Escola Parque Anísio Teixeira encerra semestre com festival e auditório lotado

 

Trinta dias de imersão total nas artes e cultura com casa lotada em todos os dias. Foi assim o fim do semestre na Escola Parque Anísio Teixeira (EPAT) de Ceilândia. Entre 1º de novembro e 3 de dezembro, estudantes e professores(as) apresentaram ao público do Distrito Federal o resultado das oficinas de artes plásticas, dança, música e teatro, que integram o Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola.

A escola faz jus ao nome de Anísio Teixeira, no fim deste semestre, manteve o auditório lotado com espectadores interessados em prestigiar as apresentações artísticas do Festival da Escola Parque Anísio Teixeira (FEPAT). Esse festival é a culminância dos projetos pedagógicos das artes desenvolvidas na escola. Este é o oitavo ano em que a escola apresenta atividades artísticas como resultado dessa ação pedagógica.

Para os professores(as), o sucesso se deve à dedicação da comunidade escolar: professores(as), estudantes e servidores(as). A prova do sucesso está patenteada no encerramento deste semestre: auditório cheio em todas as apresentações. Todas as apresentações ocorrem dentro da escola, que tem todos espaços e instrumentos necessários para o desenvolvimento e as apresentações finais das artes e dos esportes.

Importante destacar que o ano letivo da EPAT é diferente porque é semestral. Assim, em junho/julho, a escola finaliza um PPP; e, em novembro/dezembro, outro. Por isso o Festival da Escola Parque Anísio Teixeira (FEPAT) é o encerramento do PPP do segundo semestre. O festival, segundo informações da escola, é uma atividade que ocorre desde 2015 como projeto pedagógico de encerramento do semestre.

 

Festival da Escola Parque Anísio Teixeira (FEPAT)

 

O FEPAT é a culminância do projeto pedagógico das oficinas de artes. Ocorre durante um mês inteiro porque dedica uma semana para cada modalidade de oficina: Mostra de Teatro, Semana da Música, Exposição de Artes e Festival de Dança. O evento de dança finaliza o processo e ele ocorre em apenas um dia. “Toda a produção é feita durante o semestre. As culminâncias ocorrem no último mês do semestre e isso se repete desde 2015. A escola foi inaugurada em 2014”, explica a professora e coordenadora de artes, Melissa Naves.

 

Teatro e Exposição de Arte

 

 

A novidade da edição do FEPAT 2022 é que os resultados revelam uma sequência de melhorias na qualidade dos trabalhos ano após ano. Na avaliação do público e da comunidade escolar, os projetos e suas culminâncias estão cada vez mais bem produzidos. Este ano, os eventos começaram nos dias 16, 17 e 18 de novembro, com o EPAT em Cena – apresentações das peças de teatro — e com a Exposição de Artes Plásticas — aberta ao público na Galeria de Arte da escola.

A Exposição de Artes Plásticas fica montada durante um mês. Ou seja, no decurso de 30 dias, quando ocorrem todos os eventos finais, a exposição fica fixa na galeria da escola. A EPAT se tornou o espaço essencial de revelação de artistas e desportistas brasilienses. Em menos de uma década de atuação, já acumula um histórico de estudantes que saíram de lá direto para universidades a fim de cursarem artes plásticas, teatro, música ou dança e também para os esportes.

A oficina de teatro realiza três eventos no semestre: Festa Junina – uma festa totalmente diferente da tradicional porque é totalmente artística, com apresentações de teatro, música, dança, artes. Outro evento é a Mostra de Teatro. Ambos, fazem parte da culminância do PPP do primeiro semestre. No segundo semestre, o teatro realiza o EPAT em Cena, que faz parte do FEPAT.

“São três dias de mostra. A gente tem os(as) estudantes em turno contrário à escola regular por dois ou três dias da semana, segunda e quarta;  terça e quinta; ou na somente na sexta-feira. A gente atende separadamente”, informa Melissa.

 

Dança e música

O encerramento ocorreu no dia 3 de dezembro com a apresentação de dança. O evento também lotou o ginásio da escola. “A gente conseguiu colocar dentro do nosso ginásio mais de 1.500 pessoas no dia da apresentação da dança”, conta Mel, como é carinhosamente chamada pela comunidade escolar.

 

Na música, todos os professores da área  se envolvem no Festival de Música. Cada dia da semana tem uma ou duas apresentações. As fotos apresentadas nesta matéria são apenas do Canto Coral, mas, no Instagram da atividade, há imagens das apresentações de violino, teclado, guitarra, dentre outros. Cada dia da semana há pelo menos uma apresentação de uma das oficinas.

 

EPATalento

A escola tem um projeto denominado EPATalento. Nesse projeto, professores(as) escolhem um(a) estudante que tenha uma produção  grande e faz uma exposição somente desse(a) estudante. A última foi a exposição de Geovanna Rodrigues (encarte). “Ela expôs aqui na escola e os trabalhos dela são maravilhosos. É estudante do Ensino Médio da rede pública do DF. Talentosíssima. Aqui, eles e elas passam o semestre inteiro produzindo e, no fim, é feita a exposição”, explica a professora.

 

 

Peças autorais

Segundo Melissa, o festival produz muitas peças autorais. “É muito bacana, geralmente, são peças autorais que os(as) próprios(as) professores(as) criam juntamente com os(as) estudantes. Trata-se de uma criação coletiva. Nesta última mostra, a gente a apresentou trabalhos autorais na Semana da Consciência Negra. A peça autoral intitulada “O pequeno manual antirracista” foi baseada na obra da escritora Djamila Ribeiro. O sucesso foi tão grande que tivemos de apresentá-la em duas sessões e, nas duas vezes, o nosso auditório lotou. Foi uma apresentação linda”, atesta a professora.

 

 

Resultado pedagógico e fábrica de talentos

O resultado desse trabalho é que muitos estudantes descobrem sua aptidão, sua profissão e o caminho que irá seguir na idade adulta. Muitos já saíram da EPAT direto para o Instituto de Artes (IdA) ou para o Departamento de Música da Universidade de Brasília (UnB) ou, ainda, para a Escola de Música de Brasília (EMB) e para outras universidades País afora. Muitos descobriram seus talentos e, outros, consolidaram sua identidade com a música ou com outro tipo de arte oferecido na EPAT. Nos esportes ocorre o mesmo.

É o caso da oficina de teatro: vários(as) estudantes que passaram pela EPAT estão, hoje, cursando artes cênicas na UnB, na Universidade Federal de Goiás (UFG). Muitos(as) estão também cursando dança no Instituto Federal de Brasília (IFB).

 

Todos os espetáculos e apresentações estão registrados nas redes digitais da EPAT e podem ser conferidos no Instagram EPAT 2022 Oficial: @epatoficial2022. No Instagram, é possível ver vídeos e fotos.  Os resultados têm sido tão excelentes que, além de se revelar uma fábrica de talentos, têm aberto as portas da unidade para outras experiências artísticas. Daí que outro resultado positivo das atividades é que, a partir de 2023, a escola irá oferecer oficinas de audiovisual cuja culminância prevista será o Festival de Curtas.

 

Festival de Curtas

O Festival de Curtas é o novo projeto de grande porte que a EPAT vai oferecer a partir de 2023. O projeto conta com emendas do deputado distrital Fábio Félix (PSOL) para ser implantado no ano que vem. Vários projetos de outras escolas também foram contemplados com esse recurso financeiro. Segundo Mel, esse projeto fará também um diferencial porque terá interdisciplinaridade e parceria com o teatro, artes plásticas e tecnologia e cultura. O Festival de Curtas será a novidade próximo ano.

 

Temas e liberdade

Todo semestre a escola escolhe um tema para nortear os seus trabalhos, como, por exemplo, “Mulher”, “Corrupção”, “Diversidade”, “Superação”, dentre outros. “O deste semestre, que a gente acabou repetindo durante o ano todo, foi ‘Cultura’. O espetáculo de dança, por exemplo, teve o tema ‘Ícones da Música’. Assim, todo o trabalho, como as coreografias, é desenvolvido pelas professoras juntamente com os(as) estudantes. São quatro professoras de dança e, ao todo, 320 estudantes se apresentaram no Festival de Dança deste semestre “, diz Mel.

Ela assegura que os eventos da EPAT é resultado do trabalho coletivo desenvolvido no semestre com base em um tema que a equipe escolhe. A escola faz jus ao nome do educador Anísio Teixeira e, por meio das artes e dos esportes, a escola consegue construir conhecimento e cidadania com pensamento crítico, comprometimento e responsabilidade entre seus mais de 2 mil alunos. E inspirada no educador Paulo Freire, a escola realiza tudo dentro da “pedagogia da liberdade”.

“Tudo é de muita qualidade porque estudantes e professores(as) são muito comprometidos(as): estão aqui porque querem estar e porque gostam. Aqui, eles e elas desenvolvem o senso crítico,  a responsabilidade, o comprometimento. Vários relatos de estudantes, que podem ser acompanhados no Instagram, mostram que eles e elas foram totalmente modificados quando entraram na escola”, defende.

Ela conta que uma das principais características da EPAT é o fato de os(as) estudantes desenvolverem, com muita rapidez, o senso de responsabilidade e comprometimento com o que faz. “E isso eles levam para onde vão. Vários diretores e diretoras de várias escolas que atendem a estudantes da Escola Parque já relataram para a gente que, no atendimento aos(às) estudantes que frequentam a EPAT, percebem que eles(as) são diferenciados, que são mais compromissados.

O Instagram da escola é o local em que se tem uma boa noção do que acontece lá dentro. Há muitos relatos de estudantes sobre o que sentem quando estão na escola. E tudo é feito dentro da escola. “Nosso espaço é bem grande e tudo feito aqui dentro mesmo”, informa Mel.

 

Um pouco de história

 

 

A EPAT oferta cursos semestrais. No segundo semestre de 2022, iniciou seu período letivo com mais de 2.100 vagas preenchidas. A escola oferta disciplinas no formato de oficinas de Artes Plásticas, Basquete, Boxe, Muay Thai, Canto Coral, Fitness, Futsal, Dança, Ginástica Rítmica, Guitarra, Natação Jiu Jitsu, Teatro, Tecnologia e Cultura, Tênis de Quadra, Tênis de Mesa, Violão, Vôlei, Violino e Xadrez.

Há quatro grandes áreas de cobertura: Artes; Dança; Esportes; e Música. Todas essas áreas produzem eventos na escola. Na educação física, acontece o projeto JEEPAT – Jogos Escolares da Escola Parque Anísio Teixeira; o Circuito Aberto de Xadrez, que conta com a participação de estudantes de várias escolas; Festival de Ginástica Rítmica; a Copa EPAT. Há também outros eventos, como o Campeonato de Natação; o Folhas Secas (tênis de quadra), e de outras modalidades com tamanho menores. Todos são de grande importância.

Na parte artística, além da famosa e grande Festa Junina, há também uma Exposição de Artes, que também é itinerante. “A escola já expos no SESC de Ceilândia, na Regional de Ensino e na Administração Regional. São trabalhos dos(as) estudantes de Artes Plásticas que circulam por outros espaços”, informa a coordenadora de artes.

Nas Artes Cênicas, a escola apresenta os projetos Mostra de Teatro e o EPAT em Cena; e há ainda a produção de curtas, no campo do audiovisual/cinema, cuja produção foi iniciada por causa das necessidades acadêmico-pedagógicas que surgiram neste tempo de isolamento e distanciamento sociais por causa da pandemia da covid-19.

Na dança, além da Festa Junina, há o Festival de Dança, que ocorre no fim do ano. Na música, há dois projetos: os Recitais de Inverno, que constituem a finalização do PPP do primeiro semestre; e a Semana da Música, encerramento do PPP do segundo semestre e que ocorre durante o FEPAT.

Como a escola é semestral, em todo fim de semestre – junho e julho; novembro e dezembro – acontecem as culminâncias dos projetos. No meio do ano, os destaques são a Festa Junina e o JEEPAT e, no segundo semestre, a culminância ocorre no FEPAT –  com teatro, artes plásticas, música e dança – e a Copa EPAT, do setor de esportes da escola. Essas são as atividades mais fortes da instituição, além de torneios e campeonatos individuais de cada oficina.

A escola atende a estudantes do Ensino Fundamental – do 6º Ano – e do Ensino Médio de toda a rede pública de ensino do Distrito Federal. Melissa Naves diz ainda diz que qualquer estudante que queira se matricular pode chegar à secretaria da unidade e pleitear a vaga. Porém, a partir do próximo ano, a escola iniciará a implantação da rede integradora e atenderá a estudantes de algumas escolas da rede pública de Ceilândia. “Os estudantes de Taguatinga, infelizmente, ficarão de fora do novo projeto”, afirma.

“Há 8 anos esses eventos acontecem na escola, desde que ela foi inaugurada, em 2014. Eles têm crescido a cada ano pela qualidade do trabalho. Aqui na escola, a equipe de professores(as), orientadores(as) educacionais e gestores(as) tem de dar um trabalho de muita eficiência porque os(as) estudantes não são obrigados(as) a virem. Eles e elas fazem por amor, por prazer. Assim, quem vem e faz a matrícula permanece na escola por causa da alta qualidade do trabalho. Se o trabalho não for de excelência, os(as) estudantes acabam evadindo”, destaca a professora Mel.

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Cortes de bolsas afetam sobrevivência dos estudantes nas universidades públicas

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Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

 

A notícia do bloqueio de R$ 431 milhões e da suspensão de bolsas e auxílios, anunciados pelo Ministério da Educação (MEC), na semana passada, vai afetar a sobrevivência dos estudantes nas universidades públicas do país, principalmente os mais vulneráveis. Isso porque, na maioria das vezes, a única fonte de renda destes alunos é o auxílio do governo, pois eles vivem para fazer pesquisas e estudos científicos que beneficiam toda população.

Especialistas apontam que os caixas zerados das universidades, que estão sem dinheiro até para pagar contas de luz e água, e os cortes de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), deixam a educação pública em situação grave.

Para o professor em Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC (UFABC), Salomão Barros Ximenes, o não pagamento das bolsas terá um impacto sofrível, além de precarizar a ciência e a situação dos estudantes no ambiente universitário.

“O principal impacto mais diretamente sofrível e imediato é a possibilidade de não efetuar o pagamento das bolsas já programadas pela universidade, ou seja, dentro do orçamento da universidade ou pelas agências de fomento, como a Capes e a CNPq”, completa o professor, que também é doutor em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo – USP e mestre em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Ceará.

Estima-se que os cortes anunciados pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) atingem pelo menos 500 mil estudantes em extrema vulnerabilidade social que podem ficar sem receber bolsa auxílio.

Na Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, os cortes na Capes prejudicam 6 mil estudantes que estão sem pagamento. A reitoria da universidade autorizou um estudo para criar um pedido de socorro aos bolsistas.

Na Unicamp, por exemplo, esse contingenciamento atinge diretamente 2.540 bolsistas, 1.040 no mestrado e 1.500 do doutorado. Serão afetados os contemplados com bolsas de mestrado, doutorado, residência médica e as bolsas de doutorado-sanduíche no exterior (PDSE). 

A presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bruna Brelaz, afirma que as bolsas são uma fonte de renda para permanência dos estudantes nas universidades. “A bolsa não é um auxílio, é um salário para muitos estudantes, um investimento. A UNE, a UBES e a ANPG ingressaram no STF com um mandado de segurança para o desbloqueio, o que aconteceu na última sexta-feira”, revela.

O professor em políticas públicas da UFABC concorda que as bolsas, para os estudantes, são uma sobrevivência, e explica: “é como um trabalhador que recebe todo o mês o seu salário para sobreviver. Estamos falando de uma situação de remuneração dos estudantes bolsistas que dependem dessas bolsas para a sobrevivência. É como não pagar o salário de um trabalhador”, reafirma.

 

A esperança é o novo governo e a revogação de medida que limita investimentos

Durante os quatros anos do governo Bolsonaro, o MEC teve uma relação conturbada com universidades públicas e institutos federais. Os diversos cortes no ensino superior motivaram grandes manifestações contra o governo federal, em 2019, que ficou conhecida como “Tsunami da educação”.

Na ocasião, manifestantes ocuparam as ruas do país após anúncio de contingenciamento na área, que posteriormente acabou sendo revertido. “O maior risco da falta de pagamento de água e luz e a administração global desses recursos vem acontecendo desde 2015, de lá para cá, como já tem sido demonstrado pelos reitores o corte no orçamento de 2022, e na prévia do orçamento 2023. Já é insuficiente para manter os patamares mínimos de funcionamento destes serviços ao longo dos anos”, avalia o professor.

De acordo com a presidente da UNE, o orçamento das universidades está defasado desde 2014, e com isso, as crises nas instituições aumentaram nos últimos anos.
“Além do Teto de gastos, existem os cortes e perdas grandes com a inflação que aumentou muito nos últimos anos. Cada instituição tem sua realidade, mas o que tem acontecido é um sucateamento intermitente agravado nos últimos anos com a péssima condução do governo na área”, denuncia Bruna.

Para Salomão, a saída para esse quadro grave é a revogação da Emenda Constitucional 95, o teto de gastos, que limita os investimentos na educação pública brasileira. “A grande expectativa para essa saída é a revogação da Emenda 95, que está se propondo agora com a PEC da transição, ou seja, que possa romper essa amarra que na verdade é justificada para esse contingenciamento até o final do ano”, finaliza.

O caso já foi levado à equipe de transição do governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que estima em R $200 milhões o valor necessário para conseguir manter o pagamento de bolsas destinadas a estudantes pobres.

“Essa situação de irregularidades e incertezas no pagamento das bolsas gera uma situação de precariedade entre os estudantes e o funcionamento das universidades”, afirma o professor. A presidenta da UNE complementa: “Acreditamos que o novo governo está aberto ao diálogo com a sociedade, porque sinaliza que quer recuperar áreas essenciais como a educação e a saúde. Esse será um governo de reconstrução e acompanharemos de perto”.

Fonte: CNTE

Hoje é dia do Sinpro no cinema

Hoje, 15/12, é dia do Sinpro no cinema, no Liberty Mall. Toda quinta-feira, você, professor(a) e orientador(a) educacional,  paga 10 reais na entrada, com direito a um acompanhante que pagará também o mesmo valor. Para aproveitar o benefício, é preciso ser sindicalizado(a) e apresentar a carteirinha válida, em versão física ou digital. Esqueceu a carteirinha? Não tem problema. Você pode apresentar o último contracheque com o desconto da contribuição sindical.

 

Confira a programação:

CLDF aprova LOA 2023 com indicação de recursos para atualização remuneratória

A Câmara Legislativa votou a Lei Orçamentária Anual (LOA) nessa terça-feira (13). A lei aprovada contempla recursos para a revisão remuneratória dos servidores e servidoras do GDF.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias aprovada em junho já tinha indicado um investimento de R$ 395 milhões para a reestruturação da carreira do magistério público, após intensa mobilização do Sinpro – que incluiu a realização de um estudo com sugestões de emendas para fortalecer o PDE (Plano Distrital de Educação).

Foram aprovadas 53 emendas individuais à PLOA 2023 para a educação pública, somando R$ 115 milhões. 49 delas são relativas ao PDAF (Programa de Descentralização Financeira e Orçamentária), atendendo demanda apresentada pelo Sinpro.

Também ficou garantida na lei uma rubrica destinada à reestruturação das carreiras. Essa tem sido a principal reivindicação da categoria, desde o início da campanha salarial 2022, em março. Desde então, a última parcela do reajuste de 2012 finalmente foi paga, o valor referente ao auxílio-saúde foi incorporado ao vencimento e foi criado um grupo de trabalho paritário entre Sinpro e Secretaria de Educação para discutir e propor sobre reestruturação da carreira.

O GT vem se reunindo desde setembro, e a expectativa é que conclua seus trabalhos ainda no primeiro semestre de 2023. Com isso, o Sinpro espera ter como resultado uma proposta satisfatória de reajuste e de valorização da carreira do magistério.

“Os avanços que tivemos este ano são produto da nossa campanha salarial, e ela pode render ainda mais frutos na conclusão dos trabalhos do GT”, aponta a diretora do Sinpro Luciana Custódio. “O ano de 2023 já deve começar com luta, para que conquistemos as vitórias que pretendemos”, completa ela.

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Atenção para o expediente no Sinpro nesta sexta-feira (16/12)

A diretoria colegiada comunica a todos e todas que o expediente do Sinpro será diferenciado nesta sexta-feira (16/12). Haverá expediente normal no turno matutino até 12h.

 

A partir desse horário e durante todo o turno vespertino, todos(as) os(as) funcionários(as) da sede e subsedes estarão em reunião interna. Assim, sede e subsedes estarão fechadas durante o período vespertino.

 

O funcionamento do sindicato voltará ao normal a partir de segunda-feira (19/12).

Ponte agora é, definitivamente, Honestino Guimarães

A ponte que liga a QI 10 do Lago Sul à via L4 Sul não carrega mais o nome de um ditador. Na noite de terça-feira (13), a Câmara Legislativa derrubou o veto do governador Ibaneis Rocha e a ponte passou a se chamar Honestino Guimarães definitivamente.

Para o autor do projeto de lei 1.697/2021, deputado distrital Leandro Grass (PV), substituir o nome de Costa e Silva, segundo dos ditadores que presidiram o Brasil durante o regime militar, pelo de Honestino, que lutou pela democracia, é uma questão de justiça: “Com essa mudança, fizemos uma correção histórica e cumprimos a lei que impede que bens públicos levem nomes de pessoas que cometeram crimes contra a humanidade”, escreveu o deputado em suas redes.

O veto de Ibaneis foi derrubado por 17 votos favoráveis. Apenas quatro deputados distritais foram contrários: Hermeto (MDB), Iolando (MDB), Robério Negreiros (PSD) e Roosevelt Vilela (PL).

Em 2015, projeto do então deputado Ricardo Valle (PT) já tinha proposto essa mudança. O PL chegou a ser aprovado pela Câmara, mas foi declarado inconstitucional pelo Tribunal de Justiça por não ter contemplado a realização de audiência pública. Agora, com todos os trâmites adequadamente cumpridos, o veto de Ibaneis foi ideológico.

A derrubada do veto aconteceu exatamente no dia do 54º aniversário do AI-5 (Ato Institucional nº 5, editado por Costa e Silva, que inaugurou o período mais violento da ditadura).

Honestino Guimarães estudou no Elefante Branco, depois, Geologia na UnB. Foi presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (FEUB) e da UNE. Ele foi preso pela ditadura militar em outubro de 1973 e nunca mais foi visto. Sua família recebeu seu atestado de óbito somente em 1996, sem a causa da morte, e até hoje seu corpo nunca foi localizado.

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Sinpro realiza encontro com orientadores educacionais dia 16 de dezembro. Inscrições encerradas

Os(as) pedagogos-orientadores(as) educacionais sindicalizados(as) têm um importante compromisso no dia 16 de dezembro, às 9h, na Chácara do Sinpro. A data será um momento de comemorarmos o nosso dia e faz parte do calendário da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF), sendo uma conquista do Sinpro e da categoria.

 

Inscrições encerradas.

 

É preciso avançar

No dia 26 de janeiro de 2022 o Diário Oficial do DF publicou a Portaria nº 55, ampliando o número de orientadores(as) na rede. A alteração destinava um(a) orientador(a) para cada 680 estudantes (a portaria anterior estipulava um para cada 800 estudantes), mas nossa luta é para um profissional para cada 300 alunos(as).

O Sinpro vem denunciando a situação destes(as) educadores(as) há anos. No fim de 2021, por exemplo, um(a) único(a)  pedagogo(a)-orientador(a) educacional era responsável pelo atendimento de 800 estudantes. A modulação, prevista na Portaria nº 14, de janeiro de 2021, escancarou o cenário devastador para esse segmento, que não ofertava concurso público desde 2014.

O diretor do Sinpro Luciano Matos afirma que a demanda crescente por orientadores(as) não acompanha o aumento do número de estudantes da rede pública de ensino. “O último concurso para orientador educacional ocorreu em 2014, no governo Agnelo Queiroz (PT), após uma década de governos neoliberais que pressionaram pela implantação do Estado mínimo, privatização de direitos fundamentais e pela falta de realização de concurso. O que temos visto a cada dia é o adoecimento desses profissionais e a impossibilidade de avançar na qualidade do trabalho da orientação educacional”, denuncia.

O diretor do Sinpro Chicão também aponta a importância de que a gratificação de ensino especial seja ampliada, também, para os(as) orientadores(as) educacionais que trabalham com alunos(as) especiais e não fazem jus a esta gratificação, lembrando que esta é uma reivindicação histórica da nossa pauta de reivindicações. Por isto o diretor reforça a importância que cada orientador(a) educacional compareça à plenária do dia 03 de dezembro, às 8h30, na sede do Sinpro, que começará a debater a reestruturação da nossa carreira e os avanços necessários na pauta financeira e nas condições de trabalho.

 

Faltam profissionais na rede

Segundo dados da SEEDF, desde 2016 apenas 723 orientadores(as) educacionais foram nomeados(as), sendo a última convocação realizada em 2019. O concurso público de 2022, em andamento, foi suspenso, mas há um número de vagas insuficientes para o pleito (20 vagas imediatas e 80 cadastro reserva), números que não atendem nossa reivindicação, que é de 300 estudantes para um(a) orientador(a). Para isto, a nossa luta é pela aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que aguarda pela decisão do Governo do Distrito Federal.

A aprovação da LDO traz uma série de melhorias para a educação, exemplo da construção, ampliação e reforma das unidades escolares para fazer frente ao aumento da demanda por vagas em escolas públicas e à necessidade de adequação do espaço escolar aos novos tempos; aumento do número de cargos previstos para nomeação de orientador(a) educacional (1.000), em número suficiente para atender à demanda existente; e a previsão de reestruturação da Carreira Magistério Público do DF (autorização no Anexo IV da LDO) para permitir a recomposição da inflação e melhorias salariais efetivas para toda a categoria.

Diante disto, Chicão afirma que a presença de todos e todas é de fundamental importância para novos avanços. “Colocar um orientador para atender 600 estudantes é algo que impacta diretamente na qualidade de vida e na saúde desses profissionais. Nossa luta é que tenhamos 300 alunos para cada orientador, o que melhora a qualidade da educação de forma direta”, enfatiza.

Para participar do encontro dos(as) orientadores(as) no dia 16 de dezembro, faça já a sua inscrição clicando neste link.

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Do massacre à conivência: a força tática da polícia contra professores e terroristas

Outubro de 2015. Professores da rede pública de ensino do DF em greve fecharam por cerca de uma hora as saídas dos Eixos Sul e Norte. O protesto legítimo reivindicava o pagamento da última parcela do reajuste salarial conquistado em 2013. Na ação, câmeras de cinegrafistas profissionais e amadores flagraram a ação truculenta do Batalhão de Choque da PMDF.

Policiais cercaram um carro que participava da manifestação e retiraram o motorista, um professor, a força. O deitaram no chão com o rosto colado no asfalto e os braços pra trás. Algemaram-no.

Outro, antes de ser algemado, recebeu um golpe de estrangulamento conhecido como “mata-leão”, perigoso por causar a redução da circulação de sangue até o cérebro.

Muitos feridos pelas balas de borracha e os jatos de spray de pimenta disparados à queima roupa. A professora Meg Guimarães, ex-diretora do Sinpro-DF, foi filmada algemada, cercada de policiais, com o nariz escorrendo sangue. Ela teve lesão corporal atestada pelo Instituto Médico Legal, e, desde então, tem sofrido de transtornos de ansiedade e de estresse pós-traumático.

Aos meios de comunicação tradicionais, a PM disse que “o uso da força ocorreu após uma hora de negociação para a liberação da via”.

Há mais de 40 dias, apoiadores de Jair Bolsonaro acampam em frente ao Quartel General do Exército de Brasília. A ação é criminosa, já que incita as forças armadas contra a sociedade civil. Consequência do ato, a Esplanada dos Ministérios, uma das principais vias do DF, foi interditada sem previsão de reabertura, impondo o desvio de quem passa por ali de ônibus ou de carro, normalmente, para trabalhar ou estudar.

Os bolsonaristas acampados em Brasília fizeram da noite dessa segunda-feira (12/12) uma noite de terror. Eles tentaram invadir a sede da Polícia Federal, atearam fogo em carros de civis e em ônibus. Veículo estacionado em um posto de gasolina ficou em chamas, ameaçando a explosão do local que tem nas proximidades hotéis e um shopping. Durante os atos criminosos, foram espalhados botijões de gás de cozinha em vias do Setor Hoteleiro Norte.

Na transmissão ao vivo da ação terrorista, feita pela jornalista Juliana Castro, ouve-se de um dos apoiadores de Bolsonaro: “imagina amanhã, quando a gente voltar armado”.

Resultado: durante os atos criminosos, ninguém foi preso pelas forças de segurança do DF. A PMDF, convocada para conter as ações daqueles que dias atrás, em outro canto do Brasil, cantavam o hino nacional para um pneu de trator, utilizou força tática completamente distinta daquela empregada contra professores do DF em 2015.

O que motiva ou justifica as diferentes abordagens da polícia militar quando a ação se dá junto a professores das escolas públicas do DF, contra trabalhadores sem terra/sem teto, contra estudantes ou qualquer categoria da classe trabalhadora?

Professores expõem feridas causadas pelas balas de borracha disparadas pela PMDF, em ato realizado em 2015

 

No artigo científico “A Doutrina da Segurança Nacional de Contenção na Guerra Fria: fatores que contribuíram para a participação dos militares na política brasileira (1947-1969)”, Claudia Stephan afirma que “no Brasil, a introdução de uma ideologia de contenção do comunismo e da subversão, aliada ao histórico autoritário e intervencionista do Estado, culminou no estabelecimento de um Estado de Segurança Nacional, na institucionalização de princípios e práticas repressivas e na violação de direitos fundamentais de cidadãos brasileiros”.

Reportagem de dezembro de 2021 publicada pelo portal The Intercept mostra que uma tropa de elite do exército brasileiro encara movimentos sociais e políticos de esquerda como inimigos, e é treinada para combatê-los.

Os exemplos indicam que as forças policiais são fundamentadas em valores avessos às pautas que guiam movimentos sociais e sindicais, como o Sinpro-DF, como a valorização da classe trabalhadora, o questionamento das ordens, o exercício do pensamento crítico, o protagonismo popular.

“É uma forma de doutrinação – eles sim são doutrinados –, numa formação que remete aos tempos da Guerra Fria, onde o ‘fantasma do comunismo’ assombrava o mundo. Toda formação das Forças de Segurança são baseadas na Doutrina de Segurança Nacional, herdada dos EUA e das escolas de formação deste país”, avalia o presidente da CUT-DF (Central Única dos Trabalhadores do DF), Rodrigo Rodrigues.

Policiais durante ato terrorista de bolsonaristas, nessa segunda (12/12)

 

Segundo ele, os trabalhadores das forças de segurança, de forma geral, “não têm identificação com a classe trabalhadora”. “Há um preconceito institucional com os movimentos sociais organizados, representantes dos anseios sociais.”

Já para o Coronel da Reserva da PMDF Lima Filho, professor de Uso da Força da PMDF, o problema se dá pela estrutura do Estado, “que está tendendo para um lado”. “É um problema de estrutura federal, com articulações estaduais. Porque o governo federal é muito forte. Ele acaba induzindo, principalmente quando a base dele são as forças de segurança”, afirma.

Nesta terça-feira (13/12), o Movimento Policiais Antifascismo do DF e do Comitê de Policiais Civis Antifascismo pró Lula chegaram a lançar nota de repúdio aos atos criminosos realizados pelos bolsonaristas na zona central do DF. “É importante fazermos alguns questionamentos: por qual motivo não houve nenhuma prisão, quando flagrantes os atos criminosos? Por que até o momento não foram desativados os acampamentos que atentam contra a ordem constitucional? Ocorreria tal leniência por parte das autoridades policiais com manifestações legítimas de estudantes, trabalhadores e militantes de movimentos sociais?”, questiona o documento.

Para a diretora do Sinpro-DF Luciana Custódio não há uma única conclusão do porquê da diferença de abordagem das forças de segurança. Mas é possível identificar claramente o resultado disso na sociedade. “Supressão de direitos fundamentais, democracia aparente, tentativa de calar os setores progressistas e de conter a indignação do povo. Tudo isso se torna consequência de uma abordagem truculenta a um movimento legítimo, como foi o da categoria do magistério, em 2015. Paralelamente, quando não são tomadas atitudes de repressão necessárias para conter movimentos antidemocráticos, incentiva-se a destruição do Estado de direito; banaliza-se a barbaridade, caminha-se na direção inversa da democracia”, afirma.

Segundo a sindicalista, o estabelecimento da verdadeira ordem vem através da consolidação dos movimentos sociais e sindical. “Não podemos nos calar. Agora, mais que nunca, a consciência de classe deve nos guiar e a luta nos fortalecer. É dizer não ao fascismo, não ao retrocesso”, diz.

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A DEMOCRACIA PRECISA SER SEMEADA, CULTIVADA E CUIDADA. FAÇAMOS!

No artigo “A democracia precisa ser semeada, cultivada e cuidada. Façamos!”, a diretora do Sinpro-DF Luciana Custódio fala da importância da diplomação do presidente eleito Lula da Silva e avalia que a retomada da democracia continuará tendo que resistir aos ataques da extrema direita.

“O discurso emocionado do presidente eleito Lula da Silva durante sua diplomação resume o drama vivido por nós, brasileiros e brasileiras, assim como a coragem e a ousadia de resistir (…) Mas não nos enganemos. A vitória obtida nas urnas breca o avanço disparado da barbárie, mas não o corta pela raiz”, afirma a sindicalista no artigo.

O artigo foi publicado no portal do Brasil de Fato DF e no Jornal Brasil Popular. Leia a íntegra do artigo abaixo.

 

A democracia precisa ser semeada, cultivada e cuidada. Façamos!

Por Luciana Custódio*

Lula da Silva foi diplomado nesta segunda-feira (12/12), pelo Tribunal Superior Eleitoral, como o 36º presidente da República do Brasil. A solenidade reconheceu a lisura das eleições e a legitimidade da escolha de mais de 60 milhões de brasileiros e brasileiras. Mais que isso, a diplomação de Lula torna ainda mais próximo o início da reconstrução de um Brasil saqueado por forças que priorizaram interesses financeiros e ambições de poder, em detrimento da própria vida do povo.

A esperança está, mais que nunca, de volta. E é importante comemorarmos isso, ainda que os prejuízos e as crueldades somados nos últimos seis anos tenham gerado chagas sociais difíceis demais de serem curadas. Ao reconhecermos nossas vitórias, reconhecemos também as barbaridades que foram cometidas contra nós, para que elas jamais voltem a existir.

O clima é de festa. O discurso emocionado do presidente eleito Lula da Silva durante sua diplomação resume o drama vivido por nós, brasileiros e brasileiras, assim como a coragem e a ousadia de resistir. “Esse diploma não é do Lula presidente; é um diploma de uma parcela significava de um povo que reconquistou o direito de viver em democracia neste país”, disse o presidente eleito durante a diplomação. Mas não nos enganemos. A vitória obtida nas urnas breca o avanço disparado da barbárie, mas não o corta pela raiz.

A extrema direita que obteve lucros e privilégios durante os recentes anos que se passaram não desistirão facilmente. Ao contrário, a tendência é que afinem suas ações criminosas, reivindicando a elas caráter de normalidade legal.

O cenário não cabe apenas ao Brasil. O ataque à democracia e, consequentemente, à possibilidade de igualdade social, é internacional. Na América Latina, Chile, Argentina e Peru, por exemplo, comprovam isso. Seja pela exigência de uma Constituição escrita com o aval de ditadores, com a condenação de lideranças de esquerda ou com a destituição e prisão ilegal de presidentes legitimamente eleitos.

No Brasil, os ataques antidemocráticos ao Estado de direito e as ações criminosas que incitam as forças armadas contra sociedade civil seguem normalizadas. O formato tosco, próprio dos imbecis, maquia a perversidade de uma gente que mente, exclui e mata. No xadrez da política, estes estão na linha de frente. Na retaguarda, forças perversas e poderosas, que nunca tiveram medo ou vergonha de apoiar a deflagração de golpes.

Não se pode temer o futuro ou sequer desacreditá-lo. O medo sempre foi ferramenta de contenção social. Mas é preciso ter clareza do que está por vir, para que possamos ter estratégias capazes de derrotar os ataques.

A consciência de classe e o reconhecimento da legitimidade dos sindicatos de trabalhadores são imprescindíveis para que a democracia seja semeada, cultivada e cuidada, como orientou o presidente eleito Lula da Silva, na solenidade de diplomação. Façamos!

*Luciana Custódio é professora da rede pública de ensino do DF e diretora do Sinpro-DF

 

 

 

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Professora assassinada nessa segunda (12) é 16ª vítima de feminicídio no DF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) está à procura do auxiliar de cozinha Alexandre Marciano Ribeiro, 47 anos, acusado de matar a facadas a professora de língua portuguesa Rozane Costa Ribeiro, 49 anos. O crime ocorreu na madrugada dessa segunda-feira (12/12), no endereço da vítima, um condomínio situado à QN 21 do Riacho Fundo II. Ele executou a companheira na frente do filho dela de 12 anos.

As câmeras de segurança do condomínio em que a professora morava gravaram o momento em que o criminoso fugiu. Segundo dados da imprensa, o casal tinha um relacionamento recente e conturbado desde junho de 2022. Ele se mudou para a casa dela há cerca de 3 meses e planejavam se casar no ano que vem. Nesse domingo (11), ele chegou à casa da vítima por volta das 16h e deixou o endereço às 2h36 de segunda-feira (12/12) após o crime.

Um levantamento do Correio Braziliense indica que este é o 16º feminicídio ocorrido no Distrito Federal em 2022. Até setembro deste ano, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) havia contabilizado 12 feminicídios. Dentre esses 12 casos, cerca de 41% as vítimas (5) morreram por arma branca, 33% (4) por agressão física, 16% (2) por objeto contundente e 8% (1) por arma de fogo. A SSP-DF também informa que 64% das vítimas de feminicídio deste ano sofreram agressões anteriores. Apuração do site Metrópoles dá conta de que, por dia, quatro mulheres denunciam descumprimento de medidas protetivas.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022 dão conta de que, nos primeiros 5 meses de 2022, foram registradas 7.017 ocorrências relacionadas à Lei Maria da Penha no Distrito Federal. Deste total, 683 (10%) são de descumprimento de medida protetiva de urgência (MPU). Esse número, segundo matéria do Metrópoles, representa uma média de registros de 136 medidas protetivas descumpridas por mês. Ou seja, pelo menos quatro ocorrências deste tipo por dia.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022 revela que, entre 2020 e 2021, 2.695 mulheres foram mortas no Brasil pela condição de ser mulheres. Entre as vítimas de feminicídio, 62% eram negras e, 37,5%, brancas. Nas mortes violentas envolvendo o sexo feminino, 70,7% eram negras e 28,6% brancas.

Uma mulher foi morta a cada 7 horas em 2021

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública é um documento anual divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Uma matéria do Correio Braziliense dá conta de que, antes mesmo de sistematizar os dados totais de 2022, o FBSP já registrou um recorde de feminicídio no primeiro semestre deste ano no País. No mesmo documento, o fórum avalia que a situação pode piorar diante do crescimento ininterrupto da violência letal contra a mulher no período e da redução drástica, pelo governo Jair Bolsonaro (PL), dos recursos para investimento no enfrentamento à violência.

“O Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que 699 mulheres foram vítimas de feminicídio no primeiro semestre de 2022, média de quatro casos por dia. Este número é 3,2% maior que o total registrado no primeiro semestre de 2021, quando 677 mulheres foram mortas. Os dados indicam um crescimento contínuo de assassinatos de mulheres cometido em razão do gênero desde 2019”, diz o jornal.

Ainda segundo o CB, em 2021, a PCDF registrou 17.549 ocorrências relacionadas à Maria da Penha e, dessas, 1.690 foram dessa natureza. Em 2020 e 2019, os números foram menores. Segundo dados do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), a Corte concedeu, até maio deste ano, 5.216 medidas protetivas de urgência, total ou parcialmente. No ano passado, foram 11.082 MPUs. Em 2020, 9.004. O crescimento dos números assusta.

Em junho deste ano, quando a edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2021 foi lançado, as pesquisadoras Juliana Martins, Amanda Lagreca e Samira Bueno, do FBSP, declararam ao jornal Valor que, nos últimos 2 anos, 2.695 mulheres foram mortas pela condição de serem mulheres.“Os dados indicam que uma mulher é vítima de feminicídio  a cada 7 horas, o que significa dizer que ao menos três mulheres morrem por dia no Brasil por serem mulheres”.

O Anuário indica também que o 190 recebeu uma ligação por minuto em 2021 com denúncias desse tipo.O Painel Interativo Feminicídio, da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), informou, recentemente, que até outubro de 2022, a capital do País havia registrado 15 feminicídios confirmados e dois sob análise. De todas as ocorrências do DF, 10 aconteceram dentro de residência, sete com uso de arma branca e 5 por agressão física.

O problema é de todos

O CB também entrevistou a professora do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), Haydée Caruso, e, segundo ela, a violência cotidiana virou um fenômeno social em que as vítimas morrem pelo simples fato de serem mulheres. “Vivemos em uma sociedade patriarcal que pode tirar a vida de mulheres porque nos enxergam como propriedade deles”, diz. Para ela, o combate ao feminicídio exige a participação de toda a sociedade, com investimento desde a educação básica. “É um dos assuntos mais urgentes para darmos uma virada educacional com novos padrões de relação social”, complementa.

A professora é associada sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e defende em um diálogo aberto com a população do DF sobre as relações de gênero, que, atualmente, são um lugar de homens que enxergam corpos como descartáveis. “Esse assunto precisa ser debatido nas famílias, nas igrejas, nas escolas, desde a educação básica, porque qualquer professora ou professor da educação básica lida com relatos de violência doméstica todos os dias, pois os alunos reportam essas situações”, finaliza a especialista.

21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher

Em artigo intitulado “Judiciário pela eliminação da violência contra a mulher”,  publicado no jornal O Globo, desta terça-feira (13/12), a ministra Rosa Weber, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), afirma que, entre janeiro de 2020 e maio de 2022, o Brasil registrou mais de 572 mil medidas protetivas de urgência e reforça a importância da adesão do Brasil ao movimento intitulado 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher.

A ministra lembra que a adesão do País ao movimento, na primeira década deste século, ampliou para 21 dias a duração das ações de conscientização, antecipando-lhe o início para 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.”A data foi priorizada em face da dupla discriminação que sofrem as mulheres negras em nosso país, vítimas em maior percentual da violência”, escreve a presidente do STF. Confira aqui o artigo: https://oglobo.globo.com/opiniao/artigos/coluna/2022/12/judiciario-pela-eliminacao-da-violencia-contra-a-mulher.ghtml

Mônica Caldeira, coordenadora da Secretaria para Assuntos de Mulheres Educadoras do Sinpro-DF, lembra que a campanha surgiu após o brutal assassinato de três irmãs, ativistas políticas, em 1960. “Esse crime inspirou a mobilização mundial pela prevenção e eliminação de todas as formas de violência contra a mulher”, diz a diretora. Em 25/11/1960, as irmãs Mirabal — Pátria, Minerva e Maria Teresa — foram mortas na República Dominicana após violências e torturas de toda ordem. Lutavam contra um regime ditatorial e se tornaram símbolos da força feminina e da resistência democrática.

“Esse triste episódio mobilizou a ONU [Organização das Nações Unidas], a instituir o dia 25 de novembro como data da conscientização da comunidade internacional sobre a necessidade de ação efetiva contra a violência de gênero. Esse conteúdo tem de ser desenvolvido nas escolas para, a partir daí, construirmos uma sociedade livre de violência. A Secretaria de Mulheres do Sinpro pode subsidiar as escolas com materiais, palestras e outros conteúdos nesse sentido”, afirma a diretora do Sinpro.

Em 1991, 31 anos após o assassinato das irmãs Mirabal, foi criada a campanha anual intitulada 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres, tendo como data simbólica inicial o dia 25 de novembro e, final, o dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

O Sinpro é uma das entidades signatárias do 21 Dias de Ativismo e afirma que o caso da professora Rozane é mais um de violência diretamente relacionado com o tipo de gestão pública adotada pelos governos que não investe em campanhas e muito menos no combate a esse tipo de crime.

Para não esquecer: feminicídios no DF em 2022

3 de outubro

O corpo de uma mulher, identificada como Vanessa Lopes, 31, foi encontrado em 3 de outubro, com perfurações de faca no corpo, próximo à estação de metrô da QNN 7, em Ceilândia Norte. De acordo com a polícia, o crime ocorreu no dia anterior, entre 19h30 e 20h30. Quatro dias depois do atentado, a Polícia Civil identificou Douglas D’Aguiar de Sousa, ex-namorado de Vanessa, como suspeito. Ela deixou dois filhos, frutos de outro relacionamento.

 

17 de setembro

Um crime brutal chocou moradores do Itapoã na tarde de 17 de setembro. A brigadista Patrícia Silva Vieira Rufino, 40, foi morta pelo companheiro com golpes repetidos na cabeça. Segundo relatos de testemunhas, o homem de 44 anos bateu a cabeça de Patrícia contra uma pia na residência, que morreu na hora. Os filhos do casal, que estavam na casa, presenciaram o momento do crime. O autor ainda tentou fugir, mas foi impedido por populares e preso em flagrante pela Polícia Militar do DF (PMDF).

 

 

10 de agosto

Luciana Gomes da Costa, 35, foi encontrada morta na manhã de 10 de agosto, dentro do apartamento em que vivia há cerca de um ano, na quadra 700 do Sol Nascente. Após investigações da Polícia Civil, o companheiro dela confessou ter matado a namorada com quem se relacionava há pouco mais de três meses. A vítima era mãe de quatro filhos, com idades de 13, 10 e gêmeos de 2 anos e nove meses.

 

29 de junho

A designer de unhas Priscila Teixeira, 33, foi encontrada morta a facadas, na manhã de 29 de junho, na cozinha da casa onde morava com o namorado, Gusttavo Britto, 22, em Taguatinga. De acordo com os vizinhos, as brigas entre o casal eram constantes. O corpo dela foi achado pela mãe da vítima, que tentou falar com Priscila no dia anterior, mas encontrou a casa fechada. Em 29 de junho, por volta das 9h, ela voltou ao local e pediu que moradores da rua ajudassem a abrir o portão do imóvel.

 

18 de maio

Marina Katriny, 30, foi encontrada morta e com o corpo parcialmente carbonizado . Quatro dias depois, Wallace Eduardo, 34, namorado da vítima, foi preso. Ele confessou que matou Marina e detalhou o crime. O acusado também acertou Marina com uma pedra. Os dois tinham um relacionamento de cinco meses, bastante conturbado, de acordo com a PCDF. Na delegacia, o autor alegou que era humilhado pela namorada e, no dia do crime, após ingerirem bebida alcoólica e usarem cocaína, eles discutiram.

 

Como pedir ajuda

Polícia Civil

Telefones: 197 (Opção 0) e 61 986-261-197 (WhatsApp)

E-mail: denuncia197@pcdf.df.gov.br

Site: pcdf.df.gov.br/servicos/delegacia-eletronica

 

Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam)

Telefones: 61 3207-6172/6195 (Asa Sul) e 61 3207-7391/7408/7438 (Ceilândia)

 

Central de Atendimento à Mulher — 180

Disque Direitos Humanos — 100

Polícia Militar — 190

 

Centros Especializados de Atendimento à Mulher (Ceams)

Ceam Ceilândia — 61 3371-0256 / 61 991-173-406

Ceam Estação 102 Sul do Metrô — 61 3224-0943 / 61 991-836-454

Ceam Planaltina — 61 3388-4656 / 61 992-026-376

Ceam Setor de Diversões Norte (SDN) — 61 3341-1840

 

Núcleos de Atendimento à Família e aos Autores de Violência Doméstica (Nafavds)

Endereços e telefones: mulher.df.gov.br/nafavds

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