TV Sinpro, desta terça-feira (26), aborda o sofrimento no trabalho

“Por que há sofrimento no Trabalho?” Com essa indiagação, o programa TV Sinpro, desta terça-feira (26), será dedicado ao tema do sofrimento no trabalho. Excepcionalmente, nesta terça, o programa será apresentado às 16h30.

Os convidados desta edição são Emílio Peres, doutor em psicologia social e professor do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), e Luciane Kozicz Reis Araújo, psicóloga, mestre em saúde coletiva e membro do CNPq, que irão dialogar sobre esse complexo tema do nosso dia a dia nos locais de trabalho.

O TV Sinpro é um programa transmitido, ao vivo, pela TV Comunitária, toda terça-feira, às 17h, pela página eletrônica do Sinpro-DF no Facebook, pelo canal 12 da NET e pelo site e fanpage da TV Comunitária.

Assista pelo Facebook do Sinpro-DF: facebook.com/sinprodf

As reprises são exibidas no decorrer da semana. Confira a programação:

Terças – 22h
Quartas – 18h30
Quinta – 13h30 e 22h30
Sábado – 13h
Domingo – 18h30

Turismo sexual nos planos da reunião ministerial do governo Bolsonaro

Na reunião ministerial de 22 de abril, divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 22/5, o ministro da Economia declara com firmeza os objetivos de destruir o Brasil em várias frentes, como reduzir o País a uma Cancún, pagar trezentos reais a um milhão de jovens a título de emprego e desmoralizar o povo brasileiro com iniciativas perversas. Uma das abomináveis falas desse indivíduo foi sobre o turismo sexual como projeto de governo. Confira:

“O sonho do presidente de transformar o Rio de Janeiro em Cancún lá, Angra dos Reis em Cancún. Aquilo ali pode virar Cancún rápido. Entendeu? A mesma coisa aí Es … é, Espanha. Espanha recebe trinta, quarenta milhões de turistas. Isso aí é uma cidade da Ásia. Macau recebe vinte e seis milhões hoje na … na China. Só por causa desse negócio [turismo sexual]. É um centro de negócios. É só maior de idade. O cara entra, deixa grana lá que ele ganhou anteontem, – ele deixa aquilo lá, bebe, sai feliz da vida. Aquilo ali num atrapalha ninguém. Aquilo não atrapalha ninguém. Deixa cada um se foder. Ô Damares. Damares. Damares. Deixa cada um … Damares. Damares. O presidente, o presidente fala em liberdade. Deixa cada um se foder do jeito que quiser. Principalmente se o cara é maior, vacinado e bilionário. Deixa o cara se foder, pô! Não tem … lá não entra nenhum, lá não entra nenhum brasileirinho”.

Quanto aos servidores públicos, foi enfático ao classificar o funcionalismo das três esferas da União de “inimigo”: “Todo mundo está achando que, tão distraídos, abraçaram a gente, enrolaram com a gente. Nós já botamos a granada no bolso do inimigo – dois anos sem aumento de salário”. No trecho em que fala de “emprego” para a juventude brasileira, fica claro o desejo de Bolsonaro de ser o “Papa Doc” ou o “Baby Doc” sul-americano, sob a tutela dos EUA, e transformar o Brasil no Haiti dos anos 1950/60/70/80 etc.

Confira, a seguir, as declarações do banqueiro Paulo Guedes, as quais foram omitidas pelo Jornal Nacional da Rede Globo em razão “de sua pauta predatória neoliberal”. Para a Globo e demais mídias neoliberais, Paulo Guedes une os desejos econômicos da Família Marinho e demais famílias proprietárias de meios de comunicação ligados a esse sistema econômico aos anseios ditatoriais de Jair Bolsonaro e é poupado por ambos.

As falas de Paulo Guedes que o Jornal Nacional escondeu

Em sua pauta predatória neoliberal, Paulo Guedes une os desejos econômicos da Família Marinho aos anseios ditatoriais de Jair Bolsonaro e é poupado por ambos

Na ofensiva contra o governo Jair Bolsonaro comandada por William Bonner e Renata Ceribelli, a Globo poupou o ministro da Economia, Paulo Guedes, nas duas edições – de sexta-feira (22) e sábado (23) – em que detalhou o vídeo da fatídica reunião ministerial de 22 de abril.

A pauta econômica neoliberal capitaneada por Guedes, que inclui desde a venda da “porra” do Banco do Brasil à liberação do turismo sexual no Brasil, passando pela estruturação de um exército bolsonarista pagando R$ 200 para jovens brasileiros serem doutrinados pelo governo federal, é o fio que une os desejos da Família Marinho aos anseios ditatoriais de Jair Bolsonaro, que também poupou Guedes de interferências em sua pasta.

“Eu tenho poder e vou interferir em todos os ministérios, sem exceção”, diz Bolsonaro na reunião, voltando atrás segundos depois. “(Inaudível) com Paulo Guedes. Nunca tive problema com ele. Zero problemas com Paulo Guedes, mas os demais [ministérios] vou [interferir]”, diz Bolsonaro.

Embora seja o ministro que mais falou na reunião – até mesmo que o chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto -, Paulo Guedes teve declarações entreguistas e criminosas encobertas pelo Jornal Nacional.

A Fórum, no entanto, lista as declarações que passaram pela censura velada da família Marinho.

Venda da “porra” do Banco do Brasil

“O Banco do Brasil não é tatu nem cobra. Não é privado, nem público. Então se for apertar o Rubem, coitado. Ele é super liberal, mas se apertar ele e falar: ‘bota o juro baixo’, ele: ‘não posso, senão a turma, os privados, meus minoritários, me apertam’ . Aí se falar assim: ‘bota o juro alto’, ele: ‘não posso, porque senão o governo me aperta’. O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”. Bolsonaro, então decidiu acionar o presidente do banco, Rubem Novaes, mas Guedes logo interrompeu: “Banco do Brasil a gente não consegue fazer nada e tem um liberal lá. Então tem que vender essa porra logo”.

Servidores e as torres derrubadas pela política liberal

“Todo mundo está achando que, tão distraídos, abraçaram a gente, enrolaram com a gente. Nós já botamos a granada no bolso do inimigo – dois anos sem aumento de salário”.

“E estamos agora no meio dessa confusão, derrubando a última, a última torre do inimigo. Que uma coisa é que nós vamos fazer a reconstrução e a nossa transformação econômica. A outra coisa são as torres do inimigo que a gente tinha que derrubar. Uma era o excesso de gasto na Previdência, derrubamos assim que entramos. A segunda torre eram os juros. Os juros tão descendo e vão descer mais ainda”.

Exército bolsonarista com jovens a R$ 200

“Nós sabemos para onde nós vamos voltar já, já, tá certo? E se o mundo for diferente, nós vamos ter capacidade de adaptação. Por exemplo: eu já tenho conversado com o ministro da Defesa, já conversamos algumas vezes. Quantos? Quantos? Duzentos mil, trezentos mil. Quantos jovens aprendizes nós podemos absorver nos quartéis brasileiros? Um milhão? Um milhão a 200 reais, que é o Bolsa Família, 300, para o cara. […] Faz ginástica, canta o hino, bate continência. De tarde, aprende, aprende a ser um cidadão, pô! Aprende a ser um cidadão. Disciplina, usar o … usar o tempo construtivamente, pô! […] É voluntário para fazer estrada, para fazer isso, fazer aquilo. Sabe quanto custa isso? É 200 reais por mês, 1 milhão de cá, 200 milhões, pô! Joga dez meses aí, 2 bi. Isso é nada!”.

Turismo sexual

“O sonho do presidente de transformar o Rio de Janeiro em Cancún lá, Angra dos Reis em Cancún. Aquilo ali pode virar Cancún rápido. Entendeu? A mesma coisa aí Es … é, Espanha. Espanha recebe trinta, quarenta milhões de turistas. Isso aí é uma cidade da Ásia. Macau recebe vinte e seis milhões hoje na … na China. Só por causa desse negócio. É um centro de negócios. É só maior de idade. O cara entra, deixa grana lá que ele ganhou anteontem, – ele deixa aquilo lá, bebe, sai feliz da vida. Aquilo ali num atrapalha ninguém. Aquilo não atrapalha ninguém. Deixa cada um se foder. Ô Damares. Damares. Damares. Deixa cada um … Damares. Damares. O presidente, o presidente fala em liberdade. Deixa cada um se foder do jeito que quiser. Principalmente se o cara é maior, vacinado e bilionário. Deixa o cara se foder, pô! Não tem … lá não entra nenhum, lá não entra nenhum brasileirinho”.

Relação com a China

“A China é aquele cara que cê sabe que cê tem que aguentar, porque pro cês terem uma ideia, pra cada um dólar que o Brasil exporta pros Estados Unidos, exporta três pra China. Você sabe que ele é diferente de você. Cê sabe que geopoliticamente cê tá do lado de cá. Agora, cê sabe o seguinte, não deixa jogar fora aquilo ali não porque aquilo ali é comida nossa. Nós tamo exportando pra aqueles cara. Não vamos vender pra eles ponto crítico nosso, mas vamos vender a nossa soja pra eles. Isso a gente pode vender à vontade. Eles precisam comer, eles precisam comer”.

Auxílio a empresas “pequenininhas”

“Montamos um comitê de bancos, estamos lá com o Montezano agora fazendo justamente a reestruturação. Não vai ter molezinha pra empresa aérea, pra nada disso. É dinheiro que nós vamos botar usando a melhor tecnologia financeira lá de fora. Nós vamos botar dinheiro, e … vai dar certo e nós vamos ganhar dinheiro. Nós vamos ganhar dinheiro usando recursos públicos pra salvar grandes companhias. Agora, nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequenininhas. Então, nós estamos fazendo tudo by the book, direitinho”.

Fonte: Revista Fórum

Na reunião ministerial, Guedes bota granada no bolso dos servidores

“No vídeo da reunião ministerial realizada no dia 22 de abril, divulgado, na sexta-feira (22/5), pelo Supremo Tribunal Federal (STF), todas as falas são a prova de que o Brasil vive o pior governo dos últimos 500 anos”. Essa é a uma das avaliações da diretoria colegiada do Sinpro-DF, que destaca a fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, contra o funcionalismo público tão grave quanto as demais declarações contra a economia, os direitos, o Orçamento público, as riquezas etc. do Brasil.
 
“É deplorável assistir a um vídeo como esse durante a maior crise sanitária dos últimos 100 anos, com ministros de Estado e o próprio Presidente da República proferindo palavrões e usando linguajar de baixo calão, reduzindo o Brasil a terra devastada, entregue a toda sorte de crimes praticados pelo próprio governo de plantão”, analisa.
 
A falta de respeito atravessa todas as classes sociais e categorias profissionais da iniciativa privada e do serviço público. Mais ainda os servidores públicos das três esferas da União. É um governo que tem o funcionalismo como inimigo. A prova é o discurso de Paulo Guedes que disse, durante a abominável reunião, que iria colocar uma granada no bolso do “inimigo”, o servidor público.
 
“E nessa confusão toda, todo mundo estão (SIC) que estão distraído, abraçaram a gente, rolaram com a gente, nós já botamos a granada no bolso do inimigo: 2 anos sem aumento de salário”, disse o ministro da Economia na reunião ministerial de 22 de abril.
 
PLP 39/2020
Essa granada é o PLP 39/2020, que usa a Covid-19 como justificativa para congelar o salário dos servidores públicos das três esferas da União até 31/12/2021, regula a contratação temporária e alcança a contagem do tempo de serviço para fins de anuênios, triênios, quinquênios, licenças-prêmio, dentre outros direitos.

Importante lembrar que o PLP 39/2020 resgata todo o conteúdo do chamado Plano Mansueto, apresentado, inicialmente, pelo governo Bolsonaro, em junho de 2019, por meio do PLP 149/2019, com o objetivo de refinanciar dívidas dos estados e municípios com a União, além de aumentar as exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/2020).

“A gente vê em outros trechos dessa reunião, como já foi divulgado pela mídia, o ministro Salles, do Meio Ambiente, deixar muito claro que o governo Bolsonaro tem de se armar para aproveitar o momento do novo coronavírus, em que as pessoas estão preocupadas com a pandemia e o governo federal não está, para fazer esse tipo de manobra: retirar direitos da classe trabalhadora, dos povos originários, dos quilombolas, servidores públicos etc. Em vez de concentrar esforços para salvar a vida dos brasileiros, está usando o momento para retirar direitos”, denuncia a diretoria.

Importante lembrar que durante a rápida tramitação do PLP 39/2020 no Senado Federal e na Câmara dos Deputados, o Sinpro-DF, a CNTE, a CUT e outras organizações sindicais do campo da educação foram à luta e conseguiram retirar os professores do congelamento do PLP. O projeto, aprovado nas duas casas com a emenda que retirou professores, já foi para a sanção do Presidente da República. Ainda não foi apreciado por Jair Bolsonaro, que já avisou que irá vetar a emenda que retirou os professores do congelamento.

“Caso ele vete o trecho que retira os professores do congelamento do PLP 39, iremos mobilizar o mundo para fazer com o Congresso Nacional, em sessão conjunta do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, derrubarem o veto e manterem os professores de fora do congelamento salarial. Ou seja, queremos nossa categoria fora da granada que Paulo Guedes, durante a reunião ministerial de 22/4, colocou no bolso dos servidores públicos”, afirma a diretoria.

Confira o vídeo da reunião ministerial em que chama servidor de inimigo e avisar da granada:

Confira matéria “Campanha: educação rejeita veto de Bolsonaro que congela salário”

Greta Thunberg critica oportunismo de Ricardo Salles: ‘nosso futuro é um jogo para eles’

A reunião ministerial do governo Bolsonaro, realizada em 22 de abril, e divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nessa sexta-feira, 22 de maio, repercutiu mundialmente e aprofunda a opinião pública do planeta de que o Brasil, neste governo, foi alçado a pária internacional.

Depois de ouvir as declarações de Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, na reunião ministerial, a ativista sueca Greta Thbunberg criticou o ministro e disse, neste sábado (23), que “apenas imagina as coisas que foram ditas longe da câmera”, ressaltou.

Salles, disse entre outras coisas que “o governo federal aproveite a pandemia do coronavírus para “passar a boiada” e acabar com as regras de controle ambiental”.

Matéria divulgada pelo site 247 repercute o post de Greta nas redes sociais no qual afirma que “nosso futuro em comum é apenas um jogo para eles”, citando a declaração do ministro.

“Apenas imagina as coisas que foram ditas longe da câmera” ressaltou Greta. Ela ainda afirmou que “nosso futuro em comum é apenas um jogo para eles”, citando a declaração do ministro e a hashtag #SalvemAAmazônia.

Fonte: 247

Sinpro requer adiamento do prazo de contribuições ao plano de teleaulas

O Sinpro-DF enviou uma carta ao secretário de Estado da Educação (SEEDF), João Pedro Ferraz, na quinta-feira (21), requerendo a prorrogação de 15 dias para entregar as contribuições da categoria ao Plano de Gestão Estratégica para a Realização das Atividades Pedagógicas Não Presenciais do Distrito Federal. Em resposta, o secretário estendeu o prazo até o dia 27/5, mas, no entendimento da categoria, 7 dias também é pouco tempo para analisar o documento.

Até o fechamento desta matéria, o Sinpro-DF não havia recebido nova manifestação da SEEDF sobre o pedido de 15 dias. O sindicato se preocupa e entende a urgência do assunto, porém, apenas uma semana é pouco tempo para estudar um documento complexo que irá definir o futuro da educação pública e a vida de mais de meio milhão de pessoas. Na semana passada, a entidade abriu canais de escuta pelos quais tem recebido centenas de colaborações ao projeto do Governo do Distrito Federal (GDF).

Gestão democrática
Ao apresentar o documento ao público brasiliense, no dia 20/5, o GDF deu 4 dias para o envio de contribuições. A diretoria colegiada e os 365 gestores que participaram da reunião virtual convocada pelo Sinpro-DF, no dia 21/5, para analisar o documento, e os mais de 200 delegados sindicais que participaram de outra reunião virtual sobre o mesmo assunto, no dia 22/5, perceberam a complexidade do conteúdo e observaram que apenas 96 horas ou 7 dias não são suficientes.

Na carta, o sindicato se baseia nas leis que asseguram a gestão democrática da educação para evitar que o GDF prejudique todos os atuais 486.966 estudantes da rede pública de ensino, relativize o direito à educação pública e gratuita, não garanta os direitos trabalhistas e os empregos de 25.978 professores efetivos, 9.817 professores do contrato temporário e 8.813 profissionais de assistência.

O documento dos gestores e lideranças sindicais lembra ao Estado que o debate amplo sobre o tema faz parte da gestão democrática, um direito adquirido da comunidade escolar previsto no artigo 206, da Constituição Federal, que define que o ensino será ministrado com base em vários princípios e, dentre eles, o da gestão democrática; na Lei de Diretrizes e Bases da Educação e na Lei nº 4.751/12, do DF, que também asseguram a prática da gestão democrática nas escolas públicas.

Na reunião virtual com os gestores, foi aprovada ainda uma proposta do Sinpro-DF de abrir um canal de escuta por meio do qual tem recebido sugestões ao Plano. O canal está aberto e a categoria pode enviar as colaborações pelo e-mail gestoresdf@sinprodf.org.br. Os outros canais de escuta são as duas pesquisas de opinião com a comunidade escolar, em andamento, sobre teleaulas e volta às aulas presenciais durante a pandemia da Covid-19. Ambas têm tido intensa participação da categoria e dos pais, mães e responsáveis por estudantes. Confira nos links a seguir e participe. Atenção, clique sobre o link a seguir e, ao abri-lo, feche o pop-up que se abre com a pesquisa dos pais e vá na matéria para acessar o Formulário dos Professores  e Formulário dos Pais.

Reunião com delegados sindicais
No dia 22/5, o Sinpro-DF realizou reunião virtual com mais de 200 delegados sindicais e observou que toda a categoria está com muitas dúvidas e ansiedades e quer contribuir com o governo para transformar o documento do Poder Executivo local em instrumento de educação pública e gratuita de qualidade e não um mecanismo auspicioso de retirada de direitos trabalhistas e privatização da educação pública.

A categoria exige a abertura do debate, sobretudo, para evitar retrocessos nas atuais leis educacionais do País, como se tem observado em outros setores no âmbito do governo federal, que tem usado a pandemia do novo coronavírus para promover o caos social, divulgar ideias neofascistas e aprovar, sem discutir com o povo, projetos de leis, decretos e medidas provisórias que eliminam direitos históricos; relativizam cláusulas pétreas da Constituição; entregam trilhões do Orçamento público para o sistema financeiro a título de pandemia; ameaçam o sistema democrático com fechamento do Congresso Nacional e do STF; amenizam assassinatos de lideranças populares; legalizam grilagens de terras públicas, quilombolas e indígenas; militarizam instituições do Estado; quebram direitos sociais e patrimoniais entre outros crimes que retrocedem em décadas a democracia e a soberania brasileiras.

Clique na imagem do trecho da carta, a seguir, para acessar a carta na íntegra:

Países europeus ouvem sindicatos e retomam as aulas somente após pico do vírus

Depois da passagem do pico da pandemia do novo coronavírus pela Europa, o primeiro país a reabrir as escolas foi a Dinamarca. Não fez isso de cima para baixo, como vem ocorrendo no Brasil e no Distrito Federal. Primeiro, o país respeitou o isolamento social. Depois, o governo se reuniu com sindicatos da educação para traçaram juntos as estratégias de retomar as atividades escolares.

O poder público dinamarquês buscou se basear também na sapiência dos trabalhadores da educação, na experiência de sua representação sindical e no compromisso de cada com a construção de um plano retorno às atividades para pôr em curso uma retomada segura da normalidade. Uma matéria do Jornal Hoje, da TV Globo, mostra que o vice-presidente da União Dinamarquesa de Professores disse à imprensa que os sindicatos foram levados muito a sério e isso garantiu segurança na retomada das aulas.

No acordo com os sindicatos, o país apostou nas aulas fora da escola, em ambientes externos e arejados (confira o vídeo no final deste texto). O jornal destacou as relações democráticas entre sindicatos e governos na volta às aulas em outros países. Na França, a mesma coisa. Governo, sindicatos da educação, pais e mães dialogaram, responsavelmente, para iniciar a volta às aulas e estabeleceram comportamentos diferentes para lidar com a nova realidade.

No país gaulês, só voltaram às escolas os estudantes até 15 anos. Os mais velhos e os que vivem nas áreas muito afetadas pelo novo coronavírus continuaram em casa. Na Espanha, as escolas estão se organizando para receber os estudantes a partir de segunda-feira (25). O desejo do governo espanhol era o de que as aulas tivessem voltado há mais tempo, mas os sindicatos argumentaram que era muito cedo e tudo foi suspenso para uma ocasião apropriada.

Em todos os países europeus, a palavra de ordem é cuidado com a pandemia e respeito à vida. As escolas são os últimos setores que estão em fase de reabertura, geralmente, estão sendo reabertas mais de 70 dias após o pico. Lembrando que o pico da pandemia na Europa ocorreu em março. Antes de reabrirem, estão sendo preparadas para receber os estudantes com distanciamento de pelo menos 2 metros bem definidos entre um e outro nas salas de aula e outras medidas de segurança, como monitoramento da saúde e testagens.

Na semana passada, Portugal voltou às aulas para cerca de 200 mil estudantes finalizarem o ano letivo. Adotaram o monitoramento diário da temperatura dos estudantes na entrada e na saída das escolas. Entre outras ações, eles e elas têm de lavar as mãos ao entrar e ao sair da unidade escolar. Nas salas de aula, uma fila com estudantes e outra vazia para garantir o distanciamento.

Em todos os países os horários foram reorganizados para evitar aglomerações nos intervalos, na entra e na saída. Professores e diretores afirmam que os reencontros, principalmente na hora do recreio, são inevitáveis e representam um desafio porque crianças e adolescentes têm atitudes calorosas uns com os outros após tantos dias sem se verem. O momento exige das escolas, dos professores e dos governos uma responsabilidade maior.

No Brasil e no DF, tudo ocorre aos trancos e barrancos, de forma grosseira, abjeta, sem a menor consideração com o direito à vida. Os gestores públicos assumem atitudes desmazeladas, de baixo nível, autoritárias e ignorantes, sem respeito à ciência e nem à medicina. Coloca até a expertise da Organização Mundial da Saúde (OMS) em xeque para justificar o percurso da necropolítica. O governador Ibaneis, a Secretaria de Estado da Educação (SEEDF) e o Conselho de Educação, por exemplo, se juntaram para definir, autoritariamente e contra todos, o retorno às aulas em pleno pico da pandemia.

O interessante é que, neste período de isolamento social, o governo Ibaneis ignora as entidades representativas vos trabalhadores em educação, mas tem dado ouvidos aos sindicatos patronais da educação e aos donos de escolas privadas. Por causa disso, levou uma sacudida dos pais de estudantes dessas escolas. Esses, pegaram carona na campanha “Não somos cobaias”, do Sinpro-DF, e obrigaram o governador Ibaneis, a SEEDF e os dons das escolas privadas a desistirem do plano de reiniciarem as aulas em maio e junho. Na educação pública, o comportamento do governador Ibaneis é outro. Parece se sentir o dono da vida e da morte dos estudantes e dos trabalhadores da educação e quer dar a esse segmento de mais de meio milhão de pessoas a covid-19 como garantia de vida.

“O Sinpro-DF defende a vida, a educação pública, gratuita, laica e de qualidade socialmente referenciada para todos os estudantes sem nenhuma exceção. Queremos sim a volta às aulas, mas apenas no momento em que isso for seguro para todos. Temos a mesma preocupação dos pais, mães e responsáveis e tememos pela vida e saúde de nossos estudantes e acreditamos que esses pais e mães querem, também, o bem dos professores, de forma que desejam e defendem um retorno em que todos possam voltar com segurança e saúde. As aulas a gente recupera depois”, finaliza Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Confira o vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=0ZYB-Jdi5Ak

Com informações do Jornal Hoje/TV Globo

Coronavírus: o que dizem os estudos publicados sobre cloroquina, defendida por Bolsonaro e Trump

Considerado pelo presidente Jair Bolsonaro como arma no combate à pandemia do coronavírus e pivô da saída de Nelson Teich do comando do Ministério da Saúde na última sexta-feira (15), o medicamento cloroquina não tem eficácia e segurança cientificamente comprovadas contra a covid-19. E, de acordo com as evidências mais sólidas que existem até agora, a cloroquina e seu derivado, hidroxicloroquina, não exercem influência na mortalidade de pacientes por covid-19.

A cloroquina e a hidroxicloroquina são algumas entre várias substâncias sendo testadas agora contra a covid-19, que já matou mais de 300 mil pessoas no mundo inteiro.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) não reconhece nenhum medicamento ou vacina para a covid-19.

O Comitê Científico e a Diretoria da Sociedade Brasileira de Imunologia divulgou um documento em que afirma que “ainda é precoce a recomendação de uso deste medicamento na covid-19, visto que diferentes estudos mostram não haver benefícios para os pacientes que utilizaram hidroxicloroquina”. Já o Conselho Federal de Medicina condiciona seu uso ao critério médico e consentimento do paciente.

Atualmente, no Brasil, o uso é autorizado só em pacientes em estado crítico e moderado já internados em hospitais, quando médico e paciente concordam com o uso. Mas o presidente Jair Bolsonaro vinha defendendo o uso do medicamento e pressionando Teich para autorizar o uso de cloroquina em pacientes em estágio inicial da covid-19 no Brasil. Apoiadores do presidente também têm cobrado a liberação imediata do medicamento.

Teich afirmou que o medicamento era uma incerteza, e acabou se demitindo. Luiz Henrique Mandetta, ministro antes dele, disse ao jornal Folha de S.Paulo, em entrevista publicada na segunda-feira (18), que a ampliação do uso de cloroquina para pacientes com quadro leve do novo coronavírus pode elevar a pressão por vagas em centros de terapia intensiva e provocar mortes em casa por arritmia.

Também na segunda, o presidente americano, Donald Trump, disse estar tomando o medicamento como prevenção contra o coronavírus, mesmo sem evidências científicas para tanto.

Quais são os riscos do uso?

A cloroquina é usada faz algum tempo para prevenir e tratar a malária, enquanto a hidroxicloroquina já foi usada para tratar a malária e hoje é usada para tratar artrite reumatoide e alguns sintomas de lupus, além de outras doenças autoimunes.

“Em uma pandemia, admite-se o que chamamos de reposicionamento de medicamentos. Um medicamento tradicionalmente usado em outras doenças pode ser usado em outro cenário”, explica Ana Cristina Simões e Silva, professora titular do departamento de pediatria da Universidade Federal de Minas Gerais e pesquisadora da CNPQ que fez, com colegas, uma revisão de literatura sobre os ensaios clínicos da cloroquina para a covid-19.

“O que não é correto é pessoas saírem comprando sem nenhum controle. O medicamento só deve ser usado no hospital, monitorado por médicos.”

Por já serem usados para outras doenças, os efeitos adversos clássicos dos medicamentos, quando não associados a covid-19, já são conhecidos. Os mais relevantes são relacionados ao sistema cardiovascular — os medicamentos podem acelerar o ritmo do coração.

Segundo o documento da Sociedade Brasileira de Infectologia, outros efeitos adversos são retinopatias, hipoglicemia grave e toxidade cardíaca. Por isso, é “exigido contínuo monitoramento médico dos indivíduos em uso da cloroquina ou hidroxicloroquina”. Outros efeitos colaterais possíveis são diarreia, náusea, mudanças de humor e feridas na pele.

“Sem prescrição e acompanhamento médico, a pessoa que toma o medicamento pode correr riscos. Só um médico pode monitorar os efeitos colaterais e a quantidade receitada. Isso é muito importante”, diz à BBC News Brasil o médico intensivista italiano Andrea Cortegiani. “Os remédios só podem ser tomados sob supervisão médica.”

Além disso, diz ele, para decidir se um medicamento deve ser prescrito para determinada situação, o órgão regulatório do país segue evidências, e médicos devem seguir o órgão regulatório.

Por fim, apesar dos efeitos colaterais clássicos serem conhecidos, pouco se sabe ainda sobre os efeitos colaterais em pacientes com covid-19, e dos efeitos adversos dos medicamentos usados em associação com outros, como o antibiótico azitromicina, para pessoas doentes por causa do vírus.

Alguns estudos já publicados

Exames com cloroquina
A maior parte dos dados divulgados ou publicados até agora em cloroquina ou hidroxicloroquina, e as pesquisas sobre covid-19 em geral, são imprecisas’, diz levantamento sobre estudos publicados até agora.

 

A hidroxicloroquina foi vista com esperança como um possível tratamento para o coronavírus em um primeiro momento por causa de um estudo in vitro feito na China cujos resultados haviam sido positivos. Isso significa que o medicamento foi testado com sucesso em laboratório, em cultura de células. A pesquisa concluiu que o medicamento inibiu a entrada do vírus nas células e bloqueou o transporte do vírus entre organelas das células (endossomos e endolisossomos) o que, segundo nota técnica da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sobre o estudo, parece ser a etapa determinante para a liberação do genoma viral nas células no caso do Sars-CoV-2.

Mas o resultado obtido em um estudo em laboratório não se traduz necessariamente quando aplicado em humanos. E, para concluir de fato se é eficaz e seguro nas pessoas, é preciso fazer um estudo clínico.

Depois disso, outro estudo publicado na França, feito por cientistas da Universidade de Medicina de Marselha, anunciou resultados positivos. A pesquisa analisou o uso da hidroxicloroquina associada ao uso do antibiótico azitromicina, e concluiu que o tratamento com a hidroxicloroquina era associado à diminuição ou desaparição da carga viral em pacientes com covid-19, e que seu efeito era reforçado pela azitromicina.

No entanto, a pesquisa foi desacreditada pela comunidade científica. Houve críticas ao número reduzido de pacientes (apenas 36), à comparação pouco rigorosa entre grupos de pacientes e à maneira como os resultados foram medidos. O estudo não analisou se o paciente melhorou, piorou ou morreu, mas, sim, por quanto tempo o vírus era detectado em seu corpo. Além disso, a pesquisa foi aceita para a publicação em apenas 24 horas.

Outros estudos menores também foram publicados, como um na China, randomizado e com grupos de controle, feito com 62 pacientes. Pacientes que recebiam hidroxicloroquina, segundo a pesquisa, tiveram períodos menores de febre e tosse. A quantidade de pessoas no estudo é considerada pequena (estudos mais sólidos em geral têm centenas ou milhares de pacientes), e nenhum deles estava em estágio grave. O estudo tampouco foi revisado por pares.

No Brasil, um estudo preliminar sobre o uso de cloroquina para tratar pacientes com sintomas de covid-19 foi interrompido depois que 11 pessoas morreram. Segundo os pesquisadores, altas doses do medicamento poderiam levar a quadros severos de arritmia ou batimentos cardíacos irregulares. A pesquisa preliminar foi divulgada no medRxiv, um servidor virtual de informações da área da saúde. Mais tarde, no fim de abril, uma versão revisada por pares foi publicada na revista Jama (Journal of American Medical Association), um importante periódico do meio científico. Os cientistas recomendaram que altas doses de cloroquina não deveriam ser adotadas para pacientes em estágio grave de covid-19.

A FDA, a Anvisa americana, alertou contra o uso de hidroxicloroquina ou cloroquina fora do hospital ou de ensaios clínicos por causa de “problemas de arritmia”. “Não há provas de que hidroxicloroquina e cloroquina sejam seguras ou eficazes para tratar e prevenir a covil-19”, diz comunicado do órgão.

E, por fim, duas grandes pesquisas recentes foram publicadas em periódicos científicos, e as duas jogaram um balde de água fria na hipótese de que a hidroxicloroquina poderia ser uma boa solução para a covid-19. Ambas foram observacionais — em outras palavras, feitas com um olhar posterior aos dados de pacientes tratados e, portanto, com poder científico menor que ensaios clínicos.

“Nos estudos observacionais, você volta no passado e verifica o que aconteceu, ou então vai acompanhando casos sem fazer intervenções”, explica Simões e Silva. ” Esses estudos têm poder científico um pouco menor. Não permitem concluir se um remédio é benéfico ou não. Os estudos sugerem, e daí tem que fazer depois um ensaio clínico para ter o grau de evidência necessário.”

De qualquer forma, os dois estudos foram com um número elevado de pacientes e feito com revisão por pares (submeter o trabalho científico ao escrutínio de um ou mais especialistas do mesmo escalão que os autores) de respeitados periódicos científicos, e, portanto, são mais robustos do que os estudos menores publicados até então.

Uma das pesquisas foi publicada na segunda (11) na revista Jama (Journal of the American Medical Association). O estudo com 1.438 pacientes não encontrou redução de mortalidade por covid-19 nas pessoas medicadas com hidroxicloroquina. A pesquisa analisou dados de pacientes internados entre 15 de março e 24 de abril em hospitais da região metropolitana de Nova York.

O outro estudo foi publicado no The New England Journal of Medicine, e examinou 1.376 pacientes que ficaram internados por mais de 24 horas em estados moderados ou graves da doença. Do total, 58,9% foram medicados com a hidroxicloroquina, e o restante não. A pesquisa apontou que não havia evidências de que o uso da hidroxicloroquina influenciou na redução de mortes ou intubações.

“Ensaios randomizados e controlados de hidroxicloroquina com pacientes com covid-19 são necessários”, concluiu a pesquisa.

Há tantos estudos e confusão sobre eles, que um levantamento feito por pesquisadores dos Estados Unidos e Canadá analisou justamente os estudos que já existem sobre a eficácia e segurança dos medicamentos contra a covid-19. Publicado no Journal of Clinical Epidemiology, o trabalho analisou 12 pesquisas já publicadas. Concluiu que a metodologia usada até agora tem sido “muito pobre”.

“A maior parte dos dados divulgados ou publicados até agora em cloroquina ou hidroxicloroquina, e as pesquisas sobre covid-19 em geral, são imprecisas e correm um risco alto de viés em suas estimativas de efeito. Essa é nossa preocupação”, diz o estudo.

Segundo o levantamento, a demanda massiva por evidências de tratamento para uma doença nova como a covid-19 pode estar afetando, de modo não intencional, a conduta dos estudos científicos. Também pode estar afetando os processos de publicação e de revisão por pares.

“Entendemos as barreiras para executar pesquisas rigorosas quando os sistemas de saúde estão saturados com uma nova doença. No entanto, uma situação de emergência de pandemia não transforma métodos e dados com problemas em resultados confiáveis. A pesquisa clínica robusta e comparativa que é necessária para tomar decisões informadas e baseadas em evidências segue ausente.”

Cloroquina
Há mais de 150 ensaios científicos envolvendo cloroquina e hidroxicloroquina contra a covid-19 registrados em diversos bancos de dados internacionais.

Por que não há estudos com conclusão definitiva ainda?

O motivo pela falta de evidências sobre a eficácia e segurança dos medicamentos para a covid-19 é a metodologia das pesquisas publicadas até agora.

“Os estudos que temos até agora são pequenos. Alguns sugerem a eficácia do medicamento, e outros, o contrário, mostram até efeitos colaterais graves”, diz Ana Cristina Simões e Silva, a professora da UFMG.

“Ainda não temos um estudo de grande porte, confiável, que dê respaldo ou conclusão sobre o medicamento para essa doença. O desenho do estudo é extremamente importante para sua conclusão. Os mais confiáveis e bem desenhados ainda estão em andamento, sem resultados publicados.”

Por enquanto, diz Cortegiani, o médico intensivista e pesquisador italiano, o que podemos dizer é que os dados que temos agora são melhores do que tínhamos antes, mas ainda não são conclusivos. Em março, ele publicou uma pesquisa resumindo as evidências que se tinha até o momento para a cloroquina como tratamento para a covid-19.

Hoje, “sabemos que talvez o tratamento com hidroxicloroquina não seja capaz de influenciar a mortalidade de pacientes por covid-19, e que possivelmente ministrar o medicamento com [o antibiótico] azitromicina pode causar maiores danos”.

Embora as evidências mais confiáveis até agora apontem para essa conclusão, isso ainda pode mudar com novas pesquisas, ele ressalta.

Estudos com metodologia mais completa ainda devem ser publicados. Há mais de 150 ensaios científicos registrados em diversos bancos de dados internacionais envolvendo cloroquina e hidroxicloroquina, sozinhos ou com outros medicamentos como tratamento contra a covid-19.

Nenhuma das pesquisas publicadas até agora atingiu o gold standard (o “padrão ouro”, no jargão científico) para demonstrar a segurança e eficácia de um medicamento.

Esse padrão exige um ensaio clínico randomizado, ou seja, com integrantes escolhidos de forma aleatória, com variáveis controladas, e feito em grande escala. Também há outras metodologias que conferem mais legitimidade a um estudo: o duplo-cego, quando nem o paciente nem o examinador sabem o que está sendo usado como variável, e os grupos de controle, em que se examina uma variável por vez — usando, por exemplo, um tratamento padrão, um placebo ou nenhum tratamento, em diferentes grupos. “Isso torna o estudo mais robusto e a conclusão fica mais confiável”, diz Simões e Silva.

Ter grupos de controle é importante para poder comparar resultados de quem recebeu tratamento com os medicamentos, e assim aferir sua eficácia e segurança. “Se você tiver efeitos adversos maiores no grupo que recebeu o medicamento em relação ao grupo que não recebeu, você consegue medir a segurança das drogas testadas”, explica Cortegiani.

Um ensaio clínico randomizado é importante porque, do contrário, você não terá certeza que qualquer efeito é derivado do tratamento, diz a microbiologista americana-holandesa Elisabeth Bik, consultora em integridade científica que se especializou em analisar publicações científicas.

E Simões e Silva explica por que é necessário ter um tamanho amostral grande, de centenas ou milhares de pessoas. “Um tamanho amostral pequeno significa que pode ter tido um viés de seleção, pegando só pacientes com casos leves, por exemplo, que iam melhorar de qualquer jeito.”

“Quanto mais pacientes, maior a chance da conclusão ser correta e poder ser generalizada para a população. Tem um poder estatístico maior.”

Também é importante que um estudo científico passe por um processo de revisão por pares. Isso consiste em submeter o trabalho científico ao escrutínio de um ou mais especialistas do mesmo escalão que o autor, que fazem comentários ou sugerem a edição do trabalho analisado, com arbitragem do editor da publicação científica. Publicações sem esse processo são vistos com desconfiança por acadêmicos.

“É preciso entender que, sem a revisão por pares, aquela publicação consiste apenas na visão do autor sobre as coisas, sem que outros cientistas tenham lido aquilo”, diz Bik.

Além disso, diz ela, “a revisão por pares, que normalmente leva meses, está sendo acelerada”. “Todos estão sedentos por conhecimento sobre o coronavírus, mas pular esse processo pode causar mais danos do que o contrário”, afirma.

E o fato de que os medicamentos estão no meio de uma disputa política — envolvendo pressão por seu uso feita por presidentes, com no caso do Brasil e dos EUA — não ajuda as pesquisas, segundo um artigo da revista Nature: “Algumas pessoas não querem participar em ensaios clínicos que os obrigariam a abrir mão de tratamentos com cloroquina”.

O virologista Jeremy Rossman, professor da Universidade de Kent, no Reino Unido, no entanto, diz que, apesar dos estudos feitos até agora serem pequenos, tiveram uma variedade de ensaios clínicos em diferentes formatos e diferentes países com dados suficientes para provar que a cloroquina não ajuda para a covid-19. “Não só não ajuda, como há um risco.”

Ele acha que nem vale a pena fazer ensaios clínicos maiores, e que seria “absolutamente essencial focar nos medicamentos com maior chance de sucesso”. “Quanto mais cedo tivermos esses dados, melhor. Precisamos priorizar, e já foi provado que a cloroquina não deve ser prioridade.”

Estudos em andamento

Testes em laboratório
No Brasil, segundo o último relatório da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), há 15 ensaios com cloroquina ou hidroxicloroquina em andamento.

 

De qualquer forma, há, sim, grandes estudos em andamento — e devemos ter uma resposta mais definitiva em breve. Há um grande esforço internacional para verificar se o medicamento é de fato eficiente e seguro contra o coronavírus.

A cloroquina e sua variante estão entre os quatro fármacos que estão sendo estudados em uma iniciativa lançada pela OMS batizada de Solidariedade — e o Brasil faz parte dela, por meio da Fiocruz.

No Brasil, segundo o último relatório da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), há 15 ensaios com cloroquina ou hidroxicloroquina em andamento. Alguns resultados devem sair no fim de maio.

Um dos estudos é do Projeto Coalizão Covid Brasil, liderado pelos hospitais Albert Einstein, Sírio Libanês e HCor, além da Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva. Entre outros objetivos, o grupo realiza testes clínicos com a cloroquina e a hidroxicloroquina.

A ideia é realizar testes em 70 hospitais pelo país em mais ou menos mil pessoas com diferentes quadros: dos leves aos mais graves, inclusive aqueles que estão na UTI, em uma pesquisa que deve durar entre dois e três meses.

Hospital no Piauí

Apoiadores de Bolsonaro também têm incensado uma iniciativa em Floriano, uma cidade de 60 mil habitantes no Piauí, onde um hospital tem administrado hidroxicloroquina, azitromicina e corticoides de acordo com o estágio da covid-19. A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, visitou o município na quinta-feira (14) e reuniu-se com o prefeito da cidade, o secretário municipal de Saúde e médicos.

Segundo o Comprova, projeto jornalístico que verifica desinformação nas redes, o tratamento aplicado no Hospital Regional Tibério Nunes foi aplicado em 15 pessoas, sem grupo de controle (pacientes que não fizeram uso do medicamento para fins científicos de comparação). Não há comparativo ou estudo que indique que a melhora clínica se deu exclusivamente por conta das medicações usadas.

À revista Veja, o secretário de Saúde de Floriano (PI), James Rodrigues, disse ter receio de que os resultados anunciados pelo município no uso da cloroquina se tornem uma “exploração política”.

“Nos preocupa muito essa exploração política. Não pode. No Brasil há uma divisão: esquerda é contra a cloroquina e a direita é a favor. Não é assim. As evidências que temos aqui são pequenas. Em vez de ficar com braços cruzados, estamos buscando alternativas”, disse à revista.

Para o virologista Rossman, a politização da cloroquina dá às pessoas “falsa esperança”, e a sensação de que há um bom tratamento ou um bom medicamento pode fazer com que não tomem as mesmas precauções que tomariam. Também pode fazer com que elas se automediquem, o que é extremamente perigoso, além de zerar o estoque de remédios de quem realmente precisa.

“Há um perigo real em politizar o assunto antes das evidências científicas. Tem havido uma desconexão grande entre as mensagens políticas e o que os dados científicos dizem.”

 

Reprodução BBC

Pesquisa de opinião: pandemia e condições de trabalho do magistério do DF

O Sinpro-DF lança, nesta sexta-feira (22), uma pesquisa de opinião para saber dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais sindicalizados informações sobre as condições de trabalho e o prazo de retorno às aulas na rede pública de ensino do Distrito Federal durante a pandemia do novo coronavírus.
 
A diretoria colegiada da entidade alerta sobre a importância de a categoria expressar sua opinião por meio das respostas ao formulário. Só podem participar da pesquisa professores(as) e orientadores(as) educacionais sindicalizados. As respostas irão subsidiar a categoria nas decisões que precisarão ser tomadas no pós-pandemia para o retorno das atividades escolares.
 
Para participarem da pesquisa, professores(as) e o orientadores(as) educacionais devem acessar o link no final deste texto e colocar o número do CPF. Ao informar esse número, o formulário com perguntas e respostas objetivas será enviado ao e-mail. Ao clicar no link enviado pelo e-mail, o(a) professor(a) ou orientador(a) educacional terá acesso ao formulário. Basta preencher e enviar.
 
Aos(às) sindicalizados(as) que não conseguirem acessar o link por não ter recebido a mensagem do Sinpro-DF ou, caso não receba o e-mail, pedimos que entrem em contato com o Cadastro pelo e-mail cadastro@sinprodf.org.br e/ou pelo telefone (61) 99161-2072 para atualizar seus dados. Se o(a) professor(a) ou orientador(a) educacional tiver qualquer dificuldade para acessar o formulário, por favor, entrar em contato com o Cadastro.
 
Caso esteja usando um e-mail não cadastrado no Sinpro-DF, a pessoa não terá acesso ao formulário. Para acessá-lo terá de atualizar o e-mail pelos contatos do Cadastro acima. O Cadastro está à disposição da categoria das 9h às 13h e das 14h às 18h, de segunda a sexta-feira. A pesquisa direcionada aos(às) professores(as) e orientadores(as) educacionais busca coletar dados, no magistério público, sobre este momento da pandemia do novo coronavírus, as condições de trabalho da categoria e a importância da vida.
 
O sindicato pede aos(às) professores e orientadores(as) educacionais que preencham o Formulário dos Professores e Orientadores Educacionais e o enviem ao Sinpro-DF. Pedimos, ainda, que cada professor(a) e orientador(a) educacional encaminhe o Formulário dos Pais (https://bit.ly/3bRdKGc) – da pesquisa lançada, nessa quinta-feira (21), direcionada a pais, mães e responsáveis por estudantes – para suas listas pessoais de WhatsApp de relacionamento com eles/as, bem como para as direções das escolas a fim de que as famílias dos(as) estudantes recebam e respondam.
 
Clique no link a seguir, acesse o Formulário dos Professores e Orientadores Educacionais, responda e envie para o sindicato:

https://sinpro25.sinprodf.org.br/formulario-de-perguntas-aos-professores/

Volta às aulas sim, mas com total segurança

A Promotoria de Justiça de Defesa da Educação (Proeduc), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), publicou, nesta quinta-feira (21), a Recomendação nº 004/2020, na qual aconselha o imediato retorno das atividades escolares na rede pública de ensino do Distrito Federal no pico da pandemia do novo coronavírus.
 
Na “Recomendação”, as promotoras de Justiça Cátia Gisele Martins Vergara e Márcia Pereira da Rocha, que assinam o documento, citam artigos da Constituição Federal, de leis complementares e distritais e a lei do plano de carreira do magistério público anterior à que está vigente atualmente para exigir o retorno das aulas e, caso isso não ocorra, recomenda o corte de salários.
 
A diretoria colegiada do Sinpro-DF compartilha da mesma preocupação da Proeduc sobre o destino do ano letivo, o atendimento aos estudantes e a volta imediata das aulas, contudo, o ponto central nessa discussão com o Governo do Distrito Federal (GDF) é ele garantir o atendimento exigido na Recomendação nº 004/2020 e cumprir a Constituição, atendendo a 100% dos estudantes.
 
Concordamos com a Proeduc e, vamos mais além: defendemos um atendimento de qualidade sem exclusão de nenhum estudante e nem tampouco uma retomada atabalhoada de aulas presenciais sem a devida garantia de que todas as medidas foram tomadas para assegurar o direito à vida a cada estudante e a toda a comunidade escolar. A pandemia mundial e agressiva do novo coronavírus ainda não permitiu que essas condições fossem dadas.
 
Sem as devidas precauções, o retorno às aulas poderá significar uma tragédia anunciada e o abandono de centenas de milhares de estudantes e de toda a comunidade escolar à sorte de morrer ou não morrer de Covid-19. Ademais, o retorno por meios virtuais também pode excluir centenas de milhares de estudantes de classes menos favorecidas do direito à educação tão mencionado na Recomendação nº 004.
 
O Sinpro-DF também defende o retorno às aulas, mas, não à custa da contaminação e até da morte de milhares de pessoas. É sabido, no mundo inteiro, que a escola é ambiente propagador da Covid-19. Tanto é que todos os países fecharam, em primeiro lugar, as escolas. E essas têm sido as últimas a serem abertas nos países onde o pico da pandemia já acabou e o número de mortes e contaminação decresceu. No DF (e no Brasil), onde a curva de contaminação e mortes está em pleno crescimento, além de as escolas serem locais fechados, as salas de aula são superlotadas, propícias para alta carga de propagação rápida e contaminação pelo novo coronavírus.
 
Defendemos a educação pública, gratuita e de qualidade para todos os mais de 460 mil  estudantes sem exceção, sem nenhum tipo de exclusão, e, sobretudo, o direito de todos(as) à vida, conforme está na Letra da Lei. Para isso é preciso que o GDF ofereça os mecanismos de atendimento escolar sem colocar a vida de estudantes e servidores em risco e expor familiares à Covid-19.
 
As manifestações do GDF sobre o retorno às aulas até agora apresentadas têm muitos pontos de fragilidade que precisam ser alinhados para oferecer segurança a esse retorno quer seja ele presencial quer seja por mecanismos virtuais. Até o momento, a Secretaria de Estado da Educação do DF (SEEDF) só apresentou planos que não garantem o atendimento a 100% dos estudantes ou coloca todos em risco de morte.
 
Precisamos garantir aos estudantes o que realmente está nos artigos 6º, 127, 129, 5º, 227, 205, entre outros, da Constituição Federal e nas leis complementares, assegurando o direito deles à educação pública de qualidade, gratuita e laica e a obrigação do Estado de garantir essa educação a todos sem nenhum tipo de exclusão. Importante lembrar, que, na Constituição, o direito à vida está acima de todos os demais direitos.
 
Portanto, o plano de retorno às aulas deve passar bem longe do risco de contaminação pelo novo coronavírus, tão insistentemente alertado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) – autoridade máxima em saúde no mundo – e por todas as instituições científicas e médicas do planeta. É com base em todas essas leis e na ciência que a diretoria colegiada do sindicato conta com a Proeduc no sentido de observar e corrigir as fragilidades apresentadas nas propostas do GDF de retorno às atividades educacionais.
 
Não vemos motivo para o GDF insistir em retomar as aulas, sem nenhuma justificativa científica que garanta a segurança de todos em pleno pico da pandemia, prevista para ocorrer entre os meses de junho e julho se houver respeito ao isolamento social.

Sinpro-DF lança pesquisa com pais de estudantes sobre a Covid-19 e a volta às aulas

O Sinpro-DF lança, nesta quinta-feira (21), uma pesquisa de opinião para saber o que pensam os pais, as mães e os(as) responsáveis por estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal sobre as condições e o prazo de retorno às aulas. Desde já, pais, mães e responsáveis estão convidados(as) a participar do preenchimento de um formulário eletrônico cujo link está disponível ao final deste texto.
 
A pesquisa faz parte de um importante levantamento de dados que irão subsidiar os(as) professores(as) em decisões a serem tomadas no pós-pandemia para o retorno das atividades escolares. Para participarem da pesquisa, pais, mães e responsáveis por estudantes deverão acessar o link e colocar o número do CPF no campo específico que irá aparecer.
 
Ao informar o CPF, o formulário com perguntas e respostas objetivas será liberado. Basta, então, preencher e enviar.  A diretoria colegiada informa que esta pesquisa é direcionada a pais, mães e responsáveis pelos(as) estudantes e, com ela, o sindicato busca a coletar dados, na comunidade escolar, informações e opiniões sobre este momento da pandemia do novo coronavírus, a educação de seus(as) filhos(as) e a importância da vida.
 
Neste momento de extrema gravidade da pandemia, o sindicato pede aos(às) professores e orientadores(as) educacionais que colaborem com a divulgação, encaminhando o Formulário dos Pais para suas listas de relacionamento com a comunidade escolar no WhatsApp e para as direções das escolas a fim de que alcance todos os contatos de pais, mães e responsáveis por estudantes da escola pública e que seja respondido.
 
Pesquisa para professores(as) e orientadores(as) educacionais
Os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais também irão participar de uma pesquisa semelhante, a qual será lançada nesta sexta-feira (22).
 
Clique, no link a seguir, acesse e responda o Formulário dos Pais:

 

https://sinpro25.sinprodf.org.br/formulario-de-perguntas-aos-pais/

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