A luta não acabou. Dia 22 de abril, CUT vai às ruas contra terceirização

Na próxima quarta-feira (22), a CUT intensificará, em todo o País, a luta nas ruas e nas redes contra o PL 4330, que amplia a terceirização no Brasil. Em Brasília, mais uma vez, os parlamentares vão se reunir para analisar e votar os destaques do projeto.

Na última quarta-feira (15), o “Dia Nacional de Paralisação Contra o PL 4330”, convocado pela CUT e outras centrais sindicais, mobilizou trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias que deram uma resposta à Brasília, mostrando que não aceitarão a terceirização.
A pressão popular surtiu efeito e na Câmara, diante do recuo de muitos parlamentares, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB), teve que adiar a votação dos destaques do PL 4330. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), imediatamente foi aos microfones dizer que por lá o projeto não será aprovado.
“Para nós termos um Brasil melhor, vai ter que mexer na linha econômica. Ajuste, se for pra fazer, que faça nas grandes fortunas”, defendeu o presidente da CUT, Vagner Freitas, que atacou o projeto da terceirização. “Se for preciso fazer uma greve nacional pra impedir que se mexa no PL 4330, não tenham dúvidas de que faremos.”

50 anos da TV Globo: Vamos descomemorar!

A TV Globo festejará os seus 50 anos de existência no dia 26 de abril. Serão promovidos megaeventos e lançados vários produtos comemorativos. No mesmo período, porém, muita gente está disposta a promover a “descomemoração” do aniversário do império global, um ato de repúdio ao papel nocivo desse grupo de mídia na história do país. Uma palavra de ordem que se destaca em todo o Brasil em manifestações recentes é: “O povo não é bobo. Fora Rede Globo”. E motivos não faltam para esta revolta.
A emissora é filha bastarda do golpe militar de 1964. O então diretor do jornal O Globo Roberto Marinho foi um dos principais incentivadores da deposição do presidente João Goulart, dando sustentação ideológica à ação das Forças Armadas. Um ano depois, foi fundada a sua emissora de televisão, que ganhou as graças dos ditadores. O império foi construído com incentivos públicos, isenções fiscais e outras mutretas. Os concorrentes no setor foram alijados, apesar do falso discurso global sobre o livre mercado.
Nascida da costela da ditadura, a TV Globo tem um DNA golpista. Apoiou abertamente as prisões, torturas e assassinatos de inúmeros lutadores patriotas e democratas que combateram o regime autoritário. Fez de tudo para salvar o regime dos ditadores, inclusive omitindo a jornada das Diretas Já na década de 1980. Com a democratização do país, ela atuou para eleger seus candidatos – os falsos “caçadores de marajás” e os convertidos “príncipes neoliberais”. Na fase recente, a TV Globo militou contra toda e qualquer avanço mais progressista, atuando na desestabilização dos governos que não rezam integralmente a sua cartilha. Nas marchas de março desse ano, ela ajudou a mobilizar o anseio golpista e garantiu a ele todos seus holofotes.
A revolta contra a Globo que ganha corpo está ligada também à postura sempre autoritária diante dos movimentos sociais brasileiros. As lutas dos trabalhadores ou não são notícia na telinha ou são duramente criminalizadas. A emissora nunca escondeu o seu ódio ao sindicalismo, às lutas da juventude, aos movimentos dos sem-terra e dos sem-teto. Através da sua programação, não é nada raro ver a naturalização e o reforço ao ódio e ao preconceito. Esse clima de controle e censura oprime jornalistas, radialistas e demais trabalhadores da empresa, que são subjugados por uma linha editorial que impede, na prática, o exercício do bom jornalismo, servidor do interesse público, em vez da submissão à ânsia de poder de grupos privados.
Além da sua linha editorial golpista e autoritária, a Rede Globo – que adora criminalizar a política e posar de paladina da ética – está envolvida em inúmeros casos suspeitos. Até hoje, ela não mostrou o Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) do pagamento dos seus impostos, o que só reforça a suspeita da bilionária sonegação da empresa na compra dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2002. A falta de transparência do império em inúmeros negócios é total. Ela prega o chamado “Estado mínimo”, mas vive mamando nos cofres públicos, seja através dos recursos milionários da publicidade oficial ou de outros expedientes mais sinistros.
Essas e outras razões explicam o forte desejo de manifestar o repúdio à TV Globo em seu aniversário de 50 anos. Assim, vamos realizar em torno do dia 26 de abril uma série de manifestações, em todo o país, para denunciar a emissora como golpista ontem e hoje; exigir a comprovação do pagamento de seus impostos; e reforçar a luta por uma mídia democrática no Brasil.
Sem enfrentar o poder e colocar limites à maior emissora do Brasil – e uma das cinco maiores do mundo – não será possível garantir a regulamentação dos artigos da Constituição que proíbem o monopólio para levar a cabo a democratização do país. Por isso, vamos às ruas contra a Globo e convidamos todos os brasileiros comprometidos com a democracia, a liberdade de expressão, a cultura nacional, o jornalismo livre e a soberania popular a participar das manifestações em todo o país.
Assinam:
ANPG – Associação Nacional de Pós-Graduandos
Associação Franciscana de Defesa de Direitos e Formação Popular
Blog da Cidadania
Blog Maria Frô
Blog O Cafezinho
Blog Viomundo
Brasil de Fato
Campanha por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político
Centro de Estudos Barão de Itararé
Consulta Popular
Contracs – Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços
CTB- Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
CUT- Central Única dos Trabalhadores
Enegrecer- Coletivo Nacional de Juventude Negra
FNDC- Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação
Fora do Eixo
FUP- Federação Única dos Petroleiros
Intersindical Central da Classe Trabalhadora
Intervozes
Jornal Página 13
Juventude do PT
Levante Popular da Juventude
MAB- Movimento dos Atingidos por Barragens
Marcha Mundial das Mulheres
Movimento JUNTOS!
MST- Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
MTST- Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
Nação Hip Hop Brasil
Sindicato dos Professores de Campinas (Sinpro)
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
UBM- União Brasileira de Mulheres
UJS- União da Juventude Socialista
UNE- União Nacional dos Estudantes
Uneafro-Brasil
Portal Vermelho
*Para aderir ao manifesto, envie o nome da sua entidade para contato@baraodeitarare.org.br

Professores de São Paulo decidem manter greve

Cerca de 60 mil trabalhadoras e trabalhadores da rede estadual de ensino de São Paulo decidiram em assembleia realizada nesta sexta-feira (17 ) manter a greve, que já dura 35 dias.
Os professores reivindicam aumento salarial de 75,33% para equiparação com demais categorias de nível superior, contratação de professores temporários com garantia de direitos, entre outros itens.
A assembleia convocada pela Apeoesp – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo – aconteceu no vão livre do Masp e fechou a avenida Paulista nos dois sentidos.
A Polícia Militar divulgou o número de 3 mil participantes, mas de acordo com a presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, foram 60 mil manifestantes.
Os professores também condenaram o PL 4330 que tramita no Congresso, ressaltando a necessidade de unirem forças com todos os trabalhadores do país para barrar esse projeto, que permite a terceirização sem limites e precariza ainda mais relações de trabalho.
Uma reunião entre o sindicato e o secretário de Educação está prevista para quinta-feira (23).  Uma nova assembleia será realizada na sexta-feira (24), quando os professores decidirão se continuam ou não a greve.

Trabalhadores e indígenas pressionam Congresso e Planalto por terras

Termina nesta quinta-feira (16) a 11ª edição do Acampamento Terra Livre, que reúne várias etnias de indígenas em frente ao Congresso Nacional. Nessa quarta-feira (16) eles e os trabalhadores sem terra organizados pela Frente Nacional de Luta do Campo e da Cidade – FNL foram recebidos pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e apresentaram a pauta de reivindicação que, basicamente, pede o arquivamento da PEC 215 (que transfere para o Congresso Nacional a decisão sobre demarcação de terras indígenas) e a realização da reforma agrária.
_DSC2244Segundo Cunha, o texto da PEC não irá a Plenário antes do pronunciamento da comissão especial que analisa a proposta. “Quem decide não sou eu, são os parlamentares que disputam no voto; e vence quem tiver maioria no Plenário”, disse. Todavia, o parlamentar não mencionou que, dois dias antes de instalar a comissão, filiou-se à Frente Parlamentar da Agropecuária. Por conta disso, a posição de Cunha não inspirou confiança entre os indígenas. “Já se passaram quase 30 anos da promulgação da Constituição. Na época determinaram que em cinco anos todas as terras indígenas deveriam ter sido demarcadas. Esse prazo não foi respeitado e nem a Constituição está sendo. A própria casa que a criou quer desfazê-la. É uma vergonha”, afirmou o cacique Nailton Pataxó Hã-hã-hãe.
O representante da FNL, José Rainha, criticou o projeto de lei que não permite a desapropriação em caso de terras improdutivas e exigiu que seja regulamentada a lei que destina à reforma agrária as terras que forem flagradas com trabalho análogo ao escravo.
Sem terra em marcha
Cerca de 1,1 mil trabalhadores sem terra iniciaram a Jornada de Luta no último dia 8, em Planaltina (região administrativa do DF), e finalizaram a ação dia 15, em frente ao Congresso Nacional. Os trabalhadores marcharam mais de 60 quilômetros e mostraram à sociedade e ao governo a urgência do atendimento da pauta de reivindicações.
“Construímos uma grande aliança entre trabalhadores do campo e da cidade e os indígenas, com o apoio da CUT. A nossa ação gerou um resultado político que deveria servir de exemplo para todo o Brasil”, avalia José Rainha.
Segundo o líder da FNL, o Ministério das Cidades se comprometeu, em reunião nessa quarta-feira (15), a liberar 10 mil habitações rurais para os sem terra, 4 mil delas destinadas aos povos indígenas, até 2018. Também foi firmado o compromisso de criar 50 mil habitações urbanas nos próximos quatro anos. Especificamente para Brasília e entorno serão construídas 10 mil habitações urbanas, 3 mil delas iniciadas ainda neste ano, completando o montante em 2018.
Na mira dos índigenas
_DSC2285Cerca de 1,5 mil indígenas de todas as Regiões do Brasil colocaram na mira de suas flechas, nessa quarta-feira (15), o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal – STF e o Palácio do Planalto. Eles não se intimidaram diante do forte esquema de segurança feito pela PM e polícia legislativa.
Nessa quarta-feira (15), as lideranças indígenas foram recebidas pelo ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Miguel Rosseto. Eles entregaram ao representante do governo federal documento que exige o cumprimento da pauta da Carta aos Povos Indígenas, divulgada em 2014, e pede a assinatura da presidente Dilma nos decretos de homologação de mais de 20 áreas indígenas que não apresentam nenhum impedimento judicial e/ou administrativo. Eles ainda colocaram sua preocupação quanto à PEC 215 e reforçaram a necessidade de arquivamento da proposta.
Rosseto reafirmou que a posição da presidência é contrária à PEC 215 e que estão fazendo todo o esforço no sentido de evitar a aprovação dessa Emenda Constitucional. Ele também prometeu encaminhar as outras pautas à Dilma Rousseff.
Nesta q_DSC2267uinta-feira (16), a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara promove audiência pública para ouvir lideranças indígenas e indigenistas, com o objetivo de subsidiar a atuação do colegiado.
De acordo com o cacique Nailton Muniz Pataxo, liderança do sul da Bahia, os índios devem ocupar o Congresso de forma pacífica e democrática a partir de outubro para protestar contra a PEC. “Vamos nos preparar para o enfrentamento, não vamos recuar. Exigimos a nossa presença, e queríamos uma comissão de índios e deputados para debater a proposta, mas, se não for possível, vamos voltar com 5 ou 6 mil índios a partir de outubro”, disse.
Mais vozes contra o PL 4.330
_DSC2286O presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, e outras lideranças sindicais do DF, em especial os dirigentes dos trabalhadores nos Correios que também fizeram manifestação diante da Câmara, se solidarizaram com a luta dos indígenas e sem terra. Nessa quarta-feira (15), os dirigentes visitaram o acampamento dos dois grupos e se integraram às danças e outras atividades promovidas em frente ao Congresso.
Os sindicalistas também apresentaram aos índios e sem terra o repúdio ao projeto de lei 4.330, que permite a subcontratação ilimitada da mão de obra e os consequentes salários reduzidos, jornada de trabalho estendida e a fragmentação da organização sindical. A pauta foi abraçada pelos manifestantes, que mostraram indignação quanto ao PL.

Uma página especial para você acompanhar tudo sobre o 13º Cecut

Para auxiliar nas informações sobre o 13º Congresso da CUT Brasília (13º Cecut), lançamos uma pagina especial (hot site) que pode ser acessado por meio do link (13º Cecut) no menu localizado no topo do site ou no banner no lado direito da página principal, acima dos vídeos.

Lá no hot site 13º Cecut você pode encontrar uma entrevista completa com o coordenador adjunto do Congresso e dirigente da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues. Ele oferece uma série de esclarecimentos, de forma clara e didática, sobre as principais dúvidas em torno do Cecut e do 12º Congresso Nacional da CUT (Concut), que será realizado posteriormente. Apresenta ainda as novidades que a direção trouxe para aos Congressos neste ano de 2015.

Em outro material já disponível no hot site, é possível visualizar integralmente o texto de orientação elaborado pela CUT Nacional, que sugere temas a serem debatidos nas assembleias de base, primeira fase da construção dos Congressos.

Em breve, serão disponibilizadas mais informações tanto sobre o congresso quanto sobre as movimentações de sindicatos e bases em torno do tema.

Haverá também áreas para consulta e leitura, com documentos e teses de Congressos passados, notícias sobre conjuntura econômica, política, social e sindical, a Plataforma da Classe Trabalhadora e outros textos de interesse para subsidiar os debates.

PL 4330 pode trazer ainda mais informalidade para trabalhadores rurais

O universo dos trabalhadores assalariados rurais é formado por quatro milhões de ocupados, um contingente em que a maior parte, 59,4% (2,4 milhões), não tem carteira assinada. A situação pode ficar ainda pior se o Projeto de Lei (PL) 4330, que permite a terceirização sem limites, for aprovado.
Durante Encontro do Macrossetor Rural da CUT, o secretário de Assalariados Rurais da Contag (Confederação dos Trabalhadores na Agricultura), Elias Borges, apontou que o PL pode agravar ainda mais a situação.
“Dos trabalhadores sem carteira assinada, 31,9% estão em empregos temporários e tenho certeza que a precarização aumentará ainda mais se esse texto for aprovado. Juntamos isso somado às medidas provisórias 664 e 665, que restringem o acesso ao abono salarial e ao seguro-desemprego e temos um cenário catastrófico para milhões de trabalhadores”, disse.
Reforma agrária
Professor da UFABC (Universidade Federal do ABC) Arilson Favareto tratou da reforma agrária e apontou que o Brasil perdeu a oportunidade de fazê-la no ápice do governo Lula.
Nos anos 2000, ao mesmo tempo em que a agricultura familiar foi exitosa na consolidação de instrumentos de políticas para a agricultura familiar, como o Pronaf, PNAE e PAA, do ponto de vista do embate ideológico ele julga que a agricultura familiar foi derrotada.
“A questão fundiária (distribuição de terras) foi justamente o que bloqueou a reforma agrária e agora o ambiente é pouco favorável a uma retomada mais massiva da questão agrária. Também porque há dificuldade de recursos para desapropriação e a batalha ideológica da agricultura patronal foi perdida por nós, agricultura patronal conseguiu se apresentar como quem levou o Brasil nas década passada”, avaliou.
Aliado a isso, a demanda social também deixou de ser tema tão quente porque parte da população que faz a luta tem hoje emprego urbano e rede de proteção social que diminuem o ímpeto de mobilizações na luta pela terra.
Para Favareto, posta essa realidade, o desafio é justamente reunificar os movimentos sociais rurais e estabelecer uma aliança estratégica com os novos movimentos urbanos, especialmente de meio-ambiente e direitos.
Transparência
Também professor, mas da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) Ademir Cazella apresentou um estudo em que comprovou a necessidade de mudar o panorama elitizado do crédito para políticas familiares.
Segundo ele, o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) não chega a beneficiar 200 mil famílias e o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), 100 mil num universo de quatro milhões de famílias.
Para Cazella o sistema acaba priorizando os produtores que têm maior capacidade de desenvolvimento e não aqueles que mais precisariam ao determinar critérios econômicos para ingresso nos programas.
O ponto estratégico na agenda para mudar esse cenário, defendeu, é o aprimoramento do Sistema Nacional de Cadastro, Registro e Informações de Terras e dos Estabelecimentos Rural propositalmente desatualizado desde 2003.
“A desinformação sobre nossa estrutura agrária é uma estratégia política. Como tem sistema de cadastro de automóveis que cobre todo o território nacional e não conseguimos montar um sistema de cadastro para bem imóvel? Há interesse patronal para que informações sobre a terra não sejam suficientes para determinar onde estão os latifúndios”, disse.
Pesquisadora do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) Brancolina Ferreira acrescenta que o número de projetos de assentamento em áreas desapropriadas é muito pequeno, o que afeta diretamente a redistribuição da terra.
“Apenas 27% dos 28 milhões de hectares onde estão metade das famílias que foram assentadas eram terras privadas. Há quase um milhão de famílias nos assentamentos, mas isso não impacta porque estão em áreas públicas”, explicou.

"No mundo de mentiras da mídia, o PL 4330 seria bom", por Vagner Freitas

Os grandes meios de comunicação estão fazendo um grande esforço para dizer à população que o Projeto de Lei 4330 é uma coisa boa para os trabalhadores.
Para tentar passar essa falsa ideia para as pessoas, entrevistaram os já famosos especialistas de sempre. Repararam que são quase sempre os mesmos? Raramente há entrevistas com pesquisadores de centros acadêmicos e institutos de origem ou ideologia trabalhistas, como o Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos) ou o Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho), da Unicamp.
O 4330, aprovado pela maioria dos deputados, não é bom para os trabalhadores. Nem mesmo para os que já são terceirizados. Não se deixe enganar pela mídia tradicional, que é composta por grandes empresas e, por causa disso, quer a aprovação desse projeto de lei.
É fácil entender porque o 4330 é ruim para nós, trabalhadores. O projeto, se seguir adiante, vai liberar a terceirização para todas as funções em todos os departamentos e seções das empresas de qualquer ramo de atividade.
E terceirizar é bem mais barato para as empresas, como todos sabem por experiência própria ou pela história de algum familiar ou amigo.
Se terceirizar é mais barato, qual razão teriam as empresas para manter seus trabalhadores e trabalhadoras com carteira assinada, gastando mais? As empresas querem sempre ganhar mais e gastar menos, essa é a lógica dos patrões.
Então, você que tem carteira assinada, será demitido sim, mais cedo ou mais tarde. Depois de demitido, vai ter de aceitar outro emprego, desta vez terceirizado, com menos salários e menos direitos.
Lembre-se que os terceirizados hoje em dia trabalham em média três horas a mais por semana e ganham em média 24% menos e, geralmente, não recebem equipamento ou uniformes adequados.
Muitos deles inclusive não têm carteira assinada. Portanto, rapidamente, os brasileiros e brasileiras vão começar a perder os seus direitos. A CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) vai desaparecer. Então, adeus 13º, férias remuneradas, vale-refeição, vale-transporte, descanso semanal remunerado…
E mesmo quem já é terceirizado vai perder, pois a redução generalizada de salários e direitos vai rebaixar as condições de trabalho de todos.
É importante lembrar que sempre que um direito trabalhista é retirado ou suavizado por novas leis ou projetos de governo, a situação dos trabalhadores e trabalhadoras piora. Um exemplo recente e que todos conhecem foi a criação do fator previdenciário pelo governo de Fernando Henrique Cardoso.
Naquela época, o PSDB dizia que o projeto era bom, pois a Previdência teria mais dinheiro e as aposentadorias, no futuro, iriam melhorar. E todos sabem que o resultado hoje é que os brasileiros demoram mais para se aposentar e que o valor das aposentadorias continua baixo. A situação só não é pior porque, desde 2004, os aumentos do salário mínimo estão garantindo a valorização da  maioria das aposentadorias – 70% dos aposentados recebem o equivalente ao mínimo.
Seguindo esse raciocínio, podemos concluir que o PL 4330 vai abrir uma brecha, e com o tempo os patrões vão aproveitá-la para simplesmente acabar com a carteira assinada, exigindo que seus terceirizados se tornem microempreendedores individuais ou simplesmente abram firma, para começar a emitir nota fiscal. Vamos pagar mais impostos e vamos ter de pagar refeições e transporte do nosso próprio bolso.
Uma pista de que é isso o que vai acontecer veio em “reportagem” recente na Globo, mostrando que as trabalhadoras domésticas agora podem se tornar microempreendedoras individuais, como se a elas não coubesse o direito de ter carteira assinada, conquistado recentemente depois de muita luta para a aprovação da PEC das domésticas.
É para preservar os empregos, os salários e os direitos trabalhistas e impedir que a PL 4330 siga adiante que as centrais sindicais, seus sindicatos e todos os trabalhadores e trabalhadoras fizeram no último 15 de abril o Dia Nacional de Paralisação contra o 4330.
Ainda dá tempo de evitar essa tragédia.
Agora vamos pressionar os senadores, que terão de escolher se aprovam ou não o PL 4330, a derrubar essa ideia dos deputados que gostam de defender patrões e esquecem de você.
Não se iluda. Onde passa um boi, passa uma boiada. O PL 4330 vai sim, acabar com a CLT. Ao contrário do que dizem os jornais, as TVs, as rádios e a maioria dos sites de notícias.
*Vagner Freitas é presidente da CUT

Enquanto o PL 4330 não for a nocaute, CUT baterá no projeto, indica Vagner

A Avenida Paulista mais uma vez foi palco da mobilização da classe trabalhadora nesta quarta-feira (15), Dia Nacional de Paralisação contra o PL 4330, projeto que amplia a terceirização para todas as áreas da empresa e retira direitos trabalhistas.

O ato, que reuniu milhares de pessoas, começou em frente à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), por volta das 15h30. Bonecos representando o presidente da Câmara federal, Eduardo Cunha, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SDD-SP), e o empresário Paulo Skaf sofreram a ‘malhação de Judas’ e foram queimados em seguida. Um dos protagonistas da mística foi o bancário Nelson Canesin, ferido na última semana, em Brasília.
Nada mais lúdico do que usar do simbolismo para dar o recado direto ao Congresso e aos patrões de que os trabalhadores não aceitarão o retrocesso. Foi assim que os militantes saíram em caminhada para formar um bloco ainda maior com os movimentos sociais, como o de moradia. Enquanto isso, um terceiro bloco partiu do Largo da Batata rumo à unidade na luta pela democracia.
O ponto de encontro foi a Caixa Econômica Federal, que teve sua frente ocupada no instante da chegada dos sindicalistas. A bandeira mesclava o fim do PL da “precarização da mão de obra”, como chamavam alguns, com o direito à moradia digna.
Foi neste momento, embaixo de uma chuva fortíssima, que o presidente da CUT Nacional, Vagner Freitas destacou que as paralisações e atos ocorreram nas 27 capitais brasileiras. “Os parlamentares estão reunidos pensando o que vão fazer com relação ao 4330. Eles achavam que iriam passar o trator em cima da classe operária e que iríamos ficar apenas ouvindo. Mas estamos e continuaremos nas ruas fazendo o enfrentamento”, alertou.
Informações chegavam até os militantes de que, muito provavelmente, a sessão seria adiada na Câmara. E foi o que aconteceu. “Até o PSDB está revendo a sua opinião com relação ao projeto. Não porque eles querem defender o trabalhador, mas porque eles sabem que nós podemos derrotá-los nas ruas”, afirmou Vagner.
O presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI), João Felício, alerta que o ataque do empresariado acontece no Brasil, mas também faz parte de uma prática dos empresários latino-americanos. “Cada país tem uma legislação que garante direitos. Mas aqui querem reformar a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] o que é péssimo porque sabemos o papel de liderança que o país tem aqui no Continente. Mas acredito na nossa capacidade de força para impedir que isso avance”.
Coordenador Estadual da CMP (Central de Movimentos Populares), Raimundo Bonfim explicou que a luta contra o PL 4330 está na pauta da Jornada Nacional de Luta por Moradia Digna, o chamado Abril Vermelho, realizado neste período pelos movimentos sem-teto que cobram direitos sociais.
“Hoje vários estados estão se dirigindo até a capital federal. Amanhã terá um ato da reforma urbana em Brasília e, com essa força e pressão dos movimentos populares urbanos, vamos cobrar uma reunião com a presidenta Dilma. Queremos dizer que não aceitaremos o PL 4330, nem a privatização da Caixa e nem o corte de verbas para programas de regularização fundiária e de saneamento básico”.
Enfrentamento permanente
Os petroleiros, uma das categorias em que a terceirização se faz presente em forma de acidentes fatais, também esteve no ato e alertou que o crescimento desse modelo de contratação é sinônimo de péssimas condições de trabalho, conforme apontou a coordenadora do Sindicato dos Petroleiros Unificado de São Paulo, Cibele Vieira.
“A Petrobrás tem hoje 300 mil trabalhadores terceirizados e esse número, caso o PL 4330 não caia, só vai aumentar e piorar muito a vida desses trabalhadores e trabalhadoras”, explicou.
Secretária de Imprensa da CUT São Paulo, Adriana Oliveira Magalhães avalia que com as manobras do Congresso Nacional em relação ao 4330, os trabalhadores que elegeram a composição atual percebem que muitos são os parlamentares que não os representam.
Também bancária, a dirigente aponta quais prejuízos a lei representa para a categoria. “Significa que os bancos podem terceirizar caixa, central de atendimento e tecnologia da informação. O acordo coletivo de vinte anos que representa todos os bancários do país e garante uma elevação salarial e negociações a cada ano será rasgado”, disse.
Representante da Consulta Popular, Paola Strada avaliou que é urgente uma mudança do sistema político. “Com esse Congresso não dá, ele não fará a reforma política. Esse Congresso coloca o PL 4330 e daqui a alguns semanas vai votar o financiamento privado de campanhas eleitoral e vai querer impor, através dessa figura do Eduardo Cunha, mais uma derrota do povo brasileiro. Precisamos estar juntos, mobilizados”, finalizou.
No final da tarde, outra parte dos movimentos sociais e sindical chegou à Avenida Paulista com rojões. A Polícia Militar intensificou sua frota neste momento. Às 20h30 todas as organizações se encontraram para oencerramento final do intenso dia de mobilizações.

Manifestantes tomam a Rodoviária e dizem Não ao PL 4330

Para finalizar um bem sucedido dia de intensas lutas e de paralisações, convocadas pela CUT e pelos principais movimentos sindicais e sociais, centenas de manifestantes tomaram a Rodoviária do Plano Piloto no final desta quarta-feira (14) para dizer Não PL 4330, aos ladrões de direitos e ao retrocesso. A concentração começou às 16h em frente à CUT Brasília, no Conic, e seguiu por volta das 17h em direção à Rodoviária, onde a militância distribuiu material e esclareceu a população sobre o maior roubo de direitos trabalhistas da história que o PL 4330 promoverá se for aprovado pelo Congresso.
Milhares de motoristas de ônibus e cobradores, trabalhadores da limpeza urbana, comerciários, bancários, vigilantes, terceirizados em serviços, trabalhadores dos Correios, técnico-administrativos  e docentes da UnB, tecnólogos de informação e processamento de dados, professores do GDF, servidores públicos federais, distritais e municipais de São João d’Aliança paralisaram suas atividades total ou parcialmente ao longo do dia ou realizaram atos de protesto e esclarecimento nos locais de trabalho.
O Dia Nacional de Luta e Paralisação foi realizado em todo o país e, em Brasília, contou com a participação dos sindicatos filiados, movimentos de trabalhadores rurais sem terra, diversas frentes de movimentos estudantis e demais entidades comprometidas com os direitos da classe trabalhadora e da sociedade em geral.
Com o texto-básico aprovado na Câmara com facilidade devido à enorme influência da bancada patronal que é apoiada financeiramente pelos empresários, o Projeto de lei 4330, conhecido como PL da escravidão, está sendo emendado ainda pelos deputados. Em seguida, tramitará no Senado, podendo voltar para a Câmara caso receba alterações. Por fim, vencida todas as etapas, caberá à presidente Dilma sancionar a lei.
Apoio da população
Nos discursos dos dirigentes em ato na Rodoviária, todos ressaltaram e detalharam os prejuízos que o PL 4330 traz à classe trabalhadora, com a liberação da subcontratação em todas as atividades (meio e fim), precarizando as relações de trabalho, reduzindo salários e aumentando demissões, rotatividade e jornada de trabalho. Dirigentes dos servidores públicos apontaram o golpe que o projeto dá no funcionalismo público, com uma progressiva extinção dos concursos e dos planos de carreiras e salários, subcontratando serviços de terceiros, afetando a qualidade do trabalho e dos serviços à população.
“O PL 4330 joga no lixo a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, conquistada com muito sangue e suor por todos os trabalhadores. Antes de ser votado, muitos parlamentares se comprometeram a marcar posição contra o projeto e depois acabaram votando a favor. Aqui em Brasília, a única deputada que manteve sua posição em favor dos direitos da classe trabalhadora foi a Érika Kokay (PT). Por isso, estamos aqui hoje denunciando os ladrões de direitos, parlamentares que deviam representar o povo mas na verdade estão comprometidos com os grandes empresários e não se preocupam minimamente com a qualidade do serviço público e com quem constrói esse país, que são os trabalhadores”, afirmou em seu discurso o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.
Mais do que afetar salários, jornada e emprego, o projeto ainda reduz direitos de representatividade sindical, reconhecendo majoritariamente os sindicatos patronais em detrimento das representações dos trabalhadores. O PL 4330 cria subcategorias com as subcontratações, sem vínculos com sindicatos da categoria originária. O projeto fragmenta as categorias e dilui os sindicatos, atacando frontalmente o poder de organização dos trabalhadores.
A população usuária da Rodoviária recebeu com agrado os manifestantes, pegando e lendo os panfletos explicativos sobre o PL 4330, levando cartazes ou comentando as faixas que denunciam os deputados que traíram os trabalhadores ao votar a favor do projeto de lei e pedindo bixigas com a inscrição “Não ao PL 4330″.

Não tem arrego! Milhares vão às ruas contra terceirização

Sem selfie com a PM, sem apologia a golpe e sem axé, milhares de pessoas foram às ruas na noite desta quarta-feira (15), em um grande ato que parou São Paulo e encerrou o “Dia Nacional de Paralisação contra PL 4330”.
Passava das 18h quando os movimentos sociais e centrais sindicais partiram do Largo da Batata, na zona oeste de São Paulo, e começaram a caminhada até a avenida Paulista, onde chegaram às 20h30, reencontrando os sindicalistas que durante a tarde protestaram na frente do prédio da Fiesp.
Durante o trajeto, palavras de ordem contra o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e discursos que combatiam pautas da direita como redução da maioridade penal e, principalmente, o PL 4330, que amplia a terceirização no Brasil.
A chuva não impediu que os manifestantes caminhassem até a avenida Rebouças e seguissem até a rua Oscar Freire, via ocupada por lojas luxuosas, onde em um dos comércios um menino negro, filho de um cliente, foi expulso no dia 31 de março.
Com nossos direitos, a direita não vai mexer
No alto do caminhão de som, lideranças sindicais e de movimentos sociais se revezavam no microfone. Além da CUT e do MTST, estavam presentes a Intersindical, Nova Central e Conlutas, além do MST. Algumas personalidades da política nacional também apoiaram o ato, como Luciana Genro, do PSOL e o professor da USP, Vladimir Safatle.
“Para nós termos um Brasil melhor, vai ter que mexer na linha econômica. Ajuste, se for pra fazer, que faça nas grandes fortunas”, defendeu o presidente da CUT, Vagner Freitas, que atacou o projeto da terceirização. “Se for preciso fazer uma greve nacional pra impedir que se mexa no PL 4330, não tenham dúvidas de que faremos.”
Guilherme Boulos, coordenador nacional do MTST, também criticou o projeto do ex-deputado Sandro Mabel, que hoje é defendido com afinco por Eduardo Cunha. “Nós vamos barrar o PL 4330, nem que seja na marra. Não vão nos calar. Não vamos aceitar o maior ataque aos direitos dos trabalhadores na história do Brasil.”
Na linha de ataque ao avanço da direita nos direitos e conquistas dos trabalhadores e trabalhadoras, o MST lembrou do “abril vermelho” e anunciou que outras ações ocorrerão no campo para lembrar os 19 anos do “Massacre de Eldorado dos Carajás”. Para o dirigente do movimento, Gilmar Mauro, a reforma agrária deve estar na pauta como a reforma política e “a terceirização é um assalto que não podemos permitir”. “Não haverá golpes nesse país, sem resistência de massa. Os nossos movimentos não formaram covardes”, afirmou.
O ato encerrou um dia intenso, de luta e paralisações em todo o país. Ações coordenadas pela CUT e demais centrais sindicais foram responsáveis por paralisações de rodovias, interrupção da circulação de ônibus, trens e metrô em diversas capitais, além do fechamento de agências bancárias em todo o país, entre outras atividades. Os atos cooperaram para mostrar à Brasília que os trabalhadores brasileiros não aceitarão passivamente o PL 4330.

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