Primeiro dia de greve mobiliza 80% dos trabalhadores da Cobra Tecnologia

Trabalhadores de Tecnologia da Informação da Cobra entraram em greve por tempo indeterminado nessa terça feira (25). A categoria revindica melhorias nas condições de trabalho e reajuste salarial, pauta que já foi apresentada à diretoria da empresa em quatro mesas de negociação que não surtiram o efeito esperado. Quase a totalidade dos funcionários da empresa presta serviço para o Banco do Brasil.

“Aproximadamente 80% dos trabalhadores aderiram à paralisação. A expectativa do Sindicato é que o segundo dia de greve consiga agregar 100% dos profissionais”, afirma Maria do Socorro, secretária de saúde e condições de trabalho do Sindpd, o sindicato que representa a categoria no DF .

Funcionários de seis estados aderiram à greve, aprovada pelos trabalhadores em assembleia extraordinária realizada no último dia 17. Atualmente, um técnico de operações da empresa recebe R$ 1.627,90 por mês, enquanto o piso salarial dos funcionários do Banco do Brasil é de  R$ 2.043,36.  O salário médio de um técnico em outras empresas é de R$ 2.100, o que significa uma diferença de quase R$ 500 por mês.

Além do reajuste salarial com ganho real de 5% e reposição inflacionária relativa aos últimos 12 meses, os trabalhadores reivindicam o fim do assédio moral com a criação de políticas preventivas e apuração dos casos relatados, que atualmente é a queixa constante dos funcionários em filiais de todo país.

Nas mesas de negociação, a empresa apresentou a proposta de 0,5% de ganho real no salário dos servidores e não se posicionou à respeito das cláusulas sociais. “A empresa não está tendo nenhuma boa vontade em negociar. Até o momento, não se pronunciou sobre retomada de negociação e apresentação de nova proposta”, afirma Maria do Socorro.

O Sindpd reitera que a greve é um direito constitucional dos trabalhadores e que, por fazerem parte da categoria de Tecnologia da Informação (e não se encaixarem no conjunto de atividades essenciais definidas por lei), é desnecessário que um número mínimo de funcionários permaneça desempenhando suas atividades durante a greve. Qualquer tentativa que parta da empresa com o intuito de  impedir que os trabalhadores façam parte da mobilização deve ser denunciada, orienta o Sindpd.

CONAE: Roberto Leão defende concurso público, formação e respeito ao piso

O presidente da CNTE Roberto Franklin de Leão abordou aspectos essenciais que envolvem o conceito de valorização dos profissionais das redes públicas escolares em colóquio na CONAE na manhã da sexta-feira (21). Em primeiro lugar, defendeu o ingresso na carreira por concurso público de provas e títulos (art. 206, V da Constituição). Também destacou a implementação de carreira própria, unitária e atrativa para todos os profissionais da educação (professores e funcionários de escola), à luz da regulamentação de diretrizes nacionais de carreira, em debate no Congresso Nacional.
Em sua palestra, Roberto Leão mencionou a formação inicial e continuada à luz dos Decretos nº 6.755, de 2009 (magistério), e nº 7.415, de 2010 (funcionários), sob a responsabilidade do Poder Público, em caráter presencial (no caso da formação inicial) e garantida a todos/as os/as profissionais. A remuneração condigna e, no mínimo, equivalente a outras profissões com mesmo nível de formação profissional foi outro fator reivindicado por Leão.
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Outros pontos destacados por Roberto Leão foram: a aplicação do piso nacional às jornadas de trabalho estabelecidas nos planos de carreira locais, e regulamentação imediata do piso para todos os profissionais da educação (art. 206, VIII, CF-88); a observação do limite mínimo de hora-aula atividade (1/3) na composição da carga semanal de trabalho do/a professor/a e demais profissionais, estes últimos por meio de regulamentação própria; garantia das condições de trabalho (infraestrutura, projeto pedagógico, gestão democrática, prevenção às doenças laborais etc) a fim de possibilitar êxito às atividades profissionais dos educadores; a aplicação dos percentuais mínimos constitucionais (art. 212 CF e art. 60 do ADCT/CF), à luz do art. 67, V da LDB, que prevê a administração das verbas da educação pelo respectivo órgão de gestão pública (Secretarias de Educação).

Com nova promessa do pagamento, terceirizados retornam ao trabalho

Os trabalhadores terceirizados prestadores de serviços na rede pública de Ensino do Distrito Federal, decidiram, após Ato de Protesto nesta quinta-feira (20), na Praça do Buriti, retornar aos seus postos de trabalhos a partir desta sexta-feira (21).
A decisão veio após diretores do Sindiserviços-DF, dirigentes da CUT Brasília e a deputada federal Erika Kokay (PT), teram a garantia do secretário de Administração Pública do DF, Wilmar Lacerda, que as 800 merendeiras empregadas da Empresa G&E Serviços e Eventos receberão, até a segunda-feira (24), os salários, tíquete-alimentação e vale-transporte. Os dois mil auxiliares de serviços gerais da Empresa Juiz de Fora também receberão o complemento do tíquete.
Na reunião, os sindicalistas e a deputada também receberam do secretário a certeza de que os quase mil empregados da Empresa Real JG Serviços Gerais – que estavam de aviso prévio -, também contratada pelo governo, não mais serão dispensados dos postos de trabalho em vários outros órgãos do GDF.
A assembléia dos trabalhadores decidiu ainda que, caso o acordo não seja cumprido pelos patrões, a partir da terça-feira (25) a categoria voltará a paralisar as suas atividades.
Fonte: Sindiserviços-DF. Fotos: Robson Oliveira Silva

Prefeitura de Cidade Ocidental tenta negociar com servidores sem chamar Sindicato

A prefeitura da Cidade Ocidental voltou à carga contra os servidores e sua representação trabalhista e sindical. Comunicado expedido recentemente pelo secretário municipal de Saúde, Felipe Alves Cezário, convocou os funcionários da área para negociar individualmente as faltas do período da paralisação. No final de setembro e início de outubro passado, a categoria realizou paralisações de seus dias, conforme de cisão coletiva dos servidores para combater e barrar o Projeto de Lei º 14 (hoje transformado em PL nº19) proposto pela Prefeitura, para reorganizar o serviço público, prejudicando a carreira e o trabalho dos servidores, bem como a qualidade do atendimento da população.
O presidente do Sindserco – sindicato que representa os servidores municipais -, Osman Carvalho Teles, adverte que a participação do sindicato é obrigatória nas negociações de trabalho. “Não é invenção nossa. Isto está na Constituição Federal. Nenhuma negociação trabalhista, que incida sobre o coletivo, pode ser feita sem a participação da instituição sindical que represente a categoria”.
Osman lembra que uma negociação com professores e administrativos das escolas aconteceu sem a participação do Sindserco. A negociação individual tem o objetivo de dividir os trabalhadores, enfraquecendo a organização e capacidade de negociação e afrontando a representação sindical dos próprios trabalhadores.
Tanto no caso da Educação quanto no dos servidores da Saúde, “oficiamos a Prefeitura e demos um prazo de 48 horas, iniciado no dia 18, para que ela se posicione em relação à nossa solicitação [definir critérios de reposição com a participação do Sindserco], sob pena de questionamento judicial dos atos administrativos”.
Osman reforça que a negociação das faltas precisa ser feita entre o Sindicato e o governo municipal. “Negociar uma falta no trabalho parece ser coisa simples, mas não é. Da forma como está sendo feito, o servidor sairá prejudicado quando solicitar direitos garantidos como o Abono Assiduidade, Licença Prêmio, marcação do período de Férias e até mesmo a Aposentadoria. Como as faltas foram lançadas na folha de ponto, mesmo repondo os dias parados, o servidor não deixa de ser “faltoso”, o que marcará toda sua vida profissional”, explicou.
Para o presidente do Sindicato, o Sindserco não recuará em meio a mais essa injustiça. “O servidor público municipal de Cidade Ocidental merece respeito!”, finalizou.
Secretaria de Comunicação da CUT Brasília

Vigilantes conclamados a unir forças para barrar retrocesso e avançar

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Na abertura da 12ª Conferência Nacional dos Vigilantes, realizada nesta quinta-feira (20), em Brasília, o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, conclamou a categoria a resgatar os princípios da CUT e inovar na atuação sindical para não permitir a tentativa de retrocesso que vem sendo perpetrada pelo setor conservador da sociedade e do Congresso Nacional.
“Estaremos diante da composição mais conservadora do Congresso, desde 1964. Este novo período apresenta a avalanche de ataques à classe trabalhadora, com a proposição de projetos de lei nefastos. Por isso, independente da ideologia ou da convicção de cada um de nós, temos que trabalhar a unidade, revalorizar a autonomia e liberdade sindical, associadas à solidariedade de classe, inovar nossa atuação sindical. Caso contrário, corremos o risco de retroceder e perder tudo o que garantimos a custa de muita luta”, discursou Britto.
O secretário de Organização da CUT Nacional, Jacy Afonso, também participou da mesa de abertura da 12ª Conferência Nacional dos Vigilantes, que somou centenas de trabalhadores de quase todos os estados do Brasil. O dirigente sindical destacou a importância da Convenção Coletiva Nacional conquistada pelos trabalhadores bancários após intensa mobilização da categoria, o que possibilitou a equiparação de conquistas para todos os trabalhadores, independente da Região. Segundo Jacy Afonso, “a pujança do sindicato está em mobilizar os trabalhadores, unificá-los, para fazer a luta, sem exigência de partido político, religião ou qualquer outro critério”.
“A nossa certeza é de que essa 12ª Conferência vai deliberar orientações e compromissos dos sindicatos que possam, de fato, zelar pelas conquistas da categoria e buscar atender outros pleitos que os trabalhadores precisam. Vigilante neste país é uma categoria que quer salário e que quer respeito”, avaliou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Vigilantes – CNTV, José Boaventura.
Trabalho igual, salário igual
Apesar de ter agenda de luta extensa, o presidente da CNTV destaca que o principal ponto de reivindicação da categoria é a criação do Piso Salarial Nacional de R$ 3 mil. A Campanha dos vigilantes pelo Piso Nacional teve início em 10 de junho deste ano. O valor foi aprovado em outubro de 2013, no II Congresso Extraordinário da CNTV, e leva em consideração informações sobre o salário mínimo divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – Dieese, além de acréscimo pelo desgaste físico e mental decorrente da atividade desenvolvida.
“O projeto que prevê a criação do Piso Nacional está em andamento no Congresso Nacional. O ponto que nos deixa animados é o fato de os contratantes serem os mesmos em vários lugares. Por exemplo, os bancos pagam os mesmos salários para bancários de Roraima ou do Rio Grande do Sul, mas para vigilantes o salário diferenciado. Essa realidade facilita o debate e o convencimento de que, para nós vigilantes, também é justo um salário que seja único”, disse o presidente da CNTV, José Boaventura.
A 12ª Conferência Nacional dos Vigilantes termina nesta sexta-feira (21). Até lá, a categoria discutirá temas como aposentadoria especial para vigilantes; negociação coletiva; legislação anti-calote e sua importância para a categoria.
Ainda nesta sexta-feira, de manhã, centenas de vigilantes que participam da 12ª Conferência da categoria realizarão ato político para defender o Piso Salarial Nacional. A atividade será no auditório do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, a partir das 8h30.
Secretaria de Comunicação da CUT Brasília

EBC: trabalhadores aprovam nova proposta de tabela salarial e possibilidade de paralisação

Representantes dos trabalhadores no Grupo de Convergência fizeram um informe sobre o debate acerca do novo plano. A última reunião praticamente concluiu a parte de descrição dos cargos e trabalhou novas possibilidades para a tabela salarial. Em relação à arquitetura e descrição dos cargos, foi mantida a crítica à inclusão do texto “atividades afins e correlatas”, uma vez que elas abrem brecha para acúmulos e desvio de função.
A discussão central envolveu a tabela salarial. A empresa apresentou na reunião do Grupo de Convergência três cenários, com os respectivos impactos financeiros na folha de pagamento. O cenário 1 (piso de R$ 4.800 para nível superior e R$ 3.360 para nível médio), aprovado na assembleia anterior dos trabalhadores, foi considerado inviável uma vez que demandaria uma ampliação da folha de entre 17% e 31% (a depender da forma de reenquadramento).
VEJA A TABELA COM OS CENÁRIOS APRESENTADA PELA EMPRESA
Os cenários 2 e 3 trabalharam com impactos semelhantes, de cerca de 9%. O cenário 3 era o mesmo apresentado anteriormente por gestores, com pisos de R$ 4 mil para nível superior e R$ 2.600 para nível médio. O cenário 2 dividia os pisos a partir das jornadas, com pisos de R$ 2.340 para nível médio 180h (radialistas), R$ 2.600 para técnico nível médio (técnicos administrativos e outros), R$ 3.964 para nível superior 150h (jornalistas), R$ 4.500 para nível superior 180h (radialistas) e R$ 5.000 para nível superior 220h (administrativo e demais analistas).
Inicialmente, representantes da Comissão de Empregados colocaram proposta de redução dos níveis para R$ 4.200 (nível superior) e R$ 2.730 (nível médio), um acréscimo de 5% em cima da proposta do cenário 3, considerado pela empresa “defensável” junto ao Ministério do Planejamento. A avaliação, expressa em várias falas, era que era preciso voltar com algo que pudesse construir convergência. A partir do pleito de trabalhadores do Rio de Janeiro, foi retomado o piso de nível médio em 70% do nível superior, ficando em R$ 4.200 e R$ 2.964. A partir de novo debate, foi apresentada nova proposta para uma redução menor para R$ 4.400 e R$ 3.080. Esta foi aceita como proposta a ser encaminhada à empresa.
Depois da votação feita, trabalhadores do administrativo solicitaram a reabertura para incluir o cenário 2 apresentado pela empresa (pisos diferenciados por jornadas de trabalho). Houve votação do encaminhamento e por 226 a 46 a solicitação foi rejeitada.
Outra proposta aprovada pelos participantes foi a de cortes progressivos nas funções gratificadas caso não haja recursos suficientes para cobrir os impactos da nova tabela salarial. Também foi apresentada posição contrária aos cargos de supervisão e pela implantação de poucas Funções Técnicas.
Paralisação
Outro item da pauta foram as estratégias de mobilização. Os representantes dos trabalhadores no Grupo de Convergência informaram que está sendo marcada reunião presencial buscar fechar uma proposta convergente de novo plano. Em não sendo possível isso, serão identificadas e registradas as convergências e divergências para que o processo seja encaminhado ao conjunto da diretoria da EBC e ao Ministério do Planejamento. Os trabalhadores reafirmaram a necessidade do diálogo se manter também nesta etapa.
Para contribuir na pressão e na visibilidade do esforço pela melhoria do Plano de Carreiras da EBC, foi aprovada a possibilidade de paralisação condicionada ao resultado das discussões na próxima semana, que será avaliado em nova assembleia marcada para o dia 27 de novembro.

Funcionários da embaixada da Polônia recebem indenização por perdas salariais

Os trabalhadores da embaixada da Polônia, que ficaram cinco anos sem receber reajuste salarial, foram indenizados nessa quarta-feira (20). A indenização equivale às perdas salariais do período de janeiro de 2009 a julho de 2014.
“Essa conquista foi resultado da união da categoria. Quando todos são filiados ao sindicato e lutam em cumplicidade, conseguimos alcançar nossos objetivos. Foram cinco anos batalhando, avançamos e vamos avançar mais”, avalia Raimundo Luis de Oliveira, presidente do Sindnações, sindicato que representa os funcionários da embaixada.
Segundo o Sindnações, a indenização paga representa a admissão de erro na correção dos salários. Portanto, se o salário não seja corrigido com base no IPCA do período indenizado, novas dívidas para futuras indenizações estão sendo geradas.
O cálculo realizado para indenização de perda salarial teve como base de cálculo o Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica-IBGE, já acrescido do Fundo de Garantia por Tempo de Serviços-FGTS. O valor total da indenização foi de R$ 215.551,22, distribuídos aos funcionários conforme o salário e tempo de serviço de cada um.
As indenizações variaram de R$ 16.365,14 a R$ 52.937,12 que cada trabalhador recebeu pessoalmente do embaixador Andrzej Maria Braiter.
Para os trabalhadores a indenização veio em boa hora, explica Leon Pakula. “Foi muito bom receber essa indenização, pois, sem esses reajustes e com alta inflação, nós ficamos endividados, tendo que arcar com gastos com escola, livros para os meus filhos, alimentação. Agora estou aliviado. Vou pagar minhas dívidas e vou poder dormir tranquilo”, explica.
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Trabalhadores da embaixada da Holanda marcam início de greve para dia 1º

Em estado de greve desde o dia 21 de agosto, os trabalhadores da embaixada dos Países Baixos (usualmente chamados de Holanda) decretaram indicativo de greve para o próximo dia 1º de dezembro. A decisão de parar por tempo indeterminado foi tomada em assembleia realizada nessa quarta-feira (19) devido à irredutividade da embaixada  em negociar as reivindicações dos funcionários.
Segundo informações do presidente do Sindnações, sindicato que representa a categoria, Raimundo Luis de Oliveira, “os funcionários vão parar porque não aceitam mais desculpas da embaixada; são quase dois anos sem nenhum avanço positivo nas negociações; não aceitaremos mais esse descaso”.
Na última reunião de negociação no dia (13) entre Sindnações e a representação holandesa, o embaixador Han Peters informou que o governo daquele país mais uma vez se negou a atender qualquer pedido de reajuste salarial ou cláusulas secundárias do Acordo Coletivo de Trabalho-ACT, como auxílio-alimentação de R$ 500 e auxílio-educação para os filhos dos funcionários.
O embaixador Han Peters já havia afirmado anteriormente ser quase impossível reajustar o salário da categoria (principal reivindicação da categoria) porque, segundo ele, a embaixada é regida conforme legislação holandesa. Portanto, a única forma de reajustar o salário dos trabalhadores seria se o Grupo de Marcadores-GM se mobilizasse e reajustasse o salário dos trabalhadores das outras embaixadas pertencentes ao GM.
Grupo de Marcadores
Grupo de Marcadores é um conjunto de embaixadas. A da Holanda está coligada à dos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Canadá e União Europeia. A estratégia do grupo consiste em reajustar o salário dos trabalhadores com base na média de reajuste das outras embaixadas de seu grupo.
Para os trabalhadores da embaixada da Holanda, o método GM, além de não ser transparente, não funciona, pois uma embaixada fica esperando pela outra para reajustar os salários da categoria, o que acaba demorando e deixando as remunerações defasadas e corroídas pela inflação por longo tempo.
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Dilma: “Conae é a vitória da participação popular”

A presidenta Dilma Rousseff esteve presente nesta quinta-feira (20) no segundo dia da II Conferência Nacional de Educação (Conae) que ocorre no Centro Internacional de Convenções Brasil (Cicb) – Brasília.
Em sua fala, Dilma destacou a magnitude e a representatividade que envolveu todo o processo de construção da Conferência, com participação de quase três milhões de pessoas em suas etapas preparatórias.
Aos cerca de quatro mil delegados e delegadas da etapa nacional, Dilma ressaltou o caráter histórico da Conferência para a educação e para a democracia brasileira. “É a vitória da participação popular.”
Para ela, democracia numa sociedade moderna e inclusiva demanda participação popular na construção das políticas públicas. “A sociedade tem o direito e o dever de opinar, falar, criticar e dar sugestões e contribuições a partir de suas experiências e reivindicações”, disse.
Na oportunidade, Dilma afirmou que a educação “deve ser a prioridade das prioridades para consolidação de um modelo de crescimento com inclusão social e redução das desigualdades.”
Ao falar sobre a questão dos recursos a serem destinados à educação, em especial os 75% dos royalties do pré-sal e parte do fundo social, Dilma reiterou seu compromisso com os trabalhadores. “A base da educação de qualidade é a valorização do professor, tanto na formação como no salário. Esse é um desafio inadiável dentro das
Segundo Dilma, o mesmo esforço e mobilização que condicionou a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE) no Congresso deve ser levado como exemplo para aprovação de propostas na Conae que sirvam de base para a regulamentação do Plano Nacional de Educação.
Por fim, Dilma fez uma menção especial ao Dia Nacional da Consciência Negra (20 de novembro). “Tivemos um grande avanço quando em 2010 este País se declarou majoritariamente de raça negra, assumindo com orgulho nossa origem afrodescendente”, assinalou.
Compromisso prioritário – algumas das entidades que compõem o Fórum Nacional de Educação, entre elas a CUT, entregaram à presidenta um manifesto intitulado ‘educação tem que ser compromisso prioritário’.
Segundo José Celestino Lourenço, o Tino, secretário de Formação da CUT e representante das centrais no FNE, o documento reúne, prioritariamente, reivindicações que tratam sobre o financiamento do PNE.
“É preciso que os recursos da educação sejam direcionados para o setor público, que deve ser o principal responsável pelo cumprimento dos objetivos, diretrizes, metas e estratégias previstas no PNE […] Defendemos a estruturação e a regulamentação de um Sistema Nacional de Educação, de gestão democrática e participativa, que abarque os setores público e privado”, diz o documento.
Uma das prioridades, assinala Tino, é assegurar a autonomia política e orçamentária do FNE e dos fóruns estaduais, municipais e distrital. “Há uma resistência por parte de alguns estados e municípios para criar um Fórum a partir de uma lei. Em muitas localidades a Conferência local foi coordenada por uma comissão e não refletiu a proposta e o regimento do Fórum Nacional que representa os pais, alunos, gestores e trabalhadores em educação. Esses mesmos setores conservadores resistem em implantar um Sistema Nacional articulado a partir do PNE, mesmo que isto esteja estabelecido em lei”, explicou o dirigente da CUT.
– Abaixo, a versão na íntegra do Manifesto:
A educação tem que ser compromisso prioritário
As entidades que integram a Plenária Nacional da Educação – representativas de mais de quatro milhões de trabalhadores em educação dos setores público e privado, quase setenta milhões de estudantes secundaristas e universitários, e parcelas significativas dos movimentos sociais e educacionais – defendem o fortalecimento da educação pública, de qualidade, gratuita, laica, democrática, socialmente referenciada e isenta de quaisquer formas de discriminação, a serem ativamente combatidas.
Compreendemos que o estabelecimento da educação como direito de cidadania só se dará por completo por meio de amplo investimento direto na educação pública, capaz de prover os insumos requeridos para a progressiva construção de um novo paradigma educacional que tenha por objetivo maior garantir ao conjunto da população brasileira acesso pleno a uma formação integral e de qualidade, em todos os níveis – da educação infantil à pós-graduação.
Para vencer esse desafio, que demandará anualmente, dentro de uma década, o investimento de 10% do PIB brasileiro, será inevitável enfrentar interesses de setores dominantes na cena política e econômica. A perspectiva de destinação de parte dos recursos provenientes do pré-sal à educação constitui, sem dúvida, um avanço importante, embora tímido frente às possibilidades existentes. Os montantes daí resultantes, contudo, serão absolutamente insuficientes para atingir os valores necessários. Ampliá-los, fortalecendo a capacidade de investimento social do Estado brasileiro, exigirá um duro debate que discuta novas fontes financeiras, tais como as que poderiam advir da definição de um novo marco regulatório para os royalties da exploração mineral, da aprovação de um Projeto de Lei que dê formato à cobrança de impostos sobre grandes fortunas, conforme disposto na Constituição Federal de 1988, ou de impostos sobre a movimentação financeira, em especial a de natureza especulativa, revertendo a realidade atual, em que a maior parte da arrecadação fiscal provém do consumo e incide de forma inaceitável sobre as classes assalariadas, crescentemente atingidas pelas políticas tributárias vigentes.
Ao mesmo tempo, é preciso que os recursos da educação sejam direcionados para o setor público, que deve ser o principal responsável pelo cumprimento dos objetivos, diretrizes, metas e estratégias previstas no Plano Nacional de Educação recém aprovado. Nesse âmbito, a disputa não será pequena. O posicionamento do Poder Executivo e do Poder Legislativo, em anos vindouros, será sem dúvida mais do que relevante, diante da enorme pressão que virá por parte daqueles setores – nacionais e transnacionais – que veem na educação um negócio lucrativo e não um direito de todos.
Esta Plenária Nacional de Educação considera que, a par e para além de uma necessária pauta trabalhista, é preciso também formular propostas estratégicas para a educação e, consequentemente, para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Essa tem que ser uma agenda primordial, em prol da nossa soberania nacional, rumo a um País mais justo e solidário.
Nesse contexto, defendemos a estruturação e a regulamentação de um Sistema Nacional de Educação, de gestão democrática e participativa, que abarque os setores público e privado, com ênfase na implantação:
* de significativa expansão de oferta de ensino público, universal e de qualidade, em todos os níveis, de forma a extinguir gradativamente programas emergenciais que impliquem repasses de recursos ao setor privado;
* de diretrizes nacionais de carreira e de planos de cargos e salários que permitam tornar atrativa a profissão de professor, com o cumprimento do Piso Salarial Profissional Nacional da Educação, conforme o inciso VIII do artigo 206 da Constituição;
* de salários dignos, de investimentos em formação inicial e continuada, de políticas de saúde e de condições de trabalho adequadas para todos os trabalhadores da educação, com tratamento igualitário para ativos e aposentados;
* do Custo Aluno Qualidade Inicial (CAQi), tomado como parâmetro para o financiamento da educação básica, em todas as etapas e modalidades, e calculado com base nos respectivos insumos indispensáveis ao processo de ensino-aprendizagem, sendo progressivamente reajustado até a implementação plena do Custo Aluno Qualidade (CAQ); para isso será essencial o repasse por parte da União, onde houver necessidade, de recursos complementares;
* da igualdade racial, de gênero e de orientação sexual, incluídas aí diretrizes para os currículos escolares;
* de uma política nacional de educação do campo, povos e comunidades tradicionais, que respeite e valorize suas especificidades, reduzindo as imensas desigualdades hoje existentes;
* de mecanismos de controle, de regulação, de credenciamento e de avaliação da educação – função inalienável do Estado.
A participação popular e a pressão da sociedade civil organizada são fundamentais para que alcancemos esses objetivos, atendendo a reivindicações que vêm sendo histórica e sistematicamente negadas. Para isso, torna-se necessário:
* assegurar autonomia política, orçamentária e organizativa do Fórum Nacional de Educação e dos fóruns estaduais, municipais e distrital, para que seja levado a cabo de forma independente o acompanhamento contínuo e propositivo da implantação das metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação e de todas as correspondentes políticas educacionais;
* garantir que o poder público disponibilize, no mínimo anualmente, os dados necessários para tal.
Assim, neste momento em que diversas candidaturas apresentam-se para a escolha popular nos pleitos que se avizinham, as entidades signatárias deste Manifesto vêm a público defender que a educação seja pauta prioritária dos debates eleitorais e requerer daqueles que disputarão a Presidência da República que se manifestem sobre os compromissos aqui demandados.
Entidades que assinam este manifesto (em ordem alfabética):
Anfope – Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação
Anpae – Associação Nacional de Política e Administração da Educação
Anped – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação
Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Cedes – Centro de Estudos Educação e Sociedade
CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação
Contee – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino
Contag – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura
CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
CUT – Central Única dos Trabalhadores
Forumdir – Fórum Nacional de Diretores de Faculdades, Centro de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras
Fóruns de EJA do Brasil
Proifes-Federação – Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior
Ubes – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
UBM – União Brasileira de Mulheres
UNE – União Nacional dos Estudantes

20 de novembro: a luta não pode parar

Por meio da Lei 12.519/11, o dia 20 de novembro é considerado dia Nacional de Zumbi dos Palmares, grande líder da resistência do movimento negro, e da Consciência Negra.
Em 2014, a luta do movimento está em torno, segundo a secretária Nacional de Combate ao Racismo da CUT, Maria Júlia Reis Nogueira, de três pontos principais: Reforma Política, Democratização da Comunicação e fim dos autos de resistência (PL 4471/12). Outro tema em pauta é a luta contra a violência e o feminicídio contra a mulher negra. Em 13 de maio de 2015 haverá a Marcha das Mulheres Negras.
A Democratização da Comunicação é urgente porque o atual modelo oligopolizado de mídia invisibiliza os negros e a luta antirracismo, além de reproduzir estereótipos preconceituosos da população negra, especialmente da mulher. A Reforma Política, porque os negros são sub-representados e é urgente que haja maior equilíbrio entre a presença de negros eleitos e de negros na sociedade, além de proporcionar a maior presença de defensores de causas sociais no Congresso. E o fim dos autos de resistência é essencial para o fim do extermínio da juventude negra.
Para Maria Júlia, que lembra a campanha “Jovem Negro Vivo”, lançada pela Anistia Internacional em novembro, os jovens negros vítimas de homicídio precisam de atenção redobrada por parte da sociedade, do governo e dos movimentos sociais.
“Nós temos uma grande luta pelo fim dos autos da resistência, projeto que está em tramitação no Congresso Nacional e essencial para impedir o genocídio da população negra e periférica. Nós não podemos permitir o extermínio da juventude, que acontece com cada vez mais frequência, seja nas mãos de traficantes, por um lado, seja nas da polícia, por outro”. A CUT também é contra a proposta de redução da maioridade penal.
Para a dirigente, é comum haver a criminalização baseada em características físicas. Ela lembra, ainda, que a morte de jovens, além dos prejuízos sociais, tem impacto na População Economicamente Ativa (PEA), na expansão da cultura negra e no exercício da política diária.
“As conquistas dos últimos treze anos, simbolicamente falando, são importantes para diminuir um pouco da dívida que o Estado brasileiro tem com a população negra. Entretanto, ainda é pouco. Nós temos um longo caminho a ser trilhado para termos uma igualdade de tratamento entre todos os brasileiros”.
Feriado Nacional
Ainda não há uma Lei que institui o dia Nacional de Zumbi dos Palmares como feriado nacional, mas está em tramitação no Senado um projeto com essa finalidade. Segundo a secretária de combate ao racismo da CUT, este projeto “é uma conquista importante para o conjunto da sociedade e para os trabalhadores, que lutam pela visibilidade do movimento e pela dignidade de vida, antes de tudo”. A aprovação, segundo Júlia, está próxima.
Zumbi dos Palmares, garra e luta
“Poucos foram os heróis negros que são incentivados e cultuados nos dias de hoje. Um homem com o porte de Zumbi sendo homenageado é fundamental”, afirma Maria Júlia.
Zumbi nasceu em Palmares, no estado de Alagoas, em 1655. Entregue a um missionário português, escapou e, com 15 anos, retornou ao seu local de origem, o Quilombo na cidade, comandado por Ganga Zumba. O governador da Capitania de Pernambuco, cansado do longo conflito com o Quilombo de Palmares, se aproximou do líder e ofereceu a liberdade para todos os escravos fugidos se o quilombo se submetesse à Coroa Portuguesa. Ganga Zumba aceitou, mas Zumbi não, se tornando novo líder.
Em 1694, a capital de Palmares foi destruída pelo bandeirante paulista Domingos Jorge Velho e Zumbi ferido. Um ano depois, em 20 de novembro de 1695, Zumbi é morto. Em Recife, sua cabeça foi exposta em praça pública, visando desmentir a crença da população sobre a lenda da imortalidade de Zumbi.

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