Pais e mães de estudantes só enviam filhos às escolas após a pandemia

A maior parte dos pais, mães e responsáveis por estudantes da rede pública de ensino não vão enviar seus filhos(as) às aulas presenciais enquanto a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, estiver em crescimento no Distrito Federal. A pesquisa do Sinpro-DF sobre a volta às aulas na pandemia mediu esse grau de preocupação e revelou que 86,73% dos entrevistados disseram que não enviariam seus filhos para as atividades presenciais antes da contaminação reduzir.

Nesta quinta matéria da série “Exclusão educacional no DF”, a pesquisa de opinião do Sinpro-DF, feita por livre adesão, entre os dias 21 e 31 de maio, com pais, mães e responsáveis por estudantes da escola pública do Distrito Federal mostram dados sobre a volta às aulas presenciais. O questionário com 14 perguntas foi disponibilizado no site da entidade e contou com dez mil respostas espontâneas completas. O posicionamento dos(as) entrevistados(as) que não enviariam seus filhos(as) à escola é justificada pela característica das famílias.

Quando perguntados se o(a) filho(a) ou alguém da casa faz parte do grupo de risco, 68,30% responderam que sim.  Quando perguntados se enviariam os(as) filhos(as) para aulas presenciais a partir do dia 15 de junho, 87,90% disseram que não. Essa foi a data colocada na pesquisa para representar a ideia de retorno imediato, antes do pico da pandemia no DF.

Quando perguntados qual seria o melhor momento de início de retorno dos estudantes à escola, 69,53% respondeu que seria quando o contágio estivesse controlado, sem uma data determinada. Outros 17,60% acredita que é possível retornar em agosto. O conjunto dos dados revelam que pais, mães e responsáveis estão decididos a não ter a escola como um vetor de contaminação.

“Portanto, podemos concluir que a tentativa do GDF de um retorno das atividades escolares presenciais antes da contaminação começar a diminuir poderia motivar nas famílias dos estudantes um boicote ao retorno sem segurança. O que pode ser confirmado nos espaços de comentários de nossas redes sociais, nas publicações da campanha “Meu filho não é cobaia”, quando pais expressavam que ‘os filhos perderiam o ano, se fosse preciso, mas não perderiam a vida’”, afirma Cláudio Antunes, coordenador de Imprensa do Sinpro-DF.

A pesquisa constatou o que os(as) trabalhadores(as) do magistério já vêm alertando, sistematicamente, toda vez que o Governo do Distrito Federal (GDF) se manifesta em favor da volta às aulas presenciais: toda a família dos estudantes está preocupada com o retorno das atividades presenciais nas escolas e querem que ele seja feito de forma segura.

Quando o governador anunciou que iria reabrir as escolas, começando pelas militarizadas, ainda no mês de abril, a reação dos pais foi a de interagir com a campanha publicitária do Sinpro-DF intitulada “Meu filho não é cobaia”. A campanha conjunta de pais e professores derrubaram os planos do governo Ibaneis/Bolsonaro. Atualmente, Ibaneis tem dito que o retorno presencial irá acontecer em meados de agosto.

“É claro que o ano letivo não será perdido. Ele pode, até mesmo, ser cumprido de forma presencial e com segurança, da forma que os pais desejam.  Basta aguardar que a contaminação comece a diminuir. Ela diminuiu em todos os países atingidos bem antes do Brasil. A contaminação também irá diminuir aqui, permitindo o retorno seguro dos(as) estudantes a suas escolas. As aulas presenciais garantem uma educação sem exclusão”, assegura o diretor.

Professores e orientadores: 62,9% moram com pessoas do grupo de risco
A pesquisa realizada com a categoria constatou que professores(as) e orientadores(as) educacionais têm as mesmas preocupações dos pais e mães.

O questionário disponibilizado no site para os(as) trabalhadores(as) do magistério, entre os dias 21 e 31 de maio, obteve 4.020 respostas espontâneas e por livre adesão e revelou que, para 81,82% dos(as) professores(as) e orientadores(as), o retorno presencial ao trabalho deve ocorrer quando a contaminação já estiver controlada.

Apenas para 6,20% da categoria se sentiria seguro em retornar ao trabalho presencial no momento em que o GDF determinasse. A pesquisa também revelou que 39,70% da categoria está no grupo de risco e que 62,9% mora com alguém que é do grupo de risco.

Teletrabalho
A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) instituiu, nesta semana, o teletrabalho para quem estava com atividades suspensas. A Portaria nº 133/2020 apresenta as etapas de retomada do trabalho, porém, de forma não presencial. A diretoria colegiada do Sinpro-DF ressalta que nenhum(a) professor(a) ou orientador(a) educacional está sendo convocado(a) a comparecer ao trabalho de forma presencial.

“Recomendamos que nem de forma voluntária, professores(as) e orientadores(as) que estavam com suas atividades suspensas compareçam à escola para quaisquer que sejam os motivos: arrumar o armário, buscar material, distribuir livros e impressos. O vírus está lá fora, no ar e em todas as superfícies. Ele demora dias para morrer e você pode trabalhar de casa”.

Atividades impressas
O sindicato não parou de atuar em nenhum momento e está cobrando do GDF as condições de trabalho adequadas para o período de teletrabalho, uma vez que é o patrão que deve oferecer a ferramenta de trabalho. “Internet e um computador são hoje insumos necessários ao teletrabalho, os quais devem ser fornecidos pelo GDF. Mesmo professores e orientadores que têm acesso à rede mundial em casa, têm o direito a esses insumos”, afirma Antunes.

Ele alerta para o fato de que muitos trabalhadores(as) do magistério relataram que o computador que possuem também será usado pelos(as) filhos(as) quando as aulas a distância começarem. “Assim, como conciliarão o uso de um único computador com várias pessoas que precisam dele ao mesmo tempo?”, indaga. As lideranças sindicais do Sinpro-DF, por sua vez, recomendam que as atividades impressas sejam evitadas no período instituído pela portaria para acolhimento e planejamento EaD.

“Os(as) professores(as) estão, nesse período, planejamento atividades EaD para serem encaminhadas aos(às) estudantes, portanto, recomendamos que não sejam colocadas nesse planejamento atividades impressas para serem utilizadas e movimentadas neste período de alta contaminação. Essas atividades deverão ser utilizadas apenas quando a contaminação começar a diminuir, em meados de agosto”, orientam.

Importante lembrar que o Brasil, sem contar o número imenso de subnotificações por falta de testes, está em 3º lugar no mundo no número de mortes (34 mil mortes). “Infelizmente, nos próximos 8 dias, nosso País deverá alcançar a segunda posição mundial. É muito importante ressaltar que o vírus permanece vivo e ativo em diversos tipos de superfícies por um tempo que ainda não está, cientificamente, consensuado. Não arrisque se contaminar com essa história de que o vírus só vive por alguns dias. O trânsito de impressos neste momento entre a casa do professor e a casa dos estudantes aumentará as chances de exposição ao coronavírus”, alertam.  

25 mil estudantes do Ensino Médio nunca usaram o Google Classroom

Pesquisa de opinião entre pais, mães e responsáveis por estudantes da rede pública de ensino do DF descobriu que 25 mil estudantes nunca usaram o Google Classroom, a plataforma interativa escolhida pela Secretaria de Estado da Educação (SEEDF) para as aulas de Educação a Distância (EaD). O levantamento detectou também que essa plataforma tem melhor avaliação do que as teleaulas  do Governo do Distrito Federal (GDF).

O levantamento constatou que 31,80% dos 80 mil estudantes do Ensino Médio não estão usando a ferramenta proposta pela SEEDF. Isso representa 25.440 estudantes que nunca acessaram a plataforma. Importante lembrar que o levantamento constatou que 120 mil estudantes não têm equipamentos de informática, como computador, tablet, celular, notebook em casa e, outros 127 mil não têm Internet.

A análise dos dados da pesquisa mostra que, dentre os 68,20% % dos estudantes que estão usando a plataforma de EaD da SEEDF, 48,10% avaliaram como satisfatório o uso desta ferramenta; 43,2% avaliaram como insatisfeitos; e, outros 8,7% não estão conseguindo acompanhar as atividades. No cômputo geral, a avaliação do Google Classroom é melhor do que a das teleaulas em razão do fato de o estudante interagir com seu próprio professor.

 

As atividades propostas pelo professor buscam atender às necessidades e especificidades da turma e essa proximidade faz toda diferença quando é feita a comparação das teleaulas com as ferramentas interativas. No entanto, a avaliação positiva abaixo dos 50% é preocupante e revela um paralelismo com a realidade da EaD em outras regiões do planeta em que ficou provado, na prática, que ela não é adequada para a Educação Básica.

O Google Classroom foi avaliado pelos pais, mães e responsáveis por estudantes da rede pública de ensino na pesquisa específica para eles e elas sobre Covid-19 e volta às aulas, realizada pelo Sinpro-DF entre os dias 21 e 31 de maio. O questionário com 14 perguntas, que ficou à disposição no site da entidade por 8 dias, foi respondido por dez mil pais, mães e responsáveis.

A pesquisa “Covid-19 e volta às aulas” também foi realizada com os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais com um questionário, também disponibilizado no site por 8 dias, com 16 perguntas. Ambos estão em análise e compilação. Para divulgar os resultados, o Sinpro-DF criou a série de matérias intitulada “Exclusão educacional no DF”.

Fracasso em outros países não serviu de aprendizado para o GDF 
A Ásia e a Europa usaram a EaD durante a pandemia e os resultados foram os mesmos: um fracasso até mesmo em países que forneceram aos estudantes Internet de boa qualidade e equipamentos eletrônicos (tablet/notebook).  “Nos outros continentes a constatação do fracasso da EaD é com base nos mesmos procedimentos e resultados que já prevemos aqui: a culpa não é do professor. A EaD não foi planejada para ser usada na Educação Básica, com crianças e adolescentes, por isso está, por si só, fadada a fracassar”, afirma Cláudio Antunes, coordenador de Imprensa do Sinpro-DF.

No DF, o governo Ibaneis foi alertado pelo Sinpro-DF sobre as conclusões sobre esse fracasso nos outros continentes e sugerido que o melhor a fazer era desenhar um plano de retorno às aulas de forma presencial, a ser implantado quando os números da contaminação do novo coronavírus começassem a cair. Com um retorno seguro, com adaptações, as aulas presenciais seriam ofertadas para todos os estudantes.

“Mas, aqui, a SEEDF já está cadastrando os estudantes do Ensino Fundamental do 6º ao 9º ano na plataforma Google Classroom e a ideia é também estender o uso dessa ferramenta nas demais modalidades de ensino”, critica o diretor. Nessa quarta-feira (3), o secretário de Educação, João Pedro Ferraz, anunciou, numa live, que o ano letivo será retomado na rede pública, no dia 22 de junho, com as atividades a distância por meio de teleaulas e a pesquisa mostrou que mais de 120 mil estudantes vão ficar de fora delas.

A portaria publicada no Diário Oficial do DF (DODF), desta quinta-feira (4), instituiu que os(as) professores(as) retornam ao trabalho com teletrabalho, nesta sexta-feira (5) e que, entre 22 e 26 de junho, os estudantes voltam às aulas a distância e que a presença não será cobrada. Só a partir do dia 29, os professores passarão a computar os faltosos e contar as aulas como horas letivas. Ou seja, a partir desta data, os mais de 120 mil estudantes sem computador, passarão a levar falta.

A diretoria colegiada alerta para o fato de que o governador Ibaneis, do MDB, será o responsável por uma exclusão educacional gigantesca, nunca vista no DF, como a pesquisa sobre Covid-19 e volta às aulas tem demonstrado.  “Por um lado, o trabalhador obrigado pelo patrão cumprirá o plano excludente de Ibaneis. Por outro, não poderemos inocentar o GDF: ele foi avisado que a EaD é inadequada, que há 120 mil estudantes sem aparelhos eletrônicos para acompanhar as aulas a distância. Portanto, no DF, a culpa deste fracasso e da exclusão educacional de milhares de estudantes é do governador Ibaneis”, denuncia a diretoria.

Série “Exclusão educacional no DF” sobre o resultado da pesquisa Covid-19 e volta às aulas, realizada entre 21 e 31 de maio:

GDF quer fazer EaD com 127 mil estudantes sem Internet e 8 mil professores sem computador
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Mais de 120 mil estudantes da escola pública do DF não conseguem acessar a EaD
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Pesquisa comprova fracasso da teleaula
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GDF quer fazer EaD com 127 mil estudantes sem Internet e 8 mil professores sem computador

Cinco mil professores regentes não têm computador e 127 mil estudantes não têm Internet em casa para desenvolverem atividades relacionadas à educação a distância. A informação faz parte dos resultados das duas pesquisas sobre Covid-19 e volta às aulas, realizada pelo Sinpro-DF, entre os dias 21 e 31 de maio, com 4.020 professores(as) e orientadores(as) educacionais sindicalizados e com dez mil mães, pais e responsáveis por estudantes da rede pública de ensino do DF.

A série de matérias intitulada “Exclusão educacional no DF” – que têm registrado o resultado dessas pesquisas – revela que, dos 460 mil estudantes da rede pública de ensino do DF, 27,71%, ou seja, 127 mil estudantes não têm conexão com a rede mundial de computadores em casa para  as atividades escolares.

A pesquisa feita com professores(as) e orientadores(as) educacionais, por sua vez, constatou que e que  22,25% dos professores(as)/orientadores(as) não têm computadores. Quando desmembramos os dois segmentos da categoria do magistério público, constatamos que, dos 35 mil professores(as) da rede pública do DF, 23 mil são professores(as) que estão em sala de aula, ou seja, são denominados professores regentes, e, entre os regentes, 21,97% não têm computador. Ou seja, cinco mil professores regentes não têm computador e não têm como executar suas atividades pedagógicas.

Esse número total de 35 mil professores(as) e 1.132 orientadores(as) educacionais está registrado na Nota Técnica nº 09 (NT09), da Subsecretaria de Gestão de Pessoas (Sugep), da Secretaria de Estado da Educação do DF (SEEDF). Isso significa que a categoria é formada, ao todo, por 36.132 trabalhadores do magistério público. A pesquisa constatou que, entre esses 36.132, oito mil não têm computador em casa.

Estudantes
Em matéria anterior sobre os resultados da pesquisa sobre Covid-19 e volta às aulas com mães, pais e responsáveis por estudantes, o Sinpro-DF havia mostrado que 26,27% (120.842) dos 460 mil estudantes da rede pública de ensino do DF não têm nenhum tipo de equipamento, como computador, tablet, celular, notebook em casa para participar de Educação a Distância (EaD).

Ou seja, ao computar vários dos dados da mesma pesquisa, constatou-se que, dos 460 mil estudantes, 127 mil não têm Internet em casa e, 120.842, não têm equipamento (computador, tablet, celular, notebook) em suas residências. Isso mostra que quase 130 mil estudantes não têm como desenvolver atividades da EaD como quer o governador Ibaneis Rocha (MDB) no Programa Escola em Casa DF.

A análise das pesquisas mostra que se o governador continuar com esse projeto, haverá uma exclusão educacional sem precedentes na história da educação do DF e que irá se aprofundar, sobretudo, em cidades-satélites, como Sobradinho, Planaltina, Gama, Recanto das Emas Ceilândia, São Sebastião, onde mais de 30% dos estudantes não têm Internet.

A situação do Paranoá é ainda mais grave, com mais de 40% de seus estudantes sem acesso à rede mundial de computadores. Se esse programa for adiante, o governo Ibaneis irá transformar o Paranoá na cidade-satélite com a maior número de abandono educacional forçado de todas as Regiões Administrativas (RA) do DF.

Professores
A pesquisa revelou que 67,18% da categoria é formada por professores regentes e que cinco mil deles não têm computador em casa. Entre as informações pesquisadas, detectou o dado positivo de que 98% da categoria têm acesso à Internet. O que não constatou é se há qualidade nessa conexão residencial, uma vez que, para participarem do Programa Escola em Casa DF, os(as) regentes terão de utilizar uma Internet de banda larga eficiente, capaz materializar e encaminhar o trabalho docente, com programação de aulas, áudios, vídeos, documentos eletrônicos e impressões voltados para a EaD.

A diretoria colegiada do sindicato afirma que o GDF deveria fornecer Internet de banda larga e equipamentos de boa qualidade a todos(as) os(as) professores(as) para que o trabalho flua adequadamente. “A maioria dos(as)  professores(as) tem algum tipo de equipamento eletrônico para dar aula remotamente, como é o projeto do GDF para este período de pandemia, porém, o consenso no meio acadêmico é o de que o preparo das aulas é mais adequado para o trabalhador quando é feito em computador”, diz.

“É impossível imaginar um professor organizando sua grade de aula semanal, ou seja, 25 horas de aulas semanais de regência utilizando apenas um celular. Agora, com essa sanha desenfreada para instalar de qualquer jeito um projeto excludente de educação a distância, o GDF obriga os(as) professores(as) a utilizarem Internet residencial para estabelecer uma conexão somente com os(as) estudantes que têm acesso à rede mundial de computadores”, denuncia Cláudio Antunes, coordenador da Secretaria de Imprensa do Sinpro-DF.

Ele afirma que, “certamente, o uso contínuo da Internet residencial para fins de trabalho deve exigir de alguns(as) professores(as) a aquisição de pacotes mais caros para ter acesso à rede com melhor velocidade de tráfego de dados. Mais uma vez o(a) professor(a)  terá de pagar para trabalhar”, critica.

“Ora, a maior parte das escolas nem sequer conseguem ofertar, em época de normalidade sanitária, um bom computador e uma Internet decente para professores(as) e orientadores(as) educacionais preencherem o Diário de Classe Eletrônico, avalie agora, na pandemia”, critica o diretor de Imprensa.

Endividamento

Em vez de comprar equipamentos de trabalho e entregar aos(às) professores(as), pretende fazer com que os professores arquem com essa despesa, tirando computadores e Internet de qualidade do próprio bolso.  O problema é que a categoria está há quase 6 anos sem reajuste salarial e, a única medida tomada pelo GDF, até o momento, foi a de buscar linha de crédito no BRB para que o(a) professor(a) faça empréstimos com juros relevantes para aquisição de computador.

Na última semana de maio, o secretário de Educação, João Pedro Ferraz dos Passos, emitiu ofício ao presidente do BRB informando sobre o desenvolvimento do Programa Escola em Casa DF e pedindo uma linha de crédito especial para a categoria comprar os instrumentos tecnológicos necessários para a produção de atividades pedagógicas a distância.

“Isso revela que a SEEDF sabe que uma boa parte dos(as) professores(as) regentes não têm computadores para trabalhar e que o computador é a ferramenta adequada para o planejamento e execução das aulas EaD. No entanto, a solução do governo Ibaneis é jogar os encargos nas costas dos(as) trabalhadores(as) da educação e fazer com que eles e elas criem uma dívida com banco para comprometer ainda mais o salário já defasado e corroído pela inflação com compra de equipamento de trabalho”, critica a diretoria

Material impresso para estudantes
Outro problema acerca de atividades a distância nas escolas públicas é relacionada à impressão de conteúdos pedagógicos. A SEEDF informou, recentemente, que os(as) estudantes sem Internet e/ou sem equipamentos poderão desenvolver as atividades de forma impressa pela escola.

Todos os dias, os registros mostram que a Covid-19 está em crescimento no DF e que, com as aberturas comerciais feitas pelo governador Ibaneis de forma inoportuna antes da hora, irá piorar essa situação, o que afastou para mais longe, no tempo, a chegada desse pico da pandemia na capital.

Com isso, antes do pico de contaminação acontecer, o trânsito de pessoas nas escolas atrás de impressos servirá como vetor de contaminação de professores(as), de estudantes e das famílias de estudantes. O próprio governador fez declarações recentes que o pico está previsto para julho. “Entendemos que as atividades impressas serão necessárias para quando houver o retorno das atividades presenciais, que precisarão ser adaptadas, no momento em que a contaminação já terá reduzido bastante a ponto de não colocar a vida de ninguém em risco”.

Na avaliação da diretoria colegiada do Sinpro-DF, se o governo decidir por enviar material impresso antes da passagem do pico da pandemia, a SEEDF estará arriscando a vida dos estudantes mais pobres e de familiares deles do grupo de risco de contágio do novo coronavírus e estará arriscando a  vida dos professores/orientadores e de suas famílias.

No Distrito Federal, apesar de o governador determinar o retorno de todas as atividades não essenciais, o coronavírus está em franco crescimento e, por causa disso, não há ainda sinal de previsão para o pico da pandemia. Na terça-feira (2), o DF chegou a 11.256 casos do novo coronavírus e a 163 mortes provocadas pela doença. Só na terça, a Secretaria de Saúde contabilizou 746 novos diagnósticos e três óbitos. Na Ceilândia, onde há uma boa parte do público da escola pública, já se analisam o caso do lockdown por causa do aumento dramático da Covid-19.

Série “Exclusão educacional no DF” sobre o resultado da pesquisa Covid-19 e volta às aulas, realizada entre 21 e 31 de maio:

Mais de 120 mil estudantes da escola pública do DF não conseguem acessar a EaD
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Pesquisa comprova fracasso da teleaula
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Pesquisa comprova fracasso da teleaula

A pesquisa de opinião do Sinpro-DF, realizada entre os dias 21 e 31 de maio, com mães, pais e responsáveis por estudantes da rede pública de ensino, revela que 57,90% (265 mil ) dos 460 mil estudantes da escola pública não assistiram a nenhuma teleaula disponibilizada pela programação da Secretaria de Estado da Educação do DF (SEEDF). 

O número é mais assustador quando a pergunta envolvia a avaliação das teleaulas entre os que assistiram. Dos 42,1% dos pais, mães e responsáveis do grupo que assistiram a programação das teleaulas, 56% estão insatisfeitos e, 19%, declararam que os filhos não estão conseguindo acompanhar as teleaulas. Apenas 25% dos pesquisados declararam que estão satisfeitos com a alternativa da SEEDF em substituir as aulas presenciais por esse modelo de Educação a Distância (EaD).

 

Com isso, a pesquisa de opinião sobre a pandemia do novo coronavírus e volta às aulas com pais, mães e responsáveis por estudantes da rede pública de ensino descobriu que a estratégia da SEEDF de adotar o ensino remoto ou educação a distância disfarçada para a educação básica foi avaliada e reprovada por parte significativa das famílias dos estudantes.

Nesta segunda matéria da série “Exclusão Social da Educação”, sobre o resultado da pesquisa, o Sinpro-DF mostra que as teleaulas – primeira estratégia de retomada das aulas durante a pandemia de Covid-19 – surgiram na programação de TV em canais pouco utilizados pela população e, em alguns casos, há relatos de falta do sinal. Quase 2 meses depois da exibição dessas aulas, a avaliação demonstra total rejeição a essa forma de ensino. A pesquisa revelou que a maior rejeição às teleaulas ocorreu nas cidades-satélites de Taguatinga e Núcleo Bandeirante. O grau de insatisfação superou os 60%.  

Gleudes Assunção Santos está desempregada e afirma que nunca teve acesso a nenhum programa de inclusão social e nunca recebeu nenhum benefício do Estado. Com o filho de 13 anos matriculado no 7º Ano do CEF 412 de Samambaia, ela conta que até agora ele não teve acesso a nenhum tipo de aula a distância e está com medo de ele perder o ano.

Sem dinheiro, vivendo da caridade de conhecidos porque não conseguiu nem sequer o benefício de R$ 600 do auxílio emergencial do coronavírus, ela diz que não tem computador e a TV não acessa os canais que estão passando teleaulas. “Willyan tem celular, mas não tem como acessar TV ou Internet. Também sou contra a volta das aulas nas escolas porque tem mais gente doente do que curada nessa pandemia. Nem todo mundo tem cuidados e, com a escola aberta, tenho certeza que não irá ter cuidado algum”, afirma.

Ruan, filho de Lindalva Gomes Ferreira, está sem acesso às aulas. Ela diz que a TV da casa dela não entra nos canais disponibilizados pelo Governo do Distrito Federal (GDF). A profissão dela é merendeira e, atualmente, trabalha em esquema de revezamento na empresa terceirizada por causa da pandemia. “No meu setor não tem Internet. Na 325 da Samambaia o sinal é ruim, só via rádio e a Vivo é muito cara. Não tenho condições de pagar”, diz.

“A própria SEEDF já havia dito que a programação e as teleaulas já haviam se aprimorado após quase 2 meses de programação. Mas, mesmo com uma programação reformulada e o governo dizendo que, agora, atende a todas as modalidades de ensino, a comunidade não aprovou a opção do GDF e avalia essa estratégia como negativa”, afirma Cláudio Antunes, coordenador da Secretaria de Imprensa do Sinpro-DF.

Ele informa que a pesquisa do Sinpro-DF foi realizada, até mesmo, após esta autoavaliação da SEEDF e, ainda assim, a comunidade escolar fez uma avaliação bastante negativa para esta estratégia. “Mesmo após esse período de quase 2 meses de exibição de aula em TV, 265 mil estudantes não assistiram a nenhuma teleaula. Mesmo com toda publicidade milionária do GDF acerca das teleaulas, elas não estão sendo aproveitadas pela comunidade do DF”, denuncia o diretor do sindicato.

O diretor explica que uma das hipóteses para uma avaliação tão negativa pode ser atribuída ao fato de os estudantes não estarem tendo aula com seus próprios professores de classe. “Ou seja, a falta da interação humana entre professor da turma e estudante pode explicar parte do fracasso dessa estratégia. Por mais que se tente, não dá para substituir o professor por um computador, por um robô ou por uma televisão”.

A diretoria colegiada do Sinpro-DF entende que o ano letivo de 2020 deve ter como foco as aulas presenciais, as quais devem ocorrer após a passagem do pico de contaminação do novo coronavírus. Isso porque somente com aulas presenciais é possível uma interação direta do professor com todos os estudantes. É essa interação que oportuniza, de fato, neste momento de emergência, uma educação inclusiva e não de uma exclusão generalizada na rede pública. Afirma ainda que a SEEDF escolheu o caminho que fracassou em vários países, o qual, no Brasil, vai levar a uma exclusão educacional sem precedentes.

“O cruzamento do dado da pesquisa de que 265 mil estudantes não acessam a teleaula com o dado de que 120 mil estudantes não têm equipamento digital (computador, notebook, tablet, celular), a exclusão educacional se torna avassaladora. Além de revelar também a profundeza da exclusão social das famílias brasilienses. Com isso, vale perguntar: para quem a SEEDF está ofertando essas aulas, se ela não quer aceitar e nem reconhecer a tragédia que os números da pesquisa revelam? A gente tem de se perguntar para quem a SEEDF está trabalhando?” indaga.

Confira, a seguir, a primeira matéria desta série “Exclusão social da educação” e, após, uma série de reportagens do Sinpro-DF mostrando o impacto da pandemia da Covid-19 em vários países do mundo sobre a educação e sobre a EaD.

Série “Exclusão educacional no DF” sobre o resultado da pesquisa Covid-19 e volta às aulas, realizada entre 21 e 31 de maio:

Mais de 120 mil estudantes da escola pública do DF não conseguem acessar a EaD
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Série “Impacto da pandemia do coronavírus na educação em outros países”:

Portugal
Portugal volta à vida normal, mas mantém escolas fechadas e sem data para reabrir
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Vietnã
Vietnã: o país onde o corona não se cria
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Alemanha
Alemanha retoma educação com rigidez e restrições
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Os motivos que levaram a Alemanha à flexibilização parcial da quarentena

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Itália
Professora da SEEDF que adquiriu coronavírus conta como a Itália lida com a pandemia
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França
Na contramão da Cidade Luz, Brasil das trevas mantém o Enem
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Espanha
Covid-19 na Espanha: Tragédia, isolamento e mudanças na educação
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Europa
Europeus adotam critérios científicos para retomar a vida e abrir escolas
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Mais de 120 mil estudantes da escola pública do DF não conseguem acessar a EaD

Uma pesquisa inédita realizada pelo Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), na semana passada, revela que 26,27% dos 460 mil estudantes da rede pública de ensino do DF não têm condições materiais de assistirem e participarem de nenhum tipo de Educação a Distância (EaD).

Se o Governo do Distrito Federal (GDF) adotar a EaD, neste período de pandemia, mais de 25% dos estudantes ficarão de fora, excluídos do acesso à educação. O levantamento descobriu que cerca de 120.842 estudantes não têm nenhum equipamento (celular, tablet, computador/notebook) para uso nas aulas nas plataformas digitais.

Em muito lares, pais, mães e responsáveis até têm o celular, mas, geralmente, é instrumento de trabalho, que levam consigo para onde vão porque nas diversas profissões que exercem, normalmente como autônomos ou funcionários precarizados, precisam do celular. Muitas vezes, na família, o telefone é o único aparelho eletrônico. Outras situações também são registradas, como a falta de Internet na linha do celular capaz de sustentar o turno das aulas.

A pesquisa foi realizada entre os dias 21 e 31 de maio com pais, mães e responsáveis por estudantes da rede pública e privada de ensino do DF. O sindicato disponibilizou um questionário com 14 perguntas em seu site e dez mil questionários foram respondidos, sendo 1.110 da rede privada e, 8.887, da rede pública. Três questionários ficaram de fora porque não houve condições de identificar se eram de pais de estudantes da rede pública ou da particular.

Cada questionário só podia ser respondido por um CPF verificado. Além da verificação de CPF, a pesquisa limitou o uso do IP (do inglês Internet Protocol) usado para acesso à pesquisa e usou um bloqueio de uso de robôs. A margem de erro da pesquisa é de menos de 2% e a confiança dos dados obtidos das pesquisas é de 98%.

“O número é assustador e reflete a falta de investimentos financeiros do Estado na educação pública do DF, que também não tem equipamentos que possam ser emprestados para esse contingente de estudantes sem condições”, afirma Cláudio Antunes, coordenador da Secretaria de Imprensa do Sinpro-DF.

Ao analisar os resultados da pesquisa, outras situações foram reveladas. Dentre elas, destaca-se o fato de a desigualdade social se refletir de forma diferente nas regiões pesquisadas do DF. Estudantes do Paranoá e de São Sebastião são os que têm menos acesso aos equipamentos necessários para acompanhar aulas a distância pela Internet.

“Nesses quase 3 meses de suspensão das aulas, a Secretaria de Educação do DF tem tentado se organizar para uma volta às aulas por meio digital, mas de forma excludente. A opção de não ter as aulas presenciais como solução para o pós-pandemia e, principalmente agora, durante a pandemia, deixará mais de 25% dos estudantes do DF num abandono educacional nunca antes visto numa cidade que deveria ser modelo educacional para o País”, afirma a diretoria colegiada do Sinpro-DF.

Série “Exclusão social da educação no DF”
Esta matéria é a primeira da série que o Sinpro-DF inicia, nesta segunda-feira (1º/6), sobre a exclusão social a partir da exclusão educacional. Neste período da pandemia, o sindicato tem feito várias reportagens sobre o impacto da pandemia e das políticas econômicas neoliberais sobre o direito social à educação pública e gratuita de qualidade.

Em março, abril e maio, o sindicato realizou várias reportagens com professores de outros países para mostrar como os governos, sindicatos e comunidades escolares de países europeus e de outros continentes lidaram com a pandemia e usaram a educação a distância para amenizar os impactos da Covid-19.

Em todas as situações, a EaD foi utilizada como paliativo e em várias regiões o Estado doou tablets e computadores conectados à Internet para cobrir 100% dos estudantes, sem deixar nenhum de fora. Em regiões que o Estado não emprestou os equipamentos, a EaD foi utilizada apenas para manter os estudantes em contato com a educação e não contabilizou como dias letivos.

Na semana passada, o sindicato mostrou, na matéria intitulada “Pesquisa mostra que EaD não tem como dar certo”   , os dados da recente pesquisa TIC Domicílios 2019, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), lançada na segunda-feira (26/5). A pesquisa revela que um quarto da população brasileira, ou seja, aproximadamente 30% dos lares no País, não têm acesso à Internet. A informação foi veiculada pelo G1, da Globo.

“A exclusão educacional é um dos piores tipos de exclusão social porque impede as pessoas de mudarem o destino de sua vida e bloqueia qualquer oportunidade de melhorar de vida. Ou seja, o caminho que a Secretaria de Educação do DF escolheu, que é o uso das tecnologias digitais para promover a EaD, leva ao aprofundamento da exclusão social por meio da exclusão educacional”, finaliza Antunes.

Confira outros gráficos relacionados à pesquisa:

 

Saber Viver em Casa, de segunda-feira (1º/6), será sobre o impacto da pandemia nos ecossistemas

O meio ambiente e seus ecossistemas estão em crise. Quando isso ocorre, a Terra adoece e, nós, seres humanos, que somos parte da natureza, ficamos enfermos. Assim como em nós, a crise sanitária do novo coronavírus também afeta o planeta. O programa Saber Viver em Casa, desta segunda-feira (1º/6), entrevista Luís Fernando Perelló e Daniel Gaio sobre o impacto da pandemia nos ecossistemas.

Perelló é biólogo, doutor em ciências pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), analista ambiental do Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler (Fepam) – órgão de licenciamento estadual do Rio Grande do Sul –, professor universitário e pesquisador. Gaio é sociólogo, mestre em políticas públicas para a educação pela Universidade de Brasília (UnB), bancário e secretário Nacional de Meio Ambiente da CUT.

Desde o início da pandemia, no fim do ano passado, pesquisadores, ambientalistas e outros especialistas em diversas áreas do conhecimento têm alertado para o fato de que um dos problemas que levam a Terra a enfrentar pandemias é a desconstrução da natureza para obtenção de lucro. Há mais de seis décadas, cientistas e ambientalistas vêm alertando o mundo sobre as consequências da superexploração do planeta e mostrando os resultados de ações, como desmatamentos e extinção de animais.

Hoje, têm mostrado a influência dos fenômenos ambientais na pandemia da Covid-19 e aconselhado a todos a tirarem ensinamentos deste momento para não sermos surpreendidos com tragédias ainda mais perigosas futuramente. Entrevistados pelo diretor do Sinpro-DF, Raimundo Kamir, Perelló e Gaio também vão sugerir iniciativas que indicam como a educação pode ajudar a mudar este quadro.

Confira no programa Saber Viver em Casa, ao vivo, nesta segunda-feira (1º/6), 18h30.

Não perca!

O programa Saber Viver em Casa é uma parceria do Sinpro-DF com a TV Comunitária e é transmitido, ao vivo, pelo canal 12 da NET e pelo Facebook e You Tube do Sinpro-DF.

Assista e participe!
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Pesquisa sobre Covid-19 e volta às aulas com pais chega ao fim

A pesquisa de opinião sobre a Covid-19 e a volta às aulas com pais, mães e responsáveis por estudantes chega ao fim. Nos próximos dias, o Sinpro-DF dará por encerrada. Por isso, convida a todos(as) que ainda não participaram para responder o formulário ainda disponível no site e acessível nos links no final deste texto.

Precisamos da opinião da comunidade escolar sobre a volta às aulas no momento em que a pandemia do novo coronavírus está com sua curva de contaminação e mortes em crescimento no Distrito Federal e no País para elaborarmos estratégias de retorno.

Por isso, pedimos aos(às) professores(as) e orientadores(as) educacionais que encaminhem o Formulário dos Pais a todos os pais, mães, responsáveis e amigos(as) que tenham filhos estudantes na rede pública de ensino de suas listas de contato e, se possível, os(as) ajudem a responder porque a pesquisa está sendo finalizada.

Contamos com sua ajuda e participação. Confira os links da pesquisa a seguir.

Site: https://bit.ly/3bRdKGc

Facebook: https://bit.ly/2LKZlAQ

Instagram: https://bit.ly/2zZLmEu

Twitter: https://bit.ly/2Tqnlxx

Entidades do magistério se mobilizam para derrubar veto de Bolsonaro no PLP 39

Apesar de a educação ter garantido, em votação de Plenário do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, a exclusão do magistério do PLP 39, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vetou os artigos que deixavam a categoria fora do congelamento. Na noite de quarta-feira (27), ele sancionou o PLP 39/2020 e foi publicado no Diário Oficial da União (DOU), desta quinta-feira (28), como Lei 173/2020.

Contudo, ainda há chance de essa situação ser impedida, mas se o veto não for revertido em sessão conjunta do Senado e da Câmara, os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais vão ficar, como os demais servidores(as) públicos(as) das três esferas da União, sem reajuste salarial até dezembro de 2021, sem as progressões na carreira, como anuênios e padrões, dentre vários outros problemas.

As entidades nacionais e locais dos trabalhadores em educação, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), o Sinpro-DF entre outras, e centrais sindicais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), intensificaram atuação no Congresso Nacional para que senadores e deputados federais derrubem o veto do Presidente da República.

A diretoria do Sinpro-DF informa que os vetos terão de ser apreciados pelo Senado Federal e Câmara dos Deputados. Para isso, precisa de uma sessão conjunta das duas Casas Legislativas. Todavia, em razão das medidas de segurança contra o novo coronavírus, decidiram que cada Casa irá apreciá-los separadamente. Para derrubar o veto do Presidente da República é preciso do voto da maioria absoluta dos parlamentares, ou seja, metade mais um dos deputados e metade mais um dos senadores.

Se o veto não for apreciado em 30 dias, ele irá sobrestar (travar/interromper) as pautas da Câmara e do Senado e impedirá o prosseguimento da tramitação e votação de projetos de leis complementares nas duas Casas.  A atuação do Sinpro-DF, CNTE e CUT busca poupar a categoria desse congelamento que irá causar centenas de problemas na estrutura da carreira e na vida de quem pretende se aposentar nos próximos anos, sobretudo, para quem conta com a aposentadoria nos próximos anos.

A diretoria colegiada do Sinpro-DF lembra a categoria que o PLP 39/2020 é a granada à qual o ministro da Economia, Paulo Guedes, se referiu na fatídica reunião ministerial no dia 22 de abril e tornada pública pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 22 de maio. No seu discurso, durante essa reunião, Guedes chamou os servidores públicos de inimigos.

“Quanto aos servidores públicos, foi enfático ao classificar o funcionalismo das três esferas da União de “inimigo”: “Todo mundo está achando que, tão distraídos, abraçaram a gente, enrolaram com a gente. Nós já botamos a granada no bolso do inimigo – dois anos sem aumento de salário”, disse Guedes durante a reunião ministerial.

Efeitos imediatos no magistério do Distrito Federal

A partir do momento em que o PLP 39 foi sancionado pelo Presidente da República e publicado no DOU como Lei 173/2020, que estabelece o Programa Federativo de Enfrentamento ao Coronavírus SARS-CoV-2 (Covid-19) e altera a Lei Complementar nº 101/2000, professores e orientadores educacionais não poderão mais contabilizar o tempo até o fim de 2021 para fins de progressão vertical e apresentação de curso para progressão horizontal.

Ficarão impedidos de contabilizar os dias entre 27/5/2020 a 31/12/2021 para progressão vertical (padrões), ou seja, não poderão usar esse período de 18 meses para aquisição de mais um anuênio (mais 1% no adicional de tempo de serviço); não poderão progredir horizontalmente, na carreira, por exemplo: não poderão apresentar cursos de pós-graduação para progressão na tabela salarial. Também não poderão contabilizar os 18 meses para efeito de aquisição de novo quinquênio de licença-prêmio.

“Ou seja, da data da sanção até 31/12/2021 pode ser contabilizado para os dias de aposentadoria, mas para as progressões na carreira, não poderão ser contados. Para que esses efeitos não ocorram, é preciso que o veto do Presidente da República seja derrubado”, reafirma Cláudio Antunes, coordenador da Secretaria de Imprensa do Sinpro-DF.

Tema do Saber Viver em Casa, desta sexta (29), é “solidariedade em tempos de pandemia”

Solidariedade é palavra-chave para viver neste planeta. Deveria ser aplicada, indistintamente, no respeito ao outro e adotada no pensar e no agir contra o sofrimento. É o combustível da luta pelo direito à dignidade e à justiça social para todos. Mas, geralmente, ela só aparece em situações de crise. Agora, na passagem desta pandemia do novo coronavírus, não é diferente. O Distrito Federal e o País têm protagonizado gestos admiráveis e até inesperados de solidariedade. Aproveitamos a ocasião para trazer ao programa Saber Viver em Casa, desta sexta-feira (29/5), o tema da “Solidariedade em tempos de pandemia”.

A partir das 14h, Meg Guimarães, diretora do Sinpro-DF e vice-presidente da CUT, receberá Iolanda Rocha e Hellen Frida. Iolanda é educadora ambiental, leciona na educação do campo na Regional de Ceilândia, militante do Movimento Resgate do Parque Três Meninas e ex-diretora do Sinpro-DF e da CUT Brasília. Hellen é ativista social, militante do feminismo e da resistência periférica, cofundadora da Casa Frida. Em 2016, ganhou o Prêmio FAC Equidade de Gênero na Cultura, e atua na realização de rodas e palestras sobre gênero, culturas periféricas e cuidado e autocuidado entre mulheres. Ela também é mãe, doula e está como coordenadora da Rede de Solidariedade do DF.

Não perca, nesta sexta-feira (29), às 14h, ao vivo!

O programa Saber Viver em Casa é uma parceria do Sinpro-DF com a TV Comunitária e é transmitido, ao vivo, pelo canal 12 da NET e pelo Facebook e You Tube do Sinpro-DF.

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Pesquisa mostra que EaD não tem como dar certo

A pandemia do novo coronavírus mostrou que Educação a Distância (EaD) não funciona em lugar nenhum do mundo. Mas, ainda assim, as grandes empresas privadas e o Ministério da Educação, no Brasil, tentam aproveitar a crise sanitária para implantar o modelo excludente, eliminar professores e transformar o sistema de educação em um grande telecurso privatizado, com robôs dando aula.

Que a pandemia mostrou que algo diferente vai dar novo formato à educação, isso é certo. Mas daí eleger a EaD como essa alternativa é outra discussão e não é real. A ausência de método específico e a exclusão digital são um dos muitos fatores importantes que revelaram as profundas limitações da EaD durante as teleaulas por causa da Covid-19. Nos países civilizados, que estavam no fim do ano escolar quando explodiu a pandemia, a EaD foi experimentada com o intuito de terminar o ano. Nesse curto período foram detectadas imensas limitações. A sorte é que era fim de ano e a maior parte do conteúdo curricular já havia sido dada.

A TIC Domicílios 2019, uma pesquisa do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), lançada nessa segunda-feira (26), mostra que um quarto da população brasileira, ou seja, aproximadamente 30% dos lares no Brasil, não têm acesso à Internet. A informação foi veiculada pelo G1, da Globo, nessa terça-feira.

O estudo mostra que há uma diferença significativa entre as classes sociais: em famílias com renda de até um salário mínimo, metade não consegue navegar na rede em casa. Na classe A, apenas 1% não tem conexão. Assim, sem Internet, sem merenda e sem lugar para estudar, 47 milhões de famílias brasileiras podem ter seus filhos excluídos da educação básica porque não têm acesso à educação a distância.

Pesquisas do Cetic e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam outras dificuldades quem impedem o uso da EaD como modelo alternativo, mesmo na pandemia, de aulas. Nas classes de baixa renda, as casas não têm espaço para estudar e não contam com saneamento básico; também faltam equipamentos, como computadores, notebooks, celulares e até mesmo televisão; não há conexão com a Internet; sem contar os baixos índices de leitura entre vários outros problemas.

Mostra também que, no magistério, falta de formação de professores para usar tecnologia na educação, há baixos índices de leitura e ausência de um método de ensino adequado à EaD. Na avaliação da diretoria colegiada do Sinpro-DF, “a discussão sobre o aperfeiçoamento profissional dos professores é outro tema que não tem tido o merecido cuidado por parte da Educação porque a preocupação do MEC e do capital é que sejam formados profissionais acríticos e adaptáveis aos seus interesses”.

Outro problema que impede o funcionamento da EaD é o adensamento populacional. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2018 (Pnad), do IBGE, mostra que 15,1% das residências em que há adultos e crianças abrigam seis ou mais pessoas. Em 40%, há mais de três moradores por dormitório. “Temos domicílios com infraestrutura precária de iluminação e de saneamento. E há famílias de sete pessoas em imóveis pequenos, onde os alunos não terão silêncio para estudar”, diz a pesquisa.

Além disso, o equipamento que está mais presente nas residências brasileiras é o televisor (96%). Mesmo entre os mais pobres, das classes D e E, 92% têm o aparelho – mas apenas 9% com canais pagos da TV fechada. “O uso da TV para a educação básica pode ocorrer por meio de videoaulas. Alguns professores são selecionados para gravar o material. A família deve ser informada de que, em determinado horário, vai ser exibida a aula de matemática do sétimo ano, por exemplo”.

O segundo equipamento mais comum é o celular, presente em 100% dos lares de classe A e em 84% nas camadas D e E. No entanto, é preciso fazer uma ressalva: não dá para achar que todos os estudantes têm um celular à disposição deles. Clique aqui e confira a matéria do G1.

O MEC publicou as portarias que autorizaram a substituição das aulas presenciais pela EaD na educação básica e superior são de 17 e 18 de março e atendem aos anseios empresariais. O Estado de S. Paulo revelou, em março, que a medida atendia mais a uma demanda das escolas e faculdades privadas do que como uma solução para a rede pública de ensino. “Também não importa a esses grupos empresariais quantos professores e professoras vão ficar desempregados(as)”, afirma Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF.

A EaD é tão problemática, que, no primeiro momento, nem sequer foi mencionada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), no início da pandemia. Em março, o CNE emitiu ofício informando entender que, juridicamente, a reposição dos dias perdidos podia ser feita em 2021, destacando que os 200 dias do ano letivo e as 800 horas anuais precisariam ser cumpridas. Ou seja, usaria o mesmo entendimento de 2009, quando aulas foram suspensas na epidemia de H1N1.

Até Luiz Miguel Garcia, presidente da Undime (uma entidade que reúne secretários municipais de educação ligada ao grande capital), disse que a liberação do ensino a distância para a educação básica não garante a qualidade e nem que todos os estudantes serão atendidos. “Não conhecemos metodologia, ainda mais em caráter emergencial, que garanta um ensino de qualidade para crianças nessa faixa etária que permita a substituição. Estamos falando de uma fase em que os alunos estão sendo alfabetizados.”

Sinpro-DF aponta choque de realidade – Com a pandemia, o Brasil começou a perceber a realidade da educação pública e até privada em relação à EaD. O Sinpro-DF já demonstrou, em várias reportagens, que a EaD não funciona nem no Brasil e nem no resto do mundo. A prova disso são notícias e editoriais de grandes jornais mundiais sobre o tema, como o The Economist, The Wall Street Journal, Le Monde, O Estado de S. Paulo etc.

O Sinpro-DF não torce para que a EaD não dê certo e reconhece a necessidade de garantir a melhoria da escola com introdução das ferramentas de inovação tecnológica e formação dos professores, aliado ao acolhimento emocional, mas mostra que é um fato concreto no planeta: a humanidade não organizou a educação básica para o formato EaD.

Dados da Pnad 2018, do IBGE, por exemplo, mostram que 17,3% das crianças de 0 a 14 anos moram em residências que não têm acesso à rede geral de abastecimento de água e 40,8%, em locais sem conexão com o sistema de esgoto. Nas casas em que não há Internet, as condições de saneamento são ainda piores: 29,3% sem rede de água e 60%, sem a de esgoto.

A diretoria colegiada do Sinpro-DF entende que o mundo vive situação de emergência, no entanto, a EaD não é a solução para este momento porque a educação não foi sistematizada para atuar com EaD e nem com o chamado “ensino híbrido” porque não adaptou o currículo escolar e o método educacional para as novas tecnologias (instrumentos de ensino); não construiu a inclusão digital de forma a oferecer acesso às novas tecnologias (acesso de 100% dos estudantes e trabalhadores da educação a equipamento e Internet) a todos(as); não há formação de docentes para uso dessa mídia para esse formato.

Além disso, por mais grave que seja o momento, a EaD não vai, agora, ajudar a ninguém e a nenhum governo a salvar a todos(as). Por isso o esforço, no momento, é adotar medidas que garantam educação presencial para todos. Os dados da pesquisa apresentada pelo G1 só reforçam que a população de baixa renda é a que tem menor ou nenhum acesso às tecnologias, além de não terem acesso à água potável, saneamento básico e direitos humanos elementares, como o direito à alimentação.

Todos os indicativos e pesquisas feitos em comunidades nas quais os estudantes estão tendo acesso à EaD mostram que eles e elas têm tido dificuldades de acompanhar aulas a distância. Como não foi desenvolvida para ser aplicada na educação básica, a forma como a EaD tem sido executada na pandemia não tem alcançado os objetivos e os estudantes não têm atingido o rendimento normal que teriam com as aulas normais presenciais.

“Daí já se vê que a EaD pode vir a se tornar um problema não só para as comunidades carentes, mas também para as classes média e alta porque, mesmo com poder econômico, algumas questões sobre EaD não foram respondidas nem no Brasil e nem no mundo. Enquanto isso não for resolvido, do ponto de vista metodológico da aplicação da EaD na educação básica, não iremos ter êxito nesse caminho”, afirma Rosilene Corrêa.

O Sinpro-DF está realizando uma pesquisa de opinião com pais, mães e responsáveis por estudantes e outra com professores para verificar as condições de acesso da comunidade escolar do DF, neste momento de pandemia, às novas tecnologias e à possibilidade do uso da EaD como substituto das aulas presenciais, cujo resultado sairá em breve.

Educação é nova commodity – Mas se a EaD mostrou que não funciona em lugar nenhum e nada disso sensibiliza o Estado, por que a pressa em flexibilizar as aulas presenciais? Ora, a educação se tornou commodity há tempos e é por causa disso que os ensinos básico e superior públicos já vêm sendo assediados e minados muito tempo antes da pandemia do novo coronavírus para atender aos interesses de grandes grupos educacionais mercantis com foco empresarial e no lucro.

No Distrito Federal, duas gestões seguidas (Rollemberg (PSB) e Ibaneis (MDB) no Governo do Distrito Federal (GDF) tentam instituir as Organizações Sociais (OS) como gestora das escolas públicas. A luta da categoria tem impedido a implantação desse projeto privatista.

“A pandemia apenas está permitindo e facilitando a realização de experimentos em todo o espectro educacional, do ensino superior ao básico. Com tal ressignificação, a flexibilidade será aplicada crescentemente na estrutura física das unidades escolares, na exploração do trabalho docente e nos currículos, que, em muitos casos, estão defasados e distantes do que é esperado de um profissional para os próximos anos”, afirma José Domingues de Godoi Filho, professor da Faculdade de Geociências da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), no artigo “Por que tanta pressa para “flexibilizar” as aulas presenciais?

O professor da UFMT mostra que o setor privado da educação vê a pandemia como oportunidade de privatização e, na aplicação da EaD, neste momento de crise sanitária, o salto para consolidar a mercantilização do direito à educação. A prova disso é a Coalizão Global da Educação, capitaneada pela Unesco, com “o objetivo de propulsionar, no curto prazo, a utilização de tecnologias de aprendizagem remota e, no longo prazo, consolidar o uso de tecnologias de educação nos sistemas regulares de ensino”, alerta.

Ele mostra que a coalizão envolve, além da Unesco, o Banco Mundial, a OCDE, a ONU, a OMS, o UNICEF, a OIT, grupos empresariais (Microsoft, Google, Facebook, Zoom, Moodle, Huawei, Tony Blair Institute for Global Change, Fundação Telefônica, GSMA, Weidong, KPMG, dentre outros) e organizações filantrópicas, sem fins lucrativos, como Khan Academy, Dubai Cares, Profuturo e Sesame Street.

A OCDE, por sua vez, identificou, em 98 países, o óbvio: que os recursos mais usados durante a pandemia são, entre outros: Google, Google Classroom, Google Suite, Google Hangout, Google Meet, Facebook, Microsoft one note, Microsoft, Google Drive/MicrosoftTeams, Moodle, Zoom, Youtube.

Banco Mundial e a educação a distância – Um relatório intitulado Three ways the coronavirus pandemic could reshape education, sobre os possíveis impactos da pandemia na educação, revela que uma mudança imediata foi constatada durante a crise sanitária da Covid-19, que milhões de pessoas no planeta tiveram acesso à educação graças à brecha digital que trouxe algumas abordagens pedagógicas no uso de novas tecnologias.

Para o Banco, a pandemia forçou uma inovação ao setor. Todavia, embora reconheça que a tecnologia realizou sua entrada definitiva nas salas de aula, o documento alerta para o fato de que todos devem estar atentos para o contexto nacional que aponta para o aumento da gap digital entre estudantes das escolas públicas por causa dos riscos socioeconômicos. E destaca como fundamental a atuação do poder público no combate a essa distorção para “não termos um cenário de aprofundamento das desigualdades entre estudantes das escolas privadas e públicas”.

Não que o Banco Mundial seja a favor da educação pública e gratuita. Nunca foi. Mas até ele alerta para os “riscos de retrocesso, mas há oportunidades de melhorar a qualidade do ensino no Brasil, de vermos a educação de qualidade como um direito de crianças e jovens e sugere o “ensino híbrido”, uma modalidade que integra as melhores práticas educacionais offline e online. Em inglês, é reconhecido pelo termo “blended learning” – em tradução livre: “misturar o processo de aprender”.

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