TV Sinpro na TV Comunitária desta terça (3) fala sobre o Dia Internacional da Mulher
Jornalista: Luis Ricardo
No próximo domingo (08) vários coletivos e movimentos da esquerda do Distrito Federal, juntamente com o Sinpro, realizarão um grande ato em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Este será o tema da TV Sinpro na TV Comunitária desta terça-feira (3), e para falar mais sobre este tema foram convidadas as diretoras Vilmara do Carmo, Ruth Brochado e Mônica Caldeira.
O programa vai ao ar toda terça-feira, às 17h, ao vivo, pela página do Sinpro-DF no Facebook. O programa é disponibilizado também no Canal 12 da NET, no site e na fanpage da TV Comunitária.
Assista pelo Facebook do Sinpro-DF no link: facebook.com/sinprodf
As reprises do programa são exibidas no decorrer da semana. Confira a programação:
A diretoria colegiada do Sinpro-DF, lamenta e informa, com pesar, o falecimento da professora aposentada Maria das Graças Machado. O velório será neste domingo (1º/3), a partir das 9h, na Capela 02, do Cemitério Campo da Boa Esperança, na W5 Sul, em Brasília. O sepultamento será às 11h. Maria das Graças faleceu, nessa sexta-feira (28), no Hospital de Apoio de Brasília.
Programa Alternativo compartilha conhecimentos e experiências
Jornalista: Luis Ricardo
O Centro de Ensino Especial 02 de Ceilândia será o destaque do Programa Alternativo deste sábado (29). Desde 2017, a escola realiza o projeto Compartilhando Conhecimento e Experiência, que tem como objetivo contribuir com a troca de informação entre os(as) professores(as) do CEE, Salas de Recursos, Classes de TGD e DI, e Docentes da RIDE, representada pelos profissionais de Cocalzinho e Girassol de Goiás.
A parceria entre os docentes permitiu que eles tivessem a oportunidade de compartilhar informações, reconstruir novos saberes, além de perceber a importância da educação por meio de atividades práticas e lúdicas. A proposta das atividades pedagógicas com base na adequação curricular assegura aos discentes com Deficiência ou Transtorno Global do Desenvolvimento/TEA, a promoção de uma educação de excelência enfatizando o potencial de cada estudante
O Programa, apresentado pelo SBT, vai ao ar sempre aos sábados, às 12h30, e mostra entrevistas e matérias referentes à realidade da educação no Distrito Federal. Um dos objetivos é oferecer a oportunidade para que escolas e professores participem da discussão e enviem sugestões para os próximos programas. As pautas podem ser mandadas para o e-mail faleconoscoimprensa@sinprodf.org.br.
O Sinpro-DF convida os(as) professores(as) aprovados(as) no último concurso da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEDF) para um ato na próxima segunda-feira (02/03). A concentração da mobilização acontecerá às 16h, em frente ao Edifício Phenícia, sede da Secretaria de Educação, localizada no Setor Bancário Norte Q 2.
O objetivo do ato é protestar e chamar a atenção do governo para necessidade de nomear os(as) mais de mil professores(as) concursados(as) aprovados(as) no certame de 2016.
A luta pela efetivação de professores(as) é uma bandeira antiga do Sinpro. De acordo com a diretora do sindicato, Letícia Montandon, o governo havia prometido que novas nomeações seriam feitas no início de 2020, mas, mais uma vez, o GDF não cumpriu o prometido, alegando como motivo da demora a necessidade de uma avaliação econômica que nunca é finalizada.
“Queremos cobrar a efetivação dos aprovados. Ao longo de anos, temos conseguido êxitos graças à unidade da categoria em nossa campanha Convoca Já, mas a espera de alguns já dura há quatro anos e isso é inadmissível. A oferta de uma educação de qualidade está diretamente ligada à efetivação de professores devidamente concursados e qualificados”, ressaltou a diretora.
Jairo Mendonça, também diretor do Sinpro, conclama todos e todas a participarem do ato e reforça que neste momento de luta quantidade é sinônimo qualidade. “Precisamos da participação massiva de todos aprovados para pressionarmos e garantirmos que o governo cumpra com o que prometeu. Com unidade e capacidade de organização poderemos garantir avanços. Nós, do Sinpro, continuaremos cobrando do governo a convocação dos aprovados e reivindicando o fortalecimento da nossa carreira”, concluiu.
Professora aposentada portadora de ELA pede ajuda da categoria
Jornalista: Maria Carla
Delci Bispo de Souza, professora aposentada da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEEDF), precisa de sua ajuda. Diagnosticada com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), Delci precisa de R$ 20 mil reais para adquirir os equipamentos que facilitam sua travessia por essa doença irreversível.
AJUDE A PROFESSORA DELCI
Sem condições financeiras, Delci precisa adquirir, urgentemente, uma cama apropriada (maca adaptada) e um guincho (elevador). A professora pede ajuda, por meio de um financiamento coletivo, para comprar os dois equipamentos.
A VIDA DELA DEPENDE DE VOCÊ
O seu gesto de caridade pode amenizar o sofrimento de Delci. Para doar, é preciso entrar no endereço da Vakinha eletrônica, na Internet. Clique aqui e faça sua doação.
Delci foi professora de história da rede pública de ensino do Distrito Federal. Trabalhou em várias escolas entre os anos de 1979 e 2000. Aposentou-se por invalidez quando atuava no CEF 21 do P Norte, após um atropelamento. Ela deu aula no extinto CEF 53, na Expansão do Setor O; e no CEF 36. Atuou no CEF 21 desde a inauguração da escola.
ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA (ELA)
A ELA é uma doença degenerativa do sistema nervoso que afeta os neurônios motores – células responsáveis pelos movimentos voluntários da musculatura. Geralmente, os sintomas da doença são fraquezas e atrofias musculares,
contrações involuntárias e câimbras.
Quando atingem os músculos da fala e da deglutição (ato de engolir) essas funções também são prejudicadas. Apesar do comprometimento do movimento e da fala, a ELA dificilmente afeta células responsáveis pela percepção e raciocínio dos pacientes.
Dados do Ministério da Saúde indicam que, a cada 100 mil pessoas, cerca de 2,5 desenvolve a doença por ano e a idade é um fator importante para a sua ocorrência, sendo mais frequente nos pacientes entre 55 e 75 anos de idade.
Escola cívico-militar em RO afasta professores que queriam ir a reunião do sindicato
Jornalista: Luis Ricardo
Uma escola cívico-militar em Rondônia, gerenciada pela PM (Polícia Militar), mas com professores da rede estadual de educação, determinou a dispensa de dez professores por eles terem indicado interesse em participar de assembleia do sindicato da categoria.
O caso ocorreu no colégio Tiradentes da PM, em Porto Velho, na última quinta-feira (19). A direção da unidade argumentou que, por terem se organizado para a atividade, os docentes não teriam perfil para a escola. Há docentes no grupo que atuavam na unidade havia mais de 20 anos. Segundo eles, o episódio é inédito.
A Constituição garante a livre associação a sindicatos, assegurando, inclusive, o direito de greve. Não há exceção para escolas com gestão compartilhada com a PM, ainda mais por se tratar de servidores concursados para o magistério estadual.
O Sintero (Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Rondônia) havia convocado uma assembleia para esta quinta-feira (20) para tratar de temas de interesse da categoria. Os professores da rede não estão em greve.
Os docentes haviam avisado com antecedência a direção da escola e, ainda na quarta-feira (19), o diretor da escola, o capitão da PM Jeferson Bezerra Pires, encaminhou ofício para a secretaria de Educação de Rondônia comunicando a “devolução de servidores”.
A professora Talita Pereira, 60, leciona na escola há 15 anos e foi incluída na lista de profissionais devolvidos à secretaria de Educação para alocação em outra unidade. Ela não quer mudar de escola.
“Nunca aconteceu algo parecido, inclusive já participei de greves anos atrás”, diz ela, que é professora de matemática. “Eu não estou satisfeita, quero voltar para lá porque sempre fiz meu trabalho bem feito, tenho vários projetos que elaborei com meus alunos que foram reconhecidos”.
O colégio é uma das cerca de 120 escolas com gestão compartilhada que inspiraram o projeto do governo Jair Bolsonaro de expansão de unidades cívico-militares. O MEC (Ministério da Educação) inicia neste ano projeto piloto para transformar 54 escolas em formato parecido.
No início do mês, a Folha de S.Paulo revelou que o governo de Rondônia havia distribuído uma ordem para recolhimento de livros que seriam inadequados. A pasta voltou atrás após questionamentos à medida.
O governador de Rondônia, coronel Marcos Rocha, é filiado ao PSL, ex-partido do presidente Jair Bolsonaro. A expectativa é que Rocha acompanhe Bolsonaro em seu novo partido.
A reportagem conversou com outros dois professores que pediram para não serem identificados, com medo de represálias. De acordo com um deles, a direção da escola tratou o caso como um motim, e os professores afastados foram criticados aos alunos da escola nesta quinta.
Ao diretor professores reclamaram de possível assédio moral. A reportagem entrou em contato com a escola e com o diretor da unidade, o capitão Pires, mas não teve retorno.
O documento ressalta que os profissionais “não apresentaram, por ora, o perfil exigido pelo sistema de ensino militar”. Para o capitão, que assumiu a direção da escola no ano passado, os servidores cedidos ao colégio pelo estado devem possuir um perfil condizente com “valores, ética e lealdade profissional”.
O Sintero divulgou texto em que afirma que a atitude “não condiz com o Estado Democrático de Direito” e deve ser revista. “O Sintero repudia a atitude da escola militar por se tratar de uma ação ditatorial, arcaica e opressora, em que, motivada por uma ação política, fere o direito constitucional dos profissionais”.
Professores relataram à reportagem que estiveram com o secretário de Educação, Suamy Vivecanda, para tratar do assunto. O secretário teria dito a eles que não teria o que fazer.
A reportagem entrou em contato com Vivecanda, mas ele não respondeu as mensagens. A Secretaria de Educação e o governo do estado também não atenderam aos questionamentos da reportagem.
Unidades militares ganharam evidência nos últimos anos por causa de indicadores educacionais positivos e por atacarem o problema da indisciplina. Por outro lado, educadores se opõem à militarização da educação.
“Lugar de PM nunca pode ser a escola”, diz especialista em educação
Jornalista: Luis Ricardo
Não é exatamente uma novidade a discussão de militarização das escolas no país. Mas é inegável que o assunto passou a chamar mais atenção depois que Jair Bolsonaro chegou à Presidência e adotou o tema como política nacional na área da educação, criando até mesmo a Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares do Ministério da Educação.
Para Catarina de Almeida Santos, professora e pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade de Brasilia, e coordenadora do Comitê-DF da Campanha Nacional pelo Direito à Educação (CNDE), o processo de militarização já presente em muitas escolas do país é a concretização do projeto “escola sem partido“, porque despreza o debate, a individualidade e subjetividade dos jovens.
“A militarização da escola é o ato último e mais efetivo de apagamento da escola, de imposição do processo do patriarcado, do machismo, da naturalização do racismo. É a exacerbação do ‘escola sem partido’, que é a negação da escola, que, por definição, deveria ser um espaço de diálogo”, avalia Catarina, que pesquisa o tema de militarização da educação e afirma que é preciso questionar a constitucionalidade desse modelo.
Catarina afirma que educação e segurança são direitos sociais, mas que não podem ser confundidos. “Lugar de PM não é na escola. Nem ensinando, a menos que seja um policial com licenciatura, nem agindo de forma violenta na resolução de conflitos”, pondera. A pesquisadora se refere ao vídeo que mostra PMs intervindo dentro de uma escola pública em São Paulo, usando spray de pimenta e tirando dois estudantes a socos e pontapés de dentro da instituição.
O caso aconteceu na última terça-feira (18/2), na Escola Estadual Professor Emydgio de Barros, no Rio Pequeno, zona oeste de São Paulo, quando um aluno que não estava com o nome da lista de matriculados do período noturno se negou a sair da escola. A PM foi acionada pela diretora da escola, que foi afastada do cargo.
“Isso não é motivo para acionar a polícia. A não ser que o estudante puxasse uma arma, coisa que não aconteceu, ou que ele passasse a agredir alguém e a escola não conseguisse contê-lo. A arma mais poderosa que a escola tem será sempre o diálogo”, pontua Catarina.
A ideia de que a Polícia Militar é solução para a educação tem apoio popular e do governo federal, que pega carona nessa política populista justamente pela falta de compreensão do que realmente está em jogo.
“A polícia dentro da escola vai apagar o sujeito, apagar identidades, porque as escolas militarizadas impõem a regra do quartel, apaga a identidade da juventude, sobretudo da juventude negra, apaga a questão das mulheres trans, das lésbicas, dos gays. Não há espaço para isso”, explica.
Confira a entrevista:
Ponte – Lugar de PM é na escola?
Catarina de Almeida Santos – Nunca foi e não é por diferentes motivos. Primeiro, a gente precisa olhar a nossa polícia que é militar e militarizada, que tem vários problemas no desempenho da sua função. Educação e segurança são dois direitos sociais garantidos na nossa Constituição de 1988. E nós temos as bases legais que definem quem garante segurança e quem garante educação, dois direitos que a gente nunca garantiu de fato. Se formos olhar os problemas de segurança, eles aparecem muito mais no Brasil. A lógica da nossa PM, a forma com que atua, para quem ela é formada, é uma polícia que não dá conta de resolver aquilo para o que ela foi formada, e que não tem nada a ver com a escola. Nossa polícia sempre está agindo na reatividade. Ela é formada para tratar o cidadão, sobretudo determinados grupos de cidadãos, como inimigos. Quando você imagina que eu estou mandando para dentro da escola profissionais que são forjados para tratar esses cidadãos como inimigos, eu posso dizer que nossos inimigos são nossas crianças, jovens, adolescentes e que, por isso, a polícia precisa estar dentro da escola. A nossa polícia não tem formação e nem condições de trabalho, e essa é uma questão que não pode ser deixada de lado, porque a tropa é mal remunerada, mal equipada, há policiais que acabam adoecendo, basta ver os índices de suicídio entre policiais. Ou seja, não estão preparados para atuar dentro da escola.
Ponte – E como você avalia o vídeo gravada na escola em SP?
Catarina – Obviamente a forma com que a PM age não condiz com o papel que deveria exercer. Por exemplo, se um adolescente estivesse fazendo algo que colocasse em risco a vida dos demais, a polícia deveria estar preparado para imobilizar, impedir que esse adolescente colocasse os outros em perigo. O que ela faz? Coloca ele e os demais em perigo, inclusive apontando arma. Dentro de uma escola um policial jamais poderia usar uma arma. Fico pensando se aparecesse alguém armado e entrasse em confronto, começasse a atirar… O papel da polícia é o inverso. É impedir que isso aconteça. A polícia se mostrou despreparada para atender, se é que foi, uma chamada da escola. Se ela nem foi chamada dentro da escola, pior ainda. Mas ainda que seja chamada, ela precisa estar preparada porque está lidando com adolescentes, crianças, em um espaço fechado.
Ponte – No caso, a diretora chamou a PM porque um dos estudantes, que aparece no vídeo, não tinha encontrado o nome dele na lista. Ela queria que o aluno se retirasse da escola e ele se negou. Cabe lembrar que é uma escola que atende majoritariamente alunos negros e pobres…
Catarina – Por isso que eu falei, ela [Polícia Militar] é formada para tratar determinados grupos populacionais como inimigos. Esse policial chega dentro da escola acreditando que aqueles estudantes todos são bandidos, e não pensam isso porque eles fizeram alguma coisa, mas porque são negros, pobres, porque estudam na escola pública. Você identifica quem é mocinho e quem é bandido pela cor da pele, pela aparência, pela escola que estuda. Do jeito que nossa polícia é, ela cria provas para cobrir ilegalidades e abusos que possa ter cometido. Ela é formada para isso e essa é a questão. Eu não olho simplesmente aqueles trabalhadores policiais que aparecem no vídeo como os responsáveis. Eles recebem comando, eles são demandados para fazer aquilo. A formação deles é para criminalizar pela cor da pele, classe social. Não é uma ação individual do policial, tanto que você tem um agindo e os outros colaborando. Todos vão pra cima do adolescente. Você tem a análise de uma cena em que as únicas pessoas que não estão cometendo nada de errado são justamente aqueles que estão sendo imobilizados, ou seja, os estudantes.
Ponte – Nesse caso, acionar a polícia seria a última medida a ser feita?
Catarina – Não tem alternativa para chamar a polícia numa situação dessas. Até porque, pelo que você conta, o jovem estava exercendo o direito dele de estudar. O papel dela era conversar, ir atrás e tentar resolver no diálogo, e não chamar a polícia. E esse é um problema que temos com a anuência de profissionais da educação defendendo a militarização das escolas. A escola só é escola se ela for espaço de diálogo. Numa situação dessa, ela precisa buscar alternativas para que ele tenha o direito de estudar garantido. Isso não é motivo para acionar a polícia. A não ser que o estudante puxasse uma arma, coisa que não aconteceu, ou que ele passasse a agredir alguém e os funcionários não conseguissem contê-lo. A arma mais poderosa que a escola tem será sempre o diálogo. O processo de formação só se dá através do diálogo. Não posso pensar em processo formativo através da violência. O papel dessa diretora seria providenciar a vaga, procurar saber com quem ele havia falado e procurar essa pessoa, enfim, buscar uma solução. É muito lamentável que um profissional da educação não consiga dialogar com um jovem que está querendo estudar, como aparentemente foi o que aconteceu. A escola exercer papel de polícia é muito ruim. Quando você está numa escola de alta vulnerabilidade, o trato e o cuidado devem ser maiores ainda.
Ponte – Como assim?
Catarina – Me lembro quando comecei a dar aula foi numa escola no bairro da Vitória, em Goiânia, um local tão abandonado que o único equipamento público que tinha no bairro era exatamente esse colégio. Era o lugar onde os estudantes se sentiam seguros e nós fazíamos de tudo para dialogar com eles, e usávamos isso para que eles estudassem. Tinha uma política da escola de sempre acolher, jamais expulsar o jovem ou dar suspensão, porque seria uma bonificação. O que fazíamos era dialogar. E eles protegiam a gente, porque eles entendiam que nós éramos as pessoas que mais confiavam neles, que mais cuidavam deles, e que davam aulas para eles sem julgamentos. A relação da comunidade com a escola quando a instituição é verdadeiramente para o bem comum é outra. Nessas áreas de alta vulnerabilidade é importante que a gente trabalhe a auto estima dos estudantes, olhe com carinho o caso dos que precisam trabalhar e mudar de turno, porque, caso contrário, você vai acabar jogando esse jovem para fora da escola e ele poderá, por exemplo, se envolver com crime.
Ponte – Existe um modelo viável de escola militarizada?
Catarina – Não, porque todas as escolas militarizadas, inclusive o programa do MEC, são ilegais, inconstitucionais. Não existe na Constituição brasileira, na Lei de Diretrizes e Bases [LDB], nenhuma previsão de policiais agindo dentro da escola, seja como professores ou gestores. A não ser que ele seja formado em licenciatura e faça concurso para professor. A emenda constitucional 101 de 2019 deu aos policiais o direito de ter duas funções. Mas é o direito de atuar, isso não faz ninguém professor. A LDB vai trazer os princípios da educação nacional e lá não há nada que mencione a PM na escola. As nossas escolas militares seguem um conjunto de regras da corporação. A LDB prevê que o ensino militar será regido por lei específica, mas isso é o ensino que forma os militares, o ensino da academia de polícia. As escolas militares que formam dependentes desses militares e civis são escolas regidas pela LDB, que vai dizer quem são os profissionais da educação, a formação que esses profissionais devem ter e que ele precisa ter experiência na área de docência. Essa lógica de colocar militares dentro da escola para fazer gestão administrativa, pedagógica, disciplinar é inconstitucional, porque os profissionais dentro da escola precisam ser da educação. Não há base legal no Brasil para isso. Todos os projetos de militarização são inconstitucionais.
Ponte – E por que continuam crescendo?
Catarina – Vivo esperando o momento de o poder público entrar no Supremo Tribunal Federal para questionar as militarizações dentro da escola. Há uma crença de que o projeto se desgasta por si só, o que é um equívoco sem tamanho, porque ele só cresce, tem anuência da população, por estarmos numa sociedade conservadora, porque o governo vende isso como a grande solução para a qualidade da educação e para escola segura, e não estamos conseguindo debater com a sociedade que polícia não é insumo de qualidade nem de segurança porque ela tem que ser garantida primeiro fora da escola, o que não está acontecendo. É preciso também entender que há escolas militarizadas no país que estão em áreas de vulnerabilidade e que o PM que está lá dentro é o mesmo que vai matar os jovens que estão estudando nela. A gente não desenvolveu uma capacidade e uma compreensão crítica do que estamos fazendo e para onde estamos indo.
Ponte – Qual o tipo de compreensão que falta?
Catarina – Você vê professores e diretores que querem a polícia dentro da escola como forma de controlar jovens que estão insatisfeitos com o modelo de educação que está sendo oferecido para eles. A polícia não vai melhorar a escola. Ela vai apagar o sujeito, apagar identidades. As escolas militarizadas impõem a regra do quartel, então você vai ter que ter determinado corte de cabelo, você vai ter que se vestir de tal forma, não pode usar brinco. Você apaga a identidade da juventude, sobretudo da juventude negra. Você apaga a questão das mulheres trans, das lésbicas, dos gays. Nada disso vai ter espaço nessa escola. Os dados mostram que é uma escola que exclui aquele que não se adapta à lógica do quartel, quem não rende. Ela se sustenta, inclusive, por causa dos resultados no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Para ter esse Ideb, eles tiram aqueles que consideram “aluno-problema”, desprezando qualquer tipo de inclusão. Ou seja, é a ideia do “eu tiro, excluo, escolho com quem quero trabalhar, vou dar aula para os melhores e entrego os resultados”. Tudo isso para justificar que a polícia dentro da escola resolve o problema.
Ponte – Quais modelos de militarização existem no país?
Catarina – Há muitos modelos de militarização. Se você olhar o termo de cooperação de alguns locais, assinado entre prefeituras e o comando da polícia militar, vai ver que está previsto que a PM implemente a chamada “metodologia de ensino dos colégios militarizados”. Na Bahia, por exemplo, a cláusula primeira desse termo diz explicitamente que não poderá ser oferecido ensino para jovens e adultos e alunos com distorção de idade e série. Você imagina isso? O poder público assinar um documento desse, com uma cláusula dessa, que fere o direito à educação de morte. São essas pérolas que a gente encontra. Tem uma escola na Bahia que, depois que foi militarizada, trocaram as portas de madeira por portas de vidro, para vigiar professores e alunos. A militarização transforma a escola em quartel, porque você tem que bater continência, fazer hora cívica, crianças ficam estressadas porque toda hora precisam colocar a blusa dentro da calça. A juventude tem na vestimenta um forte elemento de identidade, de práticas culturais. Tudo isso tem que acabar. Em Ceilândia [cidade do Distrito Federal], há uma escola militarizada em que alunas queriam fazer um debate sobre feminicídio e a polícia disse simplesmente que não. É importante também dizer que a militarização não tem cor de bandeira partidária. Eu acho que a militarização da escola é o ato último e mais efetivo de apagamento da escola, de imposição do processo do patriarcado, do machismo, da naturalização do racismo. Impossível não lembrar da “escola sem partido”, que queria, na verdade, implementar isso. Todos os problemas da nossa sociedade são pouco debatidos no ambiente escolar e a polícia vai impedir objetivamente que isso seja debatido. Como vamos formar cidadãos menos racistas, menos machistas se não debatermos? E o genocídio da população negra, que atinge esses alunos de escola pública, onde isso será debatido. Formar outra mentalidade para todas essas questões passa pelo ambiente escolar. E militarizar é dizer: não vamos debater nada disso. A “escola sem partido” era isso. É uma escola que não toma partido de nada. É a exacerbação do “escola sem partido”, que é a negação da escola. Ninguém militariza escola privada. Só escola pública e isso não é apenas para controlar, mas para expulsar, para negar esse direito àquelas a quem já é negado uma série de coisas na nossa sociedade.
Informamos aos professores (as) e orientadores (as) educacionais que não haverá expediente na sede e subsedes do Sinpro durante o feriado de Carnaval. Os trabalhos estão suspensos na segunda (24), terça (25) e quarta (26). Voltamos às atividades normais na próxima quinta-feira (27). Um bom feriado a todos e todas.
Vai ficar no DF neste Carnaval? junte-se a nós no Bloco da Educação
Este ano, a programação de Carnaval contará com atrações de temática educacional. Nos quatro cantos do país, educadores e educadoras cairão na folia com o bloco da Educação, chamado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
O Bloco se reúne no sábado (22), às 16h, no Espaço Cultural Canteiro Central, no SCS – Quadra 3 – Bloco A – Lote 210 – Edifício Paranoá. O Bloco da Educação faz sua apresentação às 19h com o tema inaugural: “Educação não é mercadoria”.
Sinpro inicia nova turma Avançada de Formação Sindical
Jornalista: Leticia
Em reunião realizada nessa terça-feira (18), a diretoria colegiada do Sinpro-DF, por meio da Secretaria de Formação Sindical, abriu a 10ª Turma Avançada de Formação Sindical.
Trata-se de um curso que tem como objetivo qualificar professores (as) e orientadores (as) educacionais sindicalizados (as), a fim de potencializar a organização da categoria nos locais de trabalho e no sindicato.
Para a coordenadora da Secretaria de Formação Sindical do Sinpro, Luciana Custódio, os cursos de formação são essenciais para o empoderamento dos educadores e educadoras do Distrito Federal. Para ela, a partir dos ensinamentos adquiridos é possível resgatar o sentimento de pertencimento classista.
“Com os cursos de formação os professores e orientadores ficam aptos a ocuparem a função de delegado sindical e podem atuar diretamente no fortalecimento e organização da base. Inclusive, é uma a oportunidade para lutarem contra o processo de desmonte da educação e construir, coletivamente, uma frente de resistência unificada”, ressaltou a diretora.
Os cursos de formação política e sindical do Sinpro-DF são estabelecidos em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e com a Escola Centro-Oeste de Formação Sindical da CUT – ECO/CUT Apolônio de Carvalho. Inúmeras turmas já foram concluídas e isso tem fortalecido cada vez mais a luta diária por uma educação pública de qualidade.
São resgatados durante o curso assuntos como, os princípios, a concepção e a estrutura da CUT, a Organização por Local de Trabalho (OLT), raça e etnia, emancipação da mulher e diversos outros temas que abrangem não apenas a luta da categoria, mas a organização social de modo geral.
A etapa avançada do curso de Formação do Sinpro possui cinco módulos, totalizando 300 horas de aula e a expectativa é que a 10ª turma seja concluída em meados de agosto.
Sinpro inicia reuniões com gestores para debater a Gestão Democrática
Jornalista: Luis Ricardo
Entendendo que a responsabilidade da gestão a partir do processo eleitoral (Gestão Democrática) é de toda a comunidade escolar e que o Sinpro se coloca como parte dela, o sindicato deu início a uma série de reuniões com os(as) gestores(as) nas regiões administrativas do Distrito Federal. Na segunda-feira (17) a diretoria do Sinpro se reuniu com gestores(as) de Taguatinga, Ceilândia, Samambaia e Brazlândia com o propósito de identificar problemas comuns nas escolas. As reuniões serão feitas em todas as cidades.
Um dos objetivos destas reuniões é justamente coletar problemas nas gestões para que a Comissão de Negociação do Sinpro possa tratar com o GDF. Entendemos que muitas das dificuldades encontradas e que infelizmente fazem parte da realidade das escolas estão contempladas na pauta de reivindicações da categoria. Dentre alguns exemplos podemos citar a construção e reforma de escolas; um PDAF adequado para dar melhores condições às unidades escolares; redução de estudantes nas salas de aula; autonomia financeira às escolas, dentre outros itens.
Diante disto e com o intuito de ter um espaço para um debate organizado, com encontros periódicos para tratar destas questões e traçarmos estratégias que resultem em soluções, ao término da reunião em cada cidade o Sinpro fará um seminário da Gestão Democrática e o lançamento do Coletivo de Gestão Democrática, a exemplo dos coletivos da Juventude, de Raça e da Mulher. O coletivo será um espaço onde este debate poderá se aprofundar.
As reuniões e a criação do Coletivo de Gestão Democrática são ferramentas necessárias e importantes para que gestores(as), a comunidade escolar e a categoria possam debater e buscar as melhorias necessárias para que tenhamos uma educação pública de qualidade. Somente com muita luta e com a união de todos(as) garantiremos o respeito à nossa Pauta de Reivindicações e ao magistério público.