Artigo | Por um projeto alternativo ao “Novo Ensino Médio”

(*) Por Adilson Cesar de Araujo

 

O grande cantor e compositor Belchior, em uma de suas mais belas canções: “Velha roupa colorida”, contemplou-nos com o seguinte verso: “no presente, a mente, o corpo é diferente. E o passado é uma roupa que não nos serve mais”.

Mas o que é esse passado que não nos serve mais quando analisamos o teor da Reforma do Ensino Médio? O passado aqui não se refere à História como um campo de saber necessário para a compreensão da realidade e para a construção do sujeito social, mas uma história que se repete como tragédia do ponto de vista político e pedagógico na realidade educacional brasileira.

Nesse sentido, é importante compreender a narrativa ideológica em defesa da Reforma, com o seu objetivo de capturar subjetividades a partir de um discurso que busca expressar anseios por mudanças na educação, pautando-se na flexibilização curricular com o intuito de imprimir uma sensação de movimento, de modernização na educação visando à construção de consenso e de apoio popular.Assim, no processo de implementação da Reforma do Ensino Médio, os seus defensores criaram inúmeros penduricalhos pedagógicos, perfumarias e novas nomenclaturas visando criar uma sensação de “inovação pedagógica”.

Tal narrativa, construída com forte apelo midiático, buscou a adesão da população. Nesse processo, o objetivo foi o de seduzir e capturar subjetividades para apoiar o “Novo Ensino Médio”, como se esse projeto fosse sinônimo de movimento e de ruptura em relação à estrutura educacional que existia antes.

Todavia, cabe destacar que a Reforma do Ensino Médio é a expressão de um movimento de modernização conservadora, em que diferentes grupos, com pautas distintas, mas interesses comuns firmaram alianças estratégicas para manter o modelo desigual e estratificado de educação! Assim, as mudanças trazidas pela Reforma são aparentes, superficiais, dissimuladas, uma vez que elas não alteram a essência e nem modificam a estrutura da educação brasileira. Logo, é um tipo de reforma que nega a construção de um projeto educacional republicano: a educação básica como direito social de todos.

A Reforma do Ensino Médio resgata, portanto, a forma de construção política e as finalidades pedagógicas contidas em outras reformas educacionais que não deram certo ao longo da história da educação brasileira.

Do ponto de vista político, não podemos esquecer que esta reforma reforça a forma autoritária e tecnocrática de se fazer mudança educacional, com desprezo pela  escola e por seus profissionais, por meio de uma lógica de participação dissimulada, não efetiva e desrespeitosa à pluralidade de vozes que compõe o contexto escolar e a sociedade brasileira. É uma reforma feita pelos ditos “especialistas” em educação  ligados às fundações privadas, a partir de orientações vindas dos organismos internacionais como o Banco Mundial e a OCDE, mas adequadas ao contexto local com vistas a dar legitimidade técnica e científica a esse entulho autoritário chamado de “Novo Ensino Médio”.

Esse modelo de reforma desqualifica os docentes, que sempre são vistos como “incapazes”, “despreparados” e “resistentes” às mudanças. No caso especifico, a desvalorização do trabalho docente é necessária e serve como estratégia política para torná-los reféns dos pacotes uniformizados e elaborados pelos ditos “especialistas” em educação que estão vinculados às fundações privadas, bem como para colocá-los sob a tutela dos reformadores de plantão.

Assim, do ponto de vista político, é uma Reforma que “sataniza” a escola e seus profissionais, para que esses fiquem reféns de soluções mágicas vindas de fora do ambiente escolar. Dessa forma, nega a autonomia docente, a construção coletiva, ou seja, engessa a gestão democrática como princípio constitucional.

 Do ponto de vista pedagógico, a reforma resgata o discurso presente nas reformas neoliberais da década de 1990, pautadas na qualidade da educação instrumental, positivista, que nega a história, a trajetória, a identidade da escola, por meio de um currículo prescritivo e padronizável,  torna o espaço escolar prisioneiro de avaliações em larga escala.Assim, projeta-se uma qualidade que não é fruto da construção social, pactuada entre a comunidade escolar e a sociedade, mas uma ação de “especialistas” em educação, de pequenos grupos de consultores que estabelecem as metas que devem ser alcançadas e que pensam pela e para a escola.

Na lógica da qualidade hegemônica em educação, tudo passa a ser medido, avaliado e quantificado. É um modelo de reforma desumanizado e instrumentalizado de cima para baixo,  feito para atender a interesses de pequenos grupos ligados ao setor privado. Aliado a esse conceito de qualidade instrumental e positivista, há o resgate da “pedagogia das competências”,um termo ambíguo, polêmico e que surge como receita mágica para resolver os graves problemas da educação. A adoção da pedagogia das competências surge, novamente, de forma impositiva, como ato da burocracia, via resoluções do CNE e inspirada no mundo dos negócios, com o seu viés utilitário, pragmático, individualista e para adaptação da educação à lógica de um mercado cada vez mais precarizado.

A reforma trouxe o velho travestido de novo. Assim, suas bases políticas e pedagógicas já estiveram presentes em outras reformas já realizadas na educação brasileira (5.692/1971, PCNs, Decreto 2.208/1997). Nessa seara, reforçamos a perspectiva de Luiz Antonio Cunha, quando ele afirma que a Reforma é um atalho para o passado, que ela não veio para mudar a cara do Ensino Médio, mas tem finalidade política clara de contenção do acesso dos jovens ao ensino superior, veio para dificultar o acesso das massas ao prosseguimento nos estudos e para justificar os cortes e falta de investimentos do Estado na garantia da educação como direito social.

Enfatizamos que o projeto de educação estabelecido pela reforma não tem nada de novo. Do ponto de vista político e pedagógico tem ocorrido o resgate de estratégias e discursos que já foram usados em outras reformas educacionais já fracassadas no contexto educacional brasileiro e que só alimentaram o dualismo na educação, a segmentação da oferta e as desigualdades escolares.

Compreendemos, por consequência, que a defesa de um projeto de Ensino Médio alternativo ao que está posto pela Reforma é tarefa de todos os setores comprometidos com a democratização da educação e com a defesa de um autêntico projeto que venha possibilitar o desenvolvimento humano, a socialização, a apropriação da cultura e o domínio dos conhecimentos científicos e tecnológicos para a inserção ativa das juventudes na democracia e no mundo do trabalho.

Algumas experiências já vêm sendo esboçadas ao longo das últimas décadas e merecem ser aperfeiçoadas: o projeto do Ensino Médio Integrado dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, por exemplo, é uma delas. No debate posto, não estamos no campo das ideias, da abstração e da crítica vazia, mas nos baseando na realidade concreta, na defesa de um projeto construído socialmente e que merece ser universalizado como política pública, que é exitoso e tem o reconhecimento dos estudantes, da comunidade escolar, dos profissionais da educação e de grande parte dos pesquisadores da educação que pesquisam sobre o tema como um projeto que deve ser aperfeiçoado e universalizado para o conjunto da juventude brasileira.

Diante desses novos desafios, a nova realidade exige a construção de um movimento ascendente na defesa de um projeto alternativo de educação para as juventudes. No momento, é necessário agirmos na busca do fortalecimento dos movimentos sociais que fazem crítica ao discurso de que a Reforma merece ser “aperfeiçoada”, “revisada”. Essa reforma merece ser revogada e devemos trabalhar para a construção e apresentação de outro projeto de Ensino Médio, construído de forma democrática e com participação ativa dos movimentos sociais.

 Neste contexto de construção de um projeto alternativo ao “NEM”, as ações devem ser interinstitucionais, serem coordenadas pelo  Fórum Nacional de Educação e ter a participação ativa dos representantes das universidades pública, dos Institutos Federais de Educação, das entidades estudantis como UBES, FENET, UNE, as representações dos profissionais da educação: CNTE e CONTEE, os pesquisadores da educação e a sociedade de um modo geral.

Nesse debate, devemos apresentar resultados de pesquisas sobre o processo de implementação da reforma do Ensino Médio com as suas conseqüências nefastas para a educação pública e para a formação dos jovens. Ao mesmo tempo, será necessário também que sejam construídas as diretrizes indutoras de um projeto alternativo de Ensino Médio para a juventude brasileira. Assim, os movimentos sociais devem lutar pela revogação da Reforma do Ensino Médio como também construir e apresentar um projeto popular de Ensino Médio como alternativa ao que está colocado pelo “Novo Ensino Médio”.

Diante do exposto, é necessário darmos alguns passos para a  construção de um projeto alternativo ao Novo Ensino Médio (NEM), nesse sentido apresentamos algumas contribuições ao debate:

  • É preciso disputar o conceito de qualidade na educação e romper com o modelo de qualidade hegemônico que é prisioneiro apenas dos resultados de avaliação em larga escala, que nega a educação como atividade complexa. Os movimentos sociais devem afirmar a perspectiva de qualidade de educação comprometida com o desenvolvimento humano e social, que seja fruto da construção dos profissionais da educação, dos estudantes e da sociedade. Temos que projetar uma perspectiva de qualidade em educação que leve em consideração as condições de trabalho, a estrutura das escolas, a formação de professores e que o financiamento público seja destinado à educação pública, numa perspectiva de que em educação a garantia de bons processos é condição necessária  para se alcançar bons resultados.
  • Temos que construir as diretrizes indutoras de um projeto alternativo de Ensino Médio que seja referenciado socialmente. Neste caminho, dois documentos importantes poderão ser úteis ao debate: a Resolução CNE nº 2/2012, que foi elaborada a partir de um amplo debate na educação e que estabeleceu as bases para a integração curricular e a formação humana integral e a  Lei 11.892/2008 que criou os Institutos Federais de Educação, uma vez que essa lei prioriza a oferta de cursos integrados, numa perspectiva de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão ao longo do processo formativo dos jovens do Ensino Médio, e busca assegurar o direito à formação básica comum a todos os jovens, tendo o Estado como articulador, responsável e financiador da educação pública.
  • É fundamental garantir a defesa de uma formação básica comum para todos os estudantes do Ensino Médio, uma vez que a reforma esvazia o sentido de formação básica, ofertando uma formação em migalhas para a juventude.
  • É urgente construir as bases do projeto de Ensino Médio alternativo ao NEM como uma prioridade a ser apresentada como pauta na Conferência Nacional de Educação para subsidiar o debate do novo Plano Nacional de Educação.
  • É importante elaborar uma proposta de política de assistência estudantil para todos os jovens do EM, por meio de programas e ações que promovam a permanência e o êxito dos estudantes, a exemplo do que já existe nos Institutos Federais de Educação.
  • Devemos construir um projeto alternativo ao “NEM” no contexto de uma verdadeira transformação da estrutura da educação básica, o que deve ocorrer de forma articulada, orgânica e democrática, dentro de um processo de institucionalização do Sistema Nacional de Educação pactuado socialmente.
  • É necessário e urgente que as representações dos movimentos sociais convoquem o Seminário Nacional do Ensino Médio para que se possa debater e conhecer os resultados de pesquisas sobre a implementação da Reforma do Ensino Médio e para construir as diretrizes indutoras de um projeto popular de Ensino Médio alternativo ao do “NEM”.

 

(*) Adilson Cesar de Araujo/IFB, pesquisador do Observatório Nacional do Ensino Médio

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Kit da VIII Corrida do Sinpro poderá ser retirado a partir do dia 13

Inscritos(as) na VIII Corrida do Sinpro-DF poderão retirar o kit para o evento de 13 a 17 de março, das 9h às 17h, no local escolhido no ato da inscrição (sede ou subsedes do Sinpro).

Para retirar o kit corrida, é necessária a apresentação de documento pessoal de identificação com foto ou carteirinha de filiado(a). Além disso, também é obrigatória a doação de 1 kg de alimento não perecível (exceto sal e fubá) ou um livro de literatura. Os itens serão repassados a pessoas em vulnerabilidade social.

Caso o(a) inscrito(a) não possa retirar o kit corrida, o material poderá ser entregue a um terceiro, desde que este apresente o documento de identificação do participante da VIII Corrida do Sinpro.

Para quem está inscrito na modalidade caminhada e ciclismo, o kit é composto de camiseta e bolsa. Já inscritos para a modalidade corrida, além de camiseta e bolsa, receberão também número de peito e um chip descartável que marca a posição dos participantes.

A VIII Corrida do Sinpro será realizada dia 18 de março, na Esplanada dos Ministérios, com concentração às 18h. A largada será no canteiro central, próximo ao Museu Nacional, às 19h. De lá, os(as) participantes descerão sentido Palácio do Planalto, até o final da Via N1. Deste ponto, subirão de volta até o local da largada (veja imagem abaixo). Ao todo, o trajeto tem 5 Km, independente da modalidade.

>> Leia também: 8º CORRIDA DO SINPRO SERÁ REALIZADA NA ESPLANADA DO MINISTÉRIOS

Educadoras estão em grupamento onde mulheres recebem 30% menos que homens

A diferença salarial entre mulheres e homens que exercem a mesma atividade é flagrante também na educação. De acordo com o Boletim Especial 8 de março 2023 – “As dificuldades das mulheres chefes de família no mercado de trabalho”, do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), no grupamento educação, saúde e serviços sociais, as mulheres têm rendimentos médios 32% menores do que os recebidos pelos homens.

Segundo o estudo, no mesmo grupamento, as mulheres representam 75% dos ocupados. No recorte “rendimento médio e escolaridade/nível superior” – onde está a maioria das professoras e orientadoras educacionais da Educação Básica do DF –, mulheres recebem, em média R$ 4.063 enquanto homens têm salário de R$ 6.331. No total, a diferença é de R$ 2.268, mais que um salário mínimo e meio.

“No DF, o Sinpro fez uma luta pela carreira única. Nesse momento, nós influenciamos, enquanto categoria e sindicato, para brecar essa desigualdade entre homens e mulheres aqui na nossa região. Ainda assim, percebemos que há quantidade maior de homens que de mulheres em espaços de gestão no segmento da educação e, consequentemente, diferença salarial, onde o homem têm maiores remunerações”, afirma a coordenadora do Sinpro-DF Mônica Caldeira.

>> Leia também: 8M: POLÍTICAS PÚBLICAS PROMOVIDAS PELO GOVERNO LULA MOSTRAM RESPEITO ÀS MULHERES

Violência

A cada dia, três mulheres são assassinadas no Brasil pelo simples fato de serem mulheres. No DF, até o dia 2 de março deste ano, pelo menos oito mulheres tiveram suas vidas brutalmente tiradas por companheiros ou ex-companheiros. Dos 18 feminicídios realizados no DF em 2018, estavam professoras da rede pública de ensino.

O feminicídio é o mais alto gral de violência contra a mulher. Mas há várias outras formas de agredi-las que também adoecem e podem matar. Essas violências são praticadas também dentro das escolas.

A pesquisa “Mulheres e violência”, realizada pelo Sinpro-DF em 2021, mostra que 60% das professoras avalia que a comunicação direta com a família e com os próprios estudantes são situações que trazem maior insegurança.

Pelo estudo, 10% das professoras nunca se sente segura para ter conversas particulares com as famílias ou com os(as) estudantes e 47% diz que raramente sente segurança para se comunicar.

Outro ambiente de insegurança apontado pelas professoras é aquele em que a professora precisa dar a sua opinião e se posicionar, como, por exemplo, na Sala dos Professores e das Professoras. 46% das professoras disse que somente às vezes sente segurança e tranquilidade para falar e expressar opiniões diante dos colegas.

Outro dado importante mostra que 38% das professoras afirmou que não é sempre que se sente respeitada pelos estudantes, e 30% disse que, raramente, se sente segura no local de trabalho.

O estudo foi realizado com 1.553 professoras da rede pública de ensino do DF.

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12 de março: dia do(a) bibliotecário(a)

No dia 12 de março de 1882 nasceu Manuel Bastos Tigre, aquele que se tornaria o primeiro bibliotecário concursado do Brasil. Por essa razão, o dia do Bibliotecário e da Bibliotecária foi instituído pelo decreto 84.361 de 1980.

De acordo com a pesquisadora Ana Suely Lopes, Tigre formou-se em engenharia em 1906, resolveu fazer especialização em eletricidade nos EUA nesse mesmo ano, e lá conheceu o bibliotecário Melvil Dewey, que criou o sistema de Classificação Decimal. E, em 1933, Manuel Bastos Tigre tornou-se bibliotecário.

Tigre prestou concurso para ser bibliotecário do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Com a pesquisa sobre Classificação Decimal de Dewey, pasosu em primeiro lugar.

Em 1945, foi transferido para a Biblioteca Nacional, e em seguida foi trabalhar na Biblioteca Central da Universidade do Brasil (atual UFRJ), onde trabalhou até depois de sua aposentadoria.

Parabéns a todos os bibliotecários e todas as bibliotecárias do Brasil. E muito obrigado a Manuel Bastos Tigre por sua contribuição social e cultural para o país.

11 de março – 52 anos da morte de Anísio Teixeira

Há 52 anos o Brasil perdia o “pai da escola pública”. Um dos ícones da educação brasileira do século XX, Anísio Teixeira ficou conhecido e bastante respeitado por defender uma educação pública, gratuita e laica. Educador, escritor e jurista, ele acreditava que a educação deveria ser um direito de todos(as) e atuou, durante grande parte de sua vida, desenvolvendo projetos na gestão pública da educação.

No dia 11 de março de 1971, Anísio Teixeira, então com 70 anos de idade, se dirigia à casa de Aurélio Buarque de Holanda, em um prédio em Botafogo, no Rio de Janeiro, quando foi encontrado morto dois dias depois.

 

História

Na década de 1930, Anísio foi reconhecido como um dos maiores educadores do Brasil e fez parte do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. Esse documento, formulado no ano de 1932, propunha uma reformulação da educação no Brasil e estipulava a construção de uma escola pública e laica que não permitisse que o acesso à educação fosse visto como um privilégio, mas sim como um direito de todo cidadão brasileiro. A proposta do manifesto defendia uma escola que superasse o ensino tradicional e que fosse responsável por educar e formar homens e mulheres livres, que pudessem participar do processo de construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Anísio Teixeira acreditava que essa escola pública com ensino crítico e reflexivo era crucial para a consolidação da democracia no Brasil.

Em 1947 o educador foi convidado pelo então governador da Bahia, Otávio Mangabeira, para trabalhar como chefe da Secretária de Educação do estado. Nesse cargo ele foi responsável por projetos educacionais importantes, como exemplo da Escola-Parque, onde era fornecido ao(à) aluno(a) alimentação, higiene, além de estudos para formá-lo(a) como cidadão(ã) e para prepará-lo(a) ao mercado de trabalho. Esse projeto desenvolvido por Anísio Teixeira corresponde ao que conhecemos atualmente como ensino integral.

Na década de 1950 ele atuou na chefia da Capes, na Campanha de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior, e no Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (Inep), importantes órgãos da educação no país. Nesse período, ele teve atuação crucial na formulação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, um dos documentos mais importantes que regem a educação brasileira.

Já em 1961, Teixeira foi um dos idealizadores da Universidade de Brasília (UnB), sendo reitor dessa instituição de junho de 1963 a abril de 1964. Ele foi afastado da reitoria logo no início da Ditadura Militar. No período autoritário, ele ainda foi aposentado compulsoriamente do serviço público.

Para o Sinpro, Anísio Teixeira é o principal idealizador das grandes mudanças que marcaram a educação brasileira no século 20. Foi pioneiro na implantação de escolas públicas de todos os níveis que refletiam seu objetivo de oferecer educação gratuita para todos e todas.

Dirigente do Sinpro participa de audiência pública na CLDF

A coordenadora da secretaria de Assuntos e Políticas para Mulheres Educadoras do Sinpro, Mônica Caldeira, foi uma das participantes de audiência pública realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) na noite da última quinta-feira (9/3), para tratar da luta das mulheres por direitos na capital federal. Em um gesto de deferência a elas, o autor da iniciativa, deputado Gabriel Magno (PT), abriu mão de presidir a audiência e acompanhou do plenário todo o debate. Em seu lugar, conduziu a audiência pública a militante do Partido dos Trabalhadores, Ludmila Brasil.

Mônica apresentou os dados da pesquisa do Sinpro mulheres e violência realizada em 2021. A pesquisa demonstra que, embora 60% das mulheres declarem que situações como ruas com pouca iluminação, andar sozinha à noite, o ônibus coletivo cheio, representem ambientes de insegurança para elas, o que elas mais temem é o ambiente escolar: estabelecer diálogos com pais, chefes, colegas e estudantes do sexo masculino são situações nas quais 10% das professoras disseram q nunca se sentem seguras nesse momento. “E outras 46% declararam que raramente se sentem seguras em momentos de dar opinião na sala dos professores e em casa.”

Para Mônica, são fatos e dados como esses que demonstram a importância da educação contra o machismo, de um currículo escolar anti machista, pois são formas de resolver a questão da violência escolar tanto para alunas como para professoras, “mas, em se tratando de escola e educação, o benefício se estende a toda a sociedade”.

Veja a fala de Mônica Caldeira no vídeo abaixo. (A partir de 1hora e 16 minutos)

 

 

Câmara dos Deputados sedia exposição sobre Marielle Franco

Na próxima terça-feira (14/3), quando se completam cinco anos do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, a Câmara dos Deputados inaugura a exposição “Marielle Franco – Nesse lugar”, uma amostra do acervo biográfico da vereadora carioca Marielle Franco.

A exposição inédita na Câmara Federal, organizada pela Fundação Lauro Campos e Marielle Franco, se soma a outras organizações brasileiras e estrangeiras como a Anistia Internacional, no objetivo de memória política da vereadora, uma das principais vozes da população periférica da cidade do Rio de Janeiro.

 

Aberta ao público de 15 a 23 de março

A abertura da exposição para o público em geral ocorre logo após Sessão Solene em memória de Marielle Franco e Anderson Gomes, no Plenário da Câmara dos Deputados, no dia 15, às 10 horas. A Sessão foi requerida pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e contará com a presença de familiares, parlamentares e é aberta ao público. A exposição ficará aberta ao público até o dia 23 de março.

“Marielle Franco – Nesse lugar” também reforça a afirmação de protesto da família da parlamentar, amigos, sociedade, organizações no Brasil e no mundo contra a impunidade dos mandantes do assassinato de Marielle, que também vitimou de forma trágica o assessor da parlamentar, o motorista Anderson Gomes.

Segundo a A Fundação Lauro Campos e Marielle Franco, o objetivo da exposição é contribuir com a difusão da memória de Marielle, lembrar da luta por justiça sobre o seu assassinato e inspirar mais pessoas na construção de projetos coletivos que gerem impacto social positivo e que transformem a realidade das pessoas.

 

14 de março de 2018

Quando foi assassinada, Marielle exercia seu mandato de vereadora havia um ano e três meses. Ela foi eleita em 2016 e imediatamente passou a incomodar ainda mais os inimigos da democracia. Marielle foi assassinada por ser mulher, ativista social e política, parlamentar pelo PSOL e liderança periférica em ascensão.

A história de luta de Marielle começou na comunidade da Maré, no Rio, e hoje seu legado político faz parte da história política e social do Brasil, e uma referência mundial.

Em sua memória e para celebrar seu legado, serão apresentadas as ações do mandato de Marielle, com referências ao contexto histórico em que se desenvolveu seu projeto político. O período da vida política de Marielle abordado na exposição vai da sua campanha, 2016, até sua última atividade já como vereadora da cidade do Rio de Janeiro, em 14 de março de 2018, quando foi assassinada aos 38 anos.

Inscrições abertas para o III Torneio de Futebol Paulo Freire

O Sinpro, por meio da Secretaria de Assuntos Culturais, abre o período de inscrições para o III Torneio de Futebol Paulo Freire. Sua participação pode ser confirmada até o dia 15 de março. As vagas são limitadas e estão disponíveis em duas modalidades: masculina e feminina. Apenas um membro do time (que pode ser o(a) capitão) fará a inscrição de toda a equipe.

 

Clique aqui e faça a sua inscrição

 

O evento esportivo será realizado nos dias 15 e 16 de abril, no campo de futebol da Chácara do Sinpro, iniciando às 8h, com término previsto para as 17h. Serão permitidas as inscrições de 16 professores(as) e orientadores(as) educacionais por equipe, sendo a participação exclusiva para educadores(as) filiados(as) ao Sinpro-DF que estejam com a contribuição em dia.

 O torneio será disputado em três fases: 1º – Fase classificatória; 2º – Fase Semifinal e 3º – Fase Final (formada pelos(as) vencedores(as) da fase semifinal). Havendo empate em número de pontos ganhos entre os(as) participantes na fase classificatória, será declarada vencedora a equipe que obtiver, nesta ordem: vencedor do confronto direto; maior número de vitórias; maior saldo de gols; maior número de gols marcados; maior saldo de gols average; menor número de cartões vermelhos; menor número de cartões amarelos recebidos; e sorteio. Os três primeiros colocados ganharão troféus e todos os participantes receberão camiseta do evento.

O coordenador da Secretaria de Cultura do Sinpro, Bernardo Távora, enfatiza que o torneio tem o objetivo de recepcionar a categoria para mais um ano letivo, além de promover momentos de confraternização e celebração entre os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais. “Este é um momento importante para nos unirmos ainda mais, além de termos um momento de congraçamento. Convidamos todos e todas a participarem deste torneio, que tem o objetivo de trazer alegria e descontração”.

Monte seu time, traga sua família e comemore esse momento conosco.

CONFIRA O PASSO A PASSO PARA REALIZAR A SUA INSCRIÇÃO:

Passo 1: Acesse a tela de inscrição e digite o seu CPF. Após preencher e confirmar os seus dados, marque a autorização e clique em registrar.

 

Passo 2: Atenção! Nesta etapa você  irá inserir os(a) jogadores(as) do seu time. Clique em ADICIONAR JOGADOR e digite o CPF de cada participante. Neste campo não é preciso adicionar o(a) capitão(ã), apenas os outros 15 integrantes do time. 

Passo 3: Pronto! Ao adicionar todos os(as) jogadores(as), clique em salvar e aparecerá uma mensagem indicando que o seu registro foi salvo. “Registros Gravados com Sucesso!”

Você receberá um e-mail de confirmação de inscrição com o nome do(a) capitão(ã) e a listagem dos 15 jogadores(as). Em caso de dúvida, o(a) professor(a) poderá ligar para o telefone 3343-4228.

 

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Roda de conversa: A estrutura fiscal que as mulheres defendem para o Brasil

O 8 de Março Unificadas DF e Entorno, que agrega diversos movimentos, coletivos e associações de mulheres, realiza, neste sábado, 11 de março, uma roda de conversa com o tema A estrutura fiscal que as mulheres defendem para o Brasil. O encontro acontece às 15h no auditório do Sinpro-DF, no SIG.

Participarão da roda de conversa Rosilene Corrêa, da Campanha Nacional pela Taxação de Grandes Fortunas; Roseli Faria, vice-presidenta da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Planejamento e Orçamento; e Maria Lúcia Fattorelli, da Auditoria Cidadã da Dúvida.

O tema é caro para as mulheres, porque a estrutura fiscal do país pode contribuir para a justiça social e a distribuição de renda – condições fundamentais de garantir a autonomia das mulheres e para a construção da igualdade.

Pela revogação do Novo Ensino Médio, CNTE e movimento estudantil se unem em ato no dia 15 de março

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Foto: Divulgação Ubes

O movimento estudantil promoverá no dia 15 de março em todo o país um Dia Nacional de Mobilização pela Revogação do Novo Ensino Médio (Lei 13415/2017). As atividades propostas pela União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) contam com apoio de organizações como a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), que sempre lutou contra a medida.

O presidente da CNTE e coordenador do Fórum Nacional Popular da Educação, Heleno Araújo, divulgou um comunicado para a base explicando a importância de lutar contra essa lei que alterou para pior a estrutura funcional do ensino médio, prejudicando milhares de estudantes, bem como, aos profissionais do magistério público e privado. Na nota, Heleno conclama as entidades filiadas à CNTE a mobilizar, ajudar e estimular a participação no ato convocado pela UBES para o dia 15 de março, em consonância com o calendário indicado pelo Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE).

Da mesma forma que ocorreu com a reforma trabalhista, quando Temer prometeu que a retirada de direitos iria gerar mais empregos, também na educação ele garantiu que a Lei que implementou a reforma do ensino médio tornaria o ambiente escolar mais atraente, ampliaria a educação em tempo integral e introduziria o aspecto profissionalizante na etapa escolar.

A proposta – que foi construída sem ouvir professores e estudantes – precarizou disciplinas básicas e impôs aulas que não ajudam nem na formação profissional qualificada, nem preparam para o vestibular.

Portarias do MEC

No dia 7 de março de 2023, o Ministro da Educação Camilo Santana publicou a Portaria MEC nº 397, com vistas a alterar a Portaria MEC nº 521, de 13 de julho de 2021, que instituiu o Cronograma Nacional de Implementação do Novo Ensino Médio. Os pontos alterados pela Portaria 397, que acabou sendo revogada no dia seguinte, diziam respeito à adequação do Sistema de Avaliação da Educação Básica – SAEB e do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM à Base Nacional Comum Curricular – BNCC e aos itinerários formativos implementados pela Lei 13.415 (reforma do Ensino Médio).

CNTE já se posicionou dizendo que vai seguir lutando pela revogação do novo ensino médio. Heleno Araújo avalia que a Portaria do MEC n. 399 de 08/03/23 não atende a reivindicação sobre o debate da revogação da Lei do Novo Ensino Médio. “Entendemos que o espaço de debate dever ser o FNE (Fórum Nacional de Educação) com a composição de 2016, antes do golpe”, avalia o dirigente, que reitera o pedido pela recomposição do FNE de 2016 e pela abertura do debate sobre as políticas educacionais no espaço adequado e determinado pela Lei 13.005/2014 (PNE), nos seus artigos 5º e 6º.

A luta não é de hoje

A confederação é uma das 300 entidades que assinam uma carta em que apontam como a reforma induz jovens de escolas públicas a cursarem itinerários de qualificação profissional de baixa complexidade e ofertados de maneira precária em escolas sem infraestrutura.

O presidente da CNTE, Heleno Araújo, destaca que a posição contrária à medida foi deliberada em 2022 pela Conferência Nacional Popular de Educação (Conape) e tem sido amplamente divulgada aos governo federal.

“Preparamos um documento à equipe de transição do governo e oficializamos ao ministro da Educação, Camilo Santana, com a entrega da Carta de Natal, nossa cobrança pela revogação. A luta dos estudantes demonstra que a insatisfação com o modelo é geral, de trabalhadores e trabalhadoras até os alunos e alunas”, explica.

Sem diálogo com o MEC e aproximação com Lula

A secretária geral da CNTE, Fátima Silva, acredita que o governo não irá manter o modelo sob pena de um legado de desigualdade para a educação pública. Ela destaca também a dificuldade em estabelecer um espaço de discussão amplo e democrático para tratar de temas como esse no Ministério da Educação (MEC).

“Estamos com dificuldade de retomar o Fórum Nacional de Educação que ajudaria a mostrar que o MEC está em descompasso com a política estabelecida com governo Lula. A questão do ensino médio é gritante e a revogação é urgente. Não creio que o governo Lula queira deixar para os jovens e para a sociedade como herança a manutenção da exclusão do sistema educativo”, avalia.

O novo ensino médio tem objetivo de tornar a etapa mais atrativa e ampliar a educação em tempo integral, mas a implementação enfrenta desafios estruturais, resistência e até desconhecimento por parte da população. Para a CNTE, não tem nada nesta proposta do novo ensino médio que dê para se aproveitar.

“A ideia é revogar o entulho do golpe. O novo ensino médio veio, por imposição, através de uma Medida Provisória, por um governo que não tinha legitimidade popular, sem qualquer diálogo com os setores da área de educação. Apresentamos a demanda de revogação do ensino médio e da Base Nacional Comum Curricular para Lula, e ele foi sensível aos problemas apresentados e prometeu analisar melhor o pedido”, afirmou Heleno Araújo, à Agência Brasil, durante um encontro com entidades de trabalhadores da educação, no Palácio do Planalto, no último dia 7.

>> Saiba mais – Em reunião com Lula, CNTE pede revogação do novo ensino médio

Fonte: CNTE

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