O SINPRO-DF DESEJA AOS PROFESSORES(AS) E OREINTADORES(AS) EDUCACIONAIS UM MERECIDO DESCANSO

Foram dias intensos. No meio de tamanhas surpresas decorrente da pandemia, vieram os desafios e diferentes maneiras de se adaptar ao novo. Um ano letivo atípico com mais dúvidas do que certezas. 

 Como de costume, um ano com lutas, que desta vez, ultrapassou os muros das escolas.  Mostramos que as adversidades e mudanças necessitam de adaptações, e diante dos problemas impostos durante o ano de 2020, vimos que se reinventar é necessário. Um ano que exigiu de todos(as) a extensão entre os estudantes e sonhos. 

A jornada é longa e contínua. Hoje (29), encerramos um ciclo jamais esquecido por nós. Um ano letivo de respiros e suspiros que será marcado pelas grandes transformações que conseguimos realizar enquanto rede. 

A diretoria colegiada do Sinpro-DF, parabeniza todos os professores(as), orientadores(as) educacionais, pelo empenho diário durante o ano letivo de 2020, desejando um bom e merecido descanso a todos e todas. 

Professor(a), orientador(a) educacional, o seu trabalho sempre será fundamental para o desenvolvimento de um país melhor.

 

 

Professor Hélvio, presente!

O Caic Santa Maria está em luto. Nessa terça (26), o professor Hélvio Carneiro Gonçalves faleceu após uma parada cardíaca, aos 59 anos.

Profissional dedicado, responsável e atencioso, Hélvio sempre foi um exemplo para seus colegas de trabalho e alunos. Admitido em 2007 na Secretaria de Educação do DF, o professor de Atividades desempenhou seu trabalho por 14 anos. 

Lamentamos imensamente a perda do professor e nos solidarizamos com a família. Os ensinamentos de Hélvio Carneiro se mantêm vivos.

 

Hélvio Carneiro, presente!

APLICAÇÃO DO ENEM E A PANDEMIA DA COVID-19

A chegada da pandemia causada pelo novo coronavírus no Brasil, acendeu em todos um sinal de alerta. No ambiente educacional, a preocupação com as mudanças propostas pelo novo “normal” assusta e coloca enormes desafios a professores(as), estudantes, e comunidade escolar. 

No ano de 2020,  salas de aulas foram substituídas pelo ambiente virtual, aulas presenciais já não são mais uma realidade para o futuro. Junto com a pandemia, como se não bastasse os lamentáveis casos diários de óbitos e mortes, o desafio de migrar para o espaço digital oferece uma realidade longe para estudantes e professores (as) em todo o país. O acesso remoto e uso da tecnologia diante do caos, passou a ser uma forte variante no ensino remoto. Atividades diárias, avaliações, material extracurricular e o monitoramento dos estudantes, foi assim para milhares de profissionais da educação. 

Diante de tamanhas incertezas e com o crescimento acelerado da pandemia, o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio -ENEM, era cogitado e solicitado por estudantes, professores(as) e sociedade civil. Após incansáveis pressões feitas por movimentos sindicais, movimentos estudantis e parlamentares, em julho de 2020, o MEC anunciou o adiamento das provas para janeiro e fevereiro de 2021, definida após quatro meses depois da suspensão das aulas presenciais e fechamento das escolas em todo o Brasil devido a disseminação do coronavírus.  Previsto para ser aplicado em novembro de 2021, com a suspensão das aulas e o avanço desenfreado da pandemia, o adiamento só aconteceu após questionamentos judiciais que chegaram ao Congresso e aprovado pelo Senado Federal um projeto que adiava o ENEM 2020.

 

REALIZAÇÃO DOS EXAMES E A INSISTÊNCIA EM APLICAR A PROVA

 

No último final de semana,  milhares de pessoas  saíram de suas casas para a realização do exame que garante o ingresso ao ensino superior através da ENEM. Ao todo, cerca de 5,8 milhões de estudantes  foram inscritos para fazer as provas. Mas somente 2.680.697 candidatos fizeram a prova – 48,5% dos inscritos.

 Por conta da pandemia da Covid-19,o  Inep, órgão organizador do exame, divulgou um protocolo sobre a Covid-19 que reduziria a capacidade das salas para manter um distanciamento mínimo entre os candidatos. Mas na prática, o que muitos candidatos presenciaram, foi a falta de respeito e o não cumprimento do básico, anunciado pelo Inep. Em diversos posts nas redes sociais, é possível ver candidatos em todo o país insatisfeitos com o tratamento  dado diante de um momento caótico que o país vem enfrentando. Veículos de comunicação por todo Brasil, acompanhava em tempo real os estudantes reclamando que na prática não havia isolamento entre um candidato e outro, levando até mesmo muitos estudantes a não realizar o exame, o que é um verdadeiro absurdo. 

 De acordo com dados divulgados pelo INEP, o índice  de abstenção em todo o país foi de 51,5%, o maior de  abstenção em toda a história do Enem. O maior índice havia sido registrado em 2009, com 37,7%. Em 2019, o índice do primeiro dia ficou próximo a 23%,  de acordo com o ministro da educação, Milton Ribeiro. 

 Em cidades pelo Brasil, vários estudantes foram barrados e não conseguiram realizar o exame devido a lotação das salas de aula. Em Curitiba, por exemplo, estudantes realizaram um boletim de ocorrência. Leia aqui os depoimentos e casos por todo o Brasil. 

Analisando o cenário enfrentado pelos (as) candidatos do exame, o diretor do Sinpro-DF Raimundo Kamir, ver que a irresponsabilidade é o mínimo que pode dizer da realização da prova do Enem. “Estudantes sem aulas presenciais e com enormes dificuldades de conexão para estudar  nas aulas virtuais. Além da dificuldade em se preparar para esta edição do exame, ainda foram forçados a se submeter aos riscos de contágio da pandemia, seja na aglomeração do ambiente das provas, seja na locomoção em ônibus, trens e metrôs. A enorme abstenção demonstrou  que o Governo Federal deve ser responsabilizado pelos prejuízos causados aos estudantes e população e aos  cofres públicos”, afirma o diretor.  

Para se ter uma ideia, a abstenção de 2,84 milhões de candidatos do Enem 2020, número que representa pouco mais da metade (51,5%) dos inscritos, gera um desperdício de R$ 332,5 milhões aos cofres públicos. Isso porque o custo da prova, neste ano, foi  de R$ 117 por aluno.

Esse valor desperdiçado é quase o dobro de tudo o que foi gasto em 2020 com a Bolsa Permanência, programa de auxílio a alunos de baixa renda em universidades públicas. No ano inteiro, foram empenhados R$ 180 milhões neste subsídio.

O cálculo é o mesmo utilizado pelo Ministério da Educação nos últimos anos para divulgar o desperdício de verba causado por alunos que se inscreveram, mas não compareceram à prova. Ele pega o total gasto na prova (neste ano, R$ 682 milhões) e divide pelo número de candidatos (5,783 milhões de inscritos). Assim, o custo por aluno da prova por aluno em 2020 é de R$ 117. Esse valor vezes o número dos que não foram ao exame (2.842.332) dá o total do desperdício: R$ 332,5 milhões. 

Com informações : O Globo

 

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Live aborda impactos da pandemia na educação: caminhos e possibilidades

Um time de três professoras e um professor realizará debate virtual nesta quarta-feira (27) e pautará os impactos da pandemia na educação, apontando caminhos e possibilidades. A atividade será às 19h, com transmissão no canal do Youtube e página do Facebook do Museu da Educação do DF (Mude), que realiza a ação.

O debate conta com a participação do professor da Secretaria de Educação do DF Tiago Cortinaz; da professora do IEB/USP Diana Gonçalves Vidal; da professora da FE/UnB Kátia Curado; e da professora Maria do Pilar Lacerda. A medicação será feita pela professora Ariane Abrunhosa.

MUDE

O Museu da Educação do Distrito Federal é um espaço cultural e educativo que reconta a proposta de educação revolucionária de Anísio Teixeira, que defendia a criação de uma rede de ensino que fosse da educação infantil à universidade, e atendesse a todas e todos. Em diálogo com a educação aplicada hoje, o Museu traz exposições interativas, fotografias, filmes, vídeos, livros, mobiliário e objetos educacionais dos primórdios de Brasília, com ênfase em ações educativas, desenvolvidas por meio de cursos, oficinas, debates, pesquisas e atividades lúdicas.

O Museu Educação ainda não dispõe de sede própria. Atualmente, a equipe do Mude realiza seus trabalhos na Universidade de Brasília (UnB), Campus Darcy Ribeiro, Centro de Estudos Avançados Multidisciplinar (CEAM), prédio Multiuso 1, Bloco B, sala BT 36/6. Saiba mais sobre o Museu em http://www.museudaeducacao.com.br/

Com informações do Mude 

DF realiza carreata em defesa da vacina contra a Covid-19, sábado (23)

As Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo realizarão neste sábado (23) mais uma ação em defesa da vacinação contra a Covid-19 para toda a população. Em todo Brasil, serão realizados atos, ações nas redes sociais, carreatas e outras atividades para marcar a luta. No DF, será realizada carreata a partir das 9h, saindo do Estacionamento da Torre de TV/ Funarte.

“Mesmo com mais de 210 mil mortos, Bolsonaro segue negando a gravidade da pandemia e se colocado até contra a vacina, agindo para tirar recursos do SUS, atuando para não aprovar a Coronavac. Em meio a crise da falta de oxigênio de Manaus, não fez absolutamente nada”, afirmam as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo para o site da CUT Brasil.

Segundo o site da Central, até agora, além do Distrito Federal, estão confirmadas atividades em defesa da vacinação contra a Covid-19 em Florianópolis (SC), Belo Horizonte (MG), Goiânia (GO); João Pessoa (PB), Palmas (TO), Rio de Janeiro (RJ); São Paulo (SP); Campo Grande (MS) e Rio Branco (AC).

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Diretora do Sinpro-DF fala sobre tributação dos super-ricos para TV 247, nesta sexta (22)

O cartunista Renato Aroeira entrevista pela TV 247 a diretora do Sinpro-DF Rosilene Corrêa e o integrante do Instituto Justiça Fiscal e Auditores pela Democracia Paulo Gil nesta sexta-feira (22/01). Ela e ele são coordenadores da campanha Tributar os Super-Ricos e falarão sobre a proposta a partir das 13h. A entrevista será retransmitida no Facebook e no Youtube do Sinpro-DF.

A campanha Tributar os Super-Ricos foi lançada em outubro do ano passado e conta com a adesão de mais de 60 organizações nacionais da sociedade civil. A ação traz  propostas para enfrentar a crise econômica do Brasil de forma justa, preservando empregos e a renda da população.

Entre os pontos apresentados na campanha estão a correção das distorções do imposto de renda da pessoa física; imposto sobre grandes fortunas (acima de R$ 10 milhões); criação da Contribuição sobre Altas Rendas das Pessoas Físicas (acima de R$ 720 mil); e regras para disciplinar a concessão de benefícios fiscais e coibir a sonegação.

Segundo a Revista Forbes, o Brasil tem 42 pessoas com fortunas superiores a 1 bilhão de dólares, sendo o sétimo país do mundo com maior número de biolionários. Frente à pandemia, esses super-ricos aumentaram seu patrimônio em US$ 34 bilhões (mais de R$ 180 bilhões), segundo o relatório Poder, Lucros e Pandemia, produzido pela organização Oxfam, em setembro. Entretanto, o Brasil registra 14 milhões de desempregados e um número geométrico de trabalhadores informais e/ou trabalhando sem qualquer tipo de direitos trabalhistas, em condições subumanas.

Acesse:
Cartilha_Tributar_Super-Ricos_

Links das redes sociais da campanha:

Instagram: https://www.instagram.com/tributar.os.super.ricos/

Facebook: https://www.facebook.com/tributar.os.super.ricos

Twitter: https://twitter.com/OsTributar

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População considera Bolsonaro o maior culpado pelo atraso das vacinas, segundo Paraná Pesquisa

A pesquisa revela ainda que ampla maioria dos brasileiros se preocupa mais com a saúde do que com a situação financeira da família

 

 

Jair Bolsonaro (Sem partido) é o maior responsável pelo atraso das vacinsa contra a Covid-19. Esse é o resultado do estudo divulgado nesta quinta-feira (21) pelo Paraná Pesquisas, que revela que 35,1% dos pesquisados apontam o presidente como principal responsável pelo atraso na imunização do coronavírus.

Atrás de Bolsonaro, 29,9% culpam “os laboratórios”, 19,9% dizem que “nenhum desses”, 7,6% acreditam que “todos”, e 5,2% culpam o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

O estudo mostra inda que 78,7% da população se preocupa mais com a própria saúde e com a saúde da família neste momento da pandemia, sendo que apenas 17,2% dizem ter maior preocupação com a situação financeira – 4,1% não opinaram.

 
Reprodução: Revista Forum 

Veja como funciona o atendimento do setor jurídico do Sinpro-DF

Devido à pandemia da Covid-19, o setor jurídico do Sinpro-DF manterá o atendimento de forma remota. Os advogados atenderão as/os filiadas/os via chamada de vídeo e ligação telefônica, das 8h às 12h e das 13h15 às 18h. É necessário agendamento prévio.

Para a área trabalhista e de saúde, o atendimento com advogado em regime de plantão será feito via chamada de vídeo ou ligação telefônica, com horário marcado. O agendamento poderá ser feito pelo telefone (61) 98251-0407. Para processos já em andamento, o atendimento será por telefone, pelo número (61) 3031-4400. Para informações processuais, é possível realizar envio de mensagem pelo WhatsApp (61) 98275-2679.

O atendimento no escritório cível poderá ser agendado pelo telefone (61) 99133-5224.

Os demais setores do Sinpro-DF voltaram às atividades presenciais, de forma parcial, no dia 11 de janeiro. O retorno foi realizado de forma experimental, em horário reduzido — das 9h às 16h — e exige agendamento pelo telefone (61) 99167-2846. As subsedes continuam fechadas para atendimento presencial, bem como a Chácara do Professor.

De qualquer forma, o Sindicato alerta que o atendimento presencial deve ser procurado em casos extremamente indispensáveis. Os demais casos poderão ser resolvidos de forma virtual ou por telefone. Isso porque ainda estamos em um momento crítico, com aumento de casos de contaminação e morte pela Covid-19, e precisamos ter cuidado com a vida de todas e de todos.

O Sinpro-DF deseja que a normalidade retorne para as vidas de todas e de todos o quanto antes, com a garantia da vacinação contra a Covi-19 universalizada. Somente dessa forma poderemos realizar o atendimento pleno da categoria do Magistério Público e, principalmente, termos a tranquilidade de sairmos da nossa casa sem colocarmos a própria vida e a vida dos outros em risco.

 

Professor Ari, presente!

O movimento de luta das/os professores/as e educadoras/es educacionais se despede do professor Ari Silva Umbelino nesta quarta-feira (20/01). O velório do companheiro será às 14h, na capela 6 do Campo da Esperança.

Aposentado, Ari nunca se furtou da luta. Além de desenvolver um trabalho exemplar nas salas de aula de escolas de Sobradinho, ele sempre dedicou seu tempo para o movimento de classe, somando em greves, assembleias, plenárias e outras ações do Sinpro-DF.

Com enorme pesar damos adeus à Ari, mas fica a alegria de termos tido o privilégio de conviver e aprender com o professor. Isso é eterno. À família do companheiro, toda nossa solidariedade.

Professor Ari, presente!

Índia: falta de vacina é culpa de impasse criado por Brasil e países ricos

Na busca por se aliar aos interesses dos países ricos, de atender demandas de Donald Trump e em seu sonho de entrar na OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o governo de Jair Bolsonaro passou os últimos meses atacando a proposta feita pela Índia ainda em 2020 para que patentes (direito de propriedade) sobre vacinas fossem abolidas. Um dos resultados seria permitir que a produção dos imunizantes pudesse ocorrer em laboratórios distribuídos pelo mundo. Agora, Nova Déli diz que é justamente a falta de produção de versões genéricas da vacina contra covid-19 que impede o abastecimento global de um imunizante. Nesta terça-feira, numa reunião fechada na (Organização Mundial do Comércio) em Genebra (Suíça), o representante indiano foi explícito em constatar que o “pior dos pesadelos” se confirmou diante da incapacidade de se encontrar um acordo: não há vacinas para todos. Sabendo de sua vulnerabilidade, o Itamaraty se manteve em silêncio durante a reunião de hoje na OMC, numa posição que se contrasta com os ataques que o governo promoveu desde setembro contra a ideia dos indianos. Mas o Brasil tampouco saiu em defesa do projeto.

 

25.jan.2020 - O presidente Jair Bolsonaro e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em encontro em Nova Déli - Altaf Hussain/Reuters

 

O recuo foi interpretado como um sinal da debilidade em que se encontra o país na busca por vacinas. Elevar o tom das críticas, neste momento, poderia atrasar ainda mais o acesso aos imunizantes e enterraria o país para o final da fila na lista de pedidos que os indianos têm recebido. O silêncio em Genebra ocorreu no mesmo dia em que, no Brasil, Bolsonaro e o chanceler Ernesto Araújo recebiam o embaixador da Índia, Suresh Reddy. Nos últimos meses de 2020, o Itamaraty chegou a ser acusado por ativistas estrangeiros de estar inundando o debate na OMC de perguntas aos indianos como forma de arrastar a negociação e enfraquecer a proposta. O Brasil comprou sua vacina da Oxford/AstraZeneca. Mas o produto é fabricado na Índia. O problema é que, com um governo nacionalista, Nova Déli dificultou a exportação dos imunizantes para permitir que sua campanha de vacinação fosse iniciada. Além disso, os indianos indicaram que vão começar a exportar as doses, mas, num primeiro momento, para seus aliados na região e vizinhos, num gesto geopolítico calculado. O primeiro lote de exportações será enviado para o Butão, ainda na quarta-feira. Um dia depois, dois milhões de doses da vacina também serão enviadas para Bangladesh. Não há uma data para o fornecimento ao Brasil.

 

Sem patentes, países poderiam estar produzindo vacina, defende Índia

Enquanto isso, porém, a Índia alerta que “um grande número de instalações de fabricação em muitos países com capacidade comprovada para produzir vacinas seguras e eficazes são incapazes de utilizar essas capacidades devido a novas barreiras de propriedade intelectual”. Esta é a prova, na opinião da Índia, de que o atual sistema de patentes não é suficiente para atender a enorme demanda global de vacinas e tratamentos.

Segundo o discurso da Índia, o que os países desenvolvidos disseram sobre a suficiência de tais acordos de licenciamento para aumentar as capacidades de fabricação se provou ser insuficiente. As licenças voluntárias, mesmo quando existem, estão envoltas em segredo, os termos e condições não são transparentes e o escopo é limitado a quantidades específicas, ou para um subconjunto limitado de países, encorajando assim o nacionalismo.

Nova Déli ainda colocou dúvidas sobre a capacidade de o mecanismo da OMS (Organização Mundial da Saúde) de distribuir vacinas poder ser uma solução. Países como África do Sul, Afeganistão, Paquistão, Zimbábue, Egito, Mongólia, Chade, Indonésia, Nepal, Bangladesh, Sri Lanka, Camboja e Venezuela também falaram em apoio à proposta. A OMS também é favorável à ideia indiana de quebrar patentes.

 

Brasil abandonou sua posição tradicional

O projeto de democratizar vacinas conta com uma forte rejeição por parte dos países ricos, detentores das patentes. O Brasil, desde o começo do projeto, foi o único país em desenvolvimento a declarar abertamente que era contra a proposta, abandonando anos de liderança internacional para garantir o acesso a remédios aos países mais pobres. Há 20 anos, foi a ação internacional do Brasil que levou a OMC a estabelecer regras para permitir um maior acesso a remédios. Naquele momento, a luta era para enfrentar a aids. A liderança se transformou em um dos maiores ativos da política externa de FHC e Lula. A quebra de patentes acabou ocorrendo num caso, sob a gestão do então ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Mas foi o papel assumido pelo governo nas negociações que catapultou o país para um outro patamar no debate internacional. Para rebater os indianos, Europa, Estados Unidos e Japão insistiram que a quebra de patentes não resolveria a questão do abastecimento de matérias-primas. Eles também enfatizaram que o atual sistema contém ferramentas suficientes para resolver quaisquer problemas relacionados à propriedade intelectual e que a implementação da proposta de renúncia minaria os atuais esforços para combater a pandemia. Um dos impactos seria afastar investimentos do setor privado. Esses países observaram que embora haja financiamento público para pesquisa e desenvolvimento, a produção e distribuição das vacinas continua sendo um risco de investimento para o setor privado. 

 

Reprodução: UOL

 

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