Frente Povo sem Medo faz manifestações contra Cunha e o ajuste

Diversas manifestações organizadas pela Frente Povo Sem Medo ocorreram neste domingo (8) em várias cidades do país, inclusive no Distrito Federal. A frente reúne cerca de 30 organizações sociais e populares. Os manifestantes criticam o ajuste fiscal, falam em “fora Levy” e prometem reação caso programas sociais como o Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida sofram ameaças de cortes durante a definição do orçamento para 2016.
image (1) fora cunhaAs entidades argumentam que as conquistas sociais e os direitos alcançados nos últimos anos não podem retroceder e que o caminho para que o país enfrente a crise econômica é o estímulo ao crescimento. Os movimentos críticos à política econômica, rechaçam, porém, as tentativas de golpe para interromper o mandato da presidenta da República. “Contra a direita e por mais direitos” é um dos motes da frente.
O presidente da CUT, Vagner Freitas, valorizou a criação da frente: “A Frente Povo Sem Medo é da CUT também. Estamos juntos do povo sem medo de lutar. Estamos defendendo a saída do ministro
Levy para que o governo federal continue a ter apoio dos movimentos sociais. Tem que se construir uma política econômica desenvolvimentista e não esta que está sendo implementada, com um ajuste que prejudica a classe trabalhadora”.
fora cunha 4O principal alvo dos protestos, entretanto, é o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com fortes evidências de ter praticado sonegação fiscal e evasão de divisas para contas na Suíça. Um dos “campeões” de votos no Rio de Janeiro, Cunha é tido com grande
arrecadador de recursos empresariais para campanhas eleitorais – prática tida pela entidades como origem da corrupção política brasileira. Faixas e cartazes associando o deputado a corrupção e a projetos que representam retrocessos para direitos individuais e sociais – como o mais recente, que dificulta a assistência a mulheres vítimas de estupro – dominam os atos que pipocam pelo país afora.
Pela manhã, o protesto ocorreu em Brasília, com caminhada pela Esplanada dos Ministérios. Em Uberlândia e Belo Horizonte, manifestantes lembraram, além de Cunha, da tragédia de Mariana. Alguns criticavam o governo de Fernando Pimentel (PT) por omissão. No Rio de Janeiro, dezenas de pessoas marcaram presença diante do condomínio onde mora Eduardo Cunha. Em São Paulo, o público se concentrou em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, e caminhou em direção ao Parque do Ibirapuera.
fora cunha 3“Eduardo Cunha é um bandido engravatado. Nossos companheiros vão ficar acampados em Brasília até que ele caia. É uma vergonha o Cunha ainda não estar preso”, disse o líder do MTST Guilherme Boulos.
Eduardo Cunha é a principal motivação dos protestos, segundo a professora e secretária de Mobilização e Relação com Movimentos Sociais da CUT, Janeslei Aparecida Albuquerque, pelo que a liderança do parlamentar representa de negativo para a política nacional. “O mote central é o ‘fora Cunha’ pelo que ele representa de escárnio à sociedade brasileira. O ataque a toda perspectiva civilizatória, ao direito das mulheres e ao direito do trabalhador”, diz.
fora cunhaJaneslei ressalta que o poder que Cunha representa hoje é maior do que o próprio parlamentar. “Ele sozinho não teria força, mas ele representa um grupo de deputados e grupos econômicos que têm propostas como redução da maioridade penal, revisão do Estatuto do Desarmamento. Estão propondo que a prática da violência seja legitimada e que as pessoas que são vítimas de violência, como as mulheres que são estupradas, sejam tratadas com suspeição, e que as crianças têm que ir para a cadeia, que políticas para a infância se resumem à prisão.”
Entre as entidades representadas na manifestação estão Juventude, Socialismo e Liberdade (Jsol), Rede Emancipa, Esquerda Marxista, MTST, CUT, UNE, UBES, CTB, União Brasileira de Mulheres, Unegro, Fora do Eixo, Movimento de Vilas, Bairros e Favelas (MLB), Intersindical, CUT, Juntos!, Círculo Palmarino, Brigadas Populares, Bloco de Resistência Socialista.

Sem terra bloqueiam rodovias em solidariedade aos servidores

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Os trabalhadores sem terra realizaram manifestação em três rodovias em apoio ao movimento dos servidores do GDF, especialmente aos professores, que estão em greve contra calote e tarifaço do governo Rollemberg. Integrantes da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), os sem terra bloquearam com faixas, galhos e pneus, de 6h às 7h da manhã desta segunda (9), as rodovias BR-060, próximo à Embrapa de Samambaia, BR 40, junto ao viaduto do Catetinho, e BR 020, a saída de Sobradinho.
IMG-20151109-WA0032Os manifestantes exigem que o governo Rollemberg cumpra a lei que garante desde setembro reajustes salariais aos servidores e respeite o funcionalismo, cujo movimento vem sendo criminalizado e judicializado pelo GDF. Além da defesa dos serviços públicos, reivindicam também a aceleração de programas de reforma agrária no DF, com assentamentos e moradia popular.
Dirigente da FNL, Petra Magalhães, explica que as manifestações são um repúdio aos ataques do GDF e da Polícia Militar. “É um absurdo os trabalhadores irem as ruas reivindicarem seus direitos e serem tratados pela Polícia como marginais. É inadmissível também, que um governo que representa o povo seja caloteiro. O governo não cumpriu sua palavra com os servidores, da mesma forma que não cumpriu com a gente em relação à agilização de medidas pela reforma agrária”, avaliou.
IMG-20151109-WA0029No mesmo dia em que se comemorou o Dia do Servidor Público, 28 de outubro, os professores do DF, em greve há quase um mês, foram agredidos pela Polícia Militar do DF enquanto protestavam pacificamente contra o calote do GDF no Eixão Sul. No episódio, quatro professores e três rodoviários que apoiavam os educadores foram agredidos e presos. Inclusive, a professora e vice presidente da CUT Brasília, Magnete Barbosa Guimarães, teve o nariz machucado por um policial.
Petra também ressalta que as manifestações são também para conscientizar a população sobre a importância da solidariedade de classe. “Se todos os trabalhadores se unirem, independentemente de categoria ou movimento, seremos mais fortes e capazes de alcançar nossos objetivos pela melhoria de vida. Não queremos atrapalhar a vida de ninguém, mas essa é a única forma de o governo ouvir nossas reivindicações. Juntos nós somos mais fortes”, ressaltou a dirigente.
IMG-20151109-WA0031Após as manifestações nas rodovias, os trabalhadores sem terra ligados à FNL, juntos com integrantes do Movimento Brasileiro de Trabalhadores Sem Teto (MBST) e do Movimento dos Trabalhadores Desempegados (MTD), seguiram para o Ministério das Cidades, onde ocuparam a entrada e o saguão, durante o restante da manhã, para revindicar o cumprimento de promessas de agilização de programas de assentamento rural e de habitação. Esses movimentos representam mais de 5 mil famílias que estão acampadas nos arredores de Brasília lutando por terras, investimentos agrícolas, moradia e condições de trabalho no DF.

Parlamentares cobram mais diálogo e transparência na crise do GDF

“Está faltando diálogo. A crise do Distrito Federal não interessa à população, não interessa aos parlamentares e não interessa aos servidores. A crise não foi causada por nós e o governador Rollemberg precisa cumprir seu compromisso, seu programa de trabalho”, cobrou o senador Hélio José ao presidir audiência pública nesta sexta-feira (6), na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), que discutiu os problemas na gestão de Brasília.
IMG-20151106-WA0014O governador Rodrigo Rollemberg assumiu em janeiro e, alegando necessidade de equilibrar as contas, tem implantado medidas que incluem aumento de impostos e congelamento de reajustes salariais negociados em gestões anteriores. Na opinião de Hélio José, o governador deve “abrir as contas” para a população e para lideranças políticas do DF, apresentando argumentos que justifiquem as medidas adotadas, “pelo convencimento e não por imposição”.
Apesar das críticas, o senador reconheceu avanços no diálogo nos últimos dias, relatando a realização de reuniões entre parlamentares do DF e o primeiro escalão do governo, mas lamentou a ausência de representantes do GDF na audiência pública desta sexta-feira.
Manifestação dos professores
No debate, Rosilene Correa, diretora do Sindicato dos Professores do Distrito Federal, repudiou a ação da Polícia Militar do DF durante manifestação da categoria em 28 de outubro no Eixão Sul. Ela apresentou vídeo mostrando que a força policial usou bala de borracha, bomba de efeito moral e spray de pimenta para dispersar os manifestantes.
Já Rodrigo Rodrigues, secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores no DF, condenou o fato de o GDF ter recorrido à Justiça contra os movimentos grevistas em Brasília. A crítica foi compartilhada pela deputada federal Érika Kokay. “Não é a Justiça que decide conflitos trabalhistas. É a mesa de negociação. Ao se buscar a judicialização, está se usando instrumento de pressão e abrindo mão das prerrogativas de diálogo do governo”, opinou a deputada.
Outros dirigentes aproveitaram para pedir apoio para aprovação de projeto que regulamenta o direito de greve no setor público. Projeto nesse sentido (PLS 287/2013) foi aprovado no início de outubro na CDH, com voto favorável do presidente da comissão, senador Paulo Paim (PT-RS), e aguarda deliberação da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).

Atos de desagravo contra violência do GDF na sexta e domingo

Continuam as ações em repúdio à violência orquestrada pelo governador do DF, Rodrigo Rollemberg, contra a classe trabalhadora e ao calote que ele dá nos servidores públicos. Trabalhadores dos setores público e privado, do campo e da cidade, se mobilizam em duas atividades: uma nesta sexta-feira (6), na Rodoviária do Plano Piloto, e outra domingo, no Eixão Sul. Serão atos culturais em desagravo aos professores que sofreram violento ataque da PM do governo Rollemberg, que tem criminalizado as lutas dos servidores e dos movimentos sociais de Brasília, que buscam melhores condições de vida.
Na sexta (6), professores e professoras em greve, com apoio de demais trabalhadores de categorias diversas, se concentrarão às 16h na plataforma inferior da Rodoviária do Plano Piloto. Eles dialogarão com a população sobre os problemas do governo Rollemberg, através de folhetos explicativos, música e falações.
No domingo (8), a concentração dos trabalhadores será às 8h, na altura da quadra 116 Sul (Eixão Sul). Convocados pela CUT, dirigentes e militantes sindicais e trabalhadores de todos os segmentos aproveitarão o espaço de lazer e de alta circulação de pessoas para, novamente, dialogar sobre os riscos que corre a população do DF com o governo Rollemberg. Serão realizadas panfletagem e oficina de pintura, ao som de artistas locais. Após a concentração, os manifestantes sairão em marcha até a quadra 109 Sul.
“Queremos mostrar à população que a luta dos professores e de todo o funcionalismo local não é uma luta apenas por reajuste salarial. A nossa luta é contra os ataques do governo Rollemberg ao serviço público e à sociedade em geral, que vem sendo atingida frontalmente com o aumento de impostos e tarifas de ônibus, restaurantes comunitários, entradas do Zoo e Água Mineral”, afirma o secretário geral da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues.

Em Goiás, a cartilha privatista tucana chega à Educação

No último dia 14 de outubro, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), assinou um decreto que determina “imediata providência” para que sejam selecionadas, até dia 31 de dezembro deste ano, Organizações Sociais (OSs) que passariam a administrar 30% das escolas no estado.
A medida, que na prática significa a privatização da Educação no estado, foi criticada por Sueli Veiga de Melo, professora e secretária adjunta de Formação da CUT. “Esse projeto é um absurdo. O governador quer tratar o ensino como mercadoria. Além disso, é ressuscitar o PL 4330, um projeto já derrotado”, afirmou a dirigente.
Levado adiante, o projeto pode provocar a precarização do ensino e do trabalho dos professores. “As OSs não terão compromisso com os trabalhadores, que passarão a dividir o mesmo espaço e tarefa com outros profissionais com salários melhores e benefícios alcançados pela categoria. Dessa forma, haverá cisão na equipe, dificuldade para sindicalização e demissões constantes, o que dificulta a relação com os alunos”, analisa Sueli.
Não é coincidência que, neste momento, os três estados que acenam com reformas na educação, sejam São Paulo, Paraná e Goiás, todos governados pelo PSDB e apontando para uma solução alinhada com o capital e dando às costas aos professores, alunos e pais.
Sem discutir com a população, os governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do Paraná, Beto Richa (PSDB), decidiram fechar escolas em seus estados. A medida, inclusive, foi rejeitada por 59% dos paulistas, em pesquisa divulgada recentemente.
Em Goiás, Perillo é responsável, também, por um processo de militarização em escolas de Goiás. A meta do governador é que até o final de 2015, 43 unidades sejam geridas pela Polícia Militar do estado.

Sem proposta do GDF e da empresa, metroviários seguem em greve

Representantes dos metroviários se reuniram com o GDF e o Metrô-DF em audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-10) na tarde desta quarta (4), mas não receberam nenhuma proposta da empresa e do governo para as reivindicações da categoria que está em greve há quatro dias.  Diante do que considerara má vontade de estabelecer diálogo e ouvir as demandas da categoria e desrespeito com os metroviários de Brasília, a categoria decidiu manter o movimento paredista por tempo indeterminado.
Os metroviários iniciaram greve porque o GDF deu calote no reajuste salarial (8,9%) estabelecido em Acordo Coletivo firmado neste ano, o Metrô não aumenta as contratações, mantendo as centenas de aprovados em concurso em prolongada espera e as atuais condições precárias e de sobrecarga de trabalho, e continua com um crescente contingente de comissionados (contratados sem concurso).
O sindicato informa que está cumprindo a exigência legal de dispor empregados necessários para a operação de 30% do sistema. O Metrô , porém, por conta própria mantém o sistema fechado a maior parte do dia, oferecendo transporte apenas nos horários de pico, como forma de criar transtornos e revolta popular e pressionar a justiça contra os trabalhadores em greve.

Mais quatro categorias do funcionalismo vão à greve

Servidores da da Novacap, da Assistência Cultural e Social, do Metrô e da CEB também decidiram deflagrar greve. O motivo é o mesmo das demais 11 categorias do funcionalismo local que estão totalmente paralisadas: falta do pagamento do reajuste salarial previsto em lei ou definido em acordo coletivo, além da tentativa de retirada de benefícios históricos conquistados pelas categorias ou negligência em relação a apresentação de propostas para as reivindicações de data base das categorias.
Serviços como fiscalização de obras, desentupimento de bueiros, poda de árvores e manutenção da malha asfáltica (tapa buraco) estão suspensos com a greve dos servidores da Novacap, iniciada nessa terça-feira (3), após assembleia da categoria. Segundo o Sindser – sindicato que representa os servidores –, o movimento conta com a adesão de 80% da categoria.
Os trabalhadores exigem que o governo apresente proposta para a data base da categoria, que venceu no início de novembro, após vigência de dois anos. Até agora, o governo ofereceu à categoria apenas a assinatura de um novo Acordo Coletivo de Trabalho, sem qualquer ganho salarial ou em cláusulas sociais.
Nesta quarta-feira, às 17h, o Sindser se reúne com o GDF. Nesta quinta-feira (5), a categoria realiza nova assembleia para avaliar a reunião e a possível proposta do GDF. O encontro será às 9h30, na sede da Novacap.
Paralisação na CEB
Os servidores da CEB, que permitem a chegada da energia elétrica em todos os lares do DF, realizaram assembleia nessa terça-feira (3) e decidiram iniciar a greve por tempo indeterminado a partir da próxima segunda-feira, dia 9. Os trabalhadores estão em campanha salarial desde setembro e, de acordo com o Stiu-DF – sindicato que representa a categoria –, “a greve foi a única alternativa encontrada pela categoria diante da intransigência da direção da Companhia ao longo das negociações”. “Durante o mês de outubro, os dirigentes sindicais do Stiu-DF se reuniram com a direção da Companhia de energia de Brasília em cinco rodadas de negociação. Em todas, a empresa estatal do DF recusou as reivindicações da categoria e apresentou contraproposta com retirada de direitos e benefícios dos trabalhadores. Também negou a solicitação de ganho real e ainda se nega a pagar ao menos a reposição da inflação”, divulgou o Stiu-DF.
A proposta da CEB causa indignação. Além de reajuste zero, a Companhia quer retirar o abono e o tíquete natalino dos servidores, alterar as regras para o pagamento da Participação dos Lucros e Resultados (PLR) e o auxílio creche. Segundo o Stiu-DF, a CEB também quer acabar com a utilização dos cinco dias que os trabalhadores têm por ano de ausências justificadas. Algumas dessas conquistas, garantidos no Acordo Coletivo de Trabalho, existem desde a década de 70.
O advogado do Sindicato, Ulisses Borges, destacou que qualquer retirada de cláusula só pode acontecer em comum acordo. “Se a greve for para dissídio, a Justiça não vai retirar direitos dos trabalhadores. Para retirar qualquer cláusula do ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) tem que haver acordo entre as partes. E não é o caso”, disse.
Assistência Cultural e Social  
Em assembleia realizada nessa terça-feira (3), os servidores da Assistência Cultural e Social deflagraram greve. Segundo o Sindicato que representa a categoria, Sindsasc, 80% das atividades-fim do setor estão paralisadas.
Nesta quarta-feira (4), os servidores da Assistência Cultural e Social realizam atos contra o aumento das refeições dos Restaurantes Comunitários, uma das medidas prejudiciais à população de baixa renda anunciadas pelo governo para ajustar suas contas. As ações de protesto serão realizadas na Estrutural, Ceilândia, Planaltina, Recanto das Emas e Santa Maria.
Metrô
Os servidores do metrô, que atendem cerca de 160 mil passageiros por dia, também paralisaram as atividades nessa terça-feira (3). Os trabalhadores querem o pagamento dos reajustes salariais devidos, além da contratação de concursados no lugar de comissionados.
A greve cumpria determinação legal de manutenção de 30% do efetivo. Entretanto, o Metrô de Brasília resolveu suspender completamente o serviço, anunciando locaute (fechamento da empresa pela sua própria direção), alegando risco de segurança. a decisão foi tomada porque o TRT não aceitou pedido do Metrô para obrigar 80% da categoria a manter o transporte. O locaute durará pelo menos até a reunião de conciliação marcada para a tarde desta quarta (4) no TRT.
A categoria realiza assembleia nesta quarta-feira (4), às 20h, na Praça do Relógio, em Taguatinga.
Outras categorias
Estão em estado de greve os odontologistas do GDF, os agentes socioeducativos, os agentes penitenciários e os trabalhadores de hospitais públicos do DF (exceto os médicos e os técnicos e auxiliares em enfermagem, que estão em greve). Todas essas categorias tiveram a greve decretada ilegal pela Justiça do DF.
Realizam assembleia nesta quarta-feira (4) os professores, os agentes socioeducativos, os agentes penitenciários, os técnicos em radiologia. Na quinta-feira (5), realizam assembleia os servidores do Detran, os assistentes sociais, os servidores socioeducativos, os enfermeiros, os auxiliares e técnicos em enfermagem.

Demitidos do Tatico fazem pressão para receber verbas rescisórias

Ex-trabalhadores do supermercado Tatico realizaram assembleia nesta quarta-feira (4) e rejeitaram a proposta feita empresa para pagar parcialmente as verbas e multas rescisórias. O mercado que fechou duas instalações, uma em Santa Maria e outra no centro da Ceilândia, demitiu os trabalhadores sem aviso prévio e pagamento das verbas rescisórias. Em negociação a empresa apresentou uma proposta que foi rejeitada pelos trabalhadores. A próxima negociação acontece no dia 11 de novembro, no Ministério Público do Trabalho, onde o Sindicato dos Comerciários (Sindicom) pretende apresentar as exigências definidas pelos trabalhadores.
mail.google.comO mercado estava construído em área pública e desde 1994 a Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) cobrava a desocupação do terreno. Quando saiu de lá o mercado deixou os trabalhadores sem receber salários por dois meses e sem pagar os direitos da demissão sem justa causa.
O Tatico apresentou proposta após pressão do Sindcom e dos trabalhadores, que consiste no pagamento das verbas rescisórias em cinco parcelas, sendo a primeira em 30 dias, no dia 4 de dezembro. Comprometeu-se a pagar apenas 15 dias de aviso prévio e multa de 20% sobre o FGTS. Na proposta ainda se compromete a remanejar as gestantes e pessoas que por algum motivo possuem o direito de estabilidade.
No dia 11 de novembro, os trabalhadores apresentam uma contraproposta: pagamento de saldo de salário de 15 dias de outubro, aumento do aviso prévio para 20 dias e da multa sobre o FGTS para 30%. As cinco parcelas desagradam os trabalhadores, que pedem a diminuição para apenas três, sendo a primeira paga agora no dia 5 de novembro. Eles exigem, acima de tudo, que os valores iguais ou abaixo de R$ 2 mil sejam pagos de maneira integral.

Artigo: Toda forma de educar vale a pena

A educação acontece na sala de aula, nos corredores, nas ruas, nas assembleias, e principalmente se dá pelo exemplo de que lutar é preciso.
 

“Se você é capaz de tremer de indignação 

a cada vez que se comete uma injustiça no mundo,

então somos companheiros.”

 Che Guevara

O mês de outubro, do professor, da criança e do servidor público, fica tristemente marcado, no Distrito Federal, pelo ataque covarde e descabido do governo Rollemberg (PSB) contra professores e professoras. Arrancados de seus carros, algemados, agredidos brutalmente e presos, educadores foram expostos ao horror de um tratamento indigno para qualquer ser humano.
As cenas que deixaram a comunidade brasiliense estarrecida e os estudantes das escolas públicas chocados trouxeram, imediatamente, à memória, o horror praticado pelo governo psdbista do Paraná contra a comunidade escolar que se manifestava por ocasião da greve que durou mais de 40 dias e foi tratada com total descaso e desrespeito pelo governo de Beto Richa.
No Estado de Goiás a violência não foi física. A pressão emocional não foi em menor tempo. Ali também um governador do PSDB investe na destruição da educação pública.
Em São Paulo, administrado pelo PSDB há 20 anos, os professores tiveram suas reivindicações ignoradas durante três meses de greve. E, agora, para coroar o desprezo pela educação pública, o governador Geraldo Alckmin promove o fechamento de 94 escolas estaduais.
A voracidade pelo desmantelamento do Estado vem da década de 1990, com FHC/PSDB, na Presidência da República. A implantação do projeto neoliberal no Brasil foi marcada por retrocessos econômicos, políticos, sociais, culturais e éticos, que se refletem até hoje. Esse processo estabeleceu raízes e, apesar de um período de 12 anos de luta por uma nova organização social, com outros princípios que apontam ser possível a construção de um país mais justo, os ramos maléficos do autoritarismo neoliberal surgem em diferentes lugares, em distintos formatos. Os ataques são parecidos e as consequências terrivelmente devastadoras para todos.
Com a educação não poderia ser diferente. Afinal, direito fundante da cidadania e da consciência ética, segredo não se faz de que ela é um ato político libertador.
As marcas do conservadorismo têm sido tatuadas pelo Congresso Nacional. Principiou com o debate sobre o Plano Nacional de Educação (que se estendeu aos legislativos estaduais e municipais) quando houve o impedimento da garantia que os recursos seriam destinados exclusivamente à educação pública. A inserção do que seriam também diretrizes do PNE, as questões de gênero e orientação sexual foram extirpadas da proposta original. Esse debate ampliou seu espectro e chegou à absurda proposta de que os professores não podem tampouco falar de política em sala de aula.
Os reflexos das insanidades praticadas no parlamento brasileiro lançam seus tentáculos aos governos conservadores estaduais. Educadores e educadoras mobilizados\as por seus direitos têm sido covardemente agredidos moral e fisicamente em vários estados comandados por governadores sociais-democratas.
Em São Paulo, governado por Alckmin, a Apeoesp precisou ingressar com denúncia contra as condições de trabalho nas escolas junto ao Escritório da ONU.
Em Goiás, Marconi Perillo não deixa por menos. Organiza a terceirização\privatização da educação pública por meio da contratação de OS. O decreto prevê a contratações de trabalhadores em educação por salários até abaixo do mínimo!
Decreto parecido também foi publicado por Rollemberg no Distrito Federal, prevendo a contratação de OS para as áreas de saúde e de educação.
O ranço de FHC e o objetivo liberal de destruir a educação pública e os que a ela defendem se revigora. Claro está que os ataques não são às professoras e aos professores. O vampirismo é à educação. O capitalismo se reinventa e vê espaços na educação pública brasileira. Além de assumir inúmeras instituições educacionais, empresas internacionais produzem materiais “didáticos” em série. Caixas prontas com concepções e ideologias que interessam ao capital transnacional para que nossos cidadãos percam definitivamente o conceito de país, desvalorizem sua pátria, desprezem sua cultura. Fácil imaginar onde isso chegará em breve se não houver reação firme em defesa da educação pública de qualidade.
A destruição da dignidade em nosso país também se expressa pelo sentimento de volta ao Brasil Colônia quando constatamos os retrocessos impingidos à sociedade pelo Congresso Nacional: terceirização, alteração do conceito de trabalho escravo, redução da maioridade penal, redução da idade mínima para trabalhar, proibição da adoção de filhos por casais homoafetivos, impedimento de aborto nos casos de estupro, risco de vida para a mãe e má formação fetal, são indubitáveis indícios do retorno à barbárie.
Professoras e professores, por sua tarefa política de educar para a autonomia, para o exercício da liberdade e da cidadania, por meio de suas representações de classe, participam desses debates, se contrapondo aos retrocessos. Cumprindo seu papel de construir a mudança, o avanço dos direitos, a humanização e sensibilização de crianças e adolescentes para temas fundamentais para a sociedade brasileira, são indesejáveis aos governos conservadores. É importante combater sua organização, destruir suas reivindicações que, além de salário digno, direito previsto constitucionalmente, inserem denúncias contra o desmantelamento da educação pública, exigem escolas adequadas, educação de qualidade, condições dignas de trabalho para si e de estudo para estudantes.
A educação acontece na sala de aula, nos corredores, nas ruas, nas assembleias e, principalmente, se dá pelo exemplo de que lutar é preciso.  Não é possível compactuar com retrocessos, cortes de direitos, indignidades cometidas contra a educação, os professores, os alunos e suas famílias, a sociedade brasileira.
Certos de seu papel de incentivadores do desenvolvimento da consciência enquanto mola propulsora de mudanças, professoras e professores de Brasília lutam por seus direitos, garantidos em lei e desrespeitados pelo governador Rollemberg.  Como resposta, são afrontados em sua dignidade física e moral. Porém, o papel educativo nem nesse momento é desconsiderado. E a lição vem em forma do despertar da solidariedade. Imediatamente após os ataques, a consciência de classe aflora e outros trabalhadores percebem que a luta é de todos. Rodoviários paralisam a suas atividades em solidariedade aos professores. Servidores da administração direta manifestam sua indignação, funcionários municipais das cidades do entorno expressam seu grito de “estamos juntos”. E nova lição é resgatada. Somos todas e todos trabalhadoras e trabalhadores. E juntos, somos mais fortes.
A luta se fortalece. O sangue se transforma em energia. A indignação de uma categoria se transforma em sentimento de revolta concretizado no companheirismo de todas as categorias. A classe é trabalhadora. E a resposta aos atos de barbárie, desrespeito e desejo de destruição da educação pública vem pela lição aprendida de Paulo Freire e ensinada a todas e todos: “Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão.”
 
* Por Rosilene Correa
Diretora do Sindicato dos Professores no Distrito Federal
Diretora da CUT Brasília e da CUT Nacional

Movimentos sindical e social manifestam apoio à luta dos(as) professores(as)

Diversos sindicatos e movimentos sociais manifestaram apoio à luta dos(as) professores(as) da rede pública de ensino do Distrito Federal. No dia 28 de outubro, professores(as) e orientadores(as) educacionais, organizados e lutando pacificamente por seus direitos, foram brutalmente reprimidos pela Polícia Militar. As agressões são reflexo da política neoliberal do governador Rollemberg (PSB), que insiste em não negociar com os servidores(as) em greve e não apresenta uma solução para o impasse.
Uma das notas é assinada por oito entidades ligadas ao movimento popular e de sem terra, que repudiam a irresponsabilidade do Governo do Distrito Federal que, em plena democracia, trata os(as) professores(as) com tamanho descaso e violência pelo simples fato de buscarem melhores condições de trabalho em um setor fundamental para a sociedade: a educação. Assinam a nota: Centro de Estudos e Pesquisa Ruy Mauro Marini, Consulta Popular; Levante Popular da Juventude, Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Via Campesina Brasil.
Em outra nota, a direção da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB) lamenta a postura do GDF no tocante ao tratamento dispensado aos profissionais da educação, exatamente no dia do servidor público (28 de outubro), afirmando que educação é edificada com debate e tolerância, jamais com intransigência. A Associação ainda ressalta que democracia requer diálogo, não força.
Já o Sindicato dos Trabalhadores em Escolas Públicas no Distrito Federal (SAE), também em mensagem pública, lembra que as agressões foram praticadas no momento que o ato de protesto já havia sido finalizado, e que a atitude do governador, que reafirmou e ordenou a repressão aos professores, é merecedora de todo repúdio dos servidores públicos e da sociedade.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), por sua vez, além de manifestar sua solidariedade aos trabalhadores/as em educação do Distrito Federal, repudiou as agressões da polícia do governador Rodrigo Rollemberg, ao se manifestarem, dia 28 de outubro – Dia do Servidor Público, pela manutenção de direitos assegurados em lei.
Veja as notas:
Manifesto do SAE
Nota de apoio e solidariedade aos professores
Nota de apoio da CNTE
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