Sinpro-DF convida para live de estreia Diálogos ADUnB sobre o PL 5595
Jornalista: Maria Carla
O Sinpro-DF convida a categoria para a live sobre o PL 5595, nesta segunda-feira (2/8), às 18h30, na TV Comunitária, com a participação de Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF e da CNTE live de estreia do programa Diálogos ADUnB.
Toda semana, dirigentes da ADUnB receberão lideranças (políticas, populares e sindicais) e especialistas de diversas áreas acadêmicas para debater temas relevantes à categoria docente, servidores/as públicos/as e à população.
Na estreia, Eliene Novaes, diretora da ADUnB, recebe a professora Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF e da CNTE, para discutir o PL 5595, que prevê o retorno às aulas presenciais mesmo sem todos os protocolos de segurança sanitária contra a pandemia do coronavírus e sem a devida vacinação da comunidade da Educação.
Transmissão ao vivo pelo Canal 12 (NET), pela fanpage Facebook/ ADUnB e pelas redes sociais do Sinpro-DF no Instagram, Facebook, YouTube.
SERVIÇO
ATIVIDADE: Live sobre o PL 5595 (retorno às aulas presenciais nas escolas públicas)
DATA: 2/8
HORA: 19h
ONDE: TV Comunitária canal 12 da NET/YouTube, redes sociais do Sinpro-DF (Instagram, Facebook e Youtube) e fanpage Facebook da ADUnB no link: https://www.facebook.com/adunboficial
Com 30 anos de atraso, Universidade do Distrito Federal sai do papel
Jornalista: Maria Carla
Depois de três décadas de luta, o Distrito Federal cria sua primeira universidade pública distrital. Em uma cerimônia no Palácio do Buriti, na manhã desta quarta-feira (28), o Governo do Distrito Federal (GDF) e a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) instituíram a Universidade do Distrito Federal (UnDF) Jorge Amaury, após sanção do Projeto de Lei Complementar 34, de 2020.
A iniciativa de materializar esse projeto foi da atual presidente da Comissão de Educação, Saúde e Cultura da CLDF, deputada Arlete Sampaio (PT). Ela contou, durante seu discurso na cerimônia, que, ao ser eleita presidente da comissão, analisou os projetos em pauta e considerou que o da criação da UnDF seria fundamental. “A partir daí assumimos a responsabilidade de convocar audiências públicas para debatê-lo para que o texto enviado pelo governo pudesse ser aprimorado a partir das informações que recolhemos das várias contribuições de diversos especialistas”.
A UnDF estava prevista na Lei Orgânica do DF, de 1992, e no Plano Distrital de Educação (PDE) (Lei nº 5.499/2015). A cerimônia contou com a participação de Simone Pereira Costa Benck, atual presidente da Fundação Universidade Aberta do Distrito Federal (Funab); da secretária de Educação, Hélvia Paranaguá; da deputada e presidente Comissão de Educação, Saúde e Cultura, Arlete Sampaio (PT); deputado Cláudio Abrantes (PDT); e do governador Ibaneis Rocha (MDB).
Arlete destacou uma inovação na construção do texto do substitutivo sancionado. “Ele foi construído a várias mãos. Fechamos o texto com a participação do representante da Secretaria Parlamentar. Ou seja, não queríamos um projeto que se contrapusesse ao governo, e sim que pudesse assimilar todas as normas constitucionais e infraconstitucionais do País, garantindo um projeto sustentável”, afirmou.
O governador declarou que já destinou R$ 200 milhões do Orçamento do DF para a implantação da instituição, os quais serão distribuídos ao longo dos próximos 4 anos, e que o edital do concurso público para preenchimento dos mais de três mil cargos da nova universidade será publicado em agosto. Além disso, a Terracap doou um prédio situado no CA 2, do Lago Norte, para ser a sede da nova instituição. Ibaneis também afirmou que a professora Simone Benck será a reitora provisória neste primeiro momento.
O DF e o direito à própria universidade
A diretoria colegiada do Sinpro-DF destaca que a previsão da UnDF está na Meta 12 do PDE, portanto, não dá para desconsiderar o papel dos movimentos sociais e o histórico dos segmentos e instituições envolvidas na construção da educação superior distrital e fundamentalmente, na conquista dessa universidade.
O Sinpro-DF destaca que a universidade é fruto da consulta pública à sociedade civil organizada, ou seja, dos movimentos sindical, popular, estudantil, sociais e entidades de pesquisas educacionais, por meio de dezenas de conferências, que culminou numa Conferência Distrital de Educação, realizada em 2014, que respeitou o histórico e a identidade da educação superior distrital desenvolvido em nossa unidade da Federação há mais de 20 anos.
Erasto Fortes, professor aposentado da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (FE/UnB), ressalta que a importância da UnDF é no sentido da expansão do direito à educação. “Ninguém que defenda a educação pode ser contrário à expansão de direitos, como esse que se verifica agora na criação da universidade pública do DF”.
Ele afirma que é bom que se entenda que essa não foi uma iniciativa do governador. “Ele mandou um projeto de lei complementar à CLDF, mas essa é uma obrigação que está prevista na Lei Orgânica do DF. No seu artigo 240, há, explicitamente, o desejo dos constituintes, de 1992, de que fosse criada uma universidade. Infelizmente, apenas 30 anos depois da Lei Orgânica promulgada esse projeto foi encaminhado à CLDF. Mas há inúmeras iniciativas anteriores de criação de cursos e de Educação Superior em curso no DF”.
Para Fortes, o GDF deve se precaver para assegurar como que essa universidade será sustentada financeiramente. “Destaco também, como elemento importante, mudanças que a CLDF promoveu no projeto original, encaminhado ao Executivo. O projeto não era muito bom. Tinha alguns defeitos, como, por exemplo, a escolha de reitor ou reitora, era no sentido de se adotar uma lista tríplice, considerando o princípio constitucional da gestão democrática. A CLDF fez uma emenda muito importante de maneira que o reitor ou reitora a ser escolhido(a) será pelo voto uninominal, significa que o eleito deverá ser, necessariamente, empossado pelo governador do DF”.
Sinpro-DF pede explicação sobre impedimento para 2º dose e SEE-DF responde
Jornalista: Maria Carla
O Sinpro-DF informa que entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) e explica que os(as) professores(as) que completaram 60 dias da primeira dose da vacina Oxford/AstraZeneca e que tomaram o imunizante entre os dias 18, 19 e 20 de maio já podem tomar a segunda dose do imunizante.
O Sinpro-DF buscou o secretário Executivo da SEE-DF, Denilson Bento da Costa, para explicar as denúncias de que professores(as) aptos(as) para a segunda dose da AstraZeneca, conforme as regras divulgadas pela SEE-DF, na segunda-feira (26), foram impedidos de tomar o imunizante na manhã desta terça (27) nos postos de vacinação.
Costa, por sua vez, ao atender à solicitação do Sinpro-DF, esclareceu que a secretaria já tomou as providências para evitar esse tipo de impedimento nos postos de saúde. Ele disse que conversou com o médico responsável pelo Comitê de Vacinação para que seja passada uma circular em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Regionais de Saúde a fim de deixar os(as) profissionais de saúde avisados(as) dessa antecipação.
“Todos os professores estão autorizados a vacinar ao completarem 60 dias”, afirma Bento. Ele avisa que quem não tem ainda os 60 dias completos não será vacinado. E informa que a antecipação será constante: “Isso é uma constante. Não vai ser só um dia. A partir de 60 dias da primeira dose, o professor pode ir a qualquer momento tomar a segunda dose. Mas é bom que fique claro: ele só pode ir depois que completar 60 dias do dia que tomou a primeira dose da AstraZeneca”, explica.
Caso o(a) professor(a) apto(a) para a antecipação seja impedido(a) de tomar a segunda dose da AstraZeneca, o Sinpro-DF orienta a anotar o nome e número do posto de saúde e entrar em contato com o sindicato a fim de que a entidade acione a SEE-DF e sejam tomadas as providências.
Costa destaca ainda que é importante levar o cartão de vacinação com o registro da primeira dose. “E tem de ser com 60 dias. Não adianta o professor chegar lá com um dia antes de completar os 60 dias porque não irá vacinar”, insiste.
Quanto à segunda dose de outro imunizante e demais casos, o Sinpro-DF continua cobrando um posicionamento da SEE-DF e avisará à categoria à medida que for recebendo os esclarecimentos da secretaria.
Professor lança pesquisa para impulsionar jogos eletrônicos nas escolas públicas
Jornalista: Vanessa Galassi
David Leonardo Teixeira é apaixonado por jogos eletrônicos. Há pelo menos meia década desenvolvendo projetos da modalidade para estudantes das escolas públicas do DF, o professor de Educação Física lançou pesquisa que tem como objetivo ampliar a possibilidade da participação de crianças e adolescentes no universo dos gamers.
A pesquisa elaborada por David Teixeira, coordenador da pauta de games e esportes eletrônicos na Secretaria de Educação do DF, tem como público alvo estudantes do ensino fundamental (anos finais) e do ensino médio. A pesquisa é realizada de forma on-line e pode ser acessada pelo link https://bit.ly/3Bl3x2O. A expectativa é de que o resultado final seja apresentado no fim de agosto.
“Queremos identificar os interesses dos estudantes não só para criar projetos voltados aos seus desejos, mas também para incentivá-los a se desenvolver nesse campo. Além disso, a pesquisa também pretende trazer mais embasamento para dar andamento aos jogos eletrônicos nas escolas, para a realização dos Jogos Escolares Eletrônicos e de outros projetos da Secretaria de Educação voltados para essa temática”, afirma o professor David Leonardo Teixeira.
Ele lembra que os jogos eletrônicos estão inseridos no Currículo em Movimento, documento que, alinhado às Leis educacionais, orienta a direção curricular para as modalidades de ensino. “O intuito das atividades dos jogos e esportes eletrônicos não só visam à melhora do rendimento da coordenação motora fina, da coordenação visiomotora, que são uma valência física, mas também prima por resguardar as articulações dos estudantes, trazendo treinos, alertando sobre o perigo do esforço repetitivo proveniente dos movimentos de punho e ombro, ou então de uma má postura e do mau posicionamento dos esportes eletrônicos com celulares. Além disso, o intuito é de também possibilitar que esses estudantes tenham chance de se desenvolver não só como humano, a partir de valores do esporte, como o ‘fair play’ e a coletividade, mas também do pensamento lógico matemático, estratégico, sem falar na possibilidade da inserção dessa juventude no mercado profissional dos jogos e esportes eletrônicos”, justifica.
Formação
Embora a importância dos jogos eletrônicos esteja comprovada e a procura dos estudantes de escolas públicas pela modalidade seja grande, há carência de formação na área. Para solucionar essa barreira, o professor David Teixeira conta que está construindo, em parceria com a Eape, curso de formação para que professoras/es possam trabalhar com o conteúdo em sala de aula. “Enquanto não dispomos de amplo material para fazer esse trabalho, podemos explorar outras questões, como o cyberbullying, a segurança da informação, o anonimato”, explica.
Acesso
Outra barreira para a ampliação dos jogos eletrônicos nas escolas públicas é carência do acesso à internet e aos dispositivos necessários para executar os jogos. Para mitigar o problema, o professor David Teixeira explica que vem adotando práticas como a seleção de jogos mais populares no mundo e no Brasil, modalidades esportivas gratuitas e esportes eletrônicos de celulares.
“Pretendemos buscar recursos e também políticas públicas necessárias para democratizar os esportes eletrônicos, com a garantia de equipamentos de qualidade”, conta o coordenador pauta de games e esportes eletrônicos na Secretaria de Educação do DF. De acordo com ele, a partir do projeto Escola Vocacionada, pretende-se criar uma sala de esportes eletrônicos no Centro Integrado de Educação Física para atender estudantes das escolas públicas. “Essa seria a primeira Escola Vocacionada. Há previsão para que sejam construídas mais duas em outras regiões administrativas”, afirma.
Paralelamente à luta pela garantia de uma estrutura de qualidade para o desenvolvimento dos jogos eletrônicos nas escolas públicas, David Teixeira dá andamento ao calendário que já prevê campeonato de Wild Rift (jogo eletrônico que mistura elementos de ação, estratégia e RPG) pelo celular no próximo bimestre e, no final do ano, campeonato de Free Fire (jogo eletrônico mobile de ação-aventura). “Jogos eletrônicos não servem apenas como uma válvula de escape. Eles são uma ferramenta lúdica de interação entre estudantes, o que é essencial neste momento de pandemia”, defende o professor.
Servidores públicos protestam contra reforma administrativa no 24J
Jornalista: Vanessa Galassi
A extinção dos serviços públicos é uma das pautas prioritárias do governo Bolsonaro. Para frear mais esta medida anti-povo, no Distrito Federal, o Bloco contra a PEC 32 vai às ruas neste sábado (24). A concentração será às 14h30, no Museu Nacional, quando o povo irá às ruas pela quarta vez em três meses exigir a saída de Jair Bolsonaro presidência da República.
O Bloco contra a PEC 32 lembra que a reforma administrativa, de iniciativa do governo federal, não atinge apenas servidores públicos, mas toda a população. “O fim da estabilidade, os novos vínculos criados com a administração pública e uma série de retirada de direitos prejudica em cheio servidoras e servidores públicos, seja da ativa, aposentados ou quem pretende entrar numa carreira pública. Entretanto, é o povo que perde mais com a reforma administrativa, pois o objetivo dela é colocar nas mãos da iniciativa privada todos os serviços públicos, legalizando a omissão do Estado”, afirma a diretora do Sinpro-DF Rosilene Corrêa.
Os atos pelo Fora Bolsonaro são organizados pelas Frentes Brasil Popular e Povo sem medo, que congregam organizações como CUT, Sinpro-DF, MST e uma série de organizações da sociedade civil. Além do impeachment de Bolsonaro e a luta contra a reforma administrativa, o movimento que vem arrastando para as ruas milhões de pessoas em todo Brasil reivindica o auxílio emergencial de R$ 600, vacina já contra a covid-19 para toda a população, promoção de emprego e combate à fome, além da luta contra as privatizações das empresas estatais.
Contrareforma
A reforma administrativa, apresentada na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32, traz um conjunto de regras que representa o desmonte dos serviços públicos. Com ela, direitos como educação, saúde, alimentação, moradia, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade e à infância, assistência aos desamparados e vários outros ficam ameaçados. Isso porque a proposta indica em seu texto a execução de serviços básicos para a garantia da dignidade humana pela iniciativa privada.
No caso da educação, por exemplo, atuais professoras/es ficarão submetidas/os a novas – e amplas – regras para perda do cargo público e terão seus direitos ameaçados pela nova legislação que será aplicada às/ aos futuras/os servidoras/es. Nessa nova legislação, já está previsto o fim de direitos como licença-prêmio, aumentos retroativos, adicional por tempo de serviço, férias superiores a 30 dias/ano, incluindo recesso. Aliás, é incerto inclusive que haja futuros professores vinculados ao serviço público, já que o esforço do governo é para minguar o protagonismo do Estado.
A reforma administrativa foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, mesmo transgredindo em vários pontos a própria Constituição Federal. Atualmente, ela está na comissão especial, onde aguarda o relatório do deputado Arthur Maia (DEM-AM), que também relatou a reforma da Previdência, dando parecer favorável à proposta que impossibilitou brasileiros e brasileiras de se aposentar.
Uma das frases mais ouvidas nas manifestações pelo Fora Bolsonaro é: se o povo está nas ruas em plena pandemia, é porque o presidente é mais perigoso que o vírus. Entretanto, as organizações responsáveis pelos atos históricos reforçam a necessidade de seguir protocolos de segurança sanitária para conter a disseminação da covid-19. Veja abaixo as orientações
– Use máscara. A Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares (RNMMP) recomenda o uso da máscara PFF2/N95, bem ajustada no rosto, cobrindo nariz e boca, sem vazamentos. Uma alternativa, para quem não tem máscara desse modelo, é usar uma máscara cirúrgica simples, coberta por uma máscara de pano;
– Leve álcool em gel;
– Leve água (o tempo está seco. Hidrate-se!);
– Evite levar bolsas ou mochilas;
– Se não se sentir seguro em participar da atividade, não tem problema. A mobilização pelo #ForaBolsonaro acontecerá também nas redes sociais. Pegue seu celular e junte-se ao movimento virtual;
– E, principalmente, se estiver com sintomas, fique em casa.
Estudo que identifica 130 mil órfãos da Covid-19 no Brasil alerta para os desafios da Educação
Jornalista: Maria Carla
O mundo foi surpreendido, nesta semana, com uma nova notícia alarmante relacionada à pandemia do novo coronavírus. A revista The Lancet, um periódico científico qualis do Reino Unido, divulgou, na terça-feira (20), um estudo que diz haver, só no Brasil, mais de 130 mil crianças e adolescentes órfãos porque perderam o pai, a mãe, os avós ou todos os seus cuidadores para a Covid-19.
Susan Hillis, coordenadora do estudo e pesquisadora de doenças infecciosas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, mostrou que há 1,5 milhão de órfãos da pandemia pelo mundo e que o Brasil é o segundo país mais afetado pelo problema. “Se você parar agora e contar até 12, é o tempo que basta para haver um novo órfão por Covid-19 no mundo”.
Olga Freitas, professora da rede pública de ensino do Distrito Federal, pedagoga, mestra e doutoranda em neurociência e especialista em Gestão, Educação e Democracia, afirma que “para além dessa orfandade da Covid-19 e dos mais de 550 mil mortos registrados até agora, temos, insistentemente, dito que quem faleceu era o amor de alguém: era uma mãe de alguém, um pai de alguém, um filho, uma avó etc. Isso se concretiza neste último estudo que mostra a quantidade de órfãos que a Covid-19 deixou e deixa a cada 12 minutos”.
O estudo revelou que há 2,4 órfãos para cada mil brasileiros menores de idade, o quarto maior número registrado entre 21 países participantes do estudo e que, no Brasil, tem um órfão por Covid-19 a cada 5 minutos: “Pensamos que crianças não são afetadas, mas é o oposto”, afirma Hillis. Os autores do artigo científico consideram essa tragédia de “uma pandemia oculta”.
Eles dizem que “essas crianças não identificadas são a consequência trágica esquecida dos milhões de mortos na pandemia”. Detalhamento do estudo indica que mais de 113 mil crianças e adolescentes brasileiros perderam o pai, a mãe ou ambos para a Covid-19 entre março de 2020 e abril de 2021 e que se consideradas as crianças e adolescentes que tinham como principal cuidador os avós/avôs, esse número salta para 130.363 órfãs por causa da Covid-19.
O estudo indica que o Peru tem a situação mais grave, com 10,2 órfãos para cada mil menores. Em termos absolutos, o número do Brasil só não é pior do que o do México, que registra pouco mais de 141 mil órfãos, ou 3,5 por mil. Embora o Instituto Nacional dos Direitos das Criança e do Adolescente afirme que contabilizar os órfãos brasileiros é viável por meio das certidões de óbito, não há estatística oficial no País até agora.
“As crianças que perderam pais ou responsáveis na pandemia precisam de apoio governamental urgente ou enfrentarão danos de longo prazo”, afirmou Seth Flaxman, pesquisador do Departamento de Matemática do Imperial College de Londres e de ciência da computação da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e um dos 16 autores do trabalho.
Volta às aulas presenciais, impacto da orfandade e os desafios Educação
“Infelizmente, o Brasil vive um dos piores momentos de sua história recente. É um momento regado a um negacionismo da ciência, ao fundamentalismo, a muita ignorância e a muita intencionalidade de se destruir aquilo que a sociedade e o povo brasileiro têm de mais rico que é a sua diversidade e a sua cultura. O governo federal e o do Distrito Federal deixam à míngua a sua população porque, assim, se livram de terem de prestar o papel para o qual o Estado existe que é o de assistente social, de promotor de políticas públicas para diminuir as desigualdades”, critica Olga Freitas.
Segundo ela, tanto o governo federal como o distrital se eximiram e se eximem de adotarem políticas públicas em saúde, educação, trabalho, moradia etc. Ela considera esse estudo ainda superficial sobre os impactos da política econômica dos governos Bolsonaro e Ibaneis e a de combate à pandemia. “Intencionalmente, esses governos negligenciam a parte mais pobre e mais necessitada da população. Não por acaso vimos, nos primeiros meses de pandemia, o afloramento das desigualdades sociais. Essa desigualdade social ficou mais transparente e, além de ficar mais escancarado, o abismo entre os mais pobres e mais ricos aumentou. Esse estudo é um retrato ainda muito superficial da situação que vivemos neste momento”.
Ela assegura que essa situação de orfandade por Covid-19 impacta na educação. “O impacto dessa orfandade na Educação, por exemplo, é incalculável. Se já pensávamos que demoraríamos mais de 10 anos para recuperar os estragos que a pandemia causou nos estudantes de famílias mais pobres, principalmente porque foram desassistidos, porque a pandemia foi uma janela de oportunidade para quem quer privatizar o ensino, entregando-o a grandes conglomerados privados de tecnologia, deixaram essas crianças e adolescentes à mercê, sem acesso à tecnologia, à Internet e sem condição nenhuma de acompanhar as atividades remotas, agora, com a orfandade tanto mais. Se imaginávamos que esse acesso negado à educação já vai causar um retrocesso enorme e um problema seriíssimo em termos de escolarização, educação, cultura, situações de trabalho profissional no futuro, imaginem o que essas crianças e adolescentes perderam por não terem tido o acesso a esse período”.
A professora afirma que o Brasil e o DF precisam pensar e criar estratégias para recuperar essas crianças e adolescentes. “E não será fácil!”, avisa. O país tem de buscar também a recuperação da frequência e da participação nas escolas porque a evasão aumentou de forma gritante. “Se tínhamos de pensar estratégias para lidar com essas defasagens e problemas que surgiram, imagine o que precisaremos lidar com as crianças e adolescentes que podem ser um número muito coincidente entre crianças e adolescentes sem acesso à tecnologia, na situação de pobreza, em situação de fome. A interseccionalidade não para por aí porque também boa parte dessas crianças e adolescentes pode ser as que perderam suas mães e seus pais para a Covid-19”, alerta.
“Precisamos pensar em estratégias de ensino e aprendizagem, de escolarização que seja qualitativa, garanta e defenda a vida. Não pode ser a qualquer custo que a gente tenha de voltar às escolas”, diz Olga
Olga entende que o impacto dessa orfandade na sociedade brasileira é muito grande, maior do que o que o estudo inglês informa. “Não conseguimos calcular as dimensões desse problema, até porque não falamos que é só um problema afetivo pela perda do pai e da mãe. É também porque os vínculos afetivos constroem aprendizagens, nos constituem sujeitos de nós mesmos, nos constituem indivíduos autônomos e nos preparam para o enfrentamento da vida. Mas para além dos vínculos afetivos, o que vamos ter de crianças e adolescentes marginalizadas, sem ter quem os assumam, os orientem, os norteiem, os acolham, os ensinem os valores que estão para além da escola. O impacto dessa mortandade, totalmente evitável, essas 130 mil crianças e adolescentes até o momento órfãs, é bom que a gente lembre que a pandemia não acabou e que está num estágio muito avançado no País, que ainda nem sequer sabe lidar com as novas cepas que estão chegando, até este momento, é um número invisibilizado, mas que terá profundas consequências na sociedade brasileira”.
A professora diz que é preciso a sociedade inteira se posicionar, reivindicar e cobrar dos governos Bolsonaro e Ibaneis que não se pode, de maneira alguma, tomar medidas exacerbadas para o retorno às aulas presenciais de qualquer forma. “Precisamos prensar nos impactos, nas perdas, nas sequelas físicas, emocionais e sociais que a Covid-19 está deixando e precisamos pensar políticas públicas para assistir e minimizar os estragos que já são feitos até aqui. Precisamos pensar estratégias de ensino e aprendizagem, de escolarização que seja qualitativa, que efetivamente garanta e defenda a vida. Não pode ser a qualquer custo que a gente tenha de voltar às escolas”.
Segundo ela, a perda das crianças e adolescentes de não estarem na escola é grande, mas ela será muito maior na medida em que retomarem as atividades presenciais de qualquer forma. É preciso considerar e desenvolver estratégias de acolhimento, inclusive emocional, psicológico, que se preocupe com a defasagem de aprendizagem. Enfim, é preciso política pública para garantir que essas crianças e adolescentes estejam seguras, acolhidas, alimentadas, com seus direitos garantidos. A gente precisa lembrar que educação é um direito, mas o direito não é só ao acesso. O direito é ao acesso, à permanência com aprendizagem com êxito.
“Estamos felizes, enquanto professoras e professores, porque estamos sendo vacinados. Fico feliz porque a maioria da nossa categoria entenda que a vacina é um dos mais eficazes remédios para o combate ao vírus, associada, é claro, às medidas de distanciamento social e de higiene, mas isso só não basta para que retornemos às aulas. Precisamos pensar estratégias que atuem nas dimensões biopsicossocial. Não somos sujeitos só cognitivos, apenas físicos, nem apenas sociais. Somos sujeitos em que essas três potências interagem e se uma dessas dimensões não está bem trabalhada, o todo não estará bem. Precisamos antes ter um planejamento severo. Não é só dizer que a escola vai ter distanciamento social. Não basta ter álcool em gel na escola. O que não se discute e não se debate de forma alguma, e isso é intencionalmente, é o que ativa os afetos, é o que acolhe, é o que trata, dialoga, debate aquilo que alimenta os sujeitos sendo visto numa perspectiva biopsicossocial”, finaliza.
“Lei argentina que reconhece cuidado materno como trabalho para aposentadoria é vitória das mulheres”, diz o Sinpro
Jornalista: Maria Carla
Nesta semana, o governo Alberto Fernández (Partido Justicialista) reconheceu o cuidado materno como trabalho e garantiu a aposentadoria de 155 mil mulheres. A Administração Nacional de Seguridade Social (Anses) da Argentina, órgão responsável por assegurar políticas públicas que beneficiem a população, apresentou, oficialmente, o Programa Integral de Reconhecimento de Tempo de Serviço por Tarefas Assistenciais que permitirá a aposentadoria de 155 mil mulheres que saíram do mercado de trabalho para se dedicarem ao cuidado dos filhos.
Segundo o jornal La Nación, estão enquadradas no programa mulheres com 60 anos de idade ou mais que não completaram os 30 anos de contribuição (atuação) no mercado de trabalho necessários para se aposentar. Na avaliação da diretoria colegiada do Sinpro-DF, esse é mais um avanço nas políticas em favor das mulheres e da população.
Vilmara Pereira do Carmo, coordenadora da Secretaria de Mulheres do Sinpro-DF, considera essa uma das mais importantes conquistas da população argentina. “Eu falo ‘população’ porque todas as vezes que as mulheres conquistam direitos assegurados toda a sociedade ganha, ainda mais quando essas mulheres são mães. É mais uma conquista no rol de direitos dos(as) argentinos(as) que as mulheres estão alcançando”.
Ela lembra que, no fim de 2020, as argentinas conquistaram o direito de pela decisão de interromper ou não a gravidez. “E agora, esse reconhecimento da aposentadoria mais do que legítimo para mães e que é uma luta do movimento de mulheres, que o trabalho da mulher seja reconhecido como um trabalho que, de fato, demanda tempo, conhecimento, aperfeiçoamento e, como tudo numa sociedade capitalista, também precisa ser remunerado porque a gente vive do nosso trabalho. Esse reconhecimento é uma reivindicação por movimento de mulheres em todo o mundo”.
A diretora afirma que essa atitude do governo argentino demonstra a preocupação com a vida. “Quando se vê um governo criar todo um aparato, observamos que esse governo está realmente preocupado com a vida. Quando existe o direito ao aborto e, ao ser mãe, a garantia da aposentadoria, como aquele projeto de lei que permite auxílio financeiro às mulheres grávidas e desempregadas, se vê que o governo reconhecendo o direito da mulher escolher como ela irá conduzir a própria vida e a de seus filhos. A partir dessa escolha o Estado lhe assegura o suporte seja lá qual for a escolha. Isso é respeito à vida”, diz
Vilmara critica o governo Bolsonaro que mantém um discurso falso moralista que impede a brasileira de ter o direito de escolher se quer ou não ser mãe e que, quando é obrigada a escolher a maternidade, não conta com o apoio do Estado. “O Bolsa Família, por exemplo, é um valor insignificante que não cobre nem a metade de uma cesta básica. Mães de quatro, cinco crianças ganhando um bolsa família de R$ 350. O que significa isso para sustentar a família. De fato a política de nosso país é capenga e a gente agora tem nosso vizinho para dar o exemplo dessa totalidade da política necessária”, argumenta.
Mônica Caldeira, também diretora da Secretaria de Mulheres do Sinpro-DF lembra que enquanto o Brasil fica para trás, a Argentina avança na proteção às mulheres. “Uma vez me perguntaram o quê que tem o presidente ser machista. Aí, eu olho para a Argentina e penso no marco civilizatório que está ocorrendo naquele país no que se refere às políticas para setores socialmente fragilizados. Desde a ratificação do Convenção 190 da OIT que a Argentina avança na proteção às mulheres nas políticas públicas, Reconhecer que o trabalho doméstico é injustamente considerado gratuito e de única e responsabilidade da mulher é decorrência de uma sociedade que reconhece que o machismo fragiliza as mulheres.
A nova lei da Argentina
Outra avaliação do Sinpro-DF é mais técnica. Segundo análise de Cláudio Antunes, diretor na Secretaria de Raça e Sexualidade, embora o formato argentino seja muito interessante, não resolve todos os problemas para que uma mulher possa se aposentar. A regra previdenciária, na Argentina, diz que a mulher se aposenta aos 60 anos de idade, tento contribuído 30 anos.
“Apesar de não termos o detalhamento da lei ainda, a ação do governo argentino mostra a força e a importância de assegurar a democracia num país. O que o governo argentino fez foi uma lei que reconhece situações em que esse ano de ausência no mercado de trabalhado sejam consideradas para efeito de aposentadoria”, analisa Antunes.
Segundo ele, “muitas mulheres ficam fora do mercado de trabalho após o parto, em média de 1 ano, o que dificulta ainda mais a obtenção dos 30 anos de contribuição para que, na idade de 60 anos, possam se aposentar. A nova lei da Argentina determina que, para cada filho nascido, seja aportado como 1 ano de efetivo trabalho. Se for um filho adotado, e pelo visto é uma política também para estimular a adoção, pode aportar 2 anos por criança. E se a criança for especial, a pessoa irá contabilizar 3 anos para efeito de contagem de tempo para a aposentadoria”, explica o diretor.
No Brasil, antes da Constituição Federal de 1988, a mulher parturiente tinha o direito a 90 dias de licença maternidade. Com a Constituição, esse período passou a ser de 120 dias. No governo Lula, passou para 180 dias para servidoras públicas, mas não obrigatório. Já para a iniciativa privada, em razão da pressão do patronato, a trabalhadora usufrui do direito a 180 somente se o empresário conceder e, se ele conceder, ganha o direito a um incentivo fiscal.
“Essas mudanças em favor da classe trabalhadora só acontecem em Estado democrático de direito e de bem-estar social. No Brasil, a cada dia deste golpe em curso que começou em 2016, sob a liderança de Michel Temer (MDB), e continua a gestão neoliberal de Bolsonaro/Centrão na Presidência da República, as trabalhadoras estão cada vez mais perdendo direitos. Em 2017, a reforma trabalhista alterou, para beneficiar o patronato, mais de 200 artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). No caminho inverso da Argentina, o governo Bolsonaro e boa parte dos parlamentares estão atrás de extinguir direitos das servidoras com a reforma administrativa”, finaliza a diretoria colegiada.
SINPRO-DF GARANTE PAGAMENTO DE 320 PROFESSORES TEMPORÁRIOS, MAS FALTA PAGAR 154
Jornalista: Maria Carla
Mais uma luta do Sinpro-DF garante vitórias para a categoria. Nesta semana, o Governo do Distrito Federal (GDF) efetuou o pagamento do salário de dezembro de 2020 a 320 professores em contratação temporária. Todavia, deixou de fora 154 professores(as). Saiba como receber no final deste texto.
O Sinpro-DF explica que, após indagar o GDF, foi informado de que os 154 professores(as) em contrato temporário não receberam o pagamento de dezembro de 2020 porque não entregaram a Declaração de Inexistência de Ação Judicial.
A Secretaria de Estado da Educação do DF (SEE-DF) informou também que o pagamento desses(as) 154 professores(as) será executado em Folha Suplementar somente quando eles e elas apresentarem o documento exigido.
Diante disso, o sindicato convoca esses(as) professores(as) em contrato temporário que ainda não receberam o pagamento de dezembro/2020 a entregarem da declaração e não ficarem no prejuízo.
Saiba como receber a seguir:
Após uma série de cobranças e lutas do Sinpro junto ao Governo do Distrito Federal, o sindicato informa que todos(os) os(as) professores(as) substitutos(as) que têm seus nomes na lista para recebimento de exercícios findos de dezembro de 2020 devem preencher a Declaração de Inexistência ou de Desistência de Ação Judicial com urgência. Clique aquie baixe o documento para preenchimento ou acesse a declaração no portal do servidor.
É importante salientar que a declaração deve ser preenchida por todos(as) os(as) temporários(as) que, em dezembro de 2020, estiverem na lista por não terem recebido salários. O documento deve ser preenchido de forma manual e encaminhado para o e-mail dipae.sugep@edu.se.df.gov.br.
Ao todo, 474 professores(as) substitutos(as) devem receber os valores retidos e o Sinpro orienta para alguns cuidados: no campo Não possuo ação judicial para fins de recebimento de qualquer valor referente ao pagamento de Despesa de Exercício Anterior – DEA, constituída no Processo, os substitutos devem preencher exatamente o número SEI (00080-00202040/2020-58) e citar a matrícula constante na relação nominal da lista. Aqueles(as) que não preencherem o documento não receberão o valor devido.
Os(as) professores(as) que tem outros processos de ações diferentes podem preencher com tranquilidade, pois não vai interferir em outras ações, caso tenham.
O sindicato reforça a necessidade dos(as) professores(as) utilizarem, impreterivelmente, o número que está no SEI (00080-00202040/2020-58). Não utilizem outro. Também é importante frisar que devem preencher o documento SOMENTE aqueles(as) que estão com o nome na lista. Os temporários que estavam aguardando a suplementar de 2020 para a correção de erros em seus pagamentos de 2020, mas que não estão com seus nomes na lista, devem procurar ajuda jurídica ou auxílio da Secretaria de Assuntos Jurídicos do Sinpro, caso seja filiado(a).
Todos(as) que aguardam o pagamento do exercício findo de 2006 devem ficar atentos, pois o sindicato vem cobrando o GDF constantemente.
Clique aqui e confira a lista com os nomes de todos os temporários.
Clique aqui e baixe a declaração para preenchimento.
Clique no link, a seguir, e confira a Relação Nominal dos(as) professores(as):
A culpa não é da pandemia. É política econômica neoliberal
Jornalista: Maria Carla
Há cinco dias, o noticiário mostrou dezenas de famílias se amontoarem em uma fila num açougue de Cuiabá para pegar ossos que estavam sendo distribuídos gratuitamente. Isso aconteceu, por incrível que pareça, na capital do agronegócio e do estado maior produtor de gado bovino do Brasil. Outra cena chocante é a que mostra, nos últimos meses, famílias inteiras buscando nas gôndolas dos mercados pacotes com farelo de arroz, alimento destinado ao consumo animal.
No mesmo dia em que a mídia liberal e alternativa mostraram as cenas de brasileiros(as) famélicos(as) atrás dos ossos de Cuiabá, em 17 de julho, o ministro da Economia, Paulo Guedes, sugeriu, como política econômica de combate à crise social e aos crescentes índices de insegurança alimentar no País, a destinação de restos de comida de restaurantes às populações pobres e vulneráveis. “Aquilo dá para alimentar pessoas fragilizadas, mendigos, pessoas desamparadas. É muito melhor que deixar estragar”, afirmou, durante participação virtual em evento promovido pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras).
O ministro da Economia, o governo Jair Bolsonaro (ex-PSL) e os intelectuais e políticos de direita gostam de dizer que a pandemia do novo coronavírus é a causa da extrema pobreza, da vulnerabilidade alimentar e da volta do Brasil ao Mapa da Fome. Usam a Covid-19 para esconder que a culpa dessa situação é da política econômica neoliberal: única responsável pela tragédia social e sanitária que o Brasil atravessa.
A fome, a pobreza, o desemprego, a desesperança e centenas de mortes por doenças e problemas resultantes da fome e da depressão que a falta de emprego e renda provocam começaram muito antes das mortes provocadas pela recusa deliberada do governo federal de combater a pandemia. Desde 2017 a Organização Não Governamental (ONG) ActionAid alerta para o fato de que a soma das desigualdades da sociedade brasileira com o crescimento do desemprego e os cortes nos programas sociais apontam para o aumento da fome.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam os alertas da ONG. É por isso que o governo Jair Bolsonaro cortou, este ano, 90% do orçamento do Censo Populacional, um dos principais instrumentos do Estado e uma das atividades realizadas pelo IBGE para identificar problemas sociais e aperfeiçoar e investir dinheiro público nas políticas que beneficiam os(as) brasileiros(as). O Orçamento federal, apresentado pelo relator-geral, senador Marcio Bittar (MDB-AC), cortou R$ 1,76 bilhão do Censo, ante previsão anterior de R$ 2 bilhões para realização da pesquisa. O Censo Populacional é revela e denuncia as mazelas dos governos de plantão.
Outros dados mostram que a culpa é da política neoliberal do governo Bolsonaro. No início da pandemia, em março do ano passado, o ex-diretor-geral da FAO (agência da ONU para a erradicação da fome e combate à pobreza), José Graziano da Silva, já estimava que, em julho de 2020, os números de insegurança alimentar grave chegariam a 6,6% da população brasileira, com cerca de 15 milhões de pessoas passando fome. Os dados e os fatos deixam explícito que quem trouxe a fome, a pobreza, o desemprego, o desalento, a falta de políticas públicas de saúde de volta ao Brasil foi economia neoliberal, reimplantada à força pelo golpe de Estado de 2016 e aprofundada pelas eleições fraudadas por fake news de 2018.
Uma observação de Graziano, na época, aponta para essa conclusão: “É fundamental ressaltar que a crise político-econômica, que se aprofundou a partir de 2015, gerou e vem gerando forte impacto sobre os mais pobres, pelo crescimento do desemprego, pela perda de direitos trabalhistas e pela queda nas rendas domiciliares. Paralelamente a isso, reduções orçamentárias dos programas de segurança alimentar e assistenciais vêm desativando mecanismos de proteção social não só necessários, mas essenciais, nessa difícil conjuntura”.
Os dados mostram também que o agravamento da pandemia do coronavírus é consequência dessa política econômica. A história recente do País comprova tudo isso. Em 2001, aos 7 anos do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), do PSDB, uma criança morria de fome a cada 5 minutos no Brasil. Essa denúncia foi feita pelo Jornal Nacional, em junho de 2001, por meio de uma série de reportagens intitulada “Fome no Brasil”, apresentada pelos jornalistas Marcelo Canellas e Lucio Alves. Eles revelaram essa tragédia social justamente no período denominado pelos intelectuais, banqueiros e políticos de direita de “milagre neoliberal”.
Com a volta do neoliberalismo, o Brasil voltou também ao Mapa da Fome. Há provas de que desde o dia em que Jair Bolsonaro entrou no Palácio do Planalto, a mesa dos pobres ficou cada vez mais vazia. O preço dos alimentos disparou. No acumulado de um ano até maio de 2021, produtos significativos da cesta básica, como o óleo de soja subiu 82%; o arroz, 56%; a carne, 35%; o botijão de gás, 21%, no período. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo (USP), mostram que o preço do litro do leite apresentou alta acumulada de 34% entre janeiro e junho deste ano. A situação é alarmante quando se constata que até mesmo o direito ao tradicional prato de arroz com feijão foi retirado o povo brasileiro.
A fome e o desemprego voltam mais de uma década depois de o Brasil ter conseguido reduzir a pobreza em 50%, na Era Lula. Ou seja, 4 anos após o golpe de Estado de 2016, a miséria explode no País governado por Jair Bolsonaro. A cena da fome, no entanto, não voltou em 2020, como causa da crise da pandemia do novo coronavírus, como gostam de dizer o governo federal, o próprio Jornal Nacional e demais mídias liberais. Além disso, fome, desemprego, desalento etc. são instrumentos de um projeto político em curso no País pelas mãos de quem está hoje no comando do Poder.
Neoliberalismo: ossos aos pobres; picanhas e uísques 12 anos aos militares; trilhões aos banqueiros
Enquanto em Cuiabá centenas de famílias disputam ossos, o dinheiro público é usado para alimentar banqueiros, empresários, políticos, militares, governos estrangeiros, entre outros. Em 2020, os militares encheram a geladeira com mais de 700 toneladas de picanha com o dinheiro público. Compraram 1,2 milhão de quilos de filé mignon; 438 mil quilos de salmão; 140 mil quilos de lombo de bacalhau e 9,7 mil quilos de filé do peixe.
Para regar os nababescos almoços e jantares, também com o dinheiro público, compraram 80 mil cervejas e 10 garrafas de uísque 12 anos, um dos mais caros, todas destinadas ao comando do Exército. Também adquiriram com os recursos financeiros públicos, 660 garrafas de conhaque, para o comando da Marinha. A lista de gasto do dinheiro público com comida e bebida caras para a elite não para por aí: o governo gastou, por exemplo, R$ 2,2 milhões com a compra de chicletes.
Em 2020, em plena pandemia, Bolsonaro gastou R$ 1,8 bilhão para forrar os convescotes (piquenique) do governo e das Forças Armadas. Só com refrigerantes o gasto foi de R$ 31,5 milhões; com iogurtes naturais, R$ 21,4 milhões; com leite condensado, R$ 15,6 milhões; com bacon defumado, R$ 7,1 milhões; e com vinhos, R$ 2,5 milhões. A festa não terminou: o governo Bolsonaro/Paulo Guedes também alimentou a fome de dos banqueiros e distribuiu aos bancos 11 vezes mais dinheiro do que à população pobre.
O lucro das quatro maiores instituições financeiras do Brasil cresceu 18%, em 2019, com a economia brasileira estagnada, acumulando R$ 81,5 bilhões. Bolsonaro deu R$1,2 trilhão aos bancos, mas reduziu os salários dos trabalhadores com a reforma trabalhista, em 2017, e vários projetos de leis e medidas provisórias, em 2020, a título de pandemia. Apenas uma das MP do governo federal permitiu que as empresas cortassem até 70% dos salários dos empregados.
Enquanto passava a boiada nas riquezas minerais, nos patrimônios nacionais, no Orçamento público, criando, inclusive, uma ilegalidade denominada Orçamento paralelo, e demolia a soberania do Brasil, o governo Bolsonaro agiu rápido para liberar dinheiro público aos bancos. Justamente esse setor, que mais ganha dinheiro no Brasil, recebeu, em março do ano passado, das mão do ministro Paulo Guedes, uma “ajuda” de R$ 1,2 trilhões, por meio do Banco Central, para “fazer caixa” e “dar liquidez” aos bancos.
Guedes usou a chegada da pandemia para injetar essa generosa ajuda aos bancos e, ao mesmo tempo, proibiu o uso do dinheiro público para aquilo que o Estado de bem-estar social foi criado: assegura a vida da população. Ele negou a ajuda emergencial aos trabalhadores em situação mais vulnerável, aos micros e empreendedores individuais. A esse setor da população, o ministro da Economia reduziu o reajuste do salário mínimo, limitou o auxílio emergencial em R$ 200 por mês e travou qualquer investimento do Estado no combate à pandemia.
Depois de muita luta, deputados e senadores do campo da esquerda agiram com rapidez e rejeitaram a proposta, conseguindo aprovar um auxílio emergencial que variava de R$600 a R$1.200 por família. No entanto, em dezembro de 2020, esse auxílio foi reformulado, muita gente excluída e seu valor reduzido para R# 300 reais. Hoje, julho de 2021, o salário mínimo, para quem está empregado, está R$ 1.100 e a cesta básica em R$ 1.060.
O problema é que, só nos últimos 30 dias, o Brasil incluiu 489 mil novos desempregados(as) nas suas estatísticas de desemprego. Com esse número, o País acumula 14,761 milhões de trabalhadores desocupados, segundo dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada, no dia 30 de junho deste ano, pelo IBGE. Só no trimestre de fevereiro a abril de 2021, o índice de desemprego se manteve em 14,7%, o maior desde o início da série histórica do IBGE, iniciada em 2012. Comparado ao do trimestre anterior (de novembro a janeiro), o número de pessoas sem emprego aumentou de 3,4%. Ou seja, há, hoje, no País, quase 15 milhões de pessoas que não ganham nem sequer o salário mínimo.
A culpa não é da pandemia. Brasil voltou ao Mapa da Fome em 2017
Como dizia a marchinha de carnaval sucesso em 1955: “recordar é viver”. O Brasil voltou ao Mapa da Fome da Organização Mundial de Saúde (ONU) em 2017, apesar de um relatório da ONU dizer que isso ocorreu em 2018. A culpa é da política econômica adotada com o golpe de 2016 e aprofundada com a eleição, em 2018, pelo mesmo grupo de políticos e empresários que deram o golpe no Brasil 2 anos antes.
Um relatório da ONU sobre segurança alimentar, divulgado em julho de 2019, quase 6 meses antes de ocorrer o primeiro caso de Covid-19 na China, já mostrava que o avanço neoliberal trouxe a fome de volta ao Brasil e à América Latina e Caribe. O documento mostrou que a fome associada à subnutrição atingiu 42,5 milhões de pessoas na região, em 2018, e que isso era resultado da paralisação de investimentos em políticas sociais.
Na época, o diretor adjunto de Economia do Desenvolvimento Agrícola da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Marco Sánchez Cantillo, declarou que, na América do Sul, a desnutrição saltou de 4,6%, em 2013, para 5,5%, em 2017, um ano após o golpe de Estado liderado por Michel Temer (MDB), mantendo o índice em 2018.
“Durante os primeiros 15 anos deste século, a América Latina e o Caribe cortaram a subnutrição pela metade. Mas, desde 2014, a fome vem aumentando”, disse o Representante Regional da FAO, Julio Berdegué. A coincidência é que, em 2014, o grupo que aplicou o golpe de 2016 e fraudou, com fake news, a eleição de 2018, começou a desestabilizar o governo Dilma Rousseff (PT) para aplicar o golpe contra o Brasil em 2016.
Em 2018, a mídia alternativa alertou para o problema. O presidente da República eleito naquele ano deveria ter continuado com as políticas de segurança alimentar e nutricional com a mesma prioridade que o governo petista as colocou na agenda federal. A fome, o desemprego, a falta de políticas do Estado e a pobreza andam juntas. Em 2018, quase 25% da população, cerca de 50 milhões de pessoas, vivia em situação de pobreza, e, aproximadamente a metade disso, 12,5% do total de brasileiros(as), viva na extrema pobreza.
Isso significa que um quarto das pessoas no País sobreviviam com R$ 387,07 mensais, quando pobres, e com R$ 133,72 por mês (valores da época), quando extremamente pobres. Outro estudo, divulgado em abril de 2021, mostrou que mais de 125,6 milhões de pessoas não se alimentaram como deveriam ou já tinham algum tipo de incerteza quanto ao acesso à alimentação no futuro durante a pandemia de coronavírus.
Intitulado “Efeitos da pandemia na alimentação e na situação da segurança alimentar no Brasil”, o estudo foi realizado entre novembro e dezembro de 2020 e divulgado na primeira quinzena de abril de 2021. Ele mostrou que mais da metade da população brasileira sofre com algum grau de insegurança alimentar e pelo menos 15% convive com a falta diária e constante de ter o que comer.
Esse levantamento foi coordenado pelo Grupo de Pesquisa Alimento para Justiça da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com a Universidade de Brasília (UnB), e revelou que 59,4% dos domicílios do Brasil apresentaram algum grau de insegurança alimentar entre os meses de agosto e dezembro de 2020. No grupo, 44% também diminuíram o consumo de carne e, 41%, o de frutas.
“É por isso e outras coisas que reafirmamos que a culpa não é da pandemia, e sim do neoliberalismo. Diante dessa tragédia social, destacamos a importância do voto nas eleições de 2022. Seu voto pode mudar tudo isso. Cada voto conta para a democracia e, votar sem consciência prejudica a Educação, a Saúde e o Brasil”, afirma a diretoria colegiada do Sinpro-DF.
Confira aqui no Folha do Professor nº 208, digital, em que o Sinpro-DF faz um levantamento das novas leis e reformas e um resgate histórico dos prejuízos que o voto em políticos neoliberais provocaram , nos últimos 5 anos, e continuam provocando na vida de cada brasileiro(a).
Mulher negra, Bruna Brelaz é a nova presidenta da UNE
Jornalista: Vanessa Galassi
Bruna Brelaz é um sintoma de transformação das amarras e contradições mesmo em um ambiente tradicionalmente progressista como a União Nacional dos Estudantes (UNE). Ao longo de oito décadas com uma maioria de presidentes homens e brancos, ela é a primeira mulher negra e do Norte do Brasil a ser escolhida para a presidência da entidade. Em 2016, Moara Saboia, também mulher negra, assumiu interinamente a presidência da organização.
Uma das principais lutas defendidas pela nova presidenta da UNE é a saída de Jair Bolsonaro da presidência do Brasil. Entretanto, Bruna Brelaz sabe que o impeachment não resolverá todos os problemas do país, uma vez que a crise gerada pelo atual governo impactará todos os setores nos próximos anos, principalmente o da educação. Ela, que teve acesso à universidade como cotista, dentro das políticas públicas de inclusão que mudaram a cara do ensino superior na última década, acredita que esse legado está sob risco.
“Gritamos Fora Bolsonaro, sobretudo, para interromper o processo violento de destruição das universidades, das escolas, do sistema educacional no país. A gente precisa reverter o corte de quase R$2 bilhões no orçamento da educação, a política desumana do teto de gastos, os ataques à autonomia universitária. Tem estudante que está passando fome, desempregado e a evasão do ensino superior é uma grande realidade”, afirma. Hoje, em seu segundo curso de graduação, estudante de uma faculdade particular em São Paulo, ela se diz apreensiva também com a situação dessa parcela de alunos e alunas universitários que não têm garantias das instituições sobre as condições de retorno das aulas, ensino à distância precário e não contam com nenhuma forma de regulamentação ou diretriz por parte do governo federal.
Para enfrentar a grave conjuntura, a presidenta da UNE acredita no protagonismo da juventude popular e periférica nas linhas de frente contra o bolsonarismo. Além da oposição nas ruas, ela destaca também a importância da articulação política com um amplo leque de forças democráticas e partidos para garantir a vitória não somente no impeachment de Jair Bolsonaro, mas em um novo pacto nacional para conter os efeitos da crise que foi plantada.
Manauara, estudante de Direito e com 26 anos, Bruna Brelaz foi eleita presidenta da UNE no Congresso Extraordinário da UNE, realizado no último dia 18, que indicou em caráter excepcional pelos próximos 12 meses a nova diretoria da entidade. Devido à pandemia e a impossibilidade de realizar um evento que chega a reunir 10 mil estudantes, a UNE indicou a nova diretoria respeitando a proporcionalidade eleita na votação do seu 57º Conune, realizado em 2019. A nova composição terá duração de um ano, podendo ser estendida.