforma agrária só prejudica uma minoria de insensíveis, que deseja manter o povo escravo e a nação submetida a um miserável padrão de vida.
E é claro, trabalhadores, que só se pode iniciar uma reforma agrária em terras economicamente aproveitáveis. É claro que não poderíamos começar a reforma agrária, para atender os anseios do povo, nos estados do Amazonas ou do Pará. A reforma agrária deve ser iniciada nas terras mais valorizadas e ao lado dos grandes centros de consumo, com transporte fácil para o seu escoamento.”
Leia o discurso completo aqui
(Do MST)

Aluna do CEF 4 de Brasília vence concurso nacional de redação

Giovana Feitosa Felisberto, 13 anos, aluna do 8º ano do CEF 4 de Brasília, foi uma das vencedoras da etapa nacional do concurso de redação promovido pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). O tema era “Copa do Mundo, o mundo em sua escola”. Ela escreveu uma redação sobre a vinda do mundial de futebol para o Brasil e as diferenças sociais. O texto foi submetido à seleção ainda no CEF 4, com outras 29 redações. Aprovada, Giovana passou para a etapa local, onde concorreu com outras escolas do DF e em seguida passou para a etapa nacional, sendo uma das quatro vencedoras.
“Gosto muito de escrever e quando não coloco os textos no caderno, leio para toda a turma nas rodas de leitura”, disse a estudante.
(Com informações do Jornal de Brasília)

Aprovada continuidade de cotas raciais na UnB

O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) decidiu pela manutenção do sistema de cotas raciais da Universidade de Brasília (UnB). O percentual de reserva de vagas cairá de 20% para 5%. A decisão foi tomada durante a tarde desta quinta-feira (04). Na primeira votação, 32 conselheiros votaram pela manutenção do sistema e 7 contra. Na segunda, 27 optaram pela redução da reserva para 5% e 11 votaram pela manutenção dos 20%. A decisão já vale para o próximo vestibular, que ocorre no meio do ano.

O Conselho manteve o percentual de 50% das vagas para estudantes de escolas públicas e 10 vagas por semestre para candidatos indígenas, totalizando 20 por ano.

Para o diretor do Sinpro Gabriel Magno, mesmo havendo uma redução do percentual de reserva, “a votação foi um momento importante para democratizar o acesso à universidade”.

Artigo: O que está em jogo no PNE, por Daniel Cara

votação do PNE é urgente. Há anos o Brasil não possui uma lei capaz de orientar a gestão educacional, fazendo com que os governos federal, distrital, estaduais e municipais reúnam esforços para o cumprimento das mesmas metas, todas necessárias para a consagração do direito à educação no Brasil.
Contudo, da mesma maneira que se faz urgente a aprovação do novo plano, é preciso aperfeiçoar o último relatório apresentado pelo Deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), relator da matéria. Caso contrário, o PNE não será capaz de cumprir integralmente com sua missão constitucional.
Na manhã de ontem (1), mais de 60 entidades e movimentos educacionais solicitaram – por meio de uma Carta Aberta – três alterações ao texto. A primeira é não contabilizar como investimento público em educação pública programas emergenciais como Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), Prouni (Programa Universidade para Todos), Ciências Sem Fronteiras e Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), além de matrículas em creches e pré-escolas conveniadas.
Distantes de uma posição “estadocêntrica”, os signatários da Carta Aberta tampouco desconsideram a importância desses programas. A preocupação central recai sobre um provável rompimento da distinção entre o que é público e o que é privado – trazendo graves consequências à gestão educacional e à prioridade orçamentária da educação pública. Em outras palavras, são programas importantes; porém devem ter prazo e limites orçamentários.
O segundo ponto levantado pelo grupo de entidades e movimentos educacionais trata do mecanismo mais decisivo para a universalização do direito à educação básica pública de qualidade. Por pressão da área econômica do Governo Federal, o relator Angelo Vanhoni (PT-PR) mudou sua posição original e incorporou o entendimento do Senado Federal. Com isso, extraiu a Estratégia 20.10 de seu último relatório. Ela dizia:
“Estratégia 20.10) Caberá à União, na forma da Lei, a complementação de recursos financeiros a todos os Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios que não conseguirem atingir o valor do CAQi [Custo Aluno-Qualidade Inicial, correspondente ao padrão mínimo de qualidade] e, posteriormente, do CAQ [Custo Aluno-Qualidade, expressão do padrão de qualidade]”.
A supressão deste texto fragiliza gravemente o PNE. Em primeiro lugar, trata-se de uma demanda Constitucional. Conforme o primeiro parágrafo do Art. 211 da Constituição Federal, é obrigação da União (Governo Federal) exercer “função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios”. Ou seja, é preciso que o Governo Federal complemente recursos para o atingimento do CAQi.
Dois estudos recentes mostram a importância desse dispositivo: a Nota Técnica da Fineduca (Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação) e a tese de doutorado do Prof. Luiz Araújo (Universidade de Brasília).
Conforme os dados da Fineduca, em 2012, eram necessários cerca 1% do PIB a mais para o Brasil atingir os valores do CAQi. Já o Prof. Luiz Araújo estimou, em 2011, a necessidade de R$ 54 bilhões para todas as escolas brasileiras serem dignas.
Segundo dados oficiais do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) divulgados este ano, desde 2009 a União não amenta sua participação no investimento direto em educação, colaborando com apenas 1% do PIB (Produto Interno Bruto). Muito diferente do que ocorre com Estados e Municípios, que colaboram mais, mesmo arrecadando menos. Os governos estaduais investiam 2% do PIB diretamente em educação pública em 2009. O percentual mais recente é de 2,2%. No caso das prefeituras, a taxa subiu de 1,9% para 2,3% do PIB.
Consequentemente, caso a Estratégia 20.10 seja reinserida no PNE, o Governo Federal alcançará o mesmo patamar de investimento realizado por Estados e Municípios: cerca de 2% do PIB.
Os leitores dessa coluna sempre defendem, com razão, que não basta transferir recursos para Estados e Municípios, é preciso que esse dinheiro chegue às escolas, sem quaisquer desvios. O CAQi é a melhor garantia para isso. Com ele todas as salas de aula terão um número máximo de alunos por turma, nenhum profissional da educação – de qualquer lugar do país – receberá menos do que o piso nacional salarial, todos terão uma referência nacional de política de carreira, com formação continuada. Além disso, todas as escolas contarão com bibliotecas, laboratórios de ciências, laboratórios de informática e quadra poliesportiva coberta. A disponibilização de recursos para viabilizar esses insumos é a melhor maneira de simplificar e empoderar o controle social. E a maior parte da complementação da União ao CAQi irá para os Estados e Municípios do Norte e Nordeste do país.
Obviamente, isso não poderá ser feito de um dia para o outro. A Estratégia 20.10 prevê a elaboração de uma Lei específica, que precisará tramitar no Congresso Nacional. E é preciso uma lei dura e criteriosa. Segundo o trabalho do Prof. Luiz Araújo, a complementação da União ao CAQi reduzirá em 12% a desigualdade de renda dos municípios brasileiros, segundo o Coeficiente de Gini.
Por último, o relator Angelo Vanhoni precisa suprimir a Estratégia 7.36, que também incorporou do Senado Federal. Ela estimula políticas de remuneração por mérito. É uma medida vem sendo revogada nos países mais ricos do mundo. O motivo é que ela é inoperante e até mesmo contraproducente à qualidade da educação. Em outras palavras, não funciona, não aumenta a aprendizagem. E pior: desconstrói a carreira docente, tornando-a desinteressante.
Em resumo, o relatório do PNE precisa melhorar para colaborar com a qualidade da educação. Ao menos parte significativa da sociedade civil está atenta a isso. Que o Brasil tenha uma boa votação de PNE!
 
Daniel Cara é Coordenador Geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, bacharel em ciências sociais e mestre em ciência política pela USP
Fonte: Uol

Escola precisa ser projeto de nação, não de classes sociais, dizem especialistas

A educação é um projeto de nação ou das classes sociais brasileiras? É possível transformar o desempenho escolar dos alunos avaliados em testes internacionais em curto prazo? A escola brasileira precisa ser de tempo integral? Perguntas como essas foram analisadas e respondidas nesta quarta-feira(02) por especialistas numa audiência pública da comissão temporária destinada a debater e propor soluções para o financiamento da educação no Brasil.
O consultor do Senado João Monlevade frisou que o fato de a classe média brasileira haver migrado para as escolas particulares é reflexo de a educação ter deixado de ser um projeto de nação para ser um ideal que varia de acordo com a classe social.
“Nos países desenvolvidos, a classe média confia na escola pública e matricula seus filhos nela”, destacou.
Os efeitos da falha do Estado em priorizar a educação aparecem nos resultados de exames como o Pisa, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos, segundo informou o pesquisador Marcelo Medeiros Coelho de Souza, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Na última edição, os alunos brasileiros ficaram em 38º lugar entre os 44 países avaliados na área de raciocínio lógico. O desempenho dos estudantes brasileiros também é abaixo da média nos outros quesitos: leitura, ciências e matemática.
A senadora Ângela Portela (PT-RR), que presidiu a audiência pública, disse ser preciso apontar caminhos que impulsionem a qualidade do ensino.
“A posição do Brasil [no Pisa] não é nada invejável. Aliás, é muito preocupante – reconheceu a senadora, oriunda da carreira do magistério”, diz.
Marcelo Medeiros sustenta que um dos fatores que mais pesam no sucesso da educação está fora da escola: é relacionado ao grau de instrução e de conhecimento de ambos os pais, especialmente da mãe – tanto que, em geral, filhas de professoras têm bom desempenho escolar.
Baseado em estudos dos índices do Brasil de forma absoluta e comparada com outros países nos últimos 15 anos, o pesquisador do Ipea admite que há na fórmula de sucesso da educação um peso “gigantesco” da origem social do aluno, potencializada pelo fato de no Brasil o tempo diário da criança na escola ser pequeno e as férias serem extensas.
“A origem social tem um peso muito grande na qualidade da educação dos alunos. É preciso considerar a inserção das crianças em outros ambientes, porque elas passam mais tempo em casa, na rua, brincando fora da escola, ou em contato com os pais, família, vizinhos e amigos do que, efetivamente, no ambiente escolar. A maior parte da educação acontece fora da escola”, sintetizou.
Por causa disso, Marcelo Medeiros sentenciou que  “não existe a menor possibilidade de o Brasil ter ensino de qualidade sem educação integral” e defendeu redução considerável do período de férias.
“Quando você mantém a criança na escola, suplementa o tempo em que ela não tem formação externa, principalmente se os pais e a comunidade não têm o que oferecer de conhecimento no lugar da escola”, diz.
Ele comprovou essa tese comparando estudantes na volta às aulas. Em famílias mais ricas ou que priorizam educação de qualidade para os filhos, as crianças progridem em conhecimento durante as férias. Por outro lado, famílias que não criam um ambiente desafiador e incentivador vêem seus filhos regredirem nesse mesmo período.

Investimento

Pela estimativa de Monlevade, ter a escola em tempo integral custaria no mínimo mais R$ 70 bilhões ao Estado. Para se ter uma ideia, no ano passado foram gastos R$ 250 bilhões na educação, sendo 75% desse montante aplicados na educação básica e o restante no ensino superior.
O consultor do Senado avaliou as formas de financiamento dessa escola mais integral e de maior qualidade e defendeu um aporte maior de recursos federais se o governo reformar a cobrança de quatro tipos de impostos.
O primeiro seria o Imposto Territorial Rural, que, na visão dele, é subcobrado. Depois, sugeriu o escalonamento do Imposto de Renda para aumentar a alíquota máxima e uma maior cobrança de impostos sobre grandes fortunas. Por fim, cogitou a volta da cobrança da CPMF, mas, em vez de saúde, o investimento seria integral na educação.
Outra forma de financiamento sugerida por ele é a obrigação de o bacharel formado em universidade federal retribuir o investimento do Estado pagando 2% de alíquota extra no seu imposto de renda diretamente para a universidade que cursou.
“O Brasil é um dos únicos países a oferecer educação superior federal sem qualquer cobrança de contrapartida dos alunos formados, que naturalmente têm um aumento real da sua renda após entrarem no mercado de trabalho.”

Resultados

Os dois convidados foram céticos sobre uma mudança radical dos resultados dos alunos brasileiros no Pisa a curto prazo. Marcelo Medeiros foi enfático. “O desempenho no Pisa combina a qualidade da escola que forma os alunos e a qualidade dos próprios alunos. Está dentro do controle das políticas públicas a meta de fazer a educação ser exemplar, mas ainda que isso acontecesse da noite para o dia, demorariam anos para esse melhor desempenho aparecer no Pisa” disse.
Lembrando a importância do conhecimento dos pais na educação dos filhos, ele disse que há um “freio geracional” que faz 20 anos serem um tempo razoável para melhorar brutalmente a educação, embora os resultados não apareçam nessa mesma velocidade.
Fonte: Agência Senado

Votação do Plano Nacional de Educação é adiada mais uma vez na comissão especial

Depois de pedido de vista coletivo, em março, que suspendeu a votação na comissão especial da Câmara que analisa a proposta do Plano Nacional de Educação (PNE),a hora parecia ter chegado. Mas nessa quarta-feira, dia 2 de abril, a votação foi novamente adiada. O relatório do deputado Angelo Vanhoni garante o compromisso público com a expansão de vagas na Educação Profissional e Superior, o prazo para a alfabetização das crianças na idade certa e o tratamento adequado às questões de gênero e diversidade. Porém, ainda há questões polêmicas.
Para a CNTE, apesar dos avanços em relação ao projeto do Senado, o relatório não atende pontos essenciais, como a exclusividade dos 10% do PIB para a educação pública e a complementação do Custo Aluno pela União. No caso do PIB, o relator mesclou a redação da Câmara e do Senado, destinando o total para a educação pública mas mantendo a possibilidade de financiamento privado com recurso público. Além disso, os trabalhadores em educação exigem a retirada da estratégia que vincula a valorização da carreira ao Índice de Desenvolvimento da  Educação Básica, IDEB, considerado frágil. Para o vice-presidente da CNTE, Milton Canuto, essa exclusão é estratégica: “Caso contrário, prejudicará o processo de valorização dos profissionais de educação e é preciso que se evite isso”, afirma.
Novas sessões foram marcadas para os dias 8 e 9 de abril. Já são quase 4 anos de tramitação. Depois de aprovado na Comissão, o PNE vai para o plenário, onde pode sofrer novas alterações. Segundo Canuto, esse momento também vai exigir muito trabalho: “Nós encaminhamos um documento para todos os deputados com o risco de cada ponto e a batalha será no corpo a corpo para que se garanta a aprovação de um direito pleno da cidadania do povo brasileiro, a garantia à educação e à valorização profissional”.
Fonte: CNTE

A violência nas escolas do DF permanece

Já são 6 anos desde o assassinato do professor Carlos Mota, ocorrido em junho de 2008. Mas a situação da segurança nas escolas permanece a mesma. Nesse período, as autoridades (e o Estado) nada fizeram para a mudança do cenário. O batalhão escolar, que atende a rede pública de ensino do DF, permanece sendo desmontado e a redução do seu efetivo provoca situações que diariamente são relatadas pela imprensa local e junto ao sindicato.
Em 2008 o Sinpro lançou a campanha “Quem bate na escola maltrata muita gente” que visou discutir junto com a comunidade escolar e sociedade civil do DF, as formas de pacificação do espaço escolar e da comunidade. Ao longo desses anos, projetos foram desenvolvidos entre o sindicato e escolas da rede pública. Anualmente o Sinpro desenvolve, através do concurso de redação, temas relacionados com a discussão da violência que a educação pública sofre: agressão física, agressão verbal, falta de investimento, falta de segurança, enfim sobre a presença do Estado no espaço educacional.
Este ano, o tema da redação do concurso será “A escola publica que eu quero”. Nesse espírito, esperamos que as autoridades percebam que o que o população do DF deseja é uma escola pública livre da violência, com recursos públicos necessários para atingir a qualidade que todos e todas merecem.
Nesta quarta-feira (2), o jornal Correio Braziliense publicou uma matéria sobre a violência nas escolas públicas do DF:
Profissionais de educação sofrem com ameaças e agressões dentro das escolas
“Aqui é assim: toda vez que agimos para organizar e disciplinar, alguém diz: ‘Um já morreu’. Eu me pergunto: será que vai ser sempre assim no CED Carlos Mota?”
O desabafo é de uma funcionária da direção do centro educacional do Lago Oeste. A história do colégio está marcada pelo assassinato do então diretor, Carlos Ramos Mota, há seis anos. Dois estudantes e um ex-aluno participaram da execução do mestre. Em Ceilândia, a ameaça foi a um porteiro, que ouviu de um jovem que ele acordaria “com a boca cheia de formiga.” O autor das fortes palavras nem era matriculado, mas fumava maconha e portava uma arma de fogo no pátio do colégio. A série “O bê-á-bá da violência” revela essas e outras histórias sobre a rotina de medo vivida por funcionários das instituições de ensino do Distrito Federal.
Uma bala no peito calou o homem apaixonado pela educação, pai de três filhos e casado com a servidora pública Rita de Cássia Mota. Carlos Ramos Mota, 43 anos, morreu pelas mãos de dois estudantes da escola — Alessandro José de Souza e Carlos do Nascimento — e por Benedito Alexandre do Nascimento, ex-aluno e responsável por apertar o gatilho. O mentor do crime, segundo o Ministério Público, é Gilson de Oliveira, traficante da região que foi impedido por Mota de comercializar entorpecentes dentro da instituição de ensino. Gilson tem conseguido protelar o julgamento, agora marcado para 28 de maio. Benedito e Carlos cumprem pena de 18 anos de reclusão. Alessandro foi condenado a 16 anos de prisão.
Passados seis anos do crime, a rotina de violência continua a massacrar os funcionários da escola que agora leva o nome do ex-diretor. As ameaças de hojefazem referência ao assassinato de Carlos Mota. “Eles dizem: ‘Depois você morre, não reclama’, ou ‘Você está muito folgada, vou acabar com essa sua folga’. Isso é corriqueiro. Cadê o policiamento do Batalhão Escolar? Não temos. Se a agente chama, eles vêm, mas aqui é longe, demora. O Posto de Segurança Comunitária do lado da escola não tem policial e frequentemente somos seguidos por alunos”, conta uma educadora. A violência praticada contra os mestres também parte dos familiares de estudantes. Há pouco mais de uma semana, uma profissional da direção registrou queixa de ameaça contra o pai de uma aluna. “Ele foi agressivo, me chamou de incompetente. Se meus colegas não chegam, ele me daria uns tapas”, diz Milene (nome fictício). Recentemente, quatro alunos praticaram um sequestro relâmpago e abandona-ram a pessoa atacada no Lago Oeste. Na fuga, deixaram uma mochila para trás. A vítima e a polícia bateram na porta da escola. “Tudo isso gera muita insegurança. E o Estado, o que faz? Nada vezes nada”, reclama Milene. Quando questionados se o tráfico — motivo do assassinato do ex-diretor — deu uma trégua, a resposta dos servidores é evasiva. “Quando tinha polícia aqui, a gente ficava tranquilo. Temos as câmeras que monitoram todo o colégio. Não cabe a nós investigar nem ficar procurando”, sintetiza um deles.
Socorro
A reportagem tentou obter, em diferentes esferas do governo local, estatísticas sobre a quantidade de mestres ameaçados de morte, feridos ou assassinados por alunos. Não conseguiu. O apagão dos números é ainda maior porque nem todas as ameaças são registradas. Nem mesmo o Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) tem os dados. “Se eu prestar queixa cada vez que recebo uma ameaça, não vou conseguir trabalhar. Vou viver na delegacia”, diz uma professora de Ceilândia, que pediu para ter o nome preservado. Dentro de sala de aula, os confrontos explodem sempre que os aprendizes são contrariados. Ano passado, pelo menos quatro professores formalizaram denúncia na Delegacia da Criança e do Adolescente I (Asa Norte) contra alunos que os ameaçavam. Os casos ocorreram em Planaltina, Paranoá, Itapoã e Riacho Fundo. “Eles ficaram bastante assustados e pediram a transferência. Não sei se conseguiram ou continuam nas escolas”, relata a delegada Mônica Ferreira, titular da Delegacia da Criança e do Adolescente I (Asa Norte), sem revelar o nome das vítimas e das instituições de ensino.
Funcionários de uma escola de ensino fundamental de Ceilândia pedem socorro. “Sofremos com ameaças diárias na escola. Eles querem traficar dentro do colégio, fumar no banheiro e nas dependências. Não posso permitir. No entanto, devido ao trabalho realizado, sofremos represálias”, narra o diretor da instituição, que também pediu para não ser identificado. A escola já chegou a ser exemplo de boas práticas na guerra contra a violência. Atualmente, perde a batalha. Quando o Correio, na semana passada, esteve no local, o clima era de tensão porque jovens passaram a tarde atirando pedras e se jogando no portão para derrubá-lo. Quando a polícia chegou, não havia mais sinais dos vândalos.
O problema da falta de limites em casa
A vulnerabilidade de funcionários das instituições de ensino revela-se aos poucos. Alguns resistem em contar a rotina de medo. “Ameaça? Sim, já recebi. Faz duas semanas. Entrou um indivíduo fumando (maconha) e com um revólver. Pedi para sair e ele se negou. Veio o diretor e nada. Com muito custo, ele aceitou (sair da escola). Foi botar o pé aqui fora, ele me olhou e disse: ‘Abre teu olho. Você vai amanhecer com a boca cheia de formiga”, revela Silvio (nome fictício), 57, porteiro de uma escola de Ceilândia.
A delegada Mônica Ferreira, chefe da Delegacia da Criança e do Adolescente I (Asa Norte), alerta que os rompantes dos jovens não devem ser encarados como “coisa de adolescente”. “Uma psiquiatra do Instituto Médico Legal diz que o jovem é ‘LU’, ou seja, inconsequente, imprevisível e imprudente. O adolescente age de rompante quando é contrariado, faz as coisas como se não houvesse amanhã”, anali-sa Mônica. Independentemente do público atendido e dos atos infracionais praticados, os dele-gados das DCAs concordam em um ponto: as ocorrências envolvendo a comunidade escolar seriam menores se os pais conseguissem impor limites aos filhos. “O jovem não respeita o próximo. Isso advém da má formação da pessoa, da falta de valores morais e da desestruturação familiar”, avalia Amado Pereira, chefe da DCA II (Ceilândia).
A degradação das relações também é apontada pelo presidente da Associação dos Pais e Alunos das Instituições de Ensino do Distrito Federal (Aspa-DF), Luis Claudio Megimin. “Quando um aluno não respeita o professor é porque não respeita os próprios pais em casa”, acredita. Rosilene Corrêa, diretora do Sindicato dos Professores do DF (Sinpro-DF), reforça que a agressão por parte dos pais é rotineira. “Não é raro pais e mães de aluno ultrapassarem a fase do diálogo”, diz. ‘As escolas acabam desenvolvendo programas isolados. Não há uma política conjunta.”

Artigo: o PNE em disputa, por Nina Madsen

Está em disputa, no Congresso Nacional, o Plano Nacional de Educação. De um lado da contenda, estamos nós, movimentos sociais do campo dos direitos humanos, lutando pela manutenção do texto enviado ao Congresso em 2010, um texto que avança em relação ao PNE anterior e que tenta responder a demandas históricas desses movimentos. Do outro lado, os grupos fundamentalistas conservadores que, há algum tempo, declararam guerra aos direitos das mulheres e da população LGBTT no país. As bancadas evangélica e ruralista, com as lideranças católicas conservadoras do parlamento, estão unidas para tentar conter o que têm chamado de “avanço da ideologia de gênero”.
O texto do PNE não é exatamente revolucionário. Muito menos propagador de uma suposta “ideologia de gênero” — seja lá o que isso venha a significar. O texto simplesmente define como uma das diretrizes “a superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual” (item III, artigo 20). O que os conservadores propõem em substituição é uma redação genérica (com o perdão do trocadilho), que determina a ênfase da superação das desigualdades educacionais “na promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação”.
O investimento dos grupos religiosos brasileiros no campo da educação não é novidade. Para lembrar dois exemplos recentes: o Acordo Brasil—Vaticano, firmado em 2009 pelo então presidente Lula, que, atentando contra os princípios de nosso Estado laico, recuperou a obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas; e, em 2010, o arbitrário cancelamento da distribuição do material didático elaborado no âmbito do Projeto Escola Sem Homofobia.
Há algum tempo que nossa caminhada rumo a qualquer tipo de avanço no que diz respeito à garantia dos direitos humanos e do Estado laico no país tem sido dificultada. Com o PNE, o caso não é diferente.
O que perdemos, caso ganhem os grupos religiosos conservadores? Perdemos a possibilidade de avançar em direção a uma educação fundada em princípios de igualdade, de direitos humanos e de cidadania para todos, que garanta a diversidade sexual e a liberdade religiosa neste país multirracial e pluriétnico. Perdemos a possibilidade de avançar na desconstrução da cultura machista, racista e homofóbica que predomina em nossa sociedade. Uma cultura de violência que tem autorizado Estado e sociedade a produzirem números inaceitáveis de casos de violência contra as mulheres, de assassinatos de jovens negros e da população LGBTT no país.
De quantas mortes precisamos para convencer nossos ilustres parlamentares de que educar para a igualdade de gênero e para a igualdade racial e étnica é uma necessidade absolutamente urgente em nossa sociedade? De quantos estupros, de quantos assassinatos de mulheres, de jovens negros, de indígenas, de gays, lésbicas e pessoas trans precisamos?
Quantos casos e dados são necessários para convencê-los da gravidade do problema? Servem os dados do Ipea, lançados em 27 de março, sobre violência contra as mulheres e estupro? Essas pesquisas apontam números estarrecedores: 65,1% de concordância, total ou parcial, com a afirmação “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”. Concordaram com a afirmação de que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros” 58,5%. O relatório da pesquisa destaca ainda, a respeito desses dados, que “chama atenção o fato de que católicos têm chance 1,4 vez maior de concordarem total ou parcialmente com essa afirmação, e evangélicos, 1,5 vez maior”.
Na pesquisa sobre estupros, uma estimativa assustadora de mais de 500 mil casos por ano no país, dos quais apenas 10% chegam ao conhecimento da polícia; 97,5% são praticados contra mulheres; 70%, contra menores de 18 anos; e 15% são estupro coletivo.
Educação para a igualdade e para a liberdade não é pregação de ideologia, é garantia de direitos e é estratégia de construção de uma sociedade menos violenta e mais justa. O Estado brasileiro não pode, nem por um segundo, enganar-se quanto à sua obrigação e quanto ao seu compro-misso com essa construção. Não permitiremos nada menos.
Por Nina Madsen, socióloga e integrante do colegiado de Gestão do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea)
(Do Correio Braziliense)

A história se repete: alunos protestam contra a falta de professores

Já virou rotina. Enquanto a secretaria de educação insiste na versão de que “não falta professor”, a situação nas escolas públicas do DF é preocupante. Na terça-feira (1), os alunos do CEM Setor Oeste, da Asa Sul, protestaram contra a falta de professores no laboratório para as disciplinas de química, física e biologia.
Os alunos reclamam que a secretaria de Educação aprovou o plano pedagógico da instituição que contava com aulas de laboratório, mas não disponibilizou nenhum professor. Em entrevista ao portal G1, o professor e presidente do conselho escolar, Glauco Silva, o laboratório de física está sem funcionar há 13 anos.
“Temos preocupação de ensinar a prática e a teoria. As matérias de exata demandam professores nas suas áreas diversificadas. Não é possível aprender química só com professor de teoria”, disse Silva. “Gastamos do próprio bolso para montar os laboratórios com a promessa do GDF de receber os professores de laboratórios, mas até agora não sinalizaram nada.”
O presidente do Grêmio Estudantil, Vladmir Gonçalves, afirma ao mesmo portal, que a falta de aulas extras tem um impacto negativo no resultado dos alunos no Enem. “O que mais pesa é no momento que os alunos forem fazer uma redação ou responder questões ligadas a exercícios que têm a ver com procedimentos de laboratórios”, disse. “O público poderia ter a mesma qualidade que um particular tem.”
Segundo os manifestantes, o laboratório de informática está sem funcionar há três anos e eles também estão sem aula de artes.
“O laboratório até está equipado, mas vai estragar sem o uso. Por que o GDF investe para reformar as salas se não tem quem as faça funcionar? Sem o professor, não vai funcionar”, diz Silva.
Os alunos afirmam ainda que os problemas de infraestrutura na escola vão além da falta de funcionamento dos laboratórios. Eles dizem que já tiveram problemas com fios desencapados, infiltrações, ratos e até alagamentos provocados por chuva. Segundo a direção, a escola se manteve durante um período com verba arrecadada em festas juninas e com doações de professores.
“Se a nossa escola, que é de referência, tem que conviver com ratos, imagina as que não são”, diz Silva.
(Com informações do G1)

CNTE lança campanha para mudar nomes de escolas

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), com o objetivo de celebrar a resistência da sociedade brasileira contra o estado de exceção determinado pelos militares, então apoiados pela elite nacional e pelos Estados Unidos da América, organiza uma campanha em memória dos/as trabalhadores/as em educação que lutaram contra a Ditadura e foram vítimas do Golpe Civil-Militar.
A CNTE criou uma página na internet para destacar o retrocesso causado para a educação brasileira e lembrar os trabalhadores perseguidos pelo regime. A entidade também iniciou um movimento de mudança de nomes de escolas que homenageiam agentes patrocinadores do Golpe e os ditadores de plantão. De acordo com o Inep, 976 escolas públicas têm nomes de presidentes daquele período. A ideia é propor projetos de iniciativa popular às Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores, após a realização de amplo debate com a comunidade escolar, a fim de legitimar o pleito.
(Do site Nota 10)

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