Atualidade de Paulo Freire na pandemia do novo coronavírus

A pandemia do novo coronavírus tem reforçado a atualidade da filosofia paulo-freiriana não só na educação e na pedagogia, mas também na vida. Do ponto de vista da educação libertadora de Paulo Freire, a pandemia evidenciou o agravamento, cada vez mais, das desigualdades sociais produzidas pelo modo de produção capitalista na sua filosofia neoliberal e de Estado mínimo.

A condução das políticas de saúde e de combate à pandemia no Brasil afeta a vida da população trabalhadora. A prova está nos números: no início da tarde desta quarta-feira (16), o Brasil, segundo lugar em contaminações em mortes no mundo, apresenta 4,3 milhões de contaminados confirmados e mais de 13o mil mortes em apenas 6 meses. A matemática do governo federal, ainda que com método de contagem duvidoso e grandes subnotificações para omitir a dimensão da tragédia, revela um país à deriva com seus recursos financeiros públicos sendo canalizados para os interesses privados de uma minoria.

A gestão da pandemia desmascara a má gestão da economia, que tem levado ao aprofundamento das desigualdades já existentes. A crise é anterior à pandemia. Ela já estava instalada por meio de uma geopolítica de disputa muito forte entre EUA e China, com repercussões graves e bastante invasivas, de tentativas de intervenção na América Latina, já evidenciada na Venezuela e em outros países, como o Brasil no governo atual. 

Uma vez que essas desigualdades sociais, que já estavam agravadas por causa dessa nova geopolítica neoliberal, foram evidenciadas pela Covid-19, o Brasil se viu preso num quadro de crise que afeta os oprimidos, que seriam, para Paulo Freire, a população mais carente, e, sobretudo, os trabalhadores: os que sustentam as riquezas do País.
 
“A atualidade de Paulo Freire nos ajuda a perceber e nos dá a possibilidade de compreender que a luta continua na disputa entre o projeto da elite conservadora e o dos trabalhadores. Ele nos ajuda a assumir a educação política mesmo dentro das condições objetivas que estamos vivendo”, afirma Cláudio Antunes, diretor do Sinpro-DF.

Ele explica que o Brasil vive um desprezo total com um sistema público que está atendendo precariamente as demandas. Na visão de uma educação libertadora, o que Paulo Freire traz para os dias de hoje é aprofundar as condições estruturais e conjunturais do problema e, nessa medida, assumir a organização dos trabalhadores, compreendendo esse fato para, exatamente, ter uma elevação de consciência política e, nesse contexto, fazer uma resistência mais forte ao governo, portanto engajar à palavra de ordem do #ForaBolsonaro.

Nesse sentido, uma visão de educação libertadora freiriana conduz para o fato de que, na pandemia, precisamos trazer as razões pelas quais o Estado brasileiro não tem cuidado de seu povo, diferentemente de Cuba, onde o movimento do Estado foi o de fortalecer a imunidade da população para que o coronavírus não tivesse espaço de contaminação, enquanto no Brasil foi justamente o contrário”, denuncia a professora aposentada da Universidade de Brasília (UnB), Maria Luiza Pereira.

Através do tempo
A teoria Paulo-freiriana atravessa o tempo. Ele foi o mentor da educação para a consciência. Muito mais do que um método de alfabetização de adultos, ele elaborou uma filosofia da educação adotada nas melhores escolas e universidades ao redor do mundo. Ele é o terceiro teórico mais citado em trabalhos acadêmicos no planeta. Considerado um dos mais notáveis pensadores da pedagogia da humanidade.

A ferramenta de pesquisa para literatura acadêmica Google Scholar apontava, em 2018, que Freire havia sido citado 72.359 vezes ao redor do mundo, ficando atrás somente do filósofo Thomas Kuhn e do sociólogo Everett Rogers, ambos estadunidenses. Ele foi perseguido pela elite empresarial brasileira e estadunidense. Por causa dos métodos inovadores e da filosofia pedagógica que ele havia criado, com foco na transformação social foi exilado por 16 anos.

“Evidentemente, eu fui preso e exilado por causa da ditadura. A ditadura militar de 1964 não só considerou, mas disse por escrito e publicou que eu era um perigoso, subversivo internacional, um inimigo do povo brasileiro e um inimigo de Deus”, disse Freire numa entrevista concedida à TV Cultura, em 1989.

Breve histórico
Em 1964, ano em houve o golpe civil-militar no Brasil, apoiado e financiado pelos EUA, que depôs João Goulart da Presidência da República, Paulo Freire foi cassado e preso por 70 dias. Na época, ele residia com a família em Brasília porque estava a serviço do então Ministério da Educação e Cultura (MEC) e desenvolvia um trabalho de formação de professores em Goiânia e o Programa Nacional de Alfabetização.

Esse programa foi extinto pela ditadura militar em 14 de abril de 1964. Pau mandado da elite empresarial conservadora do País e da Embaixada dos EUA, os militares acusaram o programa e o próprio Paulo Freire de subversivo e de ser contrário aos interesses da nação.  Acusaram seus autores de quererem implantar o comunismo no País.

Com esse golpe na educação, a elite, sobretudo a latifundiária, os EUA e os militares deram fim ao projeto de Goulart de lançar 60.870 Círculos de Cultura para alfabetizar 1,8 milhão de brasileiros ainda no ano de 1964. Desse total, 8,9% estavam na faixa etária entre 15 e 45 anos. Eram brasileiros que nunca tiveram o direito à educação e não sabiam ler nem escrever.

Diante do tema da pandemia do novo coronavírus e da história da educação brasileira, nesta terceira matéria da “Série Paulo Freire: vida e obra”, que integra a Semana Paulo Freire – 99 anos, o Sinpro-DF indica os livros “Pedagogia da Esperança”, de autoria de Paulo Freire (1992) e o livro “Medo e ousadia: o cotidiano do professor”, cujos autores são Paulo Freire e Ira Shor (1986).

Confira, a seguir, a primeira matéria da série:

Sinpro-DF inicia Semana Paulo Freire com série sobre vida e obra

Paulo Freire cria método e alfabetiza adultos em 45 dias

PEC 32/2020 acaba com as férias do magistério público

A proposta de reforma administrativa do governo Jair Bolsonaro determina que nenhum servidor público poderá ter mais de 30 dias de férias. Com isso, acaba com as férias dos professores e dos operadores de raio-X, que trabalham com substância radioativas. Nesta primeira matéria da série sobre a reforma administrativa, o Sinpro-DF esclarece sobre o direito às férias.

No texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/2020, o governo Bolsonaro elimina o direito aos 45 dias de férias dos professores e, os 40 dias, dos técnicos em raio-X. Além disso, essa proposta só atinge os(as) servidores(as), ou seja, ela deixa de fora membros dos altos escalões dos Três Poderes, como parlamentares, magistrados (juízes, desembargadores, ministros dos tribunais superiores), promotores e procuradores, e militares.

Os magistrados, por exemplo, têm direito a 60 dias de férias por ano. No Congresso Nacional, deputados e senadores têm dois períodos de recesso no ano: de 23 de dezembro a 31 de janeiro e de 18 a 31 de julho. Nesse período, de 54 dias no total, não há sessão nem atividade legislativa.

O objetivo da A PEC 32/2020 é privatizar os serviços públicos que atendem aos direitos fundamentais e sociais contidos na Constituição Federal. “Essa proposta, relacionada às férias, mostra, mais uma vez, que o objetivo final do governo ultraliberal de Bolsonaro, portanto, é contratar no setor privado para executar os serviços e produtos prestados ou produzidos, atualmente, por instituições estatais”, alerta Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF.

A diretora informa que, após a aprovação da reforma administrativa, os serviços públicos serão, inicialmente, prestados por meio de organizações sociais e serviços sociais autônomos, “sem fins lucrativos”, e, posteriormente, por empresas privadas, com fins lucrativos.

“Setores como educação e saúde, que estarão no grupo de cargo por vínculo indeterminado, poderão dispensar a própria contratação direta, resolvendo-se o problema mediante a criação de Organização Social ou Serviço Social Autônomo ou, no futuro, mediante a distribuição ou o fornecimento de voucher à população carente, para que decida de quem comprar o serviço”, esclarece a diretora.

Confira, a seguir, matérias relacionadas à série Reforma administrativa

Câmara dos Deputados abre consulta sobre reforma administrativa

Sinpro-DF realiza live sobre impactos da reforma administrativa no serviço público

Reforma administrativa de Bolsonaro e Guedes ataca as carreiras de servidores e o atendimento público à população

Paulo Freire cria método e alfabetiza adultos em 45 dias

Entre 1959 e 2000, o educador Paulo Freire publicou muitas obras. Por causa de sua pesquisa e trabalhos na área da educação, ele recebeu 48 prêmios concedidos por organizações nacionais, internacionais e por vários países. Freire dizia que “a educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa”. Nesta segunda matéria da série “Paulo Freire: vida e obra”, que faz parte da “Semana Paulo Freire – 99 anos”, o Sinpro-DF registra seus primeiros passos na transformação da educação brasileira.
 
Considera-se como sua primeira obra, o livro intitulado “Educação como prática da liberdade”. Nessa obra, Freire expõe seu método de alfabetização de adultos minuciosamente, contextualizando-o, historicamente, com pressupostos filosóficos e políticos. Publicado em 1967, o livro foi antecedido por sua experiência de Angicos e por sua tese, de 1959, intitulada “Educação e atualidade brasileira”, escrita para o concurso público na cadeira de História e Filosofia da Educação na Escola de Belas Artes da Universidade de Recife.
 
Nessa tese, ele aponta princípios para a educação, tais como a ação dialógica, a organicidade da educação (contexto histórico-social), a práxis refletiva (ação-reflexão-ação) e a criticidade (consciência crítica). O ingresso na universidade, local em que iniciou a construção de sua carreira de professor, possibilitou-lhe realizar as primeiras experiências de alfabetização de adultos. Essas experiências resultaram na denominada “experiência de Angicos”, em 1963, que causou alvoroço na cidade. Ele ensinou 300 adultos a ler e a escrever em 45 dias. O método foi adotado pelo Estado de Pernambuco. Com o método criado e desenvolvido por ele, foi possível a alfabetização de jovens e adultos em cerca de 40 horas e com baixos custos.
 
Esse método inspirou o Plano Nacional de Alfabetização, que começou a ser executado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) no governo de João Goulart (1961-1964), um governo abreviado pelo golpe civil-militar de 1964, que resultou em 21 anos de ditadura e no exílio de Paulo Freire. Paulo Reglus Neves Freire era pernambucano. Nasceu no dia 19 de setembro de 2021, em Recife. De família pobre, era filho de um policial militar e uma dona de casa, experimentou, juntamente com seus três irmãos, todas as dificuldades de sobrevivência. Com bolsa de estudo, conseguiu superar por meio da educação.
 
Nesta segunda matéria da série, o Sinpro-DF indica dois livros. Primeiramente, sua tese “Educação e atualidade brasileira”. Segundamente, sua primeira obra: “Educação como prática da liberdade”. Boa leitura!

Confira, a seguir, a primeira matéria da série:
Sinpro-DF inicia Semana Paulo Freire com série sobre vida e obra

“A dor da gente” torna-se tema de audiência pública, desta quinta (17), na CLDF

A pesquisa “A dor da gente” – que mapeou dados sobre o sofrimento dos professores na relação deles com a gestão da escola e da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) e identificou motivos de afastamento e problemas de saúde dos profissionais da educação – será o tema da audiência pública remota, da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), nesta quinta-feira (17), às 10h, pela TV Web da CLDF, no YouTube.

A diretoria colegiada do Sinpro-DF convida a todos e todas a participarem. A audiência é aberta ao público, que pode participar pelos “Comentários” do YouTube durante a transmissão. A iniciativa é do deputado distrital Professor Reginaldo Veras. A apresentação da Cartilha A Dor da Gente, será realizada pela psicóloga do Sinpro-DF, Luciane Kozicz.

Lançada no fim de agosto, a cartilha “A dor da gente” reúne o resultado do levantamento realizado pelo Sinpro-DF, em parceria com o Laboratório de Psicodinâmica e Clínica do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB), que investigou quatro dimensões que envolvem a relação trabalhador–organização e permitiu ao sindicato mapear os possíveis pontos de tensão que podem fazer com que a vivência do sofrimento seja, predominantemente, patológica, conduzindo ao adoecimento e, consequentemente, afastamento do trabalho ou até mesmo a necessidade de reabilitação profissional ou de aposentadoria precoce.

Foi realizada com 3.326 trabalhadores(as) da rede pública de ensino do Distrito Federal, entre 5 de maio e 30 de junho de 2020. Como resultado, foram mapeados impactos e riscos psicossociais que interferem na vida dos(as) servidores(as), provocando adoecimento.

Confira, a seguir, matéria sobre o lançamento da cartilha com o resultado da pesquisa:

Sinpro-DF divulga resultado de pesquisa realizada em parceria com a UnB

 

Sinpro-DF inicia Semana Paulo Freire com série sobre vida e obra

“Educar é comprometer-se com a vida”. Essa era o posicionamento do educador Paulo Freire diante da educação. Para contar essa trajetória no mundo do magistério, o Sinpro-DF inicia, nesta segunda-feira (14), a Semana Paulo Freire – 99 anos, dedicada às comemorações dos 99 anos de nascimento do educador e Patrono da Educação Brasileira. Ele afirmava que ler e aprender são condições essenciais para a cidadania autêntica e a transformação do mundo. Mais do que educador, Freire era professor, pesquisador, político e inovador.

Dedicou a vida à educação e levou seu método educativo aos cinco continentes. Atualmente, há cerca de 350 escolas e instituições ao redor do mundo com seu nome. Foi professor da Universidade de Harvard, durante o exílio imposto pela ditadura militar, e, quando voltou, foi secretário de Educação no Município de São Paulo, durante a gestão da ex-prefeita Luiza Erundina.

Freire entendeu que a educação é um ato político que não pode ser divorciado da pedagogia. O método dele é o que mais atrai o(a) professor(a). Além de ato político, ele definiu a educação como um princípio principal da pedagogia crítica. Para ele, professores(as) e estudantes devem estar cientes das “políticas” que cercam a educação. Esclareceu que a forma como os(as) estudantes são ensinados e o que lhes é ensinado servem a uma determinada agenda política.

“O pensamento paulo-freiriano remete à dimensão política da educação enquanto ação libertadora”, afirma a professora de literatura Vera Fátima Gobbi Cassol, em seu curso sobre o livro “Ação cultural para a liberdade”. Durante o tempo que atuou na Harvard como professor, Freire consolidou algumas de suas obras clássicas. Todas atualíssimas. Nesta série de textos sobre vida e obra de Paulo Freire, que se inicia nesta segunda-feira (14) e vai sábado (19), data de aniversário de nascimento do educador, o Sinpro-DF mostrará momentos marcantes da sua vida que se confundem com a educação e dará sugestões de obras a serem lidas, as quais são seguidas, adotadas, respeitadas pelas melhores escolas, universidades e países do mundo.

A primeira sugestão de leitura é da obra “Ação cultural para a liberdade”. Essa obra, segundo Cassol, “apresenta uma proposta de educação preocupada com o engajamento do sujeito em sua realidade, em seu contexto, apreendendo-o e tornando-se capaz de, ao criticá-lo, iniciar sua compreensão e transformação”.

Ela afirma que, para Freire, “educar está longe da acomodação e da atitude acomodativa pela ação pedagógica. Educar é, desse modo, intrigar, desafiar, desacomodar, incomodar. Educar é agir de modo desafiador e perturbador diante da estrutura socioeconômica e cultural da sociedade de privilégios que vê o eu somente e, mesmo assim, não consegue atendê-lo em sua plenitude por assumir uma fantasia do real descomprometendo-se com a vida, a pessoa e a dignidade humana. Educar é comprometer-se com a vida”.

Sinpro-DF transmite, nesta terça (15), live sobre os pensamentos de Paulo Freire no enfrentamento à pandemia

O Sinpro-DF transmite, nesta terça-feira (15), às 18h, a live da CNTE sobre os “Pensamentos de Paulo Freire no enfrentamento educacional ao contexto da pandemia”. A transmissão conta com a participação de Lúcia Alvarez, da UFMG, e José Batista Neto, da UFPE, e terá mediação de Fátima Silva, secretária Geral da CNTE.

A #LIVEdaCNTE faz parte da “Semana freiriana de lutas pela vida e pela educação pública”, que começa nesta segunda-feira (14) e se encerra no sábado (19), dia do nascimento do educador e patrono da educação brasileira. Esta semana será, totalmente, dedicada à celebração dos 99 anos de nascimento de Paulo Freire. Setembro, por sua vez, é o mês das jornadas latino-americanas de luta em defesa da educação pública, gratuita, laica e emancipatória, contra a comercialização e a privatização: rumo ao centenário de nascimento de Paulo Freire, em 2021.

A “Semana freiriana de lutas pela vida e pela educação pública” faz parte dessa jornada. A programação envolve as entidades do movimento educacional brasileiro reunidas no Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE) e está aberta à participação de todo o povo brasileiro para reivindicar, anunciar, denunciar, agitar, mobilizar e fortalecer as lutas por justiça social.
Clique no link, a seguir, e acesse os materiais de divulgação da campanha: https://sinpro25.sinprodf.org.br/SFcnte

Não perca! Nesta terça-feira (15), às 18h, pelos canais de comunicação do Sinpro-DF no YouTube, Facebook e Instagram.

Sinpro-DF realiza, terça (15), live sobre educação do campo no DF

A pandemia do novo coronavírus têm expulsado, quase que cotidianamente, dezenas de estudantes das escolas do campo do direito à educação básica. Sem acesso às tecnologias da informação, como equipamentos e Internet, dezenas de crianças e adolescentes camponeses não têm acesso à plataforma virtual que o Governo do Distrito Federal (GDF) utiliza para as aulas remotas enquanto é impossível, em decorrência do descontrole total da pandemia, reunir estudantes em aulas presenciais.

Contudo, a pandemia não é o único empecilho que afetam as escolas do campo. O principal problema que tem levado esse segmento da educação a uma crise estrutural é a política econômica neoliberal, de Estado mínimo e concentradora de terras e rendas do governo Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes. Essa crise começou em 2016, com a troca, forçada, da política econômica. Desde então, os desafios das escolas do campo são imensos.

Para falar sobre esse tema, o Sinpro-DF realiza, nesta terça-feira (15), às 16h30, uma live sobre “Educação do campo no Distrito Federal: histórico e resistências”, com Ana Carolina Seixas, Clarice Santos e Anna Izabel Costa Barbosa. A live será intermediada por Melquisedek Garcia, diretor do sindicato. “O objetivo da live é esclarecer, discutir, motivar, mobilizar e  contextualizar a sociedade a respeito da educação do campo no DF”, afirma o diretor.

Ana Carolina Seixas é bióloga pela UFRJ, com mestrado em Política e Gestão Ambiental pela UnB e extensão e pesquisa nas áreas de agroecologia, etnobotânica e agrobiodiversidade, formadora em educação do campo da EAPE/SEDF e membro da coordenação do Fecampo. Clarice Santos, é membro da coordenação do FONEC. É professora da Universidade de Brasília (UnB) com doutorado em Políticas Públicas e Formação Humana pelo PPFH/UERJ (2016), mestrado em educação pela própria UnB e coordenadora do Núcleo de Estudos Agrários –NEAGRI/CEAM/UnB. Anna Izabel Costa Barbosa é educadora com doutoramento em educação do campo, membro do Fecampo desde a sua criação.

Histórico e retrocesso
As convidadas farão um histórico da educação do campo no DF e sua importância, abordando os retrocessos vividos nos tempos atuais e os processos de resistência necessários para reverter tantas perdas de direitos.  A diretoria colegiada do Sinpro-DF destaca a importância da participação dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais.

“A crise que as escolas do campo estão enfrentando é o espelho do que poderá acontecer com as demais 683 escolas públicas do DF caso não haja uma resistência não só contra a falta de política para combater a pandemia, mas, sobretudo, contra as ações do governo federal de desmontar totalmente o Estado de bem-estar social, previsto na Constituição”, alerta.

Crise na educação do campo e na agricultura familiar
A diretoria informa que a educação do campo foi regulamentada, depois de muita luta do Sinpro-DF e de outras representações do movimento docente, pela Meta 8 do Plano Distrital de Educação (PDE) e suas 40 Estratégias de atuação para garantir a educação básica do campo à população camponesa do Distrito Federal.

No entanto, faltando apenas 4 anos para finalizar o cumprimento do PDE, previsto para ser executado entre 2015 e 2024, observa-se que o percentual de suas ações está muito aquém do mínimo necessário. Poucas metas e estratégias foram implantadas. O governo Bolsonaro abandonou todas as políticas públicas de fortalecimento da agricultura familiar. Acabou com o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), destruiu a Conab, extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e todos os programas de Estado que financiavam médios, pequenos e microagricultores.

Um deles é o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), que existe há 22 anos e é política pública pioneira da educação do campo no Distrito Federal e Entorno. Esse programa tem sofrido com o total abandono do governo Jair Bolsonaro. Ao abandonar esses programas, as escolas rurais são afetadas. Elas estão submersas, neste momento de pandemia do novo coronavírus e de crise econômica por causa das políticas neoliberais, numa crise sem precedentes.

Exclusão educacional e aulas remotas
As aulas remotas revelam ainda mais o abismo de desigualdade. Milhares de estudantes do campo estão excluídos da plataforma virtual, usada pelo GDF, para assegurar educação pública a uma parte dos estudantes. Sem acesso às tecnologias da informação, como equipamentos e rede de Internet, estudantes do campo estão excluídos da educação básica.

“Diante dessa conjuntura, a existência e atuação desse fórum é fundamental na resistência e luta pelos direitos das escolas do campo do DF e entorno”, afirma Melquisedek. A diretoria colegiada do Sinpro-DF, por sua vez, repudia toda atitude que marginaliza a população camponesa e que a abandona sem direitos sociais.

“Este momento de crise sanitária e econômica é a hora em que esse segmento mais precisa do Estado. É a hora dos governos garantirem todos os direitos sociais, como a educação e a saúde públicas para toda a população do campo do Distrito Federal, salvando vidas, fortalecendo e defendendo o Sistema Único de Saúde e dando estrutura para que tenham uma educação que atenda a especificidade da população camponesa, com estrutura adequada, tanto para estudantes como para os/as profissionais da educação”, afirma.

Não perca!

Live sobre “Educação do campo no DF: histórico e resistências”, terça-feira (15/9), às 16h30, nas redes sociais do Sinpro-DF: YouTube, Facebook, Instagram e TV Comunitária (canal 12 da NET).

Venha! Participe! A EDUCAÇÃO DO CAMPO É UM DIREITO!

Pandemia ameaça regras do processo seletivo simplificado para contratação temporária

A diretoria colegiada do Sinpro-DF informa que, conforme previsto, a Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEEDF) deu início ao processo que autoriza a contratação temporária de professores(as) substitutos para a rede pública de ensino por meio de processo simplificado sem data marcada até o momento.

A última seleção, realizada em 2018, com validade de um ano, foi adiada por igual período, cumprindo a Lei nº 4.266/08, que só permite a prorrogação de processo seletivo simplificado para contratação temporária uma única vez.

Contudo, diante do quadro que a pandemia nos impõe, por precaução, a SEEDF formalizou uma consulta junto a Procuradoria Geral do Distrito Federal (PGDF) para analisar a possibilidade de nova prorrogação do processo seletivo que ocorreu em 2018, caso o próximo processo seletivo para o ano de 2021 seja inviabilizado pela excepcionalidade atual.

Essa imprevisibilidade faz com que os(as) professores(as) substitutos(as) acompanhem a situação estudando e se preparando para qualquer das possíveis decisões tomadas pela SEEDF, uma vez que eles(as) contam com as condições jurídicas que garantem os direitos fundamentais na contratação do profissional de educação substituto no serviço público.

É importante, neste momento, para além de entender a dificuldade trazida pela pandemia da Covid-19 para a realização da prova, saber que existem limitadores legais para uma nova prorrogação desse processo seletivo, mas que, ao mesmo tempo, são os que garantem a lisura e a segurança jurídica que oportunizem um processo democrático de seleção.

 

Quase 90% dos paulistanos aprovam suspensão das aulas para conter pandemia de Covid

Pesquisa Viver em São Paulo mostra que a maioria dos paulistanos avalia o fechamento das escolas como fundamental para se proteger contra a Covid-19. 81% são contra a volta às aulas

Quase 90% dos paulistanos aprovam a suspensão das aulas em São Paulo, iniciada em 23 de março e 81% são contra a volta às aulas presenciais esse ano. Além disso, um terço dos moradores da capital paulista considera que a decisão sobre retomada das atividades presenciais deve partir de um diálogo entre autoridades, especialistas da educação e da saúde, familiares dos alunos e comunidade escolar.

Os dados são da pesquisa Viver em São Paulo – Pandemia, realizada pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope.

O motivo mais apontado pelos entrevistados que são contra a volta às aulas esse ano na cidade é o risco à saúde dos estudantes, professores e outros profissionais da educação.

Para 82% dos paulistanos, o risco de contaminação pelo novo coronavírus tende a aumentar com a volta às aulas. Outros 69% avaliam que o maior problema para os professores e outros trabalhadores da educação é o risco de contágio na comunidade escolar, devido às dificuldades de manter as medidas sanitárias e de distanciamento social.

Outro motivo que preocupa bastante aqueles que são contra a volta às aulas é a desconfiança das famílias de que as escolas vão conseguir manter o distanciamento social entre as crianças e de que os protocolos de higiene serão seguidos rigorosamente. No final de julho, a RBA revelou que documentos do Tribunal de Contas do Município (TCM) mostravam que as escolas municipais da capital já sofriam com falta de papel higiênico, sabonete líquido, papel toalha, entre outros itens de higiene, em 2019. E seria difícil garantir que isso não se repetiria na volta às aulas.

A auxiliar de enfermagem Daniela Andrade, mãe de uma aluna do ensino fundamental, confirma a preocupação detectada pela pesquisa. “Eu espero que a prefeitura não volte as aulas. Não vou mandar minha filha, morro de medo. A gente ouve que as crianças correm menos risco. Mas correm. Não são três meses de escola esse ano que vão mudar a vida de ninguém. Mas se algo acontecer com uma criança, vai destruir uma família”, afirmou.

Ela entende que o auxílio alimentação da prefeitura é insuficiente para muitas famílias, mas que isso não pode justificar a volta às aulas. “O poder público tinha de considerar um apoio maior para as famílias. Mas não pode ser uma chantagem de tem que voltar para poder comer. Precisa manter as escolas fechadas e garantir cesta básica, auxílio alimentação, alguma coisa para ninguém passar fome”, disse Daniela.

O prefeito da capital paulista, Bruno Covas (PSDB), se posicionou contra a volta às aulas em setembro, como queria o governador paulista, João Doria (PSDB). Inquéritos sorológicos feitos pela prefeitura mostram que as crianças são mais contaminadas pela covid-19 e também são mais assintomáticas. Esse é um complicador a mais para garantir o controle da contaminação nas escolas. No entanto, Covas mantém a indicação de 7 de outubro para iniciar um plano de retomadas das atividades escolares.

Dentre os 15% que avaliam que as aulas presenciais devem ser retomadas, a maioria avalia que como outros setores já retomaram as atividades, as escolas também deveriam retomar. Há também aqueles que acreditam é preciso reabrir as escolas para preservar a saúde mental das crianças. E que os pais dos estudantes precisam trabalhar e têm que ter onde deixar os filhos.

A pesquisa também avaliou as principais dificuldades em realizar as atividades escolares online. Para 48% dos pais de alunos, o maior problema foi manter os filhos concentrados e interessados durante as aulas. Outros 33% apontaram a falta de internet adequada ou com velocidade insuficiente para conseguir acessar e assistir as aulas. Também foi apontado a falta de equipamentos para que todas as crianças pudessem acompanhar aulas realizadas no mesmo horário.

Reprodução: CUT

Ampliação do Novo Ensino Médio: uma ação inoportuna durante a pandemia

Desde o início do ano o governo Ibaneis Rocha (MDB) iniciou a implantação do chamado Novo Ensino Médio no Distrito Federal. Escolheu o Centro de Ensino Médio Integrado (Cemi), do Gama, uma das melhores escolas da rede pública do DF, para implantar, neste ano, a reforma do Ensino Médio tão contestado por todos os educadores e especialistas em educação do País e pelo Sinpro-DF.

O Cemi é uma das 12 escolas-piloto do DF em que foi iniciada a experiência que, avisamos de antemão, será malfadada. Mas, em março, com a chegada da pandemia do novo coronavírus e, posteriormente, com a recomposição do calendário escolar e a suspensão das aulas presenciais até o início das aulas remotas, o tema do Novo Ensino Médio também ficou engavetado, suspenso pelo próprio Governo do Distrito Federal (GDF).

Afinal, a prioridade é combater a pandemia que tem causado vários prejuízos em todos os setores, sobretudo no educacional, e aos mais de 470 mil estudantes da rede pública de ensino da capital do País. Um dos principais prejuízos é a exclusão educacional que envolve, hoje, mais de 120 mil estudantes, segundo levantamento do Sinpro-DF, realizado em maio deste ano.

O GDF iniciou as aulas remotas em julho, por meio da plataforma digital, um espaço remoto que deveria ser acessado por todos os estudantes. Não tomou as providências para liberar Internet e equipamentos de informática para estudantes carentes. O fato é que crianças e adolescentes que não têm acesso a nenhum equipamento de informática e muito menos à rede mundial de computadores estão fora da plataforma, recebendo os conteúdos impressos.

Diferentemente dos exemplos que viu nos países europeus, asiáticos e norte-americanos, o GDF não ofertou a esse segmento nenhum acesso às aulas virtuais. Não fez como a Alemanha, por exemplo, que entregou um tablete e a conexão de Internet a todos os estudantes sem nenhuma exceção para não excluir ninguém do direito à educação pública e gratuita.

Para piorar a situação da educação no DF, que já tem enfrentado todo tipo de ataque privatista e desqualificador do currículo escolar do governo privatista de Jair Bolsonaro, o governo Ibaneis decidiu ampliar a implantação do Novo Ensino Médio em plena pandemia.

Em vez de investir tempo e dinheiro públicos na elaboração de novas pública públicas de inclusão educacional, cumprir o Plano Distrital de Educação (PDE), correr contra o tempo para combater a pandemia, com medidas de isolamento social e outras que podem estancar o número absurdo de mortes que ocorrem por dia só por Covid-19, não!

Está ocupando a equipe de servidores públicos com a ampliação do chamado Novo Ensino Médio no DF, apesar das escolas fechadas e sem nenhuma possibilidade de reabertura no ano de 2020 por causa da completa falta de política pública de saúde para controlar a pandemia e do total descontrole do número de mortes por Covid-19 que ocorre todos os dias no DF e no Brasil.

O Sinpro-DF reafirma que, ao contrário do que apregoa o GDF e o governo Bolsonaro, o Novo Ensino Médio não propicia ao estudante uma educação que faça sentido. É justamente o contrário. O que o Novo Ensino Médio propõe não é aplicável à vida do estudante. Apenas o transforma em mão de obra barata para um mercado de trabalho cada vez mais concentrador de renda e escravocrata.

Para aplicar o Novo Ensino Médio, GDF e MEC atuam na desqualificação do atual modelo, dizendo que não passa de um “mero degrau burocrático a ser galgado por aqueles que pretendem chegar à universidade”. Essa frase, dita no site do GDF, ilustra bem o ditado popular que diz: “Quem desdenha quer comprar”. E querem comprar sim: querem transformar a educação em mercadoria das grandes corporações e os estudantes em mão de obra barata sem capacidade crítica.

A diretoria colegiada do Sinpro-DF não só é contra o Novo Ensino Médio como é, radicalmente, contrária à inoportuna e oportunista ampliação desse modelo condenável durante a pandemia do novo coronavírus. Para maiores esclarecimentos sobre o Novo Ensino Médio, clique nos links a seguir e confira as matérias:

Apontamentos acerca da ampliação do Novo Ensino Médio no DF em tempos de pandemia

Novo Ensino Médio não tem nada de novo

BNCC e reforma do ensino médio põem em curso projeto similar ao do MEC-USAID da ditadura militar

 

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