Ano do trabalho decente tem propostas indecentes

O Ministério de Trabalho e Emprego (MTE) a Organização Internacional do Trabalho (OIT), com apoio da CUT e das demais centrais sindicais, estão empenhados em uma campanha para promover o trabalho decente no Brasil. O objetivo é claro: promover o desenvolvimento sustentável com justiça social e distribuição de renda e fortalecer o diálogo social.

Como sempre, o empresariado brasileiro se contrapõe a iniciativas modernas e democráticas como essa com propostas retrógradas e arbitrárias. Falam que é necessário regular o trabalho para garantir emprego e renda, mas sugerem, na verdade, mais flexibilização e precarização das formas de contratação dos trabalhadores e trabalhadoras. E têm muitas propostas nessa linha. Este ano, por pouco não aprovaram no Congresso Nacional o Projeto de Lei 4330, que amplia a terceirização para todas as atividades das empresas e precariza ainda mais as condições de trabalho no Brasil.
No momento, eles estão empenhados na discussão do trabalho eventual e intermitente. Mais que isso. Estão pressionando o governo para retomar esse debate. Só que com o viés deles e não o do trabalho decente.
O trabalho eventual é um fato. Milhares de homens e mulheres trabalham sem nenhuma proteção legal em eventos, show, casamentos, jogos de futebol etc. A iniciativa de regulamentar esse tipo de trabalho e garantir os direitos  (INSS, FGTS, férias, décimo terceiro multa rescisória etc.), ainda que proporcionais ao tempo trabalhado, é louvável. Trata-se de dar dignidade a esses trabalhadores e garantir a decência desse trabalho.
Mas temos que ter muito cuidado para não acabar abrindo brechas legais para que se intensifique a exploração do trabalho, permitindo que a relação seja precarizada e que o trabalhador fique numa posição ainda mais frágil em relação ao capital. Não vamos permitir a precarização do trabalho em nome da “necessidade” de regulamentá-lo. Essa discussão deve ser longa e entendemos que seja necessária, mas é preciso avançar muito na sua elaboração e, principalmente, nas ferramentas de fiscalização e controle para que possa ser concluída.
Queremos discutir, queremos negociar, mas não vamos permitir que se abram  caminhos para a regulamentação do trabalho intermitente – àquele em que o trabalhador fica a disposição do empregador para trabalhar quando necessário e recebe somente as horas que a empresa utilizou seus serviços.  É como se o trabalhador ficasse no banco de reservas e só em alguns momentos entrasse em campo, só que ao contrário de um jogador, só ganha quando entra na partida e pelos minutos que atuasse.
Para a CUT trabalho intermitente é trabalho escravo, indecente. A regulação que a CUT propõe é a da proibição. A sociedade não quer, não deve e não pode conviver com esses tipos de trabalho em pleno século 21.
A regulação das novas formas de trabalho é um os grandes desafios que precisam ser enfrentados pelos sindicatos e pelos governos de todo o mundo. E a Central Única dos Trabalhadores tem se empenhado junto com o governo, desde 2003, na construção do Plano Nacional de Emprego e Trabalho Decente. Entendemos que este é um ponto decisivo para que as novas formas de trabalho sejam reguladas dentro dos princípios do trabalho decente. Acontece que neste que deveria ser o ano do Trabalho Decente tivemos que nos deparar com diversos projetos de iniciativa dos empresários que retiram direitos fundamentais dos trabalhadores, como o PL da terceirização, um atentado aos direitos dos trabalhadores.
Usaremos toda nossa capacidade de luta, organização e pressão para barrar qualquer projeto de lei como o 4330 ou outro qualquer que ouse regulamentar ao trabalho intermitente e retire direitos dos trabalhadores.
 

Reforma do sistema político está entre prioridades da CUT

Direção Nacional da Central debateu com OAB e movimentos sociais ações para promover a reforma e garantir real representação e participação da classe trabalhadora nas decisões dos rumos do País

A urgente reforma do sistema político brasileiro foi debatida na segunda parte da última reunião do ano da Direção Nacional da CUT, que começou na segunda-feira (9) e termina na noite da terça-feira (10), em São Paulo.
O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Marcos Vinícius Furtado, e Ricardo Gebrim, da Operativa Nacional da campanha em defesa de plebiscito popular 2014 por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político falaram do que as duas instâncias vêm fazendo para tornar a reivindicação em fato.
Furtado destacou a importância da participação da CUT e ona luta pela reforma.
A Central apoia e participa da campanha por uma Constituinte Exclusiva e Soberana lançada em 15 de novembro deste ano, em Brasília, por mais de 70 entidades dos movimentos sociais de todo o País. A CUT defende mudança do sistema político como caminho para livrar a política e o Parlamento brasileiro do poder econômico e abrir espaço à real representação e participação popular direta nos processos e esferas de decisão dos rumos do Brasil.
OAB NA MESMA LUTA
Durante sua fala aos dirigentes da CUT, o presidente da Ordem afirmou que a reforma política é a mãe de todas as reformas e diz respeito aos direitos dos trabalhadores. “Se temos um Congresso Nacional que não representa a sociedade isso se deve ao modelo atual e, principalmente, ao financiamento privado das campanhas eleitorais”, disse.
Desse financiamento, completou Furtado, decorrem vários males, um deles a distância entre o representado e sua representação porque a prestação de contas acaba sendo feitas aos financiadores das campanhas, ao poder econômico, e não aos eleitores.
Ricardo Gebrim, que também é advogado, detalhou a aqenda e ações da campanha do plebiscito e, em um breve histórico, lembrou aos dirigentes que a atual Constituição Federal, que é de 1988, apesar de apresentar avanços, foi feita com “regras herdadas da ditadura militar” e por uma Assembleia Nacional composta por deputados federais e senadores eleitos pelo poder econômico “Eles não tinham a tarefa nem o compromisso de se dedicar exclusivamente ao texto da Carta Magna”.
Os movimentos sociais querem que, dessa vez, o povo decida, em plebiscito, se quer um espaço exclusivo para promover as reformas políticas que o Brasil tanto necessita. Assim, os eleitos para a Constituinte Exclusiva cuidariam apenas da mudança do sistema político, segundo Gebrim, que elogiou a OAB por encampar as pautas dos movimentos sociais.
“O plebiscito nos abre a possibilidade de ser útil pedagogicamente por levar ao povo brasileiro aos pautas importantes para a população porque todas as questões nacionais importantes esbarram nas limitações do sistema político brasileiro”‘ disse Gebrim.
“Temos de somar nossas iniciativas para obter mais de cinco milhões para a Constituinte Exclusiva e Soberana”, completou.
A consulta à população acontecerá entre 1 e 7 de setembro de 2014 e trará uma única pergunta: “você é a favor de uma constituinte exclusiva e sobrerana sobre o sistema político”.
A configuração do Congresso Nacional é reveladora da distorção causada pelo atual sistema político e que exige uma reforma. E os números provam isso: dos 594 parlamentares (513 deputados e 81 senadores) eleitos em 2010, 273 são empresários, 160 compõem a bancada ruralista, 66 são da bancada evangélica e apenas 91 parlamentares são considerados representantes dos/as trabalhadores/as, da bancada sindical, segundo dados do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). Resultado direto da força do poder econômico no Parlamento.
FIM DO FINANCIAMENTO NO SUPREMO
Como os movimentos sociais e a CUT, a OAB defende o fim do financiamento privado de campanha. “Entendemos que este financiamento de campanhas por empresas é inconstitucional. Porque empresas não constituem o conceito de povo. Empresas não podem definir os rumos de um país, mas sim o seu povo”, disse o presidente nacional da OAB. Ele acredita
Nesta quarta-feira (11), o STF (Supremo Tribunal Federal) pode decidir pela inconstitucionalidade das doações privadas por empresas a partidos políticos, fonte de muitas dos problemas e distorcões do sistema eleitoral do País.
O STF decide sobre Adin -Ação Direta de Inconstitucionalidade – 4.650, proposta em 2011 pela OAB que exige fim do financiamento privado de campanhas eleitorais  e, entre outros itens, pede ao Supremo que fixe um prazo de 18 meses para que o Congresso Nacional edite legislação específica.
A OAB argumenta que o modelo favorece o poder econômico no processo eleitoral e cria desigualdades políticas, ao permitir que doações para campanhas sejam feitas por pessoas jurídicas de forma direta ou indireta. Defende ainda que seja fixado um limite para as doações feitas por pessoas físicas..
O assunto é o primeiro item da pauta, mas caberá ao presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, decidir se vai ser analisado logo após a abertura dos trabalhos. A OAB defende o fundo partidário de campanha, mas destaca que é necessário rever e adaptar esse instrumento para torna-lo mais democrático e com insonomia
Vanilda Oliveira – CUT NACIONAL

Cota para negros no serviço público é tema de debate da CUT-DF nesta terça (10)

Entre os convidados estão o deputado federal Vicentinho e a secretária de Políticas de Ações Afirmativas da Seppir, Ângela Maria

O Projeto de Lei 6738/2013 que determina cota de 20% das vagas para negros em concursos públicos federais, de autoria do Executivo e que está tramitando na Câmara, é o tema do CUT Brasília Debate que será realizado nesta terça-feira (10), a partir das 19, no Teatro dos Bancários (EQS  314/315 – Asa Sul).
Serão debatedores o deputado federal Vicentinho (PT-SP), cujo relatório favorável ao projeto foi aprovado pela Comissão de Trabalho na semana passada, e Ângela Maria de Lima Nascimento, secretária de Políticas de Ações Afirmativas da Seppir, órgão vinculado à Presidência da República.  
A secretária de Combate ao Racismo da CUT-DF, Maria Isabel Caetano, explica que o alcance do PL 6738 deve ser amplamente discutido, pois ele será mais um dos instrumentos para fazer justiça ao povo negro que foi historicamente perseguido e excluído na sociedade brasileira. “A cota para negros no serviço público será mais uma política afirmativa para a inserção dos negros e promover a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho. Um exemplo que deve ser seguido por outros poderes na área federal e nos Estados e municípios. Não dá mais pra esperar. As medidas para equidade racial e combate ao racismo são urgentes”, explica Maria Isabel, que coordenará o debate desta terça.
A secretária de Combate ao Racismo informa que a direção da CUT-DF já anunciou sua posição favorável ao PL 6738 e que a Central iniciou a campanha Tô Junto pela aprovação do projeto na Câmara. Dirigentes CUTistas acompanharam a aprovação do PL na Comissão de Trabalho e pressionarão parlamentares para que votem a favor do projeto em outras comissões (Direitos Humanos e Constituição e Justiça) e no Plenário.
Maria Isabel convoca todos os dirigentes de sindicatos de Brasília e dos municípios vizinhos do Entorno (Ride) e convida militantes de movimentos sociais, políticos e sindicais e a população a participarem do debate desta terça e, depois, se engajarem na campanha pela aprovação do PL 6738 – Tô Junto.

Escrito por: CUT-DF

 

Ameaças e intimidações colocam em risco a vida do Presidente da Fetems/CUT

O presidente da FETEMS/CUT (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), professor Roberto Magno Botareli Cesar, foi nesta quinta-feira (5) à sede da Polícia Federal em Campo Grande-MS, denunciar ameaças de morte e intimidações que vem sofrendo desde ontem. Apesar da gravidade dos fatos, o delegado se recusou a recebê-lo. Quem registrou o Boletim de Ocorrência (BO) foi o escrivão de plantão.
Para garantir proteção ao dirigente e investigação séria e detalhada sobre os fatos, o presidente da CUT, Vagner Freitas,  encaminhou na manha desta quinta, um ofício ao Ministério da Justiça e à Secretaria Geral da Presidência da República.
A intimidação feita a Roberto na manhã de hoje ocorreu por volta das sete horas, quando um motoqueiro que se apresentou como jornalista, mas não mostrou nenhum crachá de identificação, foi à sede da Federação procurar o dirigente. Pelas perguntas, o motoqueiro deixou claro que sabe detalhes da rotina do presidente da FETEMS/CUT. Quando a recepcionista disse que ele não estava, por exemplo, o rapaz perguntou: Ele não está fazendo a caminhada que faz todos os dias? Ontem, uma pessoa que se identificou como “Maurício Pistoleiro” foi mais explícita: ligou no telefone fixo da FETEMS/CUT e ameaçou o dirigente de morte.
Roberto e outros dirigentes da Federação relacionam as ameaças e intimidações ao fato de os movimentos sociais terem conseguido impedir a realização de um leilão que os fazendeiros da região iriam fazer no próximo sábado para arrecadar dinheiro para contratar seguranças armados para atuar nas áreas de conflito de terras com os indignes sul-mato-grossenses.
Isso porque, Roberto recebeu a ligação ameaçadora momentos após a  Justiça Federal em Mato Grosso do Sul suspender o chamado “Leilão da Resistência”, organizado pela Acrissul (Associação dos Criadores do Mato Grosso do Sul), que esperava levantar R$ 3 milhões. A juíza Janete Cabral considerou que o leilão constitui um incentivo à violência fundiária.

A disputa de terras entre índios e produtores rurais tem histórico violento no Estado. Segundo a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), 80 propriedades estão ocupadas por indígenas no Estado. Em 30 de maio, o índio terena Oziel Gabriel foi morto durante uma operação policial para retirada dos indígenas da fazenda Buriti, mo município de Sidrolândia (MS).
Em setembro, durante a 6ª Conferência da Educação Pública, em Aparecida do Taboado, a FETEMS/CUT homenageou Oziel e familiares. O terena assassinado era um estudante universitário que lutava pela retomada do seu território. Em sua fala, Roberto lamentou o fato do estado do Mato Grosso do Sul concentrar mais de 50% dos assassinatos de índios no país. Roberto disse, então, que a 6ª conferência, além de um espaço para debater o Plano Nacional de Educação, os desafios do movimento sindical, era também o momento ideal para reafirmar o compromisso da entidade com a diversidade, para discutir a educação no campo, na cidade, indígena e quilombola e, também, para fortalecer o  compromisso das professoras, dos professores e dos dirigentes sindicais com uma escola pública inclusiva, democrática e comprometida com os valores da solidariedade e da igualdade.
A FETEMS/CUT é a maior entidade sindical de Mato Grosso do Sul, tem 72  Sindicatos Municipais de Trabalhadores em Educação (Simted’s) filiados e o professor Roberto representa mais de 25 mil trabalhadores/as.
Com informações da CUT

Mulheres da CUT são contra a regulamentação da prostituição

Para Coletivo da Central, projeto de lei apenas favoreceria aqueles que lucram com a exploração do corpo

O Coletivo Nacional de Mulheres da CUT discutiu nesta terça-feira (3), em São Paulo, a regulamentação da prostituição e, para a maior parte das dirigentes, a medida favorece apenas quem lucra com o corpo das mulheres.
Elas debateram o Projeto de Lei (PL) 4.211/2012, do deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ), que descriminaliza a exploração da atividade por casas noturnas e figuras como o cafetão.
Para a secretária da Mulher Trabalhadora da Central, Rosane Silva, o PL referenda um modelo de sociedade baseado no sistema capitalista, no patriarcado e no machismo. Ela criticou ainda a atuação do parlamentar nos bastidores e cobrou políticas públicas para que as mulheres não enxerguem na prostituição uma forma de sobrevivência.
“O Jean está pressionando a Kokay (deputada Érika Kokay do PT-DF) para assumir a relatoria do projeto e enquadrar o PT. E a companheira está esperando a posição da CUT para saber como pensamos. Minha opinião é que ela não aceite ser relatora e organize as deputadas do Congresso para votar contra esse texto. O que precisamos é lutar por políticas públicas que tirem as mulheres da condição de prostitutas”, afirmou.
A dirigente também criticou a Caixa Econômica Federal pelo convênio com a Associação das Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig) para oferecer benefícios como máquinas que aceitam cartões de crédito e debito.
“Um banco público deve atender aos interesses da população e não ter essa posição vergonhosa que só interessa ao sistema financeiro”, falou.
Prostituição como saída
Com a experiência de quem viveu da prostituição durante 15 anos, a militante da Marcha Mundial de Mulheres Cleone Santos também criticou o projeto e destacou que o perfil das mulheres continua o mesmo de quando estava nas ruas: negras ou afrodescendentes, em sua maioria, muito pobres e idosas. Nesse último caso, o perfil mais fragilizado.
“Aos 30 anos, a mulher já é considerada velha pelos donos das casas e vai para a rua, ficar encostada nas paredes, nos pontos de ônibus, nas bancas. E ali passa o resto da vida. Aí vem uma pessoa querendo regulamentar e achando que está fazendo uma coisa boa. As mulheres não estão ali porque querem. Nos lugares onde vou, não foi ela quem decidiu. Ela acorda pela manhã e está faltando comida e se não fizer um programa, por R$ 20, R$ 10, R$ 5, não vai ter dinheiro.”
Para Cleone, a ideia de regulamentação, que pode parecer positiva, na prática, acaba por prejudicar. Da mesma forma que Rosane, ela defende que o melhor caminho é garantir o acesso a direitos que já são garantidos a outras mulheres. “O explorador vai deixar esse papel para se tornar empresário, como nas grandes empresas que contratam as trabalhadoras faxineiras e as mandam para onde quiserem. A regulamentação não facilita vida das mulheres, só vem para sugar. O que queremos sim ter direito a políticas como saúde pública e de qualidade. Que a prostituta tenha direito de chegar ao médico e poder dizer qual é sua profissão sem ser humilhada. Se houver um profissional preparado lá dentro, não precisa de lei. Dentro do mundo do trabalho, esse trabalhador te que estar preparado”, comentou.
Mercado da exploração
Cleone comentou a experiência de Aprosmig, em Belo Horizonte, onde as prostitutas oferecem os programas em quartos de hotéis e são reféns de diárias que giram em torno de R$ 210, conforme comentou. “Não entendo uma associação que diz defender as mulheres, na verdade, defenda os donos dos hotéis. Conheço várias companheiras que foram mortas por dívidas”, crédito.
Ela cobrou que o debate continue no movimento feminista, já que a discussão tem relação direta com a autonomia das mulheres sobre o próprio corpo. “A discussão tem de ir além do projeto, porque são mulheres que estão numa luta quase que solitárias. E se formos pensar, todas nós nos prostituímos um pouquinho, quando aceitamos um chefe safado que nos assedia, quando casamos com um cara que não nos respeita em troca de um poder econômico. A luta é de todas nós.”
Reprodução da opressão
Professora aposentada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) Iolanda Ide fez um resgate histórico da exploração sexual sobre as mulheres e lembrou que os proprietários de escravos já eram donos também da sexualidade e mandavam escravas para se prostituírem.
Uma situação, afirmou, que é reproduzida na formação de homens e mulheres. “Estamos à mercê de uma estrutura arcaica e profundamente arraigada dentro de nós. Porque aceitamos que meninos possam chegar em casa e jogar sapato, meia, roupa e a menina tenha que ir lavar a louça? O patriarcado penetra profundamente no tecido social e no sentimento das pessoas e faz com que os que sofrem a opressão repitam sem perceber”, explicou.
Como Rosane e Cleone, ela também avaliou que a regulamentação interessa exclusivamente aos exploradores. “No Brasil não é crime nem contravenção penal se prostituir. Crime é explorar, ter prostíbulo, ser gigolô. O Jean Willys quer descriminalizar os exploradores da prostituição com o argumento de proteger direitos das mulheres às vésperas da Copa. A quem interessa isso? Aos homens, porque são eles que são donos das casas, são eles os cafetões e são eles os gigolôs. Novamente o liberalismo vai lucrar em cima das mulheres”, criticou.

 Luiz Carvalho/CUT

Presidente da CUT diz que pagamento do piso do magistério é uma obrigação

Governadores querem mudar índice de reajuste para pagar menos. Vagner Freitas diz que para priorizar educação é fundamental valorizar os/as trabalhadores/as

“A educação é uma prioridade para o Brasil e o pagamento do piso do magistério é uma obrigação dos governadores e dos prefeitos”.
A afirmação foi feita pelo presidente da CUT, Vagner Freitas, nesta quarta-feira (4), no ato que os trabalhadores da educação de todo o País fizeram no Auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, para exigir o pagamento do Piso do Magistério estabelecido por Lei.
Alegando não ter condições de pagar o piso, reajustado anualmente a partir de um índice do MEC que avalia o custo aluno, os governadores querem que o Congresso Nacional altere a lei do piso. Para pagar menos, eles estão propondo que o reajuste seja baseado no INPC.
Vagner considera a alteração da lei inaceitável. Para ele, a valorização os trabalhadores em educação, é fundamental. Para isso, diz, é preciso garantir aumento real de salário e os governadores têm de se planejar para isso.
“O problema não é o orçamento, são as prioridades dos governantes. Muitos se elegem falando em priorizar a educação, mas depois, focam suas ações em obras que chamam a atenção como pontes e estradas”.
O presidente da CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Roberto Leão, afirmou que limitar os reajustes dos professores ao INPC vai contra os interesses da sociedade brasileira que exige melhorias, que quer que as escolas preparem melhor seus filhos para os desafios futuros.
“Queremos escolas de qualidade e que sejam transformadoras, que sejam capazes de formar cidadãos e cidadãs e não pessoas adestradas”.
Leão destacou que a proposta dos governadores é “uma maquiagem que apresenta ganho real mínimo e é totalmente contrária ao espírito da lei do piso, que é de valorização dos trabalhadores de educação, no caso, os professores. Não vamos tolerar nenhum golpe contra a política do piso salarial nacional, prioritária nos palanques eleitorais mas pouco prestigiada em sua concretude. Não haverá educação de qualidade no Brasil, enquanto não houver a valorização dos seus trabalhadores em educação”.
Depois do ato no Nereu Ramos, os/as trabalhadores/as foram para os corredores da Câmara dos Deputados divulgar a campanha da CNTE: “Piso dos Professores/as: deputado/a, estamos de olho no seu voto! Vote contra o INPC. Vote contra a proposta dos governadores!”. Os/as trabalhadores/as pedem apoio dos parlamentares na defesa pela valorização profissional.
Para o presidente da CUT, é preciso conscientizar a sociedade brasileira sobre os riscos da proposta dos governadores. Mais que isso, é preciso que esses governadores nunca mais sejam eleitos. “Vamos acabar com essa coisa de eleger governadores e prefeitos que têm discursos progressistas, mas têm prática de direita”.
 
O piso salarial dos professores do magistério público foi estabelecido na Lei 11.738/08. Na ocasião, o valor era de R$ 950. Com os reajustes anuais, ao valores foram para R$ 1.024,67 (2010), R$ 1.187,14 (2011),  R$ 1.451 (2012) , e, a partir de fevereiro deste ano, passou para R$ 1.567.
OAB DEBATE PL 33/13
Antes do ato dos trabalhadores em educação, Vagner participou de um debate na sede da OAB, em Brasília, sobre o PL 33/2013. Este PL estabelece honorários de sucumbência e torna obrigatória a presença de advogados no âmbito da Justiça do Trabalho.
Vagner deixou claro para os advogados que a CUT defende os interesses de toda a classe trabalhadora. Nesse sentido, espera que haja consenso entre a formulação do projeto com a OAB, a CUT e as demais centrais, de forma que seja possível preservar os direitos dos/as trabalhadores/as que utilizarem a Justiça do Trabalho e dos advogados, mas também assegurar que os sindicatos possam manter os recursos financeiros necessários para prestar a devida assistência jurídica aos seus associados.
 

Escrito por: Marize Muniz/CUT

Direções terão paridade de gênero em 2015, diz Vagner Freitas

Em encontro do coletivo de mulheres, Vagner Freitas destacou também que ano provou capacidade de enfrentamento dos movimentos sociais

 
O presidente da CUT, Vagner Freitas, participou nesta terça-feira (3) de mais um encontro do Coletivo Nacional de Mulheres da Central, em São Paulo, e garantiu que a paridade na direção da entidade será cumprida em 2015.
“É uma deliberação do nosso último congresso. Tanto nas estaduais quanto na direção nacional teremos o mesmo número de homens e mulheres a partir de 2015”, afirmou o dirigente ressaltando que a CUT é a única central do Brasil a aprovar a igualdade entre homens e mulheres na direção.
Em análise sobre a conjuntura de 2013, Vagner classificou como um ano de muita luta (e conquistas). A começar pelo embate contra medidas como o Projeto de Lei (PL) 4330/2004, que amplia a terceirização. A mobilização da CUT fez com que a votação do texto fosse suspensa.
Ele citou também as campanhas salariais que, apesar da resistência dos empresários, determinados a impedir uma sequência de aumento real – acima da inflação –, arrancaram 1,5% de acordo, em média.
Ainda sobre esse tema, Vagner citou como um dos pontos negativos o embate do governo federal com os servidores públicos e a publicação do Decreto 7.777, que previa a substituição dos funcionários mobilizados. E citou a não regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata do direito do funcionalismo à organização sindical. “Apesar disso, a CUT continua na trincheira por essa convenção”, acrescentou.
Ele afirmou ainda que a Central entregará uma Plataforma da Classe Trabalhadora à presidenta Dilma Rousseff em 2015 e cobrará compromisso com a pauta do movimento sindical.
“A presidente precisa fazer andar a redução da jornada sem redução de salário, o fim do fator previdenciário, o direito à negociação e colocar em prática a reforma agrária, que não pode se restringir a direcionar recursos para assentamentos, mas precisa também dar terra aos trabalhadores que precisam e querem produzir.”
Homenagens à guerreira Odete
Antes do início das intervenções da tarde, os dirigentes prestaram uma homenagem à ex-presidenta da CUT-AP Odete Gomes, que faleceu em outubro deste ano, após naufrágio da embarcação em que estava para participar da procissão do Círio Fluvial, em Macapá.
“Era uma grande guerreira e fazia um grande esforço para participar de todas as reuniões da direção nacional e dos encontros do coletivo”, disse a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva, para em seguida puxar o grito de “Odete presente”, em lembrança à companheira.
“A homenagem principal que podemos fazer é dar continuidade ao trabalho e lembrar a sua alegria de viver. Odete ainda está viva entre nós”, complementou Vagner.
No período da tarde, a assessora da Confederação Nacional do Ramo Químico (CNQ) da CUT, Marilane Teixeira, apresentou o projeto de formação das mulheres, que a Central fará em parceria com Universidade de Campinas (Unicamp).
O curso terá dois anos e o objetivo é capacitar as trabalhadoras sobre os temas de gênero e mundo do trabalho. Serão seis encontros nacionais, três em 2014 e mais três em 2015, acompanhados por oficinas nacionais. A ideia é que o processo envolva também mulheres de outras centrais e combine formação, pesquisa e a publicação de dois livros.
 

Falta de democracia nos espaços de deliberação limita o desenvolvimento sustentável

Em Seminário da CUT, palestrantes apontam que somente a pressão unitária dos movimentos sociais e populares poderá alterar este cenário

A CUT Nacional iniciou nesta quinta-feira (28) o Seminário Internacional “Política Industrial Sustentável, Energia e Ação Sindical” que ocorre no auditório do Sindicato dos Químicos de São Paulo.

 A proposta de realização deste Seminário segue as deliberações do 11º Congresso Nacional da CUT (CONCUT) e é promovido pelas Secretarias Geral e do Meio Ambiente da própria Central, pelas Confederações do Macrossetor da Indústria (CNM, CNQ, CNTV, CONTAC e CONTICOM) e conta com apoio da Fundação Friedrich Ebert (FES).

Na opinião da secretária-geral adjunta da CUT, Maria Godoi Faria, o Seminário é um importante espaço para que os dirigentes e a militância possam se apropriar do tema, debater e construir propostas que colaborem para o fortalecimento da intervenção da CUT nos rumos da política industrial do País. “Queremos um projeto de desenvolvimento que leve em consideração não apenas o caráter econômico, mas ambiental, social e que preserve o ser humano e as futuras gerações”, assinalou a dirigente.
O acúmulo e o conhecimento adquiridos neste Seminário poderão, por exemplo, auxiliar na intervenção dos representantes dos ramos que participam dos Conselhos de Competitividade do Plano Brasil Maior, conforme salientou Cida Trajano, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Vestuário (CNTV).
O Brasil, nos últimos dez anos, construiu um novo projeto de desenvolvimento, capaz de transformar e conciliar crescimento econômico com avanços sociais. Mas conforme assinalou Tina Hennecken, representante da Fundação Friedrich Ebert (FES), as reformas que não foram implementadas acabam limitando a consolidação de um projeto de desenvolvimento ambientalmente e socialmente sustentável.
Indústria e sustentabilidade – uma dos temas centrais deste Seminário refere-se aos desafios na construção de uma política industrial sustentável.
Geraldo Vitor de Abreu, da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadana Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, ressalta que a partir da Revolução Industrial se consolida um novo modelo de desenvolvimento calcado na exploração cada vez maior de recursos naturais e ampliação do uso energético.
O surgimento de movimentos de luta e denúncias sobre o abuso e a exploração desproporcional dos recursos naturais levou à ONU (Organização das Nações Unidas) durante a Conferência de Estocolmo, em 1972, a organizar um tratado que determinava a inclusão da dimensão ambiental no processo de desenvolvimento econômico.
Este processo impulsionou a construção de espaços de debate, como a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, conhecida também Rio-92, as Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e a recente Rio+20.
Apesar dos avanços, Abreu acredita que a população e a sociedade civil organizada continuam alijadas nesses espaços de deliberação sobre os rumos de desenvolvimento. “Para tanto, é necessário à construção de um amplo movimento global, com a classe trabalhadora coordenada e organizada. Precisamos estar atentos ao discurso verde que tem sido utilizado como um produto de salvação do capitalismo”, disse.
“Qualquer tipo de debate sobre emprego verde deve incluir prioritariamente a garantia do trabalho decente”, acrescentou Jasseir Fernandes, secretário nacional de Meio Ambiente da CUT, destacando que a Central com todo seu acúmulo tem o desafio de fazer este debate transversalizando para o mundo do trabalho.
A trajetória recente da política industrial brasileira e sua relação com a mudança da estrutura produtiva foi tema da apresentação do professor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA – USP), Mario Salerno. Ele listou três grandes problemas: pouco valor agregado que resulta na sua debilidade; pouco desenvolvimento tecnológico; e o relativo isolamento em relação às cadeias e redes internacionais de valor. “A estrutura produtiva no Brasil foi construída tardiamente, por isso precisamos superar essas barreiras para ter uma política industrial efetiva”, ressaltou.
Disputa por recursos naturais – segundo informações do professor Bela Galgóczi, da European Trade Union Institute – ETUI, houve uma queda nos investimentos em energia limpa tanto nos Estados Unidos como na Europa, relacionado diretamente aos programas de austeridade.
Neste cenário, há uma corrida pelas chamadas ‘energias extremas’, como a exploração do gás de xisto. É o que vem ocorrendo nos Estados Unidos, cujo modelo já é baseado nos baixos salários, passa também a possuir baixo custo energético.
Na exploração deste combustível fóssil (xisto) se utiliza geralmente uma mistura de água, areia e produtos químicos, que acarreta em graves problemas ambientais.
“É uma intervenção muito brutal no meio ambiente. Questão controversa, que precisa ser analisada de forma profunda, pois há uma série de riscos, inclusive para os trabalhadores. É insustentável a continuidade deste modelo econômico vigente em termos de consumo dos recursos naturais. Precisamos instituir um modelo com eficiência de recursos e energia, produzir mais com menos”, analisou Galgóczi.
Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), Igor Fuser, o gás de xisto é um recurso de curto prazo, explorado de maneira imediatista, que ignora os limites ambientais.

No Texas (EUA), 15 milhões de habitantes estão com água racionada e o Canadá sofreu um tremor de terra próximo à escala 4. Em ambos os casos há relação direta com a exploração do gás xisto. “Nossa tarefa é construir alternativas ao modelo atual. Mas antes mesmo de consolidar estas alternativas, é necessário que se questione a falta de democracia nos espaços de debate. Qualquer questionamento ou ponto de vista crítico é imediatamente silenciado pelo discurso hegemônico”, denunciou Fuser.

Modelo energético brasileiro – na visão do professor da UFABC, apesar de todos os avanços, o modelo energético brasileiro mantém a herança do período neoliberal, com sua limitação aos interesses do capital.
Posicionamento compartilhado por Gilberto Cervinski, representante do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB). Ele citou como exemplo a política de tarifa que privilegia o setor especulativo. “Quem controla as hidrelétricas com seus altos lucros são as multinacionais. Este modelo colabora no enfraquecimento dos trabalhadores, seja através do processo de terceirização ou da precarização. É um debate que deve ser incluído na agenda central de luta dos trabalhadores”, destacou Cervinski.
No Brasil, ocorreu nesta quinta-feira o leilão de 240 blocos, em sete bacias sedimentares, para exploração do gás de xisto. De acordo com João Antônio de Moraes, coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), apostar no leilão é priorizar a lógica do crescimento a qualquer preço que compromete o futuro do País. “A energia deve ser vista como um bem estratégico e não com um simples produto ao deleite do lucro.”
“O Brasil é autossuficente na questão energética e agora se prepara para ser exportador, já que a perspectiva é de que a produção de petróleo passe a 5,5 milhões de mil barris/dia até 2020. Exportar petróleo não vai melhorar a condição de vida da nossa população. Essa não é uma lógica de desenvolvimento sustentável, mas apenas corporativa, que serve aos interesses do capital. O que garante avanços é o desenvolvimento da cadeia produtiva e isto não está garantido no atual modelo energético”, criticou Moraes.
Experiência mexicana – a mesa sobre ‘energia e sustentabilidade’ contou com a participação de Carlos Huerta, assessor de Economia Política da Energia no Conselho de Administração da Pemex (Petróleos Mexicanos), empresa estatal de economia mista encarregada de extração do petróleo e gás.
Assim como o Brasil, o México também é autossuficiente em petróleo. Atualmente, são 2,5 milhões de barris produzidos por dia, mas metade é exportada para os Estados Unidos. As perspectivas apontam que a produção alcançará 3 milhões de barris/dia em 2020 e 3,5 milhões em 2025. “Aumentar visando qual objetivo, já que somos autossuficientes”, contestou Huerta.
A Pemex não possui autonomia financeira. De cada um dólar ganho, 70 centavos são destinados ao governo e investidos em gastos correntes. Os ganhos com a exploração e venda do petróleo não resultaram em avanços sociais. “O México desperdiçou uma grande oportunidade. Nosso desafio é discutir o que faremos com os recursos do petróleo que são finitos”, pontuou.
Huerta informou que discute-se no México uma reforma energética que possibilitará ainda mais a exploração dos recursos pelas empresas privadas. “Pesquisas mostram que 70% da população é contra a abertura e a privatização. Mas a maioria do Congresso vai votar a favor da reforma do setor energético e elétrico”, lamentou.

Escrito por: William Pedreira

CUT reforça defesa do Marco Civil da Internet durante manifestação em Brasília

A CUT, movimentos sociais da área de Comunicação, militantes pela Internet Livre e parlamentares participaram nesta quarta-feira (26) de um ato na Câmara dos Deputados pela aprovação do PL 2126/2011, o chamado Marco Civil da Internet. O Projeto, construído coletivamente pela sociedade civil, é fundamental para impedir a intervenção das empresas de telecomunicações na estrutura de Internet e para garantir a democracia e a liberdade na rede.

“Os movimentos sociais defendem a aprovação imediata do texto atual do Marco Civil da internet, fundamental para o enfrentamento ao poder hegemônico imposto pelas teles e pelos monopólios que dominam a comunicação no País. O Marco permite a pluralidade e o contraponto de opiniões. Por isso a defesa intransigente à neutralidade de rede e à privacidade. É um projeto inovador, que pode projetar o Brasil no exterior e nos tornar exemplo para o mundo”, afirma Rosane Bertotti, secretária nacional de Comunicação da CUT e coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).
Rodrigo Rodrigues, secretário de Formação da CUT Brasília e representante da Central no ato lembrou que a Internet não pode seguir a mesma lógica das empresas de radiodifusão brasileiras. “No Brasil, nós já temos a mídia monopolizada por grandes empresas, que desconsideram a Comunicação como um direito básico da humanidade e a veem pela ótica do mercado. A Internet não pode cair na mesma lógica, não pode ser submetida a interesses de corporações que a utilizam como fonte de lucro e não com finalidade pública”, defende.
Trancando a pauta da Câmara desde o começo do mês, o principal ponto de divergência é a neutralidade de rede, que encontra resistência do PMDB e das grandes corporações do setor de telecomunicações. Segundo o critério de neutralidade, defendido pela CUT e movimentos sociais, as empresas não podem bloquear ou limitar o tráfego para diferentes conteúdos, aplicativos ou sites. A votação do Marco Civil da Internet segue sem data definida.
Com informações da CUT

Conferência busca consolidar política para saúde do trabalhador

A CUT Brasília promove no próximo dia 3 de dezembro a 1ª Conferência Distrital de Saúde do Trabalhador. O encontro reunirá dirigentes dos sindicatos, federações e confederações filiados durante o dia todo no auditório Adelino Cassis, da CUT Brasília, no Conic (SDS).
“Vamos discutir como fortalecer a atuação do sindicatos em favor da saúde do trabalhador. Entendemos que se trata de uma questão prioritária para o movimento sindical, pois o adoecimento e os acidentes de trabalho são frutos das condições e relações de trabalho, do aumento abusivo de metas e de produtividade promovido pelos patrões. Não podemos discutir saúde do trabalhador e prevenção sem levar em conta a relação do Capital x Trabalho e o sistema de produção, que envolve tecnologia, jornada de trabalho, remuneração, organização do trabalho etc.”, explica o secretário de Saúde do Trabalhador da CUT Brasília, Mauro Mendes.
Para contribuir nos debates, haverá de manhã uma palestra sobre assédio moral e adoecimento psíquico e físico dos trabalhadores que será ministrada pela professora Ana Magnólia, do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Saúde e Trabalho (Gepsat).
À tarde, os participantes discutirão em grupos e sistematizarão as contribuições coletivas em torno de quatro eixos:
·         Saúde do Trabalhador e Seguridade Social,
·         O papel da OLTs (Organizações por Local de Trabalho) na Saúde do Trabalhador e a Organização dos Ramos e Macrossetores da CUT,
·         Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente,
·          Saúde do Trabalhador, Desenvolvimento Socioeconômico e Tecnológico.
A Conferência Distrital é preparativa para Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador. Por isso, elegerá nove delegados das entidades de Brasília e municípios goianos do Entorno do DF (Ride) que levarão as propostas tiradas no dia 3 para o encontro nacional.
Serão delegados natos os secretários de Saúde do Trabalhador da CUT Brasília e dos ramos e mais dois representantes escolhidos pela direção distrital, observando obrigatoriamente o critério de paridade de gênero.
As inscrições para a Conferência Distrital devem ser feitas até sexta-feira, dia 29. Informações pelo fone (61) 3281-9373 (com Gaia) ou pelo e-mail: cutdf@cutdf.org.br .
PROGRAMAÇÃO
8h30 – Café da manhã
9h – Abertura  – Mauro Mendes – Secretário de Saúde do Trabalhador
Eduardo Guterra – Secretário Adjunto Nacional de Saúde do Trabalhador da CUT          Rodrigo Britto – Presidente
10h – Debate sobre Assédio Moral
Palestrante:  Dra. Ana Magnólia – Professora do departamento de Psicologia Social e do Trabalho da UnB.
12h – Almoço
13h – Apresentação dos objetivos e eixos da Conferência
14h – Debate em Grupo de Trabalho
15h30 – Coffee Break
15h45 – Apresentação dos Grupos de Trabalho e aprovação
16h30 – Eleição dos delegados à 1ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador
17h – Encerramento
 
Local: Auditório Adelino Cassis na CUT Brasília
Data: 3 de dezembro

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