Comissão de negociação retoma discussão com SEDF sobre imposição de frequência total nas escolas
Jornalista: Alessandra Terribili
A comissão de negociação do Sinpro se reuniu com uma representação da Secretaria de Educação nesta terça-feira, 9. Falando pelo governo, estiveram presentes o secretário-executivo da pasta, Denílson Bento da Costa; a subsecretária de Educação Básica, Solange Foizer; a subsecretária de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação, Mara Gomes; e o subsecretário de Administração Geral, Isaías Aparecido da Silva.
Na pauta, a necessidade de se garantirem as condições adequadas e necessárias para a frequência de 100% dos estudantes nas escolas. O Sinpro destacou que o governo não pode ignorar a realidade da rede, e que é preciso dar as condições para que as escolas cumpram as orientações da secretaria, garantindo a autonomia de cada unidade e a gestão democrática.
A principal preocupação expressa pela comissão de negociação foi com a superlotação tanto das salas de aula quanto das salas de coordenação. Embora a pandemia aparente ter dado uma trégua, ela não foi derrotada, e a ventilação de ambientes tanto quanto a não promoção de qualquer tipo de aglomeração são ferramentas fundamentais para não trazer de volta o risco de novos surtos da doença. Assim, os representantes do sindicato ponderaram que o mais sensato, no momento, seria evitar situações como reuniões de coordenação que juntam, em salas pequenas, mais pessoas do que a sua capacidade, sendo impossível garantir o distanciamento recomendado pela própria secretaria. A subsecretária Solange, entretanto, afirmou que não há sensibilidade do governo para esse debate.
Ficou estabelecido que nenhuma sala de aula poderá ter mais estudantes do que o espaço comporta, guardando o devido distanciamento. Sendo assim, em caso de excedente, a escola poderá trabalhar com alternância de frequência. As escolas que não reúnem as condições adequadas devem registrar suas necessidades e limitações junto à SEDF via SEI (Sistema Eletrônico de Informações), para que providências sejam tomadas.
O governo também se mostrou intransigente quanto à insegurança dos pais de mandarem seus filhos às escolas. O sindicato reforçou a importância de tratar caso a caso as particularidades de cada situação, mas o governo foi irredutível na obrigatoriedade indistinta da presença dos estudantes nas escolas, com exceção daqueles e daquelas que apresentarem laudo médico atestando comorbidades, conforme aponta a portaria nº 12.
O Sinpro cobrou as deficiências na distribuição de itens para a merenda, e a secretaria afirmou que as providências para resolução do problema já estão sendo tomadas. Mesma coisa quanto aos materiais de limpeza.
O secretário-executivo Denílson da Costa afirmou que voltará a tratar com o governador Ibaneis Rocha a reposição pela paralisação realizada dia 3 de novembro, e trará novas informações numa próxima reunião, a ser marcada em breve.
Nesta quinta-feira, 11, a categoria se reúne em assembleia geral com a seguinte pauta: 1) Retorno às aulas 100% presenciais sem a garantia da manutenção das medidas de segurança sanitária; 2) PEC 32 (reforma administrativa); e 3) PEC 23 (dos precatórios). A assembleia acontece às 16h30min. Para participar, clique no link https://app.sinprodf.org.br/. A instalação do aplicativo é opcional. Feito isso, basta clicar no botão “Assembleia”.
16ª edição do programa descomplicando nesta quarta-feira (10/11)
Jornalista: Geovanna Santos
Vai ao ar a 16ª edição do programa descomplicando nesta quarta feira (10/11), com Dão Real Pereira dos Santos, auditor fiscal, vice-presidente do IJF (Instituto Justiça Fiscal) e integrante do Coletivo Auditores Fiscais pela Democracia. Ele também faz parte da coordenação da Campanha Tributar os Super-Ricos.
A programação é exibida quinzenalmente, nas quartas feiras, com linguagem simples e popular para qualquer um entender como funciona a tributação no país e o que precisa mudar para termos justiça fiscal. A transmissão é feita pelo facebook da Campanha Tributar os Super-Ricos e na página oficial do Sinpro, ás 17h.
A iniciativa é uma parceria da Rede Soberania, Brasil de Fato RS, Instituto Justiça Fiscal, Democracia e Direitos Fundamentais e a Campanha Tributar os Super-Ricos, e conta com o apoio do Sinpro e entidades.
PEC dos precatórios legaliza desvio de dinheiro público e afeta a educação
Jornalista: Maria Carla
Até o fim da manhã desta terça-feira (9/11), quatro dos atuais dez ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) votaram a favor da suspensão da execução das chamadas “emendas de relator” no Orçamento de 2021, as chamadas RP-9. Os ministros do STF têm até quarta-feira (10) para concluírem a votação. Essas emendas compõem o ilegal e inconstitucional “orçamento paralelo”, que, por causa da falta de transparência na destinação e gasto desse dinheiro público, ficou conhecido como “orçamento secreto”.
Essa é a fonte de dinheiro público que o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL/União Brasil) usa, desde 2019, para turbinar emendas parlamentares de aliados no Congresso Nacional e institucionalizar a compra de votos e aprovar projetos nocivos ao País. Um deles é a Proposta de Emenda à Constituição nº 23, de 2021, (PEC 23/21), conhecida como PEC do calote nos precatórios, denunciada por prejudicar diretamente a educação pública e legalizar a fraude financeira denominada “securitização da dívida pública”.
A PEC 23, que era tida como derrotada, de repente, foi aprovada em primeiro turno, na semana passada, após várias irregularidades, manobras fraudulentas e infrações ao Regimento Interno da Câmara dos Deputados cometidas pelo presidente da Casa Legislativa, deputado Arthur Lira (PP-AL), e pelo desembolso de R$ 1,2 bilhão em dinheiro vivo e público para compra dos deputados que votaram a favor da proposta.
Mesmo com as denúncias de irregularidades na tramitação e a comprovação da compra de votos, a ministra Rosa Weber, que deu liminar favorável à suspensão do “orçamento secreto”, manteve a votação em segundo turno, prevista para esta terça-feira (9), da PEC dos Precatórios. Ela negou várias ações de parlamentares e partidos políticos no Supremo com pedidos para suspensão da tramitação dessa PEC. Na votação em primeiro turno, era tanto dinheiro público à disposição de parlamentares sem a necessidade de prestação de contas que até deputados do PDT e do PSB, partidos considerados de oposição, e até mesmo do campo da esquerda, entraram no esquema e votaram a favor da PEC. Deram vitória ao governo federal numa proposta que legaliza, segundo especialistas, o desvio de recursos dos impostos para banqueiros e afeta diretamente a educação, a saúde e todos os setores públicos. Só em outubro, o governo Bolsonaro gastou quase R$ 3 bilhões em emendas do relator.
Um levantamento da ONG Contas Abertas, que fiscaliza o Orçamento público, indica que, exatamente uma semana antes da aprovação da PEC dos Precatórios em primeiro turno na Câmara, o governo Bolsonaro empenhou R$ 909 milhões apenas em emendas do relator. Apuração da CNN Brasil indica que, no orçamento de 2021, as emendas parlamentares individuais, entre senadores e deputados federais, custaram R$ 9,6 bilhões. Já as emendas para as bancadas dos partidos foram de R$ 7,3 bilhões. As de comissão foram zeradas. Entretanto, as de relator, que começaram a partir do Orçamento de 2020, custaram R$ 18,5 bilhões.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) divulgou nota repudiando a votação anterior e convocando a categoria para pressionar contra essa. Na nota, a CNTE afirma que, “além de causar grave insegurança jurídica ao País – autorizando calote em títulos judiciais pertencentes a servidores, agentes particulares e entes públicos, aplicando deságio de até 40% nos títulos, menor remuneração pela taxa Selic e parcelamento em 10 anos, sem contar a prorrogação inevitável no tempo médio para recebimento de precatórios em razão dos parcelamentos que se sucederão infinitamente –, prorroga investimentos na educação (precatórios do Fundef), impõe regime de securitização de recebíveis da dívida ativa com ampla desvinculação orçamentária nas três esferas (inclusive das rubricas de educação e saúde) para (re)financiar dívidas com bancos e outras instituições financeiras, onera servidores municipais impondo a antecipação de regras da Reforma da Previdência, entre outros prejuízos”. Clique aqui para ler a nota da CNTE.
A suspensão do orçamento secreto
A liminar que suspendeu o uso de recursos financeiros públicos por meio do chamado “orçamento secreto” é resultado de ações movidas no STF pelos PSOL, Cidadania e PSB, pedindo para tornar sem efeito a execução dessas emendas. Os partidos alegam que existe um esquema fraudulento com dinheiro público para aumentar a base política do governo Bolsonaro no Congresso por meio de grandes desvios de dinheiro do Estado por meio do chamado “orçamento paralelo”.
Na liminar, a ministra Rosa Weber indica que o Congresso Nacional e o governo Bolsonaro devem adotar, de agora em diante, medidas de transparência para a destinação dos recursos financeiros públicos. Ainda na liminar, Weber questiona o Tribunal de Contas da União (TCU), que julgou as contas do Presidente da República, referentes a 2020, viu o aumento expressivo na quantidade de emendas apresentadas pelo relator do Orçamento em mais de 500% e ainda assim a aprovou. A ministra observou que não há critérios objetivos e transparentes para a destinação dos recursos.
A suspensão do “orçamento secreto” paralisou o governo Bolsonaro e seus aliados no Congresso Nacional. Arthur Lira foi ao STF, pessoalmente, na noite dessa segunda-feira (8), para pressionar o presidente do Supremo, ministro Luiz Fux, para que derrubem a liminar de Weber. A pressão moveu o STF e a votação da liminar começou na madrugada, desta terça-feira (9/11). Jair Bolsonaro também foi às redes sociais criticar a ordem de Weber: “há uma excessiva interferência do Judiciário no Executivo”.
Na manhã desta terça, a ministra do STF, Cármen Lúcia, em seu voto, rebateu a declaração do Presidente. “Ela diz que a Constituição não permite que agente público atue com segredos antirrepublicanos e o Planalto de usar emendas para cooptar apoio político, além de afrontar o princípio da igualdade porque privilegia parlamentares e põe em risco sistema democrático”.
Securitização: o maior desvio de dinheiro público
Em vídeos, matérias e artigos, Maria Lucia Fattorelli, auditora fiscal aposentada e coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, tem denunciado tanto a nocividade da PEC do calote nos precatórios e nos cofres públicos, como o uso de “emendas de relator” para aprová-la. Ela explica que “emendas ao relator” nada mais são do que a distribuição de dinheiro público a parlamentares, sem transparência e sem prestação de contas.
E alerta para o fato de que, além de tudo, a PEC do calote nos precatórios institui uma fraude bancária, proibida em todo o mundo, denominada “securitização de créditos públicos”, que cria uma dívida “pública” ilegal para desvio de dinheiro do Estado. “Um criminoso e grave esquema de desvio de recursos públicos advindos dos impostos pagos pelo povo diretamente para os bancos sem que esse recurso financeiro seja contabilizado pelo Estado brasileiro. Segundo ela, esse esquema é proibido em quase todos os países. Ela afirma que a PEC 23/21 frauda a Constituição Federal e não menciona em seu texto nada sobre o temporário Auxílio Brasil”, afirma.
Ela elucida em artigos, postagens nas redes sociais e em vídeos no YouTube que, se aprovada em segundo turno, a PEC do calote nos precatórios irá implantar “essa perversa engenharia financeira, mediante a qual grande parte das receitas estatais não chegará aos cofres públicos, pois é desviada durante o seu percurso pela rede bancária, para o pagamento de dívida ilegal gerada por esse esquema, semelhante a um ‘consignado’”. Ela conta que “durante auditoria feita pelo Parlamento da Grécia, em 2015, passamos a combater as tentativas de legalização desse esquema fraudulento no Brasil”, diz a auditora fiscal”.
Epidemiologista vê precipitação em retorno 100% presencial nas escolas públicas do DF
Jornalista: Maria Carla
O retorno de 100% dos estudantes às aulas presenciais no Distrito Federal e em outras cidades é visto por epidemiologistas, médicos e outros pesquisadores como uma precipitação e um risco desnecessário que poderá custar a vida de crianças, adolescentes e membros de suas respectivas famílias, bem como para os(as) trabalhadores(as) da educação. Esses últimos já estão trabalhando 100% presencialmente.
Depois de instituir o retorno presencial e abolir o distanciamento social e o uso da máscara, na semana passada, o Governo do Distrito Federal (GDF) desobrigou, nesta segunda-feira (8/11), a medição da temperatura em comércios, shows, missas, cultos etc. A cada dia se observa uma atitude do governo no sentido de “normalizar” a pandemia, que ainda não está controlada. No Brasil, apenas começou a baixar os números de mortes, mas ainda morrem cerca de 300 pessoas por dia da covid-19.
O País ainda não conseguiu vacinar nem 60% da população, quando o recomendando pela ciência para garantir alguma segurança é a vacinação completa de 80% dos brasileiros. O GDF volta a se espelhar nas atitudes inconsequentes do governo Bolsonaro e coloca a capital do País na mira de novas avalanches de mortes evitáveis por covid-19.
Em entrevista ao Sinpro-DF, Heleno Rodrigues Corrêa Filho, epidemiologista e Pesquisador Colaborador Associado do Departamento de Saúde Coletiva, da Faculdade de Saúde da Universidade de Brasília (UnB-FS-DSC) e da Escola Superior de Ciências das Sáude da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciência da Saúde (ESCS-FEPECS), afirma que isso só poderia ter acontecido com base na Nota Técnica – NT 02/2021, sobre o tema, editada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no dia 21/10, fruto de trabalho de comitê específico para o tema controverso – a volta presencial às escolas pré-escolares, elementares e secundárias.
Ele explica que a volta às aulas com 100% do retorno dos(as) estudantes é uma ação multidisciplinar. “Obriga a incluir epidemiologistas, virologistas, biólogos, arquitetos, administradores e gestores de serviços de saúde. Não pode ser resolvido politicamente, tal como têm conduzido a maioria dos governadores de estado, prefeitos, e mesmo gestores de secretarias de educação. As decisões tomadas têm sido autoritárias, sem consultas aos profissionais encarregados da Vigilância em Saúde e sem suporte acadêmico apropriado”.
No caso do Distrito Federal, segundo o epidemiologista, a gestão tem sido marcada por bases econômicas separadas de qualquer suporte de Saúde Pública. “Argumenta-se há mais de 1 ano com o número de mortes, a taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidades de Terapia Intensiva), e o aumento gradual, em ritmo de lesma, da proporção (porcentagem) de pessoas vacinadas. Ignora-se, desde março de 2021, que, com a disponibilidade de vacinas, a imunização da população escolar deveria ter sido planejada para os maiores de 12 anos de idade”.
O professor informa que, a partir de outubro de 2021, começaram a ser divulgados estudos em andamento para crianças de 5 a 11 anos de idade com vacinas de diversas origens, incluindo as vendidas por multinacionais, que são baseadas em RNA (Pfizer, Moderna), além das vacinas com vetores virais (Sputnik V, Astra-Zêneca) e também as de vírus mortos ou inativados (CoronaVac).
“Um programa decente, não criminoso, para o retorno às atividades escolares presenciais deveria incluir, obrigatoriamente, planos de testagem de turmas de estudantes nas idades apropriadas, em sistema de rodízio, com testagem múltipla de estudantes e isolamento com detecção de casos positivos por dez dias em espaço domiciliar ou isolamento comunitário planejado. Sem testagem em massa, sem detecção de novos infectados por contágio comunitário, a Pandemia se sustentará e poderá voltar a apresentar novos picos, com TAXAS de transmissão elevadas (Índice Rt), que raramente é levado em consideração nas alegações de que todos podem voltar às aulas”, critica.
O cumprimento desses protocolos têm sido uma das principais reivindicações da comissão de negociação do Sinpro-DF nas reuniões como o Governo do Distrito Federal (GDF) e por intermédio também do Comitê de Monitoramento. No entanto, até agora são vozes no deserto.
Heleno explica que argumentam que o risco de adoecer e morrer das crianças é menor. “Não consideram que mesmo sendo menor, “poucas” crianças vão adoecer e morrer, além de levarem a doença para contagiar seus familiares adultos e idosos. Serão “poucas” por que não serão as crianças das casas de quem toma as decisões. Pouco não é “zero”. Poucas são as filhas e filhos de trabalhadores que saem de casa para trabalhar desesperados para que seus filhos tenham escola, alimentação e acolhimento educacional”.
Com uma análise científica desse retorno, o professor da UnB e da ESCS critica o fato de as escolas continuarem sem testagem sistemática por amostragem. “Os testes continuam sendo jogados fora nos portos e repartições alfandegárias sem serem distribuídos e usados. As crianças voltarão às escolas sem planejamento, sem janelas, sem banheiros, e sem infraestrutura que deveria ter sido reformada para melhorar a ventilação, a iluminação e o conforto”, denuncia.
“As normas apresentadas pela Fiocruz servem de orientação. As decisões criminosas de voltar tudo sem plano de testagem amostral e isolamento seletivo são mau exemplo de governantes que planejam para os bancos, para o comércio e contra a vida das pessoas, especialmente as crianças”, finaliza.
Na quinta-feira passada (4/11), a Fiocruz editou um novo Boletim do Observatório Covid-19 da em que volta a insistir na precipitação de retornos presenciais, aglomerações e liberação do uso de máscaras. No boletim, a instituição informa que não está na hora de retomada de eventos sociais com aglomeração levando em conta apenas o percentual de adultos completamente vacinados.
Para os pesquisadores do Observatório, é fundamental que se atinja o patamar de 80% de cobertura vacinal completa da população total. Com essa meta, além dos adultos, a campanha de imunização deve atingir também crianças e adolescentes para se começar a pensar na volta presencial. Segundo o último boletim, a cobertura vacinal vem aumentando muito devagar e, recentemente, alcançou apenas 55% da população total, ainda distante do patamar ideal.
A Fiocruz também alerta para o fato de que há uma quantidade expressiva de pessoas que precisam retornar para a segunda aplicação do imunizante. Que é o caso dos adolescentes do Distrito Federal. Na semana passada, o Governo do Distrito Federal (GDF) anunciou que 80% dos(as) adolescentes da capital do País estavam vacinados, contudo, esse percentual reflete a realidade dos(as) que tomaram apenas a primeira dose.
O Boletim da Fiocruz informa que “a recomendação é de que, enquanto caminhamos para um patamar ideal de cobertura vacinal, medidas de distanciamento físico, uso de máscaras e higienização das mãos sejam mantidas e que a realização de atividades que representem maior concentração e aglomeração de pessoas só sejam realizadas com comprovante de vacinação”, ressaltam os pesquisadores. Países do Leste Europeu e os EUA, por exemplo, vêm apresentando surtos de Covid-19 em condições de baixa cobertura de vacinação, o que deve ser evitado no Brasil.
E destaca: “Vale lembrar que a população de adolescentes, pelo tipo de comportamento social que tem, é um dos grupos com maior intensidade de circulação nas ruas e convive com outros grupos etários e sociais mais vulneráveis. Por isso, é equivocado pensar que, com a população somente adulta coberta adequadamente, a retomada irrestrita dos hábitos que aglomeram pessoas é possível”, afirmam os cientistas.
No Reino Unido, por exemplo, as autoridades sanitárias acompanham atentamente uma nova mutação da variante delta do coronavírus que está crescendo em número de casos no país. A delta é a variante dominante entre os britânicos, mas os dados oficiais mais recentes sugerem que 6% dos casos que foram sequenciados geneticamente são de um novo tipo, o chamado AY.4.2 ou delta plus. Essa variante tem preocupado tanto os países da Europa como os EUA.
Sinpro convoca a categoria para intensificar a pressão nos deputados contra a PEC 32
Jornalista: Maria Carla
Os inimigos dos serviços públicos continuam atuando na Câmara dos Deputados para destruírem os serviços públicos. Usam qualquer coisa, como usaram as fake news na Operação Lava Jato e na campanha midiática de 2015 e 2016 para aplicarem o golpe do impeachment e nas eleições de 2018 para elegerem o fascismo na política e o neoliberalismo na economia.
Um dos principais e antigos itens da lista desse grupo que subiu ao poder na base da mentira e do golpe é a destruição dos serviços públicos para privatizá-los. Mas, para isso, precisam extinguir o concurso público e a estabilidade para poderem usar e abusar dos cargos públicos nas suas corrupções. O que eles querem mesmo é ficar ricos e poderosos com o dinheiro e o patrimônio públicos e as riquezas do Brasil. O resto da população que se vire e trate de pagar impostos em dia!
Para isso, elaboraram, dentre outras propostas nefastas ao País já em curso, como a reforma da Previdência, a PEC 32/20, da reforma administrativa, que faz uma modificação radical no Estado para atender a esse projeto e favorecer empresários(as), políticos(as) corruptos(as) e mercado financeiro (bancos) à revelia da vontade do povo.
Analistas dessa PEC afirmam, categoricamente, que não é uma reforma para melhorar a vida do País, e sim para legalizar e normalizar o crime de usar o Estado brasileiro como balcão de negócios, transferir dinheiro público para contas privadas, transformar cargos públicos em cabide de emprego e destruir os direitos fundamentais e humanos instituídos pela Constituição, ofertados em forma de serviços públicos à população.
Ou seja, a finalidade da PEC32 é destruir o Estado de bem-estar social, privatizar direitos fundamentais e entregá-los ao mercado de capitais para banqueiros, como o ministro da Economia, Paulo Guedes, lucrarem com dinheiro público. A PEC 32/2020 e outros projetos em tramitação, como a PEC do Calote nos Precatórios, revogam a Constituição em vigor sem passar pela Assembleia Nacional Constituinte, a instância máxima e legal para formulação de uma nova Constituição Federal do País.
A PEC 32/20 não faz nenhuma reforma. Ela foi criada apenas para destruir os serviços públicos e gratuitos e desmontar o Estado de bem-estar social implantado pela Constituição de 1988. Não permita essa destruição! Defenda seus direitos! Valorize a história de luta do povo de seu País, que participou democraticamente da construção desta Carta Magna! Intensifique as manifestações virtuais e presenciais contra a PEC 32!
Marque sua presença, nesta segunda-feira (8), no twittaço às 19h, com a hashtag #PEC32éCalote. E avise: “os inimigos do serviço público não vão ter paz e nem voto em 2022”. E participe das atividades desta semana. Acesse o Educação Faz Pressãohttps://bit.ly/3k2uXmS e avise: se votar na PEC32 não volta em 2022.
A defesa dos serviços e dos cargos é uma luta da sociedade brasileira, portanto, convide sua família, amigos(as), colegas etc. para pressionar os(as) deputados(as). Todos nós precisamos do Estado de bem-estar social que assegure o Sistema Público de Educação, o Sistema Único de Saúde, a Segurança, a Previdência e a Assistência Sociais públicas. Participe! Nossa vida corre risco com este governo!
Confira a agenda
8/11 (segunda-feira): Twittaço às 19h com a hashtag #PEC32éCalote: quem votar não volta em 2022.
09/11 (terça-feira): Recepção dos deputados no aeroporto – 7h
Atividade contra a PEC 32 – 14h – Anexo II da Câmara dos Deputados
10/11 (quarta-feira):
Atividade contra a PEC 32 – 14h – Anexo II da Câmara dos Deputados
11/11 (quinta-feira): Atividade contra a PEC 32 – 14h – Anexo II da Câmara dos Deputados
Seleção para contrato temporário: live tira-dúvidas marcada para 9/11
Jornalista: Letícia Sallorenzo
Está confirmada para a próxima terça-feira, 9 de novembro, às 18:30, nos nossos canais no Youtube, Facebook e Instagram, a live a ser realizada pelo Sinpro-DF para tirar todas as dúvidas dos professores(as) a respeito do edital e processo seletivo simplificado para contrato temporário 2021. A live estará a cargo da diretora do Sinpro Carolina Moniz e de outros diretores do Sinpro.
As inscrições para essa seleção começaram dia 18 de outubro e seguem abertas até 10 de novembro. O edital nº 27, de 22 de setembro de 2021, pode ser encontrado AQUI.
A diretoria colegiada considera importante o processo seletivo simplificado para professores(as) em contrato temporário, mas ressalta a necessidade da realização de concurso público para professores(as) efetivos(as) o mais urgente possível, para o fortalecimento e valorização da carreira magistério, conforme destacamos na campanha “contrato é temporário, concurso é permanente”.
Serviço:
Live Tira-dúvidas sobre o processo seletivo simplificado para contrato temporário 2021 Dia: 9/11 (terça-feira) Hora: 18:30 Onde: Canais do Sinpro no Youtube, Facebook e Instagram
Retorno 100% presencial de estudantes poderá provocar surto de SIM-P
Jornalista: Maria Carla
No dia 30 de outubro, o Governo do Distrito Federal (GDF) comemorou o fato de estar com 80% dos adolescentes da capital vacinados com a primeira dose da Pfizer contra a covid-19. Esse número é um dos dados que levaram o governador Ibaneis Rocha (MDB) a instituir o decreto de retorno 100% presencial dos(as) estudantes da rede pública de ensino.
Apesar da boa notícia, ainda assim esse retorno é um risco desnecessário. Pode ser uma sentença de morte para muita gente, incluindo aí as próprias crianças e adolescentes. Na avaliação da diretoria colegiada do Sinpro-DF, isso poderia ser feito com tranquilidade e segurança a partir do ano letivo de 2022.
É importante destacar que a vacina é uma maneira de evitar a forma grave da doença e o óbito. Isso significa que uma pessoa vacinada – principalmente as que estão apenas com a primeira dose, como esses 80% dos adolescentes – pode se contaminar, transmitir e até desenvolver a covid-19 na forma grave, afinal, a recomendação médica mundial é completar o ciclo vacinal para garantir a imunização.
Além disso, mais da metade dos estudantes da rede pública de ensino é formada por crianças com idade abaixo de 12 anos que ainda não se vacinaram. Não existe vacina para elas. Para essas crianças, basta 1 segundo, o tempo de um abraço, de um espirro, uma tosse, de uma conversa rápida com o(a) coleguinha de escola para se contaminar com novo coronavírus e poucos dias para desenvolver a covid-19.
Essa possível vítima poderá ter a vida totalmente modificada para prior por causa dos impactos da doença e, talvez, nem isso porque poderá morrer precocemente. Um transtorno na vida ou uma morte totalmente evitável. Dentre várias previsões médicas sobre os impactos da covid-19, o neuropsiquiatra francês, Boris Cyrulnik, afirma que “os adolescentes mais afetados pela pandemia terão depressão crônica quando adultos“.
Levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indica que o Brasil registrou 3.561 mortes de crianças e adolescentes de até 19 anos por covid-19 desde o início do surto, em março de 2020. Em todo o ano passado, foram registradas 1.203 mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Em 2021, foram 2.293 óbitos. Entre 1º de abril de 2020 e 13 de fevereiro de 2021, o Brasil contabilizou 736 casos e 46 óbitos de crianças e adolescentes pela Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) associada à covid-19.
Em matéria de março de 2021, a Secretaria de Saúde do GDF informou a existência de 80 casos de SIM-P até aquela data, dos quais, 67 eram de crianças e adolescentes residentes no DF e que a maioria dos casos ocorreu entre a faixa etária de 5 a 9 anos. Segundo a nota, pelo menos 45 casos dos 80 tiveram a confirmação da covid-19 e um óbito pela síndrome de um adolescente de 17 anos. Em setembro, a SES-DF informou que, entre janeiro e setembro de 2021 havia 15 registros de SIM-P no DF.
“Vale observar que esse volume de registro da síndrome ocorreu em período de distanciamento social e aulas remotas. Com a 100% presencial, e sem a vacinação das crianças, isso poderá explodir e pôr em risco de vida até pessoas com três doses da vacina”, observa Raimundo Kamir, diretor do Sinpro.
A SIM-P, segundo conceituação do site PebMed, é uma rara resposta inflamatória, requer cuidados intensivos que, em casos graves, pode levar ao óbito. Os sintomas incluem alergia, problemas cardíacos e de coagulação no sangue, vômito, diarreia, dor abdominal, febre persistente, erupção cutânea, olhos vermelhos, inflamação e mau funcionamento de um ou mais órgãos.
Alguns médicos conceituam a SIM-P como covid-19. A reação apresenta características semelhantes às da doença de Kawasaki e da síndrome do choque tóxico e costuma se apresentar com inflamação sistêmica e sintomas gastrointestinais, evoluindo com complicações cardiovasculares e levando pacientes à falência múltipla de órgãos e choque hemodinâmico.
“Precisamos repensar o retorno presencial para evitar um criatório de novas variantes no DF, um 2022 semelhante ao 2021 e milhares de mortes evitáveis. Nesses poucos dias que faltam para o fim do ano letivo, é importante manter o distanciamento, usar máscaras, lavar as mãos e usar álcool 70% em caso de falta de água. Além disso, cabe ao GDF resolver os problemas sanitários da rede pública de ensino, preservar o distanciamento para que a escola não se torne uma fábrica de novas variantes ainda mais resistentes que não sejam combatidas por vacinas”, alerta o diretor.
PEC dos Precatórios: o maior roubo de dinheiro público já visto no Brasil
Jornalista: Maria Carla
Com uma série de manobras, irregularidades e infrações ao Regimento Interno da Câmara dos Deputados, o presidente da Casa Legislativa, Arthur Lira (PP-AL) conseguiu proporcionar uma vitória ao governo Bolsonaro e mais uma derrota ao Brasil com a aprovação, em primeiro turno, da Proposta de Emenda à Constituição 23/2021 (PEC 23/21), PEC dos Precatórios ou PEC do calote, como vem sendo chamada por quem leu a proposta.
O placar foi de 312 votos a favor da proposta, 144 contrários e 57 deputados não votaram. Eram necessários 308 votos para que a PEC fosse aprovada em primeiro turno. A oposição se dividiu. Dez deputados do PSB votaram a favor, apesar da orientação contrária do partido. O PDT trocou de lado na última hora, apoiou a PEC e, com 15 votos favoráveis de sua bancada de 21 parlamentares, ajudou o governo a aprovar o maior calote da história do Brasil que, de quebra, pôs na mira da compra de voto a aprovação da PEC 32/2020, da reforma administrativa.
Além das irregularidades praticadas por Lira, a aprovação da PEC do Calote custou bilhões aos cofres públicos. A mídia liberal tem denunciado que pelo menos R$ 30 bilhões já foram gastos do dinheiro público para emendas de parlamentares da bancada governista a fim de assegurar essa vitória. A PEC do calote e a PEC 32 são capazes de desmontar toda a economia, revogar a Constituição e consolidar o desmonte do Estado de bem-estar social e democrático.
Educação
As duas PEC atacam direitos dos(as) professores(as) e de todos(as) os brasileiros(as). No caso da educação, a 32/20 acaba com a escola pública como serviço gratuito prestado pelo Estado e direito fundamental; privatiza as que existem; extingue o concurso público; anula o plano de carreira do magistério, dentre outros prejuízos. A 23/21, dentre outros graves problemas, coloca em risco o pagamento dos salários dos professores.
“Uma das principais polêmicas relacionadas ao texto é o fato de a PEC comprometer o calendário do pagamento de recursos a serem canalizados para a área de educação por meio de precatórios devidos pela União a determinados estados e municípios. As verbas em questão têm relação com débitos referentes ao fluxo orçamentário do antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef)”, afirma o jornal Brasil de Fato.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) apontou mais problemas e mostrou que a PEC 23 atenta contra a separação dos Poderes, o pacto federativo e a educação pública. Em nota, denunciou o fato de que, ao propor o calote aos precatórios federais de grande monta, numa só tacada, o governo Bolsonaro desrespeita decisões do Poder Judiciário, afronta os detentores dos precatórios (a maioria são estados e municípios) e ataca, mais uma vez a educação pública.
“Entre 2022 e 2023, a educação possui, mediante diferentes entes federativos, mais de R$ 30 bilhões de precatórios do antigo Fundo do Ensino Fundamental. Só para as redes estaduais estão empenhados mais de R$ 26 bilhões nesses 2 anos, com destaque para a Bahia (R$ 8,8 bi), Pernambuco (R$ 4 bilhões) e Ceará (R$ 2,6 bilhões)”, informa a entidade.
Eleição
Se aprovada em segundo turno, a PEC 23 também vai colocar nas mãos do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL/União Brasil) mais de R$ 90 bilhões para gastar com campanha eleitoral e com outros desmontes do Estado nacional. Até agora, segundo a mídia liberal, ele gastou cerca de R$ 30 bilhões em emendas para comprar os deputados simpáticos ao governo.
Contudo, para além da compra de votos, a PEC do calote nos precatórios é considerada gravíssima por especialistas porque ela legaliza esquemas de desvio de dinheiro público para bancos. Ou seja, se o leitor acha que chegou ao fundo do poço com isso aí, é bom lembrar que nada é tão ruim que não possa piorar.
Engenharia
A PEC dos Precatórios é uma das piores artimanhas do mercado financeiro contra o Brasil. Maria Lucia Fattorelli, coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, mostra que, o texto da proposta não menciona, em nenhum momento, o Auxílio Brasil, que é usado pela mídia liberal e pelo governo Bolsonaro para divulgar a PEC como algo positivo.
A coordenadora da ACD aponta coisa muito mais grave. Escondido atrás do tumulto criado pela discussão sobre o calote dos precatórios e o auxílio temporário de apenas R$ 400 aos miseráveis, o governo Bolsonaro incluiu na PEC o criminoso e grave esquema de desvio de recursos públicos por meio da chamada “Securitização de Créditos Públicos”.
SEGREDO NA PEC 23: Você já leu o texto da PEC dos Precatórios? Ela NÃO FALA DO AUXÍLIO Brasil.. mas sim do esquema da Securitização que rouba os impostos que pagamos e que a mídia não comenta! Pressionem parlamentares para barrar esse esquema! https://t.co/u5kyH22RWNpic.twitter.com/vBgBx5d5Ov
Ao contrário de resolver o problema dos mais pobres, com a mentira do “Auxílio” que nem consta da PEC 23, OS POBRES SERÃO OS MAIS PREJUDICADOS! Receitas de impostos passarão a ser desviadas para o esquema de Securitização! O mercado se apoderará do $ que não chegará ao orçamento!
Fattorelli explica que, se aprovada em segundo turno, a PEC dos Precatórios irá implantar “a perversa engenharia financeira, mediante a qual grande parte das receitas estatais não chegará aos cofres públicos, pois é desviada durante o seu percurso pela rede bancária, para o pagamento de dívida ilegal gerada por esse esquema, semelhante a um ‘consignado’”.
Ela conta que “durante auditoria feita pelo Parlamento da Grécia, em 2015, passamos a combater as tentativas de legalização desse esquema fraudulento no Brasil”, diz a auditora fiscal”. Ou seja, o dinheiro dos impostos que todos os brasileiros pagam para formar o caixa do País nem sequer irá entrar no Orçamento público. Vai passar direto para os banqueiros.
Objetivo
É isso mesmo que você leu: “Nossos impostos, os quais pagamos em o tudo que fazemos e consumimos no Brasil, não servirão mais para investimento em políticas públicas em benefício do Estado de bem-estar social. O Estado não vai nem sequer saber o quanto foi recolhido em impostos. Tudo vai para as mãos dos banqueiros”.
É esse o objetivo da PEC 23/2021. O calote de bilhões nos precatórios e o acesso de Jair Bolsonaro a R$ 91,6 bilhões, segundo dados do Ministério da Economia, do Teto de Gastos (Emenda Constitucional 95/2016), é só uma “graninha” a mais no bolso de banqueiros como o ministro da Economia, Paulo Guedes, de Presidente da República, como Bolsonaro, e no de empresários e de políticos corruptos eleitos em 2018.
Escândalo! Vale tudo para aprovar o esquema fraudulento da Securitização que desvia os impostos que pagamos e sequer alcançarão os cofres públicos! Adeus orçamento público; adeus Lei Orçamentária: o mercado vai se apoderar do $$$ dos impostos, sem análise da CCJ, na surdina! https://t.co/vEdwCjiN0U
“Essa figura do consignado é proibida para as finanças públicas, tendo em vista que todos os recursos arrecadados devem chegar ao orçamento público, em cada esfera (federal, estadual, distrital e municipal), sendo totalmente absurdo o desvio de recursos antes que estes alcancem os cofres públicos e passem a fazer parte do orçamento”, afirma Fattorelli.
O fato é que, apesar das centenas de denúncias contra a PEC, ela foi aprovada em primeiro turno e se propõe, ainda a limitar o valor de despesas anuais com precatórios, corrigir seus valores exclusivamente pela Taxa Selic e muda a forma de calcular o teto de gastos.
Próximos passos
A assessoria parlamentar do Sinpro-DF informa que, a partir de agora, a PEC 23/21 precisa de passar por uma tramitação ritual. Confira os próximos passos, segundo texto da assessoria parlamentar do sindicato:
📌 O Plenário ainda precisa analisar os destaques, que são tentativas de mudança em pontos do texto. Segundo o presidente da Câmara, Arthur Lira, deve haver uma reunião na manhã desta quinta para decidir sobre o tema.
📌 A PEC também passará por votação em segundo turno na Câmara e em seguida vai para o Senado, onde precisa do apoio de pelo menos 49 senadores em dois turnos.
➡️De acordo com o texto aprovado, os precatórios para o pagamento de dívidas da União relativas ao antigo Fundef deverão ser pagos com prioridade em três anos: 40% no primeiro ano e 30% em cada um dos dois anos seguintes. Essa prioridade não valerá apenas contra os pagamentos para idosos, pessoas com deficiência e portadores de doença grave.
➡️O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que pretende pautar o Projeto de Lei 10.880/18 para regulamentar o pagamento aos professores como parte do acordo feito com sindicatos da categoria do Norte e do Nordeste.
📌 Segundo nota da Consultoria de Orçamento da Câmara, do total de precatórios previstos para pagamento em 2022, 26% (R$ 16,2 bilhões) se referem a causas ganhas por quatro estados (Bahia, Ceará, Pernambuco e Amazonas) contra a União relativas a cálculos do antigo Fundef. Parte dos recursos deve custear abonos a professores.
▪️A redação aprovada engloba o texto da comissão especial segundo o qual o limite das despesas com precatórios valerá até o fim do regime de teto de gastos (2036). Para o próximo ano, esse limite será encontrado com a aplicação do IPCA acumulado ao valor pago em 2016 (R$ 19,6 bilhões). A estimativa é que o teto seja de quase R$ 40 bilhões em 2022. Pelas regras atuais, dados do governo indicam um pagamento com precatórios de R$ 89 bilhões em 2022, frente aos R$ 54,7 bilhões de 2021.
🚨Segundo o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Esteves Colnago, cerca de R$ 50 bilhões devem ir para o Auxílio Brasil.
🚨 A proposta foi duramente criticada. O deputado Professor Israel Batista (PV-DF) e o líder do PT, deputado Bohn Gass (PT-RS), ressaltaram que se a justiça mandou pagar integralmente aos professores é isso que deve ocorrer. “Queremos que o professor receba integralmente o que lhe é devido, que o município e os estados tenham o apoio e que não se precise dar calote, muito menos, fazer chantagem irresponsável e mentir para a população dizendo que, se esse projeto não for aprovado, não haverá dinheiro para programas sociais”, disse Bohn Gass.
▪️Outros deputados reputaram que o financiamento do auxílio deveria vir de outras fontes e que o ambiente de insegurança jurídica só atrapalha o Brasil.
Pais, mães e responsáveis expressam preocupação com retorno 100% presencial
Jornalista: Alessandra Terribili
Pais, mães e avós de alunos da EC 419 de Samambaia Norte estão profundamente preocupados com a determinação do GDF pelo retorno 100% presencial às escolas. Na escola, a maior parte dos responsáveis afirma ainda não se sentir segura para enviar as crianças à escola todos os dias.
A professora percebe essa insegurança: “Os pais estão resistindo, não estão tranquilos de mandar seus filhos”, relata. “Hoje mesmo, de 28 crianças matriculadas compareceram, apenas 15”, completa.
A preocupação principal, evidente, é a saúde de toda a família. Lindete Rodrigues, por exemplo, diz que seu filho tem facilidade para ficar doente, então, enquanto não se sentir segura, ela avalia manter a matrícula da criança somente para o ano que vem.
Muitas famílias têm pessoas idosas em casa, como lembra Alberto Leandro: “Fico preocupado de meu filho se contaminar, passar pra mim, passar pra minha mãe, que é uma senhora de idade avançada”, diz ele. É o caso também de Antônia Gomes Feitosa, cujo neto está frequentando a escola: “As famílias têm gestantes em casa, têm pessoas idosas, como eu tenho minha mãe”, ela conta.
Para Antônia, o retorno 100% presencial é precipitado e desnecessário. “As crianças conhecem o risco, mas criança é criança! Numa sala com 28 crianças, quando uma espirra, todas ficam gripadas”, ela pondera. “E são 28 crianças para uma só professora ensinar, cuidar, fiscalizar… É difícil!”, completa. Alessandra Barbosa, mãe de um aluno da mesma turma, concorda: “Para o adulto, muitas vezes, já é difícil de entender, de aceitar, imagine para uma criança”.
As limitações na estrutura são um obstáculo importante para a segurança da comunidade escolar. “As condições são as mesmas, a estrutura, que sempre foi insuficiente, é a mesma… As necessidades continuam as mesmas de sempre, nada mudou, mesmo com a pandemia”, aponta Antônia. A senhora Nelsa, que é bisavó de uma aluna, também lamenta a falta de estrutura: “Nem lanche tem para as crianças”. Poliana Gomes reforça essa percepção: “O governo não garantiu a estrutura necessária”.
Todos apontam que o ideal seria fechar o ano, que já está no final, no formato híbrido que estava se desenvolvendo, e se preparar para retornar 100% presencialmente somente em 2022. “Tudo que é feito de forma precipitada pode trazer consequências negativas depois”, diz Alessandra Barbosa. Alberto Leandro concorda: “O sistema híbrido estava atendendo bem a este momento”, diz ele.
Enquanto não houver aprovação pela Anvisa de imunizantes a serem aplicados em crianças menores de 12 anos, a solução para essa faixa etária é assegurar o distanciamento social, o uso de máscaras e a ventilação dos ambientes. Cláudio Antunes, diretor do Sinpro, enfatiza a importância de se garantirem as condições adequadas para o funcionamento das escolas num momento em que a pandemia ainda não acabou: “Tantos estudantes juntos em espaços sem ventilação, sem capacidade para assegurar o distanciamento sanitário exigido, é, no mínimo, irresponsável”, diz ele. “A gravidade aumenta porque quando mais da metade das escolas da rede pública do DF recebe um contingente imenso de crianças abaixo de 12 anos, para as quais ainda não há vacina”, conclui.
Cuidado com o golpe! Quadrilhas continuam tentando extorquir professores
Jornalista: Maria Carla
A diretoria colegiada do Sinpro-DF alerta a todos e todas para a ação das quadrilhas que continuam aplicando os golpes telefônicos para extorquir professores(as) e orientadores(as) educacionais. As tentativas de extorsão são variadas e a ousadia também. Usam nomes de diretores, de advogados e de funcionários do sindicato, bem como os números de telefone da entidade, papel timbrado, informações reais sobre a vítima e tudo o mais que for possível para darem tom de veracidade ao golpe. Não caia!
Na mais recente tentativa, ocorrida há poucos dias, usaram nome da diretora Silvia Canabrava. Não só usaram o nome dela, como também enviaram documento com papel timbrado do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT). Felizmente, a vítima não caiu na cilada. O professor abordado, que prefere não ser identificado, relata que recebeu uma ligação em que o golpista se apresentava como advogado do Sinpro-DF.
Com linguagem técnica, própria dos advogados, o golpista sabia dados pessoais da vítima, como CPF, data de nascimento, nome do pai e da mãe. Para forjar autenticidade, o golpista enviou um documento falso ao professor, com papel timbrado do TJDFT, em nome da dirigente do Sinpro-DF Silvia Canabrava.
O documento trazia números de telefone para que a vítima entrasse em contato. Ainda na ligação telefônica, o criminoso disse que o professor deveria realizar a transferência de R$ 28 mil. O valor viabilizaria o recebimento de R$ 154 mil referente a pagamento de precatório. “Eles são totalmente convincentes”, alerta a vítima.
“O Sinpro nunca solicitou nenhum tipo de transação bancária para que os professores recebam precatório”, alerta a dirigente Silvia Canabrava. Ela lembra que, ao identificar a farsa, a vítima deve ligar, imediatamente, para um dos números do Sinpro-DF disponíveis no site da entidade (AQUI ou AQUI).
“Modus operandi”
O uso do nome da diretora Sílvia é apenas mais um dos formatos do golpe. Geralmente, os criminosos fazem contato por telefone ou Whatsapp, se apresentam como funcionários do Sinpro ou do escritório de advocacia que presta serviço ao sindicato. Forjam documentos com logomarcas, timbres e fotos e apresentam dados pessoais da vítima para dar autenticidade ao golpe.
Uma das últimas modalidades desse golpe se aproveita dos precatórios que os(as) educadores(as) têm a receber. Ligam e solicitam um pagamento para liberar o valor. Por isso, mais uma vez, o sindicato reafirma e alerta: o Sinpro-DF não solicita nenhum tipo de transferência de valores! Se o professor(a) ou orientador(a) educacional receber qualquer chamada em nome do Sinpro solicitando dinheiro por Pix, transferência ou depósito, é golpe! Não caia!
Ao identificar a farsa, ligue, imediatamente, para um dos números do Sinpro-DF disponíveis no site da entidade. A diretoria colegiada já denunciou várias vezes a situação à Polícia Civil do Distrito Federal e continua atenta para que não haja nenhum tipo de prejuízo às(aos) filiadas(os). Também apareceu numa reportagem do DFTV, da Rede Globo (clique aqui e acesse ao VT da matéria) , que abordou os diversos golpes digitais que criminosos têm aplicado em professores(as) e orientadores(as) educacionais.
Veja, a seguir, as diferentes modalidades de golpe:
Golpe 1
Em uma nova artimanha para tentar lesar professores(as) e orientadores(as) educacionais, criminosos tem ligado para a casa de educadores(as) informando que foi liberado o alvará de precatório para pagamento. Em seguida, dizem que a vítima tem mais de R$ 100 mil para receber, pedem para ligar no número 99639-2111 e solicitam depósito de um valor na conta: NEXT 237 – AG: 3728 – CONTA 609240-3 (Anderson Fabio de Oliveira – CPF: 031.729.793-77). É importante ficar atento porque toda a conversa é feita em aplicativo com a logo do sindicato.
Golpe 2
Para o furto via telefone, usam vários nomes. Atualmente, o nome “Cláudia Maria Rodrigues” que utiliza o telefone fixo 3181-0041 e, o celular/WhatsApp, 96519820 é um dos denunciados pela categoria. O Sinpro-DF informa que o nome “Cláudia Maria Rodrigues”, utilizado pela quadrilha, pertence a uma advogada que também está sendo duramente prejudicada pelo bando. Ela avisou ao sindicato que já denunciou o caso à polícia e tem Boletim de Ocorrência para comprovar o uso indevido do nome dela. O outro nome usado é “Leonardo Mota” (Núcleo Bancário), com o telefone 31810285. Um terceiro nome identificado é “Dr. Marcelo Ricardo” e o número de telefone 998497364.
O golpista identificado como “Dr. Marcelo Ricardo” usa a seguinte referência para enganar e furtar dinheiro e outras informações dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais: “Dr. Marcelo Ricardo – 998497364. Tribunal de Justiça do DF e Territórios, contatos: 31810041 e 9 9601-1693. Na mensagem, o golpista dr. Marcelo Ricardo também informa que a pessoa deve ligar para o Tribunal e falar com o Núcleo de Precatório com dra. Cláudia Maria Rodrigues. Protocolo de liberação de precatório 06142117112021”.
Golpe 3
Para extorquir dinheiro das vítimas, a pessoa que realiza a chamada se passa por diretor, ex-diretor ou funcionário da Secretaria de Assuntos Jurídicos, Trabalhistas e Socioeconômicos do Sinpro-DF. Segundo denúncias realizadas ao sindicato, em alguns casos, o golpista se apresenta como Dr. Daniel ou Dr. Dimas, e chega a utilizar em sua foto de perfil de WhatsApp a logomarca do Sinpro-DF. Em seguida, o farsante solicita depósito em conta bancária vinculada a uma suposta pessoa com nome de Priscila.
Golpe 4
O novo golpe envolve transferência por PIX, ocorreu, na sexta-feira (27/8), com uma professora da rede pública de ensino e denunciado pela primeira vez agora. A professora, que não identificamos para preservar sua identidade, conta como a quadrilha age para furtar o seu dinheiro.
Ela relatou ao Sinpro-DF que descobriu o novo golpe da pior forma possível. E conta que recebeu uma ligação no telefone fixo da casa dela. “Uma mulher, que se identificou com o nome Patrícia e como funcionária da área de segurança do BRB, queria saber se eu estava tentando fazer transferência por PIX no valor de R$ 2.800,00. Eu respondi que não. Ela então me orientou a ligar para o número RBR 3322-1515, o qual, realmente, é do BRB, mandou digitar a opção 9 para denunciar essa tentativa de fraude e me forneceu um número de protocolo”, conta a professora.
Ela fez a ligação e quem a atendeu foi uma funcionária de nome Tainá Albuquerque, que disse à professora o número do CPF, a data de nascimento, nome da mãe dela tudo corretamente e pediu a ela para confirmar. Após coletados esses dados, a tal funcionária disse que precisava que a professora entrasse no aplicativo do BRB em seu celular para baixar outro aplicativo e impedir que fraudassem a conta dela. “Foi aí que percebi que estava fornecendo dados pessoais e que havia feito tudo o que não devia e digitei senhas de conta, do banknet, do PIX e tudo o mais. Eu estava numa espécie de demência, alheamento, que não percebia o golpe”, relata a professora.
Enquanto ela passava todos os dados pessoais para a falsa funcionária, a golpista afirmava estar instalando o tal recurso de segurança. “Como a conversa estava muito demorada, resolvi acessar meu saldo do BRB no computador e já era tarde demais. Constava um empréstimo parcelado R$ 37 mil e mais dois PIX nos valores de R$ 21 mil e R$ 16 mil do valor do empréstimo. Foi aí que minha ficha caiu e a ligação também. Meu celular foi, totalmente, desconfigurado”, conta a professora.
Ela disse que foi ao BRB comunicar o problema e descobriu que o empréstimo foi feito em 33 parcelas de R$ 2.100,00. “O gerente disse que se a análise do banco não for favorável a mim eu terei que pagar as parcelas do empréstimo até que saia o resultado do processo de rastreamento da operação do PIX. Disse também que se nada for provado, eu fico com o prejuízo de R$ 71.000,00. Simples assim”, relata.
A professora diz que “o gerente foi muito prestativo e educado, fez as ligações internas para iniciar o processo administrativo, mas, infelizmente , como o dinheiro saiu da minha conta não tem como extornar e nem cancelar o tal empréstimo. Fui à delegacia e registrei a ocorrência. É uma sensação horrível e humilhante de culpa, vergonha e raiva de mim mesma e do mundo.