Aulas presenciais nas escolas privadas do DF aumentam contaminação por coronavírus
Jornalista: Maria Carla
Com apenas 10 dias do retorno das aulas presenciais na rede privada do Distrito Federal, o Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinproep-DF) descobriu, por meio de denúncias anônimas, que 19 professores(as) foram contaminados pelo novo coronavírus e 15 faleceram por causa da Covid-19. Por causa das denúncias, o Sinproep-DF realizou a testagem gratuita com mais de 4 mil professores(as) e constatou que, entre os dias 21 de setembro, data da volta às aulas presenciais nas escolas privadas, e 22 de outubro, dia que iniciou a testagem no sindicato, 232 testaram positivo para a Covid-19.
A testagem gratuita foi realizada entre os dias 22 e 31 de outubro. “Os exames aconteceram na sede do sindicato. Os testes aplicados foram de anticorpos IgG e IgM, que detecta por meio do sangue se a pessoa esteve exposta ao vírus, verificando se está ativo ou não. Foram testados positivos 189 professores para IgG. Para IgG e IgM, foram 24. Já IgM, que é quando a pessoa ainda está transmitindo o vírus, foram 19″, indica a nota enviada à imprensa.
A orientação da diretoria é que os profissionais contaminados devem ficar em quarentena e em trabalho remoto. No Distrito Federal, há cerca de 580 escolas privadas credenciadas e a maioria não realizou nenhum tipo de teste. Karina Barbosa, presidente do Sinproep-DF, disse que a testagem foi uma forma de ajudar a proteger a saúde dos professores. “Nós conseguimos identificar vários docentes que estavam contaminados e assintomáticos. Dessa forma, conseguimos trazer mais segurança para as escolas, estudantes e seus familiares”.
Na avaliação da diretoria do Sinproep, a testagem foi uma ação positiva. “Fizemos esses testes em parceria com o Sindicato dos Empregados em Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas do DF. Fizemos porque recebemos cerca de vinte reclamações de professores contaminados com o início das aulas e notificamos as empresas para afastarem os docentes”, afirmou o diretor Trajano Jardim.
Lucro acima da vida
A testagem em massa é um problema no Brasil. Na iniciativa privada, o lucro está acima da vida. A alegação dos proprietários é a de que os custos para testagem são inviáveis. No dia 13/9, uma sentença da 6ª Vara do Trabalho de Brasília desobrigou as escolas privadas a realizarem testes em massa, como foi feito na Europa, na Ásia e outros países que retomaram aulas presenciais e que tiveram de fechar por causa do índice de contaminação.
A sentença determinou que não haveria exames em massa e que a testagem para detecção do novo coronavírus entre professores da rede privada seria apenas entre os trabalhadores com suspeita de contaminação ou que tiveram contato com pacientes infectados. A diretoria colegiada do Sinpro-DF mantém sua crítica ao retorno às aulas presenciais na rede privada durante a pandemia do novo coronavírus.
“É o lucro acima da vida. A pandemia do novo coronavírus não acabou. O Brasil ainda nem concluiu a primeira onda e já está ameaçado de ter uma segunda onda a partir de dezembro ainda pior. Além disso, é importante ressaltar que o resultado de ter um direito social como a educação mercantilizado e privatizado é isto: o lucro acima da vida”, afirma a diretoria do Sinpro-DF. Desde o início do ano, o Sinpro-DF tem denunciado a má gestão da pandemia pelos governos, considerando-a o maior fiasco que já se viu no Brasil nos últimos 20 anos.
Falta de testes
Nesta terça-feira (3), o número de mortes por Covid-19 no País passa de 160 mil pessoas. Atualizado na segunda-feira (2/11), um monitoramento do Imperial College de Londres, no Reino Unido, dá conta de que após 5 meses abaixo de 1, a taxa de transmissão do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil voltou a subir novamente esta semana. Na França, nesta semana, uma pessoa está sendo contaminada por Covid-19 a cada 30 segundos.
“No Brasil, mais de 160 mil pessoas mortas por uma única doença em apenas 6 meses é uma tragédia nacional. Isso não é normal”, critica a diretoria. E lembra que, desde que o novo coronavírus chegou ao País, cientistas do mundo inteiro tem avisado aos países que é necessário haver testagem em massa da população para localizar os casos e rastrear possíveis transmissões porque é dessa maneira que se controla a doença de forma mais eficaz. Mesmo assim, o governo Jair Bolsonaro fez ouvido de mercador e, mais do que isso, negou a gravidade, o modo de gerir e até a existência da pandemia.
Informações da imprensa, desta terça-feira (3/11), dão conta de que, além de não ter investido em testes, os governos federal e local diminuíram, consideravelmente, os procedimentos nos últimos meses. O resultado disso são atualizações menos expressivas nos balanços diários, dando a falsa impressão de controle da doença. O boletim do Ministério da Saúde de segunda-feira (2/11), adicionou mais 8.501 casos e 179 mortes, totalizando mais de 5,55 milhões de infecções e 160.253 óbitos no País.
A escassez de testes foi observada desde o primeiro caso de Covid-19, em fevereiro. No mundo inteiro, quando foi observada essa escassez, os países procuraram superar o problema, expandindo a capacidade de testagem. O Brasil atingiu 1.067.674 de testes em agosto. Mas, segundo a imprensa, sem nem sequer traçar estratégias para o enfrentamento da Covid-19 com base nos diagnósticos, já reduziu o número de procedimentos. Em setembro, foram feitos apenas 944.739 testes, e, até 24 de outubro, o total do mês estava em 711.213.
Chile contra o Estado mínimo: um exemplo para o nosso país
Jornalista: Maria Carla
No Chile, se você não tiver dinheiro, você não estuda, não tem atendimento médico-hospitalar e nem aposentadoria. Com os sistemas de saúde, educação, previdência privatizados, o país vive o caos social em todos os setores. O problema é tão grande que a população decidiu acabar com a política do Estado mínimo.
No domingo (25), 78,27% do povo chileno participou do plebiscito e optou pelo basta no Estado mínimo, a política econômica da Escola de Chicago, que transformou o país numa das nações mais excludentes e socialmente injustas do mundo. A mudança da Constituição e a realização de uma Assembleia Nacional Constituinte foi rejeitada 21,73% dos votos contrários.
Com o resultado do plebiscito, o povo irá eleger uma Assembleia Constituinte para elaborar uma nova Carta Magna que assegure um país mais justo e mais digno. Uma nova trajetória começa na história do Chile e seu povo precisa estar atento ao eleger a quem irá eleger para as 155 vagas constituintes que irão redigir a nova Carta Fundamental.
No país andino, a Assembleia Constituinte foi denominada Convenção Nacional e terá de 9 meses a 1 ano para apresentar o novo modelo de economia e política. O texto deverá estar pronto em junho de 2022. Apesar a realização do plebiscito, o processo de democratização está repleto de pontos de tensão.
Afinal, não é fácil tirar do poder oligarquias nacionais e estrangeiras, que se deleitam do Orçamento público, financiado por uma população empobrecida e condenada a pagar impostos sempre mais caros. Não é de estranhar, portanto, que, entre os itens de tensão, estejam em destaque os direitos sociais e trabalhistas.
Espelho para o Brasil
O Sinpro-DF não podia deixar passar em branco a data tão importante e explicar o que está em jogo. Nem poderia deixar de revisitar a história recente do Chile e do Brasil e alertar para o exemplo do povo chileno, que enfrenta todo tipo de dificuldade para se livrar da economia neoliberal, do Estado mínimo e do autoritarismo político, herdados da ditadura civil-militar do general do Exército Augusto Pinochet.
O que acontece no Chile hoje serve de espelho para o Brasil atual. É importante ressaltar que o plebiscito constitucional permitiu aos(às) cidadãos(ãs) rechaçarem a Constituição outorgada pela ditadura civil-militar, instalada após um golpe de Estado, aplicado em 1973, com apoio da CIA/EUA, que depôs e assassinou o ex-presidente socialista Salvador Allende e implantou o neoliberalismo e o Estado mínimo, como política econômica, e o autoritarismo, como orientação política.
Uma Carta para os ricos
O plebiscito de domingo derrubou uma Constituição elaborada pela ditadura civil-militar chilena, uma das mais cruéis do mundo. Ela suprimiu partidos políticos e perseguiu, sistematicamente, oposicionistas. Deixou um rastro de três mil mortos e desaparecidos, torturou milhares de pessoas e forçou 200 mil chilenos ao exílio.
Era essa Constituição que sustentava, até hoje, a política econômica adotada pelo governo ditatorial de Pinochet. Trata-se da décima constituição da história do Chile, a terceira mais duradoura. Graças a ela, a classe rica e conservadora permaneceu mais de 40 anos no poder, transformando o Chile e sua população em “laboratório neoliberal dos Chicago Boys” – um grupo de economistas formado na Universidade de Chicago (Escola de Chicago), do qual o ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes, faz parte. Esse grupo liderou a economia nos anos Pinochet e fez do Chile laboratório e símbolo do neoliberalismo e do Estado mínimo.
Esse neoliberalismo foi o principal alvo de indignação social. Essa Constituição foi elaborada por Jaime Guzmán, um advogado chileno, membro e fundador doutrinário do partido conservador União Democrata Independente (UDI) e redator de um dos textos fundadores do regime militar autoritário. Ele criou um documento para garantir poder às classes mais conservadoras da sociedade.
Elaborou uma Constituição de tal forma que, mesmo que saíssem da liderança, essas classes sociais teriam seus privilégios garantidos por lei. Guzmán formulou também as políticas da ditadura e foi convocado pelo próprio Pinochet para participar da Comisión Ortúzar, encarregada de redigir uma “nova” Constituição, aprovada num polêmico plebiscito em 11/9/1980.
No fim do regime ditatorial, em 1990, houve uma transição no país que não incluiu, como no Brasil, uma nova constituinte para elaboração de nova Carta Magna, e sim uma série de reformas constitucionais. Na primeira metade da década de 2000, no governo do ex-presidente Ricardo Lagos (2000-2006), foram executadas várias reformas. Mas nenhuma delas alterou os alicerces do modelo excludente de sociedade construído pela Escola de Chicago.
Chicago Boys
Assim como no Brasil de 2016, um golpe de Estado, aplicado em 1973, apoiado pela CIA/EUA, implantou o neoliberalismo no Chile. Depôs e assassinou o presidente socialista Salvador Allende e deu início à ditadura civil-militar comandada pelo general do Exército, Augusto Pinochet. Foi esse golpe que marcou um ponto de inflexão da economia chilena.
No lugar do Estado de bem-estar social e regulador, foi instalado o projeto macroeconômico desestatizante, privatista e mercantilista, administrado por economistas da Escola de Chicago, os chamados “Chicago Boys”. O governo neoliberal de Pinochet permitiu a convivência entre liberdades econômicas e repressão violenta a direitos civis.
Entre 1973 e 1990, o Chile se transformou em objeto de todo tipo de privatizações, abertura ao mercado externo, reforma trabalhista e redução do gasto público e do papel do Estado em áreas-chave, como saúde, previdência e educação. O resultado, 40 anos depois, é uma população depauperada, que perdeu todos os direitos sociais e trabalhistas. Da aposentadoria à educação e saúde públicas, tudo foi privatizado.
No Brasil, os Chicago Boys reiniciaram, em 2016, uma nova trajetória de vassalagem e escravidão que tentaram implantar nos anos 1990 e não conseguiram. Mas, com o golpe de Estado de 2016, reinstalaram pelas mãos de Michel Temer (MDB) e apoiado pelos EUA, o neoliberalismo econômico. O segundo passo foi a implantação da Emenda Constitucional nº 95/2016, que congelou por 20 anos os investimentos do Estado nos serviços essenciais. A EC 95/2016 é uma das muitas facetas desse projeto econômico que visa a levar vantagens, por muitos longos anos, às classes mais ricas do país.
Revoltas populares
Em 2019, quando o Brasil aprofundou sua jornada neoliberal com o governo Jair Bolsonaro, o Chile se tornou um caldeirão de revoltas populares por causa do empobrecimento e da falta de direitos. Em outubro, manifestações diárias tomaram todo o país. As manifestações, algumas delas com a participação de mais de dois milhões de pessoas, foram reprimidas pelas polícias.
O governo conservador do presidente Sebastián Piñera colocou o Exército nas ruas e instituiu o toque de recolher. Durante outubro de 2019, Piñera se escondeu no Palácio de La Moneda. Os presidentes de todos os partidos políticos correram para firmarem, emergencialmente, no Congresso, um “Acordo de Paz”.
O principal item para que a paz fosse instalada era a realização do plebiscito constitucional para mudar a política econômica. Há outros pontos considerados polêmicos, como a exigência de direitos sociais assegurados pelo Estado: saúde, educação, previdência, segurança, assistência social entre outros.
Importante ressaltar que, no ano passado, quando partidos costuraram o acordo para definir a realização do plebiscito, o Partido Comunista do Chile (PCCh), que não participou desse acordo, denunciou o fato de que os partidos que participaram definiram que as normas que comporão o novo texto precisam ser aprovadas por 2/3 dos membros da constituinte. Ou seja, se a direita compuser mais de 1/3 da assembleia, poderá vetar várias partes da redação.
Laboratório neoliberal
As revoltas de outubro de 2019 têm suas origens na década de 1990. Na época da abertura política, o povo chileno ficou tão revoltado com as políticas de Jaime Guzmán, que grupos extremistas o assassinaram, no início dos anos 1990, quando o país iniciou sua redemocratização.
Quando isso aconteceu, Guzmán já havia consolidado o “laboratório neoliberal” sob o comando dos Chicago Boys e assegurado uma Constituição elitista. Ele elaborou uma Carta que dificultava quaisquer alterações de tal forma que, caso a ditadura chegasse ao fim, os governos seguintes precisariam de um quórum elevado para modificar alguma legislação.
“Importante observar que, agora, segundo a denúncia do PCCh, os conservadores tentam repetir o mesmo golpe na formulação da Assembleia Constituinte para manter os privilégios e neutralizar uma real modificação”, alerta da diretoria colegiada do Sinpro-DF.
Paulo Guedes, ministro da Economia de Jair Bolsonaro, adota, no Brasil, o modelo econômico que os tecnocratas da Universidade de Chicago impuseram ao Chile. Esse modelo é considerado pela direita e ultradireita latino-americana como um exemplo a ser seguido para manter privilégios e o Orçamento do Estado sob seu controle.
“É preciso observar que o povo chileno derrubou, exatamente, o que o governo de Jair Bolsonaro implanta no Brasil”, observa Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF. Nos anos 1980, Paulo Guedes viveu no Chile a convite de Jorge Selume Zaror, ex-diretor de Orçamento do regime Pinochet. Atuou como pesquisador e acadêmico da Faculdade de Economia e Negócios da Universidade do Chile, então comandada por Selume Zaror.
Atualmente, a equipe de Guedes se apresenta como um grupo de técnicos ortodoxos que prometem colocar “ordem” no que eles chamam de “caos econômico” reinante no país. “O que eles chamam de caos é justamente os direitos fundamentais, sociais e trabalhistas da nossa Constituição. Esse é o ponto central no atual movimento de mudança constitucional chileno que precisa ser visto como alerta pelos brasileiros”, alerta diretoria colegiada do Sinpro-DF.
Ela adverte ainda para o fato de que o plebiscito de domingo foi realizado para eliminar as amarras neoliberais e reverter a lógica do Estado mínimo estabelecida há 40 anos no Chile e que, no Brasil, está em franco desenvolvimento desde o golpe de 2016.
A diretoria do sindicato também alerta para o fato de que o fim do neoliberalismo é uma das principais reivindicações do povo chileno. “Precisamos estar atentos e atentas para defendermos nossos direitos sociais e trabalhistas que ainda existem”, finaliza.
Categoria conquista mais 184 nomeações de professores do concurso de 2016
Jornalista: Maria Carla
A diretoria colegiada do Sinpro-DF informa que o Governo do Distrito Federal (GDF) realizou 184 novas nomeações de professores(as) aprovados(as) no concurso de 2016, as quais foram publicadas no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), desta quinta-feira (29).
Essas nomeações foram anunciadas, nessa quarta-feira (28). Informações da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEEDF) dão conta de que os(as) professores(as) nomeados(as) vão ocupar as vagas daqueles que não se apresentaram, em agosto, para a posse.
No dia 3 de agosto deste ano, foram nomeados(as) 821 professores(as) aprovados(as) no concurso de 2016. Contudo, desse total, apenas 637 professores(as) compareceram para a nomeação. Vários(as) deles(as) não tomaram posse. Em razão disso, as vagas não ocupadas estão sendo preenchidas agora por professores(as) também aprovados(as) nesse mesmo concurso e que aguardavam suas nomeações.
O ato, assinado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) na quarta-feira (28), Dia do Servidor Público, passou a valer, nesta quinta (29), com a publicação no DODF.
Esclarecimentos
A diretoria colegiada saúda a chegada dos(as) novos(as) professores(as) e informa que, em razão da proximidade da data da posse e da do Remanejamento Externo, dificilmente os(as) professores(as) recém-nomeados(as) participarão do Remanejamento Externo, previsto para ocorrer entre os dias 4 e 7 de dezembro.
No entanto, informa que, no próximo período de Remanejamento Externo, quando a SEEDF disponibilizar vagas para lotação, é preciso que os(as) novos(as) professores(as) participem porque enquanto não participarem do Remanejamento Externo ficarão sem lotação definida.
Importante esclarecer que a SEEDF adotou um novo formato de fazer a convocação, apresentando o nome da pessoa que aposentou e, na frente desse nome, está o nome do(a) novato(a) nomeado(a). Isso, no entanto, não significa que a pessoa que está entrando no serviço público será alocada naquela vaga na qual o nome dela está à frente.
Isso é apenas um novo formato novo de apresentação, criado a partir da cobrança do Sinpro-DF de apresentação transparente das nomeações, de maneira que fosse possível haver um controle real do fato de as aposentadorias estarem gerando nomeações de professores(as).
“Ou seja, as carências que aparecem, as vacâncias surgidas por causa de falecimentos, aposentadorias, exonerações e nome do(a) nomeado(a) à frente não significa que a pessoa nomeada irá para aquela vaga. Isso é fruto do fato de o Sinpro-DF estar sempre pedindo transparência nas nomeações”, explica Letícia Montandon, diretora do Sinpro-DF.
Orientações
A diretoria colegiada do Sinpro-DF informa que o governo irá receber a documentação no dia 10 de novembro, no esquema de “drive-thru”, a ser instalado no SEEDF, Sede III, situada no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA).
O intuito, segundo a secretaria, é preservar a segurança e a saúde dos(as) candidatos(as) e da equipe responsável pela organização. A orientação é que cada nomeado(a) deposite o envelope com os documentos sem sair do carro.
A SEEDF também informa que o uso de máscara é obrigatório. Os(as) professores(as) nomeados(as) que não irão de automóvel, devem entregar o envelope no ponto de apoio montado, especificamente, para a entrega.
Informa ainda que os(as) candidatos(as) que pedirem recolocação no final da lista dos(as) aprovados(as), para que sua nomeação ocorra em momento posterior, terão até 5 dias, contados da publicação do ato de nomeação, para enviar a solicitação pelo e-mail gselp.sugep@edu.se.df.gov.br.
A SEEDF avisa que os(as) candidatos(as) que tiverem pendências relacionada à documentação serão informados(as) por e-mail. O calendário e as orientações para posse dos 184 nomeados(as) pode ser conferido no link, a seguir: Aviso nº 10
Confira, a seguir, a documentação exigida para efetivação da posse:
Cópia autenticada de RG, com data de expedição, não sendo aceita CNH.
Cópia autenticada de CPF.
Cópia autenticada de Certificado Militar (candidatos do sexo masculino).
Comprovante de PIS ou PASEP contendo data de vínculo. O Cartão Cidadão não será aceito.
Comprovante de conta corrente ou salário no BRB.
Cópia autenticada de Título de Eleitor.
Quitação Eleitoral – emitida pelo TSE de forma eletrônica.
1. Comprovantes de votação não necessários.
Comprovante de Residência com CEP.
Apto médico.
Cópia autenticada do Diploma de habilitação exigido em edital, devidamente registrado.
Formulários de informações cadastrais, bens, acumulação ou não acumulação de cargos, escolha de CRE, disponíveis no site da SEEDF.
Análise prévia da Comissão de Acumulação de Cargos, se for o caso.
*As cópias do RG, CPF, Título de Eleitor devem estar, preferencialmente, na mesma página.
Plano de saúde: reivindicação histórica da categoria pode se tornar realidade
Jornalista: Maria Carla
O Governo do Distrito Federal (GDF) lançou, na manhã desta quarta-feira (28), uma das reivindicações históricas do funcionalismo público da capital do País: o Plano de Saúde do Governo do Distrito Federal. Porém, ainda é cedo para comemorar. A diretoria colegiada informa que o Sinpro-DF não teve acesso à íntegra do conteúdo para fazer uma avaliação técnica e saber se o plano, realmente, atende às necessidades da categoria.
O governo Ibaneis aproveitou o Dia do Servidor Público para lançar o plano de saúde que, conforme anunciado no lançamento, irá contemplar servidores(as) públicos(as) da ativa, aposentados(as), pensionistas, comissionados(as), trabalhadores(as) do contrato temporário e seus dependentes. Na solenidade de assinatura do contrato, houve também a primeira adesão, do servidor Paulo Eduardo da Silva, que atua na Secretaria de Economia desde 1989. Tudo ocorreu no Salão Branco do Palácio do Buriti, a partir das 10h.
Apesar da pandemia do novo coronavírus, o local ficou lotado, com dirigentes sindicais de todos os sindicatos do serviço público e autoridades do setor público, como administradores regionais, e da iniciativa privada, como gestores de escolas privadas, além do próprio governador, Ibaneis Rocha (MDB); do presidente do Instituto de Assistência à Saúde do Servidor (Inas), Ney Ferraz; do secretário de Economia, André Clemente; e do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Na ocasião, o governador informou que o Plano de Saúde do GDF é uma parceria entre o GDF, o BRB e o Inas e que esse serviço irá custar 1,5% da Folha de Pagamentos do Distrito Federal.
O plano vai atender também aos(às) dependentes dos(as) usuários(as). Já está circulando nas redes sociais um documento do Inas, intitulado “Regulamento do Plano de Assistência Suplementar à Saúde – GDF-Saúde-DF”, no qual há a informação de que o plano também contempla trabalhadores(as) do GDF do contrato temporário, enquanto durar o vínculo. Durante o evento, Ney Ferraz destacou que 70% dos(as) servidores(as) não têm plano e apenas 30% possui plano privado, apesar de essa reivindicação estar na pauta das categorias desde, 2004/2005, na gestão do então governador Joaquim Roriz.
Breve histórico: o plano de saúde e a luta dos professores
O Sinpro-DF foi um dos sindicatos que mais lutaram por um plano de saúde para o funcionalismo público. “A partir de um momento, ele passou a constar sempre das nossas pautas de reivindicações. Em 2019, tivemos várias reuniões na Mesa de Negociação e em outras ocasiões para discuti-lo”, lembra Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF.
Ela informa que o plano de saúde é uma reivindicação histórica que passou por vários momentos importantes graças ao movimento docente. Um exemplo é a publicação da Lei nº 3.831/2006, que criou o Inas. O instituto existe por causa de um acordo de greve entre o GDF e os(as) professores(as) no ano de 2005. “Nessa greve da nossa categoria, foram feitos alguns acordos e um ajuste no Plano de Carreira – Lei nº 3.318/2004 –, que alterava o número de níveis salariais de 31 para os atuais 25 padrões e criava as condições para os(as) servidores(as) públicos(as) distritais terem um plano de saúde”, informa.
Essas alterações eram para ser trabalhadas nos anos de 2005 e 2006. Assim, em 2006, a alteração nos padrões foi materializada e a Lei nº 3.318, que criou o Inas, foi editada em, no Diário Oficial do DF (DODF), em 14 de março de 2004. De lá para cá, outra grande alteração foi a criação do Auxílio-Saúde. Resultado da greve dos professores de 2012, o Auxílio-Saúde foi concedido apenas à categoria do magistério público.
O fator surpresa
Apesar da trajetória de debates sobre a criação do plano, o contrato lançado nesta quarta-feira não contou com a participação do movimento sindical. Por isso, o Sinpro-DF ainda não está em condições de efetuar esclarecimentos acerca de adesões, descontos e outros temas que interessam na hora da contratação desse serviço.
Em 2019, houve uma sequência de reuniões com o então presidente do Inas e, no fim do ano, foi solicitado ao Sinpro-DF o envio de nomes para compor o Conselho de Administração do instituto. O sindicato indicou um nome. Contudo, com a mudança da presidência do Inas, em 2020, ocorreu apenas uma reunião virtual com o novo presidente. Infelizmente, o governo quis priorizar o fator surpresa no Dia do Servidor Público e lançou o plano de saúde sem maiores explicações de como irá funcionar.
A diretoria colegiada lamenta o fato de que nesta quarta-feira a categoria procurou o sindicato para saber maiores detalhes sobre adesão e funcionamento, mas o Sinpro-DF só terá condições de dar as orientações quando a entidade tiver acesso e o devido debate sobre o conteúdo do plano, o qual, infelizmente, não aconteceu antes do lançamento, como era esperado.
“A opção pelo fator surpresa não colabora, uma vez que não temos como orientar a categoria sobre adesão e uso do novo plano de saúde. Diante dessa situação, o Sinpro-DF solicitou uma reunião com a presidência do Inas e estamos no aguardo para confirmação da agenda. Somente depois desse encontro é que teremos condições de acessarmos os detalhes da proposta e fazermos uma avaliação técnica, inclusive com profissionais da área para, posteriormente, o sindicato orientar a categoria”, afirma a diretoria colegiada do Sinpro-DF.
Na ocasião, o governador anunciou a nomeação de 184 professores aprovados em concurso para atuar na Educação Básica, na Secretaria de Estado da Educação (SEEDF); 86 novos servidores para a Secretaria de Estado da Saúde (SES-DF) e 156 novos servidores para a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social.
Sinpro-DF convoca gestores para reunião virtual nesta sexta-feira (23/10)
Jornalista: Maria Carla
A diretoria colegiada do Sinpro-DF convida todos(as) os(as) gestores(as) de escolas da rede pública de ensino para uma reunião virtual, nesta sexta-feira (23/10), às 15h. A pauta é a Circular nº 2 da Secretaria Executiva da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEE/SECEX/DF).
A reunião será pela plataforma Zoom. Se você ainda não instalou o aplicativo Zoom, clique no link, a seguir, que ele lhe direcionará para a Play Store (celulares Android) ou App Store (celulares iOS).
Os(as) interessados(as) em participar deverão confirmar participação pelo telefone 99685-4997 para receberem o link uma hora antes da abertura da sala virtual. Participe!
CLDF analisa PL que estende validade do concurso de contratação temporária até 2021
Jornalista: Maria Carla
A diretoria colegiada do Sinpro-DF informa que a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) apresentou um projeto de lei com a proposta de prorrogação da validade do concurso de contratação temporária de professor, estendendo o período de validade do atual banco de selecionados até o fim do ano letivo de 2021.
O assunto do PL é tema que o Sinpro-DF tem discutido tanto com a CLDF como com o Governo do Distrito Federal (GDF). A diretoria colegiada entende que a situação é preocupante, uma vez que é a segunda vez que ocorre a prorrogação dessa seleção. No entanto, lembra que o que tem de estar na pauta do GDF é a realização de concurso público para professor efetivo para as centenas de vagas existentes na rede pública de ensino.
No entanto, desde o início da crise sanitária, o sindicato sempre teve a clareza de que o DF estaria refém da pandemia do novo coronavírus. A realização da prova de seleção, que deveria acontecer até o fim deste ano ou, no máximo, nos primeiros dias de 2021, deve acontecer assim que possível. Contudo, é inviável enquanto a pandemia da Covid-19 estiver presente no cotidiano do DF.
Com o risco de contaminação ainda alto e o prazo se extinguindo, algumas análises têm sido feitas pelo GDF e pela CLDF, que possibilitem de forma legal a prorrogação do contrato. A diretoria colegiada esclarece que apresentação do projeto de lei, como é possível verificar no final desta nota, não significa que será aprovado, uma vez que as comissões da CLDF deverão, ainda, aprová-lo.
Informa, ainda, que há dois processos em andamento na própria Secretaria de Estado da Educação (SEEDF). Um deles é sobre a realização do processo seletivo para contratação temporária de professor, caso a pandemia do novo coronavírus ceda e apresente possibilidades de aplicação das provas. O outro é acerca da prorrogação em caso de não haver condições sanitárias para a sua execução.
Além disso, é necessária, ainda, uma análise profunda e jurídica para saber se essa proposta de PL em discussão não irá ferir outros dispositivos legais e outras legislações. A diretoria colegiada do Sinpro-DF continua acompanhando o processo.
Clique AQUI e confira a proposta de PL em análise na CLDF
Sinpro-DF convida para o lançamento, nesta terça (20), do livro “A constituição do currículo da educação profissional”
Jornalista: Maria Carla
O Sinpro-DF convida a todos e todas para o lançamento virtual, nesta terça-feira (20), às 19h30, do livro “A constituição do currículo da educação profissional integrado à educação de jovens e adultos”, de Márcia Castilho de Sales.
A obra, produzida pela Editora Appris, será lançada por meio de uma live no canal do YouTube da própria autora Márcia Castilho Sales. Para acessar o lançamento, basta clicar no link a seguir: https://youtu.be/J1uvXuWgZRE.
Graduada em pedagogia pela Universidade Católica de Brasília (UCB), especialista em formação de professores pela Universidade de Brasília (UnB) e em tecnologia educativa pela Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa, Portugal, Márcia Castilho Sales, é mestra em engenharia de mídias para a aprendizagem pela Universidade de Poitiers, França (Euromime), e doutora em educação pela UnB.
A autora também é professora aposentada da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEEDF), em que atuou, dentre outras coisas, como coordenadora Regional de Ensino em Brazlândia, como diretora do Centro de Educação Profissional da Ceilândia e como coordenadora da Educação Profissional da SEEDF.
Ela também atuou na docência no curso de pedagogia da UnB como professora colaboradora e na coordenação colegiada na especialização em educação e cidadania e diversidade para a EJA. Coordenou a elaboração das “Orientações pedagógicas para a integração da educação profissional à EJA e ao Ensino Médio”, na SEEDF, bem como o “Currículo da educação profissional”.
Márcia Castilho de Sales foi, ainda, uma das organizadoras e autora do livro “Educação de Jovens e Adultos trabalhadores – políticas e experiências da integração à educação profissional” (2017); e coautora do livro “Proeja: dimensões curriculares”, da Coleção Gestão e Docência na EaD (2015). Atualmente, ela atua em consultorias da Unesco e do Instituto Federal de Brasília (IFB).
SERVIÇO:
O QUE: Lançamento do livro “A constituição do currículo da educação profissional integrado à educação de jovens e adultos”, de Márcia Castilho de Sales.
Covid-19: tabela ajuda a avaliar risco de infecção cada vez que você vai a um evento social
Jornalista: Leticia
Será que vai ser possível reunir a família — ou ao menos parte dela — nas festas de fim de ano? Quando exatamente é seguro participar de um evento em meio à pandemia de covid-19?
Com os números de casos e mortes ainda crescendo em todo o mundo e a dificuldade de manter a população em isolamento social, um novo estudo tenta ajudar as pessoas avaliar o risco de cada situação.
Pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, criaram uma tabela que considera fatores como o uso de máscaras, o tempo de contato com outras pessoas, a ventilação do local, a quantidade de pessoas e até o que elas estão fazendo — falar, cantar, gritar ou permanecer em silêncio.
O artigo original foi publicado no periódico de saúde The BMJ.
“O risco de infecção é determinado por muitos fatores, e todos eles estão conectados”, disse à BBC News Brasil Lydia Bourouiba, diretora do Laboratório de dinâmica de fluidos na transmissão de doenças do MIT e uma das autoras do estudo.
“Ainda não há nenhum estudo que determine o risco absoluto de cada atividade, mas, com essa tabela, queremos que as pessoas saibam avaliar o risco relativo de cada situação. Assim elas podem se adaptar.”
Por exemplo, se o evento ao qual você foi convidado é um karaokê, em uma sala fechada onde as pessoas estarão gritando e cantando, o melhor a fazer é certificar-se de que poucas pessoas estarão presentes, e ficar o mínimo de tempo possível. Sem esquecer de usar a máscara.
Ou simplesmente sugerir uma reunião com os mesmos amigos em um local aberto, onde seja possível manter uma distância maior e sem música alta — para que não seja necessário gritar.
“Isso é importante porque, se você dá às pessoas uma só regra rigorosa, o que acaba acontecendo na maioria das vezes é que algumas não aplicam a regra, ou aplicam só durante algum tempo. É difícil pedir à população que fique em alerta máximo por meses”, opina a pesquisadora.
Confira a tabela:
Distância, ventilação e tempo
No artigo, os pesquisadores argumentam que o distanciamento entre um e dois metros entre pessoas como forma de prevenir a infecção pelo Sars-Cov-2 é uma orientação simplista, porque se se baseia em estudos do século 19 sobre como vírus e bactérias se propagariam no ar a partir da fala, da tosse e dos espirros.
Mas isso não quer dizer que essa regra, usada na maioria dos espaços públicos e privados atualmente, deva ser ignorada. É justamente o contrário.
Pesquisas mais recentes mostram que vírus podem se espalhar em gotículas no ar por até seis a oito metros a depender da situação. Por isso, dois metros deve, em alguns casos, ser a distância mínima, não a máxima, a se manter de alguém.
“A regra dos dois metros não considerava o quadro total da exalação de partículas suspensas no ar e de como elas se movem. Hoje sabemos que não é só porque você mantém esses dois metros de distância que está seguro”, diz Bourouiba.
Aí entram os outros fatores considerados na tabela, como o tempo que dura o evento — ou o tempo que você permanece nele, em contato com outras pessoas.
Mas o que exatamente seria um tempo curto ou longo? De acordo com a pesquisadora, ainda é difícil responder.
“Alguns órgãos de saúde têm considerado que de 10 a 15 minutos é um tempo curto e, acima disso, um tempo longo. Mas não há justificativa científica para embasar esses números. Por isso, decidimos não incluí-los na tabela”, explica.
“O que sabemos até agora é que, em um caso de estudo, onde houve infecção em um restaurante mal ventilado, as pessoas infectadas, que estavam sem máscaras, permaneceram lá ao mesmo tempo por cerca de 45 minutos. Mas precisamos de mais evidências para dar peso a esse número.”
Da mesma forma, definir se um evento tem ocupação alta ou baixa não depende apenas de quantas pessoas há no local, segundo Bourouiba.
Também é importante saber se elas têm ar fresco suficiente para respirar e estão fora das zonas de respiração uma da outra — ou seja, estão a mais de 25 centímetros de distância da boca e do nariz de alguém que está respirando normalmente.
“Cada pessoa deve ter ao menos 10 a 15 litros de ar fresco por segundo. Nós não temos como calcular isso no dia a dia, mas é uma medida importante para os responsáveis pelos espaços de eventos, restaurantes, escritórios, etc. Eles precisam saber se seus espaços precisarão ser ampliados ou reformados”, alerta.
O mais importante, segundo a pesquisadora, é garantir a circulação de ar limpo, de preferência que venha de fora: “Não é suficiente apenas mover o ar, como um ventilador ou um ar-condicionado fazem. É preciso trocá-lo, para diluir as partículas que nós exalamos no ar novo”.
Por essa razão é preferível estar em espaços abertos ou com janelas que permitam a circulação do ar. E, mesmo assim, ainda é preciso prestar atenção em como ele circula.
“Se você abre uma janela em um restaurante, por exemplo, mas há uma mesa com clientes ali, o ar novo estará sempre passando por aquelas pessoas e levando possíveis patógenos a outras. Você tem que usar a ventilação natural tendo consciência do fluxo do ar”, afirma a pesquisadora do MIT.
Como se comportar em cada situação?
Considerar tantos fatores para fazer qualquer atividade, mesmo com a ajuda de uma tabela, é complexo, mas tem se mostrado necessário.
De acordo com os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Covid-19), do IBGE, o número de pessoas rigorosamente isoladas por causa da pandemia no Brasil caiu em cerca de 2 milhões entre a primeira e a segunda semanas de setembro.
Já os que afirmaram ter reduzido o contato, mas continuaram saindo ou recebendo visitas aumentou em 2,5 milhões. Atualmente, 83,2 milhões de brasileiros têm um comportamento flexível quanto ao distanciamento social.
O Brasil tem mais de 147 mil mortes e quase 5 milhões de casos registrados de covid-19. De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os casos tiveram tendência de estabilidade em patamares altos durante o mês de setembro na média móvel de sete dias — foram registradas mais de 26,4 mil novas infecções por dia.
Segundo Lydia Bourouiba, é preciso ter alguns cuidados básicos em cada situação da tabela:
Risco baixo – Tente manter ao menos dois metros de distância de outras pessoas e usar máscara. “Não é porque você está a dois metros que pode tirar a máscara e não é porque está de máscara que pode chegar mais perto. Mas, se tiver que se aproximar rapidamente de alguém, não precisa entrar em pânico, não é o fim do mundo”, diz.
Risco médio – Seja mais rígido com a regra dos dois metros de distância. Se possível, fique um pouco mais distante, a depender dos outros fatores na situação.
Risco alto – Dois metros deve ser a distância mínima a ser mantida de alguém, mas o ideal é ficar ainda mais afastado do que isso, e usando uma máscara de qualidade.
“Sabemos que é complicado, mas tentamos organizar isso de uma forma que possa ser compreendida por todos, desde a família que quer organizar um churrasco até o gerente de um escritório. Porque todos vamos ter que administrar essas situações”, afirma a pesquisadora.
PROJETO DE LEITURA FAZ SUCESSO ENTRE PROFESSORES E ESTUDANTES
Jornalista: Leticia
Aos 62 anos de idade, Mariana Carvalho de Oliveira Lima, não esconde a paixão pela escrita. Professora há 30 anos, sempre esteve atenta e preocupada com a forma de lecionar aos estudantes, o que sempre foi motivo de orgulho. Dos 30 anos em sala de aula, Mariana trabalha atualmente na Escola Classe 10 de Ceilândia, onde é responsável por um projeto de leitura que é o xodó de todos, o motivo? A participação e contribuição do corpo docente com o projeto.
Batizado carinhosamente de “Indo além de mim”, o projeto recebe turmas em um espaço de leitura para despertar nos estudantes, a paixão pelos livros. O apoio da equipe gestora e dos professores(as), foi fundamental para o sucesso da causa, o que para a professora é a receita de tamanha aceitação. “O que me motiva a escrever é desejar transmitir ideias e o que penso por meio dos meus escritos, gosto de escrever principalmente para o público infanto- juvenil porque creio que por meio da leitura esse público possa aprimorar a oralidade e o conhecimento, abrindo os olhos para conhecer um mundo maravilhoso”, afirma Mariana.
Pandemia de covid-19 fez ensino e papel do professor mudarem
Jornalista: Leticia
Pandemia de covid-19 fez ensino e papel do professor mudarem
(Criança levanta a mão ao lado de outros alunos em sala de aula da escola Thomaz Rodrigues Alckmin, no primeiro dia de retorno das escolas do estado de São Paulo para atividades extracurriculares em meio ao surto de coronavírus (COVID-19) em São Paulo, Brasil Outubro 7, 2020. REUTERS / Amanda Perobelli)
A pandemia de covid-19 fez com que professores de todo o país trocassem os quadros e as carteiras escolares pelas telas e pelos aplicativos digitais.
Sete meses após a adoção de medidas de distanciamento social e da interrupção das aulas por causa da emergência sanitária, os professores continuam se reinventando. Nesse período, eles foram obrigados a refazer todas as aulas, passar novos exercícios, escrever apostilas, gravar em vídeo os conteúdos das disciplinas, criar canais próprios em redes sociais, mudar avaliações, fazer busca ativa de alunos e se aproximar das famílias dos estudantes.
Professores de todas as partes do país, tanto da rede pública quanto da privada, relataram à Agência Brasil as diversas mudanças do período e falaram sobre as novas atribuições e papéis dos docentes, em diferentes modalidades da educação básica, vindas com a pandemia e o ensino remoto.
O suporte da mudança foi a internet, mas o episódio não se restringiu a uma revolução digital. Houve uma transformação comportamental dos professores para não perder a conexão com os alunos e manter a aprendizagem.
“A covid-19 antecipou em uns dez ou quinze anos o que iria acontecer em sala de aula”, calcula o professor de geografia Daniel Rodrigues Silva Luz Neto, que leciona para o ensino de jovens e adultos no Gama, uma das regiões administrativas do Distrito Federal.
Para não perder alunos, ele entrou em contato com todos, adicionou os números dos estudantes no seu WhatsApp, criou grupos por turma, por onde passa áudios e vídeos com aulas e instruções. Seus alunos fazem as tarefas no caderno, tiram foto, mandam de volta para ele corrigir.
“Tivemos que aprender algo que nunca foi desenvolvido ao longo da nossa vida, que foi encarar a tecnologia a curto prazo”, acrescenta Juanice Pereira dos Santos Silva, professora de biologia e ciências da natureza na educação inclusiva, no Centro de Ensino Especial, também no Gama, onde leciona para alunos que tenham transtorno de espectro autista ou deficiência intelectual ou múltipla, desde os 8 anos de idade até a vida adulta.
A professora usa o quintal e a cozinha de casa como cenários das aulas, grava vídeos em movimento nas ruas para ensinar noções de espacialidade e passar conteúdos de suas matérias.
Ensinar os pais
(Em todo o país, governos suspenderam aulas para evitar ampliação de casos de covid-19, e professores tiveram de se readaptar a um novo modelo de ensino. – Marcelo Camargo/Arquivo Agência Brasil)
Aprender, em tempo recorde, a usar ferramentas digitais para ensinar foi o primeiro desafio de Juanice Silva. O segundo foi buscar os alunos para a aulas remotas. “No nosso caso, tivemos não apenas que trazer os alunos. Tivemos que trazer os pais”, lembra a professora, destacando que a participação dos responsáveis é necessária, em especial, para os alunos para os quais ela leciona. “Tivemos de criar e-mails para os familiares, dar acesso [às plataformas] e treiná-los.”
O trabalho de mobilizar as famílias feito pelos professores da escola de Juanice Silva permite que alunos como Pedro Emanuel Araújo, com síndrome de down, mantenham a rotina de acordar cedo, tomar banho, tomar o café e vestir o uniforme do colégio, como ele faz questão, para assistir às aulas em vídeo e cumprir a tarefa.
A rotina de Pedro é dividida com o pai que, antecipadamente, verifica os materiais que o filho vai precisar para cada dia da semana e separa na escrivaninha, junto com o notebook.
Segundo a mãe do aluno, Ângela Cristina Moutinho Araújo, em tempos de ensino remoto, o filho melhorou no desempenho de atividades manuais. “Inicialmente, Pedro não sabia fazer os deveres. Com a nossa ajuda [dos pais], ele começou a fazer, hoje tira de letra.”
Sem acesso
A dedicação dos professores, o amor dos pais, o computador em casa e o sinal de internet permitiram que Pedro Emanuel continuasse a aprender, apesar de estar longe da escola há sete meses.
Mas essa não é uma realidade para todos os alunos da rede pública que, em geral, não têm acesso facilitado à internet ou um computador à disposição. Nesses casos, alguns professores têm optado por criar apostilas impressas e fazer as cópias na escola. Os pais ou os alunos têm que buscar toda semana o novo material e deixar na escola os exercícios feitos da apostila passada – o que faz parte da avaliação e das notas dos alunos.
“Sem acesso à tecnologia, eles têm que ir na escola e trabalhar sozinhos”, assinala Eunice Rodrigues Silva, professora de história, e ex-diretora do Centro de Ensino Fundamental 102 Norte, uma escola pública em Brasília que atende predominantemente alunos de 11 a 15 anos.
Em tempos de escolas sem aulas presenciais, Eunice Silva considera primordial o acesso à tecnologia e à conexão. “Acessar a internet é a forma para encontrar o conhecimento com o professor”, diz ao lembrar que muitos alunos em sua escola não conseguiam aprender plenamente porque não tinham computadores, tablets ou smartphones em casa.
Para resolver o entrave, Eunice Silva iniciou uma campanha pedindo doação desses aparelhos. Hoje, ainda restam dez alunos estudando exclusivamente com apostila impressa, de um total de 484 estudantes da unidade.
O problema, entretanto, não se soluciona apenas com os equipamentos já que muitos alunos não têm internet em casa. “É precário todo o sistema, mas há níveis de precariedade”, descreve. Em sua opinião, a campanha trouxe resultados, mas a escola teve que agir por conta própria por “algo que já deveria ter virado política pública”.
Investindo na própria formação
(Com a pandemia, ensino remoto por meio de smartphones e computadores passou a ser regra em diversas escolas espalhadas pelo país – Divulgação/MCTIC)
Atividades pelo computador não foram novidade para a professora de matemática do ensino médio da Escola Estadual Amélio de Carvalho Baís, de Campo Grande, Carolina Moraes Lino. Ela costumava passar deveres online para os estudantes. Com a pandemia, entretanto, foi a primeira vez que todo o conteúdo precisou ser transportado para as telas.
Sem a sala de aula como suporte, a sala da casa onde mora com o filho de 11 anos se transformou em escola.
“Eu me deparei com situações que me deixaram muito frustrada”, diz, contando das dificuldades de engajar os alunos e de lidar com todas as incertezas que a pandemia trouxe. “Do mesmo jeito que os alunos ficam desmotivados, tenho muitos alunos que não tinham problemas e [desenvolveram quadros de] síndrome do pânico, depressão, tenho colegas também nessa situação.”
Carolina buscou aperfeiçoar os conhecimentos nos meios digitais, chegou a comprar, com recursos próprios, uma mesa digitalizadora, que permite que ela escreva e resolva as equações necessárias para as aulas de matemática. Ela também precisou organizar o próprio tempo.
“Quando se está em casa se quer fazer tudo ao mesmo tempo: dar aula, lavar a roupa, ver o filho, fazer almoço. Agora, eu consegui me organizar e está sobrando tempo. No começo não sobrava para nada.”
Os estudantes também precisaram de um tempo. Como a situação era muito incerta, segundo Carolina, eles estavam sempre pensando no retorno às aulas presenciais, sem dar muita importância às aulas remotas.
Recentemente, ela tem notado uma mudança de postura, dado que a suspensão deverá se prolongar.
“Pelo menos na minha escola, todos os nossos alunos, cerca de 400, estudam em período integral, todos têm acesso ao material ou impresso ou pela internet. [A dificuldade] não está sendo o acesso, mas a desmotivação da entrega das atividades.”
De acordo com pesquisa do Instituto Crescer, 46% dos educadores não sabem avaliar se os alunos estão realmente aprendendo com as aulas online. Além disso, 57% sentem-se frustrados ao perceber que, por mais que se empenhem, poucos estudantes aproveitam os conteúdos por falta de infraestrutura.
Apesar das dificuldades, Carolina busca motivação nos aprendizados ao longo da jornada. “Uma das coisas que me motiva é que sou pessoa curiosa, poder estar em contato e poder descobrir coisas novas é uma das coisas que me motiva. Além de gostar muito do que eu faço, eu vejo uma possibilidade nessa pandemia, para mim, de me aperfeiçoar mais na parte tecnológica, de descobrir mecanismos ferramentas novas”, diz.
Habilidades socioemocionais
(Criança pendura mochila na cadeira de sala de aula no primeiro dia de retorno de atividades extracurriculares nas escolas do estado de São Paulo – REUTERS / Amanda Perobelli/direitos reservados)
Além dos conhecimentos necessários para lidar com a tecnologia, a pandemia trouxe também a necessidade de se olhar para habilidades socioemocionais, cujo ensino está previsto na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que estabelece o que deve ser ofertado em todas as escolas do país. São habilidades como persistência, assertividade, empatia, autoconfiança e tolerância a frustração.
“O desenvolvimento socioemocional dos estudantes é um aspecto fundamental de ser trabalhado de modo intencional na escola se quisermos uma educação que considere o que é viver, conviver, aprender e produzir no século 21”, diz a especialista em Educação Integral do Instituto Ayrton Senna, Cynthia Sanches.
“Aquela escola que tem como objetivo principal a aprendizagem dos conteúdos das matérias já não é suficiente. Tão importante quanto desenvolver os aspectos cognitivos e interagir com os conhecimentos que a humanidade acumulou ao longo de sua história é o desenvolvimento dos aspectos sociais e emocionais do estudante”, destaca.
A sala como quadra de esporte
A professora de educação física Lizianne Tenório dos Santos tinha acabado de chegar à Escola Claudio Daniel Gama Amorim, em Coruripe (AL), quando as aulas presenciais foram suspensas.
Ela assumiu, este ano, as turmas dos 4º e 5º anos do ensino fundamental e não chegou sequer a conhecer os alunos presencialmente porque a escola estava sendo reformada no início do ano letivo. “Todo o meu contato com eles foi na pandemia, por plataformas de vídeo, por WhatsApp.”
Lizianne não tinha experiência com meios digitais, por isso, recorreu a amigos da área de marketing e design para saber como se portar diante de uma câmera.
“Comecei a brincar e aprender durante a pandemia e a fazer com que os vídeos pudessem ser atrativos para os alunos, para não ser monótono e chato. Educação física é movimento e se eu trabalhasse de uma forma que não tivesse movimento, eles iam achar ruim. Educação física, para eles, é uma coisa fantástica, ficam contando as horas para ter aula e eu não poderia deixar de fazer algo prazeroso.”
A professora passou a usar o WhatsApp para trocar vídeos com os estudantes. Ela traz a teoria, contextualiza o assunto e passa exercícios práticos, que devem ser gravados pelos estudantes e enviados de volta.
A casa de Lizianne precisou ser adaptada. Lá, moram três professoras que também estão dando aulas de forma remota. “Uma tem que estar distante da outra para gravar”, diz. “Quando gravo os vídeos para os meninos, eu desarrumo a sala, adapto aquele espaço porque a luz é melhor, e faço ali a minha quadra”.
A motivação vem das trocas com os alunos. “Ouvi de uma aluna: ‘professora, você traz esportes de outros países, esportes diferentes para a gente conhecer e é muito bom’”, conta, orgulhosa.
Amazônia no quintal
Logística e falta de infraestrutura foram os desafios enfrentados pelo professor de biologia Jonailson Xisto para poder chegar até os estudantes das escolas em que leciona, em Barreirinha (AM).
Apesar de estar localizada em área urbana, a Escola Estadual Professora Maria Belém não conta com suporte de rede adequado já que a qualidade da conexão da internet na cidade é ruim. Além disso, muitos estudantes não têm smartphone ou computadores em casa, o que dificulta as aulas interativas.
Já a Escola Estadual Antonio Belchior Cabral está localizada em uma comunidade ribeirinha, chamada Freguesia, onde o acesso a meios digitais é ainda mais complicado.
“Logo que começou a pandemia, eu cheguei a dizer que eu não estava realizando o trabalho de professor. Em uma turma de 30 alunos, eu conseguia atender, no máximo, cinco alunos, pela dificuldade no interior do Amazonas”, diz.
Segundo ele, muitos dos estudantes vão para a cidade apenas para cursar o ensino médio, mas suas famílias moram no interior, em locais que chegam a estar a sete horas de viagem de barco da zona urbana.
A solução foi recorrer ao WhatsApp para aqueles que conseguiam acesso à internet. Para os demais, um grupo de professores se juntou para imprimir apostilas com recursos próprios e levar até os alunos. Xisto conta que a carga de trabalho aumentou já que ele está sempre à disposição dos estudantes.
“O atendimento é intenso. A gente sabe que, para os alunos que moram no interior, não é todo tempo que o sinal pega. Há alunos esforçados que vão para outra comunidade no final de semana, onde pega sinal. Recebo mensagens com dúvidas, às vezes, às 3h, às 20h, 22h. Eu sempre falo que estou disponível”, diz.
Não é apenas na pandemia que os desafios de infraestrutura precisam ser enfrentados. Em 2019, os alunos de Xisto foram premiados no Desafio Criativos da Escola, com o projeto Amazônia, um laboratório natural, que busca driblar a falta de laboratório de ciências na escola usando a própria floresta como local de estudo.
O mesmo projeto foi reinventado na pandemia.
“O nosso quintal é a Amazônia, a gente respira Amazônia. Não posso fazer as aulas formais com os alunos, mas no quintal tem muito conhecimento. O aluno pode observar as árvores, os animais. Ele observa o inseto interagindo com a flor, o passarinho com a árvore. Essa foi uma das saídas que a gente encontrou, apesar de não poder trabalhar plenamente como gostaria”.
Apoio aos professores
O ano de 2020 reservou muitos desafios para a educação. A continuidade da aprendizagem, entretanto, não pode depender exclusivamente dos esforços individuais dos professores, afirma o diretor-fundador do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), Ernesto Faria.
Na avaliação dele, é necessário engajamento de toda a rede de ensino e das unidades federativas para que o ensino seja garantido aos estudantes.
“É necessário conseguir fazer um bom acompanhamento de como o ensino remoto tem se dado, de como as aulas têm acontecido, de quais são as dificuldades que os alunos têm enfrentado, quem tem participado das aulas, feito as atividades e quem não tem feito. Acho que tem que haver um bom modelo de gestão, não passa só pela iniciativa do professor fazer algo inovador ou estar próximo dos alunos”, diz.
“Tem que ter sistemático: o professor passa as informações para o coordenador pedagógico ou diretor, o diretor passa para a secretaria de educação e aí é possível visualizar se os alunos estão aprendendo ou não estão. Um bom modelo de gestão faz muita diferença num modelo pré-pandemia, acho que segue valendo agora”, acrescenta.
Com a perspectiva de que o ensino remoto se estenda para o próximo ano letivo, Faria destaca que será preciso oferecer formação aos profissionais. “Há uma nova realidade de que ensino, tecnologia e trabalho a distância vão se tornar mais presentes e vão se tornar uma necessidade. Há uma pauta formativa que precisa de investimento e precisa de olhar e acho que passa por secretarias [de educação] maiores, que têm mais estrutura, ajudar a oferecer formação para as secretarias menores.”
No estudo A Educação Não Pode Esperar, apresentado em junho, o Iede mapeou desafios e alternativas do ensino público durante a pandemia.
Em todo o mundo, de acordo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), mais de 180 países determinaram o fechamento de escolas e universidades, afetando 1,5 bilhão de crianças e jovens, o que corresponde a cerca de 90% de todos os estudantes no mundo. Aos poucos as atividades vão sendo retomadas. Os dados mais recentes mostram que cerca de um terço dos estudantes do mundo seguem sendo impactados pela pandemia.
Uso irreversível
O presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Luiz Miguel Martins Garcia, avalia que ainda está em tempo de se adotar uma política de articulação nacional de ação emergencial para garantir as atividades escolares em meio à covid-19, atender quem deixou de aprender, capacitar professores e preparar a acolhida dos alunos quando a pandemia passar.
Ele pondera que, mais do que possível, a ação é necessária, uma vez que o uso de tecnologias para lecionar “é irreversível”.
Já a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Helena Guimarães, afirma que há recursos públicos disponíveis para equipar escolas e apoiar professores e alunos.
(Presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Helena Guimarães- Antonio Cruz/ Arquivo Agência Brasil)
Segundo ela, cerca de R$ 30 bilhões do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), criado em 2000, podem ser usados com essa finalidade.
Para Maria Helena Guimarães, a pandemia fez com que a educação básica vivesse um novo momento, não só no Brasil. Ela acredita que haverá aprofundamento das mudanças após o retorno do funcionamento dos colégios e aposta na adoção do ensino híbrido, no incremento de atividades complementares nas escolas e de ensino por projetos e em mais atividade de pesquisa para os alunos.
Ela alerta, no entanto, que há risco de “acirramento das desigualdades” entre as escolas da rede privada e da rede pública, e que os alunos de colégios particulares devem sair na frente.
Condições distintas
As diferenças entre as condições de trabalho na rede pública e na rede privada fazem parte do cotidiano do professor de geografia Sidnei Felipe da Silva, que leciona em três cidades no litoral norte da Paraíba. Duas escolas são públicas, nas cidades de Mataraca e Marcação, onde também atende alunos da zona rural e de aldeias indígenas. O terceiro emprego é em um cursinho pré-vestibular, no município de Rio Tinto.
Na escola preparatória para exames, que é particular, as aulas são transmitidas das próprias salas que ganharam câmeras e iluminação. “Às 9h, a aula começa, online e ao vivo, diferentemente do que ocorre nas escolas públicas”, compara. “O dono do cursinho percebeu que se os professores ficassem dependendo das suas redes domésticas existia o risco de perdemos conexão e os alunos ficarem no prejuízo”, conta.
Já para as escolas da rede pública, Sidnei conta que posta a matéria por meio de videoaulas para que o aluno acesse a internet “na hora que puder”. Há também aqueles que recebem apenas material impresso com o conteúdo das aulas. E outros com os quais o professor consegue manter contato por WhatsApp.
Saudades
Para conseguir dar melhores aulas nas escolas públicas, Sidnei Felipe fez do quarto de hóspedes de sua casa um pequeno estúdio, criou canal no YouTube e mantém atualizado um blog para os seus alunos. “O trabalho triplicou”, observa. O esforço do professor é reconhecido pelos alunos que enviam mensagens carinhosas e de agradecimento.
Apesar do êxito com a educação remota, Sidnei Felipe não abre mão do ensino presencial e do contato com os alunos. “Presencialmente tem o retorno do aluno no instante que a relação ensino e aprendizagem está acontecendo”, defende.
“É justamente no contato em sala de aula que nós conseguimos diagnosticar as necessidades dos alunos. Só assim, é que traçamos estratégias diversificadas para suprir as necessidades da turma”.
Além das razões didáticas, os professores têm um motivo afetivo para esperarem pela volta às aulas dentro das escolas: saudades!
“Nesta semana do professor, o nosso presente vai ser entrar em contato com todos nossos alunos”, comenta a professora Juanice Silva sobre a mobilização que a escola prepara. Durante os próximos dias, estudantes da escola de ensino especial do DF receberão ligações e videochamadas dos professores para poderem conversar e diminuir um pouco a distância e a falta do convívio escolar.