CNTE: Especialistas defendem movimentação popular para revogar novo ensino médio

Leia matéria da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) sobre o futuro do Novo Ensino Médio a partir do novo governo Lula que se inicia em 1º de janeiro. “É uma contradição enorme que precisa ser corrigida, e a correção que nós temos no momento é a revogação e vamos lutar por isso”, afirma o presidente da CNTE, Heleno Araújo.

 

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Especialistas defendem movimentação popular para revogar novo ensino médio

A revogação do Novo Ensino Médio dependerá da movimentação popular da educação e do movimento sindical. Essa é a opinião de especialistas ouvidos pela CNTE sobre as expectativas do novo governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Tido como um dos piores retrocessos da história da educação do Brasil, a reforma do Ensino Médio foi aprovada pelo então presidente golpista, Michel Temer (MDB) e, a partir de janeiro deste ano, e gradualmente até 2024, começou a ser aplicada em todo o país. Na prática, esse “Novo Ensino Médio” traz aos alunos formações precárias com cursos de curta duração e aulas por vídeo conferência.

De acordo com Fernando Cássio, doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), não há nenhuma possibilidade de revogação do novo ensino médio se não houver uma movimentação do campo progressista.

Ele cita, por exemplo, que foi a mobilização popular que garantiu nomes de dirigentes sindicais e nomes do campo educacional na equipe de transição. “Vale para reforma do ensino médio o que valeu para a equipe de transição, se não fosse a movimentação do campo sindical, do campo educacional e dos movimentos sociais, o equilíbrio de forças perderia muito mais para a direita empresarial. Não vejo nenhuma possibilidade de revogação, se o nosso campo não estiver mobilizado”, pontua Fernando.

Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo, a pauta de todas as entidades e movimentos sociais é a revogação da reforma do Ensino Médio. Na avaliação de Heleno, os profissionais da escola e os/as professores/as são os mais prejudicados pela reforma, inclusive, pontua ele, os conteúdos colocados no processo de formação são distorcidos.

Ele reafirma que a única solução é revogar, e não aperfeiçoar. “É uma contradição enorme que precisa ser corrigida, e a correção que nós temos no momento é a revogação e vamos lutar por isso. Até os estudantes sofrem com essa lei porque muitos foram retirados da escola”, afirma o dirigente, que completa: “Sabemos que o terceiro setor fala em aperfeiçoar esta lei, mas nós não aceitamos aperfeiçoar nada. É revogar, discutir e refazer aquilo que é necessário para o ensino médio brasileiro”, pontua.

Fernando Cássio explica que a composição do grupo de trabalho da transição é fruto de uma luta que os movimentos sociais, sindical e do campo da educação desenvolveram, portanto, afirma ele, o movimento progressista tem que ser contra a agenda educacional das elites que é prosseguir com a política de Temer no ensino. “O campo educacional e a esquerda precisam se fazer presente no governo, que foi eleito uma frente ampla, mas o grosso dos votos que o elegeu foram das pessoas que querem de volta seus direitos, que é o campo popular”, lembra o professor.

“A reforma, que prometeu fazer uma revolução, na prática significa que você vai diminuir o conteúdo da escola dos alunos mais pobres, então a implantação da reforma é um atraso”, finaliza Cássio.

Aumento da desigualdade

Para Fernando, a reforma é uma política de reforma de currículo. Segundo ele, a medida promete fazer uma série de promessas para os estudantes, porém, ela não está acompanhada por uma série de políticas que criariam as condições materiais para realizar essas promessas”, afirma o professor.

“Não inclui, por exemplo, a valorização profissional, carreira, condições do trabalho do professor, infraestrutura escolar, a permanência de estudantes mais pobres, então na prática essa reforma pode produzir o aumento da desigualdade entre estudantes mais ricos e mais pobres”, conclui Cássio.

Membros da transição defendem revogar

Heleno, que está no grupo de trabalho de transição do novo governo Lula que trata o tema educação representando o Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE), explica que os trabalhos começaram e que há um desmonte completo na educação brasileira gerado pelo governo de Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, a revogação do novo ensino médio já está sendo discutida.

“Recebemos um relatório de diagnóstico e o que temos é que o governo Bolsonaro é uma desgraça e provocou uma destruição na educação, nas creches e em tudo aquilo que acontece nos municípios. Outros membros do grupo já indicaram também ser contrários ao projeto, instituído durante a gestão Temer, e a única correção que temos no momento é a revogação”, destaca o dirigente.

Expediente do Sinpro será reduzido nesta quinta-feira (24/11)

Em virtude do jogo de estreia da seleção brasileira de futebol masculino na Copa do Mundo de 2022, a diretoria colegiada do Sinpro informa que o expediente na sede e nas subsedes do sindicato se encerrará às 12h nesta quinta-feira, 24 de novembro de 2022.

Voltamos às atividades regularmente na sexta-feira, dia 25.

Panfletaço pelo Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres

O Sinpro-DF convida a todos e todas para o panfletaço pelo Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres, celebrado no dia 25 de novembro. A atividade, realizada em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), será na plataforma inferior Rodoviária do Plano Piloto, ao lado do BRT, a partir das 16h30 e está prevista para terminar às 19h.

 

“O panfletaço é uma ação educativa de diálogo com a sociedade civil, homens e mulheres, para a conscientização sobre os riscos que passam mulheres, meninas, idosas numa sociedade machista, sexista e misógina nas escolas e no mundo do trabalho”, explica Mônica Caldeira, coordenadora da Secretaria de Mulheres do Sinpro-DF.

 

A diretora observa que “a categoria tem o coletivo de Mulheres Educadoras e, enquanto educadoras, as professoras são o elo desse diálogo social para a eliminação da violência contra as mulheres”. Por isso, é importante a participação na atividade do dia 25/11, e, sobretudo, na prática cotidiana voltada para a conscientização acerca do combate à violência contra as mulheres, tanto na escola como na família, nos grupos sociais etc.

 

O Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres faz parte das atividades do evento mundial intitulado 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. “O Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher é uma pauta mundial de várias entidades, como o Sinpro-DF e a CUT, bem como a Organização das Nações Unidas (ONU). O Brasil inicia os dias de ativismo no dia da consciência negra a fim de incluir a luta por uma sociedade antirracista como também um direito às mulheres”, afirma Mônica.

 

Thaísa Magalhães, secretária de Mulheres da CUT-DF, também convida a categoria para participar a ação. Para ela, “embora de todas as violências cotidianas que as mulheres vivenciam na nossa sociedade, a violência doméstica talvez tenha sido a mais combatida pelo Estado nos últimos 20 anos, ainda assim muitas mulheres não sabem o significado da palavra feminicídio, ou os direitos que possuem em caso de sofrerem essa violência. O caminho para a mudança na sociedade ainda é longo”, finaliza.

 

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22 de novembro: Brasília comemora o dia da Consciência Ambiental

Aprovado em 2021 na Câmara Legislativa de Brasília (CLDF), o Projeto de Lei 1.506/20, de autoria do deputado distrital e ex-candidato do PV ao governo do Distrito Federal Leandro Grass, criou o dia da Consciência Ambiental, a ser celebrado no dia 22 de novembro.

A ideia do projeto, segundo o próprio Grass, é levar à população a uma reflexão sobre a situação em que o planeta se encontra: “A consciência ambiental é indispensável para que se crie e tornem-se hábito de nossa população, a consciência da preservação e a prática de atos e comportamentos em favor de um meio ambiente equilibrado”, justifica.

O estímulo ao desenvolvimento da consciência ambiental é o tema da agenda 2023: “Educar para um mundo socialmente sustentável”.

A argumentação é que educadores e educadoras são peça-chave na formação do mundo sustentável de maneira social, ambiental e econômica: os debates em sala de aula são essenciais para contribuir na formação do pensamento crítico. “O tema da sustentabilidade ambiental não pode ser dissociado dos demais processos econômicos e sociais da vida”, afirma o texto de abertura da Agenda Sinpro 2023.

 

Sustentabilidade nas escolas

A agenda do Sinpro de 2023 ainda traz como proposta que educadores e educadoras desenvolvam nas escolas projetos que trabalhem o tema da sustentabilidade de forma crítica, facilitando o caminho para que estudantes cheguem à conclusão de que “um mundo sustentável em todas as suas esferas é um mundo mais justo e cheio de esperança”.

Os projetos de sustentabilidade socioambiental se tornarão matéria da Revista Xapuri, especializada em meio ambiente e distribuída em todo o Brasil. Para participar, basta enviar o projeto da escola para o email imprensa@sinprodf.org.br, especificando nome da unidade escolar e telefone para contato. Mais informações pelo telefone 3343-4229.

Projeto Taguatinga Plural: Educação Antirracista na Prática

A importância da representatividade, da diversidade e da luta contra a discriminação racial está no dia a dia do pedagógico das escolas da rede pública de ensino do Distrito Federal e tem nome: Taguatinga Plural: Educação Antirracista na Prática, projeto coordenado pela professora Elna Dias. Durante o ano, onze escolas estão realizando um projeto que tem como objetivo subsidiar o planejamento e a execução de projetos pedagógicos e ações educativas nas unidades escolares (educação infantil, ensino fundamental e médio) vinculadas à Coordenação Regional de Ensino de Taguatinga, que reconheçam o papel da educação na superação do racismo.

Utilizando como base legal o Artigo 26-A da LDB, a proposição possui como eixos o reconhecimento do racismo como ideologia e prática amparadas em aspectos sociais, culturais, históricos, científicos e religiosos; fortalecimento da diversidade e representatividade negra e indígena nos muros e painéis escolares; desenvolvimento das competências socioemocionais previstas na BNCC para subsidiar o trabalho de práticas antirracistas; reconhecimento e valorização da contribuição da população negra na formação sócio-histórica e desenvolvimento da RA Taguatinga; reconhecimento e valorização da diversidade dos grupos sociais presentes no ambiente escola; aquisição de percentual significativo de livros de literatura com a temática, bem como os de autoria de escritores negros(as).

As atividades do projeto são construídas coletivamente em reuniões entre os(as) professores(as) das escolas que aderiram à iniciativa. Há eixos norteadores para o debate, mas cada unidade escolar pode sugerir ações e projetos para serem desenvolvidos em cada região. “Não estamos fazendo uma ação isolada sobre o Dia da Consciência Negra. São várias atividades integradas que debatem a educação antirracista com textos, pinturas em tela, contação de histórias, palestras, incentivo à prática da capoeira no Centro de Iniciação Desportiva (CID), entre outras”, destaca Murilo Marconi, coordenador da CRE de Taguatinga.

No Centro de Educação Fundamental 10 é desenvolvido o sub-projeto Os Cincos Sentidos da Cultura Afro-Indigena Brasileira, desenvolvido pelas professoras Lucilene e Manuela. Para subsidiar os trabalhos, o comitê técnico do projeto, formado pelas professoras Elna Dias, Aldenora Macedo e pelo professor Adeir Ferreira elaborou o e-book Taguatinga Plural: Educação Antirracista na Prática. O material apresenta as mais engajadoras e criativas práticas pedagógicas antirracistas desenvolvidas na CRET, assim como uma discussão dos aspectos constituintes de uma educação antirracista. No Instagram do projeto (@projetotaguatingaplural) está sendo publicizada a série Equidade Racial apresentada por professores/pesquisadores do tema e colaboradores do Projeto.

 

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Morre Hebe de Bonafini: orgulho da Argentina e da América Latina

Nas estranhas coincidências da vida, o 20 de novembro, terá um novo significado histórico a partir deste ano. Será a data de falecimento de Hebe de Bonafini. Ela faleceu nesse domingo (20/11), aos 93 anos, na mesma data em que o Brasil reviveu os 327 anos do assassinato da liderança quilombola Zumbi dos Palmares com o Dia da Consciência Negra e, a Argentina, comemorou os 177 anos da histórica batalha da “Vuelta de Obligado”, que se tornou o Dia Nacional da Soberania.

Presidente da Associação das Mães da Praça de Maio, Bonafini teve sua morte confirmada por sua filha Alejandra Bonafini. Segundo informações da imprensa argentina, a liderança sofria de complicações derivadas de doenças crônicas, que, nas últimas semanas, se agravaram. Ela foi internada no dia 10/10 e, após alta no dia 13/10, passou três dias internada no Hospital Italiano da cidade de La Plata para exames médicos. Realizava exames médicos quando os médicos decidiram interná-la, no sábado (12). Suas cinzas descansarão na Praça de Maio, a pedido dela mesma.

Após sua morte, lideranças sociais e políticas de todo o mundo lamentaram a morte da presidente da Associação das Mães da Praça de Maio. Graças a sua coragem e dignidade, muitas mães e avós resistiram ao terrorismo de Estado, instalado na Argentina por meio de um golpe de militar e que perdurou entre os anos de 1976 e 1983.

O Sinpro-DF compartilha com todos e todas o seu profundo pesar pelo falecimento da ativista, figura emblemática da luta por direitos humanos e contra o fascismo na Argentina e no mundo. Bonafini era uma das principais lideranças e presidente da Associação das Mães da Praça de Maio – movimento de mães e avós que tiveram seus filhos(as) e netos(as) e outros parentes assassinados pelo ditadura militar da Argentina. Ela era dona de casa que passou anos à procura de seus dois filhos e uma nora assassinados pelo terrorismo de Estado do seu país.

Além de símbolo de resistência à ditadura, Bonafini construiu um caminho de memória, verdade e justiça e se tornou um ícone universal de luta por direitos humanos. Para a diretoria colegiada do Sinpro, ela estará para sempre nos corações do povo argentino e no de todos e todas, em qualquer lugar do mundo, que lutam por direitos humanos, democracia e justiça social, assim como acontece com Zumbi de Palmares, que está no coração do povo brasileiro.

 

Mães da Praça de Maio

As Mães da Praça de Maio foi o primeiro grande grupo a se organizar contra as violações de direitos humanos durante as ditaduras militares que implantaram o terrorismo de Estado em toda América Latina entre os anos 1960 e 1990. No Brasil, esse terrorismo também assassinou estudantes, professores, sindicalistas, lideranças sociais e políticas, povos originários e qualquer pessoa que enfrentasse e questionasse o regime ditatorial.

Após a morte de Bonafini, o governo argentino decretou três dias de luto em homenagem a ela, a sua memória e a sua luta, “que estará sempre presente como guia nos momentos difíceis”, informa a nota do governo nacional. O presidente Alberto Fernández, informou pelo Twitter da Casa Rosada, que ele “se despede com profunda dor e respeito de Hebe de Bonafini, Mãe da Praça de Maio e incansável lutadora pelos direitos humanos”. A  vice-presidente, Cristina Fernández de Kirchner, escreveu nas redes sociais: “Deus os chamou no Dia da Soberania Nacional… não deveria ser uma coincidência. Simplesmente obrigado e até sempre”.

No Brasil, o atual presidente da República ignorou a morte da ativista, mas o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, escreveu em suas redes sociais um pouco do seu sentimento e da representatividade da ativista argentina em sua vida. “Recebi com tristeza a notícia da morte de Hebe de Bonafini, liderança das Mães da Plaza de Mayo, na Argentina. Hebe dedicou sua vida à luta por memória e justiça. Defensora dos direitos humanos, ajudou a criar um dos mais importantes movimentos democráticos da América Latina”, disse o presidente eleito.

Numa sequência de mensagens pelo Twitter, a ex-presidente Dilma Rousseff disse que o mundo perdeu “um exemplo de dignidade” e lembrou a luta de Hebe contra a ditadura argentina e como se tornou símbolo da luta pelos Direitos Humanos. “Hebe viverá como exemplo de mulher e personificação da coragem. Orgulho da Argentina e de toda a América Latina”, afirmou a ex-presidenta Dilma. Hebe de Bonafini se tornou símbolo da luta dos Direitos Humanos e um orgulho para América Latina

 

Hebe María Pastor de Bonafini

A história política de Hebe María Pastor de Bonafini começa quando as Forças Armadas argentinas sequestraram e assassinaram seus dois filhos e uma nora. Ela foi uma das fundadoras da Associação Mães da Praça de Maio, em 1977, dois anos após o golpe militar que pôs em prática a mais feroz ditadura militar e o mais repressivo regime de exceção contra dissidentes e quem quer que fosse que discordasse do terrorismo Estado daqueles anos de chumbo.

Ela foi presidente da organização de 1979 até sua morte. Primeiramente, ela lutou para descobrir o paradeiro de dois de seus filhos e da nora desaparecidos. Daí começou a luta pelo julgamento e punição dos militares assassinos, antes de se envolver em outras causas políticas e sociais.

Ela nasceu em 1928, na cidade de Ensenada, Província de Buenos Aires. Aos 18 anos, casou-se com Humberto Alfredo Bonafini, com quem teve três filhos: Jorge, Raúl e Alejandra. Dona de casa, com ensino fundamental incompleto, todos a conheciam como Kika Pastor até que as Forças Armadas argentinas sequestraram seu filho mais velho, em fevereiro de 1977, e, a partir desse momento, “meu filho sumiu, virei Hebe de Bonafini, é isso que sou agora, uma mãe”, disse ela em uma de suas últimas entrevistas.

Seus filhos eram militantes de partidos políticos de esquerda e lutaram contra a ditadura militar. No fim de 1977, Raúl desapareceu. Como outras mães, Bonafini abandonou a rotina do lar e foi procurar os filhos.

Festa na Savana na EC 203 de Santa Maria

A Escola Classe 203 de Santa Maria recebeu, no último dia 03 de setembro, a peça teatral baseada no livro Festa na Savana, do escritor e contador de histórias João Vieira. A partir dos animais que vivem na savana, a peça e o livro falam da importância do respeito à diversidade.

Segundo o autor João Vieira, idealizador do projeto, tudo começou com um poema que se tornou uma música que se tornou uma história. Dez anos depois, com apoio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), ele está visitando escolas do Gama e de Santa Maria, apresentando seu trabalho diretamente para os estudantes da rede pública.

“A Secretaria de Educação poderia investir mais em ações como essa, para alcançar mais escolas”, observa o diretor do Sinpro-DF Hamilton Caiana. A diretora da EC 203, Simone Campos, concorda: “Foi um momento de descontração e de incentivo à leitura para as crianças, no qual elas tiveram a oportunidade de conviver pessoalmente com o autor”, afirma ela.

Assista o vídeo produzido pelo Sinpro-DF sobre a atividade na EC 203!

Campanha “Gestão Democrática: Eu Apoio” continua em todo o DF

A campanha Gestão Democrática: Eu Apoio, organizada pelo Sinpro-DF, está nas ruas do Distrito Federal! Outdoors e front-lights espalhados por todas as regiões administrativas reafirmam a importância de a comunidade escolar participar ativamente do processo de eleição de equipes gestoras e conselhos escolares. O objetivo da campanha é envolver a categoria e toda a comunidade escolar na defesa da gestão democrática.

A iniciativa também favorece o diálogo com a população em geral sobre o processo de gestão democrática nas escolas do DF, e a importância dele para a garantia de uma educação pública de qualidade. A lei 4751/12, da gestão democrática, é resultado de muitas lutas e debates dos diversos segmentos que compõem as comunidades escolares.

Segundo a lei, após alteração recente, o governo deveria realizar neste mês de novembro o processo de escolha de novos gestores e gestoras e conselhos escolares, mas, por falta de organização do GDF, o processo deve ser protelado para o próximo ano. A participação de profissionais do magistério e assistência escolar, de estudantes, mães, pais e responsáveis é fundamental para a manutenção da gestão democrática e para construir a escola que queremos, atendendo bem a todos e todas.

Justiça suspende novas adesões ao programa de escolas cívico-militares no RS

Leia matéria da CUT-RS publicada no portal da CUT nacional sobre a vitória conquistada pelo CPERS (Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul): a suspensão de novas adesões ao Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (Pecim) nas escolas públicas do RS.

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Justiça suspende novas adesões ao programa de escolas cívico-militares no RS

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul publicou nesta quarta-feira (16) uma decisão que pode pôr fim à cultura do medo nas escolas gaúchas. O agravo de instrumento, interposto pelo Centro dos Professores do Estado (CPERS Sindicato), determina a suspensão de novas adesões ao Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (Pecim), no âmbito das escolas públicas do RS.

O Sindicato e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) demonstram há anos a sua completa contrariedade ao Programa, principalmente pela questão pedagógica.

Com a decisão judicial, interposta pelo 39º Núcleo do CPERS (Porto Alegre – Sul), o Pecim – que institui a presença de oficiais da reserva ou brigadianos [policiais militares] reformados nas instituições -, não poderá mais ser estabelecido no RS.

Vale ressaltar que casos de agressão, racismo, assédio sexual e assédio moral são rotinas em escolas que já implantaram o programa.

Segundo o desembargador Ricardo Pippi Schmidt, que assina o despacho, o decreto do presidente Jair Bolsonaro (PL) que criou o Programa em setembro de 2019 fere o princípio da gestão democrática do ensino garantido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e a Lei Estadual 10.576/95, que preveem a autonomia na gestão administrativa escolar.

A legislação vigente estabelece que o exercício da administração do estabelecimento de ensino cabe à equipe diretiva, integrada pelo Diretor, Vice e Coordenador Pedagógico, em consonância com o Conselho Escolar.

Até março deste ano, conforme o Ministério da Educação (MEC), o RS era o estado com maior número de adesões às escolas cívico-militares. No total, se somam 14 instituições, seis delas estaduais.

Para além dessas, o MEC previa implantar o modelo em mais escolas de Bagé, Canela, Porto Alegre, Quaraí, Rosário do Sul, São Borja, São Gabriel e São Leopoldo. O objetivo era o de estruturar 216 escolas cívico-militares em todo o país, até 2023, quadro que deve se alterar com a eleição do novo governo federal.

Confira aqui o despacho completo

Devido à nova conjuntura política vivida no país, após a vitória de um programa democrático e popular, aliada à decisão judicial, é possível vislumbrar um cenário educacional e pedagógico livre do autoritarismo e do obscurantismo, que se impôs no último período.

O CPERS segue na luta contra este modelo por acreditar que trocar o giz pelo coturno é um desrespeito com a categoria e uma ameaça às crianças e adolescentes. Essa é uma vitória da gestão democrática, que garantirá o futuro de uma educação efetivamente pública, laica e de qualidade social para todos e todas.

20 de novembro | Igualdade, resistência e respeito

Em 20 de novembro de 1695, Zumbi dos Palmares foi emboscado, torturado e morto. Sua cabeça e mãos foram decepadas e seu corpo exposto em praça pública. Protagonista de uma história de luta e resistência, Zumbi lutava pelo o que infelizmente ainda não conquistamos hoje. A data de sua morte é um marco de um povo que sempre lutou e luta pela igualdade.

Dandara dos Palmares, esposa de Zumbi e mãe de seus três filhos, teve papel fundamental na construção e no comando do quilombo dos Palmares, símbolo da resistência contra o regime escravagista brasileiro. Impulsionada pela dor, sentida em sua própria pele, Dandara liderou negros e negras à resistência. Mulher preta e guerreira, ela vive em todas as pessoas que lutam pela liberdade.

Hoje é dia de relembrar a história do povo preto e questionar a herança escravagista e o racismo impregnado na sociedade brasileira. A filósofa afroamericana Angela Davis nos traz uma reflexão importante “Numa sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista”. Ser antirracista é fundamental.

Segundo Márcia Gilda, ativista e coordenadora da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro, a luta antirracista é uma luta de todos e todas negras e não negros. “Uma sociedade livre do racismo é aquela que formula e emprega políticas públicas de reparação e inclusão da população negra em todos os espaços da sociedade, inclusive nos espaços de poder. Isso pressupõe um princípio básico da Democracia”. Afirma Gilda.

                                                                  (Ilustração de Dandara dos Palmares)

Realidade

Em 2019, os negros representavam 77% das vítimas de homicídios no Brasil, com uma taxa de 29,2 por 100 mil habitantes. Entre os não-negros, a taxa foi de 11,2 para cada 100 mil, o que significa que o risco de um preto ou preta ser assassinado é 2,6 vezes superior ao de uma pessoa branca. Os dados são do Atlas da Violência 2021.

Apesar de negros e negras serem maioria nas universidades públicas (50,3%), os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que ocupam apenas 30% dos cargos de liderança no país. Pessoas pretas recebem, em média, 8% a menos do que profissionais brancos exercendo as mesmas funções de liderança. Essa é a realidade de um país dominado pelo racismo estrutural.

A desigualdade racial se perpetua nos indicadores sociais da violência ao longo dos anos. Uma realidade dura, e sentida todos os dias pelos milhares de pretos e pretas que vivem em nosso país. Mesmo depois de 134 anos desde a abolição da escravatura, não foram criadas condições para que a população negra fosse inserida com dignidade e respeito na sociedade. Pelo contrário, o que se vê é o aumento do racismo “velado” e enraizado nas estruturas sociais, econômicas e políticas do país.

O racismo está aprofundado em nossa cultura, escolas, Justiça, universidades, no governo e nas ruas. É tão arraigado que, muitas vezes, nem nos damos conta de como as políticas e instituições favorecem desproporcionalmente alguns em prejuízo de outros. Por isso, “não ser racista” não é suficiente para eliminar e combater a discriminação racial. Não basta simplesmente afirmar “Eu não sou racista!”, mas assumir a luta contra um sistema cruel às pessoas de cor. Ser antirracista é a escolha consciente de tomar um lado, defender uma posição e se envolver em ações que apoiem e contribuam ​​à igualdade e a liberdade de todos e todas.

 

Lançamento – Caderno  É preciso ser antirracista

Em homenagem ao Dia da Consciência Negra, a Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro-DF lançará no dia 29  de novembro o caderno É preciso ser antirracista. O lançamento do material será às 19h, no auditório Paulo Freire na Sede do Sinpro-DF, localizada no SIG.

O caderno foi produzido como apoio às práticas pedagógicas de enfrentamento e combate ao racismo na escola, e traz informações importantes e diversas sugestões para se trabalharem essas temáticas dentro das salas de aula, nas diversas disciplinas.

O evento terá a participação dos três autores – professores Adeir Ferreira Alves, Aldenora Conceição de Macedo e Elna Dias Cardoso- e da coordenadora da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro-DF, Márcia Gilda.

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