Servidores federais realizam ato em frente ao Palácio do Planalto nesta quinta (29)

Essa semana, servidores voltam a debater a necessidade de ampliar processo de mobilização em busca de avanços nos processo de negociação com o governo. Na quinta-feira, 29, entidades que compõem o fórum em defesa dos serviços públicos vão ao Palácio do Planalto. O objetivo é entregar uma carta a presidenta Dilma Rousseff e solicitar audiência para apresentar as principais reivindicações dos federais.
De acordo com a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal – Condsef, há uma grande insatisfação da categoria com as sucessivas negativas aos apelos de atendimento de uma pauta emergencial entregue ainda no início desse ano. Sem avanços no diálogo junto ao Ministério do Planejamento a expectativa é de que a categoria tenha suas demandas mais urgentes ouvidas pela presidente.
Entre as prioridades estão temas como a antecipação da parcela do reajuste salarial previsto para janeiro de 2015, cumprimento de cláusulas firmadas em acordos com diversas categorias, reajuste em benefícios como auxílio-alimentação e saúde suplementar, entre outros. A regulamentação da negociação coletiva no setor público também está entre as prioridades para a categoria. A expectativa é de que os servidores consigam abrir um canal de diálogo efetivo com o governo capaz de resolver os pontos centrais apresentados.
Os servidores ainda apontam que as ações do governo não estão em sintonia com o discurso da própria Dilma que em seu último pronunciamento à nação afirmou que este nunca será o governo do arrocho salarial. Dilma ainda acrescentou em seu discurso que seu governo dialoga com os sindicatos e os movimentos sociais, no entanto, servidores federais ainda não tiveram a oportunidade de dialogar seus anseios e expor os problemas do setor em seu mandato.
Plenária
A Condsef ainda realiza uma plenária nacional nesta sexta, 30, com representantes de todos os setores de sua base que corresponde a 80% do total de servidores do Executivo. A categoria vai definir sobre a adesão a uma greve geral. Da base da Confederação, servidores da Cultura já deram início a uma paralisação de atividades por tempo indeterminado. Outras categorias como técnicos administrativos das universidades também estão com atividades paralisadas.
Em nome da “preservação do equilíbrio fiscal” – que é a produção de superávit primário para acalmar o mercado financeiro internacional – mais de R$ 248 bilhões do que o Estado arrecadou em impostos da população deixaram de ser investidos em melhorias no setor público. Valor que é o dobro do necessário para arcar com a previdência social, a segunda maior despesa da União e que está muito longe de alcançar investimentos somados em saúde, educação e transportes. Esse cenário precisava mudar e é o que os servidores buscam fazer com unidade e mobilização.

Dirigente da Contraf-CUT diz que subcontratação desenfreada desafia sindicatos

O tema terceirização e subcontratações ilimitadas e seus resultados nocivos à classe trabalhadora vem sendo objeto de debate do grupo de estudos Trabalho Constituição e Cidadania da Universidade de Brasília – UnB, que promoveu seminário sobre o tema nos dias 22 e 23 deste mês. O secretário de Organização do Ramo Financeiro da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT – Contraf-CUT, Miguel Pereira, foi um dos convidados para participar do seminário e falou sobre o desafio das organizações sindicais para fortalecer a atuação coletiva dos trabalhadores em um mundo do trabalho complexo, heterogêneo e fragmentado com o processo irrestrito de terceirização e subcontatração.
Para o dirigente sindical, um dos setores mais prejudicados com a terceirização desregrada é o financeiro. Ele explica que o fenômeno da terceirização teve seu ápice no ramo financeiro na década de 80, e atingiu especificamente a compensação bancária que, para ele, é o “coração do sistema bancário”. “Foi a partir da terceirização deste setor do ramo financeiro, que influencia em todos os outros, que os banqueiros começaram a tentar enfraquecer e retirar o controle da organização dos trabalhadores pelo sindicato dos bancários, uma vez que a terceirização fragmenta a classe trabalhadora por diversas entidades sindicais”, explica.
Diante disso, o secretário de Organização do Ramo Financeira da Contraf-CUT explicou que os sindicatos devem estar preparados não só para o convencimento da base, mas, também, para lidar com a Justiça. “O que os bancos fazem, na maioria das vezes, é fraude para evitar uma contratação coletiva de serviço englobando todos os segmentos de funcionários. Isso tem reflexo na nossa atuação sindical, uma vez que ela tem que ser realizada com o apoio jurídico”, explica o dirigente.
Miguel Pereira ainda afirmou que a terceirização atinge 14 milhões de trabalhadores, sem contar com as subcontratações. Estes trabalhadores estão sujeitos, na maioria das vezes, a salários achatados, jornada excessiva de trabalho, condições de trabalho precárias. Ele citou a estatística de que, a cada 10 mortes no mundo do trabalho, 8 são de trabalhadores terceirizados.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, Eduardo Araújo, também esteve presente ao debate, quando expôs os nefastos efeitos do processo de terceirização bancária, que procura atingir conquistas obtidas pela categoria em todo o país e precariza relações de trabalho e serviços oferecidos à população. O setor financeiro vem sendo há anos afetado com a criação de correspondentes bancários e com a transferência de serviços a lotéricas e até supermercados, que não seguem pisos e outras conquistas econômicas e sociais da categoria e não oferecem segurança aos trabalhadores e clientes.
Definição de atividade-fim nas mãos do STF
No seminário do grupo de estudos Trabalho Constituição e Cidadania, o secretário de Organização do Ramo Financeira da Contraf-CUT, Miguel Pereira, ainda lembrou que o tema terceirização está em análise no Supremo Tribunal Federal – STF e que é preciso ter cuidado. “O que está em análise no Supremo não é a questão jurídica, mas a política”, afirma o dirigente sindical.
Ele ainda acredita que a visão do Supremo tende a se equiparar com o que está expresso no projeto de lei 4330/2004, do deputado Sandro Mabel, que flexibiliza a subcontratação e precariza indiscriminadamente o trabalho, rouba direitos dos trabalhadores e enfraquece a organização sindical. Miguel Pereira fez a observação pois o STF anunciou que vai julgar se a terceirização em atividades-fim pode ser realizada no Brasil.
O tema veio à tona com a impetração do Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 713211, pela empresa Celulose Nipo Brasileira S/A (Cenibra), que teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do Supremo. No recurso, a empresa questiona decisão da Justiça do Trabalho que, em ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho e pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas de Guanhães e Região, foi condenada a se abster de contratar terceiros para sua atividade-fim. O relator da matéria é o ministro Luiz Fux. Segundo o juiz do Trabalho Grijaldo Coutinho, que também participou da reunião do grupo de estudo da UnB, “remédios para se contrapor às decisões do STF são escassos”.
PL 4330
Segundo a professora de Direito do Trabalho, Gabriela Neves, que lidera o GT Trabalho Constituição e Cidadania da UnB, o grupo já se posicionou contra o projeto de lei 4330, com a realização, inclusive, de manifesto que conta com 71 assinaturas de docentes, estudantes, juízes.
“O grande risco no caso da terceirização desregrada, sem limite, é que o trabalhador passe a ser instrumentalizado de uma maneira impiedosa, sem que haja o mínimo de controle da sua prestação de serviço, sem que haja a concretização dos direitos trabalhistas. Então a gente tem que avaliar a terceirização com muito cuidado (…) Nós não acreditamos que o projeto PL 4330 traga garantias ao trabalhador. A gente enxerga este projeto com muita resistência. O grupo já expressou resistência ao projeto de lei, uma vez que a gente considera que não há, de fato, garantias absolutas e mínimas para a classe trabalhista”, esclarece a professora Gabriela Neves.
Grupo de estudo
A ideia do grupo de pesquisa Trabalho Constituição e Cidadania, da UnB, é trabalhar com duas linhas dentro do Direito do Trabalho: uma voltada para o trabalho e direitos fundamentais trabalhistas e a outra voltada para o trabalho do contexto do Trabalho Democrático de Direito. O grupo se reúne periodicamente na Faculdade de Direito da UnB.
Secretaria de Comunicação da CUT Brasília

Sinpro convoca comunidade para julgamento de assassino de professor

O Sindicato dos Professores no DF (Sinpro) está fazendo uma chamada geral à comunidade escolar para acompanhar o julgamento de Gilson Oliveira, acusado mandar assassinar o professor Carlos Mota. O juri se reúne na quarta-feira (28), no Fórum de Sobradinho, às 9h. Outros três acusados da morte já foram julgados e condenados.
O crime aconteceu no dia 20 de junho de 2008. Gilson Oliveira traficava drogas no Centro de Ensino Fundamental do Lago Oeste (posteriormente renomeado para CEF Carlos Mota), e como foi impedido de vender entorpecentes no local pelo professor, resolveu matá-lo.
Carlos Lima do Nascimento, 22 anos, Benedito Alexandro do Nascimento, 20 anos, e Alessandro José de Sousa, 19 anos, que participaram do crime, já foram julgados e condenados por homicídio qualificado por motivo fútil. Carlos Lima e Benedito foram condenados a 18 anos, e Alessandro a 16 anos de prisão. Os três eram ex-alunos do professor.
O Sinpro ressalta a necessidade de participação popular no julgamento como forma de mostrar a importância e a luta do professor, assim como o repúdio da comunidade educacional a este ato hediondo e ao terror instalado pelo tráfico.

"A cooperação sindical deve ter como norte a transformação social", afirma Antonio Lisboa

“A cooperação sindical deve ter como norte a transformação social. Por isso investimos para que os trabalhadores troquem experiências, se organizem, construam autonomia política e melhorem as suas condições de trabalho. É preciso reforçar o poder dos trabalhadores”, afirmou Antonio Lisboa, membro da executiva da CUT, no III Congresso da Confederação Sindical Internacional, que reúne em Berlim 1.500 delegados e delegadas de 161 países do mundo.
Debatedor nesta quinta-feira no painel “Como podem os Sindicatos contribuir para melhorar a solidariedade internacional?”, Lisboa defendeu que a resposta deve ser dada com a compreensão de que a solidariedade é um encontro entre “parceiros que se olham no mesmo nível”. “De forma nenhuma o cooperante deve levar um modelo pronto para ser implantado por quem recebe, mas respeitando e respondendo às suas necessidades concretas”, alertou. Assim, explicou, da mesma forma que a cooperação internacional contribuiu para a construção da CUT, particularmente no seu surgimento, hoje a Central é chamada a compartilhar seu acúmulo e repartir suas contribuições com o sindicalismo de muitos países.
COOPERAÇÃO CARECE DE MARCO REGULATÓRIO
“O Brasil recebeu durante muito tempo colaboração e hoje somos chamados a mudar de lado, mais ainda não temos uma cultura de cooperante, que possa responder ao aumento da demanda. Falta inclusive um marco regulatório para que esta cooperação dialogue entre si, o que cria uma dificuldade para o movimento sindical brasileiro que, diferente da Europa, não tem recursos públicos para isso”, frisou.
Lisboa lembrou que “seja no continente africano ou nos Estados Unidos, onde estamos ajudando na organização dos trabalhadores do Ramo Financeiro, nosso compromisso é fazer com que a cooperação chegue a quem necessita, fortalecendo as entidades para que sejam protagonistas, disputando o modelo de desenvolvimento”.
Dentro das ações que a Central tem aportado às entidades internacionais, o dirigente citou “a comunicação sindical, no sentido de que as entidades possam dialogar melhor com as suas bases”.

Nova coleta de assinaturas pela democratização da mídia nesta segunda (26), na Rodoviária

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC, composto pela CUT e outras entidades sindicais e do movimento social, realiza nesta segunda-feira (26), a partir das 17h, na Rodoviária do Plano Piloto, nova atividade de coleta de assinaturas de apoio ao projeto da Mídia Democrática. A meta é atingir 1,3 milhão de assinaturas para encaminhar ao Congresso projeto de emenda à Constituição, de iniciativa popular, que regula a comunicação social eletrônica e seus serviços – rádio e TV no Brasil.
“É preciso romper o monopólio da comunicação do país. Os veículos são controlados por meia dúzia de famílias, que manipulam a informação. Isso é nocivo para o interesse dos trabalhadores”, explica Marcos Junio Nouzinho, secretário de Comunicação da CUT Brasília.
Recente pesquisa da Fundação Perseu Abramo mostra que 70% dos brasileiros querem a democratização da comunicação.
A CUT Brasília também vem realizando a coleta de assinaturas no projeto Guerrilha Cultural e de Formação, realizada ao longo do mês de maio em espaços públicos do Distrito Federal, em comemoração ao Mês do Trabalhador e da Trabalhadora. A Guerrilha já foi realizada na Praça do Cebolão, na Rodoviária Interestadual do DF e no Conic.
Secretaria de Comunicação da CUT Brasília

Votação do PNE fica para a próxima semana; pressão na Câmara continua

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, marcou a votação do Plano Nacional de Educação (PNE – PL 8035/10) para a próxima quarta-feira (28).
O anúncio foi feito durante reunião com representantes de diversas entidades ligadas ao movimento sindical, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE e o Sindicato dos Professores do DF – Sinpro-DF, e do movimento estudantil, como União Nacional dos Estudantes – UNE e União Nacional dos Estudantes Secundaristas.
Segundo Alves, o PNE será o primeiro item da pauta. O texto foi aprovado em comissão especial no dia 6 deste mês. Para favorecer a aprovação da proposta, o presidente da Câmara orientou os participantes da reunião a negociar acordo que reduza a quantidade de destaques ao texto. Até o momento, o texto tem pelo menos quatro destaques para votação em separado.
O PNE define 20 diretrizes para melhorar os índices educacionais brasileiros nos próximos dez anos.
Atuação
Também nesta quarta-feira (21), os movimentos sindical e estudantil realizaram Ato Público no Hall da Taquigrafia da Câmara dos Deputados. O objetivo foi de pressionar a Presidência da Casa para que o PNE seja colocado na pauta de votação antes do início da Copa do Mundo. A mobilização é uma iniciativa da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, da UNE e de outras entidades ligadas à área.
Após vários adiamentos, a votação estava prevista para ser realizada na semana passada. A votação do PNE não ocorreu devido à inclusão da MP 632, que trata da remuneração de alguns setores do Executivo federal, na Ordem do Dia. Com o adiamento, o fim da tramitação do texto do PNE no Congresso ficou ainda mais distante. Atualmente, há oito MPs obstruindo a pauta.
O Brasil está há quase quatro anos sem um PNE. E para que o novo texto entre em vigor é preciso passar pela apreciação do plenário da Câmara e seguir para sanção presidencial. Demora na aprovação do PNE é prejudicial para planejamento educacional. A União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios ficam sem parâmetros e orientações no que se refere à matéria educativa, com vistas à garantia do direito à educação.
Frente a este cenário, mais de 50 entidades e organizações da sociedade civil divulgaram Carta Aberta exigindo a votação da matéria antes do início da Copa do Mundo de 2014. Há o receio de que, com o começo da campanha eleitoral, a aprovação do PNE ocorra somente após as eleições.
Campanha Nacional Pelo Direito à Educação
A Campanha Nacional pelo Direito à Educação é considerada a articulação mais ampla e plural no campo da educação básica no Brasil, constituindo-se como uma rede que articula mais de 200 grupos e entidades distribuídas por todo o país, incluindo movimentos sociais, sindicatos, organizações não-governamentais nacionais e internacionais, fundações, grupos universitários, estudantis, juvenis e comunitários, além de centenas de cidadãos que acreditam na construção de um país justo e sustentável por meio da oferta de uma educação pública de qualidade.
Fonte: Agência Câmara e Sinpro-DF

“Cooperação sindical deve ter como norte a transformação social”, diz Antonio Lisboa

No Congresso da CSI, dirigente destaca que CUT investe na “troca de experiências com respeito à autonomia para realizar mudanças que reforcem poder dos trabalhadores”

“A cooperação sindical deve ter como norte a transformação social. Por isso investimos para que os trabalhadores troquem experiências, se organizem, construam autonomia política e melhorem as suas condições de trabalho. É preciso reforçar o poder dos trabalhadores”, afirmou Antonio Lisboa, membro da executiva da CUT, no III Congresso da Confederação Sindical Internacional, que reúne em Berlim 1.500 delegados e delegadas de 161 países do mundo.

Debatedor nesta quinta-feira no painel “Como podem os Sindicatos contribuir para melhorar a solidariedade internacional?”, Lisboa defendeu que a resposta deve ser dada com a compreensão de que a solidariedade é um encontro entre “parceiros que se olham no mesmo nível”. “De forma nenhuma o cooperante deve levar um modelo pronto para ser implantado por quem recebe, mas respeitando e respondendo às suas necessidades concretas”, alertou. Assim, explicou, da mesma forma que a cooperação internacional contribuiu para a construção da CUT, particularmente no seu surgimento, hoje a Central é chamada a compartilhar seu acúmulo e repartir suas contribuições com o sindicalismo de muitos países.
COOPERAÇÃO CARECE DE MARCO REGULATÓRIO
“O Brasil recebeu durante muito tempo colaboração e hoje somos chamados a mudar de lado, mais ainda não temos uma cultura de cooperante, que possa responder ao aumento da demanda. Falta inclusive um marco regulatório para que esta cooperação dialogue entre si, o que cria uma dificuldade para o movimento sindical brasileiro que, diferente da Europa, não tem recursos públicos para isso”, frisou.
Lisboa lembrou que “seja no continente africano ou nos Estados Unidos, onde estamos ajudando na organização dos trabalhadores do Ramo Financeiro, nosso compromisso é fazer com que a cooperação chegue a quem necessita, fortalecendo as entidades para que sejam protagonistas, disputando o modelo de desenvolvimento”.
Dentro das ações que a Central tem aportado às entidades internacionais, o dirigente citou “a comunicação sindical, no sentido de que as entidades possam dialogar melhor com as suas bases”.
Por Leonardo Wexell Severo, de Berlim
 

Professores do Novo Gama obtêm vitória histórica e encerram greve de 71 dias

 

O Sinpro-NG obteve uma grande vitória nesta terça-feira (20), que pôs fim aos 71 dias de greve dos professores da rede pública municipal do Novo Gama. Ganharam os professores, ganharam os alunos, ganhou a educação pública.
Após muita pressão do Sindicato, o Executivo local finalmente apresentou uma proposta à categoria, aprovada em assembleia, retomando a jornada ampliada – retirada unilateralmente pela prefeitura no começo do ano.
Com a redução da carga horária de trabalho e de aulas, os salários dos professores seriam cortados pela metade. Isso sem falar que o ano letivo passaria para 296 horas-aula, reduzindo drasticamente o tempo de permanência da criança na escola e a qualidade do ensino oferecido.
À época, o presidente do Sinpro-NG, Francisco Soares Lima, explicou que as atividades do professor não se limitam às horas em sala de aula, mas também “ao dispêndio com inúmeras horas com estudos, para aperfeiçoamento profissional, correção de provas, avaliação de trabalhados e registro de notas, atividades indispensáveis ao desejável ensino público de qualidade”.
Em nota, o Sinpro-NG enfatizou que a luta foi árdua, “na qual tivemos que ser mais enérgicos e nos indispusemos com alguns […] no entanto conseguimos o nosso objetivo e nenhum momento titubeamos com relação à possibilidade de obtermos a vitória”.
Entre os 15 pontos que constam da proposta da prefeitura estão a implantação imediata da jornada ampliada nas 32 escolas municipais; compromisso do município em complementar os salários dos professores que recebem abaixo do piso nacional; não desconto dos dias parados (mediante reposição das aulas); retorno de todos os professores a seus postos de trabalho, respeitadas modulação e remoção, não havendo perseguição ou retaliação à sua lotação, em qualquer aspecto jurídico ou administrativo; e instalação de mesa permanente de negociação.
Os professores retomaram as atividades hoje (21) em todas as escolas. “Acreditamos plenamente em um novo recomeço e na retomada imediata da mesa de negociação permanente”, disse Francisco Soares.
A CUT Brasília e sindicatos filiados acompanharam de perto todo o desenrolar da situação, dando apoio político e logístico às atividades do Sinpro-NG.
O presidente da Central, Rodrigo Britto, comemorou a vitória dos professores, lembrando que a luta é bem maior. “Temos compromisso com a classe trabalhadora, com os professores do Novo Gama e suas justas reivindicações, mas a questão é mais profunda. Para além de uma disputa aparentemente corporativa, estamos lutando pela construção de um ensino público de qualidade, o que se refletirá mais à frente na transformação da sociedade, tornando-a mais justa, igualitária, dando oportunidade para todos. Essa sempre foi a nossa meta. E parabéns ao espírito de luta e ao compromisso dos professores com a educação e a sociedade”, enfatizou
Secretaria de Comunicação da CUT Brasília

Debate na CSI destaca papel da valorização do salário mínimo e do Bolsa Família

Medidas contribuem para a inclusão das mulheres no mercado de trabalho e combate à desigualdade, afirmou Junéia Batista
 
O III Congresso da Confederação Sindical Internacional (CSI) debateu na tarde desta quarta-feira (21), em Berlim, sobre as formas de inclusão das mulheres no mercado de trabalho a partir de um combate mais efetivo à desigualdade.
“Num contexto mundial de cortes nos direitos sociais e trabalhistas, medidas como a política de valorização do salário mínimo e o programa Bolsa Família – que garante a presença das crianças na escola – representam um importante contraponto à lógica neoliberal”, apontou Junéia Batista, presidenta do Comitê Mundial de Mulheres da ISP (Internacional dos Serviços Públicos) e secretária da Saúde do Trabalhador da CUT-Brasil.
Junéia lembrou que o papel principal do movimento sindical é forçar os empresários e governos a melhorarem suas condições de vida e trabalho, o que inclui priorizar a parte mais qualificada e pior remunerada: a mão de obra feminina.
A dirigente lembrou que o movimento sindical brasileiro tem pautado a ratificação da Convenção 156, para ampliar a oferta de concursos públicos, “em contraposição às terceirizações e privatizações”, com um Estado melhor aparelhado e qualificado a fim de atender às demandas da sociedade, particularmente no que diz respeito à saúde e educação; e a regulamentação da Convenção 151 – já ratificada – que estabelece a negociação coletiva no serviço público. A maior quantidade de servidores é composta por mulheres, mais de 60%.
A presidenta do Comitê de Mulheres da União Geral de Trabalhadores (UGT) de Portugal, Lina Maria Cardoso Lopes, denunciou que devido à política da Troika (União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu), “as mulheres estão tendo que trabalhar até 16 horas semanais a mais do que os homens”. “Está havendo uma inversão da pirâmide do crescimento demográfico, com as mulheres tendo filhos cada vez mais tarde. Muitas empresas obrigam a assinar contratos em que as mulheres assumem que não vão engravidar nos primeiros cinco anos de emprego”, condenou.
O dirigente da Internacional da Educação (IE), Fred van Leeuwen, defendeu que para aumentar e qualificar as condições de ingresso das mulheres no mercado de trabalho “é necessário ampliar urgentemente os investimentos na educação primária e infantil, bem como ampliar as licenças maternidade e paternidade”.
Fred citou o caso da Islândia, país em que a “licença parental” foi aumentada de dez para doze meses, sendo compartilhada por homens e mulheres, ajudando a combater os estereótipos. Por lei, o casal divide equitativamente entre si 1/3 do período, sendo o outro 1/3 optativo. “Esta nova disposição fez uma revolução nos conceitos tradicionais, com o pai tendo um novo conceito a desempenhar”, relatou.
Por Leonardo Wexell Severo, de Berlim-Alemanha
 

Servidores da UnB reforçam greve e ações após negativa do governo

Centenas de servidores técnico-administrativos da UnB se reuniram, nesta terça-feira (20), em assembleia no prédio da reitoria e decidiram, por unanimidade, dar continuidade à greve deflagrada no dia 17 de março. Diante da negativa de acordo por parte do governo e da reitoria da UnB, os trabalhadores reforçarão e massificarão as ações do movimento paredista.
Nessa segunda-feira (19), a Fasubra, federação que representa a categoria, se reuniu com representantes do Ministério do Planejamento – MPOG. Entretanto, a avaliação sobre o encontro foi negativa, já que foi reafirmado que não há margem para negociação com os trabalhadores. A expectativa era de que os representantes da pasta trouxessem aos líderes sindicais avanços quanto à pauta de reivindicações, já que no último dia 7, após ocupação das portarias do Ministério pela categoria, o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, recebeu os sindicalistas e pediu prazo de até o dia 22 deste mês para estudar possíveis avanços no pleito dos trabalhadores.
“Diante da negativa do governo, temos que fortalecer ainda mais nossa greve. A prioridade deste governo não é com a Educação. E o mesmo acontece aqui na UnB, pela administração da Universidade. Temos que dizer em alto e bom som que não vamos aceitar retiradas de direitos”, avalia o coordenador geral do Sintfub, Mauro Mendes.
Após a assembleia, os servidores subiram as rampas do prédio da reitoria para formalizar ao reitor da UnB, Ivan Camargo, o pedido de que seja convocada com urgência nova reunião do Conselho Universitário – Consuni para discutir a pauta de luta da categoria. Entretanto, o reitor não estava na Universidade. A opção foi formalizar o pedido para a vice-reitora, Sônia Báo, que não quis atender os grevistas.
A próxima assembleia dos servidores da UnB será na próxima terça-feira, dia 27, às 9h30, no prédio da reitoria.
Manifestação
No início da manha desta quarta-feira (21), manifestantes fecharam por duas horas o acesso à UnB pela L3 Norte. O objetivo do ato foi chamar a atenção da população para os problemas da categoria.
Clique aqui e veja a pauta de luta da categoria

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