História | Primeiro Ministério dos Povos Indígenas se torna realidade no Brasil

Foto: Eraldo Peres/AP

A posse da ministra Sônia Guajajara é um marco na história do Brasil. Pela primeira vez, um governo eleito institui, no País, o Ministério dos Povos Indígenas. A novidade não para por aí. Ao mesmo tempo, o terceiro governo Lula recria o Ministério da Igualdade Racial e retoma a luta antirracista no âmbito do Estado nacional. Nos governos anteriores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a causa racial era atendida pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

Com status de ministério, essas duas causas sociais ganham cota financeira no Orçamento Público da União. E isso muda tudo. Outra ação que muda muita coisa é o fato de os dois ministérios terem duas mulheres em seu comando. A posse das duas ministras aconteceu na tarde de quarta-feira (11/1), em Brasília, com a participação do presidente Lula. Tudo isso impacta na educação pública.

A criação dos dois ministérios é fundamental para a implantação de novas políticas públicas para esse setor e para a retomada de outras políticas sociais abandonadas e até extintas pelo governo anterior. Com os dois ministérios, o Brasil passa a valorizar, no âmbito da União, as maiorias historicamente minorizadas, um passo importante na busca pela justiça social. Rosana Lucia Pereira de Moraes, professora de Atividades da Escola Classe 11 de Sobradinho, Distrito Federal, vê a criação desses ministérios como uma ação que irá subsidiar a atuação da categoria no chão da escola.

“A criação desses ministérios traz a sensação de pertencimento para o nosso povo. É como se tivéssemos recebido nomes, corpos, visibilidade. É o direcionamento necessário para que saibamos para onde ir quando for necessário, é termos a validação do Estado por meio daqueles que sabem e vivenciam exatamente das nossas dores e necessidades. Favorecendo a construção e execução de políticas públicas que favoreçam a população”, diz Rosana.

Ela acredita que a ação irá repercutir radical e positivamente na educação. “O maior impacto para a educação será o de retratar, novamente, nossa história sem medo, podendo dizer que já estávamos aqui, e que se viemos… Viemos de onde, para quê? Por quê? É o impacto de liberdade, respeito e reconhecimento. É trazer visibilidade a quem sempre existiu”, afirma.

Marcos Lopes Reis, professor de Atividades em Séries Iniciais da Escola Classe 64 de Ceilândia, também vê a criação dos ministérios como uma ação positiva que favorece a educação. “Ao se falar sobre diversidade em sala de aula o impacto é sempre positivo. Quando o enfoque é sobre a população negra e indígena, historicamente marginalizada, o impacto é ainda mais positivo. E para nossa maior alegria são mulheres no comando dos Ministérios dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial. Dessa forma o empoderamento negro, indígena e feminino ganha mais visibilidade. Pessoas que acreditam numa educação antirracista só tem a agradecer”.

Escritor de livros infantis, com duas obras publicadas – Lápis cor de pele e Tiarinha Vermelha e o povo mau –, Marcos Reis lembra que a Lei nº 10.649 completou 20 anos e a Lei nº 11.645 completou 15 anos. “Essas leis legitimaram um esforço que alguns professores e professoras, na sua maioria negros e indígenas, já desenvolviam em sala de aula. No entanto, por mais que as leis sejam antigas, ainda se fala muito sobre a implantação das leis nas escolas. Na verdade, já deveríamos estar avaliando os impactos positivos das leis. As ministras Anielle Franco e Sônia Guajajara, com toda a força ancestral e dos coletivos negros e indígenas, deverão fazer, realmente, acontecer o que está estruturado no artigo 26 A da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a LDB, para que nos próximos anos comecemos a construir um país mais justo pautado numa sociedade antirracista. O trabalho é árduo, mas foi entregue às pessoas certas”, afirma.

Durante a cerimônia, a ministra Sônia Guajajara anunciou a mudança de nome da Funai e informou que o órgão, que passa a se chamar Fundação Nacional dos Povos Indígenas, será presidido pela primeira deputada federal indígena, Joenia Wapichana. A própria ministra também foi eleita deputada federal pelo PSOL de São Paulo nas últimas eleições e é reconhecida, internacionalmente, como ativista e líder indígena na luta pela promoção e direitos dos povos originários.

Guajajara parabenizou o presidente Lula pela coragem e ousadia de criar os dois ministérios, anunciou a recriação do Conselho de Política Indigenista e discursou sobre a importância da demarcação de terras dos povos indígenas, da relevância da resistência. Ela relembrou os séculos de violência e violações contra os povos indígenas e o uso da terra e destacou o fato de as posses dela e de Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, serem o “mais legítimo símbolo da resistência secular preta e indígena do Brasil”.

Foto: Eraldo Peres/AP

Anielle, irmã de Marielle Franco, é ministra da Igualdade Racial

Há dois meses de se completar 5 anos do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, Anielle Franco, irmã da vereadora, assume o cargo de ministra da Igualdade Racial. Em seu discurso, ela mencionou o seu luto, que se iniciou no dia 14 de março de 2018, data em que sua irmã foi brutalmente assassinada.

A ministra agradeceu a todas as pessoas que fizeram da “travessia do luto à luta”: “Desde o dia que tiraram a Marielle da minha vida e da sociedade brasileira, passamos a multiplicar o legado e a regar a semente da minha irmã com a criação do Instituto Marielle Franco”, disse.

O Sinpro vê a criação dos dois ministérios uma das grandes possibilidades de implantar, no País, novas e modernas políticas públicas que favorecem e fortalecem a justiça social. Quem também ganha com a criação dos dois ministérios é a Educação pública, que tem, dentre seus objetivos, a formação acadêmica para a cidadania. “A escola, certamente, será uma das maiores beneficiárias dos dois ministérios”, afirma Luciana Custódio, coordenadora da Secretaria de Finanças do Sinpro.

Márcia Gilda Moreira, coordenadora da Secretaria de Raça e Sexualidade do sindicato, diz que a recriação do Ministério da Igualdade Racial e a criação do Ministério dos Povos Indígenas marca uma nova página na história do nosso País. “Como disse a ministra Sônia Guajajara, ‘nunca mais o Brasil sem nós’. É exatamente isso. Assim, a recriação do Ministério da Igualdade Racial e a criação do Ministério dos Povos Indígenas traz novos marcadores sociais em que se reconhece a importância dos povos originários e do povo negro no nosso País. Isso sinaliza para o fato de que precisamos de estar em todos os lugares e também em todos os espaços, em especial, nos espaços de poder”, finaliza.

Foto: Eraldo Peres/AP

 

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Auditoria no MEC é importante para investigar o que aconteceu na pasta sob Bolsonaro, defende pesquisador da UFABC

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Foto: Luis Fortes/MEC

A decisão do Ministro da Educação (MEC), Camilo Santana, de pedir à Controladoria-Geral da União (CGU) uma auditoria completa na pasta sobre as políticas públicas executadas durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) é importante e necessária para organizar a casa e dar luz ao que aconteceu na gestão do ex-presidente.

A opinião é de Fernando Cássio, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), em entrevista, nesta quarta-feira (11), ao portal da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

“É importante isso porque o governo Bolsonaro transformou Ministério da Educação num balcão de negócios, veja o que aconteceu no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), em relação a construção de creches, de repasse de recursos para os municípios, de política de transportes escolares”, aponta Cássio.

Fernando, que também é pesquisador em políticas educacionais, afirma que os programas sem base e evidências na área da educação, o dinheiro que desapareceu e os contratos assinados precisam ser esclarecidos à população.

“O dinheiro foi totalmente desviado, o dinheiro sumiu da merenda escolar, pequenos programas de alfabetização sem base e sem evidências, programa de militarização de escolas, pequenas políticas feitas junto com outros ministérios. Tem um monte de coisa que aconteceu nesses últimos quatro anos do Ministério Educação e que precisa ser esclarecida”, defende.

 

Diagnóstico no MEC

Em sua decisão, Camilo argumenta que o trabalho de diagnóstico subsidiará a atual gestão de informações sobre “eventuais fragilidades na execução de ações da alçada do MEC”, a fim de que possa tomar as medidas necessárias para “mitigar as vulnerabilidades que, eventualmente, forem detectadas e propiciar a entrega de resultados à sociedade com a melhor eficiência e efetividade possíveis”.

No documento, enviado nesta segunda-feira (9/1) ao ministro da CGU, Vinícius de Carvalho, Santana pede a verificação das políticas públicas executadas pela pasta durante todo o governo Bolsonaro, assim como as contratações feitas.

“Coisas [na gestão de Bolsonaro] que eram feitas que sequer tinham registros, como apontou a equipe de transição, quer dizer, não tem outra alternativa senão de fato fazer uma auditoria. Então, essa é uma ação necessária para começar a fazer um trabalho”, diz o professor.

Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e coordenador do Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE), Heleno Araújo, o governo Bolsonaro deixou a educação num desastre completo, destruiu desde a creche até a pós-graduação, com bolsas de estudo a serem pagas, com as universidades e Instituto federais sem recursos para pagar as contas básicas.

“É importante destacar que nossa expectativa é a de que o governo Lula, junto com os outros partidos políticos e a sociedade em geral, possa garantir força política para revogação da Emenda 95, até porque nós precisamos recompor o FNE e fazer uma nova Conferência Nacional de Educação (CONAE), senão não teremos financiamento para garantir a execução do Plano Nacional de Educação. Será um trabalho árduo e nossa expectativa é que a gente tenha a condição de enfrentar esses desafios”, diz o dirigente.

 

Reivindicações e propostas da Educação

A CNTE defende a revogação do ensino médio, a Emenda Constitucional 95, a recomposição do orçamento do Ministério da Educação e a convocação da CONAE em 2023. O presidente da CNTE participou do Grupo de Trabalho (GT) de Transição do Governo Lula e ressaltou que o relatório final que eles apresentaram sobre educação fala sobre tudo isso e também aponta algumas saídas.

“Penso que o grande desafio para o governo Lula é trabalhar para revogar a Emenda Constitucional 95 de 2016, que reduziu ano a ano os recursos destinados à educação brasileira. É preciso retomar o financiamento da educação brasileira como foi no governo Lula de forma crescente. É preciso também retomar o processo de participação social e revogar a Portaria 577 do MEC para que possamos recompor o Fórum Nacional de Educação”, disse o dirigente.

Fonte: CNTE

Hoje é dia do Sinpro no cinema

Hoje, 12/01, é dia do Sinpro no cinema, no Liberty Mall. Toda quinta-feira, você, professor(a) e orientador(a) educacional,  paga 10 reais na entrada, com direito a um acompanhante que pagará também o mesmo valor. Para aproveitar o benefício, é preciso ser sindicalizado(a) e apresentar a carteirinha válida, em versão física ou digital. Esqueceu a carteirinha? Não tem problema. Você pode apresentar o último contracheque com o desconto da contribuição sindical.

 

Confira a programação:

 

Ato em defesa da democracia e contra o terrorismo, neste domingo (15)

Frente Brasil Popular, Frente Povo Sem Medo, CUT, Sinpro-DF e demais sindicatos filiados, além de outras organizações da sociedade civil realizarão mais uma ação em defesa da democracia e contra os atos terroristas de apoiadores de Jair Bolsonaro. A manifestação será neste domingo, dia 15, às 9h, no Eixão Sul (altura da 108).

Além de repudiar os atos terroristas, a manifestação deste domingo também protestará contra a leniência do governador do DF afastado, Ibaneis Rocha, e das forças de segurança do DF.

“Sem anistia. Queremos punição exemplar tanto de quem invadiu o Congresso, o Palácio do Planalto e o STF, como de que viabilizou essa invasão. A defesa da democracia deve ser permanente. É preciso fortalecer as ações da sociedade civil para barrar de uma vez por todas as ações criminosas daqueles que querem atacar as nossas instituições, o patrimônio público, a memória nacional”, afirma o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues.

Na última segunda-feira (9/01), organizações da sociedade civil e representantes de partidos políticos realizaram ato democrático em frente ao Palácio do Buriti, sede do Executivo distrital. A ação foi encaminhada em reunião realizada na manhã do mesmo dia, que teve como deliberação a mobilização permanente em defesa da democracia e contra o terrorismo.

Além das iniciativas populares, medidas institucionais também estão sendo tomadas. Os deputados distritais Chico Vigilante (PT) e Fábio Felix (Psol) anunciaram que a bancada de oposição da Câmara Legislativa do DF entrará com pedido de CPI para averiguar não só as ações terroristas e a omissão do Estado nesse domingo, mas também as realizadas no dia 12 de dezembro.

Por que é terrorismo?

O jurista brasileiro Marcelo Neves afirma que “o ato e domingo foi um ato de destruição das instituições fundamentais do Estado de direito”. “Por isso, se enquadra perfeitamente na Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito, que revogou e substituiu a Lei de Segurança Nacional”.

Ele informa que “pode haver penas altíssimas a essa prática, que está tipificada na lei como terrorismo”. “Nós temos a possibilidade de levar todos esses envolvidos à prisão. Não só aqueles que entraram e destruíram, mas também aqueles que, por omissão ou conivência, no poder político institucional brasileiro contribuíram para isso”, diz o jurista.

Marcelo Neves também afirma que Bolsonaro pode ser enquadrado. “Na medida em que vamos ter elementos que Bolsonaro estimulou e, junto com Anderson Torres, trabalhou para que ocorresse esse ato dessa maneira, Bolsonaro também poderá ser condenado por crime de terrorismo.”

 

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TV Sinpro debate “Um novo tempo para a América Latina” com Evo Morales

O TV Sinpro de hoje (11/01) apresenta o tema “Um novo tempo para a América Latina”. O programa foi gravado em 2 de janeiro, quando o ex-presidente boliviano e líder popular Evo Morales esteve no auditório do Sinpro debatendo a nova conjuntura latino-americana e a Unasul dos Povos – rede de movimentos sociais e sindicais da América do Sul.

No debate, Evo falou sobre a trajetória recente dos países sul-americanos, com a ascensão ao poder de representantes do povo – como ele mesmo, primeiro indígena a presidir a Bolívia, e Lula, primeiro trabalhador a assumir a presidência do Brasil -, a consequente nacionalização do patrimônio e dos recursos naturais e a articulação, pelas elites, de golpes de Estado.

Evo abordou o imperialismo estadunidense na região e a necessidade de fortalecer a articulação entre os movimentos de resistência. Por isso, a Unasul dos Povos cumpre papel muito importante.

Participaram da mesa de debate os professores Antônio Lisboa (CUT nacional, Conselho de Administração da OIT e vice-presidente da CSI – Confederação Sindical Internacional; Luciana Custódio (Sinpro) e Rodrigo Rodrigues (CUT-DF). Também compuseram a mesa representantes de movimentos sociais como MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e da CMP (Central dos Movimentos Populares), proponentes da atividade ao lado da CUT.

 

 

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Convenção 158: STF pode concluir julgamento sobre demissões injustificadas ainda neste semestre

A convenção 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) foi acordada na 68º Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Genebra em 1982, e proíbe as demissões injustificadas. São consideradas justificadas apenas aquelas baseadas na capacidade ou no comportamento do empregado; ou nas necessidades financeiras ou de funcionamento da empresa.

No Brasil, a aplicação da convenção está suspensa desde 1996, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso “denunciou” (no termo jurídico), via decreto nº 2.100/1996, a convenção, o que significa cancelar sua aplicação no Brasil. Entretanto, seguindo os trâmites legislativos adequados, o ex-presidente deveria ter submetido tal decisão ao Congresso Nacional. Em 1997, Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e CUT (Central Única dos Trabalhadores) entraram com uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra o decreto de FHC.

O julgamento da ADI começou em 2003, e sofreu diversas interrupções por pedidos de vista dos ministros. Ele foi novamente paralisado em 2022. Como um novo prazo regimental para pedidos de vista entrará em vigor a partir de 1º de fevereiro, é provável que o julgamento seja concluído até a metade deste ano.

O que está em jogo, portanto, é a admissão ou não da ADI. Admiti-la implica em declarar inconstitucional o citado decreto de FHC, e, consequentemente, aplicar a convenção 158 no Brasil – reivindicação história do movimento sindical brasileiro. A ação também pode ser acatada apenas parcialmente, que significaria o envio do decreto para apreciação do Congresso Nacional – com prazo a definir. Por outro lado, a rejeição da ADI significa rejeitar, também, a aplicação da 158.

Para Antônio Lisboa, secretário de Relações Internacionais da CUT, membro do Conselho de Administração da OIT e vice-presidente da CSI (Confederação Sindical Internacional), a convenção 158 já foi ratificada e deve ser cumprida. “Nossa expectativa é de que o STF declare o decreto inconstitucional, porque ele de fato o é, e que possamos finalmente ter no Brasil a aplicação dessa convenção tão importante para a proteção dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirma Lisboa.

Além de Gilmar Mendes, falta votarem os ministros Kassio Nunes e André Mendonça. Por enquanto, a maioria do Supremo aponta para a admissão total ou parcial da ADI.

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Controle da Poluição por Agrotóxicos: governo novo traz esperança

O Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos é celebrado nesta quarta-feira (11), para conscientizar sobre os riscos para a saúde e o meio-ambiente quando há o uso indiscriminado de substâncias como agroquímicos, pesticidas e praguicidas. Foi instituído no Decreto Federal de 11 de janeiro de 1990, primeira regulamentação da Lei dos Agrotóxicos.

 

Atrazina e mais mil e oitocentos

Mil oitocentos e um. Esse número é o total de substâncias agrotóxicas aprovadas para uso em lavouras brasileiras durante o governo Bolsonaro. São 1.801 formas diferentes de intoxicação e poluição introduzidas no país entre janeiro de 2019 e junho de 2022. A reportagem da Agência Pública que apurou essa informação traz uma lista de produtos com nome de remédio, como a ametrina, banida na União Europeia há 20 anos, por estar associada ao câncer de próstata e de ovários; a hexazinona, também banida há 20 anos na Europa; o  glufosinato (sal de amônio) , proibido na Europa por estar associado à desregulação endócrina, alterações genéticas e danos ao fígado. E também um produto que é praticamente o resumo do governo Bolsonaro: a atrazina. Esse produto, usado no cultivo de abacaxi, cana-de-açúcar, milho, seringueira, sisal, soja e sorgo, está banido da União Europeia desde 2004, mas aqui foi o quarto agrotóxico mais comercializado em 2020.

 

Se chama veneno é porque mata

Segundo outra reportagem da Agência Pública, durante o último governo governo de Jair Bolsonaro 14.549 pessoas foram intoxicadas por agrotóxicos no Brasil: “Levantamento inédito feito pela Agência Pública e Repórter Brasil, com dados de 2019 a março de 2022 do sistema de notificações do Ministério da Saúde, mostra que essas intoxicações levaram a 439 mortes — o que equivale a um óbito a cada três dias. Nesse período, o Brasil bateu o recorde de aprovações de pesticidas, com mais de 1.800 novos registros, metade deles já proibidos na Europa. O governo de Bolsonaro também foi marcado pelo avanço na tramitação do Projeto de Lei 1459/2022, apelidado de “Pacote do Veneno”, que pode facilitar ainda mais a aprovação dessas substâncias.”

A pesquisa da Agência Pública aponta ainda que homens negros são as principais vítimas de agrotóxicos. As circunstâncias que mais levaram às intoxicações foram tentativas de suicídio [com ingestão dos venenos], com cerca de 5 mil casos, seguidas por acidentes, uso habitual dos pesticidas e contaminações ambientais, por exemplo, quando o químico é dispersado pelo ar. As intoxicações aconteceram principalmente nas lavouras de soja, fumo e milho. 

Os dados também mostram que os estados da região Sul concentraram proporcionalmente a maioria das notificações, considerando o número de habitantes. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul registraram 4,2 mil intoxicações.

Mas o raiar do Ano Novo e de um novo governo no horizonte do Brasil trouxe um alento: a política nacional para uso de agrotóxicos será amplamente reavaliada nos próximos meses, após a desregulamentação do veneno promovida nos últimos quatro anos, segundo informações do ministro do desenvolvimento agrário, Paulo Teixeira, que disse ainda que a atuação será em conjunto entre MDA e Ministério da Agricultura.

Neste 11 de janeiro, há esperança no combate à poluição de agrotóxicos no país.

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Linguagem neutra é adotada em eventos do governo Lula

O governo Lula adotou a linguagem neutra em seus eventos. Um levantamento do jornal O Globo dá conta de que o uso do termo “todes” foi observado em pelo menos seis cerimônias de posse de novos ministros e ministras. Os cerimonialistas de eventos têm utilizado a expressão “todes” juntamente com os demais pronomes todos e todas.

Quem assistiu à posse do ministro dos Direitos Humanos, Sílvio Almeida, percebeu que a linguagem neutra foi usada o tempo todo durante o evento. A linguagem neutra, ou seja, o uso do pronome “todes”, foi usada nas posses de vários ministros(as/es), tais como da Fazenda, Direitos Humanos e Cidadania, Cultura, Mulher e das secretarias Geral da Presidência e de Relações Institucionais da Presidência da República.

Trata-se de um processo de inclusão que o governo Lula se propõe a instituir e naturalizar, definitivamente, no País. Estudos sobre gestão organizacional têm revelado que a adoção da linguagem neutra permite às empresas, organizações e entidades cumprirem com sua função social e de inclusão.

Os movimentos LGBTQIA+ afirmam que a linguagem neutra ou não binária é uma ferramenta para incluir pessoas de uma mesma sociedade que interagem entre si. Mais do que isso, a linguagem neutra é uma velha reivindicação dos grupos historicamente segregados da sociedade e alijados da norma gramatical do País.

O uso do “todes”, por exemplo, pode ser considerado um passo inicial para a instituição da linguagem neutra no País, uma mudança profunda e radical nas relações humanas. A adoção da linguagem neutra é uma atitude tão profunda que é um tema de muito debate dentro e fora da comunidade LGBTQIA+.

“O Sinpro procura usar essa linguagem nas produções jornalísticas. Entendemos que o uso dela é fundamental e fazemos isso nos nossos discursos em Assembleias, reuniões, textos etc. A linguagem neutra é fundamental na inclusão de pessoas que não se identificam com os gêneros feminino e masculino, quer seja no campo da identidade quer seja no da expressão de gênero quer seja pessoas agênero ou não bináries”, afirma Letícia Montandon, coordenadora de Imprensa do Sinpro-DF.

Ela acredita que as escolas deveriam discutir e se aprofundar para conhecer melhor a importância da utilização do termo. A mudança na linguagem partiu das comunidades LGBTQIA+ e das Pessoas com Deficiência (PCD). Nessas comunidades, há debates sobre acessibilidade que passam pela discussão de gênero. No caso das PCDs, por exemplo, a reivindicação é pela inclusão da linguagem de neutra nos programas de audiotranscrição.

Letícia explica que há estudos, sobretudo no campo da linguística, que comprovam o poder da linguagem na inclusão e na exclusão social. Segundo ela, o preconceito linguístico é decorrente de uma linguagem excludente e isso justifica a necessidade de o setor da educação discutir a diversidade linguística e seu impacto social. E, a partir daí, construir e adotar uma nova política de linguagem nas escolas com o intuito de tornar o Brasil mais plural. “A linguagem neutra tem essa função e é um tema que precisa ser discutido e compreendido como uma necessidade social”, afirma.

Linguagem não binária vai além e propõe mudanças no idioma

Márcia Gilda Moreira, coordenadora da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro, explica que a adoção da linguagem neutra pelo governo Lula é natural porque é um governo que representa toda a sociedade brasileira. “Em seu discurso, no dia da vitória, ele disse que ia governar para todos e não para alguns. E quando a gente diz ‘todo o povo brasileiro’ estamos falando de todas as minorias. E como costumamos dizer: inclui as maiorias que foram minorizadas por essa sociedade hipócrita, que é a sociedade brasileira. Nesse sentido, ele adotou também o termo da linguagem neutra ‘todes’ que é para incluir também a comunidade LGBTQIA+”, afirma.

A linguagem neutra pode parecer um grão de areia no oceano. Mas é nela que reside uma das grandes ações de resistência à exclusão. “É aqui que reside a grande resistência: como construir uma nova base da sociedade brasileira se esta foi fundamentada e estruturada sobre o racismo e o patriarcado. Estamos numa sociedade que reconhece como modelo padrão de família aquela formada apenas por uma mulher e um homem. A partir disso, a gente encontra todo tipo de resistência contra a adoção de um termo neutro no nosso idioma, não só na escola, mas também no nosso cotidiano, em todos os espaços”, pondera a diretora.

Márcia diz ainda que a adoção da linguagem neutra é a prática de uma nova reconfiguração da sociedade brasileira. “Seria uma nova reconfiguração para esta sociedade patriarcal aceitar a linguagem neutra seria aceitar as diversas composições familiares. Daí reside essa resistência e a criminalização da pauta de gênero no Brasil”, afirma.

A diferença entre linguagem neutra e linguagem inclusiva

A diretora do Sinpro explica que há uma diferença entre linguagem neutra não binária e linguagem inclusiva. “A linguagem inclusiva é aquela que não altera o idioma. Quando alguém discursa e vai falar, por exemplo, ‘bom dia a todos e todas’, ela faz uma linguagem inclusiva, mas não altera o nosso idioma. Já a linguagem neutra ou não binária tem essa proposta também de incluir pessoas, mas traz também a proposta de alterar o idioma”

A linguagem neutra ou não binária teve incialmente a proposta de usar o X no lugar das vogais A e O em substantivo, porém, pela dificuldade de pronúncia e leitura, a proposta foi a substituição pelas vogais E e U. No caso dos pronomes, o uso atual são: ‘elu’, ‘delu’, ‘ile’ e ‘dile’”.

O site Terra também lembra que o poeta brasileiro Olavo Bilac (1865-1918) afirmou que a língua portuguesa é algo vivo. A fala é, até hoje, reproduzida por linguísta e aplicada para praticamente todas as línguas. Termos e expressões são somados ao vocabulário, assim como reformas gramaticais realizadas ao longo das décadas”.

Já o jornal O Globo lembra que, nos últimos 6 anos, os grupos fundamentalistas, neofascistas e conservadores atacaram diretamente a linguagem neutra por ser um dos símbolos dos debates de gênero e uma ferramenta de inclusão e diversidade. “A proibição da linguagem neutra nas escolas é tema de 58 Projetos de Lei (PL) propostos desde 2019 em 20 estados no Brasil”, diz o levantamento de O Globo.

O jornal também mostra que “apenas o projeto do Sargento Eyder Brasil (PL), de Rondônia, foi aprovado, em outubro de 2021, porém, foi derrubado quando a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que a legislação apresentava preconceitos e intolerâncias incompatíveis com a ordem democrática e os valores humanos”.

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Artigo de Rosilene Corrêa sobre atos terroristas repercute em portais

Artigo de Rosilene Corrêa, ex-diretora do Sinpro e atual Secretária de Finanças da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), aborda os dois grandes acontecimentos deste início de 2023, e o grande contraste entre eles: a festa da posse de Lula, dia 1º, e, uma semana depois, os atos terroristas promovidos por grupos golpistas. Tendo tomado lugar no mesmo palco, a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes, ambos os eventos expressaram concepções opostas de mundo.

“Em poucos dias de 2023, nosso país já viveu emoções de naturezas opostas. Dia 1º de janeiro, centenas de milhares de pessoas tomaram a Esplanada dos Ministérios e a Praça dos Três Poderes para celebrar a volta à presidência da República de um verdadeiro líder popular, um dos mais importantes da história do mundo. Sete dias depois, o cenário que foi de festa se tornou uma guerra onde havia apenas um combatente, um lado só”, diz o texto.

O artigo foi publicado em grandes portais, como GGN, Revista Fórum, Brasil Popular e Brasília Capital. Você pode acessar a íntegra do texto na área de artigos do site do Sinpro, clicando AQUI.

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Sociedade civil responde terrorismo com ato democrático; ações continuam

Integrantes do movimento negro, feministas, juventude organizada, sindicalistas, indígenas, várias outras representações da sociedade civil, além de integrantes de partidos políticos realizaram ato em frente ao Palácio do Buriti, nesta segunda-feira (9/01). A manifestação responde às ações terroristas realizadas por apoiadores de Jair Bolsonaro e repudia a leniência do governador do DF afastado, Ibaneis Rocha, e das forças de segurança do DF.

“Para nós da educação, é fundamental o direito de ensinar e o direito de aprender. E isso só é possível na democracia. E é exatamente nessa perspectiva de defesa da democracia que estamos aqui, representando o conjunto da nossa categoria. O que aconteceu domingo é altamente inaceitável, porque destrói não só os bens materiais, mas ataca à história do povo brasileiro. Entendemos que a educação se torna melhor no regime democrático. Quanto mais democracia, mais qualidade de educação”, disse o dirigente do Sinpro-DF Cléber Soares.

>> Leia também: SINPRO REPUDIA ATAQUE À DEMOCRACIA E TENTATIVA DE GOLPE DOS CRIMINOSOS BOLSONARISTAS

O presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, afirma que a manifestação tem como um dos pilares o pedido de impeachment do governador do DF afastado, Ibaneis Rocha. Segundo ele “a ausência de responsabilidade, a omissão política e a incapacidade de governar de Ibaneis Rocha justifica isso”.

Nesta segunda, representantes do PT e do Psol no DF afirmaram que ingressarão com pedido de destituição de Ibaneis Rocha. PV protocolou o pedido nesta manhã.

A diretora da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) Rosilene Corrêa lembrou que o cenário estabelecido exige a consolidação da unidade popular. “Vamos precisar de muito apoio popular para que o governo possa caminhar e fazer o que precisa ser feito. Essa organização popular é, mais que nunca, urgente”, disse. Ela ainda informou que, devido ao fechamento de vias do DF e a preservação da segurança dos manifestantes, o ato nacional indicado para esta quarta-feira (11/01) será remarcado. “Nossas ações continuam. Não vamos nos calar. Mas agiremos da forma mais segura para o povo”, esclareceu.

 

No Congresso Nacional, partidos contrários ao arranque terrorista ligado à Bolsonaro também se movimentam. “Estamos fazendo uma série de manifestações para que não haja nenhum fiapo de impunidade. É preciso agir com muito rigor. O que aconteceu é extremamente grave. O que vimos foi a tentativa de ocupar as instituições brasileiras, na perspectiva de desrespeitar o resultado das eleições. São inúmeros crimes: contra a democracia, contra o Estado Democrático de Direito, contra o patrimônio público. O sentimento que há é de apurar todas as infrações e crimes para que todos sejam punidos”, disse a deputada federal Érika Kokay (PT). Segundo ela, a bancada progressista do Congresso Nacional articula a construção de uma CPI para investigação dos atos antidemocráticos.

Por que é terrorismo?

O jurista brasileiro Marcelo Neves afirma que “o ato e domingo foi um ato de destruição das instituições fundamentais do Estado de direito”. “Por isso, se enquadra perfeitamente na Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito, que revogou e substituiu a Lei de Segurança Nacional”.

Ele informa que “pode haver penas altíssimas a essa prática, que está tipificada na lei como terrorismo”. “Nós temos a possibilidade de levar todos esses envolvidos à prisão. Não só aqueles que entraram e destruíram, mas também aqueles que, por omissão ou conivência, no poder político institucional brasileiro contribuíram para isso”, diz o jurista.

Marcelo Neves também afirma que Bolsonaro pode ser enquadrado. “Na medida em que vamos ter elementos que Bolsonaro estimulou e, junto com Anderson Torres, trabalhou para que ocorresse esse ato dessa maneira, Bolsonaro também poderá ser condenado por crime de terrorismo”, afirma.

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