Não vamos sair das ruas! 13 e 15 de março: os dois lados da trincheira

Em 13 de março, a partir da acertada iniciativa da CUT e com o apoio decisivo de movimentos populares nossos parceiros (como o MST, MAB, Levante, CMP e tantos outros), além da UNE e CTB, cerca de 200 mil trabalhadores da cidade e do campo, jovens combativos e militantes de esquerda, saíram às ruas de norte a sul do Brasil.
Em São Paulo, debaixo de uma chuva torrencial, ocorreu a maior manifestação com dezenas de milhares de participantes que, como em outros pontos do país, levantavam claramente suas propostas e reivindicações com base no “tripé”: defesa dos direitos dos trabalhadores (abaixo as MPS 664 e 665, não ao PL 4330), defesa da democracia (corrupção se combate com reforma política e essa se faz com Constituinte, como diziam as resoluções da Executiva e Direção nacional da CUT) e em defesa da Petrobras, patrimônio do povo ameaçada de privatização e da perda do controle do Pré-sal na esteira da Operação Lava Jato.
O 13 de março, com a CUT à cabeça, forneceu um ponto de apoio para a resistência popular à ofensiva da grande mídia, da direita e da oposição golpista, que vinham há meses preparando e convocando os atos de 15 de março! Ponto de apoio essencial para enfrentar a situação de aguda crise que atravessa o país, apenas quatro meses depois da vitória eleitoral de Dilma no polarizado 2º turno das eleições presidenciais de 2014.
Superamos todos os obstáculos
Não faltaram obstáculos a serem superados para o êxito do 13 de março. Desde pressões para não reagir à ofensiva da direita, passando pela manipulação dos jornalões para descaracterizar a nossa pauta, até setores que se dizem de esquerda e se negaram a participar dos atos, tachando nossa mobilização de “governista” para justificar sua linha de “nem 13, nem 15”. E isso quando nossa pauta destacava o combate às medidas de ajuste fiscal pilotadas pelo ministro Levy que atacam direitos trabalhistas!
Todos esses obstáculos foram superados pela garra e mobilização daqueles que garantiram a derrota de Aécio no 2º turno de 2014 e que, portanto, são os que têm mais autoridade para cobrar do governo Dilma suas reivindicações e a mudança da política econômica que empurra o país para a recessão!
O 15 de março e a manipulação golpista
Já o dia 15, que reuniu num domingo centenas de milhares (e não “milhões”, como pretendeu a PM de Alckmin ao inflar o ato de São Paulo em 1 milhão) em todo o país, foi convocado por empresários, partidos de oposição (PSDB, PPS, Solidariedade, PSB-SP e outros) que não ousaram dar a cara nas ruas, preferindo manipular um descontentamento real que existe na sociedade (e não só na elite), em particular de repúdio à corrupção, para canalizar tudo no “Fora PT e Fora Dilma”.
Senão vejamos o caso de São Paulo (que a Datafolha deu 210 mil manifestantes, o que tampouco deve ser subestimado): a Assembleia Legislativa mudou o horário de posse dos deputados para que caravanas do interior viessem à Paulista; horário de jogo de futebol foi mudado, a Globo fazia propaganda diária do 15, catracas do Metrô foram liberadas, setores conservadores de igrejas católica e evangélicas se juntaram à maçonaria e patrões que tentavam obrigar seus funcionários a participar, até mesmo dispensando turnos de domingo. Enfim, tudo foi feito para engrossar o ato.
Essa ampla frente, onde não faltaram cartazes em inglês e bandeiras dos EUA, é similar ao que a burguesia pró-imperialista faz hoje nas vizinhas Venezuela e Argentina, disseminando seu ódio de classe às organizações dos trabalhadores e do povo pobre!
E a reação do governo?
Numa situação em que o governo Dilma estava acuado, o PT (partido da presidente) paralisado e com sua bancada isolada no Congresso nacional (onde “aliados” como Renan e Cunha do PMDB, envolvidos na Lava Jato, querem livrar sua cara jogando a responsabilidade pela corrupção para o Executivo federal), todos e todas que garantiram os atos de 13 de março esperavam uma sinalização positiva à sua pauta.
Infelizmente, o governo não veio a público nem no dia 13 nem no 14. Esperou os atos do dia 15 para enviar os ministros à TV para promover o “diálogo” com os manifestantes. Coisas importantes foram ditas – como o fim do financiamento empresarial de campanhas e que Gilmar Mendes deveria liberar o seu voto no STF sobre o tema – mas no essencial, o Plano Levy de ajuste fiscal, o que se ouviu é que vai continuar!
Isso numa situação em que o Plano Levy está paralisando a economia do país, junto com os efeitos da Lava Jato na Petrobras: parando as obras do PAC, os ministérios, as Universidades públicas, o FIES, o lançamento da 3ª fase do Minha Casa Minha Vida, forçando Estados e Municípios a também fazerem cortes e mais cortes nos gastos públicos! .
É isso que decepciona os trabalhadores e a juventude e joga na confusão setores populares que os reacionários golpistas tentam manipular. É essa política que tem que mudar!
O que os atos de 13 de março deixaram evidente é que o governo federal tem que voltar à pauta do 2º turno das eleições presidenciais, pois a única saída positiva para a atual crise é reatar com a sua base social.
A reforma política, com o fim do financiamento empresarial de campanhas, tem que ser tocada através da Constituinte, pois como dizíamos na campanha do Plebiscito Popular, “com esse Congresso não dá!”, e não pode o governo se prender no respeito às  instituições que estão desmoralizadas (Congresso e também Judiciário).
A última pesquisa Datafolha (18/3), que registra queda de popularidade de Dilma, registra que a do Congresso é ainda maior!
O governo tem que avançar na reforma agrária, na reforma urbana e defender os investimentos da Petrobras no Pré-sal.
Para barrar a ofensiva golpista de direita, o governo tem que se voltar para as reformas populares que mobilizam a sua base social e permitem recuperar a confiança de setores populares manipulados por seus próprios inimigos (a direita reacionária).
Todos os prazos se encurtaram.
Intensificar uma jornada de luta!
Em 7 de abril está marcada a votação do PL 4330 na forma de um substitutivo que mantém a “terceirização ilimitada”. A CUT estará em Brasília nesta data para impedir esse ataque maior aos nossos direitos.
Neste 19 de março, a CUT se reúne com as entidades e movimentos, que conosco garantiram o sucesso dos atos do dia 13, para discutir a continuidade da luta, com a certeza de que não podemos abandonar as ruas para a direita e de que é preciso forjar um calendário de atos unitários de massa até o próximo 1º de Maio, pelas reivindicações, pelas reformas populares, pela Constituinte para a reforma política e em defesa do mandato popular dado a Dilma no 2º turno – na forma, pois é um mandato legítimo, e no conteúdo que lhe deu a maioria do povo brasileiro: barrar o retrocesso!
É hora de mudar a política econômica!
Retirada das MP’s 664-665! Não ao PL 4330! Abaixo o Plano Levy!
Fim do financiamento empresarial! Corrupção se combate com reforma política e Constituinte!
Em defesa da Petrobras!
 
Por Júlio Turra, diretor executivo da CUT Nacional

Servidores de Planaltina/GO em greve realizam assembleia nesta quarta (18)

Em greve há 15 dias, os servidores públicos municipais de Planaltina de Goiás devem decidir os novos rumos do movimento paredista nesta quarta-feira (18), às 15h, em assembleia.
De acordo com do Sindiplag-GO, esta é a maior greve da história dos servidores públicos de Planaltina de Goiás. Mais de 70% dos serviços públicos estão com as atividades paradas.
“Mesmo com a grande adesão ao movimento por parte dos servidores, o governo continua inflexível em negociar, até o momento as propostas feitas têm sido rejeitadas por unanimidade da categoria”, avalia o presidente do Sindicato, João Edson.
Desde setembro do ano passado os servidores reivindicam o pagamento de 30% de titularidade, pagamento do Piso Nacional Salarial para o magistério e reajuste salarial de 30%.
Na última terça-feira (10), o governo municipal apresentou uma proposta aos servidores que contempla apenas uma parte da pauta de reivindicação da categoria e prevê início do pagamento dos valores a partir de julho deste ano, com finalização em 2016. Anteriormente, a prefeitura havia feito proposta parecida, mas com parcelamento até 2019.
Diante deste cenário, os guardas civis municipais se somaram a greve dos servidores municipais, e hoje completam sete dias de greve. A guarda municipal  reivindica  a implementação de plano de carreira. Assim como as outras categorias do funcionalismo público de Planaltina de Goiás, os guardas tentam um acordo com a prefeitura desde o ano passado.
Além da implementação do plano de carreira, a guarda municipal também reivindica o pagamento de 30% de titularidade e reajuste salarial de 30%, como os demais setores do funcionalismo público municipal.

CUT chama Abril de Lutas para barrar PL 4330 e ataques aos direitos

O presidente da Câmara Federal, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), em reunião ocorrida na última quinta-feira 11 com representantes das confederações patronais da indústria, das instituições financeiras, da agricultura e pecuária, dos transportes, da saúde e das cooperativas, marcou a votação do PL 4330 (da precarização. flexibilização e subcontrações ilimitadas) em plenário para o próximo dia 7 de abril, logo após o feriadão da Semana Santa.
O texto que irá a votação será o substitutivo do deputado Artur Maia (SD-BA), que liberaliza a terceirização e quarteirizações para todas as atividades das empresas, incluindo as atividades principais e permanentes, das áreas rurais e urbanas, empresas públicas, sociedades de economia mista, autarquias e fundacionais. Mantém a responsabilidade subsidiária entre contratantes e contratadas e diz explicitamente que salários, direitos e benefícios serão diferenciados em função do enquadramento sindical.
“Ou seja, prevalece o enquadramento sindical pelo conceito de categoria profissional, quando na verdade todas as categorias serão esfaceladas. A classe trabalhadora será ainda mais fragmentada em sua organização e representação e com isso, em pouco tempo, seus direitos conquistados após décadas de lutas serão solapados. As negociações coletivas só terão alguma efetividade, onde os empresários tiverem interesse e para os segmentos que avaliarem ser necessário”, afirma Miguel Pereira, secretário de Organização da Contraf-CUT e integrante do Fórum em Defesa dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização.
“Vamos organizar o Abril de Lutas, uma das maiores e mais amplas mobilizações na sociedade  para derrubar o PL 4330 e todos os ataques aos direitos da classe trabalhadora. Não podemos aceitar uma reforma trabalhista que rouba direitos que os trabalhadores levaram séculos para conquistar, com muita luta, suor e sangue. O PL 4330, por exemplo, representa mais rotatividade de mão de obra, com demissão imotivada para substituição por salários menores, o fim de pisos salariais e de menores jornadas, o fim de concursos públicos e de carreiras, a criação de subcategorias com remuneração e direitos inferiores, a pulverização e disseminação de pequenos sindicatos, a falta de representação sindical em muitas novas categorias e o enfraquecimento da organização dos trabalhadores ”, explica Rodrigo Britto, presidente da CUT Brasília. “É uma dos mais graves ataques aos trabalhadores que se têm notícia. Precisamos organizar um chamamento geral para toda a sociedade para barrar o grave retrocesso nas condições de trabalho que estão querendo promover, que objetiva na verdade aumentar a exploração da mão de obra e os lucros dos patrões, em detrimento da qualidade de vida e de trabalho da maioria da população brasileira”, completa o dirigente CUTista.
Rolo compressor do patronato
Durante a reunião com Eduardo Cunha também foi orientado às entidades patronais buscar dialogar com os líderes partidários, a fim de construir os consensos, porque o projeto irá a votação de qualquer maneira no dia 7 de abril. Participaram representantes das confederações nacionais da Indústria (CNI), das Instituições Financeiras (CNF), da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Transporte (CNT), da Saúde (CNS), da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Em audiência com as centrais sindicais, em 25 de fevereiro, o mesmo procedimento foi apontado por Eduardo Cunha com a realização de debates neste mês de março. “Mas a conjuntura econômica e política vem dominando a agenda e institucionalmente até o momento nenhum debate ocorreu na Câmara. Aliás, fica claro que pautar a votação do PL 4330 é um dos preços exigidos agora pelo financiamento privado das campanhas eleitorais em 2014″, acrescenta Miguel Pereira.
“Aproveitando o cenário político conturbado e a fragilização momentânea do PT e do governo da presidenta Dilma, o deputado Eduardo Cunha, mesmo tendo seu nome citado na operação Lava-Jato, se sente à vontade, ou pressionado pelo grande capital, a fazer a votação logo no início dessa legislatura”, avalia o dirigente da Contraf-CUT.
Retomar a mobilização já
Diante desse quadro gravíssimo, é preciso retomar a mobilização,  visitando novamente todos os gabinetes, preferencialmente as lideranças partidárias, com o dossiê sobre os impactos da flexibilização do trabalho sobre a classe trabalhadora, lançado em 3 de março pela CUT em parceria com o Dieese.
Importante também que os sindicatos filiados à Contraf, juntamente com as CUTs estaduais, organizem atos, visitas aos parlamentares nos estados, vigílias, envio de correspondências cobrando o compromisso de cada parlamentar e divulgando o seu posicionamento, como os trabalhadores fizeram na batalha de 2013/2014, com pleno êxito na suspensão do trâmite do projeto.
Próximos passos
Caso o PL 4330/2004 seja aprovado no plenário da Câmara, seguirá para o Senado, onde existe projeto idêntico (PLS 087), de autoria do então senador e hoje ministro da Indústria, Armando Monteiro.
A única saída dos trabalhadores nesse momento é mobilizar contra essa grande ameaça.

2015: um ano chave para o Mundo do Trabalho nas relações internacionais

Este ano de 2015 é muito importante no plano das Relações Internacionais. Isto porque há uma série de negociações multilaterais atualmente em curso que tem a sua conclusão prevista para até dezembro. São processos complexos e em várias frentes, que atingem a vida dos trabalhadores/as de diferentes maneiras e intensidades, assim como terão impacto sobre determinadas políticas do Itamaraty e do próprio Governo brasileiro.

Em suma, será um ano de fim de diversos ciclos de negociação. Isto se aplica à Organização Mundial do Comércio (OMC), às negociações do Clima na ONU (UNFCCC-COPs), aos debates sobre um novo modelo de Financiamento ao Desenvolvimento (FfD), à criação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) desencadeados na Rio+20, às disputas na Organização Internacional do Trabalho (OIT) para defender o Direito de Greve frente aos ataques patronais na Comissão de Normas, dentre outros. A participação dos trabalhadores/as na União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) e nos BRICS (bloco composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) é outro elemento que estará em evidência na pauta sindical.

Integração Regional, Comércio e Finanças

No plano dos acordos de Integração Regional esse ano marca a possível conclusão das longas negociações entre Mercosul e União Européia. Neste momento em que celebramos os 10 anos da derrota da ALCA, o livre comércio volta a estar no radar de nossa região, exigindo o compromisso de luta dos trabalhadores/as contra a regressão dos direitos em favor da livre circulação do grande capital. Já os BRICS se reunirão pela sétima vez na cidade de Ufa, na Rússia, em julho deste ano, com a expectativa de que se consolide a participação do movimento sindical neste espaço multilateral após um processo de diálogo com os governos. Apesar da aprovação da criação do Banco de Desenvolvimento e do Acordo Contingente de Reservas dos BRICS na última Cúpula de Fortaleza em 2014, o seu funcionamento pleno dependerá ainda da aprovação pelo Congresso Nacional de cada um dos países-membros. No caso do Brasil, o Congresso ultraconservador eleito em outubro do ano passado poderá impor obstáculos a esta aprovação e usar isso como elemento de barganha para atingir outros interesses.

No plano comercial, a OMC espera concluir a chamada Rodada Doha de negociações (iniciada ainda em 2001) na Cúpula deste ano, no Quênia, sob a direção do brasileiro Roberto Azevedo. Como sabemos, o mandato da OMC tem por objetivo a liberalização comercial e as negociações têm empacado principalmente em temas que dizem respeito à soberania alimentar e ao acesso dos países emergentes aos mercados agrícolas dos países desenvolvidos. Significa dizer, em contrapartida, que o maior interesse dos países desenvolvidos está no acesso aos mercados industriais e de serviços nos países em desenvolvimento, onde o movimento sindical deve estar especialmente atento às ameaças de desemprego e desindustrialização.

É importante ressaltar, no entanto, que a persistência da queda no preço das commodities agrícolas tende a dificultar a obtenção de expressivos superávits comerciais por parte dos países emergentes exportadores como o Brasil, alinhados nas negociações da OMC no G20 comercial e no chamado Grupo de Cairns. Já o tema petróleo é um caso à parte. Isso porque existe toda uma geopolítica envolvida na definição do seu preço que envolve odumping do preço do barril por parte da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para contra-atacar as recentes descobertas de imensas reservas de petróleo e gás de xisto (extraídas em processo conhecido como fracking), sobretudo nos EUA e Canadá.

Desde quando estourou a crise financeira originada pela especulação com títulos subprime nos EUA, em 2008, o G20 talvez nunca tenha tido um momento tão favorável para tomar ações enérgicas contra o cassino especulativo internacional. O recente vazamento do escândalo envolvendo o gigante HSBC é apenas a ponta de um iceberg de crimes financeiros que envolvem bancos, políticos, grandes empresas e até o crime organizado. A falta de ação do G20, que tem levado este espaço a perder a sua importância, pode ser pelo menos em parte revertida em 2015; isso se houver vontade política.

Américas

Neste ano testemunhamos também a importante retomada das relações diplomáticas entre os EUA e Cuba, uma mudança que terá repercussões sobre todo o continente, começando já em abril na VII Cúpula de Chefes de Estado das Américas, em que o país caribenho participará pela primeira vez desde que foi excluída da OEA. A solidariedade ao movimento sindical cubano neste momento de transição será um compromisso da CUT nos fóruns internacionais.

A participação social dos trabalhadores será elemento de importantes iniciativas, sobretudo no âmbito da UNASUL, em que a CUT trabalha junto à Confederação Sindical das Américas (CSA) pela institucionalização de um Fórum Sindical. A demanda pela criação de um Conselho de Política Externa no Brasil segue sendo uma pauta a ser trabalhada junto ao Itamaraty, em aliança com outros setores sociais. Neste momento político conturbado em que vivemos, a UNASUL terá mais uma vez que dar provas de sua força para manter a estabilidade democrática da América do Sul, já que as forças da direita – derrotadas democraticamente nas urnas –, estão empenhadas em tramar golpes de Estado na Venezuela, na Argentina e inclusive no Brasil (neste caso, disfarçado de impeachment). Não aceitaremos que os EUA estimule, direta ou indiretamente, a desestabilização de governos legitimamente eleitos pelo voto.

Clima e Desenvolvimento Sustentável

As negociações do clima, dos objetivos do desenvolvimento sustentável e do novo arranjo de financiamento para o desenvolvimento são três processos que irão se cruzar ao final do ano. A própria Cúpula da OMC em dezembro está vinculada ao que resultar desses processos. No pano de fundo político mais amplo dessas negociações, está em jogo a possibilidade de se criar um novo modelo de desenvolvimento econômico que seja social e ambientalmente justo. O capital tem jogado pesado para que os resultados das negociações indiquem um caminho que deixe ao mercado (dominado por cartéis empresariais) o protagonismo na mudança do modelo de desenvolvimento. A CUT continuará a contribuir com a luta da CSI por uma Transição Justa e contra as falsas soluções apresentadas como saída para a crise do clima e do desenvolvimento.

Diante desta difícil conjuntura, é vital que o movimento sindical Cutista esteja articulado e unido nas diversas instâncias de representação internacional, de forma que tenhamos uma atuação forte e coesa, que defenda a democracia e os direitos dos trabalhadores/as frente aos ataques que partem tanto das empresas, quanto dos golpistas.

Escrito por:Antonio de Lisboa Amâncio Vale

secretário de Relações Internacionais da CUT

Artigo: "A rua é nossa", por Jacy Afonso

As ruas se encheram de gente, em todo o Brasil. Milhares e milhares de pessoas, em manifestações emocionantes deram seu recado: Não nos intimidaremos com atitudes amedrontadoras que objetivam nos manipular. Não deixaremos o golpe acontecer!
Depois de uma disputa eleitoral dura e desleal, em que a militância fez a diferença garantindo a continuidade de um projeto de nação que luta arduamente para diminuir distâncias sociais e econômicas, nos vimos diante de uma situação de eleições, de uma conjuntura que tenta enfiar goela abaixo da população a ilegitimibilidade de um mandato democrático.
Terceiro turno? Jamais. O processo eleitoral acabou! E vamos defender a democracia e seus valores.  Essa determinação foi clarificada nas manifestações de 13 de março de 2015. O Brasil, em todas as capitais e no DF e em muitos outros recantos, se viu cheio de gente. De muita gente, junta, altiva, firme de propósitos.
Essa gente tem clareza de causas. Sabe o porquê de estar na rua. Gritamos a necessidade da reforma política, item fundamental no debate sobre financiamento privado de campanhas eleitorais e combate à corrupção. Falamos aos quatro ventos que defenderemos a Caixa 100% pública. Explicitamos que não deixaremos que a Petrobrás seja desqualificada com o objetivo claro de ter seu capital exposto às garras vampirescas, especialmente dos Estados Unidos. Mandamos o recado à presidenta Dilma e aos membros da equipe econômica chefiada pelo ministro Joaquim Levy que defendemos a democracia com unhas e dentes, mas o nosso compromisso é com trabalhadoras e trabalhadores do Brasil que, semeadores das riquezas devem colher seus frutos.
Não fomos alguns poucos ou um amontoado de gente sem causa.  Somos muitos e sabemos que, apesar de não querermos muito do que aí está, vamos defender a democracia, garantir direitos e avançar em conquistas.  Sem qualquer dúvida, queremos um país forte, com empresas públicas fortalecidas, assegurando autodeterminação ao nosso povo e ao nosso país.
As manifestações de 13 de março de 2015 se configuraram em atos que resgataram a união de partidos políticos, centrais sindicais, movimentos populares, gente do campo e da cidade. Os atos demonstraram que a CUT e seus dirigentes, acertadamente chamaram às ruas as guerreiras e os guerreiros que, aparentemente com suas almas cansadas, fortalecem seus espíritos em meio à tempestade, alinham sua coluna e encaram a luta de peito aberto e coração valente.
Que ninguém divide: A Central Única dos Trabalhadores, não envelheceu.  Aos 32 anos espalha aos quatro cantos que “Somos fortes, somos CUT”. Fortalecendo seu papel democrático e aglutinador, nossa Central  abre as porteiras dos bretes em que a imprensa golpista e os batedores de panelas quiseram nos encantonar. Os laços de apartação foram rompidos e o encontro se deu. Esquecemos o medo. Saímos às ruas de cara limpa. Não nos escondemos atrás das janelas ou das máscaras. Afinal, nosso lugar é junto a nossa gente, é próximo daqueles que por dezenas e dezenas de anos nem panelas tiveram e que agora as usam para aquecer seus alimentos, fortificar seus corpos e acalentar seus corações.
Mostramos que podemos dar uma trégua as nossas almas aparentemente cansadas. Mas que não estamos dormindo em berço esplêndido. Sabemos nos juntar quais arbustos para não vergar à tempestade. E eis que levantamos e mostramos a quem interessar possa que nossa união, nossa alegria e nossa luta não precisam lançar mão da violência para dizer a que viemos. São herança dos que acreditam sempre na justeza de nossas causas.
*Jacy Afonso é secretário nacional de Organização da CUT 

Em defesa da democracia, trabalhadores se manifestam em Dia Nacional de Luta da CUT

Dia Nacional de Luta, realizado pela CUT na última sexta feira (13), reuniu uma multidão de sindicalistas, trabalhadores, estudantes, movimentos sociais em todo o país. Em defesa da democracia, dos direitos da classe trabalhadora, da Petrobrás e da reforma política, manifestantes ocuparam as ruas e praças em diversas capitais. Em Brasília, a concentração aconteceu às 14h na Praça dos Aposentados, localizada no Setor de Diversões Sul, com posterior ocupação da Rodoviária do Plano Piloto.

“O ato do dia 13 teve quatro eixos principais: defesa da democracia e contra o golpe, defesa da Petrobras e demais empresas estatais e contra a corrupção, defesa da reforma política e defesa dos direitos da classe trabalhadora. Estamos falando nas ruas em alto e bom tom a todos, governantes e patrões, que não aceitaremos nem um passo para trás no que diz respeito aos nossos direitos e conquistas”, afirma o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.

Na ocasião, os manifestantes exibiram faixas com os eixos da revindicação e contaram com a presença do cantor e violinista Chico Nogueira, que prestigiou os participantes com um repertório repleto de músicas regionalistas. Depois da apresentação cultural, os representantes de movimentos sociais e sindicais que estavam presentes iniciaram as falações.

“É importante que o trabalhador venha para a rua discutir essas pautas e reafirmar a democracia brasileira. Estamos aqui em defesa da Petrobras, que é uma das principais empresas brasileiras e que tem um papel importantíssimo no fortalecimento da economia, estamos lutando contra o retrocesso nos direitos dos trabalhadores brasileiros e a favor da reforma política, com fim do financiamento privado de campanhas políticas. Não existe um real combate à corrupção se não mudarmos o sistema político brasileiro, que favorece o poder econômico. Nós vivemos um período retrógrado no Congresso, onde a grandíssima maioria dos parlamentares tem compromisso com as empresas que os financiaram e não com o povo brasileiro, que foi quem os elegeu”, afirma a presidenta do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais do Valparaíso, Olízia Alves.

“Queremos que os processos de corrupção da Petrobrás sejam investigados e que os funcionários envolvidos sejam punidos. O que não queremos é a desvalorização e a privatização de uma empresa que representará aumento dos investimentos em saúde e educação do nosso país”, afirma o secretário geral do Sindsep, Otom Pereira Neves.

Às 17h, os ativistas encaminharam-se à Rodoviária do Plano Piloto, onde distribuíram material de esclarecimento para a população, estenderam faixas, tocaram instrumentos de percussão e entoaram palavras de ordem que resumiam os quatro eixos de reivindicação. Os manifestantes permaneceram na Rodoviária até as 20h30.

Em defesa da democracia
Em um momento político desfavorável para a classe trabalhadora, os movimentos sociais e sindicais que participaram do ato concordam que é essencial a defesa democracia e que os embates devem ser realizados de forma consciente.

“O momento é de pressionar o governo contra as medidas que atacam os direitos dos trabalhadores, mas não pela linha do golpe, como quer a direita conservadora e neoliberal. A gente acha que o impeachment é uma pauta totalmente equivocada, pautada pela direita em um tom golpista que não é a nossa linha política”,  explica Vítor Carvalho, militante da Juventude Revolução.

“A juventude está bem mobilizada por essa causa, porque acreditamos que é nosso dever defender a democracia brasileira. Temos uma nova geração que está acostumada com os avanços sociais que o Brasil teve nos últimos 12 anos, então muitos não sabem como foram os períodos anteriores, como a ditadura militar, onde muitos estudantes e trabalhadores eram presos apenas por se opor ao governo”, lembra o vice presidente regional da UNE, André João.

“Existe um movimento internacional da direita querendo entrar nos países mais progressistas. Já vimos esse processo na Venezuela, no Paraguai, e agora na  Argentina, que está sofrendo com um grande tensionamento. A direita está tentando se organizar internacionalmente contra os governos democráticos, por isso é tão importante que a juventude esteja na rua, para garantir que esses avanços continuem”, completou o líder estudantil.

“O que nós vivemos hoje é muito mais válido no sentido de que toda uma relação de problemas do país está sendo desmascarada, ao contrário de antes, quando ninguém ouvia falar. Se foi eleita (a presidenta), foi eleita por uma maioria. Se há uma minoria inconformada, que se manifeste, porém acho injusta essa intenção de tomada de poder. A proposta de impeachment da presidente hoje quer dizer exatamente isso, ao contrário de quando aconteceu pela primeira vez no nosso país (com o presidente Collor)”, explica o professor Alex Vidigal.

“A grande verdade é a seguinte: o governo não tem uma mídia que consiga defendê-lo da forma que devia ser. Mas temos os movimentos populares conosco, temos os movimentos estudantis e esse processo não pode parar”, afirma o  servidor público Luiz Antônio.

Reforma política e fim do oligopólio midiático
Um dos pontos abordados pelos manifestantes, foi a democratização da mídia, um processo que de acordo com os presentes, só será conquistado com a Reforma Política.

De acordo com a integrante do Centro de Estudos da Mídia Alternativa de Barão de Itararé, Sônia Correa, a democratização da mídia é uma das reformas fundamentais e estruturantes do nosso país. “Não é possível que menos de 10 famílias controlem o que a gente vai ver, o que a gente vai ouvir, o que a gente tem  direito de saber. A mídia hoje escolhe quem vai crucificar, é seletiva em suas escolhas no que diz respeito ao que nós precisamos saber”, afirma a estudiosa.

“É preciso que nesse processo de democratização a gente respeite as regionalidades, por exemplo, eu sou gaúcha e quero ver o meu sotaque representado na TV e não só aquele sotaque esteriotipado de uma mídia hegemônica. Não é possível que o povo brasileiro conheça mais a zona leste de São Paulo do que a periferia da sua própria cidade”, afirma Sônia Corrêa.

“Hoje temos a juventude com mais velocidade de informação, mas nem por isso está melhor informada ou politizada. Então está na hora de começar a politizar nossos jovens. A regulamentação (da mídia) tiraria o monopólio das grandes empresas e daria o espaço que a informação precisa para ser uma coisa mais responsável e mais madura, que existe para informar e não para transformar a população em gado, que é o que  infelizmente temos hoje”, destaca o ativista do Movimento Estudantil RAVE – Revolução Aqui Vem dos Estudantes, Lucas Lima.

100 mil exigem mudança nos rumos da política, mas sem golpe à Democracia

O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, defendeu para 100 mil manifestantes – apenas na capital de São Paulo -, na tarde desta sexta-feira (13), a revisão da política econômica em vigor e informou que a Central apresentará uma proposta alternativa que não onere os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras.
“Ajuste fiscal e não investimento no mercado interno. Outros países do mundo adotaram essa receita e os trabalhadores perderam seus empregos. Nós temos uma classe trabalhadora organizada e classe empresarial bastante forte, se nós tivermos condição de fazer uma política econômica voltada para o crescimento, será bom para todo mundo”, destaca Vagner. “E essa turma que está aqui apresentará uma proposta de política econômica para o Brasil que leve em consideração o fortalecimento e o crescimento do Estado”, destaca.
Vagner defendeu fortemente os quatro eixos da manifestação dos movimentos sociais – Democracia, Direitos, Reforma Política e Petrobrás – e frisou que luta pela Democracia é também uma luta contra intolerância. Na manifestação desta sexta, era possível ver a pluralidade de grupos sociais presentes, que incluía mulheres, homens, crianças, indígenas, negros, brancos, população LGBT, camponeses e movimentos urbanos, entre outros.
A CUT não participará dos atos de domingo (15) e as entidades que organizaram o ato desta sexta apresentarão uma plataforma política de reivindicações para a presidenta Dilma Rousseff.
Defender a Petrobrás é defender o Brasil

João Antonio de Moraes, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) lembra que a  Petrobrás é fundamental para a economia brasileira e que os casos de corrupção não podem ser distorcidos e usados como forma de inviabilizar a estatal e entregá-la para multinacionais.

“São cerca de 1,5 milhão de empregos que giram em torno da indústria de petróleo. Entregar o pré-sal é um crime. O povo não permitirá que isso aconteça. Para nós, está muito claro que, quem cometeu coisa errada, se comprovado, seja punido. Mas paralisar as empresas, principalmente a Petrobrás, é um crime contra o povo brasileiro. E não permitiremos”, ressalta o direitor.
O discurso de contraposição às tentativas de enfraquecer a Petrobrás também é forte na fala de Cibele Vieira, coordenadora geral do Sindipetro Unificado SP. “Querem colocar o ônus que a burguesia tá criando para a classe trabalhadora e não permitiremos isso”, afirma.
“Este não é o único ato. Querem entregar o que restou da Petrobrás para a iniciativa privada, principalmente internacional.” , afirma Adi dos Santos Lima, presidente da CUT-SP. “Esse ato é para dizer aos que querem vender a Petrobrás que devem desistir”.
 
Funcionalismo público
Mais de 10 mil professores ligados ao Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), aprovaram em assembleia uma greve por tempo indeterminado, a começar nesta segunda-feira (16), com pautas como valorização salarial, contratação de concursados e plano de cargos e salários. A presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, lembrou que o governador de São Paulo , Geraldo Alckmin, é inimigo da Educação.
“O governo estadual já fechou mais de 3 mil salas de aula nos últimos dois anos. Se inviabilizarem a Petrobrás, a situação só piora. Os professores e professoras precisam ter claro que defender a Petrobrás é uma luta por Democracia e deve ser encampada por toda a CUT”, destacou.
Reunidos em frente à Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, centenas de trabalhadores e trabalhadoras da saúde também aprovaram por unanimidade a pauta da Campanha Salarial 2O15. Os trabalhadores vão protocolar a pauta de reivindicações e exigir um espaço de negociação. Caso o governo não abra negociações, a categoria discutirá a possibilidade de uma greve.
O governador Geraldo Alckmin, do PSDB (que comanda o Estado há mais de 2O anos) anunciou que não haverá aumento para o funcionalismo este ano. Enquanto isso, aprova um decreto que determina aumento real de 18% para todo seu secretariado.
Após a assembleia geral, que terminou por volta das 14h45, os trabalhadores caminharam em direção à Avenida Paulista e se juntaram ao restante da militância que participou do Dia Nacional de Luta.
“Este será apenas o início das mobilizações. Não aceitaremos que grupos da elite e da direita utilizem o processo de investigação sobre a corrupção na Petrobrás para justificar uma campanha contra o governo, buscando um terceiro turno”, assinalou Gervásio Foganholi, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos na Saúde de São Paulo (SindSaúde/SP).

Agora é hora da Dilma governar ouvindo o povo

Choveu muito durante a maior parte do ato que movimentos sociais promoveram nesta sexta-feira (13), na Avenida Paulista. Mas o destaque mesmo foi o mar de gente que partiu do coração financeiro da cidade até a Praça da República, no centro.
Vagner Freitas em entrevista à imprensa (Foto: Dino Santos)
Para a organização do ato eram 100 mil pessoas. Segundo a PM, apenas 12 mil. Nada melhor, portanto, do que você ver esse vídeo e tirar suas próprias conclusões. Certo mesmo é que entre o início e o fim da manifestação, a marcha demorava exatas 1h20 para passar e trazer bandeiras de várias cores: vermelhas, brancas, negras, multicoloridas do movimento LGBT e, claro, a bandeira do Brasil.
Afinal, uma manifestação que prega a democracia não pode escolher com qual roupa as pessoas devem ir.
Por volta das 18h, com a República cheia de gente e de água, algumas das lideranças dos movimentos fizeram um balanço de uma manifestação que terminou com a execução do Hino Nacional brasileiro e mostrou que o país não tem um único dono, muito menos nossos símbolos.
Para a CUT, a mobilização cumpriu o papel. Por um lado, deixou claro à presidenta Dilma que governar ouvindo o povo, e não apenas o Congresso, não é opcional. Por outro, que a democracia é um valor inestimável para os movimentos sociais.
“Os movimentos e, em especial, a CUT, demonstraram a capacidade de mobilização, de intervenção na conjuntura e de trazer pessoas para defender os seus direitos. A Central deu o recado de que agora precisa acabar o processo de terceiro turno para que a presidenta Dilma possa governar. Mas que governe ouvindo o povo, colocando em prática a agenda que ganhou as eleições. Temos que ter a valorização da negociação e do diálogo no país e o entendimento que o desenvolvimento só virá com melhores condições de vida e emprego para o trabalhador”, afirmou o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas.
Nas ruas desde a ditadura – Para o Secretário-Geral da Central, Sérgio Nobre, os trabalhadores não permitirão que a luta de milhares pela democratização do país escorra pelo ralo da intolerância.
“Se esse país conquistou a democracia foi por conta da classe trabalhadora. Muitas pessoas perderam a vida por isso e sob hipótese alguma a classe trabalhadora vai permitir retrocesso. O recado está dado e agora é continuar as lutas por nossos direitos no Congresso Nacional.”
Para o presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI), João Felício, a reação que se manifesta em forma de tentativa de golpe retrata também interesses econômicos internacionais e unificados.  A saída, define, deve ser sempre à esquerda.
“Todas as vezes em que se elege um governo do campo democrático e popular, os reacionários e golpistas se unificam para tentar derrubar. Já tentaram fazer isso na Venezuela, no Chile e estão tentando fazer isso na Argentina. Mas aqui não permitiremos. Porém, o governo precisa mudar alguns ministros neoliberais que nunca tiveram compromisso com a classe trabalhadora e derrubar as Medidas Provisórias (664 e 665) é um bom começo. Para o ajuste fiscal é preciso taxar as grandes fortunas”, propõe.
Petrobrás e os ataques – Segundo o secretário de Relações Internacionais da FUP (Federação Única dos Petroleiros), João Moraes, a hora é de mostrar quem realmente é a Petrobrás.
Bandeiras de todas as cores: democracia é isso (Foto: Dino Santos)
Para ele, a melhor forma de reverter a imagem negativa da empresa é o povo ir às ruas como fez em defesa da criação da estatal.
“Em 2014, a Petrobrás se tornou a maior produtora de petróleo com capital aberto do mundo, recebeu pela terceira vez o prêmio Nobel da indústria do petróleo, bateu recordes no refino, aumentou em 20% a produção de etanol e, em 8 anos, começou a produzir o pré-sal, enquanto outras petroleiras levam 15 anos. Não fosse o bloqueio dos grandes meios de comunicação,  hoje o povo brasileiro teria orgulho da Petrobrás e cobraria, sim, a solução dos problemas, mas teria noção de que são muito pequenos diante da grandeza da Petrobrás”, definiu.
Juventude nas ruas…
Presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes), Vitória Barros, a Vic, avalia que a mobilização popular provou novamente a disposição para defender a democracia brasileira, a educação, a Petrobras e a reforma política. E é só o começo.
“Em abril, vamos fazer uma jornada de lutas em defesa de nossas pautas, como a desmilitarização da PM, o fim do extermínio da juventude negra, a reforma agrária e a reforma política para acabar com o financiamento empresarial para campanhas. Estamos nas ruas e estamos vencendo”, avaliou.
Militante do Levante Popular da Juventude, Pedro Freitas, lembrou que o crescimento na participação da juventude nas ruas, desde junho de 2013, que culminou na revogação do reajuste da tarifa de transporte público em diferentes capitais do Brasil.
“Queremos uma reforma do sistema político através de uma constituinte exclusiva e soberana, que permitirá romper com o cerco político que as forças da direita estão fazendo ao governo federal com o apoio da grande mídia. E não queremos ajustes fiscais que penalizam os jovens, como faz as Medidas Provisórias (664 e 665), que dificultam o acesso ao seguro-desemprego num cenário em que a rotatividade atinge principalmente a nossa geração”.
Presidenta da UEE (União Estadual dos Estudantes de São Paulo), Carina Vitral, a mobilização é essencial para impedir corte em programas voltados à educação como o Prouni (Programa Universidade para Todos), o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e as cotas nas universidades federais.
“Os royalties do petróleo devem ser destinados para a educação e os 10% do PIB (Produto Interno Bruto) precisam ser cumpridos. Por isso, nenhum corte e nenhum direito a menos”, cobrou.
…e o campo também
Dirigente do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), João Paulo Rodrigues destaca que apesar de o governo manter uma dívida com a reforma agrária, o caminho não é o golpismo.
A chuva não espantou a militância (Foto: Roberto Parizotti)A chuva não espantou a militância (Foto: Roberto Parizotti)“Estamos nas ruas há 30 anos e não há 30 dias e vamos continuar defendo os interesses do povo brasileiro nas ruas e ocupações de terra e não aceitaremos retrocesso na democracia e nos direitos sociais.”
Para além da luta em si, a coordenadora do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) Liciane Andrioli, ressaltou o aspecto formador de uma ação gigantesca.
“Vivemos num contexto de acirramento da direita e de uma mídia manipuladora e é preciso sair às ruas pra discutir com a sociedade as nossas bandeiras de luta. Nosso movimento de hoje é diferente do que será o outro daqui dois dias, que representa uma burguesia raivosa que quer vender a Petrobras para os norte- americanos e quer retrocesso de direitos da classe trabalhadora e desmoralizar os movimentos.”
No final de semana, as mobilizações mudam de foco, algo que não faz muito sentido para a maior parte do mundo. Prova disso é que, no final da noite, o diretor Executivo da CUT Júlio Turra concedeu uma entrevista a uma jornalista russa que lançou a seguinte pergunta.
“Por que só passaram 70 dias das eleições e o povo brasileiro quer tirar a presidenta?”. Depois desta sexta, ela já sabe que não é exatamente dos interesses do povo brasileiro que se trata.

“Não vai ter golpe”, afirmam manifestantes do DF e do Brasil

Trabalhadores, sindicalistas, estudantes, integrantes do movimento social e a sociedade em geral deram uma resposta à altura às tentativas dos setores reacionários de tomar o governo à força. As manifestações realizadas no Dia Nacional de Luta marcaram o dia 13 de março no Distrito Federal e no Brasil. Na capital federal, cerca de cinco mil pessoas lotaram a Rodoviária do Plano Piloto e adotaram como uma das palavras de ordem a afirmação de que “não vai ter golpe”.
A concentração do ato, convocado pela CUT Brasília e outras entidades, começou às 14h, na Praça dos Aposentados (no Conic), onde foi realizado ciranda e falações sobre os motivos da manifestação do dia 13 de março.
“O ato do dia 13 tem quatro eixos principais: defesa da democracia e contra o golpe, defesa da Petrobras e demais empresas estatais e contra a corrupção, defesa da reforma política e em defesa dos direitos da classe trabalhadora. Não aceitaremos nem um passo para trás no que diz respeito aos nossos direitos e conquistas”, afirma o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.
Às 17h, os manifestantes seguiram para a Rodoviária do Plano Piloto, passando por dentro do Conic e, em seguida, pela plataforma que liga o setor de diversões ao Conjunto Nacional, onde receberam apoio de motoristas que passavam pela que via que liga a Asa Norte à Asa Sul, pelo eixo W.
Na Rodoviária do Plano Piloto, o canto dos manifestantes, vestidos de vermelho, ecoou e emocionou quem participava do ato. Estava claro: o povo quer avançar e não retroagir.

#Dia13Diadeluta: RO e RS dão inicio às mobilizações

Aquecendo os motores para o Dia Nacional de Luta em defesa dos direitos da classe trabalhadora, da Petrobrás, da Democracia e da Reforma Política (amanhã – 13 de março), movimentos sociais de Rondônia e do Rio Grande do Sul mobilizaram a militância em manifestações realizadas nesta quinta-feira (12).

Rondônia – Segundo relato do presidente da CUT-RO, Itamar Ferreira, centenas de camponeses e trabalhadores marcharam pelas principais ruas de Porto Velho, dando o recado do povo para setores da sociedade que acham que poderão atropelar a democracia facilmente.
O ato articulou pautas locais como valorização da agricultura familiar e reivindicações das mulheres do campo com a pauta nacional.
Rio Grande do Sul – Um dia histórico para os movimentos sociais do Rio Grande do Sul. Desde o começo da manhã desta quinta-feira, 12, milhares de trabalhadores e militantes foram às ruas em defesa da democracia e direitos, da Petrobrás e da Reforma Política. Diferente do restante do Brasil, os atos no estado aconteceram hoje e não dia 13, por causa das atividades dos camponeses que acampam em Porto Alegre desde terça-feira, 10.
Com fortes críticas à manipulação da mídia na exploração da Operação Lava Jato e da organização dos setores conservadores da direita, as mobilizações iniciaram por volta das 6h30 da manhã na Refinaria Alberto Pasqualini, em Canoas.
O presidente do Sindipetro-RS, Fernando Maia, afirmou que os petroleiros defendem a  Petrobrás porque sabem a importância dela para a sociedade e desenvolvimento do país. “As pessoas que cometeram crimes, que sejam punidas. Mas não podem penalizar os 86 mil trabalhadores. Enquanto uma meia dúzia fica nos gabinetes desviando dinheiro e sujando a imagem da empresa, os trabalhadores estão cavando buracos no fundo do mar.”
O petroleiro lembrou o interesse que há por trás da intensa campanha midiática sobre a corrupção da Petrobrás. “Não temos dúvida que há um interesse em privatizá-la. Que multinacional não gostaria de ter o lucro da Petrobrás?”, questionou Maia.
Temos história. Não nascemos nas redes sociais
Segundo contou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, muitos questionavam se os atos chamados para hoje e o dia 13 eram um contraponto ao dia 15. “Acho essa comparação absurda. Somos os movimentos sociais, temos história, pauta e conhecem a nossa cara. Não nascemos nas redes sociais, não somos anônimos. Pelas falas dessa turma, parece que a corrupção no país iniciou em 2002. Mas se não havia corrupção antes, onde foi para o dinheiro das empresas que foram privatizadas nos anos 90? Naquela época não tinha Prouni, Pronatec, Bolsa Família e outros programas que favoreceram os mais pobres”, declarou o dirigente.
Nespolo também defendeu a necessidade de uma Reforma Política com o fim do financiamento das campanhas eleitorais pelas empresas como forma de enfrentar a corrupção. “Vocês já viram empresários e patrões reclamando da corrupção? Eles só reclamam da carga tributária, porque eles financiam as campanhas dos políticos que eles querem eleger e depois cobram a conta.”
Outra pauta abordada pelo diretor foi o fim das Medidas Provisórias 664 e 665, que alteram direitos da classe trabalhadora. “A CUT já sinalizou ao governo federal a retirada dessas MPs  e a abertura do diálogo com a classe trabalhadora”, finalizou.
Mais de mil trabalhadores participaram do ato em Canoas, diversos funcionários da empresa ficaram no pátio apoiando a manifestação. Integrantes do Levante Popular da Juventude tocavam e cantavam músicas entre as falas dos militantes. Representantes do MAB e Via Campesina ressaltaram suas pautas e jornadas de lutas, além de defender a Petrobrás.
No IPE, professores cobraram o governo estadual
Em Porto Alegre, por volta das 9h, iniciou a concentração em frente ao do Instituto da Previdência do RS (Ipe). A atividade chamada pelo Cpers/Sindicato denunciava as más condições dos atendimentos pelo Instituto. Após bloquearem a avenida Borges de Medeiros, os sindicalistas foram recebidos por membros da direção do IPE.
Presidente do Cpers, Helenir Oliveira, explicou que o IPE Saúde é descontado todo mês, mas os professores não tem atendimento. “Os médicos não querem atender quem tem IPE. Entendemos isso, como um calote”, afirmou.
De acordo com a direção do IPE não há atrasos nos pagamentos, mas um jogo de resistência dos médicos para aumento salarial. “Sabemos da importância do IPE e do colapso na saúde que o fechamento dele causaria. Por isso, os trabalhadores tem que denunciar”, orientou o diretor de saúde do IPE, Antônio de Pádua.
Após, os professores se integraram na concentração no Largo Glênio Peres, no centro de Porto Alegre.
Milhares nas ruas de Porto Alegre defendem a democracia
Por volta das 10h, milhares de militantes ocupavam o tradicional Largo Glênio Peres, com bandeiras de entidades e cartazes defendendo a democracia e criticando um possível golpe. No caminhão, inúmeras entidades passaram o seu recado intercalado com músicas e palavras de ordem.
Mesmo com forte calor e o sol do meio dia, os manifestantes marcharam até a Praça da Matriz para o ato de encerramento. Houve uma ação da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do RS (FETRAF-RS) em frente ao Palácio Piratini, os agricultores familiares jogaram leite e milho na rua, para reivindicar do governo estadual a liberação de R$ 10 milhões, que estão nos cofres do estado desde outubro de 2014 e destinação desses para a compra de leite da agricultura familiar.
Na manifestação de encerramento, o presidente da CTB-RS, Guiomar Vidor, declarou que “não vamos permitir que interesses estrangeiros interfiram na democracia e na soberania brasileira.”
Parabenizando a união dos trabalhadores do campo e da cidade, da juventude e de diversos movimentos e sindicatos, o secretário nacional de Finanças da CUT, Quintino Severo, chamou atenção para o importante momento que o Brasil vive. “Temos clareza da nossa pauta e justamente por isso, não podemos confundir corrupção com desmonte do patrimônio brasileiro”, disse.
Severo destacou a delação premiada, aprovada no governo Dilma. “Se hoje, os corruptos estão sendo punidos é porque nós demos as condições legais para isso. Agora, está na hora de falarmos nos corruptores, nos donos das contas milionários do HSBC”.
Por fim, o cutista questionou quando os brasileiros que bateram panelas durante o pronunciamento da presidente, bateram panela pelo aumento do salário mínimo, pela valorização dos trabalhadores. “Não vamos aceitar nenhum tipo de golpe no projeto que estamos construindo desde as Diretas Já”, finalizou.
Democracia se faz nas ruas
A última fala desse dia de defesa da democracia foi do líder dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Pedro Stédile, que iniciou cobrando as dívidas do governo com os camponeses e os trabalhadores. “Mas estamos aqui para lembrar a Rede Globo que a Petrobras é nossa!”
Stédile defendeu a punição aos corruptos e corruptores e a necessidade da Reforma Política: “a corrupção começou quando o primeiro capitalista europeu pisou no nosso país. Se o Congresso Nacional tivesse vergonha na cara, aprovaria o plebiscito por uma Constituinte Exclusiva.”
Ele também sugeriu que a Praça da Matriz mude de nome para praça da Democracia ou praça da Resistência Popular. “Foi aqui nessa praça que o então governador Leonel Brizola começou a Campanha da Legalidade. E o que temos hoje é só o começo do joga da luta de classe porque democracia se faz nas ruas”, enfatizou Stédile.
Cerca de 10 mil pessoas, de todas as regiões do estado, das mais diversas categorias e movimentos sociais, participaram das atividades de hoje, numa demonstração clara do que é democracia.
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