Os motivos que levaram a Alemanha à flexibilização parcial da quarentena

A Alemanha iniciou, na segunda-feira 20), a flexibilização da quarentena. Com critérios rigorosos, começou o retorno à vida normal depois de atravessar 40 dias de isolamento social e ultrapassar o pico da pandemia do novo coronavírus. Tanto quanto o isolamento social, as regras para o retorno também são rígidas.

Apesar ter um percentual relevante de idosos e da região sul do país ser próxima da Itália, a Alemanha permitiu a abertura de lojas de até 800 metros quadrados de área, mas restaurantes e salões de beleza continuam fechados. Em alguns estados, escolas secundárias voltam a funcionar nesta segunda-feira (27) somente para realização de provas de fim de curso, como o Ensino Médio, e de ingresso nas universidades.

Mas tudo com a rigidez da segurança: distanciamento, máscaras e higiene. Os detalhes serão publicados em outra matéria sobre o impacto da pandemia na educação da Alemanha. Algumas igrejas também voltam a funcionar. Já em outros, nem escolas nem igrejas retornam. Mas, o que a Alemanha fez para permitir a reabertura parcial das atividades cotidianas?

Uma matéria da BBC Londres explica os quatro principais motivos que levaram a Alemanha a ter sucesso no combate à pandemia do novo coronavírus e a decidir flexibilizar, parcialmente, a quarentena. Na matéria, a BBC destaca que, com um índice de mortalidade por covid-19 baixo, a Alemanha tem uma população de 83 milhões de habitantes, 20 milhões de pessoas a mais do que sua vizinha Itália (60 milhões de habitantes).

Importante ressaltar que uma diferença gritante entre a Alemanha e outros países do mundo, como o Brasil, é que, desde o dia 12 de abril, o número diário de pessoas que se recuperam da covid-19 é maior do que o número de novos casos. Nos outros países, essa realidade ainda não aconteceu. No Brasil, por exemplo, esse número está em franco e assustador crescimento. Confira o conteúdo divulgado pela BBC Londres.

PRIMEIRO MOTIVO
O primeiro passo para esse relativo sucesso no combate à pandemia do novo coronavírus não foi dado nem ontem nem hoje. Trata-se de uma questão de investimento de longo prazo. A Alemanha foi atropelada por essa crise com uma situação mais sólida do que a de muitos países, mesmo os mais ricos. Tem a mais alta taxa de leitos de UTI por habitante no mundo. E esse foi o principal motivo que levou o país a retomar, de forma relativa, a vida normal.

No total, eram 28 mil leitos de UTI, no início da crise, o que permite um cuidado adequado para pacientes graves e para a redução das mortes. Esse investimento em Saúde evitou a situação que ocorreu em vários países e que já começou a acontecer no Brasil: médicos tendo de fazer a escolha de Sofia. Mesmo assim, o governo federal alemão investiu mais dinheiro no sistema de Saúde e anunciou que, com isso, a capacidade atual subiu para 40 mil leitos de UTI.

Paralelamente à folga no número de leitos, a Alemanha desenvolveu um sistema digital unificado de rastreamento de todos os leitos. Esse sistema mostra onde há leitos livres em todos os hospitais do país. Isso permite decidir para onde levar o paciente no caso de uma cidade com UTI lotadas. Todavia, se a situação piorar, a ordem é fechar tudo de novo.

SEGUNDO MOTIVO
O segundo motivo foi o investimento pesado em testes. A Alemanha fez mais de 1,7 milhão de testes até agora. Só na primeira semana de abril, a Alemanha realizou 120 mil testes por dia. O Brasil, segundo os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) é o país que realizou menos testes no mundo. O Ministério da Saúde anunciou, no dia 20/4, que o País havia realizado apenas 132.467 testes específicos para covid-19. Outros 56.613 estão em análise. Um número irrisório para um Estado que pretende controlar uma pandemia.

A situação do Brasil é tão crítica em subnotificações, inação, omissões e falsificações de conteúdos sobre a pandemia que o País ficou de fora da aliança mundial da OMS para uma vacina contra o novo coronavírus. O Brasil, que já foi líder na discussão, medicação e tratamentos, nem sequer participou do encontro, realizado na sexta-feira (24), com lideranças mundiais para formar uma nova aliança para descoberta e distribuição de medicamentos e vacina contra o novo coronavírus. Parte do governo brasileiro não sabia da reunião.

POR QUE TESTAR?
Os testes permitem as autoridades saber onde estão localizadas as cadeias de infecção, ou seja, em que regiões, em que cidades, em que parte das cidades o vírus mais aparece. Cada vez que alguém tem o vírus confirmado por algum teste, as autoridades rastreiam todo mundo que entrou em contato com essa pessoa para impedir o contágio.

A Alemanha desenvolveu um aplicativo para monitorar quem está por perto do seu próprio celular. Assim, se a pessoa for contaminada, fica ainda mais fácil testar essas pessoas e mais fácil de evitar o alastramento do vírus. Ao anunciar o plano de flexibilização da quarentena, a chanceler Angela Merkel comemorou a queda na taxa de contágio.

“Com o isolamento e as demais medidas, a curva ficou mais achatada. Precisamos mantê-la de forma a não sobrecarregar o sistema de saúde. Fizemos algumas projeções. Chegamos ao fator de contágio de 1. Um infectado contamina mais um. Se uma pessoa infectar 1,1 pessoa, já em outubro chegaremos à capacidade máxima de leitos de UTI do sistema de saúde. Se chegarmos a um fator de 1,2, chegamos à capacidade máxima do sistema em julho. Com 1,3, em junho. Por aí se vê como é reduzido o nosso espaço de manobra”, explicou a chanceler.

Essa situação mostra que a Alemanha atingiu uma nova fase na pandemia. Merkel disse também que o governo irá manter a realização de testes e mudanças no diagnóstico do problema podem levar a revisões nas políticas de abertura da Alemanha.

TERCEIRO MOTIVO
O terceiro motivo que tem sido realizado paralelamente é o olhar para o procedimento da pandemia e do sistema de saúde a longo prazo. Considerando que não existe uma vacina e nem tratamento comprovadamente bem-sucedido, é com a imunidade do corpo que se pode contar. Já se sabe que não é tão simples. Não se sabe ainda se o corpo adquire imunidade depois que contrai e cura da covid-19 e nem se é total, parcial e quanto dura.

Enquanto não há resposta para isso, a Alemanha segue testando. Desta vez para anticorpos já para determinar que percentual da população desenvolveu anticorpos e também que grau de imunidade infectados desenvolvem tanto a um infectado que chegou a estado grave como o que não desenvolveu nenhum sintoma (assintomático). Estudos de anticorpos estão sendo feitos em várias partes da Alemanha para subsidiar decisões de mais longo prazo ainda e sobre o futuro da quarentena.

QUARTO MOTIVO
O quarto motivo que levou a Alemanha pôr em curso uma relativa flexibilização da quarentena e tem garantido o sucesso do seu combate à pandemia é o grau de confiança que povo tem no governo. Por exemplo, se a recomendação é ficar em casa, a grande maioria da população obedece, independentemente de concordar ou não com o partido político que está no governo e dos desafios do comércio.

A confiança nas instituições públicas tendem a ser alta na Alemanha. Angela Merkel governa o país desde 2005. Líder de uma coalização de centro-direita, ela é conhecida pela sua frieza na condução de crises. “A mãe”, como é chamada, carinhosamente, pelo povo germânico inspira confiança e respeito em grande parte dos alemães.

Formada em física, com doutorado em química quântica, Merkel criticou duramente o que ela chamou de “orgia de discussões sobre abertura”. A Alemanha é uma federação e as políticas não são iguais país afora. Há diferenças regionais, baseadas principalmente em taxas de infecção. Lá também nem todo mundo concorda com as recomendações. Há quem disse que as medidas de isolamento foram radicais e outros que dizem que a reabertura parcial agora ocorre cedo demais.

O momento é de cautela. Enquanto se discute a reabertura, o governo da Baviera, no sul da Alemanha, cancelou a tradicional festa Oktoberfest, que ocorre entre setembro e outubro, que atrai cerca de três milhões de pessoas para Munique e, segundo estimativas, movimenta mais de 1 bilhão de euros. Merkel anunciou também que dentro de duas semanas irá avaliar o resultado da experiência de flexibilização parcial. Avisou que pode voltar a restringir o contato social depois dos resultados.

Com a política de sempre investir nos setores essenciais do país, como saúde e educação públicas, bem como com o isolamento e demais medidas de contenção da pandemia, Merkel viu sua taxa de aprovação saltar de 68% para 80% em cinco semanas.

O Sinpro-DF tem acompanhado o impacto da pandemia do novo coronavírus em outros países e publicado matérias com entrevistados desses países no site e redes sociais. Confira o conteúdo que já foi divulgado.

Itália
Professora da SEEDF que adquiriu coronavírus conta como a Itália lida com a pandemia
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França
Na contramão da Cidade Luz, Brasil das trevas mantém o Enem
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Espanha
Covid-19 na Espanha: Tragédia, isolamento e mudanças na educação
Reportagem completa no site
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Europa
Europeus adotam critérios científicos para retomar a vida e abrir escolas
Reportagem completa no site
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Сerca de 90% dos pacientes ventilados em NY por Covid-19 morrem, revela estudo

 

Praticamente nove em cada dez pacientes que foram colocados em ventilação artificial na cidade de Nova York após teste positivo para COVID-19 faleceram, apuraram especialistas.

estudo, denominado “Apresentando características, comorbidades e resultados entre 5.700 pacientes hospitalizados com COVID-19 na área da cidade de Nova York”, da autoria de três cientistas de saúde pública, analisou dados de quase 5.700 pessoas que haviam sido hospitalizadas entre 1º de março e 4 de abril, infectadas com o vírus SARS-CoV-2.

(Reprodução Via Internet)

Concretamente, examinaram os casos de 2.634 pessoas que morreram ou tiveram alta hospitalar. Destas, 320 pacientes tinham sido conectados a um dispositivo de ventilação artificial mas 88,1% vieram a falecer.

Entre as pessoas mecanicamente ventiladas com mais de 65 anos de idade, a taxa de mortalidade chegou a 97,2%, apurou o estudo. Ao mesmo tempo, entre pacientes da mesma faixa etária que não foram colocados em ventilação artificial, o índice de falecimentos foi de 26,6%.

Os Estados Unidos são, atualmente, o país mais afetado pela pandemia do coronavírus. Segundo dados de hoje (24) da Universidade de Johns Hopkins, há mais de 869 mil casos de infecção no país, enquanto o número de mortes é quase 50 mil, incluindo mais de 16 mil na cidade de Nova York.

Reprodução 247

Distanciamento é mais eficaz do que testes em massa, diz pesquisa

Os cientistas do Imperial College London não acreditam que resultados negativos garantam segurança para flexibilização da quarentena

A aplicação de testes em massa para identificar novos casos de coronavírus e flexibilizar as regras do isolamento social pode não ser a melhor estratégia para evitar a disseminação da Covid-19, é o que sustenta um relatório do Imperial College London, no Reino Unido, publicado nessa quinta-feira (23/04).

Liberar as pessoas com resultado negativo para o vírus para que circulem pelos grandes centros urbanos representaria “desafios técnicos, legais e éticos significativos”, de acordo com os cientistas britânicos.

O Imperial College London defende o rastreamento de pessoas infectadas e a quarentena para as pessoas com sintomas da Covid-19. Eles levaram em consideração o fato de que alguns testes falham e, em um segundo exame, podem ter resultado positivo, como aconteceu recentemente na Coreia do Sul.

Para os cientistas, os testes em larga escala devem ser feitos com os profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate à Covid-19. E sugere que a triagem semanal poderia representar uma queda de 25% a 55% dos casos entre os profissionais. (Com informações do Extra)

Fonte: Metrópoles

Não aplique água sanitária na veia

O presidente americano Donald Trump, mais uma vez se mostrou contra todas as medidas e recomendações da OMS. Em diferentes momentos os discursos de Trump, vem promovendo situações que incomodam órgãos da saúde que estão na linha de frente do Covid-19. 

Em uma recente coletiva realizada na Casa Branca, o presidente sugeriu  o uso de “injeção de desinfetante” para o tratamento eficaz do novo coronavírus, o que causou polêmica em todo mundo. 

Diante dessa infeliz recomendação, o Sinpro ressalta a importância de todos(as) em seguir e se atentar nas recomendações feitas apenas por órgãos de saúde e autoridades competentes que estão atuando positivamente para combater a disseminação do Coronavírus. 

Segundo dados do Ministério da Saúde, até o último boletim divulgado pela pasta(23), o país registrou 52.995 casos confirmados do novo vírus. 

Confira na íntegra  o posicionamento de Trump

GDF começa a escolher quem vai se contagiar de coronavírus nas escolas

 

Na Alemanha, as salas de aula do Ensino Médio estão abertas apenas para exame de conclusão de curso e com distanciamento

 

O governador Ibaneis Rocha (MDB) escolhe estudantes e trabalhadores da educação para pôr em curso, no Distrito Federal, a necropolítica (confira conceito no fim do texto) do Palácio do Planalto. As direções das 683 escolas da rede pública de ensino receberam, nessa quarta-feira (22), um Despacho do Palácio do Buriti determinando o envio, até o fim da tarde desta quinta-feira (23), da lista de professores e orientadores educacionais com idade a partir de 60 anos e doenças crônicas (ou comorbidades).

O documento foi entregue às escolas após o governador enviar um ofício ao secretário de Educação, João Pedro Ferraz dos Passos, solicitando a realização, com urgência, de um estudo para reiniciar o ano letivo dentro de 10 dias. A decisão do governador vai ao encontro da do presidente Jair Bolsonaro de escolher a escola pública e a população mais carente como instrumentos de necroexperiências sem nenhum fundamento científico.

Nesse projeto, Ibaneis pretende colocar o maior número possível de estudantes e trabalhadores da educação para serem contaminados pelo novo coronavírus. Ou seja, na prática, o plano é expor 70% da comunidade escolar ao vírus letal em 45 dias e, nesse período, morre quem tem de morrer e a vida segue para os outros.

Ao dizer que 70% da população deve ser contaminada para se autoimunizar, o governador do DF e quem mais defenda essa ideia deturpam uma constatação de cientistas e governantes de alguns países europeus, como a declaração da chanceler alemã, Angela Merkel, que disse numa entrevista coletiva que “quando a população não dispõe de nenhuma imunidade e não existe nenhuma terapia, de 60% a 70% da população será infectada”. Na deturpação, costumam omitir que, nessa resposta, Merkel assegura que, nesses casos, “a única solução é tentar impedir a propagação do vírus, ‘sem saturar o sistema de saúde’ do país”.

A Alemanha começa, lentamente, nesta semana, à vida normal. Mas isso só ocorre depois de uma queda significativa dos casos de covid-19, após uma longa quarentena. Além disso, só saiu depois que, comprovadamente, o pico da pandemia havia passado. Ainda assim, as salas de aula do Ensino Médio de lá estão abertas apenas para aplicação de exame de conclusão de curso e com distanciamento que pode ser observado na imagem da reportagem do jornal Bom Dia Brasil de 20/4/2020.

A verdade na educação da Alemanha
https://www.youtube.com/watch?v=nV3EQa-wUqo

ORIENTAÇÃO DO SINPRO
A orientação do Sinpro-DF é que os professores e os gestores não preencham esse formulário e aqueles que já tenham enviado seus dados pessoais médicos para as direções de escola desautorizem a divulgação e o envio deles à Secretaria de Educação.

O Sinpro-DF orienta também os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais a continuarem divulgando o “Comunicado à População”, emitido pelo sindicato nessa quarta-feira (22). Enviar para todos os contatos das suas respectivas listas de WhatsApp, Instagram, Twitter, Facebook, Telegram etc. É importante que o maior número possível de habitantes do Distrito Federal tenha acesso ao comunicado.

Não podemos permitir que estudantes e trabalhadores da educação do DF sejam colocados em risco de vida em plena pandemia. Cuidar da saúde neste momento é o mais importante para todos. Copie os links, cole e repasse por suas redes sociais:

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Confira, a seguir, o Despacho do governador Ibaneis em PDF:
Despacho

O QUE É NECROPOLÍTICA
É quando o governo ou o Estado decide quem deve morrer e quem deve viver. O conceito de necropolítica foi desenvolvido pelo filósofo negro, historiador, teórico político e professor universitário camaronense Achille Mbembe, que, em 2003, escreveu um ensaio questionando os limites da soberania quando o Estado escolhe quem deve viver e quem deve morrer. O ensaio virou livro que chegou ao Brasil em 2018, publicado pela editora N-1. Para Mbembe, quando se nega a humanidade do outro qualquer violência se torna possível, de agressões até morte.

 

 

Sinpro-DF inicia campanha “A educação não pode morrer!”

O Sinpro-DF deu início, nessa segunda-feira (20), à campanha “A educação não pode morrer!”. Com ela, o sindicato promove ações contra a reabertura das escolas públicas na véspera do pico da pandemia do novo coronavírus, prometida pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) para iniciar, nesta segunda-feira (27), pelas escolas militarizadas.

Em defesa da vida, a campanha orienta professores(as) e orientadores(as) educacionais a participarem da mobilização com envio de mensagens de SMS ou por algum aplicativo de mensagens instantâneas aos deputados distritais pedindo a manutenção do fechamento das escolas durante a pandemia. Para que isso fosse possível, distribuiu o número dos celulares deles.

A diretoria recomenda a categoria a usar os números com responsabilidade, apenas para impulsionar a campanha, seguindo a tradição, a cultura e a índole dos professores da rede pública de ensino do DF que é a de ser cordiais e solidários em toda e qualquer situação, sobretudo, em momentos como este, caso de vida ou morte, em que precisamos do apoio de pessoas importantes e influentes e das instituições solidárias com nossa causa.

A diretoria convoca, ainda, todos(as) os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais a participarem, com urgência e seriedade, da campanha “A escola não pode morrer!”, enviando mensagens pedindo a manutenção do fechamento das escolas durante a pandemia para nos livramos da covid-19 e defendermos nossos estudantes e suas famílias de uma contaminação criminosa em massa.

Sinpro-DF repudia ato contra democracia e orienta categoria a manter isolamento

Enquanto as subnotificações escondem a real dimensão da pandemia do novo coronavírus no Brasil, grupos extremistas de ultradireita, convocados pelo Gabinete do Ódio instalado no interior do Palácio do Planalto, vão às ruas clamar por ditadura militar, repressão e morte. São grupos de terraplanistas, que atacam a educação pública e desqualificam a ciência e a medicina no momento que somente isso pode salvar o Brasil da covid-19.

A pauta da manifestação política, realizada no domingo (19), em defesa de um golpe de Estado com fechamento de importantes instituições democráticas, como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF), pedia a volta do AI5. Na economia, esses grupos, que atuam no governo Bolsonaro em cargos fundamentais, flertam com o terraplanismo econômico e seguem a ortodoxia neoliberal, que, questionada no mundo inteiro desde a segunda metade do século XX, distribui no planeta a miséria e a degradação intelectual, moral e social.

A diretoria colegiada do Sinpro-DF entende que a violência da pandemia do novo coronavírus em curso no Brasil, já com várias unidades da Federação em estado de calamidade pública por falta de leitos nos hospitais para salvar vidas de contaminados e pela irresponsabilidade do Presidente da República de convocar a classe trabalhadora para ir às ruas, faz parte da agenda de austeridade adotada em 2015 e consolidada com o golpe de 2016.

No Brasil, as subnotificações escondem a real dimensão da pandemia. Por causa disso, todos os institutos científicos do mundo orientam a população brasileira a multiplicar por 10 cada número divulgado pelos governos a fim de encontrar, mais ou menos, a taxa de contaminação e mortalidade reais. A prova do nível de contaminação está no fato de que o primeiro caso da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, ter sido confirmado no Brasil em 26 de fevereiro de 2020. Em menos 2 meses, os casos registrados já ultrapassaram 30 mil com mais de duas mil mortes.

No Distrito Federal, apesar das medidas do governador para conter o avanço desenfreado da pandemia, a doença chegou e se instalou. Vários dados mostram que o DF vive uma intensa taxa de subnotificação. Os números dos Cartórios de Registro Civil da capital do País, por exemplo, apontam que, em 4 meses, o DF tem mais mortes por doenças pulmonares do que em todo o ano de 2019.

Importante lembrar ainda que a tentativa de esconder as dimensões, as razões e orientações sobre as epidemias foi uma prática da ditadura militar. Em 1974, durante terceiro surto da epidemia de meningite no Brasil, os generais esconderam da população a gravidade e a dimensão da epidemia. Escolas fechadas, hospitais lotados e eventos foram cancelados, como os Jogos Pan-Americanos de 1975. O mais grave é que a censura proibiu os meios de comunicação de falar sobre a doença e, ao impor o silenciamento, impediu que ações rápidas e adequadas fossem tomadas. Milhares de brasileiros morreram.

O exemplo material dessa situação é a atitude do Presidente Bolsonaro de comparecer ao ato de domingo (19), em Brasília, para discursar a favor de um golpe militar e a instalação de um Estado de exceção. O objetivo é confundir e envolver o povo numa escalada de mortes nunca vista no Brasil. A diretoria colegiada do Sinpro-DF pede à categoria para crer na ciência e no exemplo dos países do mundo inteiro no combate à pandemia, sempre com obediência ao isolamento social, defesa das instituições públicas e respeito pela vida.

As lideranças sindicais do Sinpro-DF, entidade erguida e marcada pela defesa intransigente da democracia, vem lembrar também que, para quem conhece a história recente do Brasil, a pauta desses grupos extremistas defensores da necropolítica e liderados por Jair Bolsonaro é sinônimo de morte, pobreza, dívida, fome, fascismo e toda sorte de misérias e desmandos contra a sociedade, os serviços e servidores públicos e contra o patrimônio e as riquezas nacionais. É sinônimo sim de terra devastada. E temos exemplos concretos na história.

Diante dessa situação, o Sinpro-DF se associa às centrais sindicais e a seus sindicatos filiados, aos parlamentares federais, distritais e ministros do STF que defendem, irredutivelmente, a democracia. Também se une aos 20 governadores que assinaram a carta do Fórum de Governadores, na qual defendem a democracia e os encaminhamentos do Congresso, do STF e dos estados contra a pandemia do novo coronavírus.

 

Europeus adotam critérios científicos para retomar a vida e abrir escolas

O  governador, Ibaneis Rocha (MDB), que, em março, adotou as regras da União Europeia e decretou o isolamento social, seguindo à risca as recomendações da ciência, voltou atrás e, na semana passada, divulgou decreto anunciando o relaxamento das medidas de confinamento e prevendo a retomada da “vida normal” para o dia 3 de maio.

Justamente nesta data, segundo a previsão de cientistas, o Brasil estará no auge de sua crise sanitária por causa da Covid-19. É importante lembrar que a Europa só iniciou o planejamento para relaxar as medidas rígidas exatamente 30 dias após o início do confinamento. Na semana de 16/4, vários países europeus anunciaram, nesta semana, o relaxamento das medidas de quarentena contra o novo coronavírus. A maior parte da Europa iniciou o isolamento social no dia 16 de março.

Por lá, os governos entendem que saúde e economia caminham juntas e não uma em detrimento da outra. Para os governos europeus, a economia não existe sem a saúde da população. A prova disso é que a União Europeia (UE) criou um roteiro com três critérios científicos básicos para a retomada da economia do continente.

E deixou os países livres para, além dessas três regras, elaborar seus próprios critérios de retomada da vida normal. Segundo o documento apresentado pela UE, na quarta-feira (15), pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, os critérios são: a evolução das transmissões; a capacidade do sistema de saúde; e a capacidade de acompanhar novos casos.

O texto da UE intitulado “Um roteiro europeu para levantar medidas de contenção da Covid-19” detalha também os princípios que devem orientar os países na retomada da vida normal e sugere medidas de acompanhamento. De acordo com a Folha de S. Paulo, até o dia 14/4, dez países da Europa haviam anunciado planos de relaxamento das quarentenas.

RETORNO DA EDUCAÇÃO NA FRANÇA
O presidente francês Emmanuel Macron anunciou, na segunda-feira (13), oito estratégias para a retomada, prevendo o fim progressivo da quarentena somente a partir de 11 de maio. Na França, as escolas e os trabalhadores pararam suas atividades no mesmo dia: 16/3.

Dentre elas, avisou que idosos e pessoas com doenças crônicas, primeiros a serem proibidos de saírem de casa, serão os últimos a voltarem às ruas. O Ministério da Educação, por sua vez, definiu mais outros critérios para reabrir as escolas. A volta às aulas será progressiva e de forma adaptada, com menos estudantes em sala de aula e em tempo diferente e com o uso da educação a distância.

“Mas tudo ainda está em discussão entre cientistas, sindicatos e pais de estudantes”, informa Valdecy Guillonx, trabalhadora social (travailleur social) e ex-professora de língua portuguesa da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal. Val, como é mais conhecida, reside em Bordeaux e tem duas filhas na escola francesa. Ela diz que toda a mídia já está anunciando o retorno de todas as atividades, porém, com ressalvas e destaques para a forma como será feita.

“Nas escolas, por exemplo, antes de os 12 milhões de estudantes do Ensino Básico retornarem às unidades escolares, o governo fará um teste científico com 600 crianças durante um mês para ver o nível de contaminação pelo novo coronavírus de delas porque, segundo a ciência, as crianças pegam o vírus , transmitem, mas não ficam doentes”, informa.

Na França, portanto, antes de abrir as escolas, haverá o teste antes. “O governo gostaria de voltar com as crianças às escolas porque o ano letivo termina dia 4 de julho, com um novo ano escolar iniciando somente em setembro, mas tudo isso ainda são só hipóteses, vai depender da progressão da pandemia”, afirma Val.

Ela informa que não haverá mais aula para os 2,7 milhões de estudantes das universidades este ano. Os professores darão as notas que os estudantes tinham para fechar o ano. Embora tenha anunciado a reabertura das cidades na segunda-feira (13/4), o governo francês informou que somente dentro de 15 dias irá apresentar um plano de fim progressivo da quarentena.

RETORNO DA EDUCAÇÃO NA ITÁLIA
Embora a Itália também tenha anunciado a reabertura das atividades econômicas, em 15 dias a retomada de alguns setores do comércio começou nesta semana de forma esporádica, como vendedores e clientes escalados voltaram a movimentar papelarias e lojas de roupas infantis.

Contudo, é importante destacar que esse retorno começa 40 dias após a passagem da mais profunda fase da pandemia pelo país. Camila Cynara Lima de Almeida, professora da Universidade de Bolonha, diz que em relação à educação ainda não há regras delimitadas e que as escolas continuam fechadas. “Não se sabe ao certo ainda o que irá acontecer”, afirma.

Ela diz que cada região terá autonomia para definir seus critérios de retomada. “Em algumas, por exemplo, estão tornando obrigatório o uso de máscara; já em outras, não. Na minha região, apesar de ser a segunda mais atingida, não será obrigatório ainda. Na Itália, o retorno vai depender de cada estado”, informa.

Camila reside na Região Emília-Romanha, cidade de Bolonha. E, lá, a universidade também não retornará às aulas presencias. Na Itália, todo o sistema escolar é público e, lá, cada prefeitura deverá adotar medidas próprias de retorno às aulas.

“Na universidade a gente não volta a ter aulas presenciais neste semestre, somente a partir do fim de setembro e início de outubro. Por enquanto, a prioridade é a volta do comércio e a última coisa que irá voltar de forma mais regular serão as escolas porque ela mexe com toda a população e aí é muita gente envolvida”, finaliza.

Confira, a seguir, as recomendações da Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças, organismo da UE, e do grupo de consultores sobre como combater a pandemia, a UE sugere os oito passos seguintes. Importante lembra que retomada da vida normal nesses países começa com cautela, por etapa, e, sobretudo, só se inicia em regiões nas quais a pandemia do novo coronavírus já passou e está, realmente, em constatada diminuição de mortes e contágio.

Oito regras para a retomada da vida normal na Europa:

1 – Fazer o relaxamento gradua, em etapas diferentes, com um tempo razoável para medir seus efeitos (a sugestão é de um mês).

 

2 – Substituir progressivamente medidas gerais por outras mais específicas. Por exemplo, prolongar o distanciamento social dos idosos.

 

3 – Começar o relaxamento das medidas com impacto local e estendê-lo gradualmente, levando em conta diferenças regionais.

 

4 – Abrir em fases as fronteiras internas e externas, levando em consideração as diferenças regionais de infecção e abertura e garantindo o transporte de carga.

 

5 – Retomar a atividade econômica de forma gradual, com base na possibilidade de trabalho remoto, na importância econômica da atividade, na frequência de contato dos trabalhadores.

 

Nem toda a população deve voltar ao local de trabalho ao mesmo tempo. A prioridade deve ser para setores menos ameaçados, essenciais, para facilitar a atividade econômica, como transporte.

 

6 – Permitir, progressivamente, reuniões de pessoas, com horários diferentes para almoço em escolas, salas de aulas menores, mais ensino a distância, restrição ao número de clientes em lojas, redução do horário de funcionamento e da ocupação de restaurantes.

 

No transporte público, a densidade de passageiros deverá ser reduzida, a frequência de serviço aumentada e deverá ser assegurado equipamento de proteção e barreiras de desinfecção.

 

7 – Reforçar a comunicação para impedir a propagação do vírus, com campanhas sobre práticas de higiene (lavar as mãos com sabão por 40 segundos, etiqueta para tossir, espirrar, limpar superfícies com alto contato etc.) e manter o distanciamento social.

 

8 – Monitorar, continuamente, o relaxamento das medidas e manter a preparação para retomada das medidas de contenção mais rigorosas em caso de aumento das taxas de infecção.

 

Saúde funcional e exercícios em casa é o tema do Saber Viver desta sexta-feira (17)

“O que lhe impede de fazer movimento? Qual é a sua desculpa? Movimente-se! Essa é a dica do programa Saber Viver para os dias de isolamento social. A transmissão do programa será simultânea, nesta sexta-feira (17), a partir das 14h, pelo Facebook e You Tube do Sinpro-DF e pela TV Comunitária, por meio do Canal 12 da NET e do You Tube.

A convidada desta edição é a professora de educação física Lúcia Regina, do Centro de Educação Infantil do Riacho Fundo I, local em que atua com o Projeto Educação com Movimento da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEEDF).

Fora da SEEDF, ela trabalha com saúde funcional, uma proposta de bem viver que ensina a pessoa a cuidar de si própria com vários tipos de exercícios físicos e movimentos sem precisar sair de casa. Na saúde funcional, aprende-se a praticar alongamento, automassagem, respiração, postura etc. em casa e sem muitos recursos.

A atividade visa a fortalecer a postura e a proporcionar uma vida menos dependente e mais hábil para as atividades do dia a dia, como agachar, dirigir, caminhar, subir escada, amarrar um sapato, cortar a unha etc.

O Saber Viver é um programa do Sinpro-DF em parceria com a TV Comunitária para estimular as pessoas a se protegerem, respeitando o isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus. Com mais esse serviço, o sindicato divulga ideias e práticas por meio de diversas atividades, como entrevistas com especialistas e outras ações, como a desta sexta-feira, com a aula de saúde funcional.

Ligue a TV ou acesse as redes sociais (Facebook e You Tube do Sinpro-DF ou da TV Comunitária) e participe. O programa visa a contribuir com o conhecimento das pessoas com informações de qualidade e atitudes responsáveis e a ensiná-las a cuidarem da sua própria saúde neste momento de crise, sem ter de sair de casa. Saber Viver em casa é uma forma de colaborar para barrar o avanço da pandemia.

Covid-19 na Espanha: tragédia, isolamento e mudanças na educação

Ninguém na Avenida San Cristóbal, La Coruña, Espanha, em 16/4/2020, um mês depois de decretado o isolamento social obrigatório

 

A Espanha decretou isolamento social depois de uma trágica experiência com o novo coronavírus. Só quando as pessoas começaram a morrer em massa, os governantes entenderam que, primeiro, tinham de proteger a vida; depois, a economia. O descuido revelou que o país não aprendeu com as pestes que, em vários séculos passados, dizimaram milhões de pessoas na Europa.

Apesar dos avisos científicos, quando a Espanha decidiu instituir o isolamento social obrigatório, o estrago já estava feito. O resultado está nos números. Depois da Itália e dos EUA, que não respeitaram o aviso da ciência e a não aprenderam com a experiência da China, a Espanha é um dos principais países em que a pandemia do novo coronavírus deixou seu rastro de destruição. O isolamento social completo e obrigatório começou, exatamente, há um mês, no dia 16/3 em todo o país e ainda continua.

As escolas, contudo, tiveram as portas fechadas no dia 12/3 na região de La Coruña e na maior parte da Espanha.  “Quando as medidas mais duras foram tomadas, o comportamento da população foi receptivo e respeitoso. Aqui na Espanha, a gente respeita muito isso”, afirma Elena Esperanza, professora de língua espanhola e literatura e vice-diretora do Instituto de Educación Secundaria Poeta Díaz Castro, uma escola rural em Guitiriz, um município localizado na Província de Lugo, Espanha.

Na avaliação dela, que é professora do ensino secundário e do pré-vestibular (bachillerato), os governantes fazem somente o que sabem fazer: “Ou seja, várias vezes ao dia, eles estão dando informes médicos, ao lado de autoridades científicas e da medicina, mas a sensação da gente é a de que estão perdidos. Deixam-se assessorar pelo comitê científico, mas não sabem dar uma resposta a longo prazo, somente o que ocorrerá em 15 dias, uma semana apenas”, critica.

Professora Elena Esperanza se prepara para sair

 

POLÍCIA E MULTAS PARA QUEM FURAR CONFINAMENTO
Diferentemente do Brasil, a Espanha respeita a quarentena. “Aqui, não tem ninguém, absolutamente ninguém, pedindo para o povo voltar às ruas. Ninguém. Ponto. Acabou”, assevera. No entanto, todos discutem a situação do mercado de trabalho o tempo todo no sentido de planejar o futuro.

A professora conta que a população espanhola respeita o confinamento e que os segmentos, como as religiões e os comércios, todos são obedientes e cumprem o isolamento social. Algumas pessoas que tentam furar o confinamento, recebem multa e, realmente, esse comportamento insubordinado é considerado delito.

A presença da polícia e do Exército nas ruas é ostensiva e foram colocadas para obrigar as pessoas a cumprirem o isolamento social obrigatório. “Essas instituições nas ruas é exatamente para mostrar que o poder público está vigiando”, diz.

COMÉRCIO FECHADO E O PLANEJAMENTO DO FUTURO
“Nas duas últimas semanas, o confinamento foi absoluto para atividades não essenciais. Trabalharam apenas os setores de fornecimento de alimentação, energia, água, transportes, mercadorias, enfim, coisas mais essenciais. Todo o resto do país se fechou nas duas últimas semanas”, informa.

Elena diz que os setores da economia começam, timidamente, a voltar na primeira semana de abril. Recomeçaram as atividades essenciais e não essenciais. “Aos poucos as pessoas estão voltando a trabalhar em alguns setores. O comércio, por exemplo, tem de ser pequeno, com poucas pessoas. Restaurantes, petiscarias, cinemas, eventos esportivos e tudo o mais que for lazer estão absolutamente fechados”.

Assim como no resto do mundo, a economia da Espanha foi afetada pelo novo coronavírus e colherá, como os demais, as consequências do isolamento. A situação, no entanto, tem feito o país refletir sobre a eficiência do confinamento. “A conclusão tem sido a de que esse isolamento é bom porque dá uma garantia de vida às pessoas”, afirma a professora.

Ao mesmo tempo, discute o problema da fome, que também mata. “Escutei isso na rádio ontem”, diz. Elena explica que, hoje, a Espanha vive o dilema de ter de executar um balanço sério e realista sobre a abertura de setores comerciais e o de manter, ao mesmo tempo, o nível aceitável de isolamento.

No país castelhano, os setores da economia mais afetados são os de lazer, gastronomia, eventos esportivos, culturais, restauração e tudo o que é turismo e viagens. São setores que permanecerão fechados por muito tempo. O governo dá indícios de que até o fim do verão deste ano, ou seja, até agosto e setembro, esses setores não irão retornar às atividades normais.

IMPACTO DA COVID-19 NA ESCOLA
Na avaliação da professora, o novo coronavírus chegou não só para trazer a morte e o desespero. Ele revelou as fragilidades dos sistemas de saúde e as vulnerabilidades de todos os setores da economia, bem como modificou para sempre o conceito de educação.

Ela afirma que, na Espanha, a Educação enfrenta uma situação difícil em decorrência do isolamento social obrigatório.  A sorte é que, quando foi decretado, o país já estava quase no fim do ano escolar. Ainda assim, governo, docentes e diretores têm atuado com criatividade para não deixar o ano degringolar. O Pruebas Abau, o vestibular de lá, por exemplo, foi modificado.

“O mês de março é, praticamente, o fim do ano escolar, faltando apenas 3 meses para terminar. Em junho acabam as aulas e se iniciam as férias de verão”, informa.  Com o ano escolar dividido em três trimestres, a Espanha teria de estar na terceira avaliação dos estudantes.

“E a gente vai fazer essa avaliação. O governo não descarta, totalmente, o fechamento das aulas. Na quarta-feira (15/4), o Ministério da Educação se reuniu com diferentes autoridades para formar uma posição comum sobre os rumos do ensino”, informa Elena.

O ano escolar continuou online para boa parte dos estudantes. A professora calcula que, no mínimo, o país irá enfrentar mais um mês de isolamento social e, por isso, as escolas permanecerão com aulas pela Internet. “Eu e os demais professores do meu país estamos fazendo aulas online há pelo menos três, quatro semanas”.

DIFICULDADES E ADAPTAÇÕES
Os estudantes espanhóis também enfrentam dificuldades para acessar aulas pela Internet. Boa parte deles recebeu laptops fornecidos pelo governo por meio de um programa de voluntariado. Outra parte usa seus próprios equipamentos. E há os que não têm como acessar o conhecimento pela web.

A professora avalia que esse é um dos problemas que a Espanha terá de enfrentar após a pandemia. As crianças abaixo de 12 anos de idade estão num programa próprio de fornecimento digital.  Na escola da professora Elena, os estudantes de 12 e 13 anos de idade receberam laptops porque a instituição faz parte de um programa de voluntariado. Contudo, falta equipamento para estudantes de 15, 16 e 17 anos. Ela diz que cerca de 10% dos estudantes da escola dela estão sem acesso às aulas online. O governo está tentando fornecê-los juntamente com uma USB com ADSL (Internet).

“Mas o tempo está passando e isso tem andado devagar. No meu caso, tenho quase todos os meus alunos conectados e forneço atividades escolares e projetos para eles. Tenho reuniões de bate-papo com eles três vezes na semana, quase no mesmo horário, em torno das aulas presenciais”, explica.

Elena também é vice-diretora de escola e afirma que há muitos professores perdidos porque nem todo mundo tem a destreza necessária nos instrumentos digitais. “Devo dizer que para vários estudantes foi muito complicado, mas, agora já estão mais antenados. Os professores também têm enfrentado grandes dificuldades para trabalhar online e foram obrigados a se antenarem nos recursos digitais.

“Tem sido muito complicado. Temos uma pessoa da equipe diretiva que se ocupa de ligar para esses professores, os quais têm de fornecer tarefas a seus alunos. Na quinta-feira (16/4), a gente vai ter uma conferência virtual, um bate-papo com a maior parte do corpo docente para nos organizar e fazer projetos interdisciplinares online com os estudantes”, informa.

Essas dificuldades têm sido resolvidas no dia a dia com certa facilidade porque desde 2009, a Espanha fornece material online e tem feito programas de educação pela Internet para estudantes e professores. “O problema é que a assistência a esses programas sempre foi voluntária. Em consequência disso, a maior parte do professorado tem uma mínima formação digital e apenas não a têm quem nunca foi a nenhum curso”, diz.

Ela afirma que há muitas webs educativas com materiais. “Existem, de forma obrigatória, centros de formação de professores que já têm mais de 10 anos oferecendo cursos online: o Ministério, as Secretarias de Educação fornecem esse serviço de forma gratuita e obrigatória”.

CORONAVÍRUS E A GRANDE MUDANÇA NA EDUCAÇÃO
“Acho que tudo isso vai trazer uma mudança total, absoluta e irreversível para educação”, assegura a professora espanhola. “Estamos vivendo um momento único. Quer dizer, vai ter de mudar o jeito de entender a educação e acho que se trata de uma oportunidade fantástica. De toda crise a gente pode tirar pelo menos uma oportunidade”, comenta.

Ela acredita que, se, por um lado, a covid- 19 tem deixado seu rastro de morte e destruição por onde passa, por outro, vem lançando ao mundo, incluindo aí ao setor da educação, “uma oportunidade única, maravilhosa, para se repensar o que é a educação e como é que podemos fazê-la mais moderna”.

Elena Esperanza entende que “nem tudo na educação é simplesmente dar uma palestra, uma aula; nem tudo é enviar tarefas para estudantes preencherem; nem tudo é apenas o professor falar e os estudantes escutarem. Quer dizer, é tudo mudança. O ensino presencial é importante, mas é claro que esta competência digital será a maior mudança que teremos, agora, na volta às aulas pós-pandemia”, finaliza.

Confira, a seguir, outras matérias do Sinpro-DF sobre a situação da educação na pandemia do novo coronavírus na Itália e na França:

Itália
Professora da SEEDF que adquiriu coronavírus conta como a Itália lida com a pandemia
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França
Na contramão da Cidade Luz, Brasil das trevas mantém o Enem
Reportagem completa no site
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