PARTICIPE| GRUPO DE APOIO E ACOLHIMENTO DE PESSOAS ENLUTADAS PELA COVID-19
Jornalista: Leticia
A pandemia da covid-19, trouxe para muitos um cenário de dor e tristeza. Com tantas mortes e pessoas infectadas, o suporte emocional contribui para que muitas pessoas consigam encarar o atual cenário que ainda preocupa e assusta todos.
Na tentativa de confortar familiares e pessoas que tiveram perdas devido ao coronavírus, um grupo de acolhimento oferece “terapias”, visando a elaboração e ressignificação de vivências de sofrimento devido à experiência do luto pela Covid-19, bem como o resgate do sentido da vida.
Ao todo, serão quatro encontros que acontecerão às terças-feiras, nos dias 29/09;06/10 e 20/10, das 15h00 às 16h00, por meio da plataforma Google Meet. Para participar, basta clicar aqui.
A Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente da Fiocruz, realiza mais uma Oficina Pedagógica Online. Com o tema “Produção Audiovisual: Cinema e Educação em Tempos de Pandemia”, a 6° edição da oficina abre espaço para profissionais da educação de diferentes áreas.
O evento acontecerá entre os dias 22 e 23 de setembro (terça e quarta-feira), das 10h às 12h00 por meio da plataforma Zoom, disponível para Android e IOS. Para se inscrever, basta acessar aqui.
Participe! O evento é gratuito e as vagas no Zoom são limitadas. Assista também página do Facebook: fb.com/obsma.
Reforma administrativa privatiza serviços públicos por meio dos instrumentos de cooperação
Jornalista: Maria Carla
A onda regressiva que o Brasil começou a viver em 2016 chegou, este ano, nos serviços públicos. A reforma administrativa, concebida em segredo pelo governo Jair Bolsonaro, chegou ao Congresso Nacional no início de setembro para aprofundar a concentração de renda e retomar relações trabalhistas do século 19 com o Estado.
Dentre as centenas de problemas e da profusão de retrocessos inscritos no documento do governo, estudos preliminares mostraram que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/2020 dá mais poderes ao Presidente da República para extinguir cargos, gratificações, funções órgãos, transformar cargos vagos e reorganizar autarquias e fundações.
Já as análises mais aprofundadas, que começam a ser divulgadas, revelam que, ao contrário do que diz o governo Bolsonaro, a reforma administrativa em tramitação no Congresso Nacional afeta sim a todos os servidores públicos antigos, novos e aposentados das três esferas federal, estadual e municipal.
Nesta série de matérias sobre a reforma administrativa, o Sinpro-DF vai deslindar os problemas desta reforma e mostrar como afeta os serviços, os servidores, a população e aprofunda a concentração de renda e desigualdades do Brasil. Mais uma vez, como o fez durante a reforma da Previdência, a diretoria colegiada afirma que a única forma de barrar esse retrocesso é com a intensa mobilização da categoria se posicionando contra a PEC 32/20.
A PEC reformula a Constituição Federal apenas nos artigos que afetam o funcionalismo, propõe acabar com a estabilidade dos servidores públicos, mas não inclui nas novas regras os cargos de parlamentares, ministros de tribunais superiores, promotores, juízes e militares, categorias que têm algumas das remunerações mais altas no funcionalismo.
Novo artigo 37-A e o aparelhamento do Estado
Uma das modificações é no artigo 37 da atual Carta Magna. A PEC 32/2020 modifica totalmente o texto desse artigo e apresenta o artigo 37-A, no qual propõe uma “inovação” com uso dos denominados “instrumentos de cooperação”, que alteram os princípios constitucionais.
O atual artigo 37 define o que é a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e determina que tais poderes obedecerão aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Já o novo artigo 37-A, proposto na PEC 32/2020, o governo Bolsonaro cria os denominados “instrumentos de cooperação”, que afetam diretamente o magistério público.
“Com os tais instrumentos de cooperação, o governo determina que o serviço público pode ser executado por meio de instrumentos de cooperação. A exceção fica para as atividades privativas de cargos típicos de Estado. Ou seja, implanta a privatização dos serviços públicos por meio dos instrumentos de cooperação”, explica Cláudio Antunes, diretor do Sinpro-DF.
A redação proposta pela PEC 32/20 para o art. 37 da Constituição é a seguinte: “A administração pública direta e indireta de quaisquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, imparcialidade, moralidade, publicidade, transparência, inovação, responsabilidade, unidade, coordenação, boa governança pública, eficiência e subsidiariedade e, também, ao seguinte (…)”. Ou seja: são acrescentados 8 (oito) novos princípios aos 5 (cinco) originais, a maioria com objetivos suspeitos e que indicam os rumos pretendidos pelo Estado ultraliberal de Bolsonaro e Guedes, os guardiões dos interesses do mercado.
Em estudo preliminar sobre o novo texto do art. 37 proposto pela PEC 32/20, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) explica que, “ao vincular a gestão de pessoal a premissas empresariais, e sendo o governo conservador e pautado em questões ideológicas como o atual, não resta dúvida de que os novos princípios da imparcialidade, da responsabilidade, da unidade e da coordenação servirão para pautar os processos de avaliação (podendo culminar na quebra da estabilidade do servidor) e para orientar contratações de pessoal terceirizado via Organizações Sociais (OS) e mesmo por empresas privadas”.
E esclarece que “os conceitos de inovação, boa governança e subsidiariedade darão suporte à ampla privatização pretendida pela reforma e conforme dispõe o art. 37-A da PEC 32/20: “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão, na forma da lei, firmar instrumentos de cooperação com órgãos e entidades, públicos e privados, para a execução de serviços públicos, inclusive com o compartilhamento de estrutura física e a utilização de recursos humanos de particulares, com ou sem contrapartida financeira”.
Trata-se de uma reforma que altera a lógica do Estado, do serviço público e dos prestadores desses serviços, com grave risco de aparelhamento estatal e de amplas benevolências econômicas a setores privados com maior afinidade aos governos de plantão. Na verdade, a reforma administrativa contrapõe os princípios originários da administração pública (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência), suplantando-os com os novos ditames empresariais que se sobrepõem ao interesse público. Do ponto de vista conceitual e do interesse da maioria da população, é uma aberração que precisa ser combatida.
“A PEC muda completamente o atual artigo 37 para introduzir novos e perniciosos princípios a reger a administração e os servidores públicos tudo para transformar os cargos públicos em balcão de negócios, como, por exemplo, as vagas de professor nas escolas públicas”, finaliza Antunes.
Sinpro-DF convoca readaptados para reunião nesta quinta (24)
Jornalista: Maria Carla
A diretoria colegiada do Sinpro-DF, por meio da Secretaria para Assuntos de Saúde do Trabalhador, convoca os professores(as) readaptados para reunião, na quinta-feira (24/9), às 15h30. A reunião é virtual e o tema é “Setembro Amarelo: entre o esperar e o esperançar.
A Secretaria de Saúde do Trabalhador avisa que a reunião é virtual pela plataforma Zoom. Para participar, siga a orientação a seguir. No dia e hora da reunião, acesse o link, a seguir, do Zoom, e adentre a reunião virtual com a ID e senha disponibilizados ao final do texto.
Zoom (SINPRO-DF) está convidando você para uma reunião Zoom agendada.
NOAM CHOMSKY ABRE 20ª SEMANA UNIVERSITÁRIA DA UNB, NESTA SEGUNDA (21)
Jornalista: Vanessa Galassi
O linguista, filósofo, ativista, autor e analista político norte-americano Noam Chomsky é a atração principal da 20ª edição da Semana Universitária da Universidade de Brasília, que começa nesta segunda-feira (21). Chomsky participará da abertura oficial da Semuni, ocasião em que receberá o título Honoris Causa. O evento será transmitido ao vivo pelo canal da UnB TV no Youtube, a partir das 18h30.
Imagem: UnB notíticas
Devido à pandemia do novo coronavírus, esta edição da Semuni acontece integralmente de forma virtual. Programada para ser realizada de 21 a 25 de setembro, o tema da atividade são “20 anos de conexões”, que trata das comemorações dos 60 anos de Brasília e dos vinte anos da Semana Universitária, em convergência com a campanha institucional do ano de 2020: “UnB no coração de Brasília”. Todas apresentações, palestras, oficinas e webnários serão transmitidos pelo canal da UnB TV no Youtube. (Programação completa abaixo)
Entre as palestras que fazem parte da 20ª Semuni, estão “Residências Artísticas e Museus Universitários Durante a Pandemia” e “Universidade para a sociedade em tempos de Pandemia”. Na programação, também estão os webnários “COVID-19: a lupa que amplifica o que já sabíamos sobre educação”, “Lei Aldir Blanc: arte e cultura brasileira em contexto de crises” e “O Estado democrático na construção de um país mais justo e igualitário”. Ainda serão oferecidas oficinas de “Tai Chi Chuan”, massagem, “Escrita criativa curativa em tempos de pandemia” e “Metodologias Lúdicas na Promoção da Identidade Negra”.
Noam Chomsky (1928) é professor e ativista político norte-americano. É um crítico radical contra a política, a sociedade e a economia americana, particularmente a política externa. É professor do Massachusetts Institute of Technology. Desenvolveu uma teoria que revolucionou o estudo da linguística. Tal teoria sugere que toda declaração humana tem duas estruturas: “estrutura de superfície”, a superficial combinando com as palavras, e a “estrutura funda” que são regras universais e mecanismos. Em termos mais práticos, a teoria discute que os meios para adquirir uma língua é inata em todos seres humanos e são provocados tão logo uma criança começa a aprender os princípios básicos de uma língua.
“Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”
Jornalista: Maria Carla
Neste sábado (19), as redes sociais amanheceram e passaram o dia apresentando homenagens ao educador, filósofo, advogado, professor, pesquisador, pedagogo, pensador, escritor Paulo Freire. Se estivesse vivo, faria, neste 19/9, 99 anos. Para muitos, ele faz (e não faria). Apesar de combatido pelos adeptos do liberalismo e neoliberalismo, o legado é eterno e a própria figura do educador está viva como nunca.
Entre 14 e 19 de setembro, o Sinpro-DF mostrou, durante a Semana Paulo Freire – 99 anos, numa preparação para o centenário do educador em 2021, a atualidade da obra, do pensamento e do legado do educador. Nesta última matéria da série “Paulo Freire: vida e obra”, o sindicato apresenta a obra “Pedagogia do Oprimido”: a mais citada, estudada e colocada em prática mundo afora e também a mais combatida pelos empresários-políticos, banqueiros, latifundiários, escravocratas e fundamentalistas ultraliberais.
“Esta última semana foi muito importante porque a gente homenageou Paulo Freire, esse educador que dedicou uma vida a pensar uma educação que pudesse libertar não só na perspectiva da leitura, mas também na leitura de mundo”, afirma Berenice Darc, diretora do Sinpro-DF. Ela cita a “Pedagogia do Oprimido” como um dos clássicos do educador. “É o livro que mais teve repercussão mundial, em que chama professores e estudantes para a refletirem sobre seu papel no mundo”, lembra a diretora.
Pedagogia do Oprimido e o papel de cada um
Na obra “Pedagogia do Oprimido”, Paulo Freire busca refletir acerca de como a educação escolar, especialmente a escola pública, está organizada para reproduzir os processos de dominação e de como a pedagogia e a metodologia de ensino desenvolvida nessa escola está a serviço da manutenção da realidade que o País vive, dos processos de dominação de classe, de opressão daqueles que tem menos recursos.
A professora doutora Olgamir Amância Ferreira, atual decana de Extensão da Universidade de Brasília (UnB), coordenadora do Colégio de Extensão da Andifes (COEX/Andifes), vice-presidenta do Fórum Nacional de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras (FORPROEX) e professora aposentada da Secretaria de Estado da Educação do DF (SEEDF), explica o que é uma das obras-primas da educação: a “Pedagogia do Oprimido”.
Ela afirma que a escola executa essa dominação de uma forma, extremamente, sutil, por meio daquilo que Paulo Freire chama de educação bancária. “É exatamente uma educação na qual a relação entre as pessoas – entre professor e estudante – acontece numa perspectiva vertical. De um professor que tem saberes, conhecimentos, alguém que sabe tudo, e de um estudante que nada sabe, em que a experiência de vida e a perspectiva de vida do estudante não é colocada em movimento”.
Educação como instrumento de dominação
Na “Pedagogia do Oprimido”, Paulo Freire explica que a educação bancária existe no sentido de que, de um lado, está um professor que tem o domínio do conhecimento; e, de outro, um ser que não participa do processo, que seria apenas um receptáculo desse conhecimento, de forma passiva.
“A escola trabalha exatamente assim. Com essa relação de dominação, de transferência de conhecimento, ou seja, de um conhecimento que está, de um lado, e é passado para o outro desrespeitando tudo aquilo que as pessoas conhecem, que trazem de sua vivência, cultura, do seu ambiente, da sua realidade. Isso de fazer uma relação direta de um ser que sabe para um outro que não sabe, de forma passiva, é que ele chama de educação bancária. É o “método” usado nas nossas escolas para o processo de dominação”, explica.
Freire propõe exatamente o contrário. “Ele apresenta uma pedagogia dialógica, na qual o diálogo, a interação entre os sujeitos, acontece. Nessa interação gera transformações porque permite o confronto de conhecimentos, de saberes. Esse confronto de ideias possibilita o surgimento do novo, enseja conhecimentos novos. Permite colocar em xeque aquilo que está dado pela sociedade como uma verdade. As verdades são solapadas”, aponta.
Reforma do Ensino Médio retoma educação bancária
“Ora, o que isso tem que ver com a reforma do Ensino Médio? Tudo. Vimos trabalhando ao longo dos últimos anos para que a educação brasileira rompesse com essa lógica bancária, apática, passiva, de mera transmissão e se tornasse uma educação verdadeiramente crítica que envolvesse sujeitos com consciência da realidade e que, portanto, capazes de transformar essa mesma realidade”, afirma Olgamir.
Mas, com a reforma do Ensino Médio, em 2017, Lei nº 13.415/17, o Brasil retoma com toda a força a educação bancária. Olgamir explica que, “quando a reforma do Ensino Médio retira a autonomia dos sujeitos, quando reduz os tempos e a possibilidade do diálogo, quando ela rompe e institui itinerários, reduzindo o acesso ao conhecimento e não oportuniza o debate e o diálogo, está retomando aquilo que havíamos questionado antes, retomando outro patamar inferior de uma educação verticalizada. Também, no sentido de que se terá um Ensino Médio diferenciado, como Freire destacou no livro Pedagogia do Oprimido”.
Na obra, Freire denunciou, claramente, que há, no Brasil, uma educação para uns diferentes de uma educação que é oferecida para outros. No entendimento da professora Olgamir, “a reforma do Ensino Médio, além de eliminar a possibilidade de crítica, de reflexão consciente da realidade, também estabelece níveis diferentes de aprendizagem e de possibilidades distintas a partir dos itinerários”.
Com isso, os estudantes com melhores condições sociais cumprirão mais itinerários e, portanto, terão uma formação mais acabada. Os menos abastados, das classes populares, por sua vez, ficarão fora do sistema ou dentro do sistema, contudo, completamente fragilizados, com pouquíssimos itinerários na sua formação, o que não lhe permitirá o pensamento crítico e a chance de modificar a sua realidade, e sim apenas capazes de sobreviver na realidade que está aí instituída.
“É importante destaca que a reforma do Ensino Médio não é neutra. Com ela, o governo fundamentalista neoliberal promove uma a divisão entre concepção e execução, que é outra crítica que Paulo Freire faz na “Pedagogia do Oprimido, que ele diz que tem uma educação distinta para quem é o opressor e para quem é o oprimido. Ele aponta e demonstra essa diferença”, esclarece Olgamir. A professora afirma, ainda, que, na reforma do Ensino Médio, a partir dos itinerários, é feita essa diferenciação. “Ou seja, quanto se tem o Ensino Médio de tempo integral com muitos itinerários para um grupo diferente do outro. Voltou essa divisão da educação como se tem visto ao longo da história”.
Freire convida o(a) professor(a) para esperançar o mundo
“Na Pedagogia do Oprimido, Freire chama o professor a ser mediador na descoberta da liberdade pelos seus estudantes e, os estudantes, por sua vez, ele chama para serem libertadores de si mesmos na perspectiva do olhar a sociedade na qual ele é sujeito ou para que ele se torno sujeito e a sociedade que, nas perspectivas do Brasil, na época do livro e ainda hoje, é uma sociedade opressora, cujos espaços entre aqueles que dominam e os que são dominados são bem delimitados”, explica Berenice Darc, diretora do Sinpro-DF.
Ela informa que a ideia dele era a de que professores e estudantes se percebessem como tal e, a partir da percepção de dominado, pudessem se libertar. “Até mesmo se libertar da perspectiva que a própria pessoa tem de achar que é dominante: ‘Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor’. A ‘Pedagogia do Oprimido’ é um livro lindo”, assegura a professora e diretora do sindicato.
Para Berenice, é importante finalizar a semana afirmando a importância dele. “Paulo Freire vive! Em 2021, faremos um grande evento e espero que possamos estar em outras condições, livres da pandemia do novo coronavírus, para que nos encontremos, pessoalmente”, promete. Em Recife, 2021, no centenário de Paulo Freire, haverá o Encontro Latino-Americano em sua homenagem. “Espero que a gente possa fazer, lá, uma grande festa para este educador que tanto possibilitou a gente abrir os olhos no sentido de liberdade de expressão, de cátedra, do fazer pedagógico para levar nossos estudantes à reflexão de que eles podem transformar a realidade a partir da escola”.
Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF, destaca a importância, no término desta Semana Paulo Freire, da atualidade do educador. “São 99 anos de Paulo Feire e, certamente, ele ainda vive entre nós todos os dias e, neste momento, em que a gente tem a classe dominante oprimindo, Paulo Freire é muito vivo”. É o momento de a gente relembrar mesmo e adotar seu legado. É o momento de a gente relembrar que a educação tem um papel significativo e forte, que é resistir à dominação. É por isso que agridem ao Paulo Freire e a educação libertadora, que ele pensou para a sociedade e fez em livros, em ações”.
Para finalizar a Semana Paulo Freire – 99 Anos e a série “Paulo Freire: vida e obra”, o Sinpro-DF convida a todos e todas, sobretudo professores(as) e orientadores(as) educacionais, a lerem a obra consagrada “Pedagogia do Oprimido”.
Confira, a seguir, as matérias da série “Paulo Freire: vida e obra”, da Semana Paulo Freire – 99 anos, do Sinpro-DF.
Paulo Freire inspira lançamento da Conape 2022 nesta sexta-feira (18)
Jornalista: Maria Carla
Após um dia inteiro de debates virtuais sobre o retorno às aulas presenciais e os rumos da educação pública brasileira, o Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE), lançou, nesta sexta-feira (18), a Conferência Nacional Popular de Educação (Conape) 2022. O lançamento ocorreu durante a plenária virtual e faz parte da Semana Freireana de Lutas pela Vida e pela Educação Pública.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) – uma das participantes e organizadoras do evento – informou, em seu site, que o evento é um ensaio para o centenário de Paulo Freire, que será comemorado em 2021.
“Lançar a Conape 2022 na véspera do dia do aniversário de Paulo Freire é um gesto importante e simbólico pela mobilização permanente e insistente em defesa da educação pública, laica, democrática, emancipadora”, afirma Heleno Manoel Gomes Araújo Filho, presidente da CNTE.
Ele disse que, inspirados(as) nas ideias freireanas, a CNTE e os(as) professores(as) nunca desistiram do Brasil. “Não desistimos do Brasil. Como realizamos a Conferência Nacional da Educação Básica (Coneb), em 2008; a Conferência Nacional de Educação (Conae), em 2010 e em 2014, a Conape, em 2018; continuamos na luta, mobilizando, organizando em defesa de uma educação pública para todos e todas com qualidade social e valorização dos seus profissionais”, afirma.
Heleno informa assim serão as etapas municipais, estaduais, distrital da Conape 2022. “Esperamos que, em setembro de 2022, possamos realizar a etapa nacional desta Conferência Nacional Popular de Educação”. A realização da Conape é uma demonstração do legado de Paulo Freire não só no ensino e na escola, mas também na luta docente por uma educação pública, gratuita, laica, emancipadora, libertadora democrática, socialmente referenciada, capaz de reconstruir a cidadania brasileira.
Prisão e exílio: o terrorismo da ditadura civil-militar
Nesta quinta matéria da série “Paulo Freire: vida e obra”, o Sinpro-DF conta um pouco da breve passagem do Patrono da Educação Brasileira pelo mundo. Ele viveu 76 anos. Nasceu em 19 de setembro de 2021, em Recife, Pernambuco, e faleceu no dia 2 de maio de 1997, de insuficiência cardíaca, em São Paulo.
Foi um dos primeiros brasileiros prisioneiros do golpe civil-militar de 1964, quando os militares das Força Armadas brasileiras traíram o Brasil, ajoelharam-se para o empresariado colonialista e escravocrata nacional e estadunidense e interferiram, de forma brutal e repressora, com centenas de torturas e assassinatos, nos rumos da soberania do Brasil.
No dia 21 de janeiro de 1964, pouco mais de 2 meses antes do golpe civil-militar, o presidente João Goulart (Jango) anunciou o início do Programa Nacional de Alfabetização. Contudo, a sua concepção de que o conhecimento pode ser algo revolucionário fez com que Paulo Freire fosse um dos principais alvos da elite escravocrata brasileira e estadunidense.
Freire residia em Brasília, Distrito Federal, quando foi preso. Integrava o governo eleito democraticamente de João Goulart e presidia a Comissão de Cultura Popular (CCP), que desenvolvia a Campanha Nacional de Alfabetização. Por causa disso, foi acusado pelos militares de agitador e levado à prisão por 70 dias.
Em seguida, após ser libertado, foi exilado, primeiramente, no Chile. Durante 5 anos desenvolveu trabalhos em programas de educação de adultos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária. Pelos 16 anos seguintes que viveu exilado, disseminou mundo afora o seu método inovador de alfabetização.
Em 1969, foi para os EUA, onde lecionou na Universidade de Harvard. Por 10 anos, foi consultor especial do Departamento de Educação do Conselho Municipal das Igrejas, em Genebra, na Suíça. Nos 16 anos de exílio, o educador viajou por vários países dando consultoria educacional.
Resistência e retorno ao Brasil
Com a Lei da Anistia, ele regressou ao Brasil, em 1980. Estabeleceu-se em São Paulo. Foi professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Pontifícia Universidade Católica de SP (PUC-SP) e secretário de Estado da Educação da Prefeitura de São Paulo na gestão de Luiza Erundina.
Durante todo esse tempo, Freire pesquisou e desenvolveu seu método de alfabetização. Criou uma das mais importantes filosofias da educação do mundo. Seu trabalho na área educacional é reconhecido e adotado mundialmente.
Ele é o brasileiro com mais títulos de Doutor Honoris Causa de diversas universidades ao redor do planeta. Ao todo são 41 instituições, entre elas, Harvard, Cambridge e Oxford. Em 2012 foi reconhecido como Patrono da Educação Brasileira pela Lei Ordinária nº 12.612/2012, a partir do Projeto de Lei (PL) nº 5.418/2005 de autoria da então deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP).
. Ele é reconhecido internacionalmente com o título de Doutor Honoris Causa – concedido a quem se destaca em sua área de atuação – em 27 universidades.
É uma das pessoas mais premiadas do mundo. Recebeu, por exemplo, o prêmio Educação para a Paz, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e Educador dos Continentes, da Organização dos Estados Americanos (OEA). Ele é o terceiro pensador mais citado em obras científicas do mundo nas áreas de Ciências Humanas.
Nesta penúltima matéria da série, o Sinpro-DF indica a obra “Pedagogia da autonomia – Saberes necessários à prática educativa”, obra publicada em 1996 e que, até 2003, teve 28 edições, com mais de 500 mil cópias vendidas.
Indica também as obras “Cartas a Guiné-Bissau” (1975); “Educação e mudança” (1981); “Prática e educação” (1985); “Por uma pedagogia da pergunta” (1985); “Pedagogia da esperança” (1992); “Professora sim, tia não: carta a quem ousa ensinar” (1983); “À sombra desta mangueira” (1995).
As raízes de Paulo Freire no Distrito Federal e no Brasil
Jornalista: Maria Carla
Adotado em quase todos os países do mundo, Paulo Freire está nas melhores escolas e universidades dos países desenvolvidos. No Brasil e no Distrito Federal, embasa as Metas dos Planos Nacional (PNE) e Distrital de Educação (PDE). Em 2013, a abordagem freiriana passou a fundamentar a Educação de Jovens e Adultos (EJA), instituída no País pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) em 1996.
“A EJA é modalidade na LDB, mas, na abordagem da educação libertadora de Paulo Freire, desde 2013, conquistamos e lutamos pelo cumprimento do PNE – Plano de Estado – a definição de ‘EJA na forma integrada à educação profissional’ nas Metas 9 e 10. Aqui no DF, construímos, coletivamente, em conferências promovidas pelo Fórum Distrital de Educação (FDE), as Metas 8, 9, 10 e 11 do PDE, desde 2015, e as Diretrizes Operacionais de EJA, aprovadas em 2019 e lançadas, este ano, em fevereiro de 2020”, explica Maria Luiza Pereira, professora aposentada da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB).
Contudo, o projeto político e econômico em curso no Brasil afasta cada vez mais o direito à educação básica da classe trabalhadora. Mesmo com a alta demanda social do Brasil e do DF, o governo Bolsonaro se nega a usar o dinheiro público na alfabetização de brasileiros, mantendo a educação numa eterna crise que justifica a declaração do antropólogo, sociólogo e historiador Darcy Ribeiro de que “a crise da educação, no Brasil, não é uma crise; é um projeto” da elite.
Em 2019, o Bolsonaro aplicou apenas 2,8% do orçamento destinado à EJA. Dos R$ 54,4 milhões destinados ao programa, apenas R$ 1,5 milhão foi aplicado. Ao mesmo tempo, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2018, revelaram imensa demanda por educação básica no País. Naquele ano havia 75.493.220 (milhões) de brasileiros com 15 anos e mais sem educação básica completa; 74.729.441 (milhões), com 18 anos e mais, sem educação básica completa; 11.300.000 (milhões), com 15 anos e mais, não alfabetizadas.
O diagnóstico do PDE estima que, no Distrito Federal, há mais de 1,2 milhão de pessoas de 15 anos e mais sem educação básica completa. Em 2019, o IBGE registrou, no DF, 66 mil pessoas de 15 anos e mais não alfabetizadas e, 124 mil jovens de 15 a 29 anos, que não trabalhavam nem frequentavam escola ou similar. Nesse mesmo ano, o DF teve o maior percentual, no País, de pessoas que concluíram o nível superior: 27% da população.
Filosofia freiriana na EJA
É importante destacar que depois das Metas 10 e 9 do PNE, a EJA passou a ser entendida na forma integrada à educação profissional. “Ou seja, não existe EJA sem uma integração na perspectiva do mundo do trabalho e não do mercado de trabalho”, esclarece a professora Maria Luiza Pereira.
Ela explica que “é nesse ponto que faz a diferença do entendimento de que Paulo Freire nos traz uma educação que seja libertadora não no sentido apenas de uma liberdade abstrata, utópica, mas de um exercício da liberdade de luta por direitos, de forma organizada, exatamente, na construção de uma nova sociedade, seja ela chamada de sustentável, de bem viver, de socialista, mas esta sociedade que está aí não tem capacidade de realizar o humano nas pessoas e, sobretudo no trabalho, o respeito à criatividade, às novas formas de organização do trabalho”.
Júlio Barros, diretor do Sinpro-DF, afirma que “é nesse sentido que o PNE e o PDE expressam, claramente, essa direcionalidade para uma educação que não é de empreendedores ou de reprodução da sociedade capitalista, mas uma educação que faça com que cada trabalhador, de forma organizada, possa construir a nova sociedade. É nesse sentido que o PNE e o PDE apontam, sim, nas Metas 8, 9, 10 e 11, claramente, a possibilidade do processo libertador. Construímos coletivamente os dois planos”.
Resistência: Cepafre alfabetizou 16 mil em 31 anos
Apesar do projeto destruição da educação pública, gratuita, libertadora, emancipadora e de qualidade socialmente referenciada, a resistência freiriana mantém vivo o projeto de educação da classe trabalhadora. “Há uma relação entre a alegria necessária à atividade educativa e a esperança”, diz Freire na obra “Pedagogia da autonomia – Saberes necessários à prática educativa”.
Essa esperança e alegria freiriana é uma espécie de combustível que mantém vivo o Centro de Educação Paulo Freire de Ceilândia (Cepafre) – um centro de educação popular. No Cepafre, os educadores entendem que ensinar exige rigorosidade metódica, pesquisa, respeito aos saberes do educando, criticidade, estética e ética, dentre outras características apontadas pelo Patrono da Educação Brasileira.
Não é uma escola da rede pública e nem privada, mas é uma unidade educacional sem fins lucrativos que vive de apoio e de projetos e que entendeu que “ensinar não é transferir conhecimento” e “exige consciência do inacabamento. Fundado como associação de fins não econômicos, em 1989, o Cepafre completou 31 anos em 2 de setembro deste ano. Ele resultado de uma experiência de alfabetização iniciada em 1985, com a metodologia do professor Paulo Freire. Trata-se de uma iniciativa de um grupo de estudantes da extinta Escola Normal de Ceilândia com estudantes do Mestrado em Educação UnB.
O centro subsiste de muita resistência coletiva dos seus integrantes, leituras, pesquisa, debates. Do ponto de vista econômico, subsiste de doações de pessoas generosas que acreditam no trabalho, bem como de projetos. “No ano passado, por exemplo, tivemos quatro turmas financiadas pelo Sistema de Cooperativas Sicoob. Muitas vezes foi socorrido pelo Sinpro-DF. Tem apoio da UnB, com assessoria pedagógica desde a sua fundação, a partir de um termo de cooperação, renovado a cada 5 anos, tendo o professor Erlando da Silva Reses como responsável, na FE/UnB, pelo Termo de Cooperação, bem como o apoio da Faculdade de Direito, por meio do Núcleo de Prática Jurídica”, informa.
“Eu diria que o Cepafre é de fundamental importância em Ceilândia porque, mesmo sem muito apoio do governo, já alfabetizou mais de 16 mil pessoas ao longo dos seus 31 anos de existência. Pela relevância do seu trabalho de alfabetização recebeu o prêmio “Medalha Paulo Freire”, em 1985, e vários outros, como certificados de honra ao mérito do GDF e da Coordenação Regional de Ensino de Ceilândia”, afirma a professora Maria Madalena Tôrres, vice-presidente do Centro de Educação Paulo freire de Ceilândia e mestre em educação.
Semente plantada frutifica na capital do País
Apesar de toda a repressão e desinvestimento, o pensamento freiriano foi semeado no DF desde o início dos anos 1960. Madalena conta que grupos de várias cidades aprenderam a metodologia com o Cepafre, como o Cepac’s, de Sobradinho; Caremas, do Recanto das Emas; Casa de Paulo Freire, de São Sebastião; e vários outros grupos que iniciaram suas experiências a partir de Ceilândia, mas não conseguiram se sustentar financeiramente. “Não é fácil manter, num país como o nosso, que valoriza pouco a educação formal e menos ainda a educação popular”, afirma Madalena.
Nesta quarta matéria da série “Paulo Freire: vida e obra”, que integra a Semana Paulo Freire – 99 anos, o Sinpro-DF indica obras que são construções na EJA, na forma integrada de educação profissional, que se conjuga com as diretrizes operacionais de EJA do DF.
Sinpro-DF convida gestores(as) para reunião nesta sexta-feira (18)
Jornalista: Maria Carla
A diretoria colegiada do Sinpro-DF convida todos(as) os(as) gestores(as) de escolas da rede pública de ensino para uma reunião, nesta sexta-feira (18/9), às 16h. A pauta é a organização do lançamento do coletivo de gestão democrática; pacotes de dados para acesso à plataforma; e Aprova Brasil.
A reunião será pela plataforma Zoom. Se você ainda não instalou o aplicativo Zoom, clique no link, a seguir, que ele lhe direcionará para a Play Store (celulares Android) ou App Store (celulares iOS).
Para baixar em celulares Android, clique: https://play.google.com/store/apps/details?id=us.zoom.videomeetings
Para baixar em celulares Apple, clique: https://apps.apple.com/br/app/zoom-cloud-meetings/id546505307
Os(as) interessados(as) em participar da reunião deverão confirmar participação pelo telefone 99685-4997 para receberem o link uma hora antes da abertura da sala virtual. Participe!
Adiada audiência pública sobre problema de saúde dos profissionais da educação
Jornalista: Maria Carla
Em razão de problemas técnicos, a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) adiou a audiência pública sobre os resultados da pesquisa “A dor da gente”, realizada pelo Sinpro-DF em parceria com o Laboratório de Psicodinâmica e Clínica do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB). Ainda não tem data prevista.
O gabinete do deputado Professor Reginaldo Veras (PDT), autor da iniciativa, avisou, na manhã desta quinta-feira (17), que a audiência pública que debateria a saúde dos profissionais de educação do DF precisou de ser adiada.
A TV Web, que faria a transmissão, está com problemas em sua base na CLDF e não conseguirá transmitir, o que inviabiliza o debate público. Decidimos então em adiar para uma nova data a ser agendada com a comunicação da Câmara. Pedimos desculpas pelos transtornos e nos colocamos a disposição para quaisquer esclarecimentos.
A diretoria colegiada do Sinpro-DF irá informar a nova data prevista assim que a CLDF remarcar.