Projeto de deputado distrital quer aplicar multa de R$5 mil a professores(as)

Um absurdo projeto de lei de autoria do deputado distrital Iolando tramita na Câmara Legislativa. Se aprovado, o PL 2303/2021 abre um perigosíssimo precedente: o de multar professores e professoras no exercício de seu trabalho.

A iniciativa de proibir o uso da linguagem neutra em sala de aula interfere tanto na liberdade de cátedra como na liberdade de expressar-se na forma como julgar conveniente. Trata-se de mais um evidente atentado contra a diversidade, seguindo os princípios da Lei da Mordaça, que criminaliza professores(as) e os coloca sob permanente suspeição.

A possibilidade de aplicar multas a docentes abre caminho para a instalação de câmeras de fiscalização e para que testemunhos de qualquer natureza sejam válidos para “incriminar” aquele ou aquela que está apenas realizando seu trabalho. Uma vez sancionado, um projeto como esse fortalece a Lei da Mordaça e a torna ainda mais nefasta, ameaçando professores(as) de multa e sanções mais pesadas do que propunha originalmente.

>>> PROJETO QUE PROÍBE “LINGUAGEM NEUTRA” EM SALA DE AULA ESTÁ NA PAUTA DA CLDF

Não há nenhuma orientação para que professoras e professores se comuniquem utilizando a linguagem neutra, tampouco que apresentem essa forma aos estudantes. Portanto, não há nada a ser combatido pelo referido deputado, que deveria estar preocupado com a estrutura das escolas para que sejam um lugar seguro para a comunidade em tempos de pandemia; ou com a qualidade e a correta aplicação dos recursos da merenda escolar; ou ainda com o pagamento do reajuste que é devido à categoria há seis anos. Assunto não falta!

O Sinpro-DF convida a categoria a se posicionar em defesa da liberdade de cátedra e da dignidade de nossa profissão, para a qual reivindicamos valorização e respeito, não criminalização e mordaça!

Velha tentativa

Também neste ano, outro projeto contrário à linguagem inclusive foi apresentado à CLDF, dessa vez de autoria do deputado José Gomes (PTB). Segundo o PL 2164/2021, “fica vedado o uso da chamada ‘linguagem neutra’ pela administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes do Distrito Federal, e também autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público, em quaisquer comunicações oficiais ou extraoficiais, internas ou externas, voltadas aos próprios servidores ou à população em geral, incluindo por meio de páginas oficiais dos órgãos e autoridades nas redes sociais”.

A iniciativa ainda prevê que o servidor público que utilizar a linguagem inclusiva seria considerado um “agente infrator” ao cometer “improbidade administrativa”, ficando sujeito “às sanções estipuladas em lei”. Entre as penalidades pelos atos de improbidade administrativa está a perda da função pública.

O projeto de lei 2164/2021 do deputado José Gomes tramita na Comissão de Assuntos Sociais da CLDF.

Governo federal quer aprovar PEC 32 para pagar Auxílio Emergencial e sua campanha eleitoral 2022

O Sinpro-DF convoca a categoria para intensificar a pressão contra a PEC 32, da reforma administrativa, porque ela pode ser votada a qualquer momento na Câmara dos Deputados.

 

Em plena campanha para eleições presidenciais de 2022 antes do tempo, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciaram, na semana passada, que, se aprovada, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/2020, da reforma administrativa, irá pagar boa parte do Auxílio Emergencial e, claro, sua campanha eleitoral para as classes populares.

 

Para isso, Bolsonaro e Guedes culpam os serviços e servidores públicos pela fome e desemprego que o País está vivendo por causa da política neoliberal que eles adotaram e insistem em manter porque é com ela que eles, os empresários que defendem a demolição do Estado de bem-estar social e os grandes investidores do mercado de capitais garantem seus lucros milionários e os enviam em grandes remessas para os paraísos fiscais (offshores). E ainda põe a população, que mais precisa dos serviços públicos e gratuitos de boa qualidade, contra a luta dos servidores.

 

O Sinpro-DF alerta para o fato de que, se aprovada, a PEC 32 irá destruir o serviço público, gratuito e universal, conquistado pela população brasileira nos anos 1980 e consolidados na Constituição Federal. Lembra também que essa Constituição nunca foi aceita pelos empresários que são contra o Estado de bem-estar social e são contumazes sonegadores de impostos e devedores de direitos trabalhistas. Também nunca foi engolida pelos integrantes do mercado de capitais. Eles sempre tentaram demolir a nossa Constituição Cidadã porque ela determina como obrigação do Estado de bem-estar social a oferta de serviços públicos que assegurem os direitos sociais, fundamentais e humanos de qualidade, os quais eles querem privatizar para explorar comercialmente.

 

Inclusive com privatizações previstas em áreas como Educação, Saúde e Assistência Social, que têm caráter essencialmente público e são considerados direitos humanos, mas tenderão a serem comercializadas como serviços privados. Ou seja, além de pagar os impostos, o povo vai ter de pagar pelos serviços. Isso significa o sequestro do Estado nacional pelo mercado de capitais. O incentivo às terceirizações significará o fim dos concursos públicos e a fragilização das carreiras, o que trará prejuízos à luta por reajustes, por ampliação de direitos e até à garantia do pagamento das aposentadorias.

 

Por isso, para evitar a vitória da privatização e o fim dos serviços públicos é fundamental os(as) profissionais de Educação estarem atentos e atentas às manobras eleitoreiras do governo Bolsonaro e participar, intensamente, da pressão. Só assim seremos capazes de impedir que o banqueiro Paulo Guedes, que sonega impostos com envio de grandes remessas de dinheiro para paraísos fiscais na cara dura e não é punido, tenha mais uma vitória que impõe às nossas vidas tantos retrocessos de uma só vez!

 

Fique atento(a) porque, nesta semana, a agenda de atividades será divulgada sempre no dia anterior. Os inimigos do serviço público não vão ter paz e nem voto em 2022! Confira a agenda e participe das atividades!

Agenda

Segunda-feira (25/10)

19h – Twittaço: #PEC32vaiCAIR

Terça-feira (26/10)

07h – Aeroporto de Brasília: recepção de parlamentares no Aeroporto de Brasília

14h – Anexo II da Câmara dos Deputados: vigília permanente

 

Confira também a agenda de luta da semana que comemora o Dia do Servidor Público

 

📣 Dia do Servidor Público – 28/10 | A próxima quinta (28) será marcada por um Dia Nacional de Lutas com atos, mobilizações, paralisações, assembleias e audiências contra a PEC 32, da reforma Administrativa.

📌 A campanha “Cancela a Reforma” que reúne a Aliança Nacional dos Servidores Públicos, formada pela Confetam (servidores municipais), Fenasepe (estaduais), Condsef (federais), CNTE (Educação) e CNTSS (Saúde, Assistência e Previdência Social), disponibiliza uma série de materiais de apoio que podem ser usados em todas as cidades do Brasil. “Tem material pronto. Basta mandar para a gráfica, imprimir e fazer o trabalho”, destaca a presidenta da Confetam, Jucélia Vargas.

⬇️ Confira abaixo os links de acessos aos materiais de campanha e participe.

📌 Panfleto Aviso à População: https://bit.ly/panfleto_populacao_pec32nao

📌 Panfleto aos Servidores: https://bit.ly/panfleto_servidores

📌 Panfleto às Mulheres: https://bit.ly/panfleto_mulheres

📌 Panfleto aos Jovens: https://bit.ly/panfleto_jovens

📌 10 razões para agir contra a PEC 32: https://bit.ly/10_razoes_pec32nao

📌 PEC 32 Cavalo de Tróia: https://bit.ly/cavalo_de_troia

📌 Cards Cancela a Reforma: https://bit.ly/cards_campanha_cancelareforma

📌 Cards para pressão a parlamentares: https://bit.ly/cards_parlamentares

🍊 Laranjitos (cédulas que denunciam compra de votos a favor da PEC 32): https://bit.ly/laranjitos

🎶 Funk Não à PEC 32 – Para bicicleta de som: https://bit.ly/funk_pec32nao

 

Sinpro prorroga as inscrições do XI Concurso de Redação e Desenho até sexta (29/10)

Para permitir mais acesso a quem ainda não conseguiu realizar a inscrição, o Sinpro-DF prorrogou o prazo de inscrição do XI Concurso de Redação e Desenho até o dia 29 de outubro. 

 

Com o tema “Eu, estudante, na pandemia”, esta edição do concurso permite explorar o tema da pandemia do novo coronavírus na vida de cada um e cada uma. Todas e todos poderão contar uma história desde o dia em que o Brasil entrou em estado de calamidade pública, em março de 2020, para mostrar como a covid-19 modificou a sua própria vida e compartilhar as diversas experiências, dificuldades e desafios dos(as) estudantes das escolas públicas do DF durante a pior crise sanitária do século.

 

“Para que a gente possa fortalecer a educação como um ato político e uma prática de liberdade, temos que conhecer as diversas realidades, dificuldades e sentimentos das/os estudantes diante de um período que mexeu com a vida de todas e de todos. É a partir daí que poderemos traçar, juntas e juntos, novos vôos”, explica a diretora do Sinpro-DF Letícia Montandon.

 

Poderão participar do concurso estudantes de escolas públicas do ensino regular, ensino especial, Altas Habilidades e EJA (Educação de Jovens e Adultos), incluindo estudantes do Sistema Socioeducativo ou do Sistema Prisional.

 

>>Acesse aqui o regulamento do XI Concurso de Redação e Desenho 

 

O regulamento do concurso divide a apresentação de trabalhos em sete categorias, nas modalidades redação e desenho. Para cada faixa etária/segmento há regras específicas, como, por exemplo, quantidade mínima e máxima de linhas para a redação.

 

Nesta edição, serão premiados os três primeiros lugares de cada categoria. Em todas elas, o 1º lugar receberá um tablet Samsung Galaxy Tab A7 lite 32GB 4G; o 2º será premiado com um aparelho celular Samsung Galaxy A12 64GB; e o 3º lugar leva um aparelho celular Samsung Galaxy A02 32GB. Estudantes do Sistema Socioeducativo ou do Sistema Prisional poderão ter o prêmio convertido em dinheiro.

 

Também serão contemplados professores(as) ou orientadores(as) indicados(as) pelos(as) estudantes vencedores(as) de cada categoria, com premiações de R$ 1.200 para o 1º lugar, R$ 500,00 para o 2º lugar e R$ 300 para o 3º lugar.

 

Embora as inscrições só possam ser feitas pela Internet, a entrega do trabalho poderá ser feita digital ou presencialmente, na sede ou em uma das subsedes do Sinpro-DF

 

O trabalho deve ser entregue em folha específica disponível para download no site do Sindicato, junto com autorização para utilização do trabalho concorrente em qualquer peça de comunicação do Sinpro-DF. O modelo de autorização também está disponível no link da inscrição.

 

Com a prorrogação, os(as) estudantes proponentes poderão entregar os trabalhos até dia 29 de outubro, quando também encerra o prazo para a inscrição ao XI Concurso de Redação e Desenho do Sinpro-DF.

 

 

Vetos à LDO: fundamental fazer pressão na Câmara Legislativa!

O governador Ibaneis Rocha vetou os itens da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) aprovada pela Câmara Legislativa (CLDF) que dizem respeito ao reajuste dos profissionais da Educação e a realização de concursos públicos para professores (as) e orientadores (as) educacionais. Porém, a Câmara pode derrubar os vetos!

Os itens da LDO vetados por Ibaneis, além de comprometerem o pagamento da última parcela devida à categoria desde 2013 e a realização de concursos públicos, também tira do horizonte a tão necessária recomposição salarial. Sem reajuste há seis anos, as perdas financeiras da categoria são evidentes, e precisam ser revertidas. Se o veto for mantido, ele se torna impedimento e justificativa para o congelamento de salários.

Segundo compromisso assumido pelo presidente da CLDF, Rafael Prudente, com o Sinpro na semana passada, os vetos serão apreciados pelo plenário nesta terça, 26. Para derrubá-los, são necessários os votos de 13 deputados(as) distritais, o que representa maioria absoluta da Casa (metade mais um).

É por isso que estamos no dia D da mobilização! Clique nos links abaixo para enviar mensagens aos parlamentares, fazendo pressão para derrubada dos vetos!

Agaciel Maia
https://bit.ly/2Z41phD

Arlete Sampaio
https://bit.ly/3BWVskE

Chico Vigilante
https://bit.ly/3vm185s

Claudio Abrantes
https://bit.ly/3AZ3t7G

Daniel Donizet
https://bit.ly/2Z6CHNt

Delmasso
https://bit.ly/3DQ42Cq

Eduardo Pedrosa
https://bit.ly/30CKUcS

Fábio Félix
https://bit.ly/30EG2nx

Guarda Jânio
https://bit.ly/3aMIhaf

Hermeto
https://bit.ly/2Z4Ay52

Iolando
https://bit.ly/3G0j0rx

Jaqueline Silva
https://bit.ly/2YYklOy

João Cardoso
https://bit.ly/3BSVUAl

Jorge Vianna
https://bit.ly/3n27KlL

José Gomes
https://bit.ly/3vmeyhE

Júlia Lucy
https://bit.ly/3FXUcjD

Leandro Grass
https://bit.ly/3ASJnM4

Martins Machado
https://bit.ly/3G8gwYa

Rafael Prudente
https://bit.ly/2Xp5gVN

Reginaldo Sardinha
https://bit.ly/3aOrun3

Reginaldo Veras
https://bit.ly/3lQhsrN

Robério Negreiros
https://bit.ly/3jcNT2b

Roosevelt Vilela
https://bit.ly/3BVT2Tk

Valdelino Barcelos
https://bit.ly/3aMjJ0P

Após entregar nas residências, Sinpro divulga episódios do Folha do Professor Especial Saúde on-line

O Folha do Professor 210 – Especial Saúde impresso já chegou nas residências dos(as) sindicalizados(as). Com um relato das iniciativas e serviços de saúde que o Sinpro-DF oferece à categoria – um cuidado que é marca de nossa história e um dos mais importantes princípios de nossa luta –, o jornal também será apresentado em oito episódios on-line pelo site e redes sociais da entidade.

 

“A nossa comunicação por meio do jornal é fundamental para o filiado ou a filiada ter em casa um documento que não só traz o registro histórico da luta da nossa entidade, mas, principalmente, como poderá acessar os serviços que oferecemos à categoria por meio da Secretaria de Saúde do Trabalhador do Sinpro”, afirma Élbia Pires, coordenadora da secretaria.

 

Este primeiro episódio traz um breve resumo dos mais de 40 anos de dedicação à luta pela saúde de nossa classe profissional para assegurar qualidade de vida. A edição especial, como um todo, oferece aos nossos(as) filiados(as) os caminhos para acessarem os serviços disponíveis. Confira! Clique sobre a imagem e acesse o jornal.

 
 

MATÉRIA EM LIBRAS

O racismo de todo dia, há mais de 500 anos

Em um conhecido samba de Jorge Aragão, o compositor afirma que “elevador é quase um templo”, por marcar a segregação racial entre o social e o de serviço. Conhecidas e difundidas no “boca a boca”, como manda a tradição oral, as situações de racismo diante do elevador tornaram-se emblemáticas.

Hoje, os supermercados assumem esse lugar com maestria. A atriz e cantora brasiliense Fernanda Jacob, por exemplo, narra com misto de tristeza e indignação as tantas vezes em que se viu perseguida por seguranças dentro de supermercados. “É muito comum no meu cotidiano, e muito mais depois que assumi meu cabelo black. Sou perseguida no simples ato de sair de casa para comprar algo”, diz ela. “É um aprisionamento. Eu deixo sacolas à mostra, não vou de mochila, não mexo na bolsa. A gente cria mecanismos de defesa diante dessa situação que nos aprisiona”, relata Jacob.

Um supermercado foi cenário do assassinato de George Floyd, em Minneapolis, nos Estados Unidos, caso que ganhou repercussão internacional em maio de 2020. No Brasil, na véspera do Dia da Consciência Negra, também em 2020, o trabalhador João Alberto Freitas, um homem negro, foi morto de forma semelhante por seguranças em uma das filiais do Carrefour em Porto Alegre.

Em agosto deste ano, Luiz Carlos da Silva foi obrigado a se despir diante de outros clientes do Assaí Atacadista em Limeira, interior de São Paulo, para provar que não estava furtando produtos do local. Em Salvador, Bruno e Yan Barros, tio e sobrinho, foram entregues a traficantes, torturados e mortos, supostamente por furtar carnes do atacadista Atakarejo.

Não é produto do acaso que todas essas agressões tenham acometido homens negros. São situações desconhecidas por pessoas brancas, e que marcam com sangue e hipocrisia o universo do racismo brasileiro, rotineiramente varrido para baixo do tapete sob a farsa da democracia racial.

Vidas negras

A um mês do Dia da Consciência Negra, os casos de racismo vêm ganhando destaque na imprensa pela frequência com que ocorrem e pela violência com que se impõem às vítimas. A ascensão do fascismo tem tornado corriqueiras situações revoltantes, como os casos relatados acima.                                                                                                                                       

Como não se lembrar de Cláudia Ferreira da Silva, cujo corpo foi arrastado por uma viatura policial por mais de 300 metros no Rio de Janeiro? Ou das crianças que perderam a vida para balas “perdidas”, como Ágatha Félix e João Pedro Matos, ou para o descaso da elite, como Miguel Santana? “A agressão e a desqualificação de homens e mulheres negras se refere também a uma desumanização que nos rouba o direito à fala e nos brutaliza. Somos vistos permanentemente como pessoas de risco”, diz Márcia Gilda, diretora da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro.

Os números não mentem. De acordo com dados do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 77% das vítimas de homicídio no Brasil são negras. Enquanto o número de pessoas não negras assassinadas caiu 33% de 2018 para 2019, as mortes dessa natureza de pessoas negras aumentou 1,6%. Os índices apontam que a chance de um negro ser assassinado é 2,6 vezes maior que a de um não negro.

Enquanto tudo isso acontece, na Fundação Palmares, um afastado Sérgio Carmargo se intitula “Black Ustra”, numa referência ao torturador coronel Carlos Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-Codi e um dos principais artífices do processo de tortura a opositores durante a ditadura militar.⠀

O que não mata fere para sempre

Nestes tempos em que o fascismo perdeu a vergonha, a frequência da violência racista é assustadora. Somente nos últimos dias, um homem negro foi brutalmente violentado por seguranças do metrô de São Paulo diante de seu filho pequeno; uma cantora negra brasiliense foi agredida verbal e fisicamente por uma frequentadora de restaurante onde ela se apresentava; três vereadoras negras foram duramente insultadas por uma manifestante de direita dentro da Câmara Municipal de Porto Alegre; e revelou-se a política da loja Zara de Fortaleza de anunciar um código em seus alto-falantes para monitorar a presença de clientes negros.

As escolas, espaços, por excelência, de questionamento da realidade, também reproduzem essa opressão. Numa situação recente, a avó de uma estudante ofendeu violentamente uma professora, tudo por conta do atraso no resultado de uma competição: “Tu é atrevida, negra! Porca! Porca de pé de chiqueiro. Eu não fui criada em pé de chiqueiro como tu foi não; como tu vive até hoje, na lama”, disse, descontrolada, a mulher em um grupo de whatsapp.

Fernanda Jacob afirma que o medo é uma constante na vida da população negra. “O racismo exclui, inclusive, por não nos sentirmos seguros em determinados espaços”, avalia. As agressões se dão pelo simples fato de a pessoa negra se expor a um espaço público, à convivência social, e, especialmente, a locais que historicamente não são abertos a ela. “A mentalidade escravagista e colonialista reserva aos negros e negras o lugar da subalternidade”, pontua Márcia Gilda.

A cantora de jazz Andresa Sousa se apresentava em um restaurante sofisticado na Asa Sul, em Brasília, quando ouviu de uma cliente do local que ela deveria aprender a cantar, conselho finalizado com o vocativo “sua negra”. A artista denunciou a situação à polícia e à imprensa. “A branquitude não aceita nossos corpos num lugar de brilho, de potência, de abundância. E ataca nossas emoções, nossos talentos, nosso diferencial”, destaca Fernanda Jacob. Márcia Gilda concorda: “Andresa estava em um espaço de destaque que só poderia ser ocupado por uma pessoa branca”.

Em Porto Alegre, manifestantes negacionistas que protestavam contra a possibilidade de “passaporte da vacina” na cidade invadiram a Câmara de Vereadores e atacaram os parlamentares que defendiam o contrário. Mas o ataque não é distribuído igualmente. Com ódio nos olhos, uma manifestante de longos e lisos cabelos loiros dirigiu-se à vereadora Bruna Rodrigues, do PCdoB, e disse, aos gritos: “tu é minha empregada”.

“Ouvimos o que estamos acostumadas a ouvir desde muito tempo. Ser chamada de empregada, de lixo, é mais uma manifestação de um racismo que tenta desqualificar a todo momento a nossa chegada à Câmara”, disse Bruna em suas redes sociais. As agressões alcançavam também mais duas vereadoras negras: Daiana Santos, do mesmo partido, e Laura Sito, do PT.

Um sonho

Aqueles que pregam a falida ideia de democracia racial escondem que essas agressões – como bem mostram as estatísticas do IPEA – não são igualmente distribuídas entre a população. Assim como as oportunidades de se desenvolver também não o são. Os espaços conquistados pelo povo negro vieram pela sua própria luta, e pela resistência que, além de superar os obstáculos da política, obriga à superação dos obstáculos de todos os dias. Como ir ao supermercado sem ser considerado suspeito.

“O racismo é esse mecanismo perverso, que faz com que sejamos sempre podados, deixados no meio do caminho”, considera a atriz Fernanda Jacob. “As pessoas brancas são livres enquanto nós não somos. A elas é permitido sonhar, ter afeto. A nós, tudo é negado”, completa. Mas, por falar em sonho, o de Martin Luther King continua vivo. E, sob o fascismo de Bolsonaro e seus seguidores, valem ainda mais as palavras do samba de Jorge Aragão: “Sai desse compromisso / Não vai no de serviço / Se o social tem dono, não vai”.

 

Fotos: No alto à direita, a atriz e cantora Fernanda Jacob. Acima, à esquerda, o compositor Jorge Aragão.

Outubro Rosa 2021: Distrito Federal registra aumento do câncer de mama

O mutirão do Outubro Rosa do Distrito Federal promete retirar o câncer de mama de 48 mulheres que estão na fila do Hospital de Base de Brasília (HBB) para essa cirurgia. A informação é da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), que também noticiou, nesta quinta-feira (21), outro mutirão, no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), para reconstrução mamária de 49 mulheres mutiladas pela doença.

Contudo, até chegar a este momento da finalização do processo, da reconstituição da mama, a pessoa atravessa uma longa jornada, normalmente, repleta de dores, inseguranças, incertezas e, muitas vezes, também com dificuldades que vão muito além do problema físico. Um deles é o problema financeiro e, outro, é o medo de constatar que está com a doença. Daí não fazer ou não dar importância ao exame periódico de prevenção da doença.

Esse problema, juntamente com o temor de se contaminar com o novo coronavírus, têm feito muitas mulheres desistirem da mamografia e de outros tipos de exames preventivos que só são possíveis de realizar em clínicas. Um levantamento da Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec) deste ano, encomendada pela farmacêutica Pfizer, descobriu que, no Brasil,  47% das mulheres não foram a ginecologistas ou a mastologistas no ano passado e neste ano por causa da pandemia da covid-19.

“Há poucos dias o UOL noticiou que os cânceres de mama, que seriam, antes, como possíveis de cura, já estão chegando no Sistema Único de Saúde nos estágios 3 e 4. Devido à pandemia, as pessoas deixaram de fazer seus exames preventivos”, informa Luciane Kozicz, psicóloga do Sinpro-DF. Ela ressalta que, ainda em 2021, a Universidade de Stanford provou, cientificamente, que o surgimento de vários tipos de cânceres pode estar ligado à ansiedade e ao estresse.

“Já está comprovado, por meio de estudos em psicossomáticas, que os fatores emocionais geram reações fisiológicas no corpo. Se a gente passa por situações traumáticas ou estresse contínuo, o corpo passa a produzir determinados tipos de reações, podendo ocasionar a mutação de células. Por isso é tão importante ter o equilíbrio mental e físico e a necessidade constante de exames preventivos para que a doença possa ser debelada”, orienta Kozicz.

A campanha Outubro Rosa 2021 tem mostrado essas e outras dificuldades que dependem apenas da informação para serem solucionadas. A campanha reforça a necessidade de buscar o ginecologista ou o mastologista periodicamente para o exame de detecção precoce da doença a fim de que o máximo de mulheres possível não sejam afetadas pela metástase.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que o câncer de mama é o mais frequente entre as mulheres e mais fácil evitar. Também é considerado mais fácil de curar quando é detectado no início. No entanto, esse é um dos tipos de câncer que mais têm aumentado no Brasil e no DF. Só este ano, 730 novos casos foram registrados no Sistema Único de Saúde (SUS) no Distrito Federal. Esse também é o mesmo número de mulheres que se internaram para tratar da doença em 2020.

O Inca estima que há 66.280 novos casos de câncer de mama em 2021. No Hospital de Base, referência no tratamento oncológico na capital do País, 210 mulheres iniciaram o tratamento para combater o câncer de mama, em 2021, e 630 consultas de acompanhamento já foram realizadas. No entanto, em razão da pandemia, o número da procura pelo diagnóstico reduziu e o número de pessoas com a doença aumentou.

Vilmara Pereira do Carmo, coordenadora da Secretaria de Mulheres do Sinpro-DF, diz que uma das ações que imputam valor à campanha Outubro Rosa, dentre muitas outras coisas, é o incentivo ao exame preventivo e ao autoconhecimento. “O autoconhecimento é um elemento estruturante da luta feminista. Não só o autoconhecimento psíquico, mas o de nossa saúde integral. Para além de um lacinho na lapela, o Outubro Rosa enseja importantes atitudes em defesa da vida, dentre elas, o autoconhecimento por meio do toque corporal para entender o que há de diferente no corpo, dentro do seu ciclo, e na perspectiva da prevenção do câncer de mama. Isso é muito importante”, afirma.

Ela ressalta, no entanto, que, além da prevenção à doença, o sindicato alerta para as deficiências do sistema de saúde. Muitas vezes, por falta de acesso ao serviço público, a mulher deixa de fazer o exame preventivo. “Além do monitoramento do próprio corpo, toda usuária do SUS deve observar o que os governantes estão fazendo com o sistema público e defender, incondicionalmente, o investimento do Estado no SUS, um sistema cobiçado e empurrado, diariamente, para a privatização pelo grande empresariado dos ramos da medicina, farmacêutico e de planos de saúde, entre outros”, alerta.

“A nossa cobrança é por um SUS forte, por aparelhos públicos que possam concretizar os exames que detectam a doença. No DF, não se sabe a situação dos mamógrafos na rede pública, nem se as mulheres conseguem fazer o exame. Não há como afirmar se foi somente por causa da pandemia ou também por falta de equipamentos públicos que se registrou uma redução grande no diagnóstico precoce. Não há levantamento sobre se as mulheres conseguem fazer o exame nos locais onde moram ou têm de se deslocar, muitas vezes sem dinheiro, até o Centro de Saúde da Mulher, localizado na 514 Sul”, observa.

Ana Paula Soares Fernandes, psicóloga da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Brasília, diz que a rede tem observado e acompanhado o aumento no número de casos de câncer a cada ano. “A Rede Feminina é uma instituição sem fins lucrativos que assiste pacientes em tratamento de câncer no Hospital de Base do DF de forma gratuita, com ajuda material e emocional. A cada ano, mais e mais pacientes procuram a instituição para serem cadastrados nos programas. É aí que a rede descobre o aumento da doença. Atualmente, por exemplo, há mais de 500 famílias cadastradas no programa de cesta básica porque, além de passar pelo sofrimento do tratamento de câncer, muitas mulheres ainda passam por dificuldades sociais e financeiras nesse processo”, alerta.

O diagnóstico do câncer de mama pode ser feito pela mamografia, exame de imagem que deve ocorrer a cada 2 anos pelas mulheres com idade entre 50 a 59 anos ou que tenham sintomas da doença, independentemente da faixa etária. Apesar de ser raro entre os homens, o câncer de mama também requer a atenção do público masculino. Segundo o Inca, 1% dos casos, no Brasil, ocorre em homens.

Os sintomas mais comuns são o aparecimento de nódulo, geralmente indolor, duro e irregular, mas há tumores de consistência branda, globosos e bem definidos. Outros sinais são: edema (inchaço) cutâneo (na pele), semelhante à casca de laranja; retração cutânea (pele); dor na mama ou no mamilo, vermelhidão (eritema) na pele; inversão do mamilo; descamação ou ulceração do mamilo; secreção sanguinolenta ou serosa pelos mamilos, especialmente quando é unilateral e espontânea, inchaço em toda a parte de uma mama (mesmo que não se sinta um nódulo), nódulo único endurecido, irritação ou abaulamento de uma parte da mama.

Confira matéria anterior:

Outubro Rosa: do combate ao câncer ao desmonte da ciência brasileira

Confira como fazer o autoexame:

Dia Nacional da Alimentação na Escola

O Dia Nacional da Alimentação na Escola é comemorado em 21 de outubro, mas, infelizmente, há muito pouco o que se comemorar. A data foi criada para destacar a importância de uma alimentação saudável no desempenho escolar dos estudantes. Entretanto, os governos não têm transformado esse discurso em prática.

No Distrito Federal, conforme apontou o boletim Bom Conselho, do Sinpro, dezenas de cozinhas e refeitórios de escolas estão esperando para receber as obras ou reformas de que necessitam. O CAE – Conselho de Alimentação Escolar – tem monitorado os casos, e já alertava em 2019 que havia 142 escolas com graves problemas nas suas cozinhas e refeitórios. Em tempos de pandemia da Covid-19, e em meio ao retorno presencial às aulas, o conselho apresentou um diagnóstico de que 75% das unidades de educação pública não têm refeitório adequado e 60% possuem falhas nas cozinhas, de lâmpadas quebradas a rachaduras.

Ao longo da pandemia, não foi nada fácil garantir o direito dos estudantes e suas famílias à alimentação escolar, conforme determinava a lei 13.987/20. Desde a suspensão da distribuição de cestas verdes até a má qualidade da prestação do serviço, o CAE acompanhou e denunciou as situações de descumprimento da lei. Desde o retorno presencial, são flagrantes as situações de falta de itens que deveriam ser oferecidos, e muitas escolas têm sido obrigadas a adaptar o cardápio para trabalhar somente com os itens de que dispõem.

“Falta qualidade por falta de gestão do governo”, aponta Samuel Fernandes, diretor do Sinpro e integrante do CAE. “Muitos gestores das escolas vêm se desdobrando para melhorar o lanche dos alunos pois, infelizmente, nem temperos são entregues”. Segundo Samuel, muitos gestores acabam pagando do próprio bolso itens como sal, óleo, açúcar, temperos. “E isso jamais deveria acontecer, pois há verbas destinadas para isso!”, destaca.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) foi criado em 1995 para oferecer alimentação escolar e ações de educação alimentar e nutricional a estudantes da educação básica das redes públicas. O Governo Federal deve repassar recursos destinados a esse fim para estados, municípios, DF e escolas federais; e a aplicação desses recursos deve ser fiscalizada diretamente pela sociedade, por meio dos conselhos de alimentação escolar, e também pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), pelo Tribunal de Contas da União (TCU), pela Controladoria Geral da União (CGU) e pelo Ministério Público.

Mais uma semana de luta contra a PEC 32 se inicia!

O governo genocida e destruidor de direitos de Jair Bolsonaro continua buscando os votos necessários para aprovar a PEC 21 (reforma administrativa) na Câmara dos Deputados. Por isso, nós precisamos intensificar nossa mobilização presencial e nas redes para pressionar os parlamentares!

Se aprovada, a PEC 32 representará a destruição do serviço público, inclusive em áreas como Educação, Saúde e Assistência Social, que têm caráter essencialmente público, mas tenderão a serem comercializadas como serviços privados. O incentivo às terceirizações significará o fim dos concursos públicos e a fragilização das carreiras, o que trará prejuízos à luta por reajustes, por ampliação de direitos e até à garantia do pagamento das aposentadorias.

Por tudo isso, é fundamental que os profissionais de Educação estejam atentos e atentas para impedir que Bolsonaro tenha essa vitória de nos impor tantos retrocessos de uma só vez!

Confira a agenda da semana e some-se às atividades!

Segunda-feira, 18

19h – Twittaço #LiraEngavetaPEC32

Terça-feira, 19

7h – Aeroporto
Recepção dos parlamentares

14h – Anexo II da Câmara
Vigília permanente

Quarta-feira, 20

9h – Espaço do Servidor
Concentração

14h – Anexo II da Câmara
Vigília permanente

Quinta-feira, 21

14h – Anexo II da Câmara
Vigília permanente

A atuação contra a reforma administrativa vem sendo feita nas ruas e nas redes sociais. Composta por servidores(as) públicos(as) dos diversos setores, trabalhadores(as) de estatais e da iniciativa privada e movimentos sindicais, a luta consiste na atuação direta na Câmara dos Deputados, onde tramita a PEC 32, e também nas redes sociais das entidades sindicais que representam os(as) servidores(as) do funcionalismo público.

Precisamos, especialmente, intensificar a pressão sobre os(as) quatro deputados(as) que ainda não apresentaram seus votos: Laerte Bessa; Bia Kicis; Julio Cesar e Paula Belmonte. Acesse Educação Faz Pressão e pressione!

Acesse as redes sociais dos/as parlamentares:

Bia Kicis (PSL): @biakicis / @Biakicis / 6199970-0961
Laerte Bessa (PL): @laertebessa / @laerte.bessa.9 / @laerte_bessa / 6199220-9449
Paula Belmonte (CIDA): @paulabelmonteoficial / 6199924-1328
Julio Cesar (PRB): @juliocesarribeiro / @JulioCesarRib / 6199821-2690

Professor lança seu primeiro livro de poesia em Planaltina

O professor Geraldo Ramiere lança, neste sábado (23/10), seu primeiro livro: Desencantares para o esquecimento.

Ramiere, coordenador da Biblioteca Escolar-Comunitária Monteiro Lobato da CRE Planaltina, também é poeta e contista de Planaltina-DF, além de professor de História concursado da SEEDF. Escreve desde adolescente, com diversas obras publicadas em antologias/periódicos e escreve no blog literário Céus Subterrâneos, também no Facebook, com o mesmo título.

Como produtor/militante cultural realizou e participou de produções artísticas e movimentos em prol da cultura local. Já integrou vários grupos/coletivos culturais, sendo atualmente membro da Academia Planaltinense de Letras, Artes e Ciências (APLAC), da Associação Cultural Tribo das Artes e benemérito da Academia Inclusiva de Autores Brasilienses. Acredita numa literatura que liberta. 

O evento ocorre às 17h no Complexo Cultural de Planaltina-DF (Av. Uberdan Cardoso, ao lado Adm. Regional). O professor lembra que é obrigatório o uso de máscaras e será respeitado o distanciamento social.

O livro pode ser adquirido no site da editora Viseu ou diretamente com o autor (para quem reside no DF e Entorno).

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