Trabalhadores sem terra vão às manifestações em apoio aos servidores do GDF

A Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) vem manifestando na prática solidariedade aos servidores distritais e trabalhadores terceirizados, que vivem sérios problemas com atraso de pagamentos e benefícios, além de ataques a direitos e medidas arbitrárias do GDF.
Centenas de sem terra participam das manifestações em defesa dos servidores porque entendem que suas próprias reivindicações por legalização de assentamentos e a reforma agrária, com melhorias nas condições de vida e trabalho, dependem da unidade de trabalhadores urbanos e rurais, públicos e privados.
A FNL é uma organização fundada no início de 2014 e que já conta com milhares de trabalhadores sem terra organizados em diversos estados do Brasil. Tendo entre suas lideranças o militante José Rainha Júnior (ex-dirigente e um dos fundadores do MST), a FNL conta ainda com apoio de diversas entidades sindicais que representam os trabalhadores do campo e os agricultores familiares na luta pela reforma agrária.
Em apoio aos servidores do Distrito Federal, José Rainha destaca a importância da solidariedade de classe e da união entre campo e cidade para a construção de um país mais justo e igualitário.
CUT BRASÍLIA – O que é a FNL?
JOSÉ RAINHA – A Frente Nacional de Luta do Campo e da Cidade é um movimento social criado por parte dos trabalhadores rurais sem terra e outros movimentos sociais que agregam campo e cidade.
CUT – Como e quando surgiu?
RAINHA – Surgiu no início de 2014 quando chegamos junto ao Sindicato dos Agricultores Familiares e à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais – CONAFER e decidimos criar essa organização do campo.
CUT – Atualmente, quantos trabalhadores em acampamento a FNL possui?
RAINHA – Em São Paulo, temos mais de 5 mil famílias de trabalhadores sem terra acampados. Nos 16 estados em que estamos organizados, somamos mais de 20 mil.
CUT – Onde estão esses acampamentos?
RAINHA – Os acampamentos estão no estado de São Paulo, Distrito Federal e entorno, Goiás, Minas Gerais e hoje fortemente na região Nordeste.
CUT – Por que a FNL se solidarizou ao movimento dos servidores públicos do Distrito Federal?
RAINHA – Para a Frente Nacional de Luta, é importantíssimo apoiar a causa dos trabalhadores da cidade, especialmente os servidores do GDF. É a solidariedade de classe que torna possível avançar, tanto na luta da cidade quanto na luta pela reforma agrária, porque a reforma agrária nunca avançará de fato se não houver participação urbana.
CUT – Qual a importância da unidade entre trabalhadores do campo e da cidade?
RAINHA – Sem a unidade, nós nunca vamos fazer a transformação. Sem uma central sindical combativa igual à CUT, exemplo aqui no Distrito Federal, também é difícil mudar. É preciso unir as lutas, campo e cidade, se quisermos fazer a reforma agrária, se quisermos transformar essa sociedade e construir o socialismo no país.
CUT – Qual avaliação a FNL faz da postura do GDF?
RAINHA – Nós achamos absurdo quando não respeitam o direito dos trabalhadores. É como o latifúndio, que nega a terra e ainda assassina os trabalhadores. Essa postura é a mesma coisa, é preciso respeitar um direito legítimo que a classe trabalhadora tem, mas o que tem acontecido é um total desrespeito aos servidores.
CUT – Quanto à pauta de luta dos trabalhadores sem terra, quais são os principais pontos?
RAINHA – A reforma agrária. Nós queremos a democratização da terra, acesso a ela para trabalhar. Respeito aos indígenas e aos quilombolas. Sem uma distribuição de terra justa, humana, é impossível chamar um país de democrático.
CUT – Vocês avaliam que essa pauta pode avançar com Kátia Abreu no Ministério da Agricultura?
RAINHA – Com a Kátia Abreu na agricultura nada se avança, nem o Ministério da Agricultura. Agora, eu queria dizer que a grande responsável por não fazer a reforma agrária não é a Kátia Abreu; a grande responsável é a presidenta Dilma que colocou ela lá, dando um aval para o agronegócio, para o latifundiário e nada para a reforma agrária, tratou a pauta com descaso. A Kátia Abreu lá é um tapa na cara para os movimentos sociais, na luta pela dignidade e pela reforma agrária.
CUT- Qual a dinâmica que a FNL vai adotar para garantir o atendimento da pauta de reivindicações?
RAINHA – Luta e Luta. Unir o campo e a cidade, fortalecer os movimentos sociais, com a Central Única dos Trabalhadores e o Partido dos Trabalhadores, aquele que, na sua origem, nasceu pra enfrentar os patrões, promover a reforma agrária e construir o socialismo. Só tem um jeito de nós mudarmos essa realidade, que é juntar as forças dos lutadores do povo. Tem muita gente descontente com esse governo e nós queremos juntar as forças.

Papel da CUT e dos movimentos é combater retrocesso

O ano de 2015 não seria fácil e isso o movimento sindical já sabia logo após o final das eleições. A posse de um Congresso ainda mais reacionário que o anterior e as cobranças da coalisão que ajudou a eleger a presidenta Dilma eram garantia de muitas pedras no caminho para a continuidade do desenvolvimento com distribuição de renda e inclusão social.
Surpreendente foi o pacote de medidas que o governo federal anunciou de início, por meio de Medidas Provisórias (MPs) 664 e 665, que atacavam conquistas caras aos trabalhadores, especialmente os mais pobres, como o seguro-desemprego e o abono salarial.
Nessa segunda (19), em reunião da CUT e das demais centrais sindicais com os ministros da Secretaria-Geral da Presidência da República (Miguel Rosseto), do Planejamento (Nelson Barbosa), da Previdência (Eduardo Gabas) e do Trabalho (Manoel Dias), o Executivo frustrou as expectativas ao dizer que não revogaria as medidas. Mas, ao menos acenou com a possibilidade de mudanças no conteúdo das ações.
Em entrevista, o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, destaca que o princípio de derrubar a economia para conter a inflação é um equívoco, tanto quanto abrir o capital da Caixa Econômica Federal. Ele apontou ainda que a Central terá como eixo central de 2015 a luta por direitos e contra a direita e defendeu uma manifesto em defesa da Petrobrás.
Portal da CUT – O que a reunião de ontem com os ministros tirou de concreto?
Vagner Freitas – A CUT deixou claro ao governo que é contrária às medidas provisórias. Contrária à forma, porque foram feitas sem negociação conosco, e ao conteúdo, porque os trabalhadores não arcarão com a conta de um ajuste fiscal que o governo queira fazer. O governo chegou dizendo que não é retirada de direitos, mas é sim e não temos concordância com isso. Há outros atores na sociedade com muito mais condições de arcarem com esse ajuste do que os trabalhadores que acessam o salário–desemprego, a pensão por morte, o auxílio-doença. Falamos para o governo, por exemplo, tributar as grandes fortunas. O sujeito compra iate, lancha e não é tributado. Assim como não é mais necessário o Brasil ter uma ditadura do superávit primário. O tempo todo estamos condicionando a economia ao pagamento aos rentistas. Deve haver equalização das contas, porém, o governo está, inclusive, utilizando argumentos inconsistentes ao dizer que há fraude nos benefícios. Temos que fazer análise e punir os fraudadores, mas não simplesmente alegar que todo o sistema é fraudulento. Além disso, o valor da economia é irrisório para as contas do governo e muito caro para os trabalhadores que perdem o direito.
A expectativa é que as medidas fossem revogadas, já que tínhamos quatro ministros no encontro. Há hipótese de isso acontecer?
Vagner – Obviamente, os ministros não acharam que iriam convencer as centrais de que as medidas estavam corretas. Com base no estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), comprovamos que se tratava de perda de direitos e, após apresentarem medida por medida, reafirmamos nossa contrariedade e solicitamos que revogassem as medidas para abrirem negociação conosco. Eles afirmaram que não poderiam revogar por uma questão de tempo, caso contrário, não poderiam ser aplicadas em 2016, mas apontaram um espaço para negociação. Faremos uma nova reunião entre centrais e o governo no dia 3 de fevereiro e, antes, haverá uma reunião entre nossos técnicos e do Executivo para levarmos nossas propostas.
Pelas primeiras medidas que vemos o governo adotar, parece que teremos novamente a velha fórmula de derrubar a economia para controlar a inflação. O caminho é esse?
Vagner – Minha preocupação é muito maior do que com as medidas vistas isoladamente. O que eu questiono é qual a linha política e econômica que esse governo irá desenvolver. Porque durante a campanha eleitoral fizemos debate do desenvolvimentismo contra o conservadorismo. Os apoiadores da campanha derrotada tinham o discurso da necessidade de frear a economia e o consumo e diminuir o valor do salário mínimo, até fazendo relação entre o crescimento do mínimo em contraposição ao menor crescimento da produtividade das empresas. Diziam que esse ciclo de construção de política de crédito e de expansão do mercado interno tinha acabado. O governo se elegeu com um discurso contrário a esse e as primeiras medidas, quando o governo anuncia ajuste e não taxa a lucratividade dos empresários, nos deixa preocupados. Temos que fazer um acordo com a sociedade brasileira pelo desenvolvimento e pelo crescimento da economia. A preocupação da CUT é que a política econômica de Joaquim Levy e seus pares seja do corte, do corte, do corte e do corte que leva à recessão, ao não crescimento da economia, à expansão da inflação e ao aumento da taxa de juros. E isso significa desemprego e dificuldade enorme para ter aumento real nas campanhas salariais. Parece que o governo está derrubando a economia para conter a inflação e por isso mexe no seguro-desemprego, porque sabe que quando derruba a economia e não tem investimento, o desemprego sobe. Essa política conservadora tem sido adotada em boa parte do mundo e não tem dado resultado, em especial para os trabalhadores.
A CUT tem batido bastante na tecla da revitalização das cadeias produtivas, assunto que ganhou ainda mais espaço com a demissão (e posterior readmissão) dos metalúrgicos do ABC no início do ano. Como é possível fazer isso?
Vagner – 
Com câmbio e juros como estão, qualquer medida é paliativa e a indústria continuará com dificuldades. Claro que o choro dos empresários também precisa ser visto com ressalva, porque não é que as indústrias estão quebrando, mas sim deixaram de investir na produção. Percebe-se que boa parte da rentabilidade da Volkswagen foi com aquisição de papéis. Fica em crise o trabalhador que perde emprego e tem o salário arrochado e não o industrial, porque esse continua com o mesmo padrão de vida, avançando no rentismo e não na produção. O governo tem de ter uma política que ancore o crescimento da indústria, mas não pode compactuar com esse tipo de postura das indústrias, de obter um lucro fácil no mercado financeiro. Mas tem de ter linha de crédito para produção, para obtenção de novas tecnologias, para qualificação profissional, para geração de empregos. E isso deve ser com investimento público, com uma economia voltada ao crescimento.
A política de valorização do mínimo corre risco?
Vagner – 
A presidenta prometeu que continuará com essa política. Agora, depende da reação da política econômica. Se você tiver recessão, juros altos e deixar de crescer, vai ter desemprego. Com desemprego haverá pressão para que não tenha mais aumento do salário mínimo nos níveis praticados nos últimos anos. Já temos um problema, porque a regra construída era combinar PIB (Produto Interno Bruto) e inflação, porém, se não tem crescimento do PIB, só sobra a inflação para o trabalhador. Mesmo a presidenta prometendo que não vai alterar, a economia recessiva não dá condição de manter aumento real acima da inflação e a correção do mínimo. Para o discurso da presidenta tomar prática é preciso que a política do senhor Joaquim Levy (ministro da Fazenda) não seja recessiva.
As denúncias sobre casos de corrupção na Petrobras continuam em pauta tanto quanto a desvalorização da empresa. É possível reverter isso?
Vagner – A CUT e seus sindicatos discutirão em todo o país a defesa da Petrobras e de seus trabalhadores por meio de um manifesto que debata com a sociedade brasileira a atrocidade que tem sido cometida contra a maior empresa brasileira, responsável por quase 13% do PIB. Se há irregularidades, que sejam punidos os culpados, mas estamos num processo de desmonte da empresa para prepará-la para a privatização e entregá-la à economia internacional, como queria o Fernando Henrique Cardoso, que pretendia transformar a Petrobras em Petrobrax. Se fosse aberta e repassada para a iniciativa privada, alguns interessados ganhariam muito dinheiro. A proposta é que tenhamos investimento do Estado para mantermos uma empresa forte nacional, gerando empregos aqui e não fiquemos na dependência do capitalismo internacional. Entre as empresas de capital aberto, a Petrobras se tornou a maior produtora de petróleo do mundo, para você ver como é atrativa e atraente para o mercado internacional.
As denúncias já resultam em demissão de trabalhadores prestadores de serviço. A CUT dialogou com o governo sobre isso?
Vagner – 
Primeiro, precisamos ter claro se, por conta desse momento turbulento, a Petrobras não repassa o recurso para a empresa ou se repassa e os prestadores de serviço acertam suas dívidas e não paga os trabalhadores. Sabemos que há mais de 12 mil nessa condição e exigimos que aja uma solução. Já procuramos o governo para dizer que o trabalhador não pode ser penalizado. Defendemos que exista o pagamento direto da Petrobras para os trabalhadores numa conta que não passe pelas empresas, que seja via Ministério do Trabalho, mas que sejam pagos e não aja demissão.
Em relação às privatizações, especula-se também a possibilidade de abertura do capital da Caixa. Qual a posição da CUT sobre esse tema?
Vagner – O debate foi colocado de uma forma completamente equivocada, criou intranquilidade enorme para trabalhadores e deixou grande dúvida. A CUT é contra, porque a Caixa é uma empresa sob controle do Estado e, por isso, tem liberdade para estabelecer políticas de apoio ao crédito, à habitação, de intervenção do Estado na economia, enfrentando o rentismo privado. A partir do momento em que vira empresa de economia mista, passa a ter certos controles que a legislação impõe e dificulta ações públicas inerentes a um governo que intervenha na economia em favor do desenvolvimento social. E, pior, o governo não disse porque faria isso. Espero que não tenha a perspectiva de engordar o superávit primário ou mostrar ao mercado que está sendo austero. Essa seria uma visão imediatista e não estratégica. Outra dúvida é se o governo manterá as políticas sociais com uma Caixa de economia mista. Tirará recursos de onde, do Tesouro? Ou pensa em não manter e diminuir os investimentos em políticas sociais? Vamos ceder à pressão das instituições privadas, que não tem relação com crescimento do Brasil, com oferta de juros, de crédito, e vamos abrir o mercado sem regulamentação? Por isso a forma como foi colocada em debate foi desastrosa. O governo precisa avaliar quais instrumentos que ter para fazer políticas públicas e intervir na oferta de crédito quando o setor privado não tem a menor intenção de fazer.
Em 2015, qual vai ser o eixo prioritário de luta da CUT?
Vagner – 
A manutenção dos direitos, do emprego e uma política de crescimento econômico. As primeiras medidas do governo demonstram que sabe que há um descontrole e quer controlar a inflação, mas não concordaremos que esse controle seja feito à custa da manutenção dos empregos. A manutenção dos postos de trabalho é essencial. Fica claro também que se trata de um governo de coalisação, de disputa, que tem pessoas como a presidenta, que é progressista, partidos como o PT, que é progressista, mas também aliados altamente conservadores, que empurram governo para uma gestão conservadora. O papel da CUT e dos movimentos sociais é empurrar para a esquerda, dar condição para a presidenta Dilma colocar em prática o discurso que fez quando ganhou as eleições e que era completamente diferente do discurso do candidato derrotado. Precisamos fazer muita mobilização. Não é a toa que faremos um Dia Nacional de Luta, em 28 de janeiro, a Marcha da Classe Trabalhadora no dia 26 de fevereiro e vamos ter que fazer muita mobilização de rua. Nosso mote neste ano será “pelos direitos e contra a direita.” Pelos direitos dos trabalhadores, nenhum direito pode ser retirado, pela manutenção do emprego, para que continuemos a ter aumento real de salário, e contra essa direita preconceituosa, virulenta, que não aceita o resultado das eleições, que pede impeachment da presidenta legitimamente eleita e que tenta inviabilizar governo com todas as dificuldades. Eu critico o governo quando erra, mas é a alternativa contra a candidatura que foi derrotada. Porém, não podemos ter retrocesso político ou econômico, não adianta vencer as eleições e colocar a agenda conservadora em prática. Não é a toa que temos nos reunido com movimentos sociais, que somos parte da Frente Nacional de Esquerda que estamos criando e constituindo com esse mote.

Trabalhadores sem terra vão às manifestações em apoio aos servidores do GDF

A Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) vem manifestando na prática solidariedade aos servidores distritais e trabalhadores terceirizados, que vivem sérios problemas com atraso de pagamentos e benefícios, além de ataques a direitos e medidas arbitrárias do GDF.
Centenas de sem terra participam das manifestações em defesa dos servidores porque entendem que suas próprias reivindicações por legalização de assentamentos e a reforma agrária, com melhorias nas condições de vida e trabalho, dependem da unidade de trabalhadores urbanos e rurais, públicos e privados.
A FNL é uma organização fundada no início de 2014 e que já conta com milhares de trabalhadores sem terra organizados em diversos estados do Brasil. Tendo entre suas lideranças o militante José Rainha Júnior (ex-dirigente e um dos fundadores do MST), a FNL conta ainda com apoio de diversas entidades sindicais que representam os trabalhadores do campo e os agricultores familiares na luta pela reforma agrária.
Em apoio aos servidores do Distrito Federal, José Rainha destaca a importância da solidariedade de classe e da união entre campo e cidade para a construção de um país mais justo e igualitário.
CUT BRASÍLIA – O que é a FNL?
JOSÉ RAINHA – A Frente Nacional de Luta do Campo e da Cidade é um movimento social criado por parte dos trabalhadores rurais sem terra e outros movimentos sociais que agregam campo e cidade.
CUT – Como e quando surgiu?
RAINHA – Surgiu no início de 2014 quando chegamos junto ao Sindicato dos Agricultores Familiares e à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais – CONAFER e decidimos criar essa organização do campo.
CUT – Atualmente, quantos trabalhadores em acampamento a FNL possui?
RAINHA – Em São Paulo, temos mais de 5 mil famílias de trabalhadores sem terra acampados. Nos 16 estados em que estamos organizados, somamos mais de 20 mil.
CUT – Onde estão esses acampamentos?
RAINHA – Os acampamentos estão no estado de São Paulo, Distrito Federal e entorno, Goiás, Minas Gerais e hoje fortemente na região Nordeste.
CUT – Por que a FNL se solidarizou ao movimento dos servidores públicos do Distrito Federal?
RAINHA – Para a Frente Nacional de Luta, é importantíssimo apoiar a causa dos trabalhadores da cidade, especialmente os servidores do GDF. É a solidariedade de classe que torna possível avançar, tanto na luta da cidade quanto na luta pela reforma agrária, porque a reforma agrária nunca avançará de fato se não houver participação urbana.
CUT – Qual a importância da unidade entre trabalhadores do campo e da cidade?
RAINHA – Sem a unidade, nós nunca vamos fazer a transformação. Sem uma central sindical combativa igual à CUT, exemplo aqui no Distrito Federal, também é difícil mudar. É preciso unir as lutas, campo e cidade, se quisermos fazer a reforma agrária, se quisermos transformar essa sociedade e construir o socialismo no país.
CUT – Qual avaliação a FNL faz da postura do GDF?
RAINHA – Nós achamos absurdo quando não respeitam o direito dos trabalhadores. É como o latifúndio, que nega a terra e ainda assassina os trabalhadores. Essa postura é a mesma coisa, é preciso respeitar um direito legítimo que a classe trabalhadora tem, mas o que tem acontecido é um total desrespeito aos servidores.
CUT – Quanto à pauta de luta dos trabalhadores sem terra, quais são os principais pontos?
RAINHA – A reforma agrária. Nós queremos a democratização da terra, acesso a ela para trabalhar. Respeito aos indígenas e aos quilombolas. Sem uma distribuição de terra justa, humana, é impossível chamar um país de democrático.
CUT – Vocês avaliam que essa pauta pode avançar com Kátia Abreu no Ministério da Agricultura?
RAINHA – Com a Kátia Abreu na agricultura nada se avança, nem o Ministério da Agricultura. Agora, eu queria dizer que a grande responsável por não fazer a reforma agrária não é a Kátia Abreu; a grande responsável é a presidenta Dilma que colocou ela lá, dando um aval para o agronegócio, para o latifundiário e nada para a reforma agrária, tratou a pauta com descaso. A Kátia Abreu lá é um tapa na cara para os movimentos sociais, na luta pela dignidade e pela reforma agrária.
CUT- Qual a dinâmica que a FNL vai adotar para garantir o atendimento da pauta de reivindicações?
RAINHA – Luta e Luta. Unir o campo e a cidade, fortalecer os movimentos sociais, com a Central Única dos Trabalhadores e o Partido dos Trabalhadores, aquele que, na sua origem, nasceu pra enfrentar os patrões, promover a reforma agrária e construir o socialismo. Só tem um jeito de nós mudarmos essa realidade, que é juntar as forças dos lutadores do povo. Tem muita gente descontente com esse governo e nós queremos juntar as forças.
CUT Brasília

Servidores da educação promovem manifestação contra arbitrariedades do GDF

O anúncio do cronograma de pagamento dos atrasados dos servidores do GDF, nessa quinta-feira (15), que sequer foi negociada com a CUT e os representantes da categoria, levou servidores da educação a realizarem manifestação na manhã desta sexta-feira (16), em frente ao Palácio do Buriti. Organizado pela CUT, o ato reuniu diversas categorias que estão sendo frontalmente atacadas pelo governo. Com a pressão dos trabalhadores, o GDF concordou em realizar reunião na próxima segunda-feira (19), às 14h30, no Palácio do Buriti.
O presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, disse que é importante lembrar que serviço público de qualidade é um direito de todos os cidadãos e cidadãs, garantia constitucional. “Porém, a única forma de se promover isso é através da valorização dos seus profissionais e do investimento nos setores”, destacou.
Referindo-se ao parcelamento de direitos trabalhistas proposto pelo GDF, a diretora do Sindicato dos Professores do DF – Sinpro-DF, Rosilene Corrêa, destacou que essa postura é no mínimo imoral. “Querem nos colocar na condição de caloteiros, o que é o caso do GDF”, disse. Segundo ela, o governo está comprometendo o ano letivo, vez que não há acordo sobre o parcelamento dos valores devidos. “Em algum momento, o GDF vai ter que encarar a força da categoria. E isso vai acontecer logo, pois os professores não vão aceitar essas medidas impostas”, afirma a dirigente sindical.
Entre as recentes medidas autoritárias e unilaterais adotadas pelo governo Rollemberg pra a educação, estão a imposição do novo calendário escolar de forma arbitrária, desconsiderando o que havia sido amplamente discutido com toda a comunidade escolar; a redução do número de coordenadores pedagógicos, bem como a sua liberação somente no segundo bimestre, condicionada à garantia de substituto; a alteração da data e parcelamento da remuneração de servidores públicos; o adiamento e parcelamento de benefícios e direitos trabalhistas; e o calote no acerto rescisório dos professores em contrato temporário, nesse momento em situação de desemprego.
No ato desta sexta-feira (16), a diretoria do Sinpro-DF também denunciou que o GDF está retendo os repasses, a contribuição que os filiados pagam ao Sindicato, como forma de tentar desmobilizar a categoria.
Presente ao ato, a presidente em exercício da CUT Nacional, Carmen Foro, ressaltou que a situação no DF é absolutamente grave. “Precisamos reunificar nossa força e lutar. Quando não se tem servidores pagos e valorizados não há serviço para a população. É um desserviço o que o GDF está fazendo com seus trabalhadores. E é lamentável vermos essas pessoas na rua reivindicando salários, 13º, férias, ou seja, direitos básicos”, enfatizou.
Terceirizados
Somaram-se ao ato desta sexta-feira (16) os trabalhadores terceirizados do Distrito Federal, que aprovaram greve em assembleia realizada nessa quinta-feira. Como atividade do movimento paredista, os trabalhadores terceirizados da área de serviços gerais do Tribunal de Justiça do DF e Territórios, ocuparam o Eixo Monumental, sentido Rodoviária do Plano Piloto, e pediram a apresentação de uma proposta que contemple a categoria.
terce_eixo
“Não dá para gente. Tentamos de todas as formas, mas os patrões não cedem, e o governo não faz nada. Não tem outro jeito senão fazer greve”, disse a terceirizada Helia França de Oliveira.
Trabalhadores terceirizados também realizaram piquete em frente a hospitais e outros órgãos do GDF.
 

Vigilantes agendam greve para dia 21, caso não haja proposta dos patrões

Reunidos em assembleia nessa quinta-feira (15), milhares de trabalhadores vigilantes do Distrito Federal decidiram avaliar na próxima quarta-feira (21) a necessidade de deflagração de greve. A decisão foi tomada diante do compromisso do Procurador Geral do DF de intermediar, pessoalmente, a negociação entre os representantes dos trabalhadores e os empresários a partir desta sexta-feira (16).
“Na hora em que estávamos vindo para a assembleia, fomos chamados pelo Procurador Geral do DF para uma reunião. Lá ele nos fez uma proposta e solicitou que a greve não fosse aprovada hoje com essa promessa de garantir uma negociação melhor para a categoria. Vamos esperar essa proposta melhor até quarta-feira (21). E se o que vier não contemplar a categoria, aí não tem chance, é greve geral”, disse o presidente do Sindicato dos Vigilantes, Jervalino Rodrigues Bispo.
Os trabalhadores vigilantes reivindicam, entre outros pontos, reajuste salarial de 15%, vale-alimentação R$ 30 ( atualmente é de R$ 23), auxílio-saúde de R$ 150 (atualmente é de R$ 85) e a manutenção das demais cláusulas sociais. A última proposta feita a categoria ofereceu reajuste salarial de R$ 7%, vale-alimentação de R$ 25 e auxílio-saúde de R$ 100.
Solidariedade de classe
O movimento dos trabalhadores vigilantes conta com o apoio da CUT e dos seus 102 sindicatos filiados. “Vocês podem ter certeza absoluta que qualquer encaminhamento feito pela categoria nesta ou em outras assembleias será apoiado pela CUT e seus sindicatos filiados. Sempre estivemos e sempre estaremos ao lado dos trabalhadores vigilantes, essa categoria de tamanha importância, que cuida da vida das pessoas”, discursou o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, durante a assembleia dessa quinta-feira (15).
O Sindicato dos Professores – Sinpro-DF e o Sindicato dos Auxiliares Escolares – SAE-DF também participaram da atividade e informaram aos vigilantes o cenário adverso que se apresenta aos servidores da educação. “Nós, professores da rede pública do Distrito Federal, estamos em férias coletivas, sofrendo ataques do novo governo do Distrito Federal. Assim como os vigilantes, os professores também sabem se mobilizar, sabem mostrar sua força. E não vamos permitir que governos autoritários prejudiquem qualquer catagoria e ataque o atendimento desse serviço público essencial, que é a educação”, disse o dirigente do Sinpro-DF e da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues.

NOTA: Em defesa dos servidores da educação e da saúde

ATOCUT.indd

Terceirizados aprovam greve por tempo indeterminado

A assembleia dos trabalhadores terceirizados do Distrito Federal, realizada nesta quinta-feira (15), lotou o estacionamento do Teatro Nacional e aprovou greve por tempo indeterminado. O movimento ainda conta com o apoio de bancários, comerciários, vigilantes, rodoviários e diversas outras categorias, que se somarão aos terceirizados no movimento paredista.
“A CUT e suas 102 entidades filiadas estarão unidas aos trabalhadores terceirizados para garantir os direitos e o respeito que a categoria merece”, discursou o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, durante a assembleia.
Os trabalhadores terceirizados, que estão em data-base, têm com itens da Campanha Salarial 2015 o reajuste salarial de 30% e tíquete-alimentação de R$ 28. Entretanto, a proposta do sindicato patronal é de reajuste de 8% no salário e no benefício.
“Não buscamos apenas melhores salários, buscamos melhores condições de vida”, afirmou a presidente do Sindiserviços-DF, que representa a categoria, Maria Isabel Caetano.

Nota das Centrais Sindicais – Em defesa dos direitos e do emprego

Reunidas na sede nacional da CUT em São Paulo, as centrais sindicais brasileiras – CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSB – vêm à público manifestar sua posição contrária às duas Medidas Provisórias do Governo Federal (MP 664 e MP 665) editadas na virada do ano, sem qualquer consulta ou discussão prévia com a representação sindical dos trabalhadores e trabalhadoras que, em nome de “corrigir distorções e fraudes”, atacam e reduzem direitos referentes ao seguro-desemprego, abono salarial (PIS-Pasep), seguro-defeso, auxílio-reclusão, pensões, auxílio-doença e, ainda, estabelece a terceirização da perícia médica para o âmbito das empresas privadas.
As medidas incluídas nas duas MPs mencionadas prejudicam os trabalhadores ao dificultar o acesso ao seguro-desemprego com a exigência de 18 meses de trabalho nos 24 meses anteriores à dispensa, num país em que a rotatividade da mão de obra é intensa, bloqueando em particular o acesso de trabalhadores jovens a este benefício social. As novas exigências para a pensão por morte penalizam igualmente os trabalhadores: enquanto não se mexe nas pensões de alguns “privilegiados”, restringem o valor do benefício em até 50% para trabalhadores de baixa renda.
As Centrais Sindicais condenam não só o método utilizado pelo Governo Federal, que antes havia se comprometido a dialogar previamente eventuais medidas que afetassem a classe trabalhadora, de anunciar de forma unilateral as MPs 664 e 665, bem como o conteúdo dessas medidas, que vão na contramão do compromisso com a manutenção dos direitos trabalhistas.
De forma unânime as Centrais Sindicais reivindicam a revogação/retirada dessas MPs, de modo a que se abra uma verdadeira discussão sobre a correção de distorções e eventuais fraudes, discussão para a qual as Centrais sempre estiveram abertas, reafirmando sua defesa intransigente dos direitos trabalhistas, os quais não aceitamos que sejam reduzidos ou tenham seu acesso dificultado.
As medidas, além de atingirem os trabalhadores e trabalhadoras, vão na direção contrária da estruturação do sistema de seguridade social, com redução de direitos e sem combate efetivo às irregularidades que teriam sido a motivação do governo para adotá-las. Desta maneira, as Centrais Sindicais entendem que as alterações propostas pelas MPs terão efeito negativo na política de redução das desigualdades sociais, bandeira histórica da classe trabalhadora.
As Centrais Sindicais farão uma reunião com o Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República no dia 19 de janeiro, em São Paulo, na qual solicitarão formalmente a retirada das referidas medidas pelo Poder Executivo e apresentarão suas propostas.
As Centrais Sindicais também expressam sua total solidariedade à luta contra as demissões de trabalhadores e trabalhadoras da Volkswagen e Mercedes Benz ocorridas também na virada do ano e consideram que a sua reversão é uma questão de honra para o conjunto do movimento sindical brasileiro. As Centrais Sindicais consideram inaceitável que as montadoras, empresas multinacionais que receberam enormes benefícios fiscais do governo e remeteram bilhões de lucros às suas matrizes no exterior, ao primeiro sinal de dificuldade, demitam em massa.
As Centrais Sindicais também exigem uma solução imediata para a situação dos trabalhadores e trabalhadoras das empreiteiras contratadas pela Petrobrás; defendem o combate à corrupção e que os desvios dos recursos da empresa sejam apurados e os criminosos julgados e punidos exemplarmente. No entanto, não podemos aceitar que o fato seja usado para enfraquecer a Petrobras, patrimônio do povo brasileiro, contestar sua exploração do petróleo baseada no regime de partilha, nem sua política industrial fundamentada no conteúdo nacional, e, muito menos, para inviabilizar a exploração do Pré-Sal. As Centrais também não aceitam que os trabalhadores da cadeia produtiva da empresa sejam prejudicados em seus direitos ou percam seus empregos em função desse processo.
Por fim, as Centrais Sindicais convocam toda sua militância para mobilizarem suas bases e irem para ruas de todo país no próximo dia 28 de Janeiro para o Dia Nacional de Lutas por emprego e direitos. Conclamam, da mesma forma, todas as suas entidades orgânicas e filiadas, de todas as categorias e ramos que compõem as seis centrais, a participarem ativamente da 9ª Marcha da Classe Trabalhadora, prevista para 26 de Fevereiro, em São Paulo, para darmos visibilidades às nossas principais reivindicações e propostas.
São Paulo, 13 de Janeiro de 2014.
Assinam as centrais
CUT – Central Única dos Trabalhadores
Força Sindical
UGT – União Geral dos Trabalhadores
CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
Nova Central Sindical de Trabalhadores
CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros

Ato público nesta sexta-feira (16), às 10h, na Praça do Buriti

Em resposta às ações unilaterais do Governo do Distrito Federal (GDF), a CUT-Brasília convoca todas as categorias do funcionalismo público do GDF para ato público, às 10h, na Praça do Buriti.
A diretoria colegiada do Sinpro-DF convoca os(as) professores(as) para o ato público promovido pela CUT-Brasília. E lembramos  que a categoria está convocada a fortalecer a luta participando do acampamento.

Sindicato aciona Justiça para pagamento de férias dos servidores do Detran-DF

Centenas de servidores do Detran-DF que optaram por gozar das férias neste mês de janeiro ficaram sem o pagamento do direito. O órgão alega que não há dinheiro em caixa. Para garantir o pagamento da dívida, o Sindetran-DF, sindicato que representa a categoria, entrou com ação na Justiça do Trabalho contra o GDF e o Detran.
Na ação, o Sindicato afirma que, segundo informações do Portal da Transparência da Câmara Legislativa do Distrito Federal – CLDF, até o dia 30 de dezembro, o Detran tinha em caixa R$ 17,5 milhões. Em janeiro, o recurso passou para R$ 21 milhões. Os valores são arrecadados pelo próprio departamento.
Para que a verba seja utilizada, é necessária autorização do GDF, já que o recurso advém dos impostos pagos pela população. De acordo com o Sindetran-DF, dos mais de R$ 20 mi disponíveis, são necessários apensa R$ 1,2 mi para quitar o pagamento das férias dos servidores do Detran.
“Já tivermos várias reuniões com o GDF e tentamos contato também com a direção geral do Detran, mas, até agora, nada. Há muito dinheiro disponível em caixa. Por isso acionamos a Justiça, para que isso se resolva o mais rápido possível”, explica a dirigente do Sindetran-DF, Patrícia Rocha Donato.
A próxima reunião de negociação com o GDF e o Detran está marcada para a esta quinta-feira (15), às 14h30.
Veja folha detalhada de arrecadação do Detran-DF
recibo1
recibo2
 

Acessar o conteúdo