CNTE participa de ato pela educação e contra a violência no Rio
Jornalista: sindicato
Na segunda-feira (7), houve mais uma manifestação no Rio de Janeiro com a participação de professores. De acordo com o Sepe/RJ, o Ato pela Educação e contra a Violência, na Candelária, reuniu dezenas de milhares de pessoas em defesa da educação, com uma passeata das redes estadual e municipal em direção à Cinelândia.
Os manifestantes tomaram a Avenida Rio Branco para protestar contra a repressão da polícia militar e pelo livre direito de expressão. No final do ato, já na Cinelândia, foram registrados conflitos violentos entre policiais militares e grupos de manifestantes: bombas de efeito moral, gás de pimenta e repressão violenta dos policiais acabaram atingindo vários profissionais de educação e manifestantes que participaram do ato para apoiar a educaçao pública estadual e municipal.
A passeata foi feita de forma pacífica, com militantes de vários segmentos da sociedade civil, profissionais de educaçao e estudantes tomando as ruas para mostrar o seu apoio aos educadores das redes estadual e municipal, que tem sofrido com a violência dos policiais de choque em manifestaçoes recentes. Já no final do trajeto, a confusão irrompeu em meio a conflitos entre grupos de manifestantes que participavam do ato e policiais que lançaram dezenas de bombas e atacaram a multidão com gás de pimenta, o que provocou correria e confusão, com pessoas sofrendo com o efeito do gás e das bombas lançadas pelos policiais.
A secretária de Organização da CNTE, Marilda de Abreu Araújo, representou a CNTE no ato público.
Segundo os organizadores, a educação pública no Rio de Janeiro está ameaçada com o fechamento de escolas e turmas, superlotação de salas de aulas e berçários de creches, pagamento de salários miseráveis e promoção de aprovação automática, tudo para desviar o dinheiro público para empresários e promover a privatização da educação. No Rio, os educadores estão em greve, desde do dia 8 de agosto e pedem negociação e revogação do Plano aprovado de forma autoritária no dia 2 de outubro.
(Com informações do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ – SEPE/RJ)
PNE no Senado e a valorização dos trabalhadores da educação
Jornalista: sindicato
Na última semana, respondendo a boatos infundados de que a CNTE teria apoiado a íntegra do relatório do senador Vital do Rêgo, aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a Entidade divulgou nota pública esclarecendo sua posição frente os principais pontos alterados no substitutivo oriundo da Câmara dos Deputados. Esta semana, em carta enviada aos membros da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, a CNTE reforçou sua posição diante da tramitação do Plano Nacional de Educação no Senado.
Em audiência da Comissão de Educação (CE) do Senado na terça-feira (8), a CNTE manifestou, pessoalmente, ao relator do PNE na Comissão, senador Álvaro Dias (PSDB-PR), sua disposição em participar das audiências públicas que serão promovidas nesse mês de outubro. Destaca-se que os membros da CE-Senado expuseram a intenção de votar o PNE até a primeira semana de novembro, a fim de possibilitar a conclusão da matéria, na Câmara dos Deputados, antes do recesso parlamentar.
Ponto polêmico no debate do Senado refere-se à destinação dos recursos previstos na meta 20 para a educação pública. A CNTE não abre mão desse princípio já garantindo no substitutivo da Câmara dos Deputados, embora considere estratégico, à luz da correlação de forças estabelecida no Senado, incluir travas à proposta do Governo aprovada na CCJ que prevê exceções ao financiamento da meta 20. A CNTE e outras entidades que compõem o Fórum Nacional de Educação debateram essa questão, porém o governo não encaminhou a redação acordada, não garantindo, portanto, a vinculação dos recursos públicos da Meta 20 para a educação pública, o que deve ser imediatamente corrigido pelos senadores.
Como forma de fortalecer o debate pela aprovação do PNE com recursos públicos para a educação pública, a CNTE destaca o resultado de pesquisa desenvolvida pela Fundação Varkey GEMS, de Londres, em 20 países, sobre a percepção social acerca da valorização do magistério, na qual o Brasil aparece na penúltima posição.
Segundo a pesquisa, a população brasileira acredita em seus professores das redes públicas de ensino, mas considera que os sistemas educacionais atrapalham o resultado do ensino. Para 95% dos entrevistados, os salários dos professores no Brasil são muito baixos.
A constatação do senso comum está em sintonia com a realidade e com as pesquisas técnicas sobre os salários e o nível de valorização do magistério da educação básica pública de nosso país. Prova disso é a Pnad 2009, do IBGE, que serviu de base para a construção da meta 17 do Plano Nacional de Educação, e que revelou que a remuneração média dos professores com formação em nível superior equivale a 60% da de outros profissionais com mesmo nível de escolaridade.
Apesar de o Brasil ter evoluído, nos últimos anos, em leis que garantam mais benefícios aos profissionais da escola pública, fato é que a maior parte dos gestores encarregados pela oferta educacional não cumpre as leis e, pior, tenta a todo custo suprimir tais benefícios. Assim ocorre com o piso nacional do magistério, tendo os governadores recentemente apresentado proposta de reajuste aquém da necessidade para se cumprir a meta 17 do PNE (a qual os trabalhadores não aceitarão!), e também com a profissionalização e a valorização dos funcionários da educação, que aguardam a regulamentação das políticas de formação (art. 62-A da LDB), de piso salarial (art. 206, VIII da CF) e de carreira (art. 206, V da CF e meta 18 do PNE).
Nota pública contra agressão da PM a professores no RJ
Jornalista: sindicato
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, entidade representativa de mais de 3 milhões de profissionais das redes públicas de ensino de educação básica no país, repudia, veementemente, a ação violenta da Polícia Militar do Rio de Janeiro contra professores da rede municipal de ensino, que ocupavam desde a semana passada a Câmara Municipal da cidade em protesto ao projeto de lei que versa sobre o Plano de Cargos e Salários da categoria, proposto pelo Prefeito Eduardo Paes.
A CNTE considera legítima a manifestação dos professores cariocas contra as medidas que visam fragilizar os direitos da categoria, e condena toda ação policial em desfavor de movimentos organizados por Sindicatos de Trabalhadores.
O Estado democrático de direito exige respeito às leis e às pessoas que protestam por direitos legítimos. A desocupação violenta por parte da polícia não condiz com o ordenamento constitucional, sendo uma ação ilegítima que feriu direitos individuais e coletivos de professores e do Sindicato da categoria.
Não é tolerável que após anos de luta pela democracia, o Estado e o Município do Rio de Janeiro voltem a tratar a organização da classe trabalhadora como caso de polícia, remontando o fascismo e ditadura que deveriam estar sepultados.
Pela liberdade e autonomia sindicais!
Contra a criminalização dos movimentos sociais e de trabalhadores!
Brasília, 30 de setembro de 2013
Roberto Franklin de Leão
Presidente
CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação
CNTE participa de reunião preparatória para 3ª Conferência Global sobre Trabalho Infantil
Jornalista: sindicato
Nessa segunda-feira, 7/10, a Internacional da Educação promoveu uma reunião preparatória com representantes de 15 países em Brasília/DF. O objetivo do encontro foi discutir um documento produzido para apoiar o trabalho dos professores na III Conferência Global sobre o Trabalho Infantil, que será realizada de 8 a 10/10, também na capital federal.
De acordo com Claudir Mata, secretária executiva da CNTE,trata-se de um manual internacional com a função de apoiar os professores dos sindicatos na luta pela erradicação do trabalho infantil e pelo fortalecimento da educação pública de qualidade. O manual será levado para a conferência para servir de base aos professores no debate. Claudir é a delegada da CNTE na Conferência, com participação na Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil (CONAETI): “A CNTE quer a efetivação dessas políticas de erradicação do trabalho infantil, o que só vai ocorrer por meio da educação, com a parceria da sociedade civil e do governo. Nossas afiliadas é que têm a missão de implementar isso em cada canto do país, por isso é tão importante nossa participação”.
Veja as fotos no Facebook.
Conferência – A III Conferência Global sobre o Trabalho Infantil reune delegações de diversos países, representantes do governo brasileiro, entidades da sociedade civil, empregadores, trabalhadores, sistema de Justiça e agências internacionais. Adolescentes dos 26 estados brasileiros e do DF também participam. A primeira conferência foi realizada em Amsterdam em 1977, e a segunda ocorreu em Haia, nos Países Baixos.
Após a abertura, feita pela presidente Dilma Rousseff e pelo diretor geral da OIT, Guy Ryder, terá início uma sessão plenária para tratar do tema “A Erradicação Sustentável do Trabalho Infantil: um desafio global”.
À tarde serão realizadas semi-plenárias com os temas: Violação de Direitos de Crianças e Adolescentes em Atividades Ilícitas; Trabalho Infantil e Migrações; Trabalho Infantil Doméstico e Gênero; e Trabalho Infantil na Agricultura.
No segundo dia haverá uma plenária pela manhã com a participação de ministros, empregadores, trabalhadores e ONGs. À tarde, mais quatro outros temas serão debatidos nas semi-plenárias: Modelos de Educação e Escolas; Produção de Estatísticas; Trabalho Infantil Urbano; e Trabalho Infantil nas Cadeias Produtivas.
As sessões semi-plenárias serão subsidiadas pela apresentação de um palestrante convidado e de um ou mais casos exitosos de boas práticas selecionados pela organização da Conferência. Os participantes poderão solicitar a palavra para fazer comentários ou formular questões pertinentes ao tema tratado durante a sessão.
No último dia será realizada uma mesa redonda com o tema “Formas de acelerar o combate ao trabalho infantil” e a apresentação da Carta dos Adolescentes. No encerramento será apresentado o documento “Declaração de Brasília”, que norteará as ações de erradicação do trabalho infantil nos próximos anos.
(Com informações do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil – FNPETI)
CNTE, Proifes e Contee também condenam leilão do petróleo
Jornalista: sindicato
Estrangeiros em Libra trazem perdas significativas à Educação
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes), juntamente com a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, em comunicado conjunto, destacam que a suspensão do leilão do petróleo no campo de Libra, na Bacia de Santos, “tornou-se bandeira compartilhada das principais entidades representativas da Educação do Brasil”.
As entidades ressaltam que não há dispositivo jurídico ou convenção internacional que obrigue a oferta do reservatório em leilão, lembrando que a Lei 12.351 de 2010, em seu artigo 12º, garante à União a prerrogativa de entregar um campo diretamente para a Petrobrás, a qual assinaria um contrato de partilha com o percentual do “óleo-lucro” a ser remetido para o Fundo Social.
Também observam que os royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal estão destinados às áreas da Educação e Saúde, conforme a Lei 12.858, sancionada em setembro. “A participação de empresas estrangeiras fere o princípio da soberania popular sobre importante riqueza natural do Brasil e traz perdas significativas para estas duas áreas, alavancas para o desenvolvimento do país”, diz o texto das entidades que em carta à Presidente Dilma solicitaram o cancelamento do leilão no Campo de Libra.
As entidades convidaram a imprensa para uma coletiva, nesta quarta-feira (2), para expor sua posição contrária ao leilão de Libra.
Nota da Confederação sobre aprovação do PNE na CCJ do Senado
Jornalista: sindicato
Sobre a aprovação do parecer do senador Vital do Rêgo ao PLC nº 103/12, que trata do Plano Nacional de Educação, em sessão da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, na presente data, a CNTE esclarece o seguinte:
1. Na qualidade de representante de mais de 3 milhões de trabalhadores da escola pública brasileira, a CNTE, historicamente, sempre atuou junto aos órgãos e instâncias do Poder Público com vi stas a defender não apenas os interesses de sua categoria, mas sobretudo o direito da sociedade brasileira à educação pública, universal, democrática, laica e de qualidade socialmente referenciada.
2. Sob esta prerrogativa, a CNTE interveio junto ao MEC, no dia 12 de setembro de 2013, com o objetivo de viabilizar as estratégias referentes ao Custo Aluno Qualidade. Foram, à época, negociadas três propostas de redação que deram origem às estratégias 20.6, 20.7 e 20.8 do parecer da CCJ. Dentre os avanços alcançados pela intervenção da CNTE, destaca -se o comprometimento do MEC em implantar o CAQi em três anos de vigência do PNE, e o CAQ no oitavo ano de vigência da Lei.
3. Sobre o art. 5º, § 5º do projeto de PNE, que trata das exceções da meta 20 ao investimento público na educação pública, a CNTE apresentou emenda para corrigir a redação aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que excedia, indiscriminadamente, o acordo firmado entre o MEC e entidades da sociedade prevendo o cômputo dos investimentos p úblicos em ações do Governo que já se encontram em andamento e que, se cessadas, poderiam causar inúmeros prejuízos aos que estão sendo atendidos por elas. Posteriormente, o MEC inseriu no rol das exceções a creche e a educação especial – esta última na perspectiva de aproximar o texto do Senado ao da Câmara – e, sem qualquer comunicado às entidades, inseriu também a pré-escola, com que a CNTE não concorda. Ademais, o MEC deixou de indicar no texto da meta 20 a preferência do investimento público para a educação pública, ressalvadas as exceções devidamente listadas no artigo da Lei.
4. Durante o processo de negociação da meta 4, na CCJ, a CNTE expôs seu apoio às redações propostas para a referida meta – por entender que elas aproximavam o texto do Senado ao da Câmara –, bem como às novas estratégias 4.16, 4.17 e 4.18, que visam fortalecer a parceria e o acompanhamento público junto às instituições conveniadas que prestam atendimento na modalidade de educação especial.
5. A CNTE NÃO NEGOCIOU com o MEC, tampouco com parlamentares, qualquer outra emenda a não ser as mencionadas acima, e considera de má -fé a atitude de alguns atores públicos que tenta m vincular, inapropriadamente, o eventual apoio da CNTE ao conjunto de emendas sugeridas pelo MEC ao parecer do senador Vital do Rêgo, sobretudo aquelas em que a Entidade já havia se manifestado contrária publicamente (ver documento anexo enviado aos membros da CCJ, antes da votação do parecer do senador Vital do Rêgo).
6. Dentre as contrariedades da CNTE ao parecer do relator da CCJ, todas justificadas no documento anexo, destacam-se:
a. a inclusão da pré-escola nas exceções do financiamento público da meta 20;
b. a extinção das conferências municipais e estaduais de educação precedentes à Conae;
c. a extinção do prazo para regulamentar a gestão democrática da educação nos entes federados;
d. a extinção do prazo para regulamentar o Sistema Nacional de Educação;
e. a retirada dos pré-requisitos de diagnóstico, metas e estratégias para a protocolização dos novos PNEs;
f. a extinção do prazo para aprovação da Lei de Responsabilidade Educacional; e
g. a supressão da estratégia 20.8 do substitutivo da CAE -Senado, que previa a complementação da União ao CAQi e ao CAQ.
7. De todas as afirmações inverídicas sobre o eventual apoio integral da CNTE ao perecer do relator Vital do Rêgo, a que merece ser refutada, mais incisivamente, é a que desresponsabiliza a União de complementar o CAQi e o CAQ a estados, DF e municípios. As negociações da CNTE com o MEC sobre as estratégias relativas ao CAQ, em momento algum abordaram a exclusão da estratégia 20.8 (substitutivo CAE-Senado), tendo, inclusive, a CNTE refutado os argumentos do MEC sobre a falta de previsão legal para efetuar tal procedimento, sob a alegação de que a futura regulamentação do CAQi poderá perfe itamente prever a citada complementação. Ademais, a CNTE, na tentativa de comprometer todos os entes federados com a consecução do CAQ, enviou ao Ministro da Educação e à Secretaria Executiva e Assessoria Parlamentar do Ministério, posteriormente, a seguin te proposta de redação para a então estratégia 20.8, porém a mesma não foi acatada: “Garantir, no âmbito da União e na forma da regulamentação do inciso IX do art. 4º e § 1º do art. 75 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a complementação de recursos financeiros aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios quando não conseguirem atingir o valor do CAQi e, posteriormente, do CAQ” .
Tal como ocorreu nesses quase três anos de tramitação do PNE, a CNTE manterá sua atuação no Congresso, e junto ao Ex ecutivo, para que o Plano Nacional de Educação seja aprovado o mais brevemente possível e à luz das deliberações da 1ª Conae.
Participantes falam sobre experiências no Movimento Pedagógico Latino-Americano
Jornalista: sindicato
“Para nós tem sido uma grande escola. Aprendemos muito com as pessoas que tem uma caminhada de luta no movimento sindical bem maior que a nossa. Acho que é de grande ajuda para incorporar nas nossas discussões enquanto profissionais da educação, sindicalistas e até como eleitora, para pensar em como nós votamos e como cobrar dos parlamentares a defesa da educação. Esse encontro nos dá subsídio para isso” (Maria Ildonei de Pedra, FETEMS, Mato Grosso do Sul)
“Debater uma nova pedagogia, uma nova capacidade de organização dos trabalhadores e uma nova forma de ver a educação da América Latina é fundamental para uma sociedade que seja emancipatória e que deixe a condição de dominados para serem protagonistas na formulação de politicas sociais e econômicas, especialmente nesse momento de crise em todo o mundo”. (Ariovaldo De Camargo, APEOESP, São Paulo)
“Considero que o evento tem uma fundamental importância na medida que permite trazer reflexões comuns aos países latino-americanos e nos mecanismos pedagógicos colocados em prática na escola. Os debates realizados aqui acrescentam muito na formação e me sinto bastante contemplado com o os temas escolhidos” (Aldoir Kraemer, SINTE, Santa Catarina)
“É muito importante porque aqui conseguimos expandir os debates que muitas vezes ficam restringidos ao Brasil. Compartilhar ideias enriquece nossa luta e amplia nossos horizontes, mostrando que a batalha por uma educação de qualidade é de toda a América Latina” (Paulo Gustavo, Sindi-Ute, Minas Gerais)
“Este ano fiz questão de estar presente porque nós aprendemos muito e saímos daqui com a certeza de que vamos, sim, mudar a educação para melhor. Saio fortalecida e levo para o meu sindicato uma unidade e força que só um evento como esse é capaz de proporcionar”. (Antônia Ribeiro Cardoso, SINTE-PI, Piauí)
Fonte: CNTE
Carlos Abicalil: “precisamos ser protagonistas de uma época”
Jornalista: sindicato
Após passar por diferentes instâncias do movimento educacional e também da política, Carlos Augusto Abicalil se tornou uma das principais referências da educação na América Latina. Falando sobre o futuro do movimento, o ex-presidente da CNTE e ex-diretor da Internacional da Educação afirmou que é preciso lutar pela formação inicial e continuada em conjunto com a valorização dos profissionais e um currículo que expresse o saber coletivo e a horizontalidade.
Disputando a organização da educação com as esferas de poder e participando ativamente da formulação de políticas públicas, a educação da América Latina passa por um momento de pensar na necessidade de lutar por mais recursos.
“Diferente dos anos 90, em que apontavam que o problema não era a falta de recursos, mas a eficiência da aplicação desses recursos, encontramos agora um discurso de que as verbas são insuficientes e precisamos obter mais capacidade de investimento público para garantir o acesso pleno à educação”, afirmou.
Neste momento, a disputa pela regulamentação da educação com o poder econômico privado fica ainda mais acirrada, lembra Abicalil. “Precisamos continuar lutando para que a educação seja um direito universal, digno e igual para todos e todas. Não podemos perder o direito fundamental da educação estatal”, lembrou.
Colocando em perspectiva a dialética de luta, Abicalil lembrou que, além das políticas efetivamente aplicadas, o que o Estado escolhe não fazer também tem impacto direto sobre a educação.Pelas implicações do que é ou não feito e a disputa contínua de espaços de representação na sociedade e na sala de aula, o movimento pedagógico latino-americano precisa construir uma educação plural, que vise a autonomia e não a dominação.
Só assim, afirma Abicalil, é possível superar a manipulação do cidadão e a concorrência massiva dos meios de comunicação que costumam tomar a maior parte do tempo da vida do aluno, como a televisão e a internet, que podem deixar a escola em segundo plano.
“Precisamos ser protagonistas de uma época, reivindicando uma sociedade democrática, o diálogo público e também o protesto. A mudança sempre opera mais lentamente do que desejamos. É fundamental criarmos estes espaços de análise e não termos medo da mudança, passo importante para superar o clientelismo”, finalizou.
Educadores latino-americanos homenageiam o mestre Paulo Freire
Jornalista: sindicato
Escolhido como símbolo do Movimento Pedagógico Latino-Americano, o educador pernambucano Paulo Freire foi imortalizado numa escultura em bronze de tamanho real feita pelo artista Abelardo da Hora. A homenagem aconteceu nesta quinta-feira, 19 de setembro, dia do nascimento de Freire.
Cerca de 500 educadores de todo o mundo participaram da cerimônia. A festa contou com shows de frevo, maracatu e do grupo Quinteto Violado. Freire é, reconhecidamente, patrono da educação brasileira, oficializado pela Lei nº 12.612 de 2012.
O presidente da CNTE, Roberto Leão, lembrou que 2013 marca os 50 anos da experiência de Paulo Freire em Angicos, no Rio Grande do Norte, quando o professor alfabetizou 300 trabalhadores em 40 horas, considerada como marco do método Paulo Freire, uma alfabetização que, sobretudo, ajudava o aluno a pensar o mundo.
“Ele pôs em prática uma maneira de alfabetizar que fazia com que as pessoas que viviam marginalizadas tivessem acesso a uma forma bastante simples, mas não mecânica, que conscientizava as pessoas, se libertassem, deixassem de serem adestradas para serem pessoas capazes de serem protagonistas do seu destino”, disse Leão.
Em seu depoimento, o artista responsável pela obra, Abelardo da Hora, amigo pessoal de Paulo Freire, falou emocionado sobre como é gratificante para ele poder prestar esta homenagem ao educador. “Ele sempre falava para mim ‘Abelardo a educação dá vida para o povo e para o trabalho’ e Freire era, sim, um pensador, um amigo que tinha certeza que o ensino de qualidade era o caminho para mudar mundo. O momento é de muita emoção e a única coisa que eu espero é ter conseguido retratar fielmente os traços desta figura ímpar que sempre será motivo de orgulho e exemplo para todos nós”, disse.
A homenagem faz parte da programação do VIII Colóquio Internacional Paulo Freire, ação promovida pelo Centro Paulo Freire Estudos e Pesquisas, com o apoio das universidades federais, sediadas em Recife, entidades acadêmicas, dos movimentos sociais e populares e agências de fomento. Além da estátua principal, os educadores presentes receberam uma miniatura da estátua de Freire.
Começa nesta quinta II Encontro Pedagógico Latino-Americano
Jornalista: sindicato
No segundo e último dia do Encontro da Rede de Trabalhadoras da Educação, as educadoras participantes se reuniram em grupos de trabalho para definir os eixos das propostas que serão debatidas no II Encontro do Movimento Pedagógico Latino-Americano, que começa nesta quinta-feira (19/09).
Fátima Silva, vice-presidente da IEAL e secretária de relações internacionais da CNTE, abriu o dia falando do simbolismo do evento ser realizado em Recife e na região nordeste que foi palco de várias revoluções e acontecimentos importantes na história do Brasil, como a guerra de Canudos, o grupo ativista de Maria Bonita e Lampião, que tratava as mulheres com igualdade perante os homens e de Zumbi dos Palmares, ícone da resistência negra.
Haldis Holst, secretária-adjunta da Internacional da Educação, afirmou que as mulheres (sic) são a cara e o futuro de cada sindicato, porque “ter o coração de uma mulher é ter o coração de toda a comunidade”.
“Na Noruega, que é o meu país, celebramos em 2013 os 100 anos que as mulheres conquistaram o direito ao voto. Além da democracia, precisamos educar continuamente o povo, deixando uma herança para nossos filhos, netos e para todos. Apoiar permanentemente os sindicatos, construindo uma rede de comunicação e debate em todo o mundo é fundamental neste processo”, afirmou Haldis.
Na solenidade, a mesa lembrou o “Gender equality action plan” (ou, em português, Plano de Ação para a Igualdade de Gênero), um guia da IEAL para os sindicatos afiliados no debate da questão. O guia lembra que, entre os principais problemas enfrentados pelas mulheres, que dois terços das 774 milhões de pessoas no mundo que não sabem ler são mulheres e que 70% das pessoas mais pobres do planeta também são mulheres. Acesse aqui a versão em inglês.
Hugo Yasky, presidente da IEAL, afirmou que é muito importante seguir consolidando o espaço da Rede de Mulheres de Trabalhadoras da América Latina. “O protagonismo alcançado pelas trabalhadoras foi uma parte importante das mudanças que tivemos na América Latina nos últimos anos, estamos convencidos que a participação das trabalhadoras é imprescindível para a construção de uma educação pública de qualidade e que ofereça uma formação completa aos alunos”.
Para Stella Maldonado, membro do comitê executivo mundial para a América Latina, o movimento é um processo social de construção permanente. “Necessitamos da participação efetiva nos centros de decisão e o mundo sindical precisa provocar o debate nas organizações”, lembrou.