14 de abril de 1964: não a Paulo Freire

 
2014 abril paulo freire
Há cinquenta anos, em 14 de abril de 1964, a ditadura civil-militar baixou o decreto de número 53.886, assinado pelo presidente interino Ranieri Mazzilli. Objeto: “Revoga o Decreto nº 53.465, de 21 de janeiro de 1964, que instituiu o Programa Nacional de Alfabetização do Ministério da Educação e Cultura”.
Razões: “Considerando a necessidade de reestruturar o Planejamento para a eliminação do analfabetismo no país; considerando ainda que o material a ser empregado na Alfabetização da População Nacional deverá veicular ideias nitidamente democráticas e preservar as instituições e tradições do nosso povo”. Em 13 de maio de 1964, data prevista para a inauguração do Programa pelo presidente João Goulart, o Ministério da Educação, pela portaria 237, ‘revogava todas as portarias anteriores e divulgava, pela imprensa, um levantamento do material usado na campanha de alfabetização, com o ‘arrolamento de um vasto equipamento fotográfico, avaliado em vários milhões de cruzeiros e publicações de caráter subversivo’.
Paulo Freire era membro da Comissão Especial do Programa Nacional de Alfabetização, sendo substituto eventual do ministro da educação, presidente da Comissão.
O primeiro presidente militar, General Humberto de Alencar Castelo Branco, tomou posse em 15 de abril, dia seguinte à edição do Decreto que acaba com o Programa Nacional de Alfabetização’.
O resumo dos fatos é o seguinte, segundo cronologia elaborada por Moacir Gadotti, presidente do Instituto Paulo Freire (IPF), em ’50 anos de Angicos e do Programa Nacional de Alfabetização’. De 9 a 16 de julho de 1958, Rio de Janeiro, II Congresso Nacional de Educação de Adultos: Paulo Freire apresenta as bases teóricas de seu sistema de alfabetização de adultos, como coordenador do relatório do grupo de trabalho sobre ‘A educação de adultos e as populações marginais: o problema dos mocambos’. Este relatório ‘é o germe de toda a literatura ético-político-crítica de Paulo da educação para a transformação’.
Em 13 de maio de 1960, na gestão do recém empossado prefeito de Recife Miguel Arraes, é fundado o Movimento de Cultura Popular (MCP). Paulo Freire é um dos seus membros mais atuantes.
Em fevereiro de 1961, o Secretário de Educação de Natal, RN, lança a Campanha ‘de pé no chão também se aprende a ler’.
Em 21 de março de 1961, é fundado o Movimento de Educação de Base (MEB), parceria entre o governo federal e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Em fevereiro de 1963, acontece o lançamento do projeto ‘Experimento de Angicos’, Rio Grande do Norte, com a alfabetização de 380 moradores. A primeira palavra geradora é ‘belota’. Na quarta aula, em 2 de abril, está presente o presidente João Goulart. Os alunos entregam cartas escritas por eles ao presidente da República. Consta que na ocasião o General Humberto de Alencar Castelo Branco, Comandante da Região Militar no Recife, presente, disse a Calazan Fernandes: “Meu jovem, você está engordando cascavéis nesses sertões”.
Em 21 de janeiro de 1964, é instituído o Programa Nacional de Alfabetização, consagrando o ‘Sistema Paulo Freire para alfabetização em tempo rápido’, com a previsão de alfabetizar 1.834.200 analfabetos em 1964 e criação de 60.870 Círculos de Cultura.
Com o fim do Programa, Paulo Freire é preso em 16 de junho de 1964, acusado de ‘subversivo e ignorante’. O Inquérito Policial Militar respondido por Paulo Freire diz: “É um dos responsáveis pela subversão imediata dos menos favorecidos”. Em setembro de 1964, Paulo Freire parte para o exílio, retornando ao Brasil no final de 1979, com a Anistia.
Em 3 de setembro de 2005, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve presente na cerimônia de entrega de certificado de alfabetização de três mil alunos do Projeto MOVA Brasil, em Angicos, Rio Grande do Norte.
Em 2012, a Lei nº 12.612 consagra Paulo Freire Patrono da Educação Brasileira.
Em 23 de junho de 2013, a presidenta Dilma Rousseff propôs cinco pactos à sociedade brasileira, entre os quais o da educação pública. Disse a presidenta Dilma: “Concluo com o Pacto da Educação Pública. Nenhuma nação se desenvolve sem alfabetização na idade certa e sem creches para a população que mais precisa, sem educação em tempo integral, sem ensino técnico profissionalizante, sem universidade de excelência, sem pesquisa, ciência e inovação. Esse esforço na educação transforma um país em nação desenvolvida. Não houve nenhum país do mundo que não tivesse esse esforço concentrado na educação e que tivesse chegado à condição de país desenvolvido.”
2014. Cabe perguntar. O que teria acontecido ou o que seria hoje do Brasil se em 14 de abril de 1964 a ditadura civil-militar não tivesse acabado com o Programa Nacional de Alfabetização e a criação de milhares de Círculos de Cultura? Qual seria hoje a qualidade da democracia brasileira? E se as Reformas de Base propostas por João Goulart não tivessem sido abortadas pelo golpe de 1º de abril?
Saul Leblon, editorialista da Carta Maior, fez uma frase sintética, mas quase definitiva: “A proposta era alfabetizar com lápis, papel e consciência social”: alfabetizar conscientizando, conscientizar alfabetizando. Alfabetizar assim era subversivo. Às vezes ainda é. A educação era subversiva. Paulo Freire era ignorante e subversivo para a ditadura civil-militar. Os anos de chumbo não apenas atrasaram e esmagaram a democracia e a liberdade, como também a cidadania, o ser povo, o ser Nação.
É preciso recuperar o tempo perdido. Está em debate e elaboração a Política Nacional de Educação Popular, a partir da Secretaria Geral da Presidência da República, do Ministério da Educação e vários ministérios e órgãos do governo federal, organizações da sociedade, movimentos sociais, Redes como a Rede de Educação Cidadã (RECID), ONGs, Universidades. O objetivo é articular, fomentar, divulgar, produzir conhecimento e trocas de experiência entre práticas de educação popular desenvolvidas no âmbito das políticas públicas dos governos e da sociedade civil organizada, consolidando, a partir do respeito à autonomia, a educação popular como política pública, intersetorial e transversal ao conjunto das iniciativas, para avançar na participação cidadã e democratização do Estado.
Paulo Freire e a Pedagogia do Oprimido continuam vivos, muito vivos: nas Cirandas da Vida de Fortaleza, na RECID, nas lutas dos movimentos sociais, nas experiências de economia solidária, no trabalho de base, nos processos formativo-educativos dos governos democráticos e populares. A experiência de Angicos, o Programa Nacional de Alfabetização estão na história, nas mentes e corações dos/as educadores/as populares. E serão ressuscitados e ampliados na Política Nacional de Educação Popular. O golpe civil-militar não matou a semente e os seus frutos.
Selvino Heck
Assessor Especial da Secretaria Geral da Presidência da República

Deputados tentam novamente votar PNE na próxima semana

A comissão especial que analisa o Plano Nacional de Educação (PNE – PL 8035/10) reúne-se na terça-feira (22), às 14h30, para votar o parecer do relator, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR). O texto vem sendo discutido desde o começo do mês.
O PNE define metas para o ensino nos próximos dez anos. Um dos objetivos é aumentar a escolaridade dos brasileiros. O relator mantém o investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) na educação pública pela União, estados e municípios.
O projeto, que já havia sido aprovado pelos deputados em 2012, voltou para exame na Câmara porque foi modificado pelos senadores.
O foco maior das discussões tem sido o dispositivo do relatório que incluiu, entre as diretrizes do PNE, a superação das desigualdades educacionais, “com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual”. Estes dois últimos eixos têm sido criticados por diversos deputados.
O local da reunião ainda será definido.
(Da Agência Câmara)

Residência pedagógica desagrada Confederação

“Para a propaganda é bonito, mas não vai resolver o problema da educação”. Esta é a avaliação de Heleno Araújo, secretário de Assuntos Educacionais da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), sobre o projeto de lei aprovado na semana passada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado que estabelece a obrigatoriedade da residência para a área pedagógica, a exemplo do que ocorre atualmente com os médicos.
O texto estabelece que os professores deverão cumprir pelo menos 1,6 mil horas após a formação inicial. Nesse período, os alunos terão direito a uma bolsa de estudo, mas o texto não diz especificamente qual o valor a ser pago nesse período. A proposta foi aprovada em decisão terminativa e, por isso, segue diretamente para exame na Câmara dos Deputados.
“Tentaram fazer a comparação com a área médica, mas não discutiram o salário do professor. Não dá para pensar em uma coisa só, tem de mexer no currículo, estrutura de formação. Este tipo de coisa faz parte da essência do problema educacional no Brasil”, avalia o sindicalista.
Pensamento parecido tem a professora do curso de pedagogia da Unicamp, Maria Márcia Sigrist Malavasi. Ela considera o projeto “conceitualmente bom”, mas avalia que o texto não aborda outras questões importantes. “Boa parte das pessoas que decidem fazer um curso de pedagogia ou uma licenciatura estudam à noite e trabalham durante o dia. Como vão fazer essa residência? Alguns podem fazer a residência à noite, depois que terminarem o curso, mas e quem vai trabalhar na educação infantil, em cursos do primário? Não existem aulas noturnas nestas áreas”, constata.
Para ela, a única alternativa seria uma bolsa integral para quem pretende atuar na área. “Assim as pessoas poderiam se licenciar do trabalho ou mesmo sair e fazer o estágio, que é muito importante”, explica.
Fonte: DIÁRIO DE S.PAULO

Brasil segue sem PNE

Mais duas reuniões esta semana e nenhuma votação. Há quase 4 anos o projeto tramita no Congresso Nacional e o país caminha sem um Plano Nacional de Educação. Nessa quarta-feira, dia 9/4, o relator do PNE, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), insistiu em incluir nos 10% do PIB (antes destinados para educação pública) programas como o Universidade para Todos (ProUni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), executados por instituições privadas.
Após um bate-boca sobre a existência de um voto em separado, os deputados entraram em acordo sobre a leitura do substitutivo do deputado Paulo Freire (PR-SP), que solicita a retomada do texto do Senado no artigo que trata da questão de gênero, citando genericamente discriminações e preconceitos (com a “promoção da cidadania e a erradicação de todas as formas de discriminação”). A proposta é contrária à posição da CNTE, por uma educação inclusiva e para a diversidade, que apoia a redação da Câmara, que, no inciso do artigo 2º, define a superação das desigualdades educacionais, “com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual e na erradicação de todas as formas de discriminação”.
A polêmica sobre o assunto marcou a reunião, que foi encerrada antes da votação do texto principal. Os 26 destaques apresentados também não foram lidos. A sessão foi suspensa às 16h30, devido ao início da ordem do dia no Plenário. A nova previsão é que o texto seja votado na próxima reunião da Comissão Especial, na semana que vem.
Fonte: CNTE
 

CNTE participa da 2ª Conferência Mundial de Mulheres da Internacional da Educação

“Mulheres nos sindicatos e na Educação: transformar palavras em ações” é o tema da 2ª Conferência Mundial das Mulheres, promovida pela Internacional da Educação e que se realiza em Dublin, na Irlanda, a partir de hoje (7) e vai até 9 de abril.
A CNTE está representada neste evento pela Secretária de Relações Internacionais, Fátima Aparecida da Silva; pela Secretária de Assuntos Municipais, Selene Michelin Rodrigues; pela Secretária de Relações de Gênero, Ísis Tavares Neves; e pela Secretária de Organização, Marilda de Abreu Araújo. Também participam do evento a Secretária de Combate ao Racismo da CNTE e presidente da Sintego, Iêda Leal de Souza, e a diretora do Sind-ute/MG Feliciana Alves do Vale Saldanha.
A conferência vai proporcionar um espaço para partilhar e analisar exemplos de boas práticas que têm promovido a equidade entre homens e mulheres. O debate irá centrar-se em dois temas fundamentais: as mulheres nas organizações sindicais de educação e as mulheres na educação.
A Internacional da Educação (IE) é a maior federação sindical do mundo e que representa mais de 30 milhões de professores e outros trabalhadores da educação. De acordo com os organizadores do evento, a Conferência tem o objetivo de destacar que o impacto da qualidade da educação para meninas e mulheres não só melhora a vida de cada aluno, mas também fortalece famílias, comunidades e a sociedade como um todo.
Segundo a presidente da IE, Susan Hopgood: “Nós temos que centralizar esforços para garantir que garotas recebam educação de qualidade, não apenas que elas estejam ocupando uma cadeira dentro de uma sala de aula. A qualidade começa quando proporcionamos treinamento profissional aos nossos professores para que eles se tornem melhores educadores”.

Votação do PNE é adiada mais uma vez

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Depois de pedido de vista coletivo, em março, que suspendeu a votação na comissão especial da Câmara que analisa a proposta do Plano Nacional de Educação (PNE),a hora parecia ter chegado. Mas nessa quarta-feira, dia 2 de abril, a votação foi novamente adiada. O relatório do deputado Angelo Vanhoni garante o compromisso público com a expansão de vagas na Educação Profissional e Superior, o prazo para a alfabetização das crianças na idade certa e o tratamento adequado às questões de gênero e diversidade. Porém, ainda há questões polêmicas.
Para a CNTE, apesar dos avanços em relação ao projeto do Senado, o relatório não atende pontos essenciais, como a exclusividade dos 10% do PIB para a educação pública e a complementação do Custo Aluno pela União. No caso do PIB, o relator mesclou a redação da Câmara e do Senado, destinando o total para a educação pública mas mantendo a possibilidade de financimanero privado com recurso público. Além disso, os trabalhadores em educação exigem a retirada da estratégia que vincula a valorização da carreira ao Índice de Desenvolvimento da  Educação Básica, IDEB, considerado frágil. Para o vice-presidente da CNTE, Milton Canuto, essa exclusão é estratégica:”Caso contrário, prejudicará o processo de valorização ods profissionais de educação e é preciso que se evite isso”, afirma.
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Novas sessões foram marcadas para os dias 8 e 9 de abril. Já são quase 4 anos de tramitação. Depois de aprovado na Comissão, o PNE vai para o plenário, onde pode sofrer novas alterações. Segundo Canuto, esse momento também vai exigir muito trabalho: “Nós encaminhamos um documento para todos os deputados com o risco de cada ponto e a batalha será no corpo a corpo para que se garanta a aprovação de um direito pleno da cidadania do povo brasileiro, a garantia à educação e à valorização profisional”.

Vem aí a 15ª Semana Nacional da Educação Pública

Do dia 24 ao dia 30 de abril a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação realizará a 15ª Semana Nacional em Defesa e Promoção da Educação Pública. O objetivo é potencializar as discussões acerca dos principais temas da política educacional do Brasil.
Esta edição tem como tema “Planos de educação como instrumentos da valorização profissional”. Serão realizados debates organizados pelos sindicatos filiados à CNTE nas cinco regiões do país, que abordarão assuntos como o direito à educação, carreira e jornada de trabalho, formação dos profissionais da educação, condições de trabalho e financiamento da educação.
A programação já está disponível, confira:
24 de abril
Debate nos locais de trabalho sobre o DIREITO À EDUCAÇÃO.
Ato público na região SUDESTE (MG).
25 de abril
Debate nos locais de trabalho sobre PISO, CARREIRA E JORNADA DE TRABALHO.
Ato público na região NORDESTE (PE).
28 de abril
Debate nos locais de trabalho sobre a FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO.
Ato público na região NORTE (AM).
29 de abril
Debate nos locais de trabalho sobre as CONDIÇÕES DO TRABALHO.
Ato público na região SUL (PR).
30 de abril
Debate nos locais de trabalho sobre o PNE E O FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO.
Ato público na região CENTRO-OESTE (DF).
 

Carta aberta: é preciso aperfeiçoar o relatório do PNE

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A CNTE assina com mais de sessenta entidades e movimentos educacionais Carta Aberta solicitando alterações no relatório do Dep. Angelo Vanhoni (PT-PR) ao Projeto de Lei 8035/2010, que trata do novo PNE (Plano Nacional de Educação).
Com o intuito de garantir um PNE capaz de colaborar decisivamente com a consagração do direito à educação pública de qualidade, as entidades solicitam às deputadas e aos deputados federais que compõem a Comissão Especial o destaque a três pontos do relatório. Confira.
Leia abaixo:
CARTA ABERTA DAS ENTIDADES E MOVIMENTOS EDUCACIONAIS
É PRECISO APERFEIÇOAR O RELATÓRIO DO PNE PARA GARANTIR UM PLANO CAPAZ DE CONSAGRAR O DIREITO À EDUCAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL
Brasil, 01 de abril de 2014.
Com o intuito de garantir um Plano Nacional de Educação (PNE) capaz de colaborar decisivamente com a consagração do direito à educação pública de qualidade, as entidades e os movimentos educacionais signatários solicitam às deputadas e aos deputados federais que compõem a Comissão Especial do PL 8035/ 2010 o destaque a três pontos do relatório do Dep. Angelo Vanhoni (PT-PR).
Mesmo afirmando que na Meta 20 do PNE o investimento público será em educação pública, ao incorporar proposta do Senado Federal na forma do parágrafo 4º ao Art. 5º, o relatório do Dep. Vanhoni acaba por estabelecer uma nova maneira de contabilizar o investimento em políticas públicas educacionais.
Para considerar na contabilização da Meta 20 do PNE (10% do PIB para educação pública) programas como Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), ProUni (Programa Universidade para Todos), Ciências Sem Fronteiras e FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), além de matrículas em creches e pré-escolas conveniadas, o relator absorve um dispositivo que pode levar à falta de garantia da expansão da educação pública nos diversos níveis e modalidades de ensino.
Em outras palavras, a manutenção desse instrumento pode significar a indistinção entre o que é público e o que é privado, trazendo graves consequências à gestão educacional e à qualidade da educação. E mais grave: da forma como está disposto, permite uma expansão ilimitada dos programas supracitados no orçamento da educação. Portanto, é preciso suprimir o parágrafo 4º do Art. 5º da proposta de Lei do PNE.
No âmbito da Educação Básica e da questão federativa, ao não retomar a Estratégia 20.10 da Câmara dos Deputados, que determina a complementação da União ao Custo Aluno-Qualidade Inicial (CAQi) e ao Custo Aluno-Qualidade (CAQ), o relatório desobriga o Governo Federal a participar de modo justo e decisivo na Educação Básica.
Assim, caso o texto seja mantido tal como propõe o relator, todo o custo da elevação de qualidade na Educação Básica, determinada pelos mecanismos do CAQi e do CAQ, recairá sobre os orçamentos municipais e estaduais, ferindo tanto a realidade orçamentária dos entes subnacionais como o disposto no parágrafo 1º do Art. 211 da Constituição Federal: cabe à União colaborar técnica e financeiramente com Estados e Municípios para o atingimento de um padrão mínimo de qualidade na Educação (mensurado pelo CAQi).
Vale ressaltar que a complementação da União ao CAQi e ao CAQ consta do Documento Final da Conae (Conferência Nacional de Educação) de 2010 e do Documento Base da Conae de 2014. Ou seja, é um instrumento imprescindível para a comunidade educacional. Desse modo, a Estratégia 20.10 precisa ser reinserida no PNE.
Por último, ao incorporar a Estratégia 7.36 do Senado Federal, o relatório do Dep. Angelo Vanhoni estimula, por meio do PNE, a prática de bonificação por resultados na educação pública brasileira. Essa política, que tem sido revogada mundo afora, acaba por desconstruir a carreira docente e não melhora a aprendizagem, pelo contrário: é contraproducente. O caso mais emblemático de revogação da medida ocorreu em Nova Iorque, na gestão do prefeito republicano Michael Bloomberg. Portanto, é preciso suprimir a Estratégia 7.36.
Afora os destaques acima mencionados, as entidades e movimentos educacionais solicitam a aprovação dos deputados e das deputadas da Comissão Especial ao texto do relator Angelo Vanhoni (PT-PR) no que se refere à questão do combate às discriminações de gênero, raça e de orientação sexual. O PNE não pode se eximir de planificar uma educação que respeite integralmente todos os cidadãos e cidadãs em território nacional, fazendo das políticas educacionais um instrumento fundamental de combate aos preconceitos e à violência contra a mulher, contra os negros e as negras e contra a comunidade LGBT.
Por fim, demonstrando a unidade do movimento educacional, o que está disposto nesta Carta Aberta está alicerçado pela 21ª Nota Pública do Fórum Nacional de Educação, espaço de encontro entre a sociedade civil e os governos.
As entidades e movimentos educacionais signatários desta Carta acompanharão as votações finais do PNE na Comissão Especial e no Plenário da Câmara dos Deputados, observando a presença e os votos dos deputados e das deputadas.
Entidades e movimentos educacionais signatários (por ordem alfabética):
1. AASSOPAES (Associação de Pais de Alunos do Espírito Santo)
2. ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais)
3. AÇÃO EDUCATIVA – ASSESSORIA, PESQUISA E INFORMAÇÃO
4. ACTIONAID BRASIL
5. ALIANÇA PELA INFÂNCIA
6. ANFOPE (Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação)
7. ANPAE (Associação Nacional de Política e Administração da Educação)
8. ANPAE/AL
9. ANPAE/PI
10. ANPED (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação)
11. CADARA (Comissão Assessora de Diversidade para Assuntos Relacionados aos Afrodescentes)
12. CAMPANHA NACIONAL PELO DIREITO À EDUCAÇÃO
13. CAMPE (Centro de Apoio a Mães de Portadores de Eficiência)
14. CCLF (Centro de Cultura Luiz Freire)
15. CEDECA-CE (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará)
16. CEDES (Centro de Estudos Educação e Sociedade)
17. CENPEC (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária)
18. CENTRO PARANAENSE DA CIDADANIA
19. CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil)
20. CMB (Confederação de Mulheres do Brasil)
21. CNAB (Congresso Nacional Afro-brasileiro)
22. CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação)
23. CONTEE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino)
24. CRECE (Conselho de Representantes dos Conselhos de Escola)
25. CUT (Central Única dos Trabalhadores)
26. ECOS – COMUNICAÇÃO EM SEXUALIDADE
27. ENEGRECER (Coletivo Nacional de Juventude Negra)
28. ESCOLA DE GENTE – COMUNICAÇÃO EM INCLUSÃO
29. ESCOLA POLITÉCNICA DE SAÚDE JOAQUIM VENÂNCIO DA FIOCRUZ
30. FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
31. FASUBRA (Federação de Sindicatos de Trabalhadores de Universidades Brasileiras)
32. FEIC (Fórum de Educação Infantil do Ceará)
33. FINEDUCA (Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação)
34. FOMEJA (Fórum Mineiro de Educação de Jovens e Adultos)
35. FÓRUM DE EDUCAÇÃO INFANTIL DO RIO GRANDE DO NORTE
36. FÓRUM GO DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
37. FÓRUM PERMANENTE DE EDUCAÇÃO INFANTIL DO ESPÍRITO SANTO
38. FÓRUM RJ DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
39. FÓRUM RO DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
40. FÓRUM SC DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
41. FÓRUM SP DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
42. FORUMDIR (Fórum Nacional de Diretores de Faculdades/Centros de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras)
43. FUNDAÇÃO ABRINQ PELOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
44. GELEDÉS INSTITUTO DA MULHER NEGRA
45. GRUPO DIGNIDADE
46. IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas)
47. INESC (Instituto de Estudos Socioeconômicos)
48. INSTITUTO BRASILEIRO DE DIVERSIDADE SEXUAL
49. INSTITUTO PAULO FREIRE
50. JPL (Juventude Pátria Livre)
51. MIEIB (Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil)
52. MMM (Marcha Mundial das Mulheres)
53. MOVIMENTO CULTURAL FAZENDO ARTE
54. MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)
55. NEJA/UFMG (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação de Jovens e Adultos)
56. PROIFES (Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior)
57. REDE ESTRADO (Rede Latino-americana de Estudos sobre Trabalho Docente)
58. UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas)
59. UGES (União Gaúcha dos Estudantes Secundaristas)
60. UMES/SP (União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo)
61. UNCME (União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação)
62. UNDIME (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação)
63. UNE (União Nacional dos Estudantes)
64. UNEFORT (União Estudantil de Fortaleza)
65. UNIPOP (Instituto Universidade Popular)

CNTE é representada em Congresso de Educadores na França

 

A secretária geral da CNTE, Marta Vanelli, está em Marseille, na França, onde representa a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação em Congresso do Sindicato de Educadores da França (SNES -FSU), que começou ontem e vai até dia 4 de abril. O sistema de educação pública na França  e seus trabalhadores têm enfrentado reformas e cortes de orçamento nos últimos anos. O objetivo da conferência é proporcionar troca de experiências e discutir as lutas sindicais nos países participantes.

Leia o Jornal Mural com a ação da CNTE para os 50 anos do Golpe Militar

Há 50 anos o Brasil tornou-se refém da Ditadura Militar. Hoje, enquanto vítimas do golpe são esquecidas, escolas carregam o nome de pessoas que colaboraram para a queda do governo democrático e para a imposição de um regime de terror no país naquele fatídico 31 de março.
De acordo com o Inep, 976 escolas públicas têm nomes de presidentes daquele período que envergonha a história brasileira. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação quer celebrar a resistência da sociedade contra o estado de exceção e mudar esse número.
O site ditaduranuncamais.cnte.org.br é colaborativo e foi criado para destacar o retrocesso na educação brasileira e lembrar os trabalhadores perseguidos por um regime que cassou direitos individuais, coletivos e políticos, abusou da integridade física e psíquica de milhares de pessoas, impôs ideologias conservadoras à sociedade, perseguiu, prendeu, torturou, exilou e matou cidadãos e cidadãs, cujos crimes (muitos deles) ainda carecem de elucidação e/ou reconhecimento por parte do Estado.
A campanha inclui um amplo movimento de mudança de nomes de escolas que homenageiam agentes patrocinadores do Golpe e os ditadores de plantão. A ideia é propor projetos de iniciativa popular às Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores, após a realização de amplo debate com a comunidade escolar, a fim de legitimar o pleito.
O site explica como propor a mudança, incentivando a sociedade a rever as homenagens prestadas aos algozes do povo brasileiro que dão nomes, ainda, a praças, ruas, avenidas, estádios e ginásios esportivos Brasil afora.
Leia o Jornal Mural criado para a campanha. Clique na imagem para ver em tamanho maior:

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