Educadores das creches conveniadas pressionam por mais verbas do GDF

Em busca de valorização salarial, de melhores condições de trabalho e melhoria da qualidade do serviço educacional, professores das creches conveniadas ao GDF buscam apoio da Câmara Legislativa para sensibilizar governo a reajustar os valores repassados as instituições. Na sexta-feira (20) houve uma audiência pública na Comissão de Educação Saúde e Cultura da Câmara para debater o assunto. Além da participação do Sinproep-DF, sindicato que representa dos professores, outras entidades ligas às creches participaram do encontro.

Segundo Valdemar Martins, representante das creches, o custo per capta de um aluno da Educação Infantil do GDF hoje varia entre R$ 588 e R$ 688 mensais. As quantias vêm sendo questionadas pelo Conselho de Entidades de Promoção e Assistência Social (Cepas), que tem como proposta o aumento do valor para R$ 1.473,82 às crianças de 0 a 3 anos e R$ 1.263,25 aos alunos de 4 a 5 anos.

Para o presidente do Cepas, Ciro Heleno, o reajuste dos valores repassados é indispensável e urgente. Ele disse que o salário pago hoje aos professores que atuam nestas creches é de apenas R$ 1.300 por causa da defasagem nos valores dos convênios. A folha de pagamento consome 86% do valor repassado, segundo Heleno. “As entidades estão devolvendo unidades porque elas não estão conseguindo administrar a situação”, completou.

O presidente da Comissão, deputado Reginaldo Veras (PDT), defendeu a valorização dos profissionais que atuam nas creches. “Professores de creches e instituições conveniadas têm uma remuneração muito aquém daquilo que nós consideramos ideal. Precisamos valorizar esses profissionais”, argumentou. O deputado disse, ainda, que a realização desta audiência foi um esforço do Sinproep-DF.

O diretor deste sindicato, Rodrigo de Paula, ressaltou que os professores das creches conveniadas ganham hoje R$ 7,50 pela hora-aula, quase 50% do que é pago no setor privado. “O Sindicato vai mobilizar a categoria a fim de pressionar a Câmara Legislativa para que revejam o orçamento com relação ao valor per capta atual”, ressaltou o dirigente.

O Sinproep foi um dos responsáveis pela audiência, juntamente com a Comissão de Educação Saúde e Cultura (Cesc), o Sindicato dos Empregados em Instituições Beneficentes Religiosas e Filantrópicas (Sintibref-DF), e o Conselho de Entidades de Promoção e Assistência Social (Cepas).

Orçamento

O deputado Agaciel Maia (PTC), relator do Orçamento para 2016, explicou que os deputados somente podem indicar os caminhos para o GDF, mas cabe ao Executivo aperfeiçoar as políticas públicas. O distrital admitiu que o valor previsto na proposta para o próximo orçamento é irreal e está bem abaixo das necessidades das creches. Maia sugeriu a utilização dos recursos previstos no aumento de arrecadação oriundo do projeto de lei que aumenta o ICMS de produtos de luxo para reforçar as rubricas para as creches.

Clisomar Lima, presidente da Associação de Pais e Amigos de Excepcionais de Taguatinga e Ceilândia, disse que o problema na defasagem dos valores dos convênios também atinge as instituições que atendem pessoas com deficiência. Ele defendeu o aumento dos repasses para todas as instituições conveniadas.

Rollemberg prepara demissões em massa e elitização da limpeza urbana

Rollemberg acaba com coleta seletiva nas cidades satélites e mantém apenas no plano piloto, denuncia o Sindlurb, sindicato dos trabalhadores na limpeza urbana. Outra medida nociva do governador na área de limpeza, conforme teve acesso o Sindlurb, está no edital para contratação de empresa para prestar os serviços, que são feitos atualmente pelas empresas Sustentare e Valor Ambiental. No edital o valor pago a empresa a ser contratada será pouco abaixo do atual. A diferença é a exigência para a empresa vencedora trabalhar com menos da metade dos funcionários contratados atualmente. Dos contratos vigentes, um foi estendido e os outros acabarão no próximo ano.
“São medidas extremamente prejudiciais aos trabalhadores que estão sendo demitidos em massa e à população que paga altos impostos e terá o serviço de limpeza reduzido. Estamos lutando com todas as forças para manter os empregos e a cidade limpa e para que a população de Brasília não seja lesada”, informa Raimundo Nonato, diretor do SindLurb.
A desculpa do governo Rollemberg para o “corte de gastos” é a “crise”, conforme anuncia pela mídia. Mas as medidas são inconsistentes ao se verificar as minúcias dos seus editais, segundo afirma o presidente do Sindlurb, Cláudio de Oliveira. “As empresas estão recebendo 7 milhões e pouco de reais atualmente. Nesse novo contrato vão receber 6 milhões e alguma coisa. É uma economia pequena para o tamanho da redução dos serviços e do quadro de trabalhadores. O prejuízo social não justifica essa economia”, mostra o dirigente.
Regiões em que hoje são necessários 26 caminhões para fazer a coleta do lixo vão passar a ter disponíveis apenas 11 veículos, aumentando o trabalho dos coletores. De acordo com o diretor financeiro do Sindlurb, Raimundo Nonato, a redução de trabalhadores na limpeza já sofreu corte brutal: “em 2002 eram 15 mil trabalhadores no DF e agora são só 5 mil”.
As demissões em massa já estão na agenda do Governador há algum tempo, desabafam os dirigentes sindicais. Só este ano já foram 73 trabalhadores demitidos. Inicialmente 43. Após esses, outros 30 foram demitidos por justificativas estranhas: excesso de falta, de atestados, e outros motivos pequenos, informa Cláudio de Oliveira. Após conversas nos últimos dias com a direção do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), o órgão prometeu não demitir mais nenhum funcionário com essas justificativas.

Movimentos sociais provocam MPF contra coronéis da mídia

Treze organizações da sociedade civil protocolaram, nesta segunda (23/11), representação no Ministério Público Federal (MPF) contra 32 deputados e oito senadores sócios de emissoras de rádio e TV.
A representação se baseia no Art. 54, I e II da Constituição Federal, que proíbe a políticos titulares de mandato eletivo possuírem ou controlarem empresas de radiodifusão e empresas que gozem de favor decorrente de contrato com a União.
Além de pedir o cancelamento das concessões, permissões e autorizações de funcionamento dessas emissoras, as signatárias também pedem a responsabilização do Ministério das Comunicações pela falta de fiscalização do serviço público de radiodifusão.
A representação foi feita à Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Estado de São Paulo. A partir dela, o MPF deverá entrar com ações em 17 estados. Na semana passada, o MPF já havia protocolado ação contra veículos de radiodifusão associados aos deputados federais Antônio Bulhões (PRB); Beto Mansur (PRB) e Baleia Rossi (PMDB), todos de São Paulo.
Além da CF, a representação se baseia, ainda, em jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e em entendimento anterior da própria Procuradoria Geral da República (PGR). O documento destaca trechos dos votos dos ministros Luís Roberto Barroso e Rosa Weber no julgamento da Ação Penal 530. Para ambos, a proibição da propriedade ou sociedade em emissoras de rádio e TV por deputados e senadores tem por objetivo prevenir abusos decorrentes do poder político e do controle de veículos de comunicação de massa.
Na representação, as entidades lembram, ainda, que a própria Procuradoria Geral da República (PGR) afirmou a inconstitucionalidade da participação de políticos como sócios de emissoras de rádio e TV em parecer emitido nos autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 246, de autoria do PSol.
Signatárias
Além do FNDC, assinam a representação as seguintes entidades: Artigo 19, Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, Andi – Comunicação e Direitos, Associação Juízes para a Democracia (AJD), Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Levante Popular da Juventude, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e Proteste – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor.
A representação é uma articulação das organizações da sociedade civil que compõe o Fórum Interinstitucional pelo Direito à Comunicação (Findac), que reúne procuradores federais, entidades da sociedade civil e institutos de pesquisa e recebeu, este ano, o Prêmio República 2015 de Valorização do Ministério Público Federal, promovido pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).
>> Clique aqui para ler a representação na íntegra
Confira abaixo a lista dos parlamentares denunciados
Deputados Federais:

  1. Adalberto Cavalcanti Rodrigues, PTB-PE
  2. Afonso Antunes da Motta, PDT-RS
  3. Aníbal Ferreira Gomes, PMDB-CE
  4. Antônio Carlos Martins de Bulhões, PRB-SP
  5. Átila Freitas Lira, PSB-PI
  6. Bonifácio José Tamm de Andrada, PSDB-MG
  7. Carlos Victor Guterres Mendes, PMB-MA
  8. César Hanna Halum, PRB-TO
  9. Damião Feliciano da Silva, PDT-PB
  10. Dâmina de Carvalho Pereira, PMN-MG
  11. Domingos Gomes de Aguiar Neto, PMB-CE
  12. Elcione Therezinha Zahluth Barbalho, PMDB-PA
  13. Fábio Salustino Mesquita de Faria, PSD-RN
  14. Felipe Catalão Maia, DEM-RN
  15. Felix de Almeida Mendonça Júnior, PDT-BA
  16. Jaime Martins Filho, PSD-MG
  17. João Henrique Holanda Caldas, PSB-AL
  18. João Rodrigues, PSD-SC
  19. Jorginho dos Santos Mello, PR-SC
  20. José Alves Rocha, PR-BA
  21. José Nunes Soares, PSD-BA
  22. José Sarney Filho, PV-MA
  23. Júlio César de Carvalho Lima, PSD-PI
  24. Luiz Felipe Baleia Tenuto Rossi, PMDB-SP
  25. Luiz Gionilson Pinheiro Borges, PMDB – AP
  26. Luiz Gonzaga Patriota, PSB-PE
  27. Magda Mofatto Hon, PR-GO
  28. Paulo Roberto Gomes Mansur, PRB-SP
  29. Ricardo José Magalhães Barros, PP-PR
  30. Rodrigo Batista de Castro, PSDB-MG
  31. Rubens Bueno, PPS-PR
  32. Soraya Alencar dos Santos, PMDB-RJ

Senadores:

  1. Acir Marcos Gurgacz, PDT-RO
  2. Aécio Neves da Cunha, PSDB-MG
  3. Edison Lobão, PMDB-MA
  4. Fernando Affonso Collor de Mello, PTB-AL
  5. Jader Fontenelle Barbalho, PMDB-PA
  6. José Agripino Maia, DEM-RN
  7. Roberto Coelho Rocha, PSB-MA
  8. Tasso Ribeiro Jereissati, PSDB-CE

Golpistas deixam gramado; CUT pressiona por avanços

Os golpistas que estavam há um mês acampados diante do Congresso Nacional deixaram o local no último sábado (21), no final da tarde, dentro do prazo estipulado pelos presidentes da Câmara e do Senado e pelo governador do GDF.
IMG-20151122-WA0000Os poucos que não saíram espontaneamente discutiram e brigaram entre si, por divergências entre eles mesmos, e tiveram de ser separados e contidos pelos policiais militares e Legislativos do Distrito Federal (DF), com uso de gás de pimenta. Nas barracas, outros poucos golpistas que tentaram resistir à remoção pela polícia entoaram palavras de ordem. Ninguém ficou ferido. À noite, com exceção de alguns banheiros químicos, não restava nada mais no gramado, nem barracas, nem faixas, nem balão.
A remoção dos acampados foi decidida pela cúpula do Congresso e pelo governo do DF, que levaram em conta a violência e os tiros disparados por dois dos golpistas durante Marcha das Mulheres Negras e no acampamento que dirigentes e militantes  CUTistas instalaram no local. Dois policiais pró­-intervenção militar foram detidos por causa dos disparos de pistola, que colocaram em risco as manifestantes.
Os dirigentes CUTistas e militantes de várias categorias de todo o país, especialmente rodoviários liderados pela CNTTL, a confederação nacional da categoria, se instaram na quarta-feira (18) exatamente entre dos dois acampamentos dos golpistas (um pró-impeachment e outro a favor do golpe militar) . O objetivo dos CUTistas era, e continua sendo, pressionar Legislativo e Executivo a retomarem a pauta de interesse da Classe Trabalhadora, travada há mais de um ano no Congresso, e exigir a mudança da atual política econômica recessiva.
Após acordo com a presidência da Câmara e do Senado e com o GDF, os CUTistas deixaram o gramado da Esplanada e se transferiram na quinta (19) à noite para a sede da Contag, no Núcleo Bandeirante. De lá, aguardaram o cumprimento do acordo e da remoção dos golpistas num prazo de 48 horas, conforme estipulado pela direção do Congresso e pelo GDF.
“A CUT quer o fim dessa discussão golpista que se prolonga há um ano e que os parlamentares voltem a debater os projetos para mais avanços para a classe trabalhadora. Somos também contrários ao retrocesso, à retirada de direitos e à penalização da classe trabalhadora promovidos pela política de ajuste fiscal. Queremos uma política econômica que promova desenvolvimento com geração de emprego e renda e combate às desigualdades sociais”, explica Julimar Roberto, secretário de Administração e Finanças da CUT Brasília.

Uma ocupação por dentro; alunos paulistas descobrem que só a luta muda

Passa das 11h quando acaba a primeira assembleia geral entre os alunos da Escola Estadual Shinquichi Agari, na Vila Curuçá, zona leste de São Paulo. Jennifer Souza, de 17 anos, acaba de ser eleita secretária-geral do movimento de ocupação da unidade, que começou no dia anterior, 17 de novembro.
A ocupação da escola integra um movimento robusto que tomou conta do estado desde que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou, em nome de uma pretensa “reorganização escolar”, o fechamento de 94 unidades de ensino na região.
“O Alckmin quer fechar escolas e abrir prisões, não está preocupado com a nossa vida, com a nossa educação”, afirma a secretária-geral, já empossada e empoderada, repetindo um discurso comum entre os estudantes paulistas.
Desde as 8h, alunos se revezam em tarefas internas da escola. O café da manhã foi feito com suprimentos levados pelos pais, que antes de saírem para o trabalho, deixaram pão, leite, achocolatado, manteiga e queijo na entrada do prédio. “Vocês já terminaram de organizar a biblioteca?”, pergunta o presidente da ocupação, Welinton Dias, de 16 anos.
Todos os livros foram colocados em ordem e a sala foi limpa. “Nessa escola, temos apenas três mulheres que limpam todo o prédio. É um absurdo, porque aqui é muito grande e difícil para elas, por isso conseguimos deixar a escola melhor do que estava”, afirma Dias, enquanto mostra o pátio interno completamente limpo e já ornado com algumas plantas.
O almoço foi feito com alguns mantimentos estocados na escola para as merendas. Por conta da imprevisibilidade do tempo de ocupação, os estudantes pedem doações de alimentos não perecíveis e água. “Daqui, só sairemos quando o Alckmin voltar atrás, não tem outra possibilidade.”
A Shinquichi é uma das escolas que serão afetadas pela decisão unilateral do governo “reorganizar” a educação no estado. No prédio, serão abolidos os cursos de 1º ao 3º colegial, vedando o funcionamento do prédio no período noturno.
Os alunos afirmam que já se sentem vitoriosos, independentemente da resposta do governador diante da pressão popular por melhorias na Educação. “Olha, conseguimos coisas maravilhosas só com a ocupação. Isso me ensinou que só agindo, podemos modificar algo. Durante muitos anos, nós pedimos melhorias na estrutura da escola, a água é horrível, não tem segurança, as paredes são úmidas e as cadeiras quebradas. Desde que ocupamos, a Delegacia de Ensino veio aqui duas vezes e até arquiteto trouxeram, prometendo pra gente que as condições da escola vão melhorar”, afirmou o estudante.
Para justificar a persistência em manter aberta a escola, Jennifer e Welinton se revezam na explicação. “Meus pais estudaram aqui. Eu estudo aqui junto com meus dois irmãos. Já criei laços com a escola, que pertence à minha família também. Não tem sentido o governador querer nos tirar isso”, afirma o aluno.
Para Jenifer, a explicação vai para além dos muros da escola. “No período noturno, quando só funciona o colegial, a maioria dos alunos trabalha. Quem estuda nesse horário, mora perto do Shinquichi, não pode sair do outro colégio às 23h e caminhar meia hora até sua casa, é perigoso”, explica a estudante.
De acordo com alguns pais de alunos que se revezam na entrada da escola, durante uma reunião com a direção da unidade, eles foram informados de que seus filhos serão transferidos para o E.E. Pedro Viriato Parigot de Souza.
Roseli Freitas é mãe de duas crianças que estudam no Shinquichi e mantém um comércio na frente da escola. “Eu moro aqui do lado, a uma quadra da escola. Se mudar para o Parigot, meu filho de 14 anos, que ainda não trabalha, vai precisar pegar uma condução, não temos dinheiro para isso. E aqui é perigoso, não posso deixar o menino caminhar meia hora à noite, sozinho.”
Fátima Brasileiro, que é vendedora e mãe de uma menina de 17 anos que integra o movimento de ocupação da escola, defende a ação dos estudantes. “É até emocionante ver minha filha querendo mudar o mundo. Esse governador nunca veio nesse bairro e agora quer prejudicar ainda mais nossa vida?”, pergunta.
A tarde vai morrendo e os alunos começam a organizar a vigilância noturna. “Sempre tem uns pais, amigos e imprensa que vem aqui na porta. Só a polícia e a delegacia de ensino não vão entrar. Mas precisamos saber quem são as pessoas que se aproximam da escola”, explica Welinton, que está com fome. “Tem gente que nunca esquentou um leite e está fazendo nossa janta, estou com medo”, brinca, lembrando a inexperiência dos colegas com a cozinha.
Reintegração
Na manhã desta segunda-feira (23), os alunos das 107 escolas que estão ocupadas em São Paulo conseguiram uma importante vitória. Em decisão unânime, cinco desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinaram, que poderão ser mantidas todas as ocupações de por alunos, pais e professores em protesto contra a reorganização do ensino imposta pelo governo Alckmin (PSDB).
De acordo com o TJ-SP, em sua decisão, nenhuma reintegração de posse será concedida ao estado de São Paulo, no que tange as ocupações de escolas. De acordo com os juízes, Alckmin não dialogou com alunos, professores e pais sobre a decisão de fechar as unidades.
Ainda de acordo com os desembargadores, há de se prezar pela segurança dos alunos, o que não pode ser garantido pelo Estado, em caso de invasão da Polícia Militar para remoção dos estudantes. O presidente da 7º Câmara, o desembargador Sérgio Coimbra Shmidt, criticou Alckmin e afirmou que não se pode fechar escolas quando estamos precisando avançar na questão da educação.

CUT-SP cria comitês de apoio contra fechamento de escolas

Em defesa de uma educação pública e de qualidade, a Central Única dos Trabalhadores de São Paulo cria comitês de apoio aos estudantes que lutam contra o fechamento das 94 escolas localizadas em diferentes municípios no estado paulista. Além das unidades fechadas, outras 1.464 unidades serão afetadas pelo projeto do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) de reestruturar o ensino.
Segundo levantamento do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), até esta segunda-feira (23), mais de 114 unidades já foram ocupadas por estudantes, professores e movimentos apoiadores da causa.
Os comitês passam a funcionar nas 19 subsedes cutistas localizadas nas regiões do ABC, Baixada Santista, Vale do Paraíba e Vale do Ribeira. E nas cidades de Araçatuba, Bauru, Campinas, Guarulhos, Itapeva, Jundiaí, Marília, Mogi das Cruzes, Osasco, Ourinhos, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São Carlos, São José do Rio Preto e Sorocaba.
O presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo, afirma que a falta de diálogo e a violência policial nas ocupações são uma afronta à sociedade. “Apoiamos o movimento liderado pelos estudantes e estamos juntos com esta juventude inconformada com a forma de fazer política, com a truculência de um governo que não dá ouvidos ao povo e, tampouco, respeita os trabalhadores”, avalia.

Segundo Izzo, a CUT disponibiliza essa estrutura porque sempre lutou pela educação pública e de qualidade e essa mobilização dos estudantes vai ao encontro desses princípios.

As subsedes cutistas serão solidárias à infraestrutura das ocupações, servindo também como local para doações de alimentos e materiais. O presidente também explica que será dado apoio jurídico e político de sindicatos cutistas.  E, ainda, divulgação da luta promovida pelos estudantes nas unidades.
Confira os locais:
Subsede ABC
Rua Senador Fláquer, 443 – Centro
09010-160 – Santo André – SP
TEL: (11) 4437.3300
E-mail: abc@cutsp.org.br
Subsede Araçatuba
Rua Fundador Vicente Franco n.º 45 – Bairro São Joaquim – Araçatuba/SP
Tel.: (18) 3608 3521
E-mail: aracatuba@cutsp.org.br
Subsede Baixada Santista
Praça da República, 36 – 5º andar – sala 18 – Centro – Santos – SP
TEL/FAX: (13) 3394-0013
E-mail: baixadasantista@cutsp.org.br
Subsede Bauru
Rua XV de Novembro, 3-70 Centro – Bauru – SP
TEL/FAX: (14) 3234.2115
E-mail: cutbauru@ig.com.br
Subsede Campinas
Rua Culto a Ciência, 56 – Centro -Campinas-SP
TEL/FAX: (19) 3234.0632
E-mail: campinas@cutsp.org.br
Subsede Guarulhos
Rua Arminda de Lima,294- Guarulhos-SP
TEL/FAX: (11) 2408-0650
E-mail: guarulhos@cutsp.org.br
Subsede Itapeva
Rua Coronel Crescêncio, nº 786 – Vila Santana – Itapeva-SP
Telefone (15) 3521-2030
E-mail: itapeva@cutsp.org.br
Subsede Jundiaí
Rua Prudente de Moraes, 838 – Centro – Jundiaí-SP
TEL/FAX: (11) 4521.1297 – 3378-8422
E-mail: cutjundiai@terra.com.br – jundiai@cutsp.org.br
Subsede Marília
Avenida Santo Antônio, 783, Centro – Marília-SP
TEL (11) 9 9247 5593 – Alessandro Neri
E-mail: marilia@cutsp.org.br
Subsede Mogi das Cruzes
Rua Professora Leonor de Oliveira Melo, 82
Jardim Santista (Centro) – Mogi das Cruzes – SP
TEL/FAX: (11) 4727.7322
E-mail: mogidascruzes@cutsp.org.br
Subsede Osasco
Rua Euclides da Cunha, 287 – B – Centro – Osasco
TEL/FAX: (11) 3682.0266
E-mail: osasco@cutsp.org.br
Subsede Ourinhos
Av. Altino Arantes, 993 – Vila Emília – Ourinhos-SP
TEL: (14) 3326.4659 FAX (14) 3326.2299
E-mail: ourinhos@cutsp.org.br e cutourinhos@ig.com.br
Subsede Presidente Prudente
Rua: Ulisses Ramos de Castro, 268 – Bosque
Presidente Prudente-SP
Telefone (18) 3222-8394
E-mails: pres_prudente@cutsp.org.br,
cutpprudente@hotmail.com e mcnucci@stetnet.com.br
Subsede Ribeirão Preto
Rua Visconde de Inhaúma, 868 – Centro – Ribeirão Preto-SP
TEL/FAX: (16) 3636.6754/30117291
E-mail: cutribeirao@ig.com.br
São Carlos
Rua Riachuelo, 632 – Centro São Carlos-SP
Tel. (16) 3371-1052
E-mail: saocarlos@cutsp.org.br
Subsede São José do Rio Preto
R: Major Joaquim Borges de Carvalho, 497 – V. Angélica
São José do Rio Preto – SP
TEL/FAX: (17) 3215.3500
E-mail: j sjriopreto@cutsp.org.br e cutsjrp@terra.com.br
Subsede Sorocaba
Rua Cesário Mota, 482 – Centro  Sorocaba – SP
TEL/FAX: (15) 3231.6046
E-mail: cutsorocaba@uol.com.br
Subsede Vale do Paraíba
Rua Coronel José Monteiro, 758 – Centro – São José dos Campos-SP
TEL/FAX: (12) 3913 1367
E-mail: valedoparaiba@cutsp.org.br
Subsede Vale do Ribeira
Rua Miracatu, nº 313 – Vila Tupy – Registros-SP
TEL/FAX: (13) 3821.4956
E-mail: valedoribeira@cutsp.org.br e valedoribeira@uol.com.br

CUT fortalece acampamento pela pauta dos trabalhadores

Os dirigentes e militantes da CUT estão há dois dias acampados em frente ao Congresso e reivindicam que o Legislativo deixe de lado os retrocessos colocados pelos setores golpistas e destranque a pauta de interesse dos trabalhadores. Estão acampados lá mais de 300 CUTistas. Delegações de diversos estados estão a caminho do planalto para engrossar o acampamento.
IMG-20151119-WA0019A presença dos trabalhadores CUTistas, porém, “parece estar incomodando o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha”, informa o secretário-geral da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues. O parlamentar prometeu se pronunciar nesta quinta (19) sobre o acampamento CUTista em área de responsabilidade do Congresso, porém o ofício da CUT ainda não foi respondido.
Não bastasse isso, o presidente da Câmara fez declaração no plenário, sem apresentar qualquer comprovação, que receberia supostos relatórios policiais dando conta de uma IMG-20151119-WA0011suposta apreensão de drogas no acampamento da CUT durante a madrugada. Rodrigo Rodrigues, dirigente da CUT Brasília e um dos coordenadores do acampamento, diz ser uma afirmação mentirosa, sem base em qualquer fato real, já que a polícia entrou na área uma vez e apenas para passar o cordão de isolamento entre os acampamentos da CUT, dos golpistas e militaristas.
A CUT se movimenta para questionar judicialmente a inverdade divulgada por Eduardo Cunha, que procura inverter a ausência de
medidas da Câmara contra dois fatos reais: a apreensão de armamentos letais e de uso em ações de choque e os flagrantes de disparos de pistolas durante manifestação das mulheres negras por parte de ativistas pró-golpe militar que estão instalados nos outros acampamentos.
IMG-20151119-WA0010O presidente da CNTTL, confederação nacional dos rodoviários, Paula João Eustásia, considera “lamentável o tratamento desigual dado aos
outros acampamentos que reivindicam o impeachment e golpe militar e que estão com autorização (de Eduardo Cunha e do Governo de Brasília) para ocupar os espaços, enquanto nós trabalhadores não temos o mesmo acolhimento”.
O acampamento da CUT, montado na última quarta-feira (18), ficará por tempo indeterminado.  “Estamos aqui e permaneceremos até que o Congresso resolva sua crise política interna e encaminhe aquilo que é de interesse dos trabalhadores”, pontua o dirigente.
Tudo ou nada
Ou resolve Cunha, ou resolve Renan. Se a Câmara não se pronunciar sobre a presença dos acampamentos e uma possível desocupação da área, Renan Calheiros, presidente do Senado, afirma que irá mandar revistar as barracas a procura de armas e realocar os manifestantes em outro lugar distante do Congresso. “Nós esperamos fazer isso em um prazo máximo de três, quatro dias”, afirma o senador. Logo no início da última semana de novembro, devemos chegar a um desfecho sobre as autorizações dos acampamentos.

Trabalhadores rejeitam proposta da CEB e mantêm greve

Em assembleia realizada nesta quinta-feira (19), os trabalhadores e trabalhadoras da Companhia rejeitaram a contraproposta apresentada pela empresa e seguem em greve, que já dura 10 dias. A empresa tenta manter o Acordo Coletivo de Trabalho de 2013/15, mas sem aplicação dos reajustes econômicos. A proposta oferecia apenas um acréscimo de duzentos reais para todos os empregados a partir de abril do próximo ano sob forma de verba.
Para a direção do sindicato dos urbanitários (STIU-DF) a proposta não atende as reivindicações dos trabalhadores. A categoria defende minimamente a reposição das perdas salariais para recuperação da parcela da remuneração corroída pela inflação. O deputado distrital Wellington Luiz (PMDB-DF), que participou da assembleia e se indignou com a proposta da empresa, prometeu “obstruir a pauta da Câmara até que a categoria seja atendida com uma proposta plausível”
A empresa que inicialmente queria que a Participação sobre Lucros e Resultados fosse medida de acordo com EBTIDA, um indicador rechaçado pela categoria. Agora a empresa já propõe outros indicadores, mas tenta encampar a EBITDA ainda que em margem menor, 4%.

Em marcha histórica, mulheres negras atropelam racistas na Esplanada

O dia 18 de novembro de 2015 foi um marco na história pela igualdade racial no Brasil. Milhares de mulheres negras, quilombolas, indígenas e yalorixás abriram a primeira edição da Marcha das Mulheres Negras, em Brasília, e denunciaram na capital federal a intolerância religiosa e o racismo.
Diante do Congresso Nacional, mesmo com provocada dos golpistas que pedem a volta da ditadura militar e estão acampados na Esplanada dos Ministérios, a marcha não se intimidou e seguiu em resistência.
O evento teve início às 9h, no Ginásio Nilson Nelson, e seguiu até o Congresso Nacional. Eram turbantes, tranças e as cores da África que marcavam a identidade da manifestação e ajudavam a dar corpo ao grito pelo fim do extermínio da juventude negra, contra a maioridade penal, pelos direitos das mulheres e por mais políticas públicas voltadas para negras.
A marcha também homenageou importantes personalidades negras como Dandara, Zumbi dos Palmares, Nelson Mandela, Carolina de Jesus, Lélia Gonzalez. Por volta das 13h53, as mulheres ocuparam o Congresso Nacional aos gritos de “Fora, Cunha”.
Dona Aideê Nascimento, 61, candomblecista, do quilombo Portão, município baiano, está na luta contra a discriminação há vários anos, mas levou para a marcha esperanças de dias melhores. “Aos poucos estamos conseguindo a nossa fala e enfrentando a intolerância de todo tipo. Inclusive nos terreiros e nas comunidades quilombolas, onde ainda não conseguimos viver com dignidade”, disse.
A maranhense Amanda Costa, 21, viajou 30 horas e relata que foi vítima de racismo a caminho da marcha. Na estrada, ela saiu para almoçar com amigas e, ao reclamar da comida que estava estragada, a dona do restaurante chamou todas de macaca e que não deveriam estar ali.
“Fomos reclamar como consumidoras e ela se irritou. Mas viemos para cá lutar contra essa senhora e contra a sociedade racista. Por mais que não admitam que são racistas, quando olham um menino negro na rua, atravessam de pista. É racista quando a polícia só aborda homens negros. Sou moradora da periferia de São Luís e vejo que os policias não respeitam nem os estudantes vindo da escola”, ressalta Amanda.
A marcha foi uma iniciativa de diversas organizações, entre elas, a CUT e coletivos do Movimento de Mulheres Negras e do Movimento Negro, além de contar com o apoio de importantes intelectuais, artistas e ativistas.
Durante o percurso, as mulheres negras seguiam cantando música afro e reverenciando suas ancestralidades em defesa da cidadania. O evento também protestou contra os projetos de lei que restringem os direitos das mulheres, sobretudo das negras, de autoria do presidente da Câmara Nacional, Eduardo Cunha. “Ô Cunha, cadê você, eu vim aqui só pra te prender”, “ai, ai, ai, ai, empurra o Cunha que ele cai”, fazia parte do coro da manifestação.
Para Andreia Roseno, da Marcha Mundial de Mulheres, a manifestação faz história no país, porque mostra que o silêncio não é mais uma realidade para elas. “Não queremos mais conviver com as opressões do racismo, do patriarcado e com capitalismo que coloca a nossa vida de forma mercadológica”.
Lara Silva, 22, do Rio de Janeiro, também foi marchar contra essas opressões apontadas por Andreia. “Estamos aqui contra o machismo, pelo bem viver, por mais condições de igualdade na saúde para nós mulheres negras são as que mais sofrem com a violência obstétrica”.
Quem caminhava por dentro da marcha percebia a diversidade de línguas e de cultura representadas. A indígena Thiaia Ramos, 32, da tribo Pato do Hahahahi, foi mostrar que as mulheres negras indígenas não podem ser invisibilizadas. “Estamos lutando por um só objetivo porque somos um povo só e falamos a mesma língua. Sempre dizem que nós (indígenas) só comemos abobora”, afirma.
No país de maior população negra fora da África, a falta de representatividade de negros na mídia, na política e no Judiciário também foram temas de manifestação.
Ainda durante o ato, a secretária nacional de Combate ao Racismo da CUT, Maria Julia Nogueira, afirmou que a marcha é a realização de um sonho e de uma luta histórica da central. “A CUT diz que é preciso não aceitar mais o racismo. A democracia só vai se consolidar quando a sociedade não permitir o racismo. Vamos dizer a esse Congresso machista e racista que a discriminação racial não dá mais nesse país”.
Para a vice-presidenta da CUT, Carmen Foro, a Marcha das Mulheres Negras escreveu uma página da história no país. “Nós queremos agora que o Brasil pegue o que nós produzimos e acumulamos ao longo dos séculos e transforme em política. Temos que enfrentar de fato o racismo, a violência e que nos reconheça enquanto parte de quem produz a riqueza nesse país”, definiu.
“Hoje as mulheres negras mostram para o mundo e para o Brasil a nossa força e resistência. Dizemos ainda que queremos estar em todos os lugares. É importante marchar pela implementações de políticas públicas para as negras”, afirmou Nilma Lino Gomes, Ministra das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.
Bastante emocionada, a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) afirmou que era um momento histórico porque a marcha traz a marca e o suor de cada movimento, das donas de casa que conseguiram adquirir um diploma universitário.
“Não somos uma qualquer. Estamos conseguindo o nosso espaço e marchando para dizer: não aos projetos que tiram os direitos das mulheres; não à matança de jovens negros; não à violência contra as mulheres. Basta de intolerância! Não queremos retrocesso, mas queremos, sobretudo, defender o Estado Democrático de Direito”.
Por volta das 15h, a marcha retornou ao Ginásio Nilson Nelson onde terá oficinas, apresentação de  várias atividades, shows das mulheres negras e exibição de filmes.

Marcha das Mulheres Negras é atacada por golpistas

O grupo de golpistas acampados em frente à Esplanada dos Ministérios com faixas que pedem intervenção militar no Brasil atacou a Marcha das Mulheres Negras, que tomou as ruas de Brasília nesta segunda-feira (18).
Integrante do acampamento, um manifestante que seria policial civil e cuja identidade ainda não foi revelada, foi preso após dar quatro tiros para o alto quando a marcha passava diante do Congresso Nacional.
Homem do acampamento dos golpistas é preso após atirar contra mulheres (Foto: Rogério Tomaz Jr/Agência PT)
Secretária da CUT de Combate ao Racismo, Maria Júlia Nogueira, criticou a reação da polícia militar do DF diante do fato.
“Um dos golpistas deu um tiro pra cima e a polícia chegou como se fosse protegê-los, começou a jogar spray de pimenta nas mulheres, que estavam em uma manifestação pacífica. Tanto que durante todo o trajeto não houve qualquer incidente”, apontou.
Para Júlia, a ação não foi diferente do que acontece todos os dias nas periferias das cidades com os negros. “Os trabalhadores são tratados assim nos estados onde há partidos conservadores no comando”, apontou.
A deputada federal Janete Pietá (PT-RJ), que acompanhava o ato, disse que as mulheres também foram atingidos por bombas. “Quando atirou, simultaneamente, começaram a jogar bombas”, relatou.
Neste momento, a marcha passa pela rodoviária de Brasília e já segue para o encerramento. Acompanhe a cobertura completa em instantes no Portal da CUT, em nosso Facebook e Twitter.

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