Rosa Weber libera orçamento secreto e pode favorecer o desmonte do serviço público

Decisão da ministra do STF mantém afronta à Constituição, libera o toma-lá-dá-cá na Câmara dos Deputados e põe o Brasil nas mãos da inconstitucionalidade, da impessoalidade, da falta de transparência e outras ilegalidades

 

 

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), liberou, na segunda-feira (6), o pagamento das inconstitucionais emendas do orçamento secreto. Ela mesma as havia suspendido, contudo, com as novas regras sobre o tema votadas no Congresso Nacional, na semana passada, ela decidiu liberar a retomada da execução orçamentária das “emendas do relator”, conhecidas como “orçamento secreto”, e entendidas por todos os especialistas em economia, direito etc. como ilegais, inconstitucionais e fraudulentas.

 

“A decisão foi muito negativa para a garantia da transparência da execução do orçamento público porque, a rigor, ela autorizou a retomada da execução do orçamento secreto em 2021 e, hoje, há um saldo de R$ 7,5 bilhões ainda por executar dessas emendas de relator no orçamento secreto e mesmo com as decisões e atos expedidos pelo Congresso Nacional na semana passada, tentando oferecer transparência ao processo de execução, a verdade é que seguirá não havendo transparência nesse processo”, informa Bruno Moretti, economista e assessor no Senado Federal.

 

Ele explica que, em particular, não há como saber quem são os(as) parlamentares que fazem acordos e demandam esses recursos financeiros públicos advindos das emendas de relator. “Portanto, continuará sendo possível usar o ilegal orçamento secreto em absoluta afronta à Constituição porque ele vira um instrumento, inclusive, para desbalancear votações no Congresso, para distribuir recursos de forma não equitativa entre parlamentares que vão até suas bases e, de alguma maneira, também, podem vincular a distribuição desse dinheiro a benesses eleitorais”, alerta.

 

Moretti afirma que o orçamento secreto não atende, minimamente, a critérios equitativos, impessoalidade e transparência na execução do orçamento público. Na votação da PEC dos Precatórios (PEC 23/21), na Câmara, na versão que continha muitos problemas no texto a gente percebe que, na execução das emendas do relator, até um mês anterior ao da votação da PEC era em torno de R$ 1 bilhão. O que aconteceu foi que no mês de outubro, mês da votação dessa PEC na Câmara, essa execução evoluiu para R$ 3 bilhões. Ou seja, multiplicou-se por três.

 

“Quando a gente coloca uma lupa e vê as datas em que houve a execução, no mês de outubro, entre os dias próximos à votação da PEC em primeiro turno, R$ 1 bilhão foi executado em poucos dias nas emendas de relator. Ou seja, há indícios evidentes e muito fortes de que elas servem para desbalancear votações importantes. E aqui entra o risco da retomada, dessa emenda de relator, desse orçamento secreto, para a agenda de desconstrução e de destruição de institucional e de políticas públicas, que é o mote do atual governo. Então, por exemplo, a PEC da reforma administrativa poderá ser pautada novamente e, de alguma maneira, esse orçamento secreto servir para angariar votos em favor da PEC. Da mesma maneira, projetos, por exemplo, sobre privatização de estatais que são estratégicas para o País podem ser viabilizados por meio dessas emendas de relator na medida em que elas serviriam para conquistar votos”, explica Moretti.

 

Ele afirma que esse orçamento secreto é um mecanismo direto de afronta à democracia, de desequilíbrio às votações dentro do Congresso Nacional “e seguirá sendo porque os atos do Congresso Nacional não são capazes de explicitar e dar transparência a quem demanda esses recursos. Que parlamentares fecharam acordo para receberem esse dinheiro público? Por isso, a continuidade desse processo, há cerca de R$ 7,5 bilhões ainda a executar em 2021, pode ter impactos decisivos sobre votações viabilizando, em especial, projetos de destruição institucionais e de políticas públicas do Estado brasileiro que é uma meta clara deste atual governo.

 

“Além disso, vale lembrar que, para 2022, já está se discutindo o orçamento, já há aí um cenário claro de que as inconstitucionais emendas do relator podem, novamente, comparecer na Lei Orçamentária Anual num valor de até R$ 16 milhões e até mais. Esse processo seguiria para 2022 e, portanto, criando ainda riscos maiores para o andamento de agendas como a PEC 32, da reforma administrativa. Essa é a conexão entre a decisão da ministra Rosa Weber e as agendas que o governo Bolsonaro tem, que procuram destruir os serviços públicos, desmontar políticas sociais, como fez com o Bolsa Família, privatizar estatais estratégicas para o País. As emendas de relator ou orçamento secreto seguirá sendo o mecanismo inconstitucional de distribuição não equitativa de recursos financeiros em troca de votos nessas matérias estratégicas e que o governo tem a intenção de dar andamento”.

 

Orçamento secreto e a PEC 32

 

No movimento sindical, dirigentes afirmam que o impacto da decisão da ministra Rosa Weber pode refletir negativamente no País porque favorece o desmonte do Estado nacional de bem-estar social e democrático de direito.

 

“O orçamento secreto ou emendas do relator é o instrumento que o governo Bolsonaro e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, do PP de Alagoas, estão utilizando para fazer uma compra descarada de votos. São emendas que somente o relator e o governo Bolsonaro sabem para qual parlamentar irão. Eles indicam para qualquer município em troca de votos favoráveis às agendas de destruição do Estado do atual governo. Essa decisão da ministra Rosa Weber significa que Lira poderá cumprir o que prometeu na compra de votos na Câmara”, afirma Gediel Junior, diretor do Sindicato dos Servidores Públicos no Distrito Federal (Sindsep-DF).

 

Ele alerta para o fato de que o Congresso Nacional é o mesmo que aprovou medidas, na base do recebimento de muito dinheiro público do orçamento secreto, medidas contra o trabalhador. A diferença com a PEC 32, de destruição dos serviços públicos e que o Lira havia se comprometido a votar no primeiro semestre, é que houve um amplo processo de unidade dos servidores públicos, das centrais sindicais, dos sindicatos de servidores em todo o Brasil.

 

“Essa unidade dos servidores federais, estaduais, municipais e distritais e dos servidores dos Três Poderes de todas as esferas da União é a única barreira que fez a pressão e que, mesmo com a fraude das emendas do relator, Lira não conseguiu ter, ainda, uma maioria de votos para aprovar a PEC 32 na Câmara com quórum qualificado de 308 votos, número necessário para aprovar uma PEC. Por isso, é muito importante essa unidade. É importante ressaltar a unidade que as entidades cutistas, como a Condsef, CNTE, Confetam, Proifes, Fenasep também construíram para pôr nas ruas a campanha “Cancela a reforma”. O exemplo no DF foi uma forte campanha de mídia, outdoors, panfletos explicativos sobre a PEC 32 feitos pelos sindicatos, como o próprio Sinpro e Sindsep-DF”, afirma o sindicalista.

Dia do Orientador e da Orientadora Educacional: muito a celebrar e lutar

4 de dezembro é Dia do Orientador e da Orientadora Educacional. A data especial, que por luta do Sinpro hoje integra o calendário oficial da Secretaria de Educação (SEEDF), traz muitos motivos para celebrar e lutar. E para comemorar, o Sinpro-DF realizará um Café Colonial na Chácara do Sinpro no próximo dia 10 de dezembro, a partir de 9h, com debate ‘A quem comunicar a minha dor”, facilitado pela psicóloga Luciane Kozicz. Para participar, inscreva-se pelo link https://sinpro25.sinprodf.org.br/dia-doa-orientadora-2021/.

Pedimos que você confirme sua presença até 5ª-feira, 9 de dezembro, às 14h.

No dia 10 de dezembro, às 8h, um ônibus partirá do Taguapark, em Taguatinga, rumo ao café da manhã na Chácara do Professor. 

Por que celebramos?
Celebramos a importância do trabalho de orientação educacional e a dedicação de todos e todas as profissionais que fazem diferença na trajetória dos(as) estudantes e na construção de uma escola pública de qualidade. “O pedagogo orientador educacional é um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento integral de cada estudante, contribuindo para a formação de um cidadão crítico e participativo na sociedade”, diz o diretor do Sinpro Luciano Matos.

O(a) orientador(a) educacional também é fundamental na relação entre a escola e a comunidade na qual ela se insere, com participação definitiva para evitar situações de bullying, gravidez na adolescência e diversas formas de violência, subtraindo obstáculos que prejudicam o processo de ensino-aprendizagem.

“Em reconhecimento ao importante papel desempenhado por esses profissionais no processo ensino-aprendizagem – e graças à luta do nosso sindicato, apoiada pela categoria –, conseguimos que o Pedagogo-Orientador Educacional passasse a compor a Carreira do Magistério Público, melhorando suas condições de salário e trabalho, isonomicamente com os professores”, destaca a diretora do Sinpro Meg Guimarães.

Celebrar também a luta
Da mesma forma que celebramos o trabalho dos(as) orientadores(as) educacionais e suas conquistas, também lembramos que há muita luta pela frente. Segundo dados de 2020 da própria SEEDF, apenas 1.132 orientadores(as) educacionais atendem 685 unidades escolares e 458.805 estudantes. Hoje, um(a) pedagogo(a)-orientador(a) educacional é responsável por atender 800 estudantes, de acordo com a modulação prevista na portaria nº 14 de janeiro desse ano. A insuficiência de quadro gera um cenário devastador para orientadores(as) educacionais, que enfrentam processos de adoecimento psíquico e de profundo estresse, além dos prejuízos para a qualidade do seu trabalho.

Por isso, uma das lutas mais importantes do segmento atualmente é pela realização de concurso público – o que não acontece desde 2014 – e por uma modulação que garanta melhores condições de trabalho. “Nossa demanda é por uma modulação justa: um orientador para 300 estudantes, para poupar os(as) profissionais do adoecimento, e para garantir a qualidade do trabalho”, afirma Meg. “Não ter orientadores e orientadoras educacionais nas escolas, ou mesmo ter um número muito pequeno desses profissionais, é negar acolhimento a estudantes, professoras e professores, pais, mães e responsáveis, impondo às escolas conflitos de convivência que refletem diretamente no desempenho de estudantes e no desestímulo de professores e professoras”, completa ela.

Confira aqui as principais reivindicações dos orientadores e orientadoras educacionais: https://sinpro25.sinprodf.org.br/educacao-pede-socorro-concurso-para-orientador-educacional-ja/.

 

Campanha “É pela vida” reforça uso de máscara e ventilação

Usar a máscara de qualidade, capaz de barrar o vírus da covid-19, manter os ambientes arejados e ventilados, preservar o distanciamento e não participar de atividades com aglomeração é a melhor maneira de evitar contágio por coronvírus e suas variantes e escapulir de uma possível contaminação e morte. Estamos entrando em uma nova onda da crise.

 

Por isso, a campanha permanente “É pela vida”, que o Sinpro-DF tem realizado, mantém a orientação do uso de máscara, do distanciamento social para evitar a contaminação e alerta para a possibilidade de estar havendo aumento de covid-19 no Distrito Federal sem as devidas notificações do governo.

 

Nesta terça-feira (7), há informações nas redes sociais de que o número de casos tem aumentado e que as Unidades de Terapia Inrtensiva (UTI) do Distrito Federal já enfrentam superlotação, com mais de 70 pessoas na fila (confira no final deste texto). O fato é que a pandemia não acabou, a nova variante ômicron já chegou no Brasil e o País continua mal administrado no combate à crise sanitária do novo coronavírus.

 

Há denúncias nas redes digitais de que voltamos ao escuro e, sem a pressão da CPI da Covid, que forçou o governo federal a vacinar a população e dar uma basta naquela avalanche de mortes desnecessárias por covid-19, a gestão pública voltou a agir de forma genocida. Nessa segunda-feira (6), por exemplo, segundo a imprensa liberal, o Ministério da Saúde gerou um novo apagão nos casos de covid-19 no País.  Realizou uma nova mudança no sistema de registro de casos positivos de infecção pelo Sars-CoV-2 e, com isso, o País apresenta mais um apagão de casos leves sintomáticos de Covid desde setembro.

 

O Ministério da Saúde passou a exigir, em agosto, a inclusão do número de lote e fabricante dos chamados testes de antígeno nos sistemas de saúde para a notificação dos casos na plataforma e-SUS Notifica. Com isso, a quantidade de resultados positivos e negativos desses testes sofreu uma queda abrupta, o que pode representar subnotificação de casos do coronavírus em todo o País.

 

Todo dia o governo genocida de Bolsonaro (PL) muda as regras de notificações, impondo falta de dados que irão afetar as próximas ações contra a variante ômicron e dificultar decisões sobre festas e outros tipos de aglomerações que resultam em explosão de contaminações e de mortes por covid. A ciência é clara: as variantes são cada vez mais fortes.

 

Cientistas como Átila Iamarino e Miguel Nicolelis têm postado em suas redes sociais que o governo federal, embora já estejamos em dezembro e com a variante ômicron circulando velozmente no País, ainda há tempo para uma ação governamental. “Temos um mês, talvez dois, para nos prepararmos para a ômicron. No mínimo deveríamos ter uma campanha massiva para todos os estados passarem de 70% de vacinados. Só temos a ganhar com isso. E vai poupar leito e oxigênio”, escreveu Iamarino.

 

O cientista lembra que, no início de 2020, as manchetes dos jornais liberais escondiam a necessidade de se tomar providências concretas contra a covid-19 e mostra, em seguida, o resultado das manipulações de informações e das fake news: mais de 600 mil mortos que poderiam estar vivos se tivesse havido política pública de saúde.

 

 

 

O médico e cientista Miguel Nicolelis, sempre preocupado com a ação genocida do governo federal e de alguns governos locais, como do Governo do Distrito Federal (GDF), também postou no seu Twitter a denúncia sobre os números da covid, hoje, no País.

“A tsunami desta vez vai ser silenciosa até bater no pescoço de todo o país. E aí vai ser tarde demais. Aliás, já pode ser tarde demais. Depois de quase 2 anos, o Brasil chutou o balde e está tentando “conviver” com a pandemia na marra: jogando pra debaixo do tapete os dados”, escreveu.

 

Considerado um dos mais importantes cientistas do mundo, Nicolelis também postou nas redes sociais que “sem testar COVID19 desaparece mesmo das estatísticas oficiais. Agora, pq ninguém fala da lotação das UTIs (adultos, pediátricas e neonatais) da capital do país. Brasília chegando a 80% de lotação de UTIs públicas e privadas e vc ñ le ou ouve uma única palavra na mídia brasileira”.

 

No Twitter do Contagem coronavírus – Brasil (Notícias 24 horas) @contagemcorona1, a informação mostra que, nesta terça (7), o DF já está com mais de 70 pacientes graves aguardando vagas em UTI. 

Em Rondônia, que estava sem registros de covid, a rede de hospitais voltou a registra um levante de casos.

 

“É pela vida”

Diante de tantas incertezas, sabotagens de informações, desvio de dinheiro público, subnotificações, falta de política pública de combate à covid-19 e mais de 600 mil mortes, o Sinpro-DF insiste em defender a vida e orienta a todos e todas a respeitarem os limites impostos pela crise sanitária e atuar para que isso acabe logo de fato. E só irá acabar quando todos os brasileiros e brasileiras e todos(as) os(as) habitantes do planeta estiverem vacinados(as).

 

Enquanto isso não acontece, é preciso usar a máscara, manter os ambientes arejados e ventilados, usar álcool 70% quando não puder lavar as mãos com água e sabão, manter o distanciamento e evitar aglomerações. Essa é a única saída até o momento.

 

Uma pesquisa recente do Instituto Max Planck, da Alemanha, mostrou que o uso de máscaras seguras, do tipo PFF2, equivalentes a outros padrões internacionais, como a N95, KN95 e máscaras P2, oferecem quase 100% de proteção contra a covid-19.

 

Segundo informações da Folha de S. Paulo, “se uma pessoa infectada pelo coronavírus Sars-CoV-2, causador da covid-19, tiver contato com uma saudável num espaço fechado –mesmo a uma distância pequena e após 20 minutos – o risco de contágio é de apenas 0,1%”.

 

“Se a pessoa estiver vacinada, o risco de contrair a doença é ainda menor, apontam os pesquisadores. No entanto, segundo os cientistas, a redução do risco depende de a máscara ser usada da maneira correta. Para ter a proteção ideal, o clipe de metal deve estar bem ajustado ao nariz, pressionando-o lateralmente”. O melhor caminho é o da ciência! Siga as instruções científicas: é pela vida!

Governo Ibaneis atropela a democracia e impõe militarização no CEF 01 do Paranoá

Quinze dias depois de a Polícia Militar (PM) atacar, gravemente, as atividades educacionais do CED 01 da Estrutural, com a brutal censura ao trabalho pedagógico sobre o Dia da Consciência Negra, o governo Ibaneis Rocha (MDB) volta a usar a truculência para impor esse modelo fracassado de militarização na escola pública e gratuita do Distrito Federal.

 

“Sem discutir com a categoria e muito menos com os pais e as mães dos(as) estudantes, aprovou, no sábado (4/12), na base da ilegalidade, da falta de participação da comunidade e com manobras autoritárias, a militarização do Centro de Ensino Fundamental nº 01 (CEF 01) do Paranoá. Não houve participação da comunidade escolar e a decisão foi imposta.

 

Os números e a forma de votação não mentem. No segmento “Profissionais da educação”, foram 25 votos favoráveis contra 30 votos contrários e dois nulos. No segmento “Pais/Alunos, 99 votaram pelo sim e, três, pelo não. O resultado geral proporcional mostra os números da truculência: 71% SIM e, 29%, NÃO.

 

“Ou seja, somente 99 pessoas da comunidade votaram e a maioria dos pais e das mães que tem filhos e filhas na escola não tiveram a oportunidade de opinar e nem sequer participaram da reunião realizada apressadamente com o único objetivo de aprovar de forma açodada a militarização”, observa Luciana Custódio, coordenadora da Secretaria para Assuntos de Formação Sindical do Sinpro-DF.

 

A diretoria colegiada do Sinpro-DF considera a decisão inválida, resultado de abuso de autoridade e uma ação truculenta contra a escola pública e gratuita. Afinal, a “proposta”, que não foi discutida aberta e democraticamente com a comunidade, foi aprovada por apenas 99 pessoas numa comunidade escolar com mais de 2 mil estudantes.

 

O resultado do que chamaram de “audiência pública” para aprovação da fracassada “gestão compartilhada”, que nada mais é do que a militarização do CEF 01 do Paranoá, demostra o autoritarismo deste governo, a ausência de compromisso com a democracia e a falta de debate com a comunidade escolar.

 

“Não houve ampla divulgação, não foi apresentado nenhum projeto para análise e nem sequer um debate com professores e com a comunidade escolar. O último debate sobre isso foi realizado em 2018. O que aconteceu no sábado (4) foi pura truculência e total desrespeito total à escola pública, à Constituição, à categoria, bem como aos mais de 2 mil pais e mães, todos(as) excluídos da participação dos destinos da escola que seus filhos e filhas frequentam”, comenta Luciana, que participou, representando o Sinpro-DF, da tal “audiência”.

 

Ela informa que nenhuma explicação foi dada à comunidade escola. “O que aconteceu foi uma falsa audiência pública, manipulada, feita às pressas, já para garantir a votação da militarização da escola. Subserviente ao governo militarizado de Jair Bolsonaro (PL), o governo Ibaneis age de forma irresponsável para destruir o direito constitucional à educação pública e gratuita com o falso discurso de que a militarização, já comprovadamente fracassada, irá resolver o problema da escola pública. É bom lembrar que a militarização do Ministério da Saúde na pandemia da covid-19 matou mais de 600 mil brasileiros, quase todas as mortes evitáveis, e continua matando; e a militarização da área ambiental federal está destruindo as Terras Indígenas, está transformando a Floresta Amazônica em cinzas e privatizando a água do Brasil entregando nosso mais precioso mineral aos países ricos”, critica a diretora.

 

Ela também alerta para o fato de que essa transformação na gestão da escola irá piorar a situação do CEF 01, que faz parte de uma Coordenação Regional de Ensino (CRE) com problemas de vulnerabilidades. Se pegassem os policiais que estão dentro das duas escolas militarizadas e os colocassem para fazer o serviço deles, que é o da ronda nas ruas e ao redor, do lado de fora, das escolas, certamente a realidade do Paranoá seria outra.

 

Na defesa da volta do Batalhão Escolar, a diretoria lembra que essa é a única política pública de segurança e de gestão pública da polícia que realmente previne crimes e que funciona de fato: policiais atuam do lado de fora das escolas, não interferindo na ação pedagógica dentro da unidade escolar, como ocorreu no CED 01 da Estrutural há poucos dias.

 

Além disso, em vez de estar preocupado em transformar as escolas públicas do DF em centros de militarização, como tem ocorrido com dezenas de órgãos e cargos públicos na Esplanada dos Ministérios, os quais deveriam estar ocupados por civis concursados e estão militarizados por meio da atitude truculenta do governo Bolsonaro, o governo Ibaneis deveria exercer a gestão pública com seriedade e resolver a realidade das escolas do Paranoá.

 

“São unidades escolares carentes de concurso público para professor e orientador educacional. Aliás, esse é um dos principais problemas da rede pública de ensino, que já conta com mais de 10 mil professores(as) do contrato temporário, o que demonstra a completa falta de política de investimento na educação pública e gratuita. Diante de mais de uma centena de aspectos negativos, a contratação temporária gera falta de vínculo e trabalhadores(as)”, denuncia Luciana Custódio.

 

O Sinpro-DF cobra, diuturnamente, a realização de concurso público, reforça a necessidade de fortalecimento da gestão democrática e financiamento público da educação e denuncia os problemas de condições de trabalho dos(as) professores(as) do contrato temporário que, dentre outros tipos de problemas, sentem-se pressionados a votarem a favor de propostas autoritárias, fracassadas e mal-intencionadas como a da militarização da escola por causa da forma precarizada de contratação. A diretoria colegiada destaca, ainda, que considera inválida essa votação, realizada na falsa audiência pública do CEF 01 do Paranoá no sábado passado.

Sinpro realiza Assembleia de Previsão Orçamentária na quarta-feira (8/12)

O Sinpro-DF convoca a categoria para a Assembleia Geral Ordinária de Previsão Orçamentária, a ser realizada nesta quarta-feira (8/12), com primeira chamada às 18h30, no Auditório Paulo Freire, na sede do sindicato situada no SIG – Quadra 6 – Lote 2.260. A segunda chamada ocorre 30 minutos depois, às 19h. A pauta é a deliberação sobre a previsão orçamentária para o ano 2022.

Participe. Sua participação é o que fortalece a sua entidade sindical!

 

Confira o edital a seguir:

Edital de convocação

 

 

 

 

Calendário Escolar 2022 marcado pela falta de planejamento do GDF com o Sinpro

Mais uma vez o governo Ibaneis Rocha (MDB) exclui a categoria dos debates relacionados à vida escolar. Após ignorar sucessivas e inúmeras solicitações do Sinpro para discutir o calendário letivo de 2022, a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) deixa para discuti-lo no último mês do ano, às pressas, e sem a participação democrática da categoria.

 

 

Essa falta de diálogo não só gerou atraso na apresentação desse instrumento essencial, decisivo e fundamental para a execução do magistério, mas também uma sequência de prejuízos que vai desde a falta de planejamento e de organização até o desrespeito à opinião de gestores(as), professores(as) e orientadores(as) educacionais, que sabem das necessidades da escola pública e dos(as) estudantes.

 

 

Em função dessa falta de organização da SEE-DF, o Sinpro não teve a possibilidade de fazer a consulta que sempre fez à categoria com pelo menos três possibilidades de enquete, assegurando, nas escolas, a discussão e a escolha democrática da melhor proposta de calendário escolar. Esse calendário divulgado nessa sexta surgiu da urgência de fechá-lo, da ausência de compromisso com a educação pública e da falta de organização da secretaria em abrir o debate em tempo hábil com os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais.

 

 

Reunião de negociação do Calendário Escolar 2022

 

Ao ser chamado às pressas para discutir esse documento tão importante na ação pedagógica, a entidade conseguiu, em diálogo com a SEE-DF, manter alguns princípios históricos, frutos de muita luta da categoria, como a Semana Pedagógica, as três semanas de recesso do meio do ano, o cuidado para não encher o calendário com sábados letivos móveis. Acesse no final deste texto a proposta de Calendário Escolar 2022 e o Calendário Escolar 2022.

 

 

Assegurou aspectos na perspectiva organizativa e pedagógica do calendário, valorizando a Semana Pedagógica, até porque ela é resultado de reivindicação e da luta histórica da categoria. Essa semana garante, dentre outras coisas, a apresentação de propostas de trabalho e assegura o planejamento da ação pedagógica, com discussão de algumas diretrizes. Além disso, vem como forma de promover o importante debate do Projeto Político Pedagógico das unidades escolares.

 

Não é a primeira vez que o governo Ibaneis quebra as regras democráticas e impõe deliberações relacionadas à educação pública e até à própria vida laboral dos(as) profissionais da educação sem a devida discussão com entidade representativa da categoria. Na avaliação da diretoria, a gestão Ibaneis tem seguido uma trajetória que cerceia o debate com o coletivo de profissionais das unidades escolares e de desrespeito ao Sinpro.

 

Consideramos importante manter o diálogo com a SEE-DF não só na elaboração do calendário escolar, mas também nas demais portarias e deliberações que regulamentam o trabalho nas escolas. Esse diálogo que assegura a participação da categoria na elaboração de portarias e outras deliberações é parte da luta histórica do sindicato. É muito importante que a categoria participe desse processo.

 

Desde setembro, o sindicato vem cobrando do governo as reuniões para definir o calendário escolar, com a participação mais democrática possível da categoria. A nova gestão que assumiu a SEE-DF se comprometeu em fazer o debate. Conversamos com o secretário, a secretária-adjunta e vários subsecretários. E foi assim, depois de muita insistência nossa, que a reunião para defini-lo, finalmente, foi realizada na sexta-feira (3/12), às 11h, com a presença das Subsecretarias de Educação Básica (Subeb), de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação (Suplav) e de Gestão de Pessoas (Sugep).

 

 

As conquistas da categoria no Calendário Escolar 2022

 

Na avaliação da diretoria colegiada, o Calendário Escolar 2022 assegurou o início das férias no dia 7 de janeiro de 2022, com o empenho de realizar o pagamento no dia 4/1, garantindo a Lei das 48 Horas; bem como o fato de que o primeiro semestre será executado conforme as especificidades e atendendo à Lei 5.105/13, do Plano de Carreia, e a lei federal em relação à portaria de construção do calendário.

 

Além disso, assegura que o segundo semestre seja conciliado com as necessidades da categoria, assegurando o recesso maior do que 15 dias, justamente por causa da combinação do Plano de Carreira (Lei 5.105/13) com o calendário civil de 2022.

 

Ainda no entendimento da diretoria, o ano de 2022 será um dos anos mais importantes da Educação porque é o momento do grande reencontro da escola pública e gratuita com os(as) estudantes que ficaram excluídos das aulas virtuais, com os(as) que ficaram com pouco ou sem nenhum atendimento. Esse é um dos grandes motivos para assegurar esse debate da Semana Pedagógica como centro das discussões.

 

Destaques do Calendário Escolar 2022

 

Semana Pedagógica – de 7 a 11 de fevereiro de 2022

 

7/2 – Distribuição de turmas

 

8, 9, 10/2:

 

Matutino – formação geral

 

Atividades com debate sobre temas relacionados à educação pública, questões pedagógicas com palestrantes convidados e terão como eixo o aprendizado, a cidadania, a interação social, momento que estamos vivendo pós-pandemia, dentre outros. As atividades serão presenciais e virtuais.

Vespertino – discussões internas por escolas

 

As escolas trabalharão atividades inerentes a elas, tendo como fato gerador e norteador de suas discussões os temas discutidos pela manhã.

11/2 – Dia totalmente das escolas para arremates finais e discutir suas próprias questões, como sua organização interna para recepcionar os(as) estudantes.

14/2 – Começam as aulas e, efetivamente, o ano letivo com os(as) estudantes.

 

Recesso escolar do meio do ano: de 11 a 29/7

 

11/7 – Dia letivo móvel

12/7 – Início do recesso escolar

28/7 – Fim do recesso escolar

29/7 – Dia letivo móvel

 

Observação: dias 11 e 29/7 pode fazer com que cada escola, a partir de sua autonomia, defina semanas fechadas no recesso de julho.

 

Importante destacar que na proposta aprovada e divulgada há 5 dias letivos móveis, os quais existem para que as escolas tenham autonomia pedagógica, a partir das intervenções com os Conselhos Escolares, para definirem a melhor forma de trabalhar pedagogicamente com o conjunto da comunidade escolar.

Os 5 dias letivos móveis não são obrigatórios, mas a flexibilização que eles proporcionam para a escola deve ser decidida nas Semana Pedagógica e as datas flexibilizadas devem ser enviadas para a SEE-DF.

 

Esse debate ocorre na Semana Pedagógica e primeiros dias de aula para que todos(as) os(as) trabalhadores(as) da escola possam se organizar usufruir desses dias. Não é permitido, depois do período fixado do envio das datas de flexibilização dos dias letivos móveis, não é permitida alteração porque os(as) trabalhadores(as) da escola podem se organizar para cursos, viagens etc. e a escola não pode, a partir do momento em que se passou o prazo de marcar a flexibilização, determinar datas que possam prejudicar, até mesmo financeiramente, alguns(as) trabalhadores(as).

 

23/12 – Encerramento do ano letivo de 2022

 

Observações importantes

 

A diretoria colegiada destaca que o ano letivo se encerra no dia 23/12/2022 para o conjunto da categoria.

 

Os dias 28 e 29/7/22 são os dois dias do fim de recesso de julho com o dia 29/7 sendo dia letivo móvel para que as modalidades da categoria que funcionam em regime anual.

 

Para as modalidades da categoria que funcionam em regime semestral, o segundo semestre letivo começa no dia 1º de agosto de 2022. Ou seja, para quem trabalha em regime semestral, o dia 29/7 não é dia letivo móvel: é efetivamente um dia de recesso.

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Nota de pesar: Fernanda Tomaz Araújo Otaviano

O Sinpro-DF informa, com muita tristeza, o falecimento da professora Fernanda Tomaz Araújo Otaviano, com 51 anos recém-completados, vítima de enfarte fulminante. 

Fernanda era professora no CEF 30 de Ceilândia. Antes disso, deu aulas também no CEF 10 de Ceilândia.

Tinha se aposentado em agosto deste ano, depois de mais de 30 anos de trabalho prestado à SEEDF.

Seus colegas lançaram nota dizendo que Fernanda era uma “professora dedicada e muito amada pela comunidade, que deixa um legado de amor e fraternidade”. Fernanda deixa dois filhos e sua maior companheira, sua mãe, dona Dolores.

O velório será neste domingo, 5/12 das 12h às 14h, capela 04 Cemitério Campo da Esperança de Taguatinga. O sepultamento será em seguida. 

Quando se aposentou, Fernanda deixou esta mensagem em suas redes sociais:

“Hoje deixo meu legado com honra, com sensação de dever cumprido, com coração meio que sem saber direito o que tô sentindo. Por onde passei, trabalhei e fiz amigos, dei o meu melhor, dedicação e vontade de mudar o mundo me movia, sonho de ver todos os estudantes dentro da escola (…) foram 30 anos dedicados às famílias, aos estudantes e às comunidades por onde passei. Agradeço a todos colegas que viraram amigos. (…) tudo é aprendizado e me despeço da secretaria de educação com cabeça erguida, coração em paz e ainda cheia de vontades. Agradeço à minha mãe por nunca ter deixado eu desistir. Estudei, fiz minha parte, realizei meu sonho de ser professora, entrei e estou saindo pela porta da frente. O amor sempre foi o meu combustível , talvez por isso fiz tanta diferença na vida de tantas pessoas. Gratidão!”

 

As amigas de Fernanda fizeram um texto de despedida para a amiga querida:

Fernanda, uma educadora a quem amamos e admiramos profundamente!

Recebemos com perplexidade, estarrecimento e devastação a notícia da partida precoce da professora Fernanda. Precoce porque ela era muito jovem e estava entrando em uma outra fase muito importante da sua vida – tinha se aposentado depois de mais de 30 primorosos anos dedicados à educação, mas precoce, também, porque sendo a Fernanda quem ela é, todo tempo com ela sempre seria pouco. Gente como a Fernanda tinha que ser eterna.

Quem teve o prazer de conhecê-la na adolescência, na extinta Escola Normal de Ceilândia, deve se lembrar: Fernanda era uma explosão de alegria. Onde ela chegava  vinha junto uma vibração, uma energia de felicidade que contagiava quem estivesse por perto!

Foi uma estudante dedicada, comprometida, e o que quer que fizesse, fazia com leveza e seriedade. Todo mundo a conhecia, e todo mundo queria colar nela, porque estar do lado dela era garantia de aprendizado, de satisfação e de acolhimento.

Se tornou professora muito cedo e nunca deixou de se nutrir da potência da infância e da juventude. A Fernanda sempre foi a professora que lutou bravamente por uma escola pública, democrática, inclusiva, socialmente referenciada, viva, vibrante, em que crianças e adolescentes, filhos e filhas da classe operária, pudessem ssentir respeito, amor e acolhimento e em condições efetivas de terem garantido os seus direitos às aprendizagens e ao desenvolvimento integral. Ela defendia a escola pública pela prática pedagógica emancipadora que promovia, pelo discurso libertador que enunciava, pela presença certa e qualificada na atuação e na militância política.

A Fernanda nunca aceitou que a escola fosse um lugar triste, estéril, frio, controlador, onde não houvesse o prazer, o prazer de ser, de existir, de se sentir parte, o prazer de aprender. Ela sempre transformou a sala de aula em um lugar em que todas as vozes fossem ouvidas e em que todos pudessem sentir-se amados! Amor é uma das melhores palavras para definir a Fernanda. Ela transborda amor, exala amor, vive de forma amorosa com e para os outros (ainda não conseguimos usar o pretérito para falar dela).

Uma das recordações mais marcantes que a gente tem da Fernanda é de como ela movia céus e terra para defender estudantes de qualquer forma de violência. Ela escolheu trabalhar na quebrada porque sempre sentiu um orgulho enorme de ser ceilandense. Quando havia um aluno ou aluna em quem as pessoas não acreditavam, era quem ela acolhia pra lhe dizer: “eu confio, acredito em você e tô contigo”.

A Fernanda mãe não podia ser diferente da Fernanda professora: amorosa, divertida, lúcida, ética! A mãe necessária e maravilhosa do Vinícius e do Eduardo.

Fernanda, nós, seus amigos, familiares, seus colegas teremos muitas dificuldades para compreender e aceitar que você não está presencialmente entre nós. Você foi o colo de que tantos de nós precisávamos em vários momentos, foi a escuta que salvou e fortaleceu a tantos outros. Você foi o abraço que nos acolheu quando dele necessitávamos. Você foi a alegria que tornou os dias difíceis das nossas vidas muita mais fáceis de serem suportados simplesmente porque você estava por perto para nos lembrar que tudo ficaria bem.

Como seguir sem você, Fernanda? Ainda não sabemos. Hoje, com você em outro plano, o que sabemos de tudo o que vivemos com você é que nas nossas memórias, nas memórias dos seus estudantes você será eterna, porque alguém como você vive para sempre dentro de nós. Pessoas como você, Fernanda, são eternas.

A diretoria colegiada do Sinpro lamenta profundamente a perda da professora Fernanda, que sempre será lembrada com carinho por colegas, estudantes e ex-alunos, e se solidariza com sua família e amigos.

No Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, Sinpro cobra respeito à convenção internacional sobre os direitos das PCD

Apesar dos avanços sociais, tecnológicos, médicos etc. para promover a inclusão e oferecer qualidade de vida à Pessoa com Deficiência (PCD), os atuais governos federal e distrital atuam no sentido de impedir essa evolução e, mais, até mesmo de dificultar.

 

Enquanto os países desenvolvidos põem em andamento políticas públicas para melhorar a vida de que já enfrenta os obstáculos naturais da sua condição física, ainda tem de enfrentar governos delinquentes, que atacam os direitos ao bem viver para privatizar os recursos financeiros públicos que servem para a promoção do bem-estar de todos.

  

Neste 3 de dezembro, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, o Sinpro-DF chancela, apoia e divulga a nota do Coletivo dos Trabalhadores e Trabalhadoras com Deficiência. Confira.

 


 

03 de Dezembro: Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

 

 

 

Pelo respeito à Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência

 

 

O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, uma data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1992, é um momento de reflexão, mobilização, avaliação das lutas, pela garantia, respeito e práticas dos direitos já conquistados mundialmente pelas pessoas com deficiência.

 

 

Neste 3 de dezembro de 2021, queremos manifestar nossa indignação com o que vem ocorrendo em nosso país, face á postura que o atual governo federal vem adotando desde sua posse em janeiro de 2019, de total desrespeito à população, às suas representações de controle social, a direitos duramente conquistados ao longo de décadas, e não está sendo diferente com a população com deficiência, particularmente as pessoas com deficiência que fazem parte da Classe Trabalhadora.

 

A Central Única dos Trabalhadores – CUT Brasil, por meio de seu Coletivo Nacional de Trabalhadores com Deficiência e da Secretaria Nacional de Políticas Sociais e Direitos Humanos, vem se manifestado sempre de forma contundente contra as medidas desse [des]governo. Não podemos nos calar diante de tantos ataques à classe trabalhadora, às constantes ações e tentativas de retirada de direitos, que só não está pior pelo enfrentamento realizado pelas organizações da sociedade civil.

 

Já em 2019 editou o PL 6.159, de 2019, que foi uma tentativa de destruição da política de inclusão no mercado de trabalho, atacando diretamente o direito estabelecido pela Lei 8213/91, que define cotas de contratação pelas empresas de trabalhadores e trabalhadoras com deficiência.  Tal PL só não foi adiante pela grande mobilização das organizações das pessoas com deficiência.

 

 

Queremos ressaltar nesta data, a total falta de respeito para com a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada pelo Congresso Nacional como Emenda Constitucional e promulgada através do Decreto Nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Em seu Artigo 8º, sobre a Conscientização, dentre as ações a serem realizadas, está determinado aos Estados signatários, dentre os quais o Brasil:

 

 

“… adotar medidas imediatas, efetivas e apropriadas para (…) iii) Promover o reconhecimento das habilidades, dos méritos e das capacidades das pessoas com deficiência e de sua contribuição ao local de trabalho e ao mercado laboral;”

 

Já no Artigo 27, sobre Trabalho e Emprego tem a seguinte determinação:

 

“1. Os Estados Partes reconhecem o direito das pessoas com deficiência ao trabalho, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. Esse direito abrange o direito à oportunidade de se manter com um trabalho de sua livre escolha ou aceitação no mercado laboral, em ambiente de trabalho que seja aberto, inclusivo e acessível a pessoas com deficiência. Os Estados Partes salvaguardarão e promoverão a realização do direito ao trabalho, inclusive daqueles que tiverem adquirido uma deficiência no emprego, adotando medidas apropriadas, incluídas na legislação, com o fim de, entre outros, dos quais destacamos:

 

 

  1. a) Proibir a discriminação baseada na deficiência com respeito a todas as questões relacionadas com as formas de emprego, inclusive condições de recrutamento, contratação e admissão, permanência no emprego, ascensão profissional e condições seguras e salubres de trabalho;

 

  1. b) Proteger os direitos das pessoas com deficiência, em condições de igualdade com as demais pessoas, às condições justas e favoráveis de trabalho, incluindo iguais oportunidades e igual remuneração por trabalho de igual valor, condições seguras e salubres de trabalho, além de reparação de injustiças e proteção contra o assédio no trabalho;

 

 

  1. c) Assegurar que as pessoas com deficiência possam exercer seus direitos trabalhistas e sindicais, em condições de igualdade com as demais pessoas;

 

 

  1. e) Promover oportunidades de emprego e ascensão profissional para pessoas com deficiência no mercado de trabalho, bem como assistência na procura, obtenção e manutenção do emprego e no retorno ao emprego;

 

 

  1. i) Assegurar que adaptações razoáveis sejam feitas para pessoas com deficiência no local de trabalho;”

 

 

Além dos ataques feitos aos direitos já existentes, principalmente que atingem a Classe Trabalhadora, houve ainda o ataque ao CONADE, Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, que segue sem funcionamento porque o [des]governo propositalmente não desencadeou o processo eleitoral para o mandato que se iniciaria neste ano, mais uma vez contrariando gravemente a referida Convenção.

 

 

A Convenção já em seu Preambulo considera:

 

“f) Reconhecendo a importância dos princípios e das diretrizes de política, contidos no Programa de Ação Mundial para as Pessoas Deficientes e nas Normas sobre a Equiparação de Oportunidades para Pessoas com Deficiência, para influenciar a promoção, a formulação e a avaliação de políticas, planos, programas e ações em níveis nacional, regional e internacional para possibilitar maior igualdade de oportunidades para pessoas com deficiência,

“o) Considerando que as pessoas com deficiência devem ter a oportunidade de participar ativamente das decisões relativas a programas e políticas, inclusive aos que lhes dizem respeito diretamente;”

 

 

E mais, em seu Artigo 4, sobre as Obrigações gerais está determinado:

 

“3. Na elaboração e implementação de legislação e políticas para aplicar a presente Convenção e em outros processos de tomada de decisão relativos às pessoas com deficiência, os Estados Partes realizarão consultas estreitas e envolverão ativamente pessoas com deficiência, inclusive crianças com deficiência, por intermédio de suas organizações representativas.”

 

 

Sem o CONADE, as pessoas com deficiência não têm seu órgão máximo de controle social, que deveria estar ativo cumprindo sua função de propor, fiscalizar, monitorar as políticas públicas e as ações do governo, que afetam o seguimento das pessoas com deficiência.

 

 

Dessa forma, manifestamos nossa indignação e repúdio às ações desse [des]Governo que aí está e exigimos ações imediatas para que o CONADE, volte a existir, em sua Composição Original, que só poderá ser alterada pelo próprio CONADE.

 

 

À luz da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, também exigimos respeito à Lei de Cotas, que sejam adotadas as medidas previstas na Convenção para a efetiva inclusão das Pessoas com Deficiência no Trabalho.

Ao mesmo tempo em que propomos ao Congresso Nacional, prioridade na votação do PL 6262/2019, de autoria da Deputada Natália Bonavides, que prevê abono de falta do trabalhador ou trabalhadora que precise se ausentar do Trabalho para manutenção ou conserto de suas ajudas técnicas, órteses e próteses.

 

Assim nos manifestamos, radicalmente defensores dos Direitos das Pessoas com Deficiência, contra toda e qualquer tentativa de retirada de direitos, de práticas que levem a retrocessos, seja em que aspecto for, dentro do princípio inegociável da Inclusão Plena das Pessoas com Deficiência conforme estabelecido pela Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

 

#SinproNaLuta

#VoltaCONADE

#RespeiteaLeiDeCotas

#AprovaJaLei6262/2019

#SinproDF

Senado ameniza PEC 23, mas adia calote nos precatórios para 2023

O Senado concluiu, nessa quinta-feira (2/12), a votação da Proposta de Emenda à Constituição nº 23/ 2021 (PEC 23/21), que trata da suspensão do pagamento, em 2022, dos precatórios de quem já tem ganho de causa na Justiça para recebe-los e dos recursos financeiros para o programa temporário Auxílio Brasil.

 

A PEC 23 chegou ao Senado Federal com muitos problemas e, após muitas e intensas reuniões, as bancadas de oposição conseguiram mudanças importantes no texto que chegou da Câmara dos Deputados. Essas mudanças, segundo o advogado Marcos Rogério, assessor jurídico no Senado Federal, aliviam o calote nos precatórios, sem, contudo, resolver, totalmente, o problema.

 

O texto que veio da Câmara estabelece que o limite para gastos com precatórios, em 2022, será de R$ 44 bilhões. A PEC previa que há uma fila para atendimento dos precatórios. As RPV, por exemplo, que representam R$ 20 bilhões, têm de ser pagas antes dos outros. Os precatórios superalimentares, que representam R$ 12 bilhões, têm de ser pagos em sequência. Os precatórios alimentares, que também têm de ser pagos com prioridade e na sequência, representam R$ 8 bilhões.

 

Antes ainda dos precatórios alimentares, tinha os precatórios do Fundef, que representam cerca de R$ 7 bilhões. Do jeito que veio da Câmara dos Deputados, a PEC dos precatórios significaria, já em 2022, um calote nos precatórios alimentares na ordem de R$ 3 bilhões. Ou seja, se o governo pagasse todas as prioridades anteriores, o volume de recursos envolvido atingiria os R$ 44 bi e não seriam suficientes para pagar os precatórios alimentares.

 

As mudanças que conseguimos fazer no Senado fizeram com que os precatórios decorrentes do Fundef ficassem fora do subteto de precatórios e fora do Teto de Gastos. Isso significa que, dentro desses R$ 44 bi, não estão contabilizados os precatórios do Fundef. Isso permitiu que, em 2022, todos os precatórios alimentares fossem assegurados.

 

Dos demais precatórios, que não são alimentares e somam R$ 26 bilhões, em 2022 será possível pagar cerca de R$ 4 bilhões.  Ou seja, a PEC 23/21 continua sendo a PEC do calote nos precatórios e, em 2022, o calote será concentrado nos precatórios não alimentares e será da ordem de R$ 22 bilhões.

 

O problema é que esses R$ 22 bi não pagos em 2022 poderão figurar como item um da fila de pagamentos a partir de 2023. O governo Bolsonaro nega e diz que a lista de prioridades para 2023 se restabelece e o teto deverá ficar me cerca de R$ 48 bi. Assim,  em 2023, terá de ser pagas, primeiramente, as RPV, e, segundo a ordem de prioridade, vêm os precatórios superprioritários, os alimentares, os de 2022 que não haviam sido pagos e, depois, os precatórios não alimentares de 2023.

 

Essa é a interpretação do governo Bolsonaro e não é pacífica. “Nós, por exemplo, temos a leitura de que, em 2023, o governo teria de pagar os precatórios remanescentes de 2022 e, se em 2023 o governo tiver de pagar os precatórios de 2022, já em 2023 haverá calote nos precatórios alimentares. É por isso que o texto da PEC avançou muito no Senado, porque resolve o problema de 2022, porém, a partir de 2023 ela precisa ser equacionada”, afirma o advogado.

 

Segundo ele, de todo modo, da forma que foi aprovada no Senado, a PEC 23/21 representa uma bola de neve porque os precatórios de 2022 ficam para 2023 e os recursos financeiros são insuficientes para pagar os dos dois anos junto, o que joga pagamentos para 2024 e assim sucessivamente.

 

“Mas essa melhoria que ocorreu com a retirada do Fundef do subteto dos precatórios foi muito importante para permitir o pagamento dos alimentares em 2022. Em 2023 será um novo governo e, provavelmente, esse debate será reaberto”, comenta.

 

Senado atenua o calote, mas o golpe prossegue até 2026

 

O texto da PEC 23/21 aprovado na Câmara estabelecia que o calote duraria até 2036. No Senado, ficou limitado até 2026. Até 2026 haverá a política do calote nos precatórios. A partir de 2027 restabelece o regime anterior sem que esse calote poderia acontecer.

 

 

Bancada do PT garante caráter permanente ao Auxílio Brasil

O texto da Câmara não assegurava o direito a um programa permanente de renda para a população mais pobre. Essa talvez tenha sido uma das principais conquistas do Senado. Graças a uma emenda do PT, encampada e melhorada por todos os outros partidos, o direito à renda permanente passou a figurar como uns dos direitos sociais inscritos no artigo 6º da Constituição.

 

Senadores fecham espaço fiscal e freiam uso pessoal do dinheiro público

 

Além disso, uma preocupação política que existia era a de que o texto aprovado na Câmara deixava os espaços fiscais muito abertos para que o governo federal utilizasse os recursos financeiros do jeito que ele quisesse. No Senado, os recursos foram carimbados  para esse espaço fiscal.

 

Ou seja, o que sobrar de dinheiro do calote nos precatórios deverá ser utilizado, exclusivamente, em programas de transferência de renda e em programas ligados à seguridade social, tais como a recomposição dos benefícios, do INSS, da assistência social e também para o seguro desemprego.

 

Em resumo, o texto aprovado no Senado melhora, profundamente, o texto que veio da Câmara dos Deputados, ainda que não resolva integralmente o problema dos precatórios. O texto do Senado joga o problema para o ano 2023 e, a partir desse ano, a sociedade terá de fazer um novo debate.

 

Para melhorar esse texto, o Senado contou com a ajuda fundamental do Coletivo Nacional de Advogados Públicos, de todas as entidades sindicais e, sobretudo, do IBDP. “Desde o primeiro momento, o IBDP foi um instituto parceiro e essencial para que a gente conseguisse construir esses avanços”, finalizou

Ato em apoio à comunidade do CED 01 reúne 400 pessoas

Nesta quinta-feira, 02 de dezembro, a comunidade do CED 01 da Estrutural recebeu o apoio de diversas lideranças comunitárias, do movimento negro, da pastoral da criança e do adolescente, além de mandatos parlamentares, organizações estudantis e entidades sindicais como o Sinpro e a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação).

 

>>> Saiba mais: DEPUTADO BOLSONARISTA INVADE ESCOLA NA CIDADE ESTRUTURAL PARA CENSURAR TRABALHOS DE ESTUDANTES <<<

Com a presença de cerca de 400 pessoas, o ato expressou apoio à vice-diretora da escola, Luciana Pain, e repudiou a censura e o racismo, além de questionar a militarização. Segundo Márcia Gilda, da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro, a ação do tenente que queria ver retirados do mural da escola cartazes feitos por estudantes foi uma ação contra a educação pública de qualidade, socialmente referenciada. “O trabalho dos estudantes incomodou porque foi de encontro ao mito da democracia racial”, disse ela. “Mas ninguém irá nos calar! Por isso estamos aqui para manifestar nosso apoio à equipe gestora, ao professor responsável pelas turmas, aos estudantes e à toda a comunidade do CED 01”, afirmou.

O Sinpro requereu ao Ministério Público Federal (MPF) que averigue a atitude autoritária e abusiva do deputado Heitor Freire (PSL-CE), da base de apoio de Jair Bolsonaro, contra a vice-diretora do CED 01 da Estrutural, professora Luciana Pain. O parlamentar invadiu a escola na quarta-feira, 24 de novembro, sem se apresentar e buscando intimidar a gestora.

Assista abaixo o vídeo sobre o ato:

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