Manifestação da CUT defende aumento do salário mínimo
Jornalista: sindicato
Aproximadamente 5 mil trabalhadores públicos federais, representados por 20 entidades sindicais, fizeram manifestação na manhã desta quarta-feira(16), em Brasília, para protestar contra o corte de gastos do governo federal e também para defender um aumento maior que R$ 545 para o salário mínimo. Essas eram bandeiras que se destacavam durante a mobilização, que marcou oficialmente o lançamento da campanha salarial nacional e unificada dos servidores. A maioria das entidades presentes são filiadas à CUT. O presidente da Central, Artur Henrique, ao falar no início da marcha – os manifestantes se concentraram diante da Catedral e de lá foram rumo ao Congresso Nacional, onde mais tarde fizeram ato político – afirmou que o corte de investimentos reflete a agenda daqueles que foram derrotados nas últimas eleições.
Comissão Especial vai à Câmara debater salário mínimo
Jornalista: sindicato
Em articulações em Brasília com o objetivo de influenciar a votação do novo valor do salário mínimo 2011, o presidente da CUT, Artur Henrique, informa que foi fechada com o governo e com lideranças do Congresso a criação de uma comissão especial na Câmara dos Deputados para debater o salário mínimo 2011 antes que o tema vá a voto em plenário. Essa comissão especial será instalada na próxima terça, dia 15, e a primeira reunião ocorre no mesmo dia, a partir das 15h. A proposta foi fechada com o presidente da Câmara, Marco Maia. Essa reunião deve contar, segundo acertado hoje, com a presença do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e de representantes das centrais sindicais e do parlamento. A comissão pretende explicitar os argumentos de ambos os lados e, a partir disso, encaminhar a votação ao conjunto dos congressistas. Os nomes dos parlamentares que vão compor a comissão será uma escolha do Congresso. No dia 15 e no dia 16 – quando, segundo liderança do governo na Câmara, o projeto do novo mínimo deve ir a plenário, dirigentes da CUT que representam diversas categorias vão realizar mobilizações dentro do Congresso.
O Brasil ainda está longe da feminização da língua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma “presidenta”, que assim seja chamada. Se uma mulher e seu cachorro estão atravessando a rua e um motorista embriagado atinge essa senhora e seu cão, o que vamos encontrar no noticiário é o seguinte: “Mulher e cachorro são atropelados por motorista bêbado”. Não é impressionante? Basta um cachorro para fazer sumir a especificidade feminina de uma mulher e jogá-la dentro da forma supostamente “neutra” do masculino. Se alguém tem um filho e oito filhas, vai dizer que tem nove filhos. Quer dizer que a língua é machista? Não, a língua não é machista, porque a língua não existe: o que existe são falantes da língua, gente de carne e osso que determina os destinos do idioma. E como os destinos do idioma, e da sociedade, têm sido determinados desde a pré-história pelos homens, não admira que a marca desse predomínio masculino tenha sido inscrustada na gramática das línguas. Somente no século XX as mulheres puderam começar a lutar por seus direitos e a exigir, inclusive, que fossem adotadas formas novas em diferentes línguas para acabar com a discriminação multimilenar. Em francês, as profissões, que sempre tiveram forma exclusivamente masculina, passaram a ter seu correspondente feminino, principalmente no francês do Canadá, país incomparavelmente mais democrático e moderno do que a França. Em muitas sociedades desapareceu a distinção entre “senhorita” e “senhora”, já que nunca houve forma específica para o homem não casado, como se o casamento fosse o destino único e possível para todas as mulheres. É claro que isso não aconteceu em todo o mundo, e muitos judeus continuam hoje em dia a rezar a oração que diz “obrigado, Senhor, por eu não ter nascido mulher”. Agora que temos uma mulher na presidência da República, e não o tucano com cara de vampiro que se tornou o apóstolo da direita mais conservadora, vemos que o Brasil ainda está longe da feminização da língua ocorrida em outros lugares. Dilma Rousseff adotou a forma presidenta, oficializou essa forma em todas as instâncias do governo e deixou claro que é assim que deseja ser chamada. Mas o que faz a nossa “grande imprensa”? Por decisão própria, com raríssimas exceções, como CartaCapital, decide usar única e exclusivamente presidente. E chovem as perguntas das pessoas que têm preguiça de abrir um dicionário ou uma boa gramática: é certo ou é errado? Os dicionários e as gramáticas trazem, preto no branco, a forma presidenta. Mas ainda que não trouxessem, ela estaria perfeitamente de acordo com as regras de formação de palavras da língua. Assim procederam os chilenos com a presidenta Bachelet, os nicaraguenses com a presidenta Violeta Chamorro, assim procedem os argentinos com a presidenta Cristina K. e os costarricenses com a presidenta Laura Chinchilla Miranda. Mas aqui no Brasil, a “grande mídia” se recusa terminantemente a reconhecer que uma mulher na presidência é um fato extraordinário e que, justamente por isso, merece ser designado por uma forma marcadamente distinta, que é presidenta. O bobo-alegre que desorienta a Folha de S.Paulo em questões de língua declarou que a forma presidenta ia causar “estranheza nos leitores”. Desde quando ele conhece a opinião de todos os leitores do jornal? E por que causaria estranheza aos leitores se aos eleitores não causou estranheza votar na presidenta? Como diria nosso herói Macunaíma: “Ai, que preguiça…” Mas de uma coisa eu tenho sérias desconfianças: se fosse uma candidata do PSDB que tivesse sido eleita e pedisse para ser chamada de presidenta, a nossa “grande mídia” conservadora decerto não hesitaria em atender a essa solicitação. Ou quem sabe até mesmo a candidata verde por fora e azul por dentro, defensora de tantas ideias retrógradas, seria agraciada com esse obséquio se o pedisse. Estranheza? Nenhuma, diante do que essa mesma imprensa fez durante a campanha. É a exasperação da mídia, umbilicalmente ligada às camadas dominantes, que tenta, nem que seja por um simples -e no lugar de um -a, continuar sua torpe missão de desinformação e distorção da opinião pública.
Marcos Bagno é professor de Linguística na Universidade de Brasília
Salas de aula da rede pública terão 67 mil novos laptops
Jornalista: sindicato
Vinte e dois municípios e 13 estados encomendaram 67, 2 mil laptops para serem usados em sala de aula por alunos da rede pública. A compra dos aparelhos a um custo médio de R$ 360 cada será feita por meio de adesão a um pregão eletrônico feito pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Os laptops serão semelhantes aos 150 mil distribuídos pelo programa Um Computador por Aluno (UCA), do Ministério da Educação, em escolas de São Paulo, do Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Rio de Janeiro e do Tocantins. Na nova fase do projeto, governadores e prefeitos vão adquirir os equipamentos com recursos próprios ou via linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Cada equipamento tem quatro gigabytes de armazenamento, 512 megabytes de memória, tela de cristal líquido de sete polegadas, bateria com autonomia mínima de três horas e 1, 5 quilograma (kg). De acordo com o Ministério da Educação, cabe à direção da escola definir as regras para o uso dos computadores em sala de aula. Em alguns municípios, os alunos podem levar a aparelho para casa para estimular a interação da família com a tecnologia. Todos os computadores tem um dispositivo que trava o funcionamento caso ele fique longe da escola por período superior a duas semanas. O prazo máximo para entrega dos equipamentos é de 90 dias a partir da data em que o município ou estado concluir a compra. Para as regiões Centro-Oeste, Norte e Sudeste o custo é R$ 344, 18 e no caso do Nordeste e o Sul, R$ 376, 94. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), a variação dos preços ocorreu em função das taxas de entrega e instalação, serviços embutidos nesse valor. Com informações do site estadão.com
A Central Única dos Trabalhadores ocupou lugar de destaque nas mesas de debate do Fórum Sindical Mundial realizado neste sábado (5) na Universidade Cheikh Anta Diop em Dakar, capital do Senegal. A secretária nacional de Comunicação, Rosane Bertotti, dividiu mesa com o renomado intelectual e economista egípcio Samir Amin, enquanto Antonio Lisboa, diretor executivo da Central, participou do diálogo com Dramana Haidara, diretor adjunto da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e Sérgio Bassoli, da Confederação Geral Italiana do Trabalho (CGIL). Antecedendo o Fórum Social Mundial, que inicia neste domingo (6) e vai até 11 de fevereiro, o evento dos trabalhadores reuniu cerca de 200 lideranças, contando com forte participação africana, em especial das organizações sindicais do Senegal e do Marrocos, que denunciaram o clima de opressão e perseguição existentes em seus países. Logo no início dos trabalhos foi feito um minuto de silêncio em homenagem à luta do povo egípcio contra Mubarack. O tema central, “O desenvolvimento da resistência e das alternativas populares frente ao neoliberalismo”, não poderia ser mais apropriado, servindo para avaliar em termos gerais os impactos da crise sobre as diferentes economias em âmbito planetário, mas também para dimensionar os estragos mais recentes nos países do Norte da África. E mais: assinalar seus desdobramentos políticos e sociais – como na Tunísia e no Egito, e apontar perspectivas de combate às ditaduras – durante longo tempo sustentadas pelos sucessivos governos dos Estados Unidos – bem como manifestar apoio aos movimentos que lutam por democracia na região. Logo pela manhã, Antonio Lisboa debateu sobre “Políticas públicas como elemento de luta contra a fome e a miséria, a experiência do Brasil”. Líder dos professores de Brasília, tesoureiro da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Lisboa apontou os inúmeros avanços consolidados pelos movimentos sindical e social durante o governo Lula, sublinhando o papel da unidade e da mobilização dos setores populares para fazer a disputa de hegemonia, dando sustentação ao governo para que efetivasse compromissos assumidos. Explicando o impacto de programas sociais como o Bolsa Família, o Luz Para Todos ou o de construção de cisternas, o dirigente cutista aproximou a plateia de sindicalistas da complexa realidade do país, dos avanços conquistados com a evolução de 25 milhões de brasileiros que passaram a um novo patamar econômico e social ao saírem da linha da pobreza, mas também da necessidade de erradicar a miséria que ainda penaliza sete milhões de pessoas. O desafio atual das centrais sindicais e dos movimentos populares, assinalou Lisboa, é garantir a manutenção da política de valorização do salário mínimo que, ao elevar o poder aquisitivo de mais de 47 milhões de trabalhadores, aposentados e pensionistas, configurou-se como o principal elemento de reativação do mercado interno, essencial para fazer frente aos impactos da crise soprada com força pelo sistema financeiro internacional. Na mesa da tarde, Rosane Bertotti debateu com Afid Fatna, da Organização Democrática do Trabalho do Marrocos, e Lahrach Touriam, da Confederação Democrática do Trabalho do Marrocos, sobre “O sindicalismo feminino frente aos novos desafios”. Rosane apontou que o compromisso da CUT não é apenas com a libertação da classe trabalhadora do jugo do capital, mas com a libertação da mulher trabalhadora da situação a que tem sido historicamente submetida. Daí, sublinhou, a relevância dos sindicalistas também priorizarem a questão de gênero em suas pautas de reivindicação. E apontou a importância da luta unitária dos trabalhadores e trabalhadoras em defesa de creches, pela ampliação da licença maternidade para seis meses, pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, por salário igual para trabalho igual. A dirigente cutista também alertou para a necessidade da democratização da comunicação, elemento que considera essencial para fazer a ruptura com a manipulação, a desinformação e o preconceito. No caso brasileiro, apontou, “lutar por um novo marco regulatório é essencial para descortinar um futuro diferente, onde meia dúzia de famílias deixem de impor suas concepções reacionárias sobre o conjunto da sociedade, fortalecendo a opressão sobre as mulheres, os negros e os trabalhadores”. Representante da CUT na Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), Rosane frisou ainda que é de “importância estratégica para o êxito da luta a articulação entre as entidades populares, onde se deixa de lado o sectarismo para pensar grande, na vitória do conjunto, do país e do povo brasileiro”. “A defesa da reforma agrária, de um Estado indutor do desenvolvimento, de mais recursos para as áreas sociais – como a saúde e a educação”, citou, “são exemplos de bandeiras que somam e necessitam muitas mãos para serem vencedoras”. Convidado a compartilhar a mesa, Samir Amin ouviu atentamente as diferentes contribuições e assinalou que da mesma forma com que os tribunais europeus sustentam “de forma sistemática” sua visão antissindical, baseada na manipulação da opinião pública, é necessário fortalecer atividades que impulsionem à reflexão crítica e à ação propositiva e solidária contra o capitalismo. O intelectual egípcio saudou o papel do movimento operário no Brasil, apontou seu significado histórico e conclamou aos sindicalistas do mundo inteiro a manterem em alto as suas bandeiras, já que a defesa do salário, do emprego e dos direitos, é cada vez mais a defesa do interesse das nações e da própria humanidade contra a ditadura de algumas transnacionais e do sistema financeiro. Entre outras lideranças cutistas, participaram da atividade Rosana Souza, secretária nacional de Juventude, Rogério Pantoja, diretor executivo, e o presidente da CUT São Paulo, Adi dos Santos Lima.
O secretário de Relações Internacionais da CUT, professor João Antonio Felício, alertou nesta segunda-feira (7) em Dakar, onde participa do Fórum Social Mundial, para a importância da manutenção da política de valorização do salário mínimo, “a fim de seguir impulsionando o crescimento do poder de compra e alavancar o mercado interno, considerado pelas centrais sindicais como elemento chave no combate às desigualdades e aos impactos negativos da crise internacional”. Questionado sobre as declarações da equipe econômica do governo pelo aumento real zero, João Felício condenou o conservadorismo e disse que, em contraposição, “as centrais reiteram a necessidade de um aumento maior que a inflação para que haja uma efetiva recuperação salarial, já que a economia está crescendo e deve continuar assim”. “Defendemos o salário mínimo de R$ 580, 00, pois mais dinheiro no bolso do trabalhador significa mais emprego, mais consumo e mais produção, colocando a roda da economia para girar. É uma conta em que todos ganham e o Brasil cresce distribuindo renda. Estamos unidos e vamos ampliar a mobilização para garantir a elevação do mínimo, que significa melhoria concreta para mais de 47 milhões de trabalhadores, aposentados e pensionistas. Estamos dialogando, mas caso não consigamos convencer o governo, vamos levar essa luta para o Congresso Nacional e para a sociedade”, acrescentou. Sobre o acordo fechado com o governo prever a reposição da inflação do ano anterior e aumento real com base na variação do Produto Interno Bruto de dois anos antes, João Felício lembrou que como o PIB de 2009 – base de cálculo para o reajuste deste ano – foi negativo, devido à crise, é necessário que haja uma excepcionalidade no tratamento da questão. “Não estamos pedindo nada de diferente do que os empresários já receberam . O princípio que defendemos é o da recuperação crescente do poder de compra, que despencou nos anos de neoliberalismo. Agora, como pode haver valorização sem aumento real? O que estamos propondo é ter ganho real já. No ano que vem a gente volta a discutir a regra antiga”, esclareceu. Conforme João Felício, empresas, governos estaduais e prefeituras foram beneficiados pela evolução positiva da economia e encontram-se em melhores condições de pagar um salário mínimo maior. “Isso também acaba aumentando a arrecadação da Previdência, sempre usada para justificar a decisão de não aumentar mais”, sublinhou.
Fórum Social Mundial tem início com presença do Brasil
Jornalista: sindicato
Começou neste domingo(6/2) o Fórum Social Mundial 2011, em Dacar, capital do Senegal. Uma grande passeata nas ruas inaugura a abertura dos debates. Durante uma semana, inúmeras mesas redondas e painéis de discussões vão desenhar um amplo painel da situação mundial e das alternativas para resolver as questões urgentes. Essa não é a primeira vez que a África acolhe reuniões desse gênero, a exemplo de Bamako, em 2006, e Nairóbi, em 2007. É a primeira vez, porém, que a África francófona abrange todo o Fórum Mundial. Essa edição tem como tema norteador “as crises do sistema e das civilizações”, englobando diversos aspectos, como o acesso à água, as políticas migratórias, a cooperação sul-sul (tema, aliás, muito caro ao Brasil), as mudanças climáticas, entre outros. Outros assuntos debatidos: as questões relativas aos últimos acontecimentos na Tunísia e no Egito e ao desenvolvimento do Continente Africano. (ED)
Gasto com educação é o que mais contribui para crescimento do PIB
Jornalista: sindicato
Nenhum gasto público social contribui tanto para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) quanto os que são feitos em educação e saúde. Cada R$ 1 gasto com educação pública gera R$ 1, 85 para o PIB. O mesmo valor gasto na saúde gera R$ 1, 70. Para a redução da desigualdade social, os gastos que apresentam maior retorno são aqueles feitos com o Bolsa Família, que geram R$ 2, 25 de renda familiar para cada R$ 1 gasto com o benefício; e os benefícios de prestação continuada – destinados a idosos e portadores de deficiência cuja renda familiar per capita seja inferior a 25% do salário mínimo –, que geram R$ 2, 20 para cada R$ 1 gasto. Além disso, 56% desses gastos retornam ao caixa do Tesouro na forma de tributos. Os dados referem-se ao ano de 2006 e constam do estudo Gasto com a Política Social: Alavanca para o Crescimento com Distribuição de Renda, divulgado hoje (3) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De acordo com o órgão, é a primeira vez que um estudo como esse é feito no Brasil, em função da dificuldade de se juntar os elementos necessários para o desenvolvimento da pesquisa. “O gasto na educação não gera apenas conhecimento. Gera economia, já que ao pagar salário a professores aumenta-se o consumo, as vendas, os valores adicionados, salários, lucros, juros”, avalia o diretor de Estudos e Políticas Sociais do Ipea, Jorge Abrahão. “Portanto, a política social brasileira não apenas protege, como promove o cidadão”, completa. “Em termos gerais, ampliar em 1% do PIB os gastos sociais, na estrutura atual, redunda em 1, 37% de crescimento do PIB. Ou seja, é o tipo de gasto que tem mais benefícios do que custo”, explica a técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Joana Mostafa. Segundo ela, a renda das famílias é responsável por cerca de 80% do PIB. “Dessa forma, aumentar em 1% do PIB o gasto social gera 1, 85% de crescimento da renda das famílias”, disse a pesquisadora. “No caso da saúde, além de esses gastos representarem empregos, envolvem também a aquisição de aparatos tecnológicos, o que também contribui para a demanda nas indústrias”, acrescentou. Mostafa explica que a pesquisa leva em consideração os reflexos desses gastos no PIB e na renda familiar. “Para cada 1% a mais investido em educação e saúde, há um efeito multiplicador que aumenta em 1, 78% o PIB e em 1, 56% a renda das famílias”. No caso do Bolsa Família, o aumento de 1% do que ele representa para o PIB resultaria no aumento de 1, 44% do PIB. Mas, nesse caso, o mais significativo está relacionado ao fato de que, ao receber e usar esse benefício, o cidadão acabar gerando renda para outras famílias. “Cada R$ 1 gasto com esse programa gera R$ 2, 25 em rendas familiares”, afirma a responsável pelo estudo. O mesmo não pode ser dito dos gastos com exportações de commodities agrícolas e extrativas. “Apesar de agregarmos ao PIB 40% de cada real investido nessa área, os efeitos para a renda familiar são pequenos e limitados a R$ 1, 04 para cada R$ 1 gasto”. Como utiliza dados referentes a 2006, o estudo não mensura os reflexos das ações recentes do governo em favor do setor da construção civil. “O que podemos dizer é que, em 2006, os gastos com construção civil pouco contribuíram para a redução das desigualdades sociais. Isso certamente terá um quadro diferenciado quando agregarmos dados de 2009 a uma nova pesquisa, porque certamente houve aumento do número de empregos formais”, justifica Abrahão. O estudo considera como gastos públicos sociais os feitos em Previdência Social geral e pública, educação, saúde, assistência social, trabalho e renda, desenvolvimento agrário, saneamento básico, habitação e urbanismo – nos âmbitos federal, estadual e municipal. Com informações do site oglobo.com
Ainda esta semana, a CNTE disponibilizará sua análise sobre o Projeto de Lei do Executivo Federal (nº 8.035/10), que trata da aprovação do novo Plano Nacional de Educação para a década 2011/2020. O documento de reflexão também indicará emendas para serem apresentadas pela base parlamentar ao referido Projeto, visando aproximá-lo ao máximo das deliberações da 1ª Conferência Nacional de Educação (Conae), realizada em 2010. Do ponto de vista legislativo, o PL 8.035/10 será debatido nas comissões de Educação e Cultura; Finanças e Tributação; Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser apreciado pelo plenário da Câmara dos Deputados e seguir para tramitação no Senado. Em cada uma dessas Comissões, sobretudo no colegiado temático, poderão ser realizadas audiências públicas para aprofundamento da matéria e inserção da comunidade educacional no debate. Por ocasião da distribuição da matéria na Comissão de Educação (21/12/10), a deputada Fátima Bezerra (PT-RN) foi designada relatora da matéria. Na mesma ocasião, a Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público teve negado requerimento subscrito pelo deputado Alex Canziani (PTB-PR) para inclusão da Comissão no rol de tramitação do PNE, sob a alegação de que o mesmo versa sobre formação de mão-de-obra para o trabalho. Consideramos a decisão da presidência da Câmara dos Deputados acertada, sob todos os aspectos, especialmente o de se evitar maiores postergações à aprovação da matéria por parte de comissões alheias à essência do tema. A partir da presente data, contar-se-ão cinco sessões deliberativas do plenário da Câmara para apresentação de emendas ao PL 8.035. A sessão de hoje (1/2/2011) não contou para efeito do prazo, pois foi de eleição da presidência da Casa. A data limite, portanto, deve findar-se na próxima semana. Após, devemos todos/as estarmos preparados/as para o debate público e a pressão social, com vistas a forçar a aprovação de um PNE democrático e emancipador. Mãos à obra!
Mais de 4 mil participantes do Enen tinham mais de 60 anos
Jornalista: sindicato
Entre os 3, 3 milhões de estudantes que fizeram o o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2010, um grupo de 4. 268 mil candidatos tinha um perfil diferente do que é tradicionalmente esperado. Eram pessoas com mais de 60 anos que se misturaram aos jovens vestibulandos na disputa de vagas em universidades públicas. Entre os 100 participantes mais idosos da prova, as idades variaram entre 64 e 76 anos. Nélia Albuquerque, moradora do Rio de Janeiro, com seis netos e três bisnetos, foi a participante mais idosa do Enem em 2010. Aos 76 anos, ela decidiu participar da prova por insistência de um dos netos. Parou de estudar ainda na juventude e em 2008 passou a frequentar turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA), onde concluiu o ensino médio. “Eu gosto de estudar, de ler, foi sem pretensão nenhuma. Os dois dias foram extenuantes, terminar as 180 questões não foi fácil, mas respondi tudo e não deixei nada em branco”, conta. Apesar do resultado satisfatório – ela fez mais de 450 pontos em todas as provas – , Nélia não pretende utilizar a nota para tentar uma vaga em universidade pública ou uma bolsa do Programa Universidade para Todos (ProUni). “Com essa idade não dá mais. Mas foi uma motivação porque a gente estuda, vê coisas novas e não fica só parada dentro de casa”, diz a candidata. O percentual de participantes do Enem que já deixaram a escola tem crescido a cada edição. Para o Ministério da Educação (MEC), uma das explicações para o aumento desse novo público está na possibilidade de utilizar a nota do exame para conseguir certificação de ensino médio. Desde 2009, adultos acima de 18 anos podem obter o certificado de conclusão mesmo sem ter frequentado a escola regular. Para isso, precisam alcançar um mínimo de 400 pontos em cada prova e 500 na redação. Cerca de 353 mil participantes declararam na inscrição que fariam o Enem pela certificação. Desse total, 100 mil alcançaram nota mínima – entre eles, 1.112 presidiários. A emissão dos certificados é feita pelas secretarias estaduais de Educação. Na avaliação do ministro da Educação, Fernando Haddad, o Enem se tornou uma “chave-mestra que abre muitas portas. Além de permitir aos jovens de altíssimo desempenho conquistar uma vaga em um curso de medicina de elevada demanda, o Enem possibilita, com a mesma prova, que uma pessoa humilde com quase 80 anos certifique a conclusão dos estudos e volte a sonhar com perspectivas educacionais”, defendeu Haddad em entrevista à Agência Brasil. Aos 73 anos, o militar aposentado Roberto do Prado, de Jacareí (SP), quis fazer o Enem para conhecer “aquilo que todo mundo falava”. “Quis saber o padrão em que eu estava de ensino. A prova, na verdade, derruba toda a garotada porque exige cultura geral, uma visão global do Brasil e do mundo. E a pessoa que não gosta de ler está perdida, a garotada normalmente não tem esse hábito”, afirma. Prado conta que teve um bom desempenho – ainda não conferiu as notas – e começa a pensar em utilizar os resultados do Enem para ingressar em um curso superior. “Mas o interessante do Enem é que ele sirva de padrão para o governo passar a fazer verdadeiro controle e fiscalização de algumas escolas que hoje são só arrecadadoras de dinheiro e não estão preocupadas se o aluno vai aprender ou não. Para mim, o mais importante é isso”. Segundo Haddad, o MEC vai disponibilizar para as instituições participantes do Programa Universidade para Todos (ProUni) e do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) a lista dos candidatos do Enem que alcançaram nota mínima para certificação. Isso facilita a inscrição do candidato que conseguir uma vaga ou benefício, já que o processo de emissão dos certificados pelas secretarias pode ser demorado.