CUT e movimentos sociais defendem a democracia e reprovam política econômica

A CUT, outras centrais sindicais e as principais entidades dos movimentos sociais foram incisivas e unânimes em dois pontos durante encontro com a presidente Dilma Rousseff no evento Diálogo com os Movimentos Sociais, realizado nesta quinta-feira (13), no Palácio do Planalto. De um lado, defenderam intransigentemente as instituições democráticas contra ataques e ameaças de golpe por parte dos setores da direita derrotados nas eleições e, de outro, criticaram com firmeza a política econômica que afeta a classe trabalhadora e atinge políticas sociais.
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A presidente Dilma Roussef, em resposta, garantiu perante cerca de 1,5 mil dirigentes sindicais e de entidades dos movimentos sociais que sabe de que lado está e que “não mudou de lado”, reafirmando compromisso com os setores sociais mais necessitados. No entanto, foi tímida, na opinião dos presentes, ao responder as reivindicações dos movimentos sindical e social durante o evento.
“Esperava mais deste ato. Esperava compromissos melhores da presidenta com a pauta da classe trabalhadora. Foi a sociedade representada por este grupo que está aqui hoje que ganhou a eleição no segundo turno. Por isso, o governo precisa governar para estes movimentos que representam a sociedade. A presidente Dilma precisa governar com aquele programa apresentado na campanha eleitoral e não com essa pauta econômica conservadora que está colocada”, avalia o secretário de Organização da CUT Nacional, Jacy Afonso, traduzindo o sentimento da maioria da plateia, ao final do encontro.
Em praticamente todas as falas de representantes de centrais sindicais, movimento estudantil, representações de mulheres pescadoras, líderes de trabalhadores sem teto e sem terra, defensores da comunicação democrática e tantas outras organizações, foi ratificada a insatisfação com as medidas de ajuste fiscal implementadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Entre outras questões, ao reorganizar os cofres públicos, essa política é criticada por ser recessiva e encurtar, por exemplo, a verba da educação. Além disso, o Executivo federal também foi o propositor de medidas prejudiciais à classe trabalhadora com mudanças no seguro-desemprego e na aposentadoria.
“O que nós precisamos é de reforma para o povo, com o povo. A agenda para o Brasil inclui uma política econômica progressiva, diminuindo juros, fortalecendo o mercado interno, fazendo a reforma tributária, taxando grandes fortunas; e não com práticas econômicas trazidas pelo FMI”, discursou o presidente da CUT Nacional, Vagner Freitas. Para ele, “a pauta dos trabalhadores precisa andar de forma mais consistente”.
“Se é para ajustar, que se ajuste em cima daqueles que sempre enriqueceram à custa do povo”, avaliou Bruno Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Teto – MTST. “A saída da crise é ter mais investimento na educação”, disse a presidente da União Nacional dos Estudantes – UNE, Carina Vitral, para repudiar o corte orçamentário da educação.
Após fazer um levantamento positivo do governo, ressaltando a criação de moradia popular, o programa Mais Médicos e avanços na educação, a presidente Dilma Rousseff insistiu na necessidade de ajustes no orçamento brasileiro. “Temos que fazer economia sim. Não dá para sair gastando como gastamos quando tínhamos mais dinheiro”, falou. A presidente disse que “estamos entrando em uma travessia, mas sem retrocesso nas políticas sociais”.
Dilma também reafirmou sua posição contrária às medidas conservadoras aprovadas no Congresso, como a redução da maioridade penal, à coibição e à criminalização de manifestações. No encerramento de seu discurso, a presidenta, de forma incisiva, negou veementemente qualquer intenção de ir, propositalmente, contra os anseios da sociedade. “Eu sei de que lado estou. Nessa vida eu mudei muito, alguns podem falar que eu melhorei, outros que eu piorei. Agora uma coisa eu não aceito: dizer que eu mudei de lado”, finalizou.
Em defesa da democracia
Em uníssono, durante discursos de dirigentes, as centenas de representantes dos movimentos social e sindical repetiram diversas vezes no Palácio do Planalto: “Não vai ter golpe”.
Vagner Freitas, presidente da CUT, a 4ª maior central sindical do mundo, enfatizou: “Somos todos construtores da democracia….Temos um exército que vai enfrentar, nas ruas, essa elite golpista. Iremos para as ruas com armas nas mãos se tentarem derrubar Dilma”. Esse trecho foi usado nas redes sociais pelos setores da direita conservadora, com base numa interpretação equivocada de que a Central estaria incitando à violência. Por isso, o dirigente da CUT emitiu nota pública posteriormente esclarecendo que a Central “não pratica nem incita à violência. Muito pelo contrário, temos feito vários alertas contra a onda de ódio e intolerância que veem sendo diariamente estimuladas nos últimos meses pelos opositores do governo”. E acrescentou: “Nossas armas, todos sabem, são o poder de convencimento, a organização, a formação política, a mobilização, o debate de ideias, a ocupação dos espaços, seja as ruas, sejam os locais de trabalho, a greve geral, essa sim a nossa maior arma.”
O secretário de Organização da CUT Nacional, Jacy Afonso, ao final do Diálogo com os Movimentos Sociais, comentou que o fato de ser contrário à política econômica implantada no Brasil, a Central utilizará da sua representatividade para preservar a democracia brasileira, que vem tentando ser desconstruída por setores ligados à direita através de propostas como o impeachment da presidente Dilma.
“Independentemente da nossa discordância da política econômica, defendemos a democracia. Reafirmamos, diante da tentativa de fascistas, das ideias retrógradas e golpistas, que respeite o resultado das eleições”, declara Jacy Afonso.
Pela tolerância
dilma3A presidente Dilma Rousseff criticou os lamentáveis comentários homofóbicos, sexistas, xenófobos, além de agressões física e verbal protagonizados pelos que não admitem a condição de um Brasil justo e igualitário. Para ela, esta não é uma característica da maior parte do povo brasileiro, mas de uma minoria, que retém a maior parte da riqueza do país. “A dificuldade de compreender as diferenças sempre foi da elite”, afirmou.
“Temos que zelar pelo respeito às pessoas que pensam diferente da gente. Ninguém pode chamar de diálogo o xingamento, a intolerância; colocar bomba seja lá onde for”, apelou Dilma.
Manutenção do monopólio midiático
Apesar de a mídia ser a maior propulsora da intolerância interpessoal, a presidente Dilma Rousseff não inseriu em seu discurso a regulação dos meios de comunicação, que leva à democratização deste setor.
Para a coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC e dirigente da CUT, Rosane Bertotti, a democratização da comunicação é espaço estratégico para a consolidação da democracia. “A fala da Dilma foi forte, importante, em defesa da liberdade e em defesa da democracia. Entretanto, na minha opinião, ela ainda não tem decisão política quanto à questão da democratização da comunicação. Ela não encontrou uma proposta para colocar este tema em debate. Pode até julgar o tema importante, mas, até o presente momento, não há clareza sobre isso”, avaliou. Para a dirigente sindical, não democratizar os meios de comunicação é “ter uma perna da democracia bamba”.

Nota do presidente da CUT sobre a repercussão de sua fala durante evento no Palácio do Planalto

Em discurso nesta quinta-feira, 13, no Palácio do Planalto, durante o evento “Diálogo com os Movimentos Sociais”, falei que “somos todos construtores da democracia”, alertei contra a onda de intolerância e a agenda de retrocesso e falei, também, em “ir para as ruas com armas nas mãos se tentarem derrubar Dilma”.
A frase mais destacada da minha fala de quase oito minutos foi justamente a que citava as armas. Foi entendida como um chamado à violência, ao uso de armas de fogo. Qualquer sindicalista sabe que quando nos referimos a usar “todas as armas que forem necessárias”, estamos nos referindo às armas da democracia, que é a luta por direitos, a mobilização organizada, democrática, com respeito às diferenças.
A CUT não pratica nem incita à violência. Muito pelo contrário, temos feito vários alertas contra a onda de ódio e intolerância que veem sendo diariamente estimuladas nos últimos meses pelos opositores do governo.
Nossas armas, todos sabem, são o poder de convencimento, a organização, a formação política, a mobilização, o debate de ideias, a ocupação dos espaços, seja as ruas, sejam os locais de trabalho, a greve geral, essa sim a nossa maior arma.
É absolutamente comum a maioria das pessoas usarem de retórica quando fazem discursos para enfatizar uma situação, em especial em momentos como este que estamos vivendo de crise política que afeta toda a sociedade sofre as consequências.
E, para encerrar, gostaria de lembrar aos que tentam criminalizar minha fala que, historicamente, os trabalhadores não empunham armas de fogo, eles são, na verdade, as grandes vítimas deste tipo de violência. Não é essa a prática nem a realidade da CUT. Nosso caminho sempre foi o diálogo para resolução de conflitos. Não é isso que queremos para o Brasil. Estamos sempre prontos para o debate, a negociação e a busca de acordos que garantam os direitos da classe trabalhadora. Esse é o nosso papel.
 

VAGNER FREITAS

Presidente Nacional da CUT

Dilma ataca violência e se compromete com Margaridas

Na conclusão das atividades da 5ª Marcha das Margaridas, a presidenta Dilma Rousseff reafirmou sua parceria com o movimento e entregou respostas às reivindicações das mais de 70 mil trabalhadoras e trabalhadores que marcharam na Esplanada dos Ministérios na manhã desta quarta-feira (12). Mais do que responder à pauta das Margaridas, a mulher que teve a juventude marcada pela luta contra as mordaças da ditadura, compartilhou com as militantes feministas a disposição ao enfrentamento das dificuldades, uma clara resposta aos ataques golpistas da direita. Parafraseando uma música do cantor Lenine, a presidente declarou: “Sou que nem as Margaridas: envergo, mas não quebro”.
Às 16h, o estádio Mané Garrincha excepcionalmente feminino, decorado com centenas de faixas e cartazes, recebeu a presidenta Dilma, que chegou à celebração ao lado da secretária de mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura – Contag, Alessandra Lunas.
Em resposta às revindicações que as trabalhadoras enviaram ao governo federal no início do mês de julho, a presidenta Dilma Rousseff entregou aos coordenadores da Marcha um caderno que apresenta diversas medidas a serem tomadas pelo governo que convergem com as pautas das Margaridas. O documento foi elaborado por Dilma e seus ministros, a partir do estudo da carta que listava os pleitos do movimento.
O principal consenso, destacado pela presidenta, entre os objetivos de seu governo e a pauta da Marcha, é a tolerância zero à violência contra a mulher. Para estender mecanismos de segurança às mulheres do campo, Dilma afirmou que vai implementar Patrulhas Rurais Maria da Penha, com unidades móveis de atendimento às mulheres do campo sujeitas à violência.
Além da proteção à integridade física e moral da mulher rural, a presidente citou medidas que vão ampliar o acesso à saúde de toda população do campo, bem como favorecerão os meios de produção. Dilma prometeu que até o fim de seu mandato, todas as pessoas acampadas do país terão o registro de suas terras.
A questão da saúde no campo também foi mencionada pela presidenta, que garantiu uma Política Nacional para a população rural e uma mobilização para intensificar o atendimento integral à saúde das mulheres, inclusive ginecológica e bucal. De acordo com Dilma Rousseff, até o fim de seu mandato serão disponibilizadas 109 unidades odontológicas móveis para atender a esta população.
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Militância eternizada
Dilma saudou as Margaridas de várias partes do país e afirmou que as mulheres honram a luta de Margarida Alves, brutalmente assassinada por sua participação política e sindical no meio rural. Em seu discurso, a presidenta lamentou a morte de Maria Pureza, de Sergipe, e Maria Alzemira, do Piauí, duas trabalhadoras rurais que faleceram durante o evento da Marcha das Margaridas.
A inspiradora da Marcha das Margaridas também foi lembrada pela secretária de mulheres da Contag, Alessandra Lunas. “O latifúndio assassinou Margarida Alves, mas não sabia que ela era semente e que se multiplicaria em cada uma de nós”, disse. A ideia reforçou o depoimento da ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal, Eleonora Menicucci, que lembrou o histórico de resistência da líder sindical, a qual teve a oportunidade de conhecer na Paraíba.
Chamada pelas militantes de “Margarida do coração valente”, a presidenta Dilma Rousseff classificou a ocasião como um “feliz reencontro” e elogiou a unidade e a capacidade de mobilização das mulheres.
“Na música, vocês dizem: ‘olha, Brasília está florida. Estão chegando as decididas’ e eu não encontro uma palavra melhor para definir as Margaridas. Vocês são mulheres decididas a batalhar juntas por uma vida melhor, decididas a avançar na conquista de direitos e na luta contra os retrocessos. Decididas a ser cada dia mais fortes, autônomas e felizes”, discursou Dilma.
Demandas já atendidas
Durante o encerramento da V Marcha das Margaridas, a ministra Eleonora Menicucci relembrou algumas conquistas das mulheres do campo e mostrou em números a forma como essas políticas contribuem para o empoderamento e a emancipação feminina.
“Hoje, as mulheres são titulares de 93% dos cartões Bolsa Família – uma política que retirou o Brasil do mapa da fome. Também são donas de 89% das moradias cedidas pelo programa Minha Casa, Minha Vida e responsáveis por 58% das matrículas no Pronatec”, informou Menicucci.
Para a presidenta Dilma, o crédito de avanços em políticas para as mulheres é das Margaridas. “Nós alcançamos conquistas como a Política Nacional de Agroecologia porque vocês, Margaridas, lideraram essa luta. Se temos políticas de empoderamento e autonomia para as mulheres do campo e da cidade, é porque vocês nos entregaram essa demanda”, afirmou a presidenta.
Até que todas sejamos livres
Durante o discurso da secretária de Mulheres da Contag, Alessandra Lunas, foi entoado um forte “Fora Cunha” (referência ao presidente da Câmara dos Deputados) pelas trabalhadoras e pelos trabalhadores presentes, que remontou à importância de barrar qualquer tentativa de golpe e de ataque à democracia do Brasil. “Não ao retrocesso nos direitos da classe trabalhadora”, completou a dirigente, reforçando o grito (“Não vai ter golpe”) que já havia tomado o estádio.
Para a sindicalista, as maiores conquistas do movimento que dão vida à Marcha das Margaridas são a força e a ousadia daqueles que dela participam, em busca de justiça e igualdade.
“Continuarei trabalhando incansavelmente para honrar e realizar os sonhos que vocês depositam em mim e no meu governo”, finalizou a presidente da República, Dilma Rousseff, incentivando a luta das Margaridas, que segue “até que todas sejamos livres”.

Servidores protestam nesta quinta (13) no Buriti contra calotes do GDF

Os sindicatos de trabalhadores em educação, SAE e Sinpro, convocam os trabalhadores do serviço público do Distrito Federal para um ato público nesta quinta (13), com o objetivo de cobrar do GDF os acertos financeiros de direito dos servidores. A compactação de turnos de aulas no período matutino deverá ser realizada para a categoria participar da manifestação, que começa às 14h, na Praça do Buriti.
A ação é um protesto dos servidores da educação contra o atraso (mais de 100 dias) no reajuste do auxílio alimentação, do auxílio saúde, a suspensão do pagamento da pecúnia da licença-prêmio de recém-aposentados e pessoas em processo de aposentadoria e contra a centralização das perícias médicas.
No ato, também será cobrado posicionamento do Governo sobre várias outras pendências para com as categorias, que têm motivado outras diversas manifestações dos trabalhadores na capital.

Marcha das Margaridas 2015: “Eu envergo, mas não quebro”, diz Dilma

“Mulheres decididas a batalhar juntas por um mundo melhor. Decididas a avançar nos direitos. Decididas a repudiar a injustiça à aqueles que menosprezam as mulheres. Decididas a lutar por mais autonomia e contra qualquer opressão. Decididas a reafirmar o poder das Margaridas de construir nossas histórias.
Vocês inspiram eu e todas as mulheres do Brasil”, afirmou a presidenta da Rrepública, Dilma Rousseff, no ato político do encerramento da Marcha das Margaridas 2015, no estádio Mané Garrincha, em Brasília.
Para Dilma o termo “mulheres decididas”, da música oficial da Marcha das Margaridas, é a melhor definição das mulheres que marcham.
“Dilma guerreira da Pátria brasileira”, gritavam as mais de 30 mil mulheres, de todo o Brasil e de representações de 15 países, no ato de encerramento da Marcha, nesta quarta-feira (12).
Com a coordenação da Confederação dos Trabalhadores da Agricultura (CONTAG), a maior manifestação de mulheres do mundo recebeu ministras e ministros de Estado, representantes das entidades parceiras do evento, entre elas a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e movimentos feministas parceiros, do campo e da cidade.
O encerramento da atividade foi marcado de muita energia das mulheres e homens que vieram de todos os cantos do Brasil, ficaram acampadas no Estádio, fizeram as próprias alimentações e participaram da grande Marcha até a esplanada dos Ministérios.

Ao som de “Fora Cunha”, a coordenadora geral da 5 Marcha das Margaridas e secretárias de mulheres rurais da CONTAG, Alessandra Lunas, destacou que as mulheres do campo, das águas e das florestas não admitirão retrocessos, como a redução da maioridade penal e o Projeto de Lei do Senado (PLS) 131, que regulariza a terceirização em todas as atividades. “Nós vamos às ruas defender a democracia e não aceitaremos que nos tirem direitos”, destacou Alessandra.
Dilma lembrou de todas conquistas das mulheres desde a última marcha, que aconteceu em 2011, no seu primeiro governo. E disse que para construir políticas públicas com direitos e igualdades o diálogo é fundamental.
“Foi a demanda de vocês que eu tive a honra de transformar em políticas do meu governo, como as 54 unidades movéis em todos os Estados, próximos as mulheres, para enfrentar a violência”, citou a primeira mulher presidenta da República.
A Lei Maria da Penha, que completou 9 anos este mês, que tornou crime qualquer violência contra as mulheres e o Feminicídio, endurece penas dos homicídios de mulheres decorrente de violência doméstica ou de discriminação de gênero também foram conquistas da Marcha das Margaridas.
“Intolerância zero com a violência contra as mulheres”, disse a presidenta ao anunciar que o governo irá implementar as patrulhas rurais Maria da Penha, reforçando a segurança para vítimas de violência, garantindo um assistência mais próxima.
E a formação das mulheres rurais, pelo Programa Nacional ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) de mais de 10 mil promotoras legais, com o objetivo de combater a violência contra as mulheres do campo. “Nós devemos cuidar, e muito, que o combate a violência seja igual em todas as regiões do país”, afirmou a presidenta.
“Seguirei trabalhando para as conquistas dos sonhos de vocês. É uma garantia que faz parte da razão do meu governo. Não permitiremos que haja retrocesso”, garantiu Dilma.
A presidenta também recebeu das mãos da coordenadora da Marcha, Alessandra, o caderno de pautas para o governo federal e Dilma entregou nas mãos da Alessandra um caderno de resposta de cada item de reivindicação das Margaridas.
Dilma também prestou homenagens às duas trabalhadoras Margaridas que morreram durante a Marcha das Margaridas 2015, Maria Auzemira, do Piauí e Maria Tereza, de Sergipe. Faleceram de Infarto e AVC, respectivamente.
A Marcha das Margaridas teve o nome inspirado na líder sindical paraibana, Margarida Maria Alves, que defendia os direitos humanos e a classe trabalhadora, que foi assassinada em há 32 anos.
A 5º edição da Marcha num momento delicado da história política brasileira, no qual tentam descontruir conquistas das trabalhadoras e dos trabalhadores, tentam, a qualquer custo, impedir que a Presidenta Dilma governe e falam em até da volta da ditadura.
Dilma encerrou sua fala citando uma música do cantor Lenine. “Os bons momentos da vida, e nos maus tempos da lida. Eu envergo, mas não quebro”, recitou a presidenta. “Sou que nem as Margaridas, envergo mas não quebro”, finalizou a Presidenta da República.

Todas e todos à Marcha das Margaridas

A Central Única dos Trabalhadores convida todas as trabalhadoras e também os trabalhadores de Brasília para unirem forças na Marcha das Margaridas de 2015. Vamos protestar contra as violências causadas pelo machismo, pelo conservadorismo e pelo patriarcado. Nesta terça, dia 11 de agosto, nosso encontro é no Estádio Nacional Mané Garrincha, onde chegam caravanas de todo o país para a abertura da Marcha. Às 7h do dia 12, nesta quarta, cem mil pessoas de todo o país marcharão até o Palácio do Planalto.
Na conjuntura política atual, personagens e grupos reacionários, que desrespeitam e atacam os direitos, têm ameaçado as minorias e as mulheres, usando inclusive a religião como ferramenta para legitimar o discurso de ódio. Para evitar o avanço do conservadorismo, precisamos aumentar o diálogo e a unidade entre os movimentos sociais que combatem qualquer tipo de desigualdade. É necessário avançar também na formação política das mulheres e na nossa mobilização para promover um Brasil sem discriminação e defender avanços e a democracia.
Vamos juntar toda nossa esperança, nossa vontade de mudar o Brasil e mostrar à sociedade a que viemos e por que lutamos! A sua presença é extremamente importante. Cada uma e cada um representam as vozes das mulheres caladas, reprimidas e mortas pelo abuso moral e sexual, pela segregação, pela desigualdade salarial e de oportunidades em todos os campos.
Folheto sobre Marcha das Margaridas
Programação completa da Marcha das Margaridas
Local: Estádio Mané Garrincha
11 de agosto- terça-feira
8h às 12h – Chegada das delegações e credenciamento
14h – Conferência, Painéis Temáticos e Espaços Interativos
19h – Abertura oficial da 5ª Marcha das Margaridas
21h – Noite Cultural e Esportiva
12 de agosto – quarta-feira
7h – Concentração em frente ao Estádio
7h às 12h – Marcha pela Esplanada dos Ministérios
15h – Resposta do Governo Federal à Pauta da 5ª Marcha das Margaridas no Estádio

Com Lula, Margaridas rechaçam ataques da direita

Depois de dividir beijos, abraços e “selfies” com quem conseguiu furar a barreira da segurança, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao palco do ato oficial de abertura da V Marcha das Margaridas, na noite desta terça-feira (11), e repudiou veementemente os ataques desmedidos que vêm sendo feitos pela direita ao governo Dilma e à democracia brasileira. Na contramão do que tenta perpetuar a mídia comercial diariamente, cerca de 70 mil mulheres e homens, vindos de todos os cantos do país, que participaram do ato apoiaram com euforia a fala do ex-presidente contra a falsa ideia de que o Brasil passa por uma crise multissetorial sem saída.
019208ea108c6db121b2ce8d40d5fc6aA figura emblemática de Lula, que há cinco anos não ocupa a principal cadeira do Executivo Federal, ainda se associa a melhores condições de vida para o povo pobre e com oportunidades limitadas, como o que ocupa o estádio Mané Garrincha desde as primeiras horas desta terça-feira (11). Disputando espaço em frente ao palco para conseguir tirar a melhor foto do operário que virou presidente, mulheres e homens jogavam seus crachás em direção a Lula para que ele escrevesse seu nome e marcasse para sempre suas vidas com apenas uma assinatura e algumas palavras de carinho.
Durante o discurso, Lula foi categórico ao relembrar o salto no crescimento da qualidade de vida dos brasileiros nos últimos 12 anos e afirmou que o povo está nas ruas porque “aprendeu a gostar do que é bom”. “O país aprendeu a comer filé e não quer voltar a comer bucho”, metaforizou. Ele ainda reforçou que essa luta deve ser contínua e progressiva. “Quanto mais a gente conquista, mais a gente quer. E quanto mais a gente quer, mais a gente conquista. E o que não for conquistado hoje, será conquistado amanhã. E conquistando no amanhã, uma nova pauta deve ser feita”, discursou.
Apesar da análise positiva quanto aos últimos quatro mandatos presidenciais, Lula confessou que ainda há várias pautas a se avançar no Brasil, como, por exemplo, o veto à redução da maioridade penal. “Que poder tem o Estado de punir um moleque de 16 anos se esse mesmo Estado não cumpriu com a obrigação deste jovem? Cadê a educação deste jovem?”, questionou.
Quanto à crise econômica do Brasil, Lula avaliou que este não é um problema criado por nenhum personagem brasileiro. “Nós vivemos o momento mais extraordinário do nosso país. Nós vivemos algumas dificuldades, que não é uma dificuldade só da presidenta Dilma, não é uma dificuldade de nenhum de vocês individualmente. É daquele tipo de dificuldade que a gente não sabe quem foi que criou. A única coisa que nós sabemos é que não foi o trabalhador que criou a crise econômica mundial. A crise nasceu no coração dos Estados Unidos, no coração da Europa. E hoje ainda há muita gente pagando por essa crise. Eu sei que existem pessoas que tentam jogar a responsabilidade em cima da companheira Dilma, mas essas mesmas pessoas que se apresentam como se tivessem soluções para os problemas do mundo, se esqueceram de que quando eu cheguei à presidência da República, este país estava quebrado”, contextualizou.
Como gancho, o ex-presidente Lula apostou na força do povo como principal arma para combater as tentativas de impeachment contra a presidente Dilma. “Tenho certeza de que com a força do povo, com a coragem e com a garra das mulheres não há ninguém que possa, sequer, tentar ameaçar o processo de construção democrática que está em curso”, refletiu. Para reforçar o time, ele se autoescalou para ir a campo. “Estou preparando meu caminho para voltar a viajar por este país para conversar com o povo”, anunciou Lula.
Promessa de Reforma Agrária
Uma das maiores críticas dos trabalhadores rurais ao governo Dilma é a falta de empenho da presidente em implementar a Reforma Agrária no Brasil. Recentemente, movimentos dos trabalhadores sem terra como o MST e of7aaee44368c4c0e208a409d6dc4dc05centerFNL ocuparam a sede do Incra e do Ministério da Fazenda para demonstrar indignação quanto à falta de vontade política para assentar milhares de famílias que moram debaixo de lonas em locais com condições subumanas.
Como resposta ao vácuo político, o ministro do Desenvolvimento Agrário – MDA, Patrus Ananias, afirmou que a questão será agilizada. “Nós temos o compromisso e queremos reafirmá-lo, que é assentar, em condições dignas, até o final do governo da presidenta Dilma, todas as famílias acampadas hoje no território nacional”, afirmou.
Há ainda um outro compromisso do governo federal ligado aos trabalhadores do campo, segundo Patrus Ananias. “É um compromisso para que os espaços da agricultura familiar, os assentamentos, os esforços do crédito fundiário se tornem espaços de vida. Queremos levar para as nossas agricultoras e agricultores familiares as políticas públicas que tornem a vida digna e decente”, discursou.
Trabalhadoras não admitem retrocesso
Apesar de todo o apoio das Margaridas ao presidente Lula e à presidente Dilma, há evidente consenso entre as trabalhadoras o repúdio à política de ajuste fiscal implementada pelo governo federal através do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que implementa medidas que representam retrocesso aos direitos garantidos pela classe trabalhadora.
“Se tiver que fazer corte, que isso não impacte na vida do trabalhador brasileiro. Este é um recado ao ministro Levy, presidente Lula”, disse a secretária de Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alessandra Lunas.
A dirigente ainda apontou outras questões latentes na sociedade que indicam prejuízo ao povo e à democracia, como a violência contra as mulheres e a ausência de políticas de proteção à mulher em estados e municípios; o projeto de lei antiterrorismo, do Executivo federal, que, na verdade, objetiva criminalizar os movimentos sociais; a concentração dos meios de comunicação e a falta da regulação da mídia.
A vice-presidente da CUT Nacional, Carmen Foro, lembrou que a pauta das margaridas completa 15 anos em defesa de igualdade e democracia. “Sem democracia não há direito, não há igualdade, não há o fim do machismo, não podemos enfrentar quem tenta calar nossas vozes. Temos consciência do que acontece no Brasil e não permitiremos retrocesso a nenhum direito da classe trabalhadora”, declarou.
“Estamos aqui para dizer que, depois de tanto tempo de invisibilidade, transformamos a Marcha das Margaridas na maior organização de mulheres da América Latina”, ressaltou Carmem Foro. Ela saudou as mulheres CUTtistas que se somaram à Marcha e informou que cerca de 50% das componentes do movimento são ligadas à Central.
Nesta manhã de quarta-feira (12), as cerca de 70 mil Margaridas de todo o Brasil estão em Marcha do estádio Mané Garrincha até o Congresso Nacional, ocupando como um mar lilás de coragem e dignidade a Esplanada dos Ministérios.

TV Comunitária comemora 18 anos de resistência nesta quinta (13)

Símbolo da luta pela democratização da comunicação, a TV Comunitária comemora 18 anos de resistência na próxima quinta-feira (13), ocasião na qual serão realizados shows com artistas locais e microfones abertos para falações políticas na atual sede da TV, localizada na quadra 3 do Setor Gráfico de Brasília. O evento contará com transmissão ao vivo e será realizado no calçadão cultural da TV Comunitária, das 19 às 23h.
“No ano de 1997, logo após a aprovação da Lei do Cabo (8977/95), 27 entidades se reuniam em prol da criação de uma TV Comunitária, que teria liberdade de conteúdo e programação diferenciada, abordando temas ditos ‘proibidos’ pela TV comercial. No dia 13 de agosto, foi realizada a primeira exibição da TV, que àquela época possuía apenas duas horas de programação por dia”, lembra o diretor presidente da TV Comunitária, Carlos Alberto de Almeida.
tv6Para conseguir a liberdade de programação, a TV Comunitária não abriga publicidade e sobrevive graças às parcerias, tanto no movimento sindical quanto em outros movimentos sociais. Possuem programas na TV os sindicatos dos Bancários (Seeb), dos Professores (Sinpro) e dos Urbanitários (Stiu) do DF, sendo que cada um deles produz programas semanalmente que são reprisados ao longo dos dias. A Telesul exibe parte de sua programação na TV Comunitária, em uma parceria que há 10 anos promove integração dos povos da América Latina, rompendo o monopólio de notícias que gira em torno do eixo Europa- Estados Unidos.
“Consideramos uma feliz coincidência o fato da inauguração da TV ter acontecido na data do aniversário do líder revolucionário cubano Fidel Castro. Pensamos que, assim como ele, somos parte da luta pela liberdade e pela integração dos povos da América Latina”, destaca Carlos Alberto.
Para a vice-presidenta da TV Comunitária, dirigente CUTista e do Sindicato dos Professores, Rosilene Corrêa, a programação da Telesul é um dos destaques da TV. “A quebra desse ciclo da mídia capitalista, que mostra o mundo dos donos do mundo é muito importante politicamente, e os documentários e noticiários que a Telesul exibe na TV Comunitária mostram esse outro lado, esse contraponto”, analisa a professora Rosilene.
Ferramenta de luta
Para a dirigente sindical, o espaço da TV Comunitária é uma ferramenta de luta da classe trabalhadora, tendo em vista que a mídia brasileira é dominada por oligopólios que possuem interesses empresariais e imperialistas, contrários às pautas dos trabalhadores.
“Um dos grandes desafios para viver uma democracia plena é a democratização dos meios de comunicação. O nosso atual modelo de comunicação é um dos mais absurdos e unilaterais que existem, anda na contramão, não está de acordo com o país que nós temos. A TV Comunitária vem sobrevivendo e resistindo a tudo isso”, explica Rosilene Corrêa.
tv2A opinião de Rosilene é compartilhada pelo presidente do presidente do Sindicato dos Bancários, Eduardo Araújo. “A TV comunitária é um espaço democrático, onde o movimento sindical tem a oportunidade de atingir a sociedade e debater temas pertinentes à classe trabalhadora sem nenhuma restrição de conteúdo. É de fato um contraponto às TVs convencionais”, afirma o sindicalista.
O presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, parabeniza os profissionais e militantes que se dedicaram nesses 18 anos à construção e consolidação da TV Comunitária, uma “iniciativa que procura dar vez e voz aos setores populares”. Ele aponta a necessidade de valorizar espaços como este do trabalhador: “A comunicação é um dos pilares do fortalecimento da luta sindical, e mais, da busca da justiça social e da democracia. Hoje, a TV Comunitária significa uma boa oportunidade de nos dirigirmos à sociedade e rompermos com as mordaças que os grandes meios de comunicação impõem aos trabalhadores. É preciso fortalacer e expandir os espaços dos trabalhadores”, ressalta.
Independência de conteúdo
Uma das bandeiras de luta da TV Comunitária é a criação de uma TV pública no DF, a ser concedida pelo Ministério das Comunicações, via Canal da Cidadania, previsto no artigo 13 do Decreto n° 5820/2006 que criou o Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre SBTVD-T.
“Da mesma forma que o governo federal e o governo local usam a verba de publicidade em outros veículos, como a TV Globo e o Correio Brasiliense, eles poderiam ter o entendimento de que a TV Comunitária necessita de verba e presta um serviço muito importante à população. É lá que temos liberdade de roteiro, produção, enfim. Apesar de ser tudo muito simples, é naquele espaço que podemos trabalhar o que queremos, mostrar o que deve ser mostrado”, reflete a vice presidenta da TV Comunitária e dirigente do Sinpro, Rosilene Corrêa.
Para Rosilene, a parceria do Sindicato dos Professores e da TV Comunitária tem dado muito certo. “Muita gente fica desanimada em investir na TV porque não tem audiência, mas isso gera um ciclo vicioso: se não investe, como terá audiência? Por isso, convido as outras entidades e movimentos sociais a conhecerem o trabalho da TV Comunitária e se associarem. É uma contribuição irrisória, mas que faz toda a diferença para a TV”, explica a sindicalista.
Parcerias sindicais
Atualmente, a TV Sinpro possui programas semanais, onde é realizado um bate-papo com dirigentes da CUT, da CNTE e de outras entidades sindicais para debater temas inerentes à categoria e toda a classe trabalhadora.
“A nossa ideia é mostrar uma programação mais diversificada, mas no atual momento acabamos sendo pautados pelo que está acontecendo. Apesar disso, ainda abrigamos em nossa programação temas mais gerais, lançamentos de livros, professores que têm um projeto interessante”, explica Rosilene Corrêa.
A parceria entre TV Comunitária e Sinpro abriga ainda a Escola de Mídia Comunitária, onde professores vão até escolas públicas e colocam os estudantes em contato com os meios de comunicação. Por apresentar resultados positivos, a diretoria da TV afirma que tem interesse em ampliar o projeto.
A TV Bancários segue a mesma linha, com programas que analisam conjuntura política e social e falam sobre a realidade da categoria. “Mostramos o bancário como uma categoria de luta, e não como um empregado no banco. Noticiamos nossos avanços e desafios políticos, além de temas gerais de interesse de toda classe trabalhadora”, explica o presidente do Sindicato dos Bancários.
tv4Segundo a diretora de formação do Stiu, Fabíola Latino, ser um veículo aberto, longe das mãos da grande mídia, é a razão do diferencial da TV Comunitária, cuja principal característica é “discutir com a sociedade temas diversos de acordo com uma realidade mais palpável”, como sintetiza a urbanitária.
A dirigente destaca que a parceria de um ano entre a TV e o Stiu foi muito positiva para dar visibilidade à categoria. “Neste período, conseguimos colocar assuntos muito relevantes em destaque, foi um grande suporte”. Segundo Fabíola Latino, a produção sindical na TV Comunitária também permitiu uma grande troca e fortalecimento na divulgação do material sobre o Stiu.
Desafios
Atualmente, a transmissão da TV Comunitária é pela Net, no canal 12, ou pelo endereço http://www.tvcomunitariadf.com/#!tv-ao-vivo/c1j8k. Para o diretor presidente da TV, isso é um desafio a ser superado. “Queremos migrar para o sinal aberto. Apesar de hoje em dia mais pessoas terem acesso à TV a cabo, o fato de estarmos restritos a ela, reduz o nosso alcance” , explica Carlos Alberto Almeida.
No ano de 2014, a luta da TV Comunitária foi reconhecida pela CUT Brasília, com o 1° Prêmio Luís Gushiken de Jornalismo Sindical e Popular.
“São 18 anos nadando contra a corrente, falando sobre os temas proibidos na TV convencional, mostrando os artistas desprezados pela grande mídia. A pesar das dificuldades, seguimos adiante pois acreditamos na nossa liberdade, na nossa linha editorial e na construção de uma sociedade justa e igualitária”, conclui o diretor presidente da TV Comunitária.
Programação de 11 a 13 de agosto
Dia 11 – Terça-feira
13h – TV Urbanitários Com: Rodrigo Brito Diretor CUT/DF
17h – TV Sinpro Com a Jornalista Paula Nogueira ao Vivo (fixo) 17h30 – Clip sons da cidade com Martinália + TV Urbanitários Com: Rodrigo Britto Presidente CUT/DF
22h30 – TV SINPRO Com Francisco Raimundo, diretor da secretaria para Assuntos dos Aposentados do SINPRO-DF. TEMA: “Professores aposentados e em processo de aposentadoria que não receberam o acerto financeiro”.
23h – TV Bancários Com a Psicóloga do Sindicato dos bancários, Fernanda Duarte (fixo)
Dia 12 – Quarta-feira
8h – TV Urbanitários Com: Rodrigo Britto Presidente CUT/DF
13h – TV Bancários Com a Psicóloga do Sindicato dos bancários, Fernanda Duarte. (fixo)
14h30 – TV SINPRO Com Francisco Raimundo, diretor da secretaria para Assuntos dos Aposentados do SINPRO-DF. TEMA: “Professores aposentados e em processo de aposentadoria que não receberam o acerto financeiro”.
Dia 13 – Quinta-feira
8h30- TV SINPRO Com Francisco Raimundo, diretor da secretaria para Assuntos dos Aposentados do SINPRO-DF. TEMA: “Professores aposentados e em processo de aposentadoria que não receberam o acerto financeiro”.
18h – TV Bancários Com a Psicóloga do Sindicato dos bancários, Fernanda Duarte. (fixo)
21h30 – TV Urbanitários Com: Rodrigo Britto Presidente CUT/DF

Violência contra a mulher no campo segue impune

A violência contra a mulher deixou de ser questão de foro íntimo desde que se tornou tema de políticas públicas criadas para enfrentar o problema.
Porém, como destacaram as lideranças de movimentos sindical e sociais em seminários durante a Marcha das Margaridas no estádio Mané Garrincha (DF), nesta terça-feira (11), o problema segue grave no Brasil, especialmente no campo.
Primeiro, destacaram dirigentes como a vice-presidente da CUT, Carmen Foro, porque as agressões não podem ser separadas do modelo machista, patriarcal e capitalista que rege a sociedade. Segundo, porque muitas dessas políticas emperram nos estados e municípios.
O assédio moral e sexual está presente, inclusive, em espaços onde o debate sobre a questão se desenvolve.
“Em 2008, realizamos pesquisa no movimento sindical brasileiro do campo e também constatamos que se pratica muita violência institucionalizada. Porque muitas das vezes não é possível denunciar o presidente do sindicato, porque depois ele responde com a violência política de nos retirar dos espaços onde atuamos”, ressaltou Carmen.
A dirigente defendeu que, para não perder capacidade de transformação, a luta contra o machismo e o patriarcado precisa seguir nos estados e municípios com a mesma intensidade que em Brasília.
Isso, porém, não significa abandonar a pressão sobre o Executivo, criticado por Carmen pelos cortes orçamentários que também atingiram as políticas por igualdade. “Mais de 40% do orçamento da SPM (Secretária de Políticas para as Mulheres) foi cortado, com que política vamos construir uma virada de mesa? E esse é o ministério de menor orçamento da Esplanada, precisamos pressionar para que isso mude”, definiu.
Campo ainda engatinha
Assessora especial da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Raimunda Mascena, apontou para outro exemplo de como a violência nem sempre é tema presente mesmo em grandes mobilizações como a Marcha das Margaridas, que só abraçou a luta por delegacias móveis em 2007.
Como resultado, foi criado um fórum de enfrentamento à violência do campo e da floresta, que pensou diretrizes e ações nacionais. Dessa forma, em 2011, a presidenta Dilma Rousseff anunciou, em 2011, 54 delegacias.
Da mesma forma que Carmen, Raimunda também disse que os avanços topam com a falta de vontade política de estados e municípios.
“Temos hoje criados 22 fóruns estaduais para pensar as unidades móveis, fazer sua programação, todo o processo de articulação e mobilização, mas esbarram no querer dos estados, que não sentam com o conjunto das organizações para decidir sobre isso. No campo, as mulheres estão distantes uma das outras e, em muitos casos, se gritarem vão apanhar mais ainda”, disse.
Municípios e estados omissos
Secretária de Enfrentamento à Violência da Secretaria de Política para as Mulheres, Aparecida Gonçalves, trouxe números alarmantes para mostrar que as agressões continuam em um nível vexatório para qualquer país que pretenda se desenvolver com justiça e igualdade.
Segundo ela, em 2014 foram praticados 500 mil estupros. O Brasil é o 7º colocado no ranking de assassinato de mulheres. Já neste ano, 367 mil mulheres foram vítimas de violência e, por dia, foram relatados, em média, 10 casos de cárcere privado. Números dignos de grande preocupação, mas que, por outro lado, só vieram à tona por conta de um serviço de denúncia, o Disque 180, criado durante o governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.
A partir de 2003, resgatou ela, a violência contra a mulher virou parte da agenda política, algo que não existia há 10 anos. Ao assumir a presidência, lembrou Aparecida, Lula criou a SPM e deixou claro que eram necessárias políticas de inclusão para pobres, mulheres e negros para combater as desigualdades estruturantes.
Com isso vieram a 1ª Conferência de Políticas para Mulheres, que elaborou um plano de ações para estados e municípios. E já no governo Dilma, um pacto nacional com quatro dimensões – prevenção, atendimento, combate à violência e garantia de direitos – e a definição de cada ente federativo. Também ela ressaltou que sem estados e municípios realizarem suas obrigações, o processo não caminha.
“A União pensa diretrizes e recursos, mas o estado é quem tem de dar conta da segurança pública, por meio da política militar, das delegacias especializadas e as demais, da Secretaria de Justiça, do Sistema penitenciário. E aos municípios cabem a assistência social, a saúde e a educação. Não basta esperar governo federal faça tudo. É importante dizermos qual a responsabilidade de cada um”, criticou.
A secretaria citou ainda da criação da Central de Atendimento à Mulher (2005), a Lei Maria da Penha (2006) e a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), que trouxe à tona a Lei 13.104/2015, do feminicídio, que inclui como homicídio qualificado (passível de pena mais dura) o assassinato de mulheres.
Nada disso será suficiente, avalia, se as políticas não chegarem ao campo e às áreas indígenas e quilombola, se forem tratadas apenas como questões de segurança e saúde e se não houver mudança de comportamento.
“Temos que aumentar a oferta de serviços especializado em 30% dos municípios, mas também pensar numa sociedade que adote uma onda zero de violência contra a mulher, contra todo de agressão, não apenas física, mas também verbal”, afirmou.
Investimento é estratégico
As mudanças os paradigmas deixam claro que, quanto maior as conquistas, maiores os obstáculos, ponderou a representante da União Brasileira de Mulheres, Lúcia Rincon. “As conquistas que tivemos nos colocam como desafio até ano que vem fazer o enfrentamento na rua à política econômica que também irá retirar recursos para políticas brasileiras, para dar aos bancos”, falou.
Como também pontuou a representante da Articulação de Mulheres Brasileiras, Nilde Sousa, a ocupação de espaços continua como essencial na disputa pela igualdade. “O primeiro desafio segue enfrentar o machismo e o patriarcado em todos os aspectos, no Executivo, Judiciário, na igreja e na mídia, que vive naturalizando a violência.”
Autonomia e desenvolvimento
Na mesa que debateu autonomia econômica, trabalho e renda, a invisibilidade das rurais também foi o tema.
As margaridas lembraram que, apesar de o trabalho feito pelas mulheres não ser valorizado, são elas que muitas vezes permitem ao homem a atividade externa. Com o agravante de que a renda gerada não é compartilhada igualitariamente entre os membros da família que ajudam a produzi-lo.
Muito emocionada, a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva, falou sobre o significado de ter autonomia na vida das mulheres e sobre sua visibilidade na sociedade: “É a renda feminina que garante o sustento da família o ano inteiro e se queremos uma sociedade socialista, ela tem que ser feminista, pois o feminismo defende liberdade, igualdade e autonomia”.
Ela destacou ainda que a autonomia também deve ser focada em outros campos da vida – como autonomia sobre o corpo e política. “Em todos esses anos de Marcha já avançamos muito, mas ainda temos muito que conquistar. A participação das mulheres deve ser permanente nos espaços políticos e onde ela quiser”.
As Margaridas disseram ainda que a conquista desta autonomia passam por reforma agrária, educação no campo, combate ao agronegócio, fortalecimento da agricultura familiar, acesso à água, políticas públicas de combate e enfrentamento à violência.

CUT e sindicatos exigem do GDF retomada imediata de negociação

O Fórum em Defesa do Serviço Público do Distrito Federal, coordenado pela CUT Brasília e que reúne os sindicatos de servidores distritais, reforça sua posição contrária aos Projetos de Lei Complementares (PLCs) 19, 20 e 21 e exige a imediata retirada deles da Câmara Legislativa, já que o pacote de projetos do governo é prejudicial aos interesses previdenciários do funcionalismo local. Apenas a remoção do regime de urgência na tramitação dos PLCs não elimina os riscos que eles representam às aposentadorias.
A CUT considera descaso a demora do GDF em convocar o fórum sindical, criado pelo próprio governador, para tratar desta e de outras pautas da classe trabalhadora da capital. Os sindicatos e entidades que compõem o Fórum em Defesa do Serviço Público cobram a retomada imediata das reuniões, já que há questões prementes e pendentes a serem solucionadas em relação às condições de trabalho e de remuneração do funcionalismo, como o calote na licença-prêmio dos que se aposentam e o atraso já superior a 100 dias no reajuste do auxílio-alimentação, entre outras.
Ofício nesse sentido está sendo reencaminhado ao Buriti pelo Fórum em Defesa do Serviço Público, reafirmando a luta dos trabalhadores por seus direitos e pela manutenção do diálogo. Os representantes do funcionalismo reiteram que querem tratar, diretamente com o governador, dos PLCs 19, 20 e 21, que mexem no regime de previdência do funcionalismo, na aposentadoria para os que exercem atividades sob condições especiais, na aposentadoria para portadores de deficiência, e na paridade entre governo e servidores na gestão do Instituto de Previdência.
Estas decisões foram tomadas em reunião do Fórum na tarde desta segunda-feira (10) na sede da CUT Brasília.
O Sinpro, o SAE e outras entidades do funcionalismo reforçarão o teor do ofício com ato público na próxima quinta-feira (13), às 14h, em frente ao Palácio do Buriti.
Uma nova reunião do Fórum em Defesa do Serviço Público para discutir a representação e possíveis indicações na nova composição do Conselho Administrativo do Instituto de Previdência (Iprev) está marcada para terça-feira (25). Para compor o Conselho a partir de outubro deverão ser indicados 14 nomes.
Preocupada em aprimorar conhecimentos e debate sobre as questões da Previdência, a CUT Brasília realiza Seminário de Formação, em agosto, nos dias 18 e 19, e em setembro, nos dias 8 e 9. Os sindicatos já foram convidados a inscrever representantes para participar do seminário. Com base em pesquisas e estudos, os inscritos poderão entender, passo-a-passo, como funciona a Previdência, quais suas consequências e o que implicam medidas como os PLCs 19, 20 e 21.

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