Novembro: o mês da consciência negra no Brasil

Songs of Freedom (Canções da Liberdade) de Michael Aboya. Melhor foto do ano, segundo Agora Awards

 

 

O mito da democracia racial ainda impede que o Brasil conheça e reconheça seus heróis e heroínas negras. Mais do que isso, embaça a visão do racismo que mantém o Brasil com um dos maiores índices de violência contra a população negra do mundo. O Atlas da Violência produzido pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lançado em junho de 2019, mostra que o perfil das vítimas da violência no Brasil é Homem jovem, solteiro, negro, com até sete anos de estudo e que esteja na rua nos meses mais quentes do ano entre 18h e 22h.

O levantamento indicou que 75,4% das vítimas pelas polícias brasileiras eram negros. Para identificar o perfil das vítimas da letalidade policial no Brasil, o Fórum investigou 7.952 registros de intervenções policiais terminados em morte no período de 2017 e 2018. Exatamente a imagem desenhada pelo cartunista Carlos Latuff, destruída pelo deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP) quando estava na exposição placa sobre genocídio negro. O painel de Latuff fazia parte da exposição na Câmara dos Deputados em comemoração ao Dia da Consciência Negra (20).

Enquanto no Brasil um parlamentar eleito democraticamente vandaliza um quadro de uma exposição que mostra a realidade cruel da nação, o nigeriano Michael Aboya recebe o maior prêmio mundial de fotografia do Agora Awards pela fotografia intitulada “Songs of Freedom” (Canções de liberdade, em tradução literal), inspirada na canção “Redemption Song”, do eterno jamaicano Bob Marley.

No 20 de novembro de 2019, Dia Nacional da Consciência Negra, o Brasil ainda alimenta vivo o mito da democracia racial com alegações de que o país é miscigenado e que “não existe o dia da consciência branca”. Há quem diga ainda que o “grande tesouro nacional é a miscigenação”. O Brasil é um país racista, em que a mulher negra é a que mais sofre com o machismo e é a que mais morre vítima da violência racial e doméstica. Os mapas da violência divulgados pelos governos mostram que quem mais sofre com a violência policial é o homem negro e quem mais é assassinada na rua é a juventude negra.

É também o corpo do negro que mais sofre com a hipersexualizaçao. O Brasil ainda é o país em que quem mais sofre com xenofobia é o imigrante negro. É por essas e outras coisas também muito graves que o movimento negro lutou e conquistou o reconhecimento do dia 20 de novembro, data do assassinato de Zumbi dos Palmares, como o Dia Nacional da Consciência Negra.

A data foi idealizada pelo poeta gaúcho Oliveira Silveira. Em 1971, ele propôs a criação do Dia da Consciência Negra, que seria o dia do assassinato de Zumbi dos Palmares (20 de novembro) para contrapor ao Dia da Abolição da Escravatura, dia 13 de Maio, criado pelos brancos. À medida que os movimentos negros aumentaram a pressão pelo reconhecimento da data, ela ultrapassou a proposta de um dia e passou a ser conhecida como a Semana da Consciência Negra.

MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Hoje, mais do que a semana, o Brasil já comemora o mês de novembro como o Mês da Consciência Negra. E até a mídia nacional já publica, durante o novembro, dados sobre a questão racial em função do Dia 20 de Novembro. Contrapor o 20 de novembro ao 13 de maio significa dizer que o assassinato de Zumbi não ocorreu em vão, mas porque havia uma luta por liberdade e igualdade, que se manifestava concretamente no Quilombo dos Palmares.

Oliveira Silveira propôs, portanto, que o assassinato de Zumbi fizesse oposição à “benevolência” da Princesa Isabel e lançou a ideia de que o 20 de novembro seria uma data mais apropriada para os negros comemorarem a luta de Zumbi de Palmares e demais quilombos do país por liberdade do a ideia de submissão dos negros de aceitar uma abolição determinada de cima para baixo. Para o poeta, comemorar a luta de Zumbi seria uma abolição verdadeira, que vem de baixo para cima, resultado da luta do povo contra a opressão e não uma libertação colocada no País por uma suposta “benevolência” da princesa branca libertando os negros escravizados.

A história da emancipação do povo negro ainda hoje não é bem contada nos livros de história das escolas do Brasil, contudo, a luta pela inclusão educacional do povo negro está mostrado na obra “Educação – Um pensamento negro contemporâneo”, publicado em 2014, do sociólogo Sales Augusto dos Santos.  Na obra, o sociólogo e professor da Universidade Federal de Viçosa conta a história dos 100 anos de luta dos movimentos negros por educação no Brasil.

“Paulo Freire fala que a educação tem o papel fundamental de modificar a escola, o bairro, a cidade, o país e o mundo. Assim, se a gente começa a fazer o debate sobre a questão racial, a importância das cotas e sobre a dívida social que o este País tem com o movimento negro, a gente vai entender a importância que a educação tem como protagonista na reparação histórica, da aceitação e de respeito da sociedade com os antepassados negros que têm um papel fundamental na construção do nosso Brasil”, diz Márcia Gilda Moreira Cosme, professora da rede pública e diretora da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro-DF.

A diretora ressalta a importância do povo negro na construção social, política, cultural, econômica do Brasil  e comemora, com algumas ressalvas, a notícia de que a população negra já supera a branca nas universidades. Essa foi a notícia da semana, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

IBGE: MATRÍCULAS DE NEGROS SUPERA A DE BRANCOS

Márcia Gilda destaca a importância da verificação da notícia do IBGE e acredita que ela deve ser vista com critério, uma vez que o sistema de cotas é profundamente usado para fraudes por estudantes brancos. O IBGE informa que o levantamento foi feito com base nas autodeclarações de estudantes pardos e negros. “O problema é que há fraudes no sistema de cotas cometidas por estudantes brancos, muitos dos quais se declaram pardos para ingressarem pelo sistema de cotas. A minha pesquisa, realizada junto a estudantes de graduação, feita na Universidade Federal de Viçosa, mostra claramente isso”, afirma. As fraudes ocorrem especialmente nos cursos de alto prestígio, como medicina, direito, engenharias.

Para a diretoria colegiada do Sinpro-DF, embora a notícia deva ser vista com cautela, ela consolida a importância da inclusão educacional e do investimento do Estado brasileiro na ampliação da educação gratuita, pública e de qualidade e solidifica a necessidade e importância das políticas afirmativas, como a política de cotas. “Somos um sindicato formador de opinião e essa notícia mostra que nossa luta está correta. Lutamos pela inclusão educacional e por uma educação pública, gratuita, laica, emancipadora e de qualidade socialmente referenciada. Acreditamos que os(as) educadores(as), sobretudo os(as) negros(as), que não têm essa intimidade com a sua própria história, ele não irá repercutir bem essa informação sobre a emancipação do povo negro em sala de aula e sobre o pertencimento do povo negro sobre sua história”, diz a professora e diretora do Sinpro-DF Márcia Gilza

Na opinião dela, o Dia da Consciência Negra é uma data importante para reforçar, entre professores e professoras, orientadores e orientadoras, o esclarecimento sobre o processo de escravização, libertação e protagonismo da população negra do Brasil, bem como a necessidade de haver paridade entre os povos de uma nação. “Hoje, após passar por todos esses processo, o povo negro pode ocupar qualquer espaço, executar qualquer trabalho e desenvolver qualquer projeto como qualquer ser humano”, afirma. No Dia Nacional da Consciência Negra, o Sinpro-DF defende uma educação pública, gratuita, laica, emancipadora, libertária e socialmente referenciada com a retomada, do Estado brasileiro, dos investimentos financeiros e humanos no setor.

*IMAGEM DESTAQUE
Foto “Songs of Freedom”, do nigeriano Michael Aboya. Essa é a foto do ano segundo o Agora Awards, um dos maiores prêmios da fotografia mundial. O autor? O nigeriano radicado em Gana, de 24 anos, Michael Aboya, que desbancou 130 mil imagens enviadas por fotógrafos de 200 países ao redor do mundo. O título da foto, “Songs of Freedom”, é inspirado na canção “Redemption song”, do cantor jamaicano Bob Marley. As crianças retratadas na imagem são filhos de pescadores do bairro de Lobadi, parte costeira de Accra, capital de Gana, e uma das cidades mais pobres do mundo. “Aprendi a fotografar sozinho depois de estudar computação e deixar essa faculdade de lado para correr atrás do meu sonho. E tenho vivido exclusivamente da fotografia desde 2017. Trabalho duro e tento aprender todos os dias como ser a melhor versão de mim mesmo que eu posso ser”, contou Michael. Perfil dele no Instagram @aboya.8

Escola Sem Sentido convida educadores para compartilharem suas histórias

O Escola Sem Sentido convida educadores(as) que possam ter vivido situações de censura por parte de pais, estudantes ou escola a compartilharem suas histórias.

Seus relatos são importantes para aquecer o debate e impulsionar a visibilidade da campanha. Estamos em busca de professores que possam compartilhar seus relatos de maneira anônima ou não no nosso site.

Acesse o link para saber como: https://escolasemsentido.com.br (se você não quer ser identificado, basta colocar ‘anônimo’ no campo de nome).

Para saber mais sobre o lançamento do curta, acompanhe a campanha no:
Facebook (https://www.facebook.com/escolassentido/)
Instagram (https://www.instagram.com/escola_sem_sentido/)
Twitter (https://twitter.com/escolassentido)

Senado aprova PEC que torna os crimes de estupro e feminicídio imprescritíveis

Proposta de Emenda à Constituição deve seguir para análise de deputados

O plenário do Senado aprovou, nesta quarta-feira (6), proposta de emenda à Constituição (PEC) que torna imprescritíveis os crimes de estupro e feminicídio ― quando o homicídio é motivado pelo fato de a vítima ser mulher. Por ser uma PEC, o texto agora segue para análise da Câmara dos Deputados.

A PEC 75/2019 foi aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) na última quarta-feira (30). A autora da proposta, senadora Rose de Freitas (Podemos-ES) sugere alteração no inciso XLII do art. 5° da Constituição para incluir o crime de feminicídio como crime inafiançável e imprescritível, assim como o delito de racismo.

A inclusão do crime de estupro foi sugerida durante votação na CCJ, pela senadora Simone Tebet (MDB-MS) e acatada pelo relator, Alessandro Vieira (Cidadania-SE). Tebet relatou projeto nesse sentido aprovado pelo Senado em 2017, que ainda não foi votado pela Câmara.

“Assim, o projeto não tem que voltar para cá quando [for votado na Câmara]. Nós teríamos dois textos sendo votados alterando o mesmo inciso. consequentemente o projeto não teria o retorno a esta Casa”, sugeriu Tebet.

Ao discutir o tema no plenário do Senado nesta terça-feira (5), Rose de Freitas chamou atenção para os altos índices de violência de gênero no País.

“Não estou aqui trazendo uma discussão da minha cabeça, ou que incomoda só conhecidos próximos. É uma questão nacional. É evidente a violência que está posta no Brasil contra a vida das mulheres. Insuportavelmente frequenta os nossos noticiários, bate na nossa cara, espanca nossa consciência e avilta nossa dignidade”, afirmou.

O que é prescrição?

Há duas formas de calcular a prescrição do crime (quando o Estado não pode mais julgar o caso). A primeira é a partir da pena máxima prevista para aquele delito. A segunda, pela pena determinada pelo juiz a um condenado especificamente.

Crimes punidos com prisão entre 8 e 12 anos, por exemplo, prescrevem em 16 anos. Já aqueles com punição superior a 12 anos, prescrevem em 20 anos.

No caso do estupro, a pena é de 6 a 10 anos de reclusão, mas pode chegar a 30 anos se a agressão resultar em morte. Quanto ao feminicídio, a punição é de 12 a 30 anos.

Senadores acordaram que as votações do primeiro e do segundo turno referentes à PEC seriam feitas na mesma sessão, uma após a outra.Texto foi aprovado por unanimidade nos dois turnos ― no primeiro, foi aprovado por 58 votos e, no segundo, por 60.

Na justificativa da PEC, a parlamentar cita estudo da OMS (Organização Mundial de Saúde) que coloca o Brasil “num desonroso quinto lugar na taxa de feminicídios entre 84 nações pesquisadas”. “Mapa da Violência de 2015 aponta que, entre 1980 e 2013, 106.093 pessoas morreram apenas por sua condição de mulher”, diz o texto.

Números da violência contra mulher no Brasil

Treze anos após a sanção da Lei Maria da Penha, é crescente o número de mulheres assassinadas no País. Segundo o Atlas da Violência de 2019, 4.963 brasileiras foram mortas em 2017, considerado o maior registro em dez anos.

A taxa de assassinato de mulheres negras cresceu quase 30%, enquanto a de mulheres não negras subiu 4,5%. Entre 2012 e 2017, aumentou 28,7% o número de assassinatos de mulheres na própria residência por arma de fogo.

Em 2018, 1.206 mulheres foram vítimas de feminicídio, de acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2019. O número representa uma alta de 4% em relação ao ano anterior. De cada dez mulheres mortas, seis eram negras.

Os números de estupro também são alarmantes. Foram mais de 66 mil casos de violência sexual em 2018, o que corresponde a mais de 180 estupros por dia, de acordo com o 13º Anuário de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Entre as vítimas, 54% tinham até 13 anos.

Por Marcella Fernandes
Do HuffPost, 06/11/2019 – acesse no site de origem

 

No Brasil, a cada 8 horas uma mulher é morta só por ser mulher, aponta estudo

O feminicídio, assassinato de mulheres por violência doméstica ou por discriminação de gênero, acontece em todas as faixas etárias, mas é muito maior entre mulheres com 30 anos, negras e com pouco estudo

Conteúdo reproduzido na íntegra da página da CUT Brasil.
Escrito por: Érica Aragão

A taxa total de homicídios no Brasil caiu 10% em 2018, mas o número de mulheres assassinadas pelo simples fato de serem mulheres ou por violência doméstica, o chamado “feminicídio”  cresceu 4% no mesmo período. Isto significa que uma mulher é morta a cada 8 horas, segundo a 13ª. Edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que compilou os dados de 2018 e os divulgou na última terça-feira (10).

Foram 1.151 mulheres mortas em 2017 e este número cresceu para 1.206 em 2018. E, mesmo sem as informações da Bahia, que não enviou os dados para a pesquisa, quando compilada a violência em alguns estados o crescimento é muito maior do que a média nacional, com números assustadores. Em Sergipe, por exemplo, o feminicídio cresceu 163,9% e no Amapá 145,2%.

O levantamento foi baseado nos dados dos boletins de ocorrência enviados pelos estados ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mas segundo a pesquisa “Raio X do Feminicídio”, coordenada pela Promotora Valéria Scarance, do Ministério Público de São Paulo, apenas 4% das vítimas tinham registrado um boletim de ocorrência contra o agressor e 3% tinham medida protetiva. Estes dados mostram que os números do feminicídio podem ser ainda piores.

Para a co-fundadora da Rede Feminista de Juristas, Isabela Guimarães Del Monde, o que houve foi um aumento da violência contra mulher e do feminicídio, e não apenas o aumento no número de denúncias feitas pelas mulheres. Para ela, este crescimento é refletivo pela queda no orçamento federal para políticas públicas de proteção à mulher e combate ao feminicídio.

“Na medida em que houve, desde 2016, pós-golpe, uma drástica redução do orçamento federal destinado a políticas públicas para mulheres e o resultado, com certeza, é o aumento da vulnerabilidade que tal grupo enfrenta”, afirma.

Segundo Isabela, para ter os números reais é preciso que a sociedade pare de responsabilizar a mulher pela violência que ela sofre, de modo que seja criada uma cultura da denúncia e do acolhimento à vítima e à sobrevivente. Mas, para isso é preciso que haja investimento em polícia científica e investigativa que faça apurações corretas de acordo com as melhores práticas internacionais de investigação de crimes baseados em violência de gênero.

“É preciso que investigações sejam feitas sem base em mitos e sensos comuns e também que todos os aparatos envolvidos em casos de crimes como as delegacias, hospitais, IML [Instituto Médico Legal ] , Ministério Público, Judiciário, advocacia, etc., sejam reorganizados para a compreensão sobre violência baseada em gênero”, diz Isabela, que complementa: “Mas, será difícil com um presidente que declaradamente é contra os direitos humanos e o conhecimento. Logo, é uma gestão que ignora que é a partir de educação, dados e pesquisa e investimento em políticas públicas que se altera o cenário de violências”.

A secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista, concorda com Isabela e está bem pessimista também com os rumos do combate à violência contra a mulher. Para ela, estes números podem ser piores neste ano de 2019 com o governo de Jair Bolsonaro (PSL) e outros governantes ultraliberais e fundamentalistas espalhados pelo país que vêm criminalizando a palavra “gênero” e, ainda, não tem nenhum espaço do governo que pense políticas especificas para o enfrentamento à violência contra mulher.

Segundo Juneia, só em São Paulo, nos primeiros três meses deste ano, 37 mulheres foram vítimas de feminicídio. Em 2018, foram 21.

“Tanto a Lei da Maria da Penha quanto a do Feminicídio foram criadas em governos progressistas e que entendiam a importância de combater qualquer forma de violência contra mulher. Com Bolsonaro isso será impossível, porque é um governo que promove a violência e tem característica machista, fascista e misógina .Com ele, com certeza esses números serão maiores. E este contexto é o mesmo em São Paulo. Com um governador como João Dória [PSDB],que manda recolher cartilhas sobre diversidade sexual como será diferente?”, questiona a dirigente .

“Mas, a CUT continuará denunciando esta e outras tragédias brasileiras em todos os cantos do país, e nós continuaremos firmes e fortes no ativismo nas ruas com as mulheres, com os movimentos sociais e feministas. Só a luta garantirá nossa sobrevivência”, finaliza Juneia.

Perfil do feminicídio

O feminicídio acontece em todas as faixas etárias, mas é significativamente maior entre mulheres em idade reprodutiva, sendo 29,8% de vítimas com idade entre 30 e 39 anos, 28,2% de entre 20 e 29 anos e 18,5% tinham entre 40 e 49 anos quando foram mortas, e na grande maioria dos casos (88%), pelos próprios companheiros ou ex-companheiros.

O crime não tem idade para acontecer, como vimos nos números acima, mas tem cor e classe social. As mulheres negras são as que mais morrem, são 61% das vítimas, contra 38,5% de brancas, 0,3% indígenas e 0,2% amarelas. E 70,7% dos casos, tinham no máximo ensino fundamental.

“Isto se dá porque a mulher negra nunca conquistou a cidadania plena e muitas ainda são tratadas como objetos. Porém, são essas mesmas mulheres que seguram a base da sociedade, estão nas posições mais precárias, seja ao acesso ao mercado do trabalho, a saúde, moradia, direitos sexuais e reprodutivos. Somos reconhecidas como objetos eróticos e não como seres humanos”, destacou a Secretária-Adjunta de Combate ao Racismo da CUT, Rosana Sousa Fernandes.

Segundo a dirigente, para fugir de relações violentas, quando podem, as mulheres fogem com os filhos ou fogem dos seus agressores, mas na maioria das vezes elas continuam com esses homens porque não possuem uma rede de apoio porque já são frutos desse processo de lares desestruturados.

“Só vamos mudar esses números quando o combate ao racismo for realmente uma pauta de luta na sociedade. Quando a violência e o genocídio da população negra forem realmente tratados como problemas que impedem o crescimento e desenvolvimento da sociedade, conseguiremos mudar essa triste realidade”, afirmou Rosana.

Conteúdo reproduzido na íntegra da página da CUT Brasil.
Escrito por: Érica Aragão
Fonte: CUT Brasil

Clínica Grande Sol Central oferece terapia de florais com desconto para a categoria

Categoria terá desconto no preço dos florais

 

A Clínica Grande Sol Central oferece terapia de florais com desconto para professores(as) e orientadores(as) educacionais sindicalizados(as). Além dos descontos no preço dos florais, a primeira consulta é gratuita.

Com mais de 20 anos de experiência, a psicoterapeuta Yolanda Alves Teixeira produz faz atendimentos e, artesanalmente, elabora os florais no seu laboratório. Ela atua em conjunto com a irmã, Glória Teixeira.

Professora aposentada da Secretaria de Estado de Educação (SEDF), socioterapeuta e cineasta, Glória diz que a irmã produziu um livro sobre o tema intitulado “Florais de Brasília e do Brasil”.

Livro de Yolanda traz um pouco do conhecimento sobre florais e da terapia

 

“É com alegria oferecemos essa parceria com o Sinpro-DF. Antecipadamente agradecemos pela parceria e esperamos contribuir eficazmente para com todos que nos procurarem.”, afirma Yolanda.

DA PROMOÇÃO PARA PROFESSORES

Aos professores sindicalizados será oferecido o primeiro atendimento gratuito, pagando apenas o valor dos florais, que é de R$40,00 (quarenta reais) cada.

Para cada atendimento mensal, três florais são prescritos.

Caso a pessoa deseje dar continuidade ao tratamento, o que julgamos importante, a consulta mensal terá um abatimento de 50%.

Cada consulta terá duração de 45 minutos e mais 15 para preparação dos florais.

Será ministrado um curso para Formação de Terapeutas Florais – Etapa I, a ser realizado nos dias 28 e 29 de setembro de 2019, com o desconto de 30% para os professores (ver valor através do telefone).

Consultório: STN Bloco O – Centro Clínico Life Center, salas 105/107 – Asa Norte, Brasília-DF (em frente à Embrapa sede e ao lado da Ponte do Bragueto). CEP: 70770-911.

E-mail: yolanda.florais14@gmail.com

Telefones: (61) 99977-3374 / (61) 98369-5566. (ligar preferencialmente no período da tarde).

Yolanda produz os florais em seu laboratório

 

Tratamento com FLORAIS

O que são florais e para que servem:

As essências retiradas das flores para auxiliar na conquista da saúde integral, ganharam o nome Floral, depois que o médico inglês Dr. Edward Bach, que entre os anos de 1928 a 1935, criou 38 florais e lhes deu o nome de Florais de Bach. Apesar desse fato ter acontecido nos anos 30, sabe-se que civilizações da era antiga já consumiam flores, em busca de cura.

As flores são responsáveis pela reprodução das plantas. Assim, sem elas, nem vida existiria, mas a função das flores vai bem além de produzir alimentos e outras riquezas naturais – elas são o que chamamos de “a alma da planta”, pois abriga em si energia que se traduz em amor, paz, equilíbrio emocional e psicológico.

Quando uma árvore está florida, ela capta pelas raízes seu alimento, tais como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, dentre outros. Esses elementos todos são necessários para a manutenção da saúde do nosso corpo físico, mas o tratamento pelo floral vai muito além do físico. Os florais atuam nos corpos físico, emocional, psicológico, trazendo consciência e clareza à pessoa, a fim de facilitar decisões e escolhas conscientes.

A energia da flor precisa tempo para se instalar e se fundir com a energia de quem a utiliza. A cura vai se instalando, as feridas vão sendo cicatrizadas, a consciência se expandindo. Essa ligação acontece porque tanto o corpo físico quanto o emocional e psicológico necessitam dos elementos contidos nos seres vegetais e as flores contém tanto os elementos químicos quanto os sutis.

Sobre as terapeutas

Yolanda Alves Teixeira
Psicoterapeuta e terapeuta florais desde 1996.  Iniciou seus estudos pelos Florais de Bach com a especialista brasileira, Dra. Carmem Monari, que por sua vez formou-se diretamente no Instituto Bach Center, Mount Vernon, Reino Unido.

Já em 1997 decidiu pesquisar as flores brasileiras, catalogando seus achados nos diversos estados brasileiros, tais como Amazonas, Acre, Ceará, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. Mais de 1000 flores foram estudadas, fotografadas e reunidas num livro – Florais de Brasília e do Brasil.

Regularizada pela Vigilância Sanitária, criou suas próprias essências, onde as manipula em laboratório especializado.

Atendendo diariamente, há mais de 20 anos, em consultório próprio, Yolanda oferece palestras, tanto para formação de outros terapeutas, quanto para empresas ou grupos especializados.

Glória Teixeira
Socioterapeuta, formada pela FAHUPE II – Faculdade de Humanidades Pedro II/RJ com especialização em Terceira Idade; Licenciada e Bacharel em Artes pela Uni/Rio – professora aposentada; Terapeuta Florais, tendo estudado florais de Bach, de Minas e os da Yolanda, Florais de Brasília e do Brasil.

Seu atendimento com florais PODE ou não ENVOLVER: massagem em alguns pontos de DO-IN, técnicas de respiração diafragmática e alguns movimentos de expressão corporal, caso se faça necessário.

 

 

Fake News contra os professores do DF

Nos últimos dias a categoria tem recebido pelo WhatsApp a informação de um curso de formação obrigatória para todos(as) os(as) professores(as), onde a temática do suposto curso era como doutrinar crianças e adolescentes. Esta informação se trata de uma Fake News.

O Sinpro informa que as escolas públicas, as regionais de ensino e a sede da Secretaria de Educação do DF não desenvolveram palestras com esta temática. Para isto contamos com a EAPE, que desenvolve cursos de altíssima qualidade para uma categoria que tem um alto grau de formação acadêmica. Além disto, não aceitaríamos nenhum tipo de curso que não tivesse a qualidade que temos hoje por meio da EAPE e da Universidade de Brasília (UnB), instituição parceira da educação pública do DF tanto na formação inicial quanto na formação continuada dos(as) professores(as).

Foi pensando em denunciar notícias falsas como esta e que podem prejudicar a imagem da categoria que o Sinpro criou o espaço Verdade ou Fake. Neste espaço divulgamos matérias, informações ou qualquer tipo de conteúdo que destoe da realidade e da veracidade dos fatos.

GDF desiste de impor gestão compartilhada com PM no Gisno

Crédito: Metrópoles

Em contrapartida, segundo o secretário de Educação, será feita nova consulta à comunidade escolar no CEF 407, em Samambaia

Após críticas de professores, estudantes, pais, parlamentares e alguns deputados, o Governo do Distrito Federal (GDF) desistiu de implantar a gestão compartilhada entre as secretarias de Segurança e Educação no Gisno, na 907 Asa Norte. Além disso, o GDF fará nova consulta popular com a comunidade escolar do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 407 de Samambaia. As informações foram confirmadas ao Metrópoles pelo secretário de Educação, João Pedro Ferraz.

As duas unidades recusaram, em votação realizada no último dia 17, a implantação do modelo, que ficou conhecido como “escolas militarizadas”. No mesmo dia, outros três colégios aprovaram a iniciativa, que começou em fevereiro, em forma de projeto-piloto, em quatro instituições.

Depois da votação, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), disse que implementaria o modelo nas duas unidades, apesar da recusa, o que provocou embates e culminou na saída do então secretário de Educação, Rafael Parente. Após as polêmicas, o emedebista disse que daria mais tempo para que a questão fosse debatida. Nessa terça-feira (03/09/2019), o martelo foi batido.

“O governador, Ibaneis Rocha, me delegou a solução para essa questão. Quanto ao Gisno, se a própria escola se manifestou por meio de votação e disse que não quer, não vamos insistir”, revelou Ferraz ao Metrópoles. Contudo, salientou o secretário, uma nova consulta pode ser feita no futuro. Todavia, não há data para o pleito.

Fonte: Metrópoles
Por: FRANCISCO DUTRA

Sem investimento na educação, GDF se esconde atrás da Intervenção Militar

Enquanto o GDF se preocupa em implementar a gestão compartilhada em mais seis novas escolas, totalizando 10 no DF, 668 estão largada de lado. Quase oito meses de governo, e até agora nenhum anúncio de investimento foi feito.
O atual cenário da educação pública do Distrito Federal é preocupante. Escolas que ainda não receberam o PEDAF, escolas sem professores efetivos, tendo como solução os contratos temporários, precarizando o ensino.

O governo vem dizendo que o processo de militarização tem sido um grande investimento na educação da nossa cidade. Será?
Ainda no início de fevereiro, o deputado distrital Leandro Grass (Rede) protocolou, uma Proposta de Decreto Legislativo que suspende a portaria publicada pelo Executivo que diz respeito à implementação da militarização nas escolas públicas do DF.
Não satisfeito com as mudanças, o GDF acaba de estender a gestão compartilhada para mais seis escolas do DF. A partir do 2° semestre de 2019, já em agosto, passarão a receber a medida; Centro de Ensino Fundamental (CEF) 19 (Taguatinga), o CEF 407 (Samambaia), o Centro Educacional Gisno, o CED Condomínio Estância III (Planaltina), o CEF 01 (Núcleo Bandeirante) e CEF 05 (Paranoá).

Segundo o diretor Cláudio Antunes, o Sindicato dos Professores fará já no segundo semestre, a consolidação dos dados de uma pesquisa referente às quatro primeiras escolas militarizadas no primeiro semestre de 2019. Na avaliação do diretor, é necessário verificar o resultado das escolas militarizadas.

O projeto de gestão compartilhada é mais uma forma do GDF tentar impulsionar publicidade de seu governo, tentando esconder da comunidade escolar a falta de investimento nas nossas escolas.

Samuel Fernandes, diretor do Sindicato dos Professores, diz o governo deveria fazer outros investimentos na educação. “Precisamos de escolas com profissionais da educação, com número de alunos reduzidos em sala e com investimentos. Precisamos de escolas atrativas, com boas estruturas, com quadras poliesportivas, laboratórios, bibliotecas, refeitórios e com profissionais da educação em número suficiente”, diz o diretor.

Morre o jornalista Paulo Henrique Amorim

O jornalista Paulo Henrique Amorim, morreu na madrugada desta quarta-feira, aos 76 anos, após ser vitima de um infarto em sua casa no Rio de Janeiro.

Paulo Henrique Amorim, um crítico do governo de Jair Bolsonaro (PSL). Na internet, comandava o site ‘’ Conversa Afiada’’, onde tratava sobre o cenário da atual política.

Dono de uma posição política forte, sempre militou contra o posicionamento da direita e foi responsável por comandar importantes diálogos para a sociedade brasileira.

Sua participação no Sindicato dos Professores no Distrito Federal- Sinpro DF, foi durante o 10º Congresso de Trabalhadores na Educação Paulo Freire (CTE). Sob o tema “Educação, Democracia e Direitos”, o Congresso reuniu cerca de 700 delegados (as) para analisar a conjuntura em diversos níveis, discutir possibilidades e apontar caminhos para continuar a luta, fazendo história. A atividade ocorreu na sede da Confederação dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) em 2015.

O jornalista tem quatro livros publicados, além de ser vencedor de premiações importantes dentro da profissão. Ele deixa a mulher, e uma filha.

Assista agora a TV Sinpro – 10° CTE, Palestra Paulo Henrique Amorim. https://www.youtube.com/watch?v=21zTMSRNOJk&t=208s

Quem votou contra os professores na reforma da Previdência

Por 30 votos a 18 (veja a lista abaixo), a comissão especial da reforma da previdência  (PEC 6/19) rejeitou o destaque que pretendia excluir os professores das futuras regras previdenciárias. O destaque apresentado pelo Partido Liberal (PL) previa a manutenção das regras constitucionais de aposentadoria para os professores – 25 anos de contribuição para mulheres e 30 para homens, sem exigência de idade mínima.

O texto original da reforma exigia idade mínima de 60 anos e 30 anos de contribuição para ambos os sexos. Conforme o parecer aprovado pela comissão no início desta tarde, as professoras poderão se  aposentar com 57 anos de idade e 25 de contribuição. Já os professores, com 60 de idade e 30 de contribuição. Os profissionais terão de comprovar efetivo exercício na educação infantil ou nos ensinos médio e fundamental.

O relator da reforma, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), argumentou que a Câmara já suavizou o texto vindo do Executivo e que é preciso evitar situações como aposentadorias aos 45 anos. “A questão do professor é ganhar melhor, é carga horária diferenciada, sala com menos de 30 alunos. Não adianta fazer ‘puxadinho’, não vai resolver a questão do professor, do aluno e do país dessa forma”, alegou.

Votaram contra a exclusão de professores da reforma:

Alexandre Frota (PSL-SP)
Cap. Alberto Neto (PRB-AM)
Celso Maldaner (MDB-SC)
Daniel Trzeciak (PSDB-RS)
Darci de Matos (PSD-SC)
Darcísio Perondi (MDB-RS)
Delegado Éder Mauro (PSD-PA)
Diego Garcia (Podemos-PR)
Dr. Frederico (Patriota-MG)
Eduardo Cury (PSDB-SP)
Evair de Melo (PP-ES)
Filipe Barros (PSL-PR)
Greyce Elias (Avante-MG)
Guilherme Derrite (PP-SP)
Heitor Freire (PSL-CE)
Isnaldo Bulhões Jr (MDB-AL)
João Roma (PRB-BA)
Joice Hasselmann (PSL-SP)
Lafayette Andrada (PRB-MG)
Lucas Vergilio (Solidariedade-GO)
Major Vitor Hugo (PSL-GO)
Paulo Azi (DEM-BA)
Paulo Ganime (Novo-RJ)
Paulo Martins (PSC-PR)
Pedro Paulo (DEM-RJ)
Ronaldo Carletto (PP-BA)
Samuel Moreira (PSDB-SP)
Stephanes Junior (PSD-PR)
ToninhoWandscheer (Pros-PR)
Vinicius Poit (Novo-SP)

Votaram a favor da exclusão de professores da reforma:

Alex Manente (Cidadania-SP)
Alice Portugal (PCdoB-BA)
Aliel Machado (PSB-PR)
Carlos Veras (PT-PE)
Fábio Henrique (PDT-SE)
Fernando Rodolfo (PL-PE)
Giovani Cherini (PL-RS)
Gleisi Hoffmann (PT-PR)
Henrique Fontana (PT-RS)
Heitor Schuch (PSB-RS)
Israel Batista (PV-DF)
João C. Bacelar (PL-BA)
Joenia Wapichana (Rede-RR)
Jorge Solla (PT-BA)
Lídice da Mata (PSB-BA)
Marcelo Moraes (PTB-RS)
Paulo Ramos (PDT-RJ)
Sâmia Bomfim (Psol-SP)

Com informações da Agência Câmara

Acessar o conteúdo