É hora debater e decidir

Os professores têm o compromisso de comparecerem todos às assembleias regionais na segunda, 27, às 10h nos locais de sempre, para debater e decidir a respeito da proposta apresentada pelo GDF. Os textos que apresentamos abaixo foram elaborados para o jornal Folha do Professor, que será entregue aos professores nas assembleias regionais, e apresenta uma avaliação política do nosso movimento, bem como esclarecimentos a perguntas e dúvidas mais frequentes. Na terça-feira, dia 28, todos à assembleia geral às 10h, na Praça do Buriti. Estratégia correta, comunicação eficaz e toda a força da militância. Desde o ano de 2007, nas discussões do acordo que culminou na lei do nosso plano de carreira, a estratégia da campanha salarial mostrou-se a mais correta, principalmente ao estabelecer como índice de reajuste o mesmo percentual do FCDF. O acordo transformado em lei fez com que tivéssemos, mesmo em tempos de crise, um dispositivo legal e argumento político para conseguir apoio à nossa luta. Na condução da campanha, em 2008 e 2009, traçamos uma estratégia de comunicação eficiente com a categoria e a população. Foram determinantes os jornais dirigidos à comunidade, as faixas de apoio nas casas, e o uso ágil dos recursos da internet e de nossa página, que minaram a tentativa da grande imprensa de descaracterizar e atacar o nosso movimento.
Mas nada disso teria dado resultado não fosse a demonstração de disposição para a luta dos professores que estão em greve. A força do trabalho de convencimento que eles estão fazendo todos os dias nas portas das escolas têm levado a um aumento da adesão à greve e angariado apoio de alunos e de toda a comunidade escolar. Esses companheiros aguerridos, que não fogem à luta, estão mostrando no dia a dia da nossa greve que são conscientes e, a despeito das dificuldades pessoais e ameaças sofridas, sabem a força que têm como educadores e cidadãos. Toda a categoria, mesmo aqueles que estão furando a greve, sabe que os avanços que já obtivemos se devem à atuação deles. Não há acordo sem negociação dos dias parados. Como a categoria dos professores é a única que tem o compromisso assumido e obrigação legal de reposição dos dias parados, entendemos que não pode haver acordo sem a negociação para a recomposição do calendário escolar e conseqüente pagamento desta recomposição. A nossa greve não foi declarada ilegal e iremos trabalhar para cumprir o ano letivo, ou seja, nada mais justo do que recebermos para isso. Detalhamento da proposta apresentada pelo GDF. Alguns detalhes importantes:
1 – O governoreconhece o acordo feito em 2007 e que prevê reajustes de acordo com o
reajuste do FCDF em 2009 e 2010.
2 – O governo propõe pagar o índice de 15, 31% de forma parcelada, até março de 2010.
3 – O governo quer descontar do índice de 15, 31% o percentual relativo à promoção por merecimento de 2009.
4 – A proposta financeira é de 5% de reajuste na folha de pagamento de maio, retroativo a março. O restante que falta para chegar ao percentual de 15, 31% (descontado o percentual da promoção por merecimento) será pago até março de 2010. Parte do pagamento poderá ser antecipado em julho e novembro, caso o governo constate crescimento da arrecadação própria, ou se o governo federal der uma ajuda financeira extraordinária ao GDF.
5 – Os valores retroativos aos meses de março e abril serão pagos em seis parcelas, de maio a outubro.
6 – Em julho será feita uma avaliação do crescimento da receita tributária.
7 – Em novembro será feita outra avaliação do crescimento da receita.
8 – Em março se paga o restante, juntamente com o índice de 2010.
Respostas a dúvidas mais freqüentes
1 – o que receberei em maio de 2009? Receberá os valores que constam na tabela publicada no referido jornal, de acordo com seu vencimento.
2 – o que acontecerá em julho? Em julho será feita uma análise do índice de crescimento médio da receita tributária do GDF (IPVA, IPTU, etc) entre janeiro e junho. Caso o valor arrecadado seja superior ao estimado, a diferença será aplicada percentualmente aos vencimentos e somada aos 5% pagos em maio. Ex: se para cada R$ 1000, 00 projetados o governo arrecadou R$ 1060, 00, houve um aumento de 6%. A diferença, 1%, seria aplicada aos nossos salários e o reajuste de 5% passaria então para 6%. Caso o crescimento seja menor que o projetado, permaneceriam os 5%.
3 – E em novembro, o que acontecerá? O mesmo procedimento de julho, ou seja, a avaliação do crescimento da receita tributária entre janeiro e outubro. Utilizando o exemplo do item número 2 acima, se para cada R$ 1000, 00 projetados, o governo arrecadar, até outubro, R$ 1070, 00, o aumento será de 7%. O percentual nosso então chegaria a 7% (5% em maio, mais 1% em julho e mais 1% em novembro). A diferença para chegar aos 15, 31% seria paga em março de 2010, descontando-se o percentual relativo à promoção por merecimento de 2009 (algo em torno de 2, 5%).
4 – Com o desconto da progressão por mérito o governo quer diminuir o índice de 15, 31%? Sim. O governo argumenta que com a progressão por mérito o servidor já recebeu um reajuste no seu vencimento e que, portanto, deve ser considerado como parte do reajuste previsto no acordo de 2007 que virou a lei do nosso plano de carreira.
5 – Pela proposta do governo existe alguma possibilidade de o reajuste ser pago integralmente em 2009? Em tese sim, de duas maneiras: se nos meses de julho ou novembro o crescimento da receita em relação ao valor estimado for igual ou superior a 15, 31%. Neste caso, o governo pagaria o reajuste integral no respectivo mês em que se verificou esse aumento. Outra forma de antecipar o reajuste é se o governo federal quiser ajudar ainda mais o GDF, repassando valor superior ao do FCDF. Mas é bom ressaltar que seria algo extraordinário, e superior ao repasse de R$ 7, 6 bilhões já garantidos pelo Fundo. Ou seja, o governo federal já está fazendo a sua parte.
6 – O índice do FCDF para 2010 está mantido? Sim, mas apenas em agosto ou setembro de 2009 saberemos o valor do percentual de reajuste. Sabemos, no entanto, que em função da renúncia de receita feita pelo governo federal, que baixou os impostos de vários setores da economia devido à crise mundial, o crescimento da Receita Corrente Líquida será bem menor do que o crescimento registrado em 2008.
7 – O reajuste proposto altera o vencimento como manda a lei? Sim. E como conseqüência cria o efeito cascata alterando todas as gratificações.

Assembléias Regionais discutirão proposta na segunda

Acatando a orientação dada pelo comando geral de greve, os cerca de cinco mil professores presentes à assembléia desta sexta aprovaram que a proposta apresentada pelo GDF seja discutida com mais profundidade nas assembléias regionais da próxima segunda-feira, antes de ser apreciada em assembléia geral na terça-feira, dia 28, às 10h, no Buriti. Na avaliação do comando a proposta é insuficiente quanto à sua formalização, principalmente porque no que diz respeito a deixar claro como será feita a reposição e o pagamento dos dias parados.

A Assembléia Geral começou às 10 horas da manhã com forte presença da categoria, que lotou a área circunvizinha da Catedral de Brasília. Os professores mostraram-se descontentes com a proposta do GDF, que prometeu pagar os 15, 31% acordados em lei até março de 2010. Até lá, o governo reveria, em julho e novembro, a receita tributária com possibilidade de aumentar o reajuste de 5% até chegar ao total reivindicado pela categoria.

Entretanto, a categoria avaliou que, mesmo com problemas, a proposta apresentada já é um avanço. “Mesmo com todos os problemas que esta proposta tem, nós a arrancamos na marra. Até pouco tempo, o governo dizia que o reajuste para a nossa categoria seria zero e, agora, já temos uma proposta”, discursou a presidente da CUT-DF, Rejane Pitanga.

Rejane ainda afirmou que a comissão composta pela CUT-DF e representantes da sociedade civil vai fazer o possível para se encontrar novamente com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, para informá-lo sobre a decisão da categoria e forçar um aperfeiçoamento da proposta feita. “Nós estamos dispostos a ficar dia e noite à disposição do governo, seja em qualquer dia, para avançar na proposta”, disse.
“Essa proposta é capenga. O que o governo está fazendo é uma vaga promessa de melhoria. Isso foi um banho de água fria para a categoria”, reclama Leonardo Pedrosa, do Centro de Ensino Fundamental 01, do Riacho Fundo. “É decepcionante. O GDF tem que negociar os dias parados e não dá para receber o retroativo de março e abril em seis vezes”, argumenta Elenir Vieira, da Escola Arapoanga, de Planaltina.

“A proposta é muito solta. Do jeito que está, o professor não tem garantia que o Arruda vai pagar. Dinheiro ele tem para pagar os 15, 31% que reivindicamos”, defende Adriana Magalhães, do Centro de Ensino Médio 304, de Samambaia.

Os professores presentes à Assembléia acreditam que a proposta insuficiente vai ajudar no aumento da adesão ao movimento grevista. “Se o Arruda tem a intenção de cortar o ponto dos professores, a solução é continuar a greve”, afirma Luciana Souza, do Centro de Ensino Infantil 01, do Gama. “Os professores estão indignados com a proposta. Por isso, a adesão só tende a aumentar. A minha escola, a CEF 15, de Ceilândia, estava 90% paralisada. Agora a adesão vai para 100%”, garante o professor Cícero Lopes.

Além de ter aprovado a manutenção da greve por tempo indeterminado, a Assembléia definiu ainda pela participação no ato conjunto dos servidores públicos do GDF, contra o congelamento de salários e em apoio à greve dos professores. O ato acontecerá às 9h também no Buriti, mesmo local da Assembléia Geral da categoria, que ocorrerá às 10h.

Ação de corte de ponto aguardará possível negociação

Por decisão do comando de greve, o Sinpro informa que aguardará o calendário de mobilização aprovado pela categoria para dar entrada judicial para garantir o pagamento dos dias parados. Na segunda-feira (27), os professores realizam assembléias regionais para detalhar a proposta apresentada pelo governador. No dia seguinte, 28, a categoria realizará assembléia geral para definir os rumos do movimento grevista. O encontro será às 10 horas, em frente ao Palácio do Buriti, logo após realização do ato unificado dos servidores públicos do GDF contra o PL 1180, que começa às 9 horas e conta com a participação dos professores.
Caso seja necessário entrar com a ação o Sinpro argumentará que somente após a declaração da ilegalidade da greve é que se pode discutir a possibilidade de corte de ponto. Eles argumentarão ainda que a lei de greve em vigor recomenda que essa questão seja objeto de negociação após o fim da paralisação.
A respeito da substituição o Sinpro alega que a qualidade do ensino será precarizada, pois algumas aulas seriam repostas e outras não e, como a categoria tem o compromisso da reposição dos dias letivos integrais, melhor seria aguardar a reposição para a recuperação de todo o conteúdo. No entendimento do Jurídico, essas medidas tem o claro propósito de cercear o direito constitucional de greve, intimidando professores.

GDF formaliza proposta de reajuste

Dezessete dias após a decretação da greve pelos professores, o Governo do Distrito Federal formalizou sua proposta para a categoria em reunião na tarde desta quinta-feira, 23. Oficialmente, o GDF propôs um reajuste salarial de 5% retroativo a março. Em julho, o governo analisará o crescimento da Receita. Se este crescimento for acima de 5%, essa diferença será paga aos professores a partir daquele mês. Se não, o reajuste se manterá nos mesmos 5%.

O GDF propôs ainda que em novembro deste ano fará uma nova análise da Receita, com possibilidade de reajuste para a categoria dentro do mesmo molde colocado para julho. Ou seja, vinculará um aumento do índice de reajuste dos professores ao crescimento da receita. Prometeu ainda que os 15, 31% reivindicados pela categoria será pago paulatinamente até março de 2010 ou até antes, dependendo da evolução da Receita do Distrito Federal.

O detalhe da proposta, com relação a março de 2010, é que pode haver uma dedução no salário dos professores. Naquele mês, seria pago o que faltasse para complementar os 15, 31% somado ao índice de reajuste do Fundo Constitucional do DF, a ser definido em julho de 2009 para 2010, menos a percentagem do que foi pago este ano com as promoções por merecimento. Esse índice de dedução para março de 2010 também ainda não tem definição.

A proposta do GDF foi colocada pelos representantes do GDF, os secretários de Educação, José Valente e do Planejamento, Ricardo Penna, em reunião com a Comissão de Negociação de Greve do Sinpro. A rodada de negociação começou antes das 14 horas, foi suspensa por algumas horas, e terminou às 20 horas com a formalização da proposta do GDF. Ainda hoje, o Sinpro colocará no portal a íntegra desta proposta.

A proposta final será levada para a apreciação dos professores em Assembléia Geral, que será realizada nesta sexta-feira, 24, às 9 horas, em frente à Catedral de Brasília. O Comando de Greve se reúne ainda nesta quinta-feira, 23, para discutir a proposta feita pelo GDF.

Professores fazem carreata de cinco quilômetros

Os professores deram mais um demonstração da força do movimento grevista nesta quarta-feira, 22. Uma carreata no Eixo Monumental com cerca de cinco quilômetros chamou ainda mais a atenção da sociedade para a reivindicação da categoria, que cobra do GDF um reajuste salarial de 15, 31%. Essa é a segunda manifestação em dois dias dos professores no Plano Piloto. No aniversário de Brasília rosas entregues à população sinalizaram o espírito pacífico da paralisação.

Antes da carreata, os professores se concentraram, a partir das 15 horas, no estacionamento do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Munidos de apitos, educadores e educadoras fizeram muito barulho e exigiram respeito do GDF, que até esta quarta, passados 15 dias após a decretação da greve, não apresentou uma proposta de reajuste salarial para a categoria. “A gente está fazendo barulho para que os surdos possam nos ouvir. E é o que parece estar acontecendo com o Arruda: ele está surdo, não quer nos ouvir”, ironiza Márcio Curvo, do Centro de Ensino Médio 01, de Sobradinho.

“Temos que fazer barulho mesmo, mostrar que a categoria, mais do que nunca, está unida”, defende Lecilda Martins, da Escola Classe 08, de Planaltina. “Os professores estão saindo em carreata para mostrar o valor da cidadania. O professor é antes de tudo um cidadão e quer ser respeitado”, reforça, por sua vez, Tamatatiua Rosa, do Centro de Ensino Fundamental 05, de Sobradinho. “Onde o Arruda estiver, ele vai ouvir o nosso apitaço, porque ele está com medo e incomodado com nossa greve”, sustenta Glauce de Carvalho, da Escola Classe 17, da Ceilândia.

Com esse espírito, os professores saíram às 16 horas para a carreata em fila indiana pelo Eixo Monumental. O buzinaço contou com a solidariedade de muitos motoristas, que também buzinaram e acenaram positivamente para os docentes em sinal de apoio. Os carros saíram do Teatro Nacional e fizeram o percurso pelo Eixo até o Palácio do Buriti e contornaram seguindo em direção à Esplanada dos Ministérios.

“Não é de hoje que o GDF ouve nossos apitos e buzinas. Há duas semanas estamos fazendo barulho e só vamos parar quando o governo pagar aquilo que nos deve”, resumiu o clima da carreata o professor Alessandro Rodrigues, da Escola Classe 404, do Recanto das Emas. “A greve está cada vez mais forte e o que a gente percebe é que os alunos, pais e toda a comunidade estão do nosso lado. Porque estão do lado da justiça”, disse animada a professora Anita Queiroz, da Escola Classe 06, do Cruzeiro.

Até o final da tarde da quarta-feira, o GDF não acenou para qualquer conversa com a Comissão de Negociação da greve. Nesta quinta-feira, às 10 horas da manhã, a Comissão de Intermediação da Negociação formada pela CUT, com representantes de diversas entidades da sociedade civil, terão encontro com o governador Arruda, em Águas Claras, para discutir a greve. Na sexta-feira, 24 de abril, às 9h30, os professores irão se reunir em Assembléia Geral, ao lado da Catedral de Brasília.

GDF propõe reajuste de 5%. Negociação está suspensa.

A Comissão de Negociação do Sinpro, que estava reunida até às 15h15, com o Governo do Distrito Federal, informou que a discussão foi suspensa a pedido dos representantes do Executivo local. O pedido foi feito após a colocação da proposta do GDF de reajuste salarial. O governo propôs aumento de 5% a partir de julho e uma nova correção do salário em novembro, sem especificar, contudo, de quanto seria esse índice.

A Comissão do Sinpro apresentou, logo após, um levantamento de dados e números em defesa de uma melhoria da proposta do GDF. Diante da argumentação, os representantes do governo pediram a suspensão da reunião para poderem conversar com o governador Arruda. A rodada de negociação começou um pouco antes das 14 horas e contou com a presença, além de todos os membros da Comissão do Sinpro, dos secretários de Educação, José Valente e do Planejamento, Ricardo Penna, entre outros.

Nesse momento, a Comissão de Negociação se encontra em Águas Claras à espera da continuação do debate da proposta de reajuste do GDF. Mais notícias da rodada, leia aqui no portal do Sinpro.

Professores fazem carreata de cinco quilômetros

Os professores deram mais um demonstração da força do movimento grevista nesta quarta-feira, 22. Uma carreata no Eixo Monumental com cerca de cinco quilômetros chamou ainda mais a atenção da sociedade para a reivindicação da categoria, que cobra do GDF um reajuste salarial de 15, 31%. Essa é a segunda manifestação em dois dias dos professores no Plano Piloto. No aniversário de Brasília rosas entregues à população sinalizaram o espírito pacífico da paralisação.

Antes da carreata, os professores se concentraram, a partir das 15 horas, no estacionamento do Teatro Nacional Cláudio Santoro. Munidos de apitos, educadores e educadoras fizeram muito barulho e exigiram respeito do GDF, que até esta quarta, passados 15 dias após a decretação da greve, não apresentou uma proposta de reajuste salarial para a categoria. “A gente está fazendo barulho para que os surdos possam nos ouvir. E é o que parece estar acontecendo com o Arruda: ele está surdo, não quer nos ouvir”, ironiza Márcio Curvo, do Centro de Ensino Médio 01, de Sobradinho.

“Temos que fazer barulho mesmo, mostrar que a categoria, mais do que nunca, está unida”, defende Lecilda Martins, da Escola Classe 08, de Planaltina. “Os professores estão saindo em carreata para mostrar o valor da cidadania. O professor é antes de tudo um cidadão e quer ser respeitado”, reforça, por sua vez, Tamatatiua Rosa, do Centro de Ensino Fundamental 05, de Sobradinho. “Onde o Arruda estiver, ele vai ouvir o nosso apitaço, porque ele está com medo e incomodado com nossa greve”, sustenta Glauce de Carvalho, da Escola Classe 17, da Ceilândia.

Com esse espírito, os professores saíram às 16 horas para a carreata em fila indiana pelo Eixo Monumental. O buzinaço contou com a solidariedade de muitos motoristas, que também buzinaram e acenaram positivamente para os docentes em sinal de apoio. Os carros saíram do Teatro Nacional e fizeram o percurso pelo Eixo até o Palácio do Buriti e contornaram seguindo em direção à Esplanada dos Ministérios.

“Não é de hoje que o GDF ouve nossos apitos e buzinas. Há duas semanas estamos fazendo barulho e só vamos parar quando o governo pagar aquilo que nos deve”, resumiu o clima da carreata o professor Alessandro Rodrigues, da Escola Classe 404, do Recanto das Emas. “A greve está cada vez mais forte e o que a gente percebe é que os alunos, pais e toda a comunidade estão do nosso lado. Porque estão do lado da justiça”, disse animada a professora Anita Queiroz, da Escola Classe 06, do Cruzeiro.

Até o final da tarde da quarta-feira, o GDF não acenou para qualquer conversa com a Comissão de Negociação da greve. Nesta quinta-feira, às 10 horas da manhã, a Comissão de Intermediação da Negociação formada pela CUT, com representantes de diversas entidades da sociedade civil, terão encontro com o governador Arruda, em Águas Claras, para discutir a greve. Na sexta-feira, 24 de abril, às 9h30, os professores irão se reunir em Assembléia Geral, ao lado da Catedral de Brasília.

Para GDF, diretores não podem pensar

A professora Rosa Maria de Campos deu uma demonstração de ética, dignidade e respeito à categoria. Ela decidiu pedir exoneração do cargo de diretora que ocupava no CEF do Vale do Amanhecer porque se recusa a substituir professores em greve por temporários. “Comuniquei o fato ao Conselho Escolar, expliquei as minhas razões. Não aceito participar de uma gestão escolar neste governo, em que as direções não podem pensar e têm que fazer o que eles mandam sem questionar”, afirmou.
Ela decidiu tomar essa decisão porque em carta enviada pela Internet a Secretaria de Educação avisa que os diretores que se recusarem a fazer a substituição seriam exonerados. “Informei que isso não seria necessário, porque eu mesmo pediria a exoneração, porque não faria a substituição. Além dos evidentes prejuízos pedagógicos da medida, não seria eu a compactuar com a tentativa de minar o movimento da categoria”, afirmou ela.
O Sinpro parabeniza a professora pela atitude corajosa. Ela demonstrou que tem compromisso com uma educação de qualidade e com a categoria. O cargo é transitório, mas dormir de consciência tranqüila não tem preço. Rosa Maria deu uma lição de cidadania.

Professores em luta nos 49 anos de Brasília

Os professores marcaram presença na Esplanada dos Ministérios durante as comemorações dos 49 anos de Brasília. Com muito espírito de luta eles distribuíram rosas para as mulheres e balões para as crianças e receberam o apoio de estudantes e da comunidade em geral.

Várias pessoas subiram ao palco para expressar seu apoio à campanha e denunciar as contradições nos atos do governo. Ana Luísa, estudante do CEF 104 da Asa Norte, contou que sua escola passou três meses sem substituto para uma professora doente, mas que a substituição dos grevistas foi imediata. Os estudantes se recusam a entrar em aulas com substitutos, em solidariedade à causa dos professores.

Durante a passeata alguns policiais militares quiseram intimidar os professores jogando seus cavalos em alguns dos manifestantes, mas com exceção desse episódio não houve qualquer incidente. Os professores receberam muito apoio dos milhares de pessoas que estavam lá.

De acordo com o professor Nascimento, do Centro Educacional 7 de Ceilândia, o governador Arruda disse que ficou “horrorizado” com a presença dos professores no local. Mas se ele mesmo disse que o espaço era democrático. Ou só vale manifestação a favor? Estivemos no espaço para comemorar os 49 anos da cidade e ao mesmo tempo denunciar a situação da educação e da saúde n DF.

Amanhã, dia 22, todos devem comparecer às assembleias regionais para avaliar o movimento e formar os grupos de visita às escolas. Na parte da tarde, às 15h, nos concentraremos no Teatro Nacional para a realização de uma carreata. A luta continua!

Assembleias regionais e carreata nesta quarta

Lembramos que nesta quarta-feira, dia 22, todos devem comparecer às assembleias regionais para que possamos avaliar o movimento e formarmos grupos de visita às escolas. E na parte da tarde, às 15h, nos concentraremos no Teatro Nacional para a realização de uma carreata. Participem! Nossa vitória dependerá de nossa mobilização!

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