Com desemprego e corte de salário, 66,5% das famílias brasileiras estão endividadas
Jornalista: Leticia
Segundo pesquisa da CNC, o percentual de famílias que dizem não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e continuarão inadimplentes é de 10,6%, o maior para um mês de maio desde 2010.
Com o aumento do desemprego, a redução de salário e suspensão de contrato de trabalho, previstos na Medida Provisória (MP) nº 936, que Jair Bolsonaro editou com o pretexto de que ajuda a manter os empregos durante a pandemia do novo coronavírus, aumentou o percentual de endividamento das famílias brasileiras.
De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada nesta quarta-feira (20), o percentual de família endividadas passou de 63,4%, em 2019, para 66,5% em maio deste ano.
As famílias brasileiras têm dívidas em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro. Com as medidas de isolamento social, tomadas por governadores para conter a disseminação da Covid-19, doença provocada pelo vírus, o percentual recuou ligeiramente entre abril e maio, quando atingiu 66,6%.
Segundo a CNC, com o comércio fechado, caiu em 0,2 ponto percentual a quantidade de brasileiros com dívidas ou contas em atraso na comparação mensal, ficando em 25,1%. No entanto, houve crescimento em relação a maio do ano passado, quando ficou em 24,1%.
O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso e que, portanto, permaneceriam inadimplentes aumentou, passando de 9,9% do total em abril para 10,6% em maio. Esta é a maior proporção de famílias que permanecerão na inadimplência para um mês de maio desde o início da realização da Peic, em janeiro de 2010, e a mais elevada desde abril de 2018.
O total de famílias que se declararam muito endividadas também aumentou em maio, chegando a 16% e atingindo o maior percentual desde setembro de 2011, quando o indicador alcançou 16,3%.
O presidente da CNC, José Roberto Tadros, avalia que, apesar das medidas para enfrentar a crise provocada pelo novo coronavírus, como a injeção de liquidez na economia e a queda das taxas de juros, a maior aversão ao risco no sistema financeiro tem impedido que o crédito de fato alcance os consumidores.
“Apesar da pequena queda no mês, o endividamento das famílias está em proporção elevada, sendo importante também viabilizar prazos mais longos para os pagamentos das dívidas, como forma de evitar o crescimento da inadimplência nos meses à frente”, disse Tadros, em nota.
Em relação aos tipos de dívida, o cartão de crédito continua sendo o mais apontado pelos brasileiros como a principal modalidade de endividamento: 76,7%. Carnês (18%) e financiamento de veículos (11,1%) também permanecem na segunda e terceira posições, respectivamente.
Extrema pobreza cresce pelo 5º ano seguido e deve ‘explodir’ com a pandemia
Jornalista: sindicato
Segundo Dieese, aumento da extrema pobreza se deu em função do baixo crescimento do PIB e do estrangulamento do Bolsa Família.
Dados detalhados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua apontam que cerca de 170 mil pessoas ingressaram na extrema pobreza em 2019. É o quinto ano de aumento da miséria, que deve “explodir” em 2020, como um dos efeitos econômicos da pandemia de coronavírus, segundo o Dieese.
De acordo com o IBGE, 13,8 milhões de pessoas – 6,7% da população – vivem com menos de US$ 1,90 por dia. Para o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Junior, esse aumento da extrema pobreza é resultado da crise econômica que abala o país desde 2015.
O que chama a atenção, segundo ele, é que, entre 2017 e 2019, a extrema pobreza continuou se agravando, apesar do leve crescimento do PIB no período. O que aponta para o aumento da concentração de renda e ampliação das desigualdades sociais no país, apesar da pesquisa apontar estabilidade nesse quesito.
No ano passado, mais especificamente, Fausto atribuiu o crescimento da extrema pobreza ao estrangulamento dos programas sociais pelo governo Bolsonaro, em especial o Bolsa Família. E prevê um quadro ainda mais grave em 2020.
“O que a gente vai assistir a partir da pandemia é um crescimento muito acelerado do número de pobres. Em especial, a partir de junho, quando, a princípio, o auxílio emergencial deve se extinguir, de acordo com o governo”, disse o diretor do Dieese em comentário na Rádio Brasil Atual nesta terça-feira (19).
Dia Internacional de Luta contra a LGBTQIfobia: uma data que precisa se repetir diariamente
Jornalista: Maria Carla
No domingo (17/5), todos os países do planeta comemoram o Dia Internacional de Luta contra a LGBTfobia. A data não é apenas para celebrar a diversidade e contra o preconceito, mas de conscientização de que, no Brasil e no mundo, o tema precisa ser tratado com seriedade, urgência e responsabilidade. O Brasil é um dos países que mais discriminam e matam pessoas LGBTQI no globo.
Essa situação tem piorado muito nesse período de pandemia do novo coronavírus. Uma pesquisa inédita da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra que dos dez mil brasileiros entrevistados pelo coletivo “#VoteLGBT” e por pesquisadores da UFMG e Unicamp, 44% das lésbicas; 34% dos gays; 47% das pessoas bissexuais e pansexuais; e 42% das transexuais temem sofrer algum problema de saúde mental durante a pandemia do novo coronavírus. Divulgada no domingo (17), a pesquisa tem o objetivo de servir de base para elaboração de políticas públicas voltadas à população LGBT.
“Por causa do preconceito, do medo da violência, muitas pessoas LGBTQI vivem em alerta, com cautela, o que já as deixam vulneráveis à depressão, à ansiedade. Outra situação é que com o isolamento social, pessoas que vivem em casas nas quais há relações conflituosas sofrem muito mais”, disse o pesquisador e demógrafo da UFMG, Samuel Silva. O estudo revela ainda que 21,6% dos LGBTQI entrevistados estão desempregados enquanto o índice total no Brasil é de 12,2%, segundo o IBGE. “Esta primeira análise nos mostra que a vulnerabilidade sofrida pela população LGBTQI acaba ficando mais evidente durante a pandemia”, disse o pesquisador.
Um relatório da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais (ILGA) demonstra que o Brasil ocupa o primeiro lugar nas Américas em quantidade de homicídios de pessoas LGBTQI e também é o líder em assassinato de pessoas trans no mundo. Levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB) revela que a cada 19 horas, uma pessoa LGBT é morta no País.
Em 2019, 445 pessoas foram assassinadas no Brasil por serem LBGTQI. A Rede Trans Brasil, por sua vez, diz que a cada 26 horas, aproximadamente, uma pessoa trans é assassinada. A expectativa de vida dessas pessoas é de 35 anos. As conquistas desse grupo populacional são lentas e ocorrem devagar. Para se ter uma ideia dessa lentidão, somente em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que pessoas trans podem alterar seus nomes em cartório para que seus documentos coincidam com suas identidades.
Este ano, o 17M foi ainda mais profundo na defesa da identidade de gênero e no direito à vida. Em razão da pandemia do novo coronavírus, pessoas do mundo inteiro, bem como os movimentos LGBTQI, entidades dos movimentos social, sindical, estudantil, mulheres entre outros participaram, no domingo, da Marcha Virtual contra a LGBTfobia. As hashtags #JuntoscontraLGBTQfobia, #Festival17M e #NossasVidasNossasCores marcou todas as mensagens nas redes sociais. Até as 14h30, a hashtag #JuntosContraLGBTQfobia era o assunto mais comentado do Brasil com 49 mil menções no Twitter.
Como acontece todo ano, o Sinpro-DF também participou da Marcha Virtual contra a LGBTfobia. Contudo, está nesta luta desde sempre. A Secretaria de Raça e Sexualidade do sindicato tem atuado, há décadas, na promoção da igualdade de gênero e outros direitos. Por meio dessa secretaria, o sindicato não só acolhe as demandas de professores(as) e orientadores(as) educacionais LGBTQI, como fomenta atividades pedagógicas nas escolas sobre esse tema e contra a Lei da Mordaça (Escola sem Partido), esse último é um instrumento usado por fundamentalistas e neofascistas contra as liberdades individuais.
O dia 17 de maio foi escolhido como Dia Internacional de Luta contra a LGBTfobia em razão de, nesse dia, em 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter abolido a homossexualidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID). “Precisamos continuar lutando por um mundo sem preconceitos e LGBTfobia. Não há cura para o que não é doença. Precisamos continuar a luta por uma sociedade que respeite as diferenças e valorize a vida. Esta luta é de todxs nós”, afirma a diretoria colegiada do Sinpro-DF.
Termina, nesta quarta-feira (20), o recadastramento dos servidores ativos
Jornalista: Maria Carla
Termina nesta quarta-feira (20/5) o recadastramento dos(as) servidores(as) ativos(as) da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEEDF). Quem ainda não se recadastrou, tem somente até quarta para fazê-lo.
A data limite do recadastramento foi adiada de 30 de abril para 20 de maio. Quem não o fizer pode sofrer Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e ficar sem pagamento. O recadastramento anual é obrigatório e realizado totalmente on-line pelo Sistema de Recadastramento, Complementação e Atualização de Dados (Recad).
A mudança no cronograma foi determinada pela Portaria nº 144, publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) de 29/4. Com isso, todos os(as) servidores(as) inclusos(as) no Grupo 4, no qual estão os(as) trabalhadores(as) da SEEDF, incluindo aí pessoas que ocupam cargos comissionados, professores(as)s temporários(as), servidores(as) ativos(as) da Fundação Universidade Aberta (Funab) tiveram o prazo estendido até maio. Todos(as) devem fazer o recadastramento até o dia 20/5.
TV Sinpro desta terça-feira (19) será sobre o adiamento do Enem
Jornalista: Maria Carla
A pauta do programa TV Sinpro, desta terça-feira (19/5), 17h, é o adiamento do Enem. Nesta edição, os diretores do sindicato, Carolina Rodrigues e Hamilton Caiana, vão receber o presidente da UNE, Iago Montalvão, e a presidenta da UBES, Rozana Barroso, para falarem do necessário adiamento do Enem para que nenhum estudante tenha seu ingresso na universidade prejudicado pela Covid-19 e pelo MEC.
O programa é transmitido ao vivo, toda terça-feira, às 17h, pela página do Sinpro-DF no Facebook e pelo canal 12 da NET, bem como pelo site e fanpage da TV Comunitária.
Assista pelo Facebook do Sinpro-DF: facebook.com/sinprodf
As reprises são exibidas no decorrer da semana. Confira a programação:
O que era a ‘Liga Anti-Máscara’, que protestava contra restrições na gripe espanhola
Jornalista: Leticia
Na São Francisco de 1919, no auge da pandemia de gripe que se espalhava pelo mundo, alguns moradores, cansados após meses de restrições, resolveram criar um movimento batizado de Liga Anti-Máscara
Fila para distribuição de máscaras em São Francisco. Em outubro de 1918, com o avanço da pandemia de gripe, as autoridades municipais decretaram a obrigatoriedade de usar máscaras em público. (California History Room, California State Library, Sacramento)
Desconfiados da eficácia do uso de máscaras para frear o avanço da doença, eles acusavam as autoridades de violar seus direitos constitucionais e pediam a volta à normalidade. Em um encontro realizado em 25 de janeiro daquele ano, chegaram a reunir mais de 2 mil pessoas.
Realizado há mais de cem anos, o protesto lembra as manifestações recentes em alguns estados americanos – e também em partes do Brasil e de outros países – contra as regras de distanciamento social, o fechamento do comércio e outras medidas impostas para conter a atual pandemia de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.
Nos Estados Unidos, o uso de máscaras em espaços públicos para reduzir o risco de contágio pelo coronavírus é recomendado por especialistas médicos, incentivado pelo governo federal e obrigatório em alguns Estados e cidades.
Mas as medidas vêm gerando resistência, protestos e até episódios de violência. Na semana passada, um segurança de uma loja em Flint, no estado de Michigan, foi morto a tiros depois de impedir que uma criança entrasse no local sem máscara. Em Stillwater (Oklahoma), ameaças levaram as autoridades a revogar a exigência do uso de máscaras em estabelecimentos comerciais.
Em meio aos esforços nos meses finais da Primeira Guerra Mundial, o uso de máscaras era considerado símbolo de patriotismo. (California History Room, California State Library, Sacramento)
Semelhanças e diferenças
Assim como os manifestantes de agora, os integrantes da Liga Anti-Máscara eram contra a exigência por diferentes motivos.
“Muitas pessoas (simplesmente) não gostavam de usar as máscaras”, diz à BBC News Brasil a historiadora Nancy Bristow, autora do livro American Pandemic: The Lost Worlds of the 1918 Influenza Epidemic (“Pandemia Americana: Os Mundos Perdidos da Epidemia de Gripe de 1918”, em tradução livre).
“Mas também havia pessoas que argumentavam que a exigência era uma violação de sua liberdade, intrusão excessiva do governo, coisas que estamos ouvindo novamente hoje”, salienta Bristow, que é professora de Universidade de Puget Sound, no Estado de Washington.
Mas apesar da semelhança no discurso, Bristow ressalta que há uma diferença fundamental entre o movimento de 1919 e os protestos atuais: “Eles não tinham os dados e as evidências que temos hoje de que fazer isso (cumprir as medidas de emergência) vai salvar vidas. A diferença é que agora não se pode alegar ignorância”.
Demora em reagir
A chamada gripe espanhola, que causou mais de 50 milhões de mortes ao redor do mundo, atingiu os Estados Unidos em três ondas, a partir da primavera de 1918 (outono no Brasil), quando focos foram identificados na Costa Leste, em soldados que haviam lutado na Primeira Guerra Mundial.
A imprensa da época estimava que 80% da população estivesse cumprindo as regras inicialmente. Na foto, um policial adverte uma mulher sobre a exigência. (California History Room, California State Library, Sacramento)
Não levou muito tempo para a doença se espalhar pelo país e chegar à Costa Oeste. Em São Francisco, então uma cidade de 500 mil habitantes, o primeiro caso foi confirmado em 24 de setembro de 1918, em um paciente que havia retornado de uma viagem a Chicago.
Mas as autoridades municipais, assim como ocorreu em outras cidades, demoraram a reagir. Inicialmente, determinaram apenas que doentes fossem colocados em quarentena e recomendaram que as pessoas praticassem boa higiene e evitassem multidões.
Somente em 18 de outubro, mais de três semanas depois do primeiro diagnóstico, foi decretado o fechamento de escolas e locais de lazer e proibida a aglomeração de pessoas. A essa altura, São Francisco já registrava mais de 3,7 mil doentes e 70 mortos.
O médico William Hassler, principal autoridade de saúde no governo municipal, considerava o uso de máscaras em público a maneira mais eficaz para impedir o avanço da doença e, em 25 de outubro, determinou sua obrigatoriedade. Quem desobedecesse estava sujeito a multa ou até mesmo prisão.
“São Francisco foi uma das primeiras grandes áreas metropolitanas a exigir que toda a população usasse máscaras”, diz à BBC News Brasil o especialista em história da medicina Brian Dolan, professor da Universidade da Califórnia em São Francisco.
Símbolo de patriotismo
Em meio aos esforços nos meses finais da Primeira Guerra Mundial, o uso de máscaras começou a ser considerado símbolo de patriotismo. A imprensa da época estimava que 80% da população de São Francisco estivesse cumprindo a ordem nas semanas iniciais.
Mas centenas foram detidos por desobedecer. Muitos outros usavam de maneira errada. Há relatos até de pessoas usando máscaras com um buraco na boca, para fumar.
As máscaras da época eram feitas de gaze. A Cruz Vermelha fabricava e distribuía em todo o país, mas não havia o suficiente. Com a escassez, as autoridades recomendavam que a população costurasse suas próprias máscaras, com qualquer material disponível. Muitas eram feitas de tecidos porosos, o que prejudicava sua eficácia.
“Também se tornou um tipo de item da moda, assim como está acontecendo agora”, observa Dolan.
Ao final de outubro, São Francisco tinha 20 mil pessoas infectada e mais de mil mortos. Mas o número de novos casos vinha diminuindo, e as autoridades decidiram que era hora de começar a levantar as restrições.
A partir de 16 de novembro, menos de um mês depois do início das medidas de emergência, restaurantes, hotéis, cinemas, teatros e arenas de esportes começaram a reabrir, com casa lotada.
O uso de máscaras ainda era obrigatório, mas muitas pessoas passaram a ignorar a determinação. O próprio Hassler e o prefeito, James Rolph, foram fotografados sem máscaras enquanto assistiam a um combate de boxe. Ambos pagaram multa.
Celebração prematura
Ao meio-dia de 21 de novembro, dez dias após o fim da Primeira Guerra Mundial, o som de sirenes ecoou pela cidade, anunciando o fim da obrigatoriedade. Em comemoração, multidões arrancaram suas máscaras e as jogaram no chão, cobrindo ruas e calçadas com o que um jornal da época descreveu como “vestígios de um mês tortuoso”.
Mas a celebração logo se revelou prematura, e o número de casos da doença voltou a crescer. Duas semanas depois, o prefeito pediu que a população voltasse a usar máscaras em público, desta vez de maneira voluntária.
“Eles levantaram as restrições e, então, sofreram uma nova onda da pandemia. E em vez de reiterar as regras de distanciamento social, o que teria sido a decisão lógica, apenas se concentraram no uso de máscaras e na quarentena dos doentes, pensando que poderiam controlar a doença com essas medidas”, diz Bristow.
Mas, sem obrigatoriedade ou risco de punição, a maioria da população ignorou a recomendação. Calcula-se que apenas 10% voltaram a aderir à medida. Com o número de doentes crescendo, em 17 de janeiro de 1919 as autoridades tornaram o uso de máscaras obrigatório novamente.
Quem desobedecesse estava sujeito a multa ou até mesmo prisão. A foto mostra dois homens sendo detidos pela polícia (California History Room, California State Library, Sacramento)
Resistência
Desta vez, porém, a exigência foi recebida com resistência. Comerciantes eram contra, temendo que a regra tivesse impacto negativo nas vendas. Muitos também questionavam a eficácia das máscaras para conter a pandemia.
Dolan lembra que, na época, a Associação Americana de Saúde Pública havia publicado um artigo em uma revista científica no qual dizia que as evidências sobre a eficácia das máscaras eram contraditórias.
“O desafio era que as pessoas diziam que, mesmo com as máscaras, não se estava evitando a propagação da doença”, observa o historiador.
Foi nesse contexto que surgiu a Liga Anti-Máscara, formada por empresários, comerciantes e até alguns médicos e um integrante do governo, para pressionar pelo fim da obrigatoriedade que, segundo eles, ia “contra a vontade da maioria da população”.
Na verdade, as mais de 2 mil pessoas presentes do encontro realizado pelo movimento representavam menos de 1% da população da cidade na época, mas muitos de seus membros eram influentes.
Alguns queriam assinaturas para um abaixo-assinado pelo fim da obrigatoriedade. Outros defendiam medidas mais drásticas, como a demissão de Hassler. O próprio encontro, com milhares de pessoas sem máscaras, pode ter ajudado a propagar a doença.
O prefeito inicialmente resistiu à pressão, afirmando que as posições do movimento não representavam o desejo da maioria dos moradores. Mas em 1º de fevereiro, uma semana após o encontro da liga, a exigência do uso de máscaras foi revogada.
Como havia escassez, as autoridades recomendavam que a população fabricasse suas próprias máscaras, com qualquer material disponível. (California History Room, California State Library, Sacramento)
Exemplo
Segundo historiadores, apesar de outras cidades americanas também terem registrado episódios de resistência à obrigação de usar máscaras, nenhuma teve um movimento tão organizado quanto o da Liga Anti-Máscara.
Bristow afirma que é difícil saber o impacto que o uso de máscaras teve no controle da doença em São Francisco. Mas ela e outros historiadores afirmam que a devastação provocada pela gripe espanhola na cidade mostra as consequências graves de levantar as restrições antes que a pandemia tenha sido controlada.
Apesar de inúmeras declarações das autoridades de que São Francisco havia vencido a gripe espanhola rapidamente, quando os números gerais do país foram compilados pelo governo federal, ficou claro que a doença teve efeito devastador.
A cidade registrou um total de 45 mil infectados e mais de 3 mil mortos, uma das mais altas taxas per capita nos Estados Unidos. No país inteiro, a gripe espanhola deixou 675 mil mortos.
Justiça barra Ibaneis e impõe regras rígidas para a volta à vida normal
Jornalista: Maria Carla
Faz apenas 5 dias que as escolas da França começaram a reabrir, mas algumas delas já estão fechando novamente porque casos suspeitos de covid-19 começaram a se multiplicar entre professores, funcionários e estudantes. A notícia foi veiculada, nesta sexta-feira (15), no jornal Le Parisen, em matéria intitulada “Les écoles fermées en raison de «cas suspects» de Covid-19 se multiplient” (confira matéria no site). A notícia é mais uma que mostra a evolução da pandemia que ainda não tem solução.
A Organização Mundial de Saúde (OMS), também nesta sexta (15), lançou alerta para a Europa sobre uma provável nova avalanche do coronavírus no outono. Enquanto isso, o governador Ibaneis atua para retomar, de uma vez por todas, a vida normal na capital do País, antes mesmo do pico da pandemia e, pior ainda, durante o crescimento rápido e diário de casos de contaminação, adoecimento e morte por covid-19 no Brasil e no DF, com registros de superlotação de UTI e até de cemitérios em várias unidades da Federação.
Na tentativa de barrar essa pressão pela retomada imediata do comércio, a juíza da 3ª Vara Federal Cível, Kátia Balbino de Carvalho, emitiu, nesta sexta-feira (15), uma decisão em que determina uma reabertura gradual e escalonada a cada 15 dias com base em avaliações científicas do comportamento da pandemia do DF. Ela tomou a decisão 8 dias após visitar a sala de “controle” da covid-19 no Palácio do Buriti.
A notícia de uma possível volta escalonada à vida normal mexeu com a comunidade escolar. Professores, orientadores, funcionários, pais, mês e responsáveis já demonstram aflição em suas manifestações nas redes sociais do Sinpro-DF. E fazem uma conta segundo a qual, em 45 dias, por volta de 2/7, a educação irá voltar. No entanto, é preciso esclarecer que a decisão da Justiça Federal não determina o retorno imediato das atividades da cidade e nem define data.
Apenas acata um estudo da Codeplan e estabelece regras para um futuro retorno à vida normal de forma gradual, que deverá ser executado com avaliações quinzenais da situação da pandemia. Ou seja, a cada 15 dias, o DF irá abrir um setor da economia somente após avaliar o percurso da pandemia nos 15 dias anteriores e sempre considerar sua capacidade de atendimento aos infectados e doentes e de combate ao novo vírus. Nesse organograma, a educação deverá retornar no último bloco.
PANDEMIA SEM FREIO NO BRASIL
A diretoria colegiada do Sinpro-DF vê a decisão da Justiça Federal de forma temerária porque, embora não fixe uma data de retorno de cada atividade, há que se considerar que o pico da pandemia não está definido no Brasil e muito menos no DF. O que se sabe é que não se chegou ainda no pico. Há estudos que dizem ser em julho e, outros, dizem ser mais adiante. O fato é que a pandemia avança rápida e devastadoramente no País.
Só nesta sexta-feira (15), até o meio-dia, o Brasil havia registrado 212.198 mil casos de contaminação, mais de 14 mil mortes por covid-19 e mais de 800 mortes entre quinta-feira (14) e sexta-feira (15). A previsão é a de que, na segunda-feira (18), o número de óbitos ultrapasse os 16 mil mortos. Ou seja, o coronavírus avança com rapidez geométrica. Se analisarmos os dados e o comportamento da pandemia em outros países, verifica-se que o Brasil e o DF ainda estão numa escalada de subida da curva que irá levar o País a ser o segundo lugar, no mundo, em número de mortes no fim da crise sanitária, com mais de 88 mil mortos.
SINPRO-DF NA LUTA PELA VIDA
Diante dessa situação, o Sinpro-DF continuará acompanhando as decisões das autoridades, mantendo sua posição de que o melhor momento para o retorno escalonado à vida normal é quando o pico da pandemia passar e a queda do número de novos casos for comprovada e drasticamente reduzida.
No momento, isso é impossível porque os números dessa crise vem subindo assustadoramente e colocando o Brasil no topo dos países que mais tem mortes e contaminados no mundo. Já ocupa a primeira posição mundial em novos casos diários, mais de 13 mil registrados só na quinta-feira (14). Na velocidade em que estão ocorrendo o contágio e os óbitos, em breve, ficará atrás apenas dos EUA.
Aliás, Brasil e EUA são, justamente, os dois países, apontados pela OMS, universidades, pesquisas científicas e médicas que não fizeram o isolamento social da forma como deveria porque têm Presidentes da República negacionistas. Ou seja, eles negam a existência da doença e os impactos dela na vida da população para priorizar o comércio e o mercado financeiro, dando mais importância à economia do que à vida.
Em vez de conduzir o problema com tranquilidade, o presidente Bolsonaro piora a situação. É o único governo do mundo que demitiu dois Ministros da Saúde em plena pandemia. Os comerciantes e empresários do DF, por sua vez, incapazes de usar a criatividade para inovar suas movimentações comerciais e financeiras, não conseguem adentrar a nova revolução industrial e perceber que o novo coronavírus mudou para sempre as relações comerciais no mundo e insistem em pressionar, a qualquer custo, a volta à normalidade de antes.
JUSTIÇA FEDERAL FREIA ÂNSIA DO GDF
O Jurídico do Sinpro-DF analisou a decisão da juíza e esclarece que, além de não ter definido uma data para retorno das atividades, a Justiça Federal estabeleceu regras rígidas para que o GDF possa, apenas, pensar e programar uma reabertura gradual das atividades. Tanto é que, durante esta sexta-feira (15), o governador Ibaneis, em entrevista à imprensa, declarou que não aceita a decisão da Justiça Federal e que irá recorrer porque quer reabrir o comércio no dia 18 de maio.
Com mais de duas mil páginas, o processo da Justiça Federal indica que o escalonamento só poderá ser feito com base nos estudos sobre o avanço da covid-19 na cidade, tais como a garantia do achatamento da curva e quando estiver demonstrado que não está aumentando; que há leitos hospitalares suficiente, bem como leitos de UTI em número capaz de atender à previsão de alta demanda de complicações respiratórias causadas pela covid-19, entre várias outras definições.
Só a decisão da juíza tem 25 páginas e é sustentada por vários pareceres médicos e científicos que indicam como, quando e o que deve ser feito para o DF ter segurança nesse retorno. A juíza condiciona cada etapa à verificação se todas as condições de segurança estão sendo atendidas. Uma das provas dessa rigidez é que o governador do DF decidiu criar outros hospitais de campanha, uma vez que nos processos movidos pelos Ministérios Públicos contra o relaxamento do isolamento feito em abril, Ibaneis não conseguiu comprovar que o número de leitos de UTI era suficiente para as próximas fases da pandemia.
A Secretaria de Estado da Educação do DF (SEEDF) chegou a elaborar a Nota Técnica nº 9/2020 que, no item 6.2.2, ela própria assume que, com o retorno às aulas neste período, muitos professores irão morrer e prevê até mesmo a substituição deles. Diante desse dessa situação, o Sinpro-DF se mantém contrário à aplicação da Nota Técnica nº 9 por vários motivos, mas, sobretudo, porque com ela o governo Ibaneis assume que não prioriza a vida de ninguém.
Juristas realizam ato em defesa da democracia e contra negacionismo da pandemia
Jornalista: Leticia
Manifestantes ocuparam a Praça dos Três Poderes vestidos de preto e com exemplares da Constituição
Juristas ligados a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), Advogados pela Democracia, Justiça e Cidadania (ADJC) e os Advogados Públicos pela Democracia (APD) realizaram uma manifestação no fim da tarde desta quarta-feira (13) em frente a sede do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Panteão da Liberdade, conhecido como Praça dos Três Poderes, em Brasília, no Distrito Federal para se posicionar contra os frequentes ataques à democracia brasileira, a apologia à truculência da ditadura civil-militar e ao negacionismo à pandemia do coronavírus e suas consequências.
Sob o mote “Em defesa da Vida, da Democracia e da Constituição”, os manifestantes vestiam preto e portavam um exemplar da Constituição Federal. Para Tânia Maria de Oliveira, membra da ABJD, avaliou o ato como impactante. “Vestimos preto em sinal de luto pelas vítimas da Covid-19, solidariedade com suas famílias. Gritamos juntos em defesa da saúde da população, da Democracia no Brasil, tão ameaçada por grupos que pedem o fechamento das instituições, e da Constituição Federal, cujos princípios são todos os dias atacados”. Tania destaca que os cuidados e precauções recomendadas pela Organização Mundial da Saúde – OMS foram respeitados, como o distanciamento entre as pessoas e uso de máscaras e coloca o ato como uma respostas à grupos golpistas que têm se manifestado em Brasília. “Quisemos mostrar aos grupos fascistas que se manifestam na mesma praça pedindo o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal que há resistência e luta em defesa do Estado Democrático de Direito”, finalizou.
Vacinação de professores começa nesta segunda-feira, 18/5
Jornalista: Maria Carla
A vacinação para os professores contra a influenza começa nesta segunda-feira (18). A data dá início à segunda etapa da terceira fase da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe no Distrito Federal. A diretoria colegiada do Sinpro-DF reforça a importância da vacinação e orienta a todos(as) a irem logo no primeiro dia. Afinal, com os adiamentos e a chegada do inverno, aparecem os riscos de exposição ao vírus.
Informa também que, na Circular 18/2020, o Governo do Distrito Federal (GDF) explicou que o adiamento ocorreu em razão de mudanças determinadas pelo Ministério da Saúde (MS) e que, de acordo com a programação reorganizada pelo MS, a segunda fase da terceira etapa da campanha começou dia 11 de maio e vai a 5 de junho, destinada às pessoas com deficiência. De 18 de maio em diante, será a vez dos adultos de 55 a 59 anos de idade e professores das escolas públicas e privadas.
A diretoria ressalta a importância de a categoria procurar os postos de vacinação logo no primeiro dia porque, com a chegada do inverno, a propagação do vírus aumenta substancialmente. Clique na “Circular”, a seguir, e confira o cronograma disponibilizado pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SESDF).
Programa Saber Viver em Casa desta (15) abre espaço para o reiki
Jornalista: Maria Carla
O professor de biologia da SEEDF e reikiano nível 3, Leonardo Hatano, e as diretoras do Sinpro Letícia Montandon e Leilane Costa têm um encontro marcado conosco no programa Saber Viver em Casa, nesta sexta-feira (15), a partir das 14h.
Leonardo é professor do CED Agrourbano Ipê, no Riacho Fundo II. Ele levou o reiki para a escola com o intuito de melhorar a qualidade de vida de professores, servidores, estudantes e até de pessoas da comunidade.
“Sou reikiano nível 3. Coordeno um projeto de saúde e qualidade de vida na escola, na qual, juntamente com uma equipe de estudantes e uma professora, aplicamos reiki em alguns jovens, professores, servidores e até em pessoas da comunidade. Além do reiki, em alguns casos, utilizo técnicas da medicina tradicional chinesa”, informa.
Nesta edição do Saber Viver em Casa, ele vai contar um pouco da história e do começo do Reiki, como funciona, os níveis de graduação, demonstrar e explicar o trabalho que faz na escola. No final, irá enviar reiki para os espectadores.
O programa Saber Viver em Casa é uma parceria do Sinpro-DF com a TV Comunitária. É transmitido pelo canal 12 da NET e pelo Facebook e You Tube do Sinpro-DF.
Não perca: é nesta sexta, 15/5, às 14h!
Assista e participe!