Sindicato dos Escritores realiza concurso de literatura aberto a moradores do DF
Jornalista: Vanessa Galassi
Em homenagem aos 60 anos de Brasília, o Sindicato dos Escritores do Distrito Federal – Sindescritores, em parceria com o Instituto Fazer o Bem – IFOB, realizará o Prêmio Alan Viggiano de Literatura – Conto e Poesia. O concurso é aberto aos moradores do DF maiores de 16 anos e tem como tema Brasília: aqui vive a Esperança. Interessadas/os poderão se inscrever até 23h59 de 20 de fevereiro de 2021, exclusivamente pelo e-mail: premioalanviggiano2020@gmail. A premiação vai até o 20º lugar, sendo que os três primeiros lugares de cada categoria (conto e poesia) receberão prêmio em dinheiro. Clique no link para ver o regulamento completo http://bit.ly/3nSWRRy
O nome do Prêmio, Alan Viggiano, homenageia um grande escritor que nasceu em 1932, em Inhapim (MG). Filho de mãe costureira e pai caldeireiro, ele e o irmão Moacyr, também escritor, conheceram Ziraldo em Caratinga, e a amizade inspirou a criação de personagens da Turma do Pererê. Alan inspirou o macaco e Moacyr foi a inspiração para a criação do jabuti. Em 1963, Alan Viggiano, já bacharel em Direito, fez concurso para taquígrafo do Senado, transferindo-se para Brasília. Em 1965, publicou seu primeiro livro, Amanhece, romance. Em 1970, formou-se em Comunicação pela Universidade de Brasília. Em 1971, tornou-se assessor de imprensa da UnB. Trabalhou como jornalista em Última Hora e no Correio Braziliense. Em 1979, entrou para a Academia Brasiliense de Letras. Em 1983, tornou-se mestre em Literatura Brasileira pela UnB. Em 1984, entrou para a Academia de Letras e Artes do Planalto. É membro da Associação Nacional de Escritores, sendo quatro vezes presidente. Fundou o Sindicato dos Escritores do Distrito Federal, sendo seu primeiro presidente. Fundou a Editora André Quicé. Prêmios do autor na Academia Brasileira de Letras: “Afonso Arinos” (Contos), por “O Exilado”; “Francisco Alves” (monografia sobre o ensino fundamental no Brasil e sobre a língua portuguesa), por “Uma aventura linguística” e “Prêmio Coelho Neto” (Romance), por “Lisábria de Jesus”. Esta iniciativa também conta com o apoio institucional da Câmara do Livro do DF e do Instituto Voar Arte para Infância e Juventude.
Panelaços e carreatas por Fora Bolsonaro marcam fim de semana
Jornalista: Leticia
O negacionismo e o descaso do presidente com vidas desde o início da pandemia foram os estopins para as mobilizações na ruas e redes por “Fora Bolsonaro”. Vacina já também fez parte das palavras de ordem.
Entre a expectativa do início da vacinação contra o novo coronavírus (Covid-19) no Brasil e o aumento dos casos e mortes pela doença em todos os cantos do país, brasileiros e brasileiras de diversas regiões do país fizeram panelaços e carreatas no fim de semana, antes do anúncio da aprovação das vacinas pela Anvisa, pedindo Fora Bolsonaro.
Desde semana passada, quando o país assistiu comovido à falta de oxigênio para pacientes com covid-19 ,em Manaus (AM), onde parte morreu por falta de ar, os pedidos de impeachment para Jair Bolsonaro (ex-PSL) têm crescido nas redes sociais, entre anônimos, artistas, intelectuais e uma parte da classe política.
Nesta segunda-feira (18), o Fora Bolsonaro continua sendo assunto no Twitter. A deputada federal, Maria do Rosário (PT-RS), disse que mesmo com o início da vacinação, o Brasil ainda tem muitos problemas para enfrentar. “O primeiro deles se chama Bolsonaro, que é gênese da grande crise que estamos: política, econômica e social. A vacina para esta grande crise é o impeachment deste genocida. #ForaBolsonaro”, afirma.
O ex-presidente do STF, Ayres Britto também defendeu impeachment de Bolsonaro pela mídia e disse que só tirando o governante central do poder é que se conseguirá manter a ordem constitucional no país.
Veja abaixo como foram os protestos que tiveram início na noite de sexta-feira (16) com panelaços em todo o país. O negacionismo da doença e o descaso de Jair Bolsonaro com as vidas de milhões de brasileiros desde o começo da pandemia foram os estopins para as mobilizações que aconteceram nas ruas e nas redes, durante todo o fim de semana.
Veja como foram os protestos pelos país
Sexta e sábado
No bairro das Perdizes, capital de São Paulo , o panelaço começou na sexta antes do horário marcado, às 20h30. Os moradores chamaram o presidente de genocida e além do Fora Bolsonaro, a população do bairro pediu #vacinajá.
Em Porto Alegre (RS), o barulho das panelas ecoou pelas ruas da cidade. Em Goiânia (GO), o grito de Fora Bolsonaro foi maior do que os barulhos das panelas em diversos condomínios. Em Juiz de Fora (MG), Fortaleza (CE), Botafogo (RJ), João Pessoa (PB), Caiçaras (MG) e Rio de Janeiro (RJ) e dezenas de outras cidades país afora, o barulho das panelas e o grito Fora Bolsonaro também foram ouvidos.
No sábado (16) também teve panelaços em diversas cidades brasileiras.
Domingo
No domingo (17) o dia foi de carretas em defesa do impeachment de Bolsonaro. Nos vídeos publicados nas redes sociais, a população grita “Fora, Bolsonaro”.
Nos altos da Avenida Afonso Pena em Campo Grande, capital do estado, participantes de uma carreata pediam para derrubar o projeto genocida do presidente, que tem ceifado a vida de milhares de brasileiros.
O Presidente da CUT-MS, Vilson Gregório comentou sobre a importância desta ação, “é o governo da morte, da desigualdade social, que a todo momento faz falas contra as vacinas. Nós queremos vacinas para todos e todas, é a hora de nos organizar e pedir o fora Bolsonaro”.
“Ele está protelando a vacinação da população, o Brasil está sem comando. Estamos aqui para mostrar a nossa indignação pelos milhares de mortos. Não queremos mais esse governo para o Brasil”, disse Vilson Gimenes, Presidente da CUT-MS à imprensa local.
Palavras de ordem que também ecoaram pelas ruas do centro de Campo Grande: “Fora Bolsonaro”, “Governo Genocida”, “Em defesa da vida e do emprego”, “Impeachment Já” “Fora Lixo” , marcaram a manifestação.
Segunda a organização do evento, aproximadamente 450 veículos participaram da carreata, que desviou de locais onde estavam sendo realizadas as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Em Brasília, em um ato na Praça dos Três Poderes, manifestantes pediam o Fora Bolsonaro e o chamavam de genocida. Uma faixa da mobilização explicava o tom da indignação: “Bolsonaro é inviável, o Brasil precisa de um futuro”.
O buzinaço contra a permanência do presidente no Palácio do Planalto e a favor da vacinação tomou conta das ruas de Belo Horizonte (MG), também neste domingo.
“Bolsonaro está sendo muito irresponsável na condução da pandemia”, afirma um dos organizadores, o engenheiro Ricardo Oliveira.
Os motoristas saíram da Praça Floriano Peixoto, no bairro Santa Efigênia, na região centro-sul da capital, e cruzaram os bairros Santa Tereza e Sagrada Família, ambos na região leste. Muitos levavam bandeiras com mensagem de “Fora, Bolsonaro” e usavam camisas vermelhas.
Segundo Oliveira, os manifestantes decidiram antecipar protestos que estavam marcados para o próximo sábado, 23 de janeiro, por causa da gravidade dos últimos acontecimentos em Manaus.
“Não nos contivemos em esperar mais uma semana. Imagina quanta gente pode morrer em uma semana”, diz.
Os organizadores estimam cerca de 100 veículos no protesto, que aconteceu pela manhã e fora do centro da cidade para não atrapalhar candidatos que fazem hoje do Enem.
Anvisa aprova vacinas de Oxford e Sinovac; veja o que já está definido ou não sobre a vacinação no Brasil
Jornalista: Leticia
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou neste domingo (17/1), por unanimidade, o uso das duas primeiras vacinas contra o coronavírus disponíveis em território brasileiro: a da Sinovac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a China, e a da Oxford-AstraZeneca, cujo pedido de uso emergencial foi feito pela Fiocruz — e cujo primeiro carregamento deve ser trazido da Índia por um avião fretado pelo Ministério da Saúde.
Na prática, quando os laboratórios forem informados oficialmente (e o Butantan assinar um termo de compromisso sobre a eficácia), a vacinação com os dois imunizantes estará autorizada a começar no Brasil.
O governo federal não estabeleceu uma data oficial para o início da vacinação no Brasil, mas o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, tem dito que a previsão é começar a imunização na quarta-feira (20/1), simultaneamente em todo o país — um plano colocado em dúvida por especialistas em imunização.
Em São Paulo, o governador João Doria havia planejado iniciar a vacinação no Estado em 25 de janeiro, mas afirmou que poderia antecipar a campanha de imunização a depender do aval da Anvisa – e já vacinou a primeira pessoa do país na tarde deste domingo. A Anvisa determinou que o Butantan precisava assinar um termo de compromisso antes de iniciar as aplicações.
“O Instituto Butantan – ligado ao Governo de São Paulo – informa que a decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) emitida neste domingo, 17 de janeiro, comprova mais uma vez, e de forma inequívoca, a segurança e a eficácia da vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela instituição em parceria com a biofarmacêutica Sinovac”, disse o Butatan em nota.
Em um momento de alta nas infecções e mortes por covid-19 no Brasil e de caos no sistema de saúde em cidades como Manaus, veja a seguir o que é certo ou duvidoso no processo de vacinação previsto até o momento para o país:
Quantas e quais vacinas já temos?
A decisão da Diretoria Colegiada da Anvisa se referiu às vacinas para as quais houve pedido formal de uso emergencial: a CoronaVac, produzida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e a Oxford-AstraZeneca, cujo pedido foi feito pela Fiocruz.
A Anvisa destaca que, por enquanto, o que está em avaliação é o uso emergencial de vacinas ainda consideradas experimentais — portanto, os imunizantes, ao serem aprovados, ainda seriam usados em “caráter temporário, até que a vacina receba o registro definitivo no país”.
Uma tentativa de trazer 2 milhões de doses da vacina da AstraZeneca fabricadas na Índia fracassou na sexta-feira. Com um avião fretado pronto para trazer o imunizante, o governo brasileiro esbarrou em uma negativa do governo indiano e ainda aguardava, até o sábado, uma definição sobre a compra. O ministro Eduardo Pazuello afirmou que estão em curso negociações diplomáticas e que espera que as vacinas cheguem ainda nesta semana.
O governo federal diz contar com 6 milhões de doses da CoronaVac, a serem entregues pelo Instituto Butantan.
Por enquanto, as vacinas mais próximas da aplicação no Brasil são a da Sinovac (acima) e a da AstraZeneca
No total, o Butantan diz já dispor de 10,8 milhões de doses da CoronaVac em solo brasileiro. “No final de março, a carga total de imunizantes disponibilizados pelo instituto é estimada em 46 milhões de doses”, diz o órgão.
Dá para vacinar em todos os Estados ao mesmo tempo?
A CoronaVac está justamente no centro de uma disputa entre o governador João Doria e o presidente Jair Bolsonaro, potenciais adversários políticos na corrida presidencial de 2022.
Doria programou a campanha de vacinação estadual por conta própria e pediu à Anvisa “senso de urgência” na aprovação das vacinas. Neste domingo, o governador comemorou a aprovação da CoronaVac e participou da cerimônia que vacinou a enfermeira Monica Calazans, do Instituto Emilio Ribas, a primeira a receber o imunizante fora dos testes clínicos.
Já o governo federal vinha dizendo que “todos os Estados receberão as doses ao mesmo tempo, garantindo a imunização gratuita e não obrigatória para todos os brasileiros e brasileiras”. Neste domingo, Pazuello afirmou que a distribuição de 6 milhões de doses da CoronaVac será feita a partir das 7h desta segunda-feira (17/1) para todos os Estados. Não está claro ainda quando as imunizações serão iniciadas.
Embora a primeira vacinação seja motivo para comemoração, para alguns especialistas em imunização, tanto o projeto federal quanto o projeto paulista podem ser problemáticos.
Considerando que os primeiros grupos prioritários (veja mais detalhes abaixo) totalizam cerca de 15 milhões de brasileiros, e inicialmente o governo federal espera contar com 8 milhões de doses (sendo que 2 milhões delas ainda não puderam ser buscadas na Índia) nos primeiros dias, “é claro que a conta não fecha”, diz Carla Domingues, epidemiologista que coordenou o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil de 2011 a 2019.
Enfermeira Monica Calazans foi primeira pessoa a ser vacinada com a CoronaVac fora dos testes clínicos
Segundo ela, iniciar uma campanha de vacinação de um dia para o outro, simultaneamente em todo o país, seria virtualmente impossível. “Se marco uma campanha para o dia 15, é porque no dia 1 eu já havia começado a distribuir as vacinas”, que precisam ser transportadas para centrais diferentes em cada Estado e, de lá, levadas tanto para os grandes centros urbanos quanto para locais remotos e de difícil acesso.
Sendo assim, o mais factível seria começar a vacinação em alguns hospitais específicos ou em locais onde a situação epidemiológica é mais crítica, afirma Domingues.
“É como está sendo feito no mundo: escolhe-se um lugar, um marco”, diz.
Ao mesmo tempo, ela também considera prejudicial que Estados façam seus planos de vacinação próprios, independentemente da coordenação nacional do PNI.
“Se cada um (Estado) faz uma coisa, deixa de ser o SUS e voltamos a como era antes dos anos 1970, quando só Estados e municípios que tinham capacidade compravam vacina. Foi a organização e a pactuação (do PNI) que permitiram ao Brasil acabar com doenças endêmicas”, defende.
O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19, elaborado em dezembro pelo governo Bolsonaro sob exigência do Supremo Tribunal Federal (e criticado por incluir inicialmente a assinatura de especialistas que não deram seu aval), diz que o país está em negociações para obter 350 milhões de doses de diferentes vacinas.
Parte significativa desse montante, porém, se refere a memorandos de entendimento com fabricantes para as quais ainda não há pedidos de aprovação na Anvisa, como a Pfizer e a Janssen.
Avião fretado pelo Ministério da Saúde tinha agendada viagem à Índia buscar 2 milhões de doses da vacina de Oxford-AstraZeneca, mas planos foram adiados
Segundo o plano, há também encomenda à Fiocruz de 100,4 milhões de doses da vacina da AstraZeneca até julho deste ano, mais 110 milhões de vacinas que seriam produzidas nacionalmente até dezembro. E, também, encomenda de 42,5 milhões de doses em negociação com a Covax Facility, mecanismo internacional criado em defesa da distribuição igualitária de vacinas contra a covid-19.
Quem vai ter prioridade na vacinação?
O Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação prevê alguns grupos prioritários para receber a vacina, listados nesta ordem:
Primeira fase
trabalhadores da área da saúde
pessoas de 60 anos ou mais institucionalizadas
população idosa a partir dos 75 anos
indígenas
comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas
Segunda fase
população idosa em geral, de 60 a 74 anos
Terceira fase
população em situação de rua
pessoas com comorbidades (diabetes, hipertensão arterial grave, doenças pulmonares, renais e cardiovasculares, transplantados, com câncer ou obesidade grau III)
trabalhadores da educação
pessoas com deficiência permanente severa
membros das forças de segurança e salvamento
funcionários do sistema de privação de liberdade
trabalhadores do transporte coletivo
transportadores rodoviários de carga
população carcerária.
Pazuello e Bolsonaro no lançamento do Plano de Imunização, em 16 de dezembro; governo não definiu data específica para iniciar a campanha, mas ministro tem dito que pretende começá-la em 20 de janeiro
“Optou-se pela seguinte ordem de priorização: preservação do funcionamento dos serviços de saúde, proteção dos indivíduos com maior risco de desenvolvimento de formas graves e óbitos, seguido da preservação do funcionamento dos serviços essenciais e proteção dos indivíduos com maior risco de infecção”, diz o plano.
Até agora, pedidos de determinados grupos para “passar na frente” da fila, como o feito em documento do STF enviado à Fiocruz e ao Butantan, têm sido rejeitados.
O Brasil tem capacidade logística para a vacinação?
Segundo o plano do governo federal, as vacinas serão “enviadas aos Estados brasileiros por via terrestre e daí distribuídas aos municípios”. Isso ocorreria, de acordo com o Ministério da Saúde, no máximo até cinco dias após a aprovação das vacinas pela Anvisa.
Embora o início da campanha ainda esteja cercado de dúvidas, especialistas com conhecimento do modelo brasileiro de imunização pelo SUS (Sistema Único de Saúde) defendem que o Brasil tem ampla capacidade técnica em levar a cabo uma vacinação rápida e eficaz.
“Conseguimos, em quase cinco décadas do PNI, uma capacidade de produção única no mundo, só (comparável às de) Índia, China e Rússia, que nos permite produzir a maior parte das vacinas aqui”, diz à BBC News Brasil José Gomes Temporão, que foi ministro da Saúde entre 2007 e 2011 e hoje integra o Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz.
“Não temos autonomia absoluta (de produção de vacinas), mas temos bastante autonomia. E o SUS também desenvolveu uma grande capilaridade e logística e virou um exemplo global de vacinação”, diz.
Como exemplo, ele afirma que “em três meses (de 2010) conseguimos vacinar 80 milhões de pessoas contra a H1N1”.
“O lado negativo é o que vemos de tenebroso em omissão e incompetência do governo federal”, critica Temporão.
“Temos 35 milhões de pessoas vacinadas no mundo já, e até agora nenhum brasileiro. Isso poderia ter sido diferente. O governo o tempo todo dá uma sinalização errática. Então não basta ter vacina. É preciso ter organização e liderança e uma campanha (de conscientização da população) que já deveria ter começado”, argumenta.
Ao contrário de líderes de outros países, que se vacinaram logo no início da campanha, Jair Bolsonaro afirmou em dezembro: “não vou me vacinar e ponto final. Minha vida está em risco? É problema meu”.
Presidente turco Recep Tayyip Erdogan recebendo uma dose da vacina da Sinovac na Turquia em 14 de janeiro; no Brasil, Bolsonaro afirmou que não pretende se vacinar
Qual a segurança das vacinas?
Na última semana, o Instituto Butantan apresentou os resultados referentes à fase 3 de estudos sobre a eficácia da vacina no Brasil: a proteção é, de modo geral, de 50,38%.
Embora o resultado esteja perto do limiar mínimo exigido pela Organização Mundial da Saúde, isso na prática é visto como positivo em termos de saúde coletiva. Como explicou à BBC News Brasil o médico Marcio Sommer Bittencourt, do Hospital Universitário da USP, “isso significa que quem não tomar a vacina terá o dobro de chances de desenvolver a covid-19 caso pegue o vírus”.
“A conta simplificada é: quantas pessoas estão protegidas e quanto protejo toda a população. Se vacinar 1 milhão com uma vacina que reduz 95% (a chance de covid-19), o máximo que você protegeu foram 950 mil pessoas. Se vacinar 200 milhões com uma vacina que reduz 50% você protege até 100 milhões de pessoas. Comparado com esperar um ano para ter, por exemplo, a vacina da Pfizer, a melhor alternativa que temos é essa (CoronaVac).”
A vacina também diminuiu muito a necessidade de atendimento médico entre os infectados e, embora o número seja estatisticamente insignificante, não houve casos graves ou de morte entre as pessoas vacinadas no teste.
Segundo o Butantan, tampouco foram observados efeitos colaterais graves à vacina, e reações alérgicas ocorreram em apenas 0,3% dos casos.
A vacina da AstraZeneca, por sua vez, teve eficácia global de 70,4% nos testes da fase 3. Segundo o governo britânico, também não houve efeitos colaterais graves observados durante os estudos. O que pode acontecer é, ao tomar a vacina, a pessoa sentir, temporariamente, dor no local da aplicação, febre, cansaço, náusea ou dor de cabeça, por exemplo.
E, como as vacinas foram testadas apenas em adultos, ainda não se sabe qual seu efeito em crianças – por enquanto, a vacinação infantil não está em um horizonte próximo.
É importante lembrar, porém, que será preciso tomar duas doses da vacina (qualquer que ela seja), com intervalo de algumas semanas, para que o imunizante de fato proteja contra o coronavírus.
Portanto, José Gomes Temporão diz que é crucial que o governo federal prepare uma logística para isso – o modo mais simples seria via um aplicativo que notifique a pessoa vacinada quando ela deve voltar para a segunda dose, e de qual vacina (quem for vacinado com a CoronaVac, por exemplo, terá obrigatoriamente que tomar uma segunda dose também da CoronaVac).
“Isso vai ser importante também para que as pessoas possam comprovar que foram vacinadas, por exemplo ao viajar”, diz o ex-ministro.
Com a vacina, poderemos voltar à vida normal?
Especialistas advertem que a vacina, quando começar a ser aplicada, não pode ser encarada pela população como um “passe livre” para aglomerar e deixar de lado cuidados básicos, como a máscara. Isso ainda vai demorar muito tempo para acontecer.
Embora ache “factível vacinar metade da população brasileira até meados do ano”, caso haja doses suficientes da CoronaVac e da AstraZeneca e logística eficaz, Temporão diz que ainda levará meses até que a imunização se traduza em menor circulação do vírus e queda no número de mortes.
Carla Domingues é ainda mais cautelosa: acha que, neste semestre, ainda não dá para pensar em retomar a normalidade.
“Acho que (mesmo iniciada a vacinação) teremos um ano muito difícil. Estudos apontam que precisamos de ao menos 70% de população vacinada (para o vírus arrefecer). Minha preocupação é de que, quando começar a vacina, venha a falsa sensação de que as pessoas podem fazer festa ou andar sem máscara”, adverte.
“Qualquer previsão dependerá da nossa capacidade de produção nacional das vacinas. E são processos complexos, que exigem vários controles de qualidade por parte da Anvisa para ajustes de máquinas e para evitar contaminação. Não sabemos ainda qual será a velocidade da produção nacional. Então, as medidas preventivas ainda durarão um longo tempo.”
Como está a vacinação pelo mundo?
Existe uma espécie de corrida global tanto para adquirir vacinas quanto para imunizar rapidamente suas populações. Por enquanto, proporcionalmente a suas populações, essa corrida tem na dianteira Israel, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido.
Ao mesmo tempo, organizações humanitárias temem que essa corrida impeça a imunização de pessoas nos países mais pobres do mundo, particularmente na Ásia e na África.
Em dezembro, a coalizão People’s Vaccine Alliance (Aliança da Vacina do Povo, em tradução livre, grupo que reúne organizações como Oxfam, Anistia Internacional e Global Justice Now) estimou que quase 70 países de baixa renda só conseguirão vacinar 1 em cada 10 de seus cidadãos.
Enquanto isso, países ricos estão reservando para si mais doses do que de fato vão necessitar. O Canadá, por exemplo, tinha encomendado na época número de doses o bastante para imunizar seus cidadãos cinco vezes.
Enfermeira de SP é a 1ª vacinada do país; Doria e Pazuello trocam farpas
Jornalista: Leticia
Uma enfermeira do instituto de infectologia Emílio Ribas foi a primeira pessoa a ser vacinada no país contra o coronavírus após a aprovação do uso emergencial feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A aplicação ocorreu por volta das 15h30 deste domingo (17) no Hospital das Clínicas de São Paulo, pouco depois de a Anvisa autorizar o uso por unanimidade das doses importadas pelo Instituto Butantan e pela Fiocruz.
Segundo o governo paulista, a enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, é diabética e hipertensa e se voluntariou para atuar na linha de frente contra a covid-19. O imunizante foi aplicado por Jéssica Pires de Camargo, 30 anos, enfermeira de Controle de Doenças e Mestre de Saúde Coletiva pela Santa Casa de São Paulo.
“Viúva, ela mora com o filho, de 30 anos, e cuida da mãe, que aos 72 anos vive sozinha em outra casa. Por isso, Mônica é minuciosa nos cuidados de higiene e distanciamento tanto no trabalho quanto em casa – até agora, nenhum dos três foi contaminado pelo coronavírus. Apesar disso, Mônica viu a covid-19 afetar sua família quando o irmão caçula, que é auxiliar de enfermagem e tem 44 anos, ficou internado por 20 dias devido à doença”, relatou o governo paulista em comunicado.
Em seguida, a primeira vacinada recebeu o selo simbólico com os dizeres “Estou vacinado pelo Butantan” e uma pulseira com a frase “Eu me vacinei” e participou de uma entrevista coletiva ao lado do governador paulista, João Doria. Após ser vacinada, Mônica afirmou que as pessoas não devem ter medo da vacina e a imunização era o que todos esperavam para voltar à vida normal. “Que a população acredite na vacina. Estou falando agora como mulher, brasileira, mulher negra, que acreditem na vacina.”
Em fala a jornalistas após a cerimônia de vacinação, Doria criticou negacionistas, fake news, agressões e “aqueles que flertam com a morte”, em referência velada ao presidente Jair Bolsonaro.
Segundo ele, hoje é o dia V de vacina, da vida e de vitória da democracia e da ciência. Essa foi uma outra referência velada ao governo federal, já que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que a vacinação no país começaria no dia D na hora H, sem definir cronograma claro.
Em entrevista concedida ao mesmo tempo em Brasília, Pazuello afirmou que o governo federal não faria uma jogada de marketing para antecipar a vacinação, em referência ao governo paulista.
Pazuello afirmou que cabia ao governo federal coordenar a aplicação pelo país. “Quebrar essa pactuação é desprezar a igualdade entre os Estado e entre todos os brasileiros. Construída ao longo de nossa história”.
CRÉDITO,INSTITUTO EMILIO RIBAS/INSTAGRAM
Ele criticou ações “político-eleitoreiras” para se antecipar na vacinação e disse que o programa federal “não deixaria nenhum brasileiro para trás”, “sem dividir o nosso país”.
E falou que a Justiça vai tratar da ação antecipada do governo paulista porque, segundo ele, a aplicação de uma dose da vacina em São Paulo “está em desacordo com a lei”.
Pazuello afirmou que todas as doses que estavam com o Instituto Butantan deveriam ter sido entregues ao governo federal.
Segundo o ministro da Saúde, a distribuição de 6 milhões de doses da Coronavac será feita a partir das 7h desta segunda-feira (17/1) para todos os Estados. Não está claro ainda quando as imunizações serão iniciadas.
O ministro foi questionado sobre 2 milhões de doses da AstraZeneca/Oxford adquiridas na Índia, já que o cronograma de chegada desses imunizantes está atrasado. “Estamos nas negociações diplomáticas (do momento exato da saída) para que seja realizada a entrega (das vacinas).”
Ele se disse confiante de que as vacinas serão recebidas pelo Brasil ainda nesta semana.
Categoria planeja luta para 2021 em plenária organizativa, dia 19
Jornalista: Vanessa Galassi
O ano de 2021 se inicia com o prenuncio de que a luta organizada da categoria é o único caminho para reaver os prejuízos impostos pelas políticas aplicadas em nível federal e distrital. Para dar rumo às ações de 2021, o Sinpro-DF realizará plenária organizativa no dia 19 de janeiro, das 18h30 às 22h. O encontro, direcionado a delegadas/os sindicais e representantes de escolas, será aberto à base. A atividade será realizada por plataforma digital e requer inscrição prévia.
“Precisamos ouvir as sugestões e os anseios de toda a categoria para nortear o trabalho do nosso Sindicato. É com essa construção conjunta que conseguiremos, diante das dificuldades que se apresentam, formular uma estratégia consolidada contra os ataques à educação e à valorização dos profissionais da área”, alerta a diretoria colegiada do Sinpro-DF.
Um dos pontos discutidos na plenária organizativa será o agendamento da assembleia geral de 2021, quando são deliberadas questões essenciais para a categoria.
Para participar, clique no link http://bit.ly/2XHdSDM e preencha o formulário. Nos próximos dias, você receberá por e-mail o link para o encontro virtual, com login e senha para acesso. Não é preciso instalar aplicativo em dispositivos móveis ou programas em computadores de mesa.
Com objetivo de contribuir com o desenvolvimento dos estudantes e celebrar os trabalhos realizados durante o período letivo, acontecerá no próximo sábado (16), a partir das 10h00 em formato virtual, a terceira edição da Feira de Ciências Arte e Cultura do Centro de Ensino Educacional Casa Grande do núcleo rural do Gama.
Para abrilhantar a celebração, o evento contará com a presença da cantora Larissa Vitorino ex-participante do The Voice Brasil, Philip Ferreira escritor, cientista e professor, Japão (Viela 17), Marcos Linhares jornalista e escritor e Philippe Seabra, integrante do Plebe Rude.
Devido à pandemia da Covid-19, e por respeito e zelo com todos(as), as comemorações ocorrerão em formato remoto. Participe de você também!
Jornalista lança campanha para criar Fundo de amparo às crianças órfãs por causa da Covid-19
Jornalista: Vanessa Galassi
Entre os mais de 200 mil mortos pela Covid-19 estão pais e mães que deixaram suas filhas e filhos. Muitos deles ficaram desamparados, em abrigos ou, na melhor das hipóteses, com familiares. Diante deste cenário, o jornalista Walberto Carlos Maciel lançou a campanha virtual “Órfãos da Covid-19 – Fundo de amparo às crianças que perderam seus pais por causa da Covid”.
A ideia de Walberto Maciel é de que a campanha se torne uma Sugestão Legislativa e seja debatida pelos senadores. Para isso, são necessários 20 mil apoios. A participação poderá ser feita pelo link https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaoideia?id=144418. A data limite para atingir a meta termina em 18 de fevereiro. Até esta quarta-feira (13), a ideia legislativa somava 109 apoios.
O jornalista também escreveu um Ebook, com personagens fictícios, para chamar a atenção das autoridades nacionais e internacionais para o problema que, como destaca o autor, “está passando em silêncio pelo Brasil e pelo mundo”. Intitulado “Orfãos da Covid-19”, o livro virtual foi escrito quando o Brasil atingiu 100 mil mortes pela doença. Ele está aberto para leitura no link http://bit.ly/ebookdowalberto .
A obra também está disponível para venda no valor de R$ 12,99, sendo que 80% do valor liquido arrecadado será doado para o fundo ou para entidades que cuidem de crianças órfãs pela Covid-19. O livro poderá ser comprado pelo link https://sacola.pagseguro.uol.com.br/cd498d74-8454-451d-ad91-edfead3db943
Com enorme pesar, o Sinpro-DF informa o falecimento da professora aposentada Marley de Barcelos Dias, de 54 anos, ocorrido na madrugada desta terça-feira (12/1). O horário do velório e sepultamento ainda será divulgado pela família.
Marley foi diretora da Escola Classe 12 e do Centro De Educação Infantil 04 de Sobradinho, e estava aposentada desde 2017. Na sua jornada, colaborou para que a educação pública de qualidade fosse direito de todas e todos. Mais que isso: marcou, com ensinamento e afeto, a vida de cada criança que esteve sob sua orientação.
À família da professora Marley, nossos profundos sentimentos. Aceitar a partida de quem amamos é uma tarefa árdua e que tem por prerrogativa a mudança da estrutura de quem fica. Força é o que desejamos!
Miguel Arroyo || Escolas militarizadas criminalizam infâncias populares
Jornalista: Leticia
O anúncio do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares apresentado pelo governo Bolsonaro no início do mês se apoia em duas narrativas principais: a de que, sob gestão dos militares, as escolas conseguirão resolver a questão da violência – motivo pelo qual o plano considera aplicar a militarização em territórios mais vulneráveis – e ainda produzir melhores resultados educacionais, a partir de mais regras e disciplinas no ambiente escolar.
As justificativas não convencem o sociólogo e educador espanhol Miguel Arroyo, que vê o modelo com preocupação. Para ele, há perguntas anteriores que devem ser feitas antes de substituir educadores e gestores educacionais por militares e levar a lógica da militarização a esses espaços. “Por que há violência nas escolas e qual ideal de educação temos?”, questiona.
Em entrevista a CartaCapital, o educador explica o modelo de escolas militarizadas como parte integrante de uma política vigent de “criminalização dos mais pobres”, que questiona as estruturas democráticas, sobretudo as escolas, a partir de um discurso de medo, exceção e ameaça.
CartaCapital: Como o senhor avalia a narrativa de que a militarização das escolas resolverá a questão da violência dos territórios mais vulneráveis?
Miguel Arroyo: Em relação à violência, eu destacaria o seguinte: quais escolas serão militarizadas? Não serão as privadas, mas as públicas, locais que recebem as infâncias populares das favelas, dos campos. Digo isso para que pensemos: que infâncias estão sendo pensadas como violentas? Estamos em um momento no qual se busca a criminalização das infâncias e adolescências populares, bem como dos movimentos sociais de luta por terra, teto, transporte, o que eu chamo de política criminalizante dos pobres. E isso me soa de uma brutalidade assustadora. Portanto, o que ao meu ver legitima a criação das escolas militarizadas é o discurso de que as infâncias são criminosas, mas não todas, só as populares, ou se criminaliza quem está nas escolas na escolas privadas? Esse é um alerta político muito sério, mas que não acontece de agora.
Nós já vínhamos há uns dois, três anos, pressionando pelo rebaixamento da idade penal. E a ideia que sustenta essa tese é a mesma, a de que as infâncias e as adolescências são violentas. Então, em vez de entregá-las às escolas públicas, aos educadores e educadoras, se defendia encaminhá-las à justiça penal, um jeito de tirar esses estudantes da escola e colocá-los na prisão.
A novidade agora é que não vamos mais tirá-los das escolas, mas colocar as próprias unidades sob o controle da justiça penal, sob a lógica policial, militar, o que eu vejo com extrema gravidade. A ideia da militarização representa a condenação da infância e seu controle pela polícia. Preferem isso a colocar uma questão fundamental: por que há violência nas escolas?
Não são as infâncias que são violentas. Elas são sim violentadas pela sociedade, pela pobreza, pelas favelas, pelas desigualdades sociais, de raça, gênero e isso chega às escolas. Mas preferem ocultar isso, a olhar com seriedade. As infâncias são vítimas de violência e respondem da mesma maneira às violações que sofrem.
CC: Do ponto de vista da política educacional e do direito à educação, o que a militarização das escolas representa?
MA: Está se decretando a falência da escola pública e não só dela enquanto instituição, mas também dos educadores e dos gestores educacionais formados para atuar na área. Ao substituí-los por militares, damos um recado claro: vocês fracassaram. E isso é muito sério. A tentativa é de desconstruir toda a luta por uma educação pública de qualidade, tal como podemos ver com os ataques direcionado às universidades federais, às Ciências Humanas. Na visão dos conservadores, a escola pública foi longe demais e precisa ser combatida. E quando se destrói a ideia da escola pública, rui juntamente a ideia do Estado público, de direitos, de cidadanias. É uma radicalidade terrível.
Outra questão que destaco ainda sobre o direito à educação é a tentativa de validar a chamada educação familiar, no bojo da destruição do Estado. Veja, o que se diz é que quem deve educar é a é a família ou que, caso ela não tenha condições, que seja o Estado militar. Nesse contexto, a criança não é pensada como cidadã, como um sujeito de direitos que tem, entre eles, a garantia a uma educação pública de qualidade fornecida pelo Estado.
E essa lógica será perpetrada pela escola militarizada, porque lá as crianças não são cidadãs. O militar não é símbolo do Estado cidadão, mas da soberania da pátria, da regra, da disciplina, do controle, da ordem. Todo Estado militarizado é anti cidadania, ou seja, não se afirma enquanto símbolo dos direitos cidadãos.
CC: O senhor acredita que esse modelo, baseado em regras rígidas, pode impactar no desenvolvimento das crianças e adolescentes?
MA: Uma das formas das infâncias e adolescências se afirmarem é por meio de seus corpos. Eu costumo dizer que não temos corpos, somos corpos. Trazemos nele a marca do nosso tempo, o corpo é a marca de cada tempo, da identidade. O que eu quero dizer com isso é que quando o menino usa boné, ou quando meninos e meninas optam por usar adereços ou até por um tipo de corte de cabelo eles estão simbolizando suas identidades, os corpos passam a ser afirmação de identidade, entende? E aí vem a escola militar e diz: basta! Não existe cabelo, corpo, nada. Isso é terrível, porque não reconhece as mudanças e as lutas que se acumulam na infância, adolescência e juventude. Até o século passado, tínhamos uma visão limitada sobre essas etapas da vida, agindo com crianças, adolescentes e jovens como se não tivessem direito à fala. A palavra infância, aliás, no seu sentido etimológico denota um sentido negativo, não-falante. A adolescência chamávamos de ‘aborrescência’ e a juventude era vista como uma fase preparatória para a vida adulta. Mas isso mudou radicalmente. Hoje a infância tem voz, a adolescência é o tempo da afirmação, da orientação sexual, das experiências que culminam, por exemplo, em tantos movimentos organizados pela juventude. E se estamos diante de novos tempos para esses indivíduos, a educação também deve ser outra. Ao tentar destruir identidades de corpos, raça, gênero, se destrói a identidade humana e isso não é pedagógico.
CC: Ainda assim, há famílias que endossam o modelo da militarização, justamente por acreditarem na solução da violência. Como o senhor vê esse movimento?
MA: Essa alternativa é validada à medida em que se cria e se fortalece a política de estado de medo, exceção e ameaça. Imagine só uma mãe que precisa trabalhar e deixar o filho na escola, claro que ela vai querer segurança. A questão é que se criou um clima de que a escola não dá conta de seu papel e isso é totalmente intencional e político, faz com que essas mulheres não confiem mais nas escolas e cedam à proposta da militarização. Veja, o caminho democrático é sempre melhor, mas quando se cria a ideia de que na democracia não há segurança, acabamos flertando com as regras, com as posturas ditatoriais e isso também chega às escolas.
CC: Outro ponto defendido pelo governo é a possibilidade das escolas militarizadas produzirem melhores resultados. Qual a análise do senhor?
MA: Quais resultados? As escolas militares têm bons resultados para formar militares, mas não são os melhores exemplos para formar cidadãos com valores de democracia, de igualdade, valores políticos. Eu me formei em uma escola militar na Espanha, na época do general Francisco Franco, e eu não aprendi nada disso, mas sim a marchar, bater continência, a ter meu corpo militarizado. Essa é a boa educação que queremos? Temos que nos colocar essa pergunta. Os resultados serão bons de acordo com o que temos como ideal, entende? E o que vejo é uma luta por por uma educação para a cidadania, pautada em valores, em respeito aos outros, fraterna e participativa.
Um sonho pessoal que se tornou realidade. Foi assim para o professor Saulo Alves, que está na rede há três anos. A paixão pela escrita sempre esteve presente na vida do educador, que com muita força de vontade e perseverança, deu vida para As Crônicas de Citarion. A obra com um título curioso e inovador, conta uma aventura que coloca em prática os laços de amizades e valores, que riquezas não podem comprar.
Os personagens Dren, Ters e Zoer, pertencem a uma raça incrível, com qualidades e conhecimentos fascinantes que partem para uma missão por diversas locações de Citarion, encontrando novos seres o que revelará, incontáveis pontos de suas personalidades, ainda desconhecidos. Nessa viagem, deverão contar uns com os outros e suas habilidade particulares, para superar essa jornada épica de suas vidas, enfrentando perigos mortais para assim, tentar derrotar um mal que pretende por um fim ao seu povo.
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