Estudo prevê emprego para 19 milhões neste ano

Quase 19 milhões de trabalhadores deverão ser contratados em 2010, para ocupar novas vagas ou vagas que serão repostas em inúmeros setores, prevê estudo divulgado nesta quarta-feira pelo IPEA. Quase 19 milhões de trabalhadores deverão ser contratados em 2010, para ocupar novas vagas ou vagas que serão repostas em inúmeros setores, prevê estudo divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). O instituto estima que serão abertos mais de dois milhões de empregos e repostas 16, 6 milhões de vagas.
O cenário previsto pelo instituto para o mercado de trabalho é o seguinte:
a) 24, 8 milhões de pessoas – entre elas 19, 3 milhões com qualificação e experiência profissional – buscarão emprego. Mas os trabalhadores contratados serão 18, 6 milhões.
b) 6, 2 milhões de trabalhadores ficarão sem emprego. “Desse total, cerca de 5, 5 milhões dificilmente conseguirão emprego dada a baixa escolaridade ou falta de experiência profissional”, diz o presidente do IPEA, Márcio Pochmann.
c) Entre os trabalhadores qualificados e com experiência profissional, ficarão sem emprego aproximadamente 653 mil.
d) Das duas milhões de vagas novas que serão oferecidas no país, 700 mil serão abertas no estado de São Paulo. Também para São Paulo o IPEA prevê o maior número de demissões (5, 4 milhões) ao longo deste ano.
e) Os setores que vão gerar mais vagas são comércio e reparação (850 mil), indústria (300 mil) e alojamento e alimentação (250 mil). “Esses mesmos setores deverão ser os principais responsáveis pela prática da rotatividade da mão de obra (demissão e admissão de trabalhadores, geralmente por salário menor), com rompimento de mais de 16, 6 milhões de contratos de trabalho”, estima o estudo.
f) Quatro setores terão escassez de mão de obra qualificada, segundo o IPEA. Faltarão quase 190 mil trabalhadores para comércio e reparação; mais de 50 mil para educação, saúde e serviços sociais; 45 mil para alojamento e alimentação e quase 40 mil para construção.
g) Paraná, Santa Catarina e Rondônia, de acordo com o IPEA, serão os estados mais afetados pela falta de trabalhadores qualificados.
h) Para os demais estados e setores o instituto prevê que haverá sobra de trabalhadores.
i) Os setores com maior excesso de oferta de mão de obra serão outros serviços coletivos, sociais e pessoais (612.239), indústria (145.948), agrícola (122.463), administração pública (46.874) e transporte, armazenagem e comunicação (46.304).
j) Os estados com mais sobra serão a Bahia (183.770) e o Pará (53.637).
k) A Região Sul será a única em que a demanda de mão de obra das empresas será maior do que o número de profissionais capacitados para ocupá-las. Haverá 2.118 vagas nos estados da Região Sul que não terão profissionais qualificados para preenchê-las. Na Região Centro-Oeste haverá excesso de 94.997 trabalhadores capacitados que ficarão sem emprego; na Região Norte, serão 106.3, mil; na Sudeste, 119 mil; e na Nordeste, 334, 2 mil.
Informações no site da CUT

Conferência Nacional de Cultura

A II Conferência Nacional de Cultura debaterá a cultura brasileira nos múltiplos aspectos, valorizando a diversidade, o pluralismo e estratégias para fortalecer a cultura como centro dinâmico do desenvolvimento sustentável. Entre os dias 11 e 14 de março acontece em Brasília a II Conferência Nacional de Cultura. Estão previstas a participação de cerca de duas mil pessoas – 1.325 delegados -, entre representantes da sociedade civil, governo, artistas, profissionais da área da cultura e entretenimento e empresários do setor.
O objetivo da Conferência, segundo o texto base, é discutir a cultura brasileira nos seus múltiplos aspectos, valorizando a diversidade das expressões e o pluralismo das opiniões, propondo estratégias para fortalecer a cultura como centro dinâmico do desenvolvimento sustentável. Além disso, aspectos como universalização do acesso dos brasileiros à produção e fruição da cultura, consolidação da participação e o controle social na gestão das políticas públicas de cultura, implantação dos Sistemas Nacional, Estaduais e Municipais de Cultura e o Plano Nacional de Cultura, estão entre as diretrizes da Conferência.
Os debates contribuirão para a construção de um marco regulatório da Cultura, fundamental para o fortalecimento da área no País. Na abertura do encontro, além do ministro da Cultura, Juca Ferreira, estão previstas a participação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, entre outros ministros e secretários Estaduais e Municipais de Cultura. A cerimônia de abertura será apenas para convidados e imprensa, na noite do dia 11, no Teatro Nacional Cláudio Santoro.
Democracia plena – No governo Lula já foram realizadas diversas Conferências Nacionais que têm aberto um importante espaço de diálogo entre os diversos setores da sociedade, dando aos movimentos sociais uma oportunidade de contribuir com o seu acúmulo de informações na discussão de políticas públicas. Conforme apontou a Conferência Nacional de Comunicação, a da Cultura debaterá novamente questões como a democratização da comunicação e o fim dos monopólios de mídia.
Seguindo o roteiro de sempre, o terrorismo midiático entrou em ação e fez duros ataques às propostas do texto base da Conferência de Cultura. “Da mesma forma que parcelas do empresariado viram na realização da Conferência Nacional de Comunicação indícios de uma suposta predisposição à censura, também enxergaram na de Cultura uma ameaça de regulação”, alerta a secretária de Comunicação da CUT Rosane Bertotti. De acordo com Rosane, comunicação e cultura são indissociáveis, precisando ser compreendidas como palco de disputa de hegemonia, política e ideológica. Para a dirigente cutista, é inconcebível que o filme brasileiro continue ocupando apenas 10% do mercado de cinema, 5, 5% na TV aberta e insignificantes 0, 5% na TV por assinatura. “Da mesma forma, não podemos permitir que os oligopólios estrangeiros continuem asfixiando a nossa imensa e rica diversidade musical. Enquanto as gravadoras independentes, que produzem 70% da música nacional contam com penas 7% do espaço de difusão no rádio e na TV, esses oligopólios que gravam apenas 9% da nossa música, controlam 90% do espaço de difusão em rádio e TV”, lembra Rosane.
Informações no site da CUT

CUT e centrais sindicais preparam agenda unificada

Dirigentes nacionais da CUT, Força, CGTB, CTB e NCST estiveram reunidos nessa segunda-feira (1º) para ultimar os preparativos para a grande assembleia sindical de 1º de junho em São Paulo, organizar a mobilização pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário e debater a 4ª Jornada Nacional de Debates, coordenada pelo Dieese, de preparação das campanhas salariais de 2010.
Leia a entrevista do secretário geral da CUT, Quintino Severo, sobre a reunião.

Como está a preparação para o 1º de junho?
O conjunto das centrais está comprometido com a realização de um grande evento, onde vamos aprovar a pauta da classe trabalhadora a ser entregue aos candidatos e debatida com o conjunto da sociedade. O que está em jogo neste ano é o projeto de país, é o modelo de desenvolvimento, é a continuidade das mudanças com valorização do trabalho e distribuição de renda.

Pesquisas recentes demonstram a continuidade do esvaziamento do candidato do retrocesso e o crescimento da candidata do aprofundamento das mudanças. Qual a sua avaliação?
Os trabalhadores começaram a identificar a diferença de projetos, esta é a grande constatação destas pesquisas. Todos se lembram o que significou o projeto neoliberal para o país e em especial para os trabalhadores, como repercutiu negativamente em suas vidas. A política de privatização e desmonte do Estado implicou em arrocho salarial e precarização, em regressão dos direitos sociais. Ao contrário, de 2003 para cá, temos um olhar de atenção às demandas sociais, de fortalecimento da economia interna, das estruturas públicas, de um Estado indutor. As pessoas estão refletindo sobre as conseqüências dos dois projetos antagônicos implementados nestas duas décadas. Não podemos voltar ao passado, queremos seguir em frente, aprofundar e acelerar as mudanças em curso.

Inúmeras projeções apontam para um crescimento da economia em torno de 5% em 2010. Isso põe gás na campanha pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário?
Centrais se reuniram nesta segundaEvidentemente que os números positivos ajudam, da mesma forma que o último período de crise internacional atrapalhou. Com o crescimento econômico, a produção se fortalece, os salários se elevam, o consumo aumenta, a roda da economia gira no chamado círculo virtuoso, que abre imensas possibilidades para a redução da jornada. Isso não só porque a economia cresceu, mas porque houve enormes ganhos de produtividade nestas mais de duas décadas, já que a última redução da jornada de trabalho aconteceu na Constituição de 88. Como a situação está favorável, o momento é propício para a aprovação da jornada constitucional de 40 horas semanais.

Exemplos como o dos metalúrgicos da Jama, de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, que assinaram acordo garantindo a jornada de 40 horas sem redução de salário podem vir a ser cada vez mais freqüentes…
Creio que esta é uma tendência, pois a experiência de Santa Rosa prova que é possível reduzir a jornada praticamente sem impacto nenhum. O acordo fechado entre os trabalhadores com a empresa vai esvaziando o discurso de que a diminuição da jornada representaria riscos para a competitividade.

Na reunião das centrais o Dieese apresentou a proposta de realizar a 4ª Jornada Nacional de Debates, que também ajudará na campanha pela redução.
A ideia é potencializar as campanhas salariais de 2010, que como vimos tem boas condições de arrancar aumentos reais significativos, diante das perspectivas positivas da economia, mas também de priorizar o enfoque da redução da jornada. Nossa compreensão é que o crescimento da economia tem de repercutir numa melhor divisão do bolo e na melhoria das condições de vida e trabalho.
Com informações do site da CUT-DF

Conferência Nacional de Cultura

A II Conferência Nacional de Cultura debaterá a cultura brasileira nos múltiplos aspectos, valorizando a diversidade, o pluralismo e estratégias para fortalecer a cultura como centro dinâmico do desenvolvimento sustentável. Entre os dias 11 e 14 de março acontece em Brasília a II Conferência Nacional de Cultura. Estão previstas a participação de cerca de duas mil pessoas – 1.325 delegados -, entre representantes da sociedade civil, governo, artistas, profissionais da área da cultura e entretenimento e empresários do setor.
O objetivo da Conferência, segundo o texto base, é discutir a cultura brasileira nos seus múltiplos aspectos, valorizando a diversidade das expressões e o pluralismo das opiniões, propondo estratégias para fortalecer a cultura como centro dinâmico do desenvolvimento sustentável. Além disso, aspectos como universalização do acesso dos brasileiros à produção e fruição da cultura, consolidação da participação e o controle social na gestão das políticas públicas de cultura, implantação dos Sistemas Nacional, Estaduais e Municipais de Cultura e o Plano Nacional de Cultura, estão entre as diretrizes da Conferência.
Os debates contribuirão para a construção de um marco regulatório da Cultura, fundamental para o fortalecimento da área no País. Na abertura do encontro, além do ministro da Cultura, Juca Ferreira, estão previstas a participação da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, entre outros ministros e secretários Estaduais e Municipais de Cultura. A cerimônia de abertura será apenas para convidados e imprensa, na noite do dia 11, no Teatro Nacional Cláudio Santoro.
Democracia plena – No governo Lula já foram realizadas diversas Conferências Nacionais que têm aberto um importante espaço de diálogo entre os diversos setores da sociedade, dando aos movimentos sociais uma oportunidade de contribuir com o seu acúmulo de informações na discussão de políticas públicas. Conforme apontou a Conferência Nacional de Comunicação, a da Cultura debaterá novamente questões como a democratização da comunicação e o fim dos monopólios de mídia.
Seguindo o roteiro de sempre, o terrorismo midiático entrou em ação e fez duros ataques às propostas do texto base da Conferência de Cultura. “Da mesma forma que parcelas do empresariado viram na realização da Conferência Nacional de Comunicação indícios de uma suposta predisposição à censura, também enxergaram na de Cultura uma ameaça de regulação”, alerta a secretária de Comunicação da CUT Rosane Bertotti. De acordo com Rosane, comunicação e cultura são indissociáveis, precisando ser compreendidas como palco de disputa de hegemonia, política e ideológica. Para a dirigente cutista, é inconcebível que o filme brasileiro continue ocupando apenas 10% do mercado de cinema, 5, 5% na TV aberta e insignificantes 0, 5% na TV por assinatura. “Da mesma forma, não podemos permitir que os oligopólios estrangeiros continuem asfixiando a nossa imensa e rica diversidade musical. Enquanto as gravadoras independentes, que produzem 70% da música nacional contam com penas 7% do espaço de difusão no rádio e na TV, esses oligopólios que gravam apenas 9% da nossa música, controlam 90% do espaço de difusão em rádio e TV”, lembra Rosane.
Informações no site da CUT

Em defesa das cotas para negros

Para quem se interessa pela temática da defesa das cotas para negros nas universidades públicas, uma matéria divulgada no site do jornalista Paulo Henrique Amorim (www.paulohenriqueamorim.com.br) vale a pena ser lida. O conteúdo, que ainda conta com um vídeo, está no link: Alencastro defende cotas para negros e faz História. Vídeo: jogue DEM-óstenes e DEM-étrio fora.

Tribunal vai analisar cassação de chapa de Roriz e Gim Argello

O ministro responsável por colocar o governador José Roberto Arruda (sem partido) na prisão pode agora definir o futuro político de três nomes cotados para disputar o governo do Distrito Federal.

Desde o dia 8 de março, está nas mãos de Fernando Gonçalves, pronto para ser relatado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), recurso que pede a cassação da chapa que venceu a disputa ao Senado em 2006, composta pelo ex-governador Joaquim Roriz (PSC) e pelo senador Gim Argello (PTB).

Gonçalves deve levar o caso para a corte votar até abril, quando se aposenta.
Se a maioria dos sete ministros do TSE entender que a Lei Eleitoral foi desrespeitada, Roriz será apenas multado porque renunciou, em 2007, ao Senado e Argello, que era seu primeiro suplente, perderá o mandato.
O maior golpe seria político. Uma condenação neste momento prejudica os planos de ambos de disputar o governo do DF. A decisão do TSE pode dar o mandato ao segundo colocado, Agnelo Queiroz, que trocou o PC do B pelo PT para concorrer ao Palácio do Buriti.

Os três estão de olho no vácuo de poder deixado por Arruda, preso em fevereiro e suspeito de comandar esquema de coleta e distribuição de propina.
“Não tem meio termo nem sanção branda. É multa e cassação ou absolvição”, afirma Herman Barbosa, um dos defensores de Roriz e Argello. O advogado não acredita em sanção porque, segundo ele, “o caso é muito singelo”. Ele nega a acusação de propaganda irregular.

No entanto, o Ministério Público Federal já deu parecer favorável à cassação da chapa. Está convencido de que houve uso indevido da máquina pública e da publicidade institucional do governo do DF em 2006, quando Roriz deixou o governo para disputar o Senado.

Durante a campanha, a companhia de saneamento do DF fez propaganda para anunciar a mudança do telefone de atendimento ao consumidor. Todavia, a alteração do 195 para 115 havia ocorrido dois anos antes e, na publicidade, foi usada uma urna eletrônica estilizada evidenciando os números 151 em sequência, o mesmo de Roriz.

Em parecer de outubro passado, a vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, afirmou: “O abuso de poder deve ser reconhecido, pois houve utilização de bens móveis e imóveis da administração indireta do Distrito Federal em benefício do candidato”.

Na sexta-feira, em novo parecer, a Procuradoria rejeitou o último pedido da chapa para que o processo voltasse ao Tribunal Regional Eleitoral do DF que, em 2006, protagonizou polêmico julgamento do caso.

Na ocasião, um pedido de vista suspendeu a primeira sessão no TRE e um juiz mudou o voto ao longo do julgamento que acabou assegurando a Roriz o mandato de senador. O PC do B, partido do segundo colocado à época, recorreu no TSE.

por Fernanda Odilla, da sucursal de Brasília da Folha de S.Paulo

Marcha Mundial das Mulheres já está nas ruas

Após ato de lançamento em Campinas e primeira noite de acampamento, duas mil militantes caminharam até Valinhos (SP). A Marcha Mundial das Mulheres (MMM) tomou a rodovia Anhanguera e chegou a Valinhos nesta terça-feira (dia 9), após um ato de lançamento vitorioso em Campinas. As duas mil caminhantes que já participam da 3ª Ação Internacional da MMM no Brasil, vindas de todos os estados do país, foram recebidas em Valinhos pelas militantes locais com chuva de pétalas de rosas e distribuição de pães, uma alusão à Marcha Pão e Rosas, ocorrida em 1995 no Canadá, que inspirou o movimento.

Muitas militantes viajaram três dias de ônibus para participar da ação. Este é o caso das 350 mulheres que vieram do Rio Grande do Norte. Nem por isso elas chegaram a Campinas cansadas. Animação e irreverência tomaram conta do Largo do Rosário, no centro da cidade, onde ontem às 17h aconteceu o início da caminhada, marcando as comemorações do Dia Internacional de Luta das Mulheres. A Fuzarca Feminista (grupo de percussão da MMM) alegrou o ato com muito batuque e deu ritmo ao lema do movimento: “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”.

Lourdes Simões, a Lurdinha, do comitê de coordenação da Marcha em Campinas, lembrou que o ato público no Largo do Rosário representava não apenas o início da caminhada até São Paulo, mas também o coroamento de um longo processo prévio de organização. Ela agradeceu o esforço das militantes de Sumaré, Hortolândia, Paulínea, Valinhos e Indaiatuba, cidades vizinhas a Campinas, que ajudaram a organizar a Marcha na região. Esse processo de auto-organização e mobilização prévias se repetiu em todos os estados e vai continuar a ocorrer durante toda a 3ª Ação Internacional no Brasil. As caminhantes se dividiram em comissões de trabalho, responsáveis por atividades essenciais ao sucesso da caminhada – entre elas a comissão de segurança, água, comunicação, saúde, formação e cultura, cozinha, creche, água e limpeza.

Diversidade e união

Do Largo do Rosário, as militantes da MMM caminharam por quatro quilômetros até o Ginásio Rogê Ferreira, no bairro São Bernardo. Elas ainda tiveram fôlego para realizar reuniões de trabalho das comissões, seguida de uma breve noite de sono. Breve mesmo: às 4h, as mulheres já estavam de pé, enrolando seus colchonetes, revezando-se na fila do banho e do café-da-manhã. Às 6h, conforme o previsto, as bandeiras roxas já tomavam as ruas de Campinas rumo à Valinhos. No acostamento da rodovia Anhanguera, as duas filas de caminhantes revelavam a diversidade do movimento. Chamava atenção, por exemplo, o belo visual das indígenas Tupinambá que vieram da aldeia Serra do Padeiro, no município de Una, na Bahia, e das representantes das comunidades de terreiros.

A Marcha Mundial das Mulheres reúne militantes da cidade, do campo e da floresta, jovens, adultas e idosas, trabalhadoras rurais e urbanas, lésbicas, estudantes. O que as une é o desejo de transformar o mundo para transformar a vida das mulheres (ou, também, transformar a vida das mulheres para transformar o mundo, num movimento cíclico e integrado). Para isso é preciso dividir as tarefas domésticas entre mulheres, homens e o Estado – por meio, por exemplo, da criação de creches públicas de qualidade, conforme destacou Rosane Bertotti, militante da Central Única dos Trabalhadores (CUT). O tema será discutido nesta tarde em Valinhos, das 16h às 19h, na primeira de uma série de atividades de formação que acontecerão até o dia 18 em Vinhedo, Louveira, Jundiaí, Várzea, Cajamar, Jordanésia, Perus, Osasco e São Paulo.

A Marcha Mundial das Mulheres já realizou duas ações internacionais, em 2000 e 2005. Em 2010, no primeiro período do calendário da 3ª Ação Internacional (de 8 a 18 de março), pelo menos outros 50 países, além do Brasil, estão realizando marchas e outras atividades de luta. O segundo período acontece de 7 a 17 de outubro, culminando com um encontro de feministas dos cinco continentes em Kivu do Sul, no Congo.

A plataforma desta 3ª ação se baseia em quatro eixos: autonomia econômica das mulheres; bens comuns e serviços públicos (contra a privatização da natureza e dos serviços públicos); violência contras as mulheres e paz e desmilitarização. Por uma feliz coincidência, este último eixo está afinado com a temática do grande vencedor do Oscar 2010, o filme Guerra ao Terror, dirigido por Kathryn Bigelow, uma mulher que conquistou um prêmio até então reservado aos homens: a estatueta de melhor direção.

Conferência Nacional de Educação

A criação de um Sistema Nacional de Educação e o novo Plano Nacional de Educação (2011-2020) estão no centro dos debates da Conferência Nacional de Educação (Conae), que acontece de 28 de março a 1º de abril, em Brasília. O evento, promovido pelo MEC, vai reunir 2.500 delegados eleitos em municípios e estados e 500 observadores convidados. A mobilização para discutir os temas da Conae aconteceu em escolas, municípios, nos 26 estados e no Distrito Federal em 2009. Os municípios realizaram 1.707 conferências e grupos de municípios fizeram outras 551. Nos estados e no Distrito Federal foram 27. No conjunto, cerca de 400 mil pessoas participaram das conferências preparatórias.
O programa oficial da conferência nacional se compõe de um painel de abertura sobre o tema central (Construindo um Sistema Nacional Articulado de Educação: o Plano Nacional de Educação – suas diretrizes e estratégias de ação), 51 colóquios que detalham ponto por ponto os seis subtemas e duas sessões plenárias. O dia 1º de abril será dedicado à plenária final, com encerramento previsto para as 18h. O credenciamento dos delegados e convidados será no dia 28 de março, a partir das 8h30, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, onde também se desenvolverá a conferência. A abertura oficial será às 18h.
Documento-base – Para facilitar a dinâmica dos debates, a comissão nacional de organização da conferência oferece aos delegados e convidados o documento-base, dividido em dois volumes. O primeiro aborda os seis eixos temáticos da Conae, enriquecidos com as propostas encaminhadas pelas conferências preparatórias estaduais; o segundo, que é complementar, reúne as emendas aprovadas em menos de cinco estados, número insuficiente para sua incorporação ao primeiro volume. Neste caso, um ou mais delegados podem solicitar destaque nas plenárias das comissões durante a conferência.
Com informações do site do MEC

Carta de Repúdio

Nós, Conselheiras e Conselheiros do Conselho Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – CNPIR vimos através desta, repudiar a opinião expressada pelo excelentíssimo senador da república sr. Demóstenes Torres, Presidente da Comissão de Constituição Justiça e Cidadania do Senado Federal, no seu pronunciamento durante a Audiência Pública no Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF), no dia 03 de Março de 2010, que analisava o recurso instituído pelo Partido Democratas contra as Cotas para Negros na Universidade de Brasília.

Na oportunidade o mesmo afirmou que: as mulheres negras não foram vítimas dos abusos sexuais, dos estupros cometidos pelos Senhores de Escravos e, que houve sim consentimento por parte destas mulheres. Na sua opinião: Tudo era consensual!. O excelentíssimo senador da república Demóstenes Torres, continua sua fala descartando a possibilidade da violência física e sexual vivida por negras africanas neste período supracitado. Relembra-nos a frase: Estupra, mas não mata!!!.

O excelentíssimo senador Demóstenes aprofunda mais ainda seu discurso machista e racista, quando afirma que as mulheres negras usam de um discurso vitimizado ao afirmarem que são as vítimas diretas dos maus tratos e discriminações no que se refere ao atendimento destas na saúde pública. Que as pesquisas apresentadas para justificar a necessidade de políticas públicas específicas, são duvidosas e que nem sempre são confiáveis, pois podem ser burladas e conter números falsos.
Enquanto o estado brasileiro reconhece a situação de violência física e sexual sofrida pelas mulheres brasileiras, criando mecanismos de proteção como a Lei Maria da Penha, quando neste ano comemoramos 100 anos do Dia Internacional da Mulher, o excelentíssimo senador, vem na contramão da história e dos fatos expressando o mais refinado preconceito, machismo e racismo incrustado na sociedade brasileira.
Por isso, vimos através desta carta ao Povo Brasileiro repudiar a atitude do excelentíssimo senador Demóstenes Torres.

Ao tempo em que resgatamos a dignidade das mulheres negras e indígenas, que durante a formação desta grande nação, foram SIM abusadas, foram SIM estupradas, foram SIM torturadas, foram SIM violentadas em seu físico e sua dignidade. Aos filhos dos seus algozes, o leite do seu peito, aos seus filhos, o chicote. Não nos curvaremos ao discurso machista e racista do Senador! É inaceitável, que o pensamento dos Senhores de Engenho se expresse em atitudes no Parlamento Brasileiro.

Brasília, 05 de Março de 2010.

Professores de SP aprovam greve por tempo indeterminado

Reunidos em assembleia na Praça da República na sexta-feira, 5, mais de 10 mil professores do estado de São Paulo aprovaram greve por tempo indeterminado, a partir de segunda-feira, 8.

As principais reivindicações da categoria são: reajuste salarial imediato de 34, 3%; incorporação de todas as gratificações, extensiva aos aposentados; plano de carreira justo; garantia de emprego; contra as avaliações excludentes (provão dos ACTs/avaliação de mérito); revogação das leis 1093, 1097, 1041 (lei das faltas); concurso público de caráter classificatório; contra a municipalização do ensino, contra qualquer reforma que prejudique a educação, em todos os níveis. Da assembleia também participaram representantes dos diretores de escola e supervisores de ensino, que decidiram, em suas instâncias, entrar em greve em conjunto com os professores.

O Magistério paulista, com esta decisão, deu um BASTA aos desmandos do governo Serra. Os professores aprovaram ainda o calendário de mobilizações (leia quadro), com a realização de uma nova assembleia na sexta-feira, 12, no vão livre do Masp, na avenida Paulista. As subsedes devem realizar, na quinta, 11, assembleias regionais.

Governo afronta categoria Praticamente às vésperas da assembleia, o governo do Estado anunciou, com estardalhaço, a incorporação da Gratificação por Atividade de Magistério (GAM) em três parcelas, a serem pagas em 2010, 2011 e 2012. A proposta é uma afronta e um desrespeito.

Para se ter uma ideia, até 2012 o salário-base do PEB II em jornada de 24 horas, terá um acréscimo salarial de apenas R$ 6, 47. Não queremos esmolas!

Queremos reajuste salarial e a real valorização do Magistério. Sem contar que inúmeros professores aposentados já ganharam na Justiça, em ação movida pela APEOESP, o direito de incorporação total da GAM.

Este governo gasta milhões em propagandas no rádio e na TV para apresentar mentiras à população. Onde estão as escolas com dois professores? Onde estão os laboratórios de informática abertos nos finais de semana com monitores? Temos de dar uma resposta à altura, chamando os pais dos alunos para conhecer nossas escolas, para que possam comparar com a “escola de mentirinha” que Serra mostra na televisão.

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