Lei Maria da Penha entra na mira dos golpistas

Às vésperas de completar 10 anos de implementação, a Leia Maria da Penha (11.340/2006) corre o risco de sofrer um retrocesso pelas mãos de parlamentares que apoiaram o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e que agora miram direitos sociais e trabalhistas.
Após ser aprovado no dia 29 de junho na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, o PLC 7/2016 (Projeto de Lei da Câmara), que permite ao delegado de polícia conceder medidas protetivas de urgência a mulheres vítimas de violência doméstica, deve ser votado em breve no plenário da Casa.
O parecer favorável à alteração foi apresentado pelo relator do PLC, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), um dos parlamentares que apoiam o golpe.
O delegado poderá determinar a medida protetiva em caso de risco à vida ou integridade física e psicológica da mulher, com a responsabilidade de remeter a decisão ao juiz em até 24 horas para que possa analisar e tomar providências complementares como a prisão. Nesse processo, o Ministério Público também deverá ser consultado no mesmo prazo.
Caso de polícia
Com o argumento de aumentar a celeridade no atendimento às vítimas de violência, o PLC 7 incorre em dois erros: ignorar a consulta às mulheres para apontar qualquer alteração e transformar um problema estrutural em caso de polícia.
Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Junéia Batista, apontou que o senador tucano, como é de seu perfil, ignorou movimentos sociais na construção do relatório.
“Esse projeto não passou por debate e avaliação da sociedade civil, dos movimentos sociais, das organizações feministas e sequer foi discutido pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Não temos estrutura na área de segurança e essa medida coloca em risco o papel do Judiciário ao tirar das mãos do juiz a decisão. Por isso, a CUT é contra”, disse.
Retrocesso na integração – Para a Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres durante o governo da presidenta Dilma Rousseff, Eleonora Menicucci, o PL 7 atinge um dos principais avanços da Lei Maria da Penha, a integração de outras ações necessárias ao acolhimento.
“As delegacias passam a ter um super poder policial, retirando, mesmo que em casos de medidas protetivas de urgência, a atribuição da expedição dessas medidas do Poder Judiciário especializado. E se retira essa atribuição, mesmo que nos casos das medidas de urgência, sai de um consórcio de serviços destinados à acolhida”, criticou.
Eleonora explica que a Lei Maria da Penha é um avanço porque traz junto outras conquistas necessárias para que funcione integralmente. Caso do programa Mulher sem Violência, que abriga a Casa da Mulher Brasileira, destinada a integrar dentro do mesmo espaço físico outros serviços para as vítimas de violência.
O projeto surgiu porque os estados não cumpriam plenamente o papel de oferecer essa estrutura.
“O Programa Mulher Viver Sem Violência prevê a criação e integração de uma rede nos estados com delegacia, sistema Judiciário, unidades básicas de saúde, hospitais, Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), Cras (Centro de Referência de Assistência Social). Mas como vimos que a rede estava insuficiente, criamos a Casa da Mulher Brasileira, onde há tudo isso”, apontou.
Nesses espaços, a vítima de violência terá acesso ao Ministério Público, delegacias, defensorias, juizados especializados, atendimento psicossocial, serviço de emprego e renda, linhas de crédito para romper ciclo de violência com possibilidade de trabalho, alojamento de passagem, brinquedoteca para crianças que acompanham as mães e ainda patrulha Maria da Penha que busca, traz e faz monitoramento das mulheres que estão sob medida protetiva.
Trator de direitos
O PL 7 é um desdobramento do Projeto de Lei que originalmente tramitou na Câmara dos Deputados como PL 36/2015 e propunha aprimorar o atendimento às vítimas de violência com medidas como atendimento 24 horas nas delegacias. Na Comissão de Constituição e Justiça, porém, ele recebeu o acréscimo do artigo 12-B, que dá poder de juiz à atividade policial.
Advogada e cofundadora da Rede Feminista de Juristas Marina Ganzarolli acredita que, na prática, a medida o texto é uma forma de fazer uma ‘gambiarra’ para mascarar os gargalos referentes à aplicação da lei em estados como São Paulo, por coincidência, governado por um representante do mesmo partido do relator do PLC 7.
“Temos gargalos na aplicação da lei como a ausência de delegacias 24 horas especializadas no atendimento às mulheres, mas resolvemos isso repassando a responsabilidade para quem não está qualificado a atender. Não abordamos o real problema estrutural que é a polícia civil, que sequer está preparada para resolver os problemas do dia a dia, que tem apenas 53% do efetivo em atividade, 13 mil cargos vagos”, falou.
A tendência é que o atendimento à vítima de violência seja ainda mais prejudicado. “Se nas delegacias de mulheres, que são preparadas para esse atendimento, há problemas, imagina na comum”, pontuou.

CUT repudia violência de jornalista contra dirigente sindical

O Coletivo Nacional de Mulheres da CUT vem a público manifestar sua indignação contra a atitude do jornalista Assem Neto que agrediu covardemente a diretora do departamento de funcionários do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac) Márcia de Souza Lima e não bastasse isso disse que “mulher barraqueira merece, sim, uma bordoadas.”
De acordo com testemunhas, a agressão teria ocorrido no interior do Sinteac, localizado na Rua Avenida Marechal Deodoro, bairro Ipase, após uma discussão. As agressões somente cessaram quando outros homens que estavam na sala o seguraram.
Segundo policiais do Grupo de Intervenção Rápida e Ostensiva (Giro) do 1° Batalhão, eles foram acionados para atender ocorrência de Lesão Corporal Dolosa. Assem Neto é funcionário do sindicato estava em uma das salas, não reagiu à prisão e foi encaminhado para Delegacia da Mulher (DEAM).
A vítima foi levada ao Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (HUERB) e após receber atendimento médico prestou depoimento na DEAM. Ainda de acordo com os militares, o jornalista foi flagranteado e agora está à disposição da Justiça Acre.
Nós, mulheres da CUT, estaremos acompanhando os desdobramentos  dessa violência  no interior do sindicato para que esse caso não fique impune e que a agredida tenha o apoio necessário não só do sindicato como também da CUT Acre e da CUT Nacional.
Queremos demonstrar com isso que nenhum companheira da CUT está sozinha dentro dos seu sindicato. Queremos incentivar a todas que denunciem qualquer tipo de violência no local de trabalho ou interior da entidade,  seja essa violência moral ou física, para que assim possamos coibir esse tipo de prática.
Violência contra a mulher tolerância nenhuma! Somos CUT! Somos Forte!

Plenária tira calendário de luta contra golpe e roubo de direitos

Para frear o golpe que detona os direitos da classe trabalhadora, a democracia e as garantias sociais, a Plenária Extraordinária da CUT Brasília, realizada nessa segunda-feira (11), deliberou ações que orientam os sindicatos e entidades filiadas a enfrentar os desafios que estão pela frente. Entre os encaminhamentos, está uma assembleia geral da classe trabalhadora, indicada para 22 de agosto.
“Este é apenas um indicativo da data da assembleia, já que, no dia 8 de agosto, haverá reunião da direção Executiva da CUT Nacional e, até lá, muita coisa pode mudar. O importante é fortalecermos a nossa luta: Nenhum direito a menos. Temer jamais”, explica o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.
No calendário de mobilização e luta tirado na Plenária Extraordinária da CUT Brasília, foi decidido que, até o fim deste mês de julho, serão realizadas reuniões das diretorias de todos os sindicatos filiados, com a participação de dirigentes da CUT. Nos encontros, os representantes da Central fortalecerão o debate sobre como se prevenir e reagir aos ataques à classe trabalhadora que são consequências do golpe em andamento do interino Michel Temer e aliados e sobre a necessidade de construir a greve geral.
Na primeira quinzena de agosto, as entidades filiadas realizarão assembleias, seminários e outras atividades com a base para denunciar o desmonte aos direitos trabalhistas e o golpe que está em curso. O principal material a ser utilizado é a cartilha “O maior roubo de direitos da classe trabalhadora”, produzida pela Central e lançada durante a plenária dessa segunda-feira. O caderno apresenta os mais de 60 projetos e propostas que tramitam no Congresso Nacional e violam desumanamente os direitos historicamente conquistados.
“Temos de ter este material como instrumento de mobilização no nosso sindicato, junto às nossas bases, e termos o máximo de informações possíveis para combatermos o golpe que é, principalmente, contra a classe trabalhadora”, orienta a secretária de Relações do Trabalho da CUT Brasília, Juliana da Silva .
Para a secretária de Formação da Central, Nilza Cristina Santos, a cartilha produzida pela CUT Brasília é “um importante material formativo”. “Precisamos nos apropriar deste material para que o trabalhador possa saber como se defender e sair, junto com outros trabalhadores, em defesa dos seus direitos. O PL 257, o PLC 30 e várias outras propostas vêm atacar nossos direitos frontalmente, precarizando o trabalho, possibilitando a subcontratação ilimitada e atingindo o emprego em todos os setores. Nós temos que nos unir, entender, nos formar e formar os demais para combatermos esses ataques que atingem diretamente nossa vida”, avalia.
Quase 150 dirigentes sindicais participaram da Plenária Extraordinária da CUT Brasília, que foi realizada na sede do Sindicato dos Professores do DF – Sinpro-DF.
Clique aqui  para ver a cartilha “O maior roubo de direitos da classe trabalhadora”

Seminário prepara defesa do Estado de Direito e dos sindicatos

O Ciclo de Seminários da CUT Brasília se encerra nessa quinta-feira (14) debatendo as principais e as graves questões jurídicas do momento, como o já comprovado processo fraudulento de impeachment contra a presidente Dilma, o golpe ao Estado democrático de Direito, as afrontas à Constituição de 1988 e a criminalização dos movimentos sindical e sociais.
Esse seminário é fundamental no sentido de, como diz o título, Resistir ao Golpe e Reconstruir o Estado Democrático de Direito. É por isso, que será concluído com o debate sobre o Combate a Organização dos Movimentos Sociais e com a aprovação da Resolução do Coletivo Jurídico do Distrito Federal, apresentando as bases e as formas de resistência das entidades e dos dirigentes sindicais CUTistas.
“Além de promover um golpe de Estado com objetivo de facilitar o roubo de direitos dos trabalhadores, precarizando completamente as relações de trabalho, e de acabar com as conquistas sociais da última década, os segmentos empresarial, latifundiário, financeiro e do capital estrangeiro querem dizimar a organização dos trabalhadores e dos setores populares, criminalizando dirigentes e entidades que lutam pelos direitos trabalhistas e sociais e judicializando as lutas reivindicatórias por melhores condições de vida e trabalho. Por isso, é importante fazermos esse debate para entendermos como a direita e os setores reacionários promovem rupturas na democracia e nas instituições jurídicas e legais para nos atacar e como precisamos nos fortalecer para combater o retrocesso”, explica Rodrigo Britto, presidente da CUT Brasília.
Entre os convidados para o seminário estão o ex-ministro da Justiça e advogado de defesa da presidente Dilma, José Eduardo Martins Cardozo; a professora Esther Dweck, ex-secretária de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento; o desembargador Grijalbo Fernandes Coutinho, dirigente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra 10); o consultor Jurídico da CUT Brasília Marthius Sávio Cavalcante Lobato; e Antonio Carlos Porto Jr, assessor da CUT Nacional junto ao Fórum Nacional sobre Reforma Sindical.
Todos os sindicatos filiados devem inscrever participantes (sem limitação de inscrições) para o Seminário Jurídico até a próxima quarta-feira (13), às 16h, pelo email secretariageraç@cutbrasilia.org.br ou pelo Whatsapp/Telegram (61) (61) 9944-2858.
 
PROGRAMAÇÃO
SEMINÁRIO JURÍDICO DA CUT BRASÍLIA
RESISTIR AO GOLPE E RECONSTRUIR O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
 
Dia 14/07/2016 (quinta-feira)
Horário: 8h30 às 18h30
Local: Clube dos Comerciários – Núcleo Rural Ponte Alta Norte – Gleba A – Brasília – DF
8h30 – Café da manhã
9h – Credenciamento
 
9h30 – MESA DE ABERTURA
Rodrigo Britto – presidente da CUT Brasília
Geralda Godinho – coordenadora Geral do Sindicom DF
Valeir Ertle – secretário Nacional de Assuntos Jurídicos da CUT
 
10h – RESISTIR AO GOLPE: A DEFESA DA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF
Coordenadores:
Rodrigo Britto – presidente da CUT Brasília
Marthius Sávio Cavalcante Lobato – Consultor Jurídico da CUT Brasília
 
Palestrantes:
Esther Dweck – ex-secretária do Orçamento Federal, professora da UFRJ
José Eduardo Cardozo – advogado de defesa da presidenta Dilma Rousseff no processo  de impeachment; ex-ministro da Advocacia Geral da União, ex-ministro da Justiça, professor, mestre e doutor pela PUC-SP.
 
11h30 – Debate
12h30 – Almoço
 
14h – RECONSTRUIR O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO E OS DIREITOS SOCIAIS.
Coordenadores:
Meg Guimarães – vice-presidenta da CUT Brasília
Marthius Sávio Cavalcante Lobato – consultor Jurídico da CUT Brasília
 
Palestrante:
Grijalbo Coutinho – desembargador  do Trabalho da 10ª Região
 
15h – Debate
 
16h – A CRIMINALIZAÇÃO E A DEFESA DOS DIREITOS SOCIAIS.
Coordenador:
Nilza Cristina – secretária de Formação da CUT Brasília
Julimar Roberto – secretário de Administração e Finanças da CUT Brasília
 
Palestrantes:
Antonio Carlos Porto – CUT-RS – A organização e atuação do jurídico da CUT: a experiência na defesa dos Direitos Coletivos
Marthius Sávio Cavalcante Lobato – consultor Jurídico da CUT Brasília – A interferência legislativa no movimento sindical
 
17h30 – O COMBATE E A ORGANIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS.
Coordenadores:
Rodrigo Rodrigues – secretário Geral da CUT Brasília
Sonia Queiroz – secretária de Mulheres Trabalhadoras da CUT Brasília
 
Palestrantes:
Valeir Ertle e José Eymard Loguercio pela Secretaria Nacional de Assuntos Jurídicos  da CUT
 
Aprovação de Resolução do Coletivo Jurídico do Distrito Federal.
 
18h30 – Encerramento – Rodrigo Britto – presidente da CUT Brasília

Contra intolerância e por igualdade de direitos, CUT cria Coletivo LGBT

A CUT Brasília deu um grande passo nesta terça-feira (11) para a formação sindical e para a luta contra a intolerância e a discriminação, lançando o Coletivo LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis e intersexuais).  A organização do segmento vem com a proposta de realização de cursos de formação tratando de questões como preconceito social, ataques homofóbicos, que resultam em altos índices de mortes de gays, saúde LGBT e desigualdade de oportunidades no mundo do trabalho e na sociedade.
O primeiro encontro contou com a presença de representantes sindicais, como os dos Sindicatos dos Comerciários (Sindicom) e dos Professores (Sinpro DF), além de dirigentes nacionais como Ismael José e do presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.  Participaram também representantes dos grupos ELOS, Basta Homofobia, Rede Afro e Cores.
Entre as questões debatidas estiveram a conjuntura política, com a instalação de um governo golpista apoiado fortemente pelos setores conservadores, sexistas e homofóbicos, que promovem retrocessos econômicos, políticos e sociais, atingindo especialmente a classe trabalhadora e o movimento LGBT. Exemplo desse retrocesso é o cancelamento do nome social, aquele por meio do qual pessoas que não se identificam com seu gênero preferem ser chamadas. Deputados de dez legendas, todas vinculados ao golpe, protocolaram um Pedido de Decreto Legislativo (PDC) para suspender o ato de Dilma que, atendendo antiga luta do segmento, reconhece os nomes sociais de travestis e transexuais, por exemplo, no serviço público.
“A ideia é debater a intolerância e a discriminação na sociedade como um todo. Por isso é importante também oferecer cursos de formação política para que os trabalhadores, especialmente os jovens, estejam inteirados dos seus direitos e deveres perante a sociedade, fazendo com que estejam estimulados a lutar contra os retrocessos, defendam a igualdade de direitos e convivam e respeitem as diferenças. Na atual conjuntura, o debate, a formação e a conscientização são fundamentais, pois os direitos mais afetados com ataques do governo golpista são os dos movimentos sociais, como o LGBT”, explica o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.
Durante o encontro, o representante da CUT nacional, Ismael José, propôs a construção de um encontro dos secretários estaduais de Políticas Sociais,  para levar essa discussão para âmbito nacional.
Um próximo encontro já está programado para o fim de julho. Como lição de casa, os participantes ficaram de reunir material para discussão, convocar mais dirigentes e militantes sindicais e convidar pessoas que tenham domínio do assunto. Uma programação de cursos, com datas, temas e palestrantes, será definida no próximo encontro.

Cartilha: O maior roubo de direitos dos trabalhadores

Conheça a cartilha O Maior Roubo de Direitos dos Trabalhadores que traz mais de 60 dos projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional que atacam os direitos e conquistas trabalhistas e sociais. Assim você terá real dimensão do golpe que os setores conservadores e retrógrados querem dar nos trabalhadores e trabalhadoras desse país, beneficiando apenas a minoria rica.
“Quem considera o momento atual como delicado, nem de longe imagina o tamanho do pacote de atrocidades que está guardado para o mal da classe trabalhadora”, alerta o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, na apresentação da cartilha.
cartilhacutbrasilia

Golpe atinge migrantes e deve ampliar restrição no país

A ascensão dos golpistas resulta em mudanças de rumos nas políticas do país em diversos aspectos, entre eles, a relação com países vizinhos. Com a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil experimentou a proximidade com nações historicamente ignoradas por seus antecessores.
Os negócios e parcerias com África do Sul, China, Rússia e países que passaram a compor o Mercosul ganharam em importância em comparação com a relação quase unilateral com os Estados Unidos adotada pelos antecessores de Lula. Cenário que deve mudar com Michel Temer a frente do processo golpista e com a retomada do neoliberalismo.
Durante uma das mesas do VI Fórum Social Mundial das Migrações, que ocorreu na última semana, em São Paulo, representantes da CUT e outras lideranças sindicais da América do Sul discutiram como a América do Sul deve ser afetada por essa situação e quais caminhos para fortalecer a integração dos povos e barrar o golpismo.
Secretária de Políticas Sociais da CUT, Jandyra Uehara, apontou que todos os governos na contramão do neoliberalismo na América Latina estão sob ataque e que no Brasil os golpistas têm três objetivos centrais: afastar o país do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do Mercosul e realinhá-lo aos EUA.
Na outra frente, a ideia é a redução dos direitos sociais dos trabalhadores em geral, fator que afeta ainda mais os migrantes, habituais vítimas de exploração e flagrantes de trabalho escravo.
“Há um cenário de crescimento do neoconservadorismo que vem junto com o neoliberalismo, no país e no mundo. E que traz junto o machismo e a xenofobia que, no Brasil, se traduz em racismo, porque aqui o imigrante europeu é bem-vindo”, avaliou.
Para ter uma ideia do que o golpe tem a oferecer aos migrantes de fora dos Estados Unidos, a secretária de Mobilização e Relação com Movimentos Sociais da CUT, Janeslei Albuquerque, lembrou que no dia seguinte ao afastamento da presidenta Dilma Rousseff, o representante do PSDB no processo, José Serra, viajou aos EUA para prestar contas.
“O ataque radical à democracia ocorre porque nem esse modelo imperfeito e inconcluso interessa ao neoliberalismo no momento. Devido à sua incapacidade de formar maiorias, porque o plano de governo que tem jamais seria aprovado no processo eleitoral, um plano de entrega do patrimônio público e do petróleo, só um golpe torna possível chegar ao poder. O que está em jogo é a revogação a Constituição cidadã aprovada após o fim do golpe de 1964.”
Herança racista
Jandyra lembrou também que o tratamento aos migrantes não europeus é herança direta da seletividade oficializada no início do século passado no país.
“Até 1930, a política para migrantes era centrada na substituição do trabalho escravo. Quando Getúlio Vargas assume, em 1930, não interessa mais o critério econômico, mas sim o étnico, escolha que tinha como objetivo principal o ‘branqueamento’ da raça. Tanto que o Estatuto de Estrangeiro é da década de 1980 e baseado na ideologia militar que encara o estrangeiro como uma ameaça nacional”, ressalta.
Janelesi observou ainda que esse processo foi construído de maneira estratégica e sempre sob a ótica da exploração. “O Brasil foi o último país da América Latina a abolir escravidão, mas mantém processo de discriminação desde sempre. Isso é herança de um processo em que a abolição não incluiu nenhuma política de sobrevivência para os ex-escravos. Quem construiu a base econômica do país passou a ser considerado vagabundo e ocioso”, criticou.
Para a CUT, explicou a dirigente, é preciso ir na contramão dessa ideia para adotar uma política plena de igualdade de direitos entre nacionais e imigrantes, a começar pelo direito ao voto e pela construção de uma política migratória.
Seremos a nova Argentina?
Representante da CTA (Central de Trabalhadores da Argentina) e do grupo de trabalho de migrações da CSA (Confederação Sindical das Américas), Rodrigo Borras, lembrou que o Brasil passa por um processo semelhante ao argentino. Como lá, aqui também busca-se um ‘salvador’ para um período de crise que custa caro aos trabalhadores.
Segundo ele, o governo de Mauricio Macri tem tomado medidas “ferozes”. Ele explica que a economia foi abalada e o peso argentino sofreu grande desvalorização com o dólar subindo mais de 40%.  “Isso afetou a classe trabalhadora e os serviços públicos de maneira geral, como os preços da luz e do gás”, explicou.
Para ele, mais do que nunca, a luta deve ser popular e intercontinental, já que a articulação para derrubar democracias e avanços sociais é internacional.
“Essa luta, diante da atual conjuntura brasileira, não deve ser individual ou apenas de solidariedade argentina, mas, acredito, deve ser internacional. Reconhecemos a batalha que a CUT tem travado nesse sentido e acredito que a resposta dos trabalhadores também deve ser de unidade contra o neoliberalismo que segue avançando contra governos populares e contra a América Latina”, defendeu.
Posição semelhante a adotada pelo Secretário de Relações Internacionais da CUT-Chile, Andrés Aguilera. O filtro da grande mídia, ressalta, impede que experiências neoliberais fracassadas cheguem aos brasileiros da forma como realmente aconteceram, como é o caso do modelo educacional chileno.
“Depois de 35 anos, e só recentemente, é que estamos tratando de mudar a educação para que seja gratuita. Um dos nichos em que mais se ganha direito no Chile é o da educação, de boa qualidade, mas caríssima. Então, os filhos de trabalhadores e trabalhadoras comuns não têm acesso a esse direito e muitas vezes vemos que é citada como referência aqui, sem que as pessoas conheçam realmente o que houve”, disse.
Dificuldade na unidade
A dificuldade em unificar laços de resistência não é apenas uma questão geográfica ou de línguas, ressaltou o argentino, mas colide com a cultura neoliberal de individualização dentro da sociedade para facilitar o controle.
“Os modelos neoliberais não têm relação apenas com a economia, mas com a cultura, com a integração e com um modelo de consumismo e com uma lógica de que o que acontece com o outro não tem a ver comigo. Quanto ao modelo que queremos, não devemos mudar apenas nossos locais de trabalho, mas temos que contribuir em nossas relações familiares para que nossos filhos se acompanhem, se ajudem. A unidade não deve ser construída apenas em termos econômicos, mas afetivos, de cuidado”, falou.

É hora de solidificar unidade contra o golpe

Se mantida a previsão de votação final do impeachment pelo Senado para o dia 2 de agosto, os movimentos que se
comprometem com a democracia têm pouco mais de 20 dias para apostar todas as cartas em debates e, principalmente, ações que garantam a saída do governo interino golpista de Michel Temer. Diante do prazo enxuto, a vice-presidenta da CUT Nacional, Carmem Foro, avaliou durante a Plenária Extraordinária da CUT Brasília que o principal desafio da classe trabalhadora é solidificar a unidade e dar peso às próximas atividades para barrar o golpe de Estado. A plenária teve início na manhã desta segunda-feira (11) e seguirá por todo o dia, no Sindicato dos Professores do DF (Sinpro).
Plenária Extraordinária CUT - SINPRO - Foto Heitor Lopes - 11-07-2016 (21)“A Frente Brasil Popular foi, sem dúvida, uma das maiores construções nossa nesse período. Houve uma unidade que não havia havia tempos. Mas, nos últimos 30 dias, houve uma baixa nas manifestações. Isso, na minha avaliação, por causa de pautas que dividem opiniões, como a do plebiscito para chamar novas eleições. Para nós da CUT, o plebiscito agora é um tiro no pé e a legitimação do golpe. Temos dificuldade em entender que essa seja uma saída democrática, o que não é unanimidade”, afirma Carmem Foro.
Junto à necessidade de unificar a esquerda, também há o desafio da construção da greve geral da classe trabalhadora para barrar o golpe e impedir que os direitos garantidos não sejam Plenária Extraordinária CUT - SINPRO - Foto Heitor Lopes - 11-07-2016 (11)surrupiados. A aposta, capitaneada principalmente pela CUT por mexer com o bolso daqueles que patrocinam o golpe, encontra barreiras que, embora grandiosas, poderão ser superadas.
“Tenho convicção da necessidade e urgência da greve geral, por isso chamamos essa plenária. Cada dirigente e cada militante tem que estar convencido dessa necessidade, não é apenas só discurso. A partir daí, teremos capacidade de convencermos os trabalhadores, mostrando o golpe e todos os roubos de direitos que serão impostos”, alerta o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.
Durante a Plenária Extraordinária da CUT Brasília, houve aqueles que criticaram a aparente apatia de algunsPlenária Extraordinária CUT - SINPRO - Foto Heitor Lopes - 11-07-2016 (16)sindicatos quanto ‘a realização de ações concretas e de massa que visem ao fim do golpe e deem sustentação à construção da greve geral. “Às vezes parece que estamos vivendo uma normalidade. Estamos a menos de um mês da votação final do impeachment e não há uma mobilização massiva. A gente tem de ter ação concreta, verdadeira, para derrotar o golpe”, disse Reginaldo Dias, do Sindsep-DF.
Em reunião da diretoria executiva da CUT Nacional, no dia 5 desse mês, em São Paulo, foi tirado calendário para dar início à construção da greve geral. Clique aqui para conferir. (http://www.cut.org.br/noticias/cut-intensifica-acoes-para-impedir-retirada-de-direitos-590e/)
Resistência para avançar
Plenária Extraordinária CUT - SINPRO - Foto Heitor Lopes - 11-07-2016 (19)A análise de conjuntura da vice-presidenta da CUT Nacional, Carmem Foro, realizada na Plenária Extraordinária da CUT Brasília, reservou espaço para fazer observações importantes dos 13 anos de governo popular conduzido pelo PT. “Houve um conjunto de acertos, e é por isso que estamos pagando caro, mas era possível ter avançado mais”, afirmou. Segundo a dirigente sindical, reformas essenciais, como a democratização da comunicação, a reforma política e a reforma tributária, foram colocadas em segundo plano.
Diante de um cenário pouco estimulante, com uma unidade profunda de setores reacionários no Congresso Nacional, que apoiam o golpe, Carmem Foro lembra que é importante continuar a luta pela saída de Temer, mas com alterações no projeto político que vinha sendo aplicado. “Queremos que Dilma volte, mas para recuperar o projeto apresentado em 2014. Se ela voltar e continuar fazendo a outra pauta, também não vamos aceitar”, afirma.
WhatsApp-Image-20160711 (3)A Plenária Extraordinária da CUT Brasília continuará na tarde desta segunda-feira, quando será construído um calendário de luta da classe trabalhadora do DF. Também será lançada a cartilha “O maior roubo de direitos da classe trabalhadora”, produzida pela Central, com apoio técnico do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).  O material apresenta os mais de 60 projetos e propostas que tramitam no Congresso Nacional e violam desumanamente os direitos historicamente conquistados.

CUT Brasília lança Coletivo LGBT nesta terça-feira (12)

Na luta por um país com igualdade de direitos e respeito às diferenças, a CUT Brasília realizará a primeira reunião do Coletivo de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros – LGBT, nesta terça-feira (12), às 9h, na sede da central.
O objetivo do coletivo é reunir dirigentes sindicais e representantes de movimentos LGBT para unir forças, trocar experiências e, a partir daí, encaminhar as ações necessárias à garantia dos direitos dos LGBTs.
Outro ponto essencial é trabalhar o coletivo para pensar na formação dos dirigentes sindicais, representantes dos movimentos sociais e da sociedade, fortalecendo a luta por políticas afirmativas do segmento LGBT e pelo combate à discriminação de gênero.
“Esta será uma parceria que renderá bons frutos. A partir da união dos dirigentes sindicais e do movimento LGBT será viabilizada a conscientização e organização dos trabalhadores em seus locais de trabalho e, ainda, a conscientização da população como um todo em relação aos direitos dos LGBTs. Então, essa troca e parceria que estamos fazendo, é para apontar caminhos, desenvolver novas formas de combate”, explica o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.
Já fazem parte do Coletivo LGBT da CUT Brasília: Sindicato dos Bancários de Brasília, Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Águas Lindas, Sindicato dos Comerciários – Sindcom, Sindicato dos Servidores e Empregados na Administração Direta, Fundacional, das Autarquias, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista do Distrito Federal – Sindser e Sindicato dos Professores no Distrito Federal – SinproDF. Ainda integram o grupo, ligados ao movimento LGBT, o grupo ELOS, o grupo Basta Homofobia, a Articulação Brasileira de Gays – Artgay, o grupo Cores e o grupo Estruturação.

Economista da Unicamp diz que ministro da Saúde quer mercantilizar o SUS

A ideia de criação de um plano de saúde popular, como anunciou quarta-feira (6) o ministro interino da Saúde, Ricardo Barros,para financiar o Sistema Único de Saúde (SUS) vai levar à privatização da saúde pública. O ministro afirmou que o tal plano teria uma cobertura menor do que a mínima exigida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para poder ser oferecido com preço mais em conta. Ainda segundo o ministro, com essa ideia, mais pessoas poderão contribuir para o financiamento da saúde no país.
“Esse pacote de serviços de saúde ‘populares’ conduz à privatização total do setor, desde o controle dos fundos públicos pelo capital financeiro até a expansão dos seguros privados de saúde como alternativa viável ao sistema público. A mercantilização da saúde será alcançada em todas as esferas que possam ser capturadas pelo setor privado para ampliar sua lucratividade”, afirma o pesquisador do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Gustavo Bonin Gava, em artigo publicado hoje (8) pela Plataforma Política Social, no qual defende que o propósito do ministro é lançar bases do Estado mínimo liberal na área de saúde.
“O ministro da Saúde omite-se quanto ao fato de que o SUS sofre de crônica insustentabilidade financeira derivada do seu subfinanciamento histórico. Apenas como exemplo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2013, os gastos totais em saúde no Brasil foram de 9,7% do PIB, contudo, mais da metade (51,8%) são gastos de ordem privada, ou seja, o SUS é subfinanciado, acarretando graves problemas em sua gestão. A ampliação de mercados privados colaboraria para a ampliação das iniquidades de acesso aos serviços e ações ofertados pelo SUS”, diz o artigo.

Acessar o conteúdo