Plantio de 500 mudas do cerrado no dia da Consciência Ambiental

Em comemoração ao dia da Consciência Ambiental, que será celebrado pela segunda vez em Brasília, o Presidente do instituto Ecos do Cerrado e do projeto simplesmente Plántar, Edmi Moreira, realiza o plantio de mudas do cerrado no parque Ecológico Veredinda, em Brazlândia, no dia 22 de novembro, terça-feira, a partir das 9:30.

O Dia da Consciência Ambiental foi instituído em Brasília pelo PL 1506/2020, de autoria do deputado distrital Leandro Grass, por sugestão de Edmi Moreira.

Para celebrar a data, haverá um sarau cultural, com apresentação de um músico do cerrado; um varal cultural, com fotos e camisetas com projetos ambientais, pendurados em pregadores; e o plantio de 500 mudas do bioma Cerrado.

O CEF 02 de Brazlândia já confirmou participação no evento, assim como o lar de idosos Santa Isabel, cujos moradores ajudaram no plantio de árvores em outros anos.

E, no dia 25, quem doar sangue no Hemocentro ganhará uma muda.

Ex-aluno do CEM 02 de Ceilândia representa o Brasil no Mundial Universitário de Xadrez

O TV Sinpro do dia 23 de novembro mostra uma simultânea de xadrez realizada por um ex-aluno do Centro de Ensino Médio 02 de Ceilândia. Além de revelar a importância do esporte no desenvolvimento intelectual dos(as) estudantes, a demonstração também teve como objetivo divulgar a ida de Igor Souza para a Bélgica. O campeão brasiliense de xadrez representará o Brasil no Mundial Universitário.

Cursando Ciência Política na Universidade de Brasília (UnB), Igor aprendeu xadrez no CEM 02. Desde então, promove simultâneas para difundir o esporte nas escolas públicas do Distrito Federal. A apresentação do xadrez a Igor foi feita pelo professor de Sociologia da escola, Rubens Palácios, que desde 2014 é responsável pela organização dos eventos de xadrez e por selecionar os(as) estudantes para participarem de torneios e eventos promovidos pela Secretaria de Educação do DF (SEEDF). “Recebemos o nosso Igor, nosso ex-aluno, que fez uma exibição jogando contra dez jogadores ao mesmo tempo. Esta simultânea foi para divulgar a ida dele para a Bélgica, fato que para nós é um orgulho muito grande”, ressalta Rubens.

Eliel de Aquino, diretor do CEM 02 de Ceilândia, lembra que o xadrez tem um papel importante no desenvolvimento intelectual dos(as) estudantes. “O CEM 2 tem diversos projetos e isto é importante porque abre uma agenda positiva para a escola e mostra como é importante mostrarmos o que estamos fazendo, de maneira que tenhamos uma possibilidade de mostrar para a sociedade a importância da escola pública. Dessa forma a escola permite que o aluno participe mais, se sinta presente, se sinta participante de todas as situações que a unidade escolar vai criando”, ressalta Eliel.

O TV Sinpro vai ao ar às 19h, na TV Comunitária, no Youtube e no Facebook do Sinpro-DF. Não perca!

Projeto enfoca gestão emocional e identidade étnico-racial

A baixa autoestima, a não aceitação das características étnicas-raciais, o sentimento de não pertencimento, como o desconhecimento da própria identidade pessoal, social e cultural impactam, de forma significativa, a autogestão dos sentimentos e emoções de estudantes de uma forma geral. Presente em um contexto étnico-racial diverso, a comunidade escolar apresenta pouca ou nenhuma representatividade cultural ou protagonista, fatores que comprometem a gestão emocional e a identidade de muitos(as) alunos(as). O projeto é anual e terá sua culminância no dia 19 de novembro.

Nesta perspectiva e com esta preocupação, a Escola Classe 26 de Ceilândia trabalha o projeto Conhecer-se – Gestão Emocional e Identidade Étnico-Racial com aproximadamente 420 alunos(as) da Educação Infantil e do 1º ao 5º ano. Crianças negras geralmente apresentam autoestima baixa e não se veem inseridas nas histórias que são contadas na escola, não conhecem a história dos seus antepassados africanos e não reconhecem sua identidade resultando, muitas vezes, em conflitos emocionais significativos que podem interferir na aprendizagem. Há a necessidade de se combater o racismo no ambiente escolar.

Para isso, é fundamental que as crianças conheçam, construam e valorizem sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário. Assim, torna-se possível formar crianças autoconfiantes, orgulhosas de suas características físicas e de sua história e saudáveis emocionalmente, consequentemente estudantes motivados e abertos às aprendizagens.

Para alcançar os objetivos esperados, professores(as) adotaram várias estratégias: leitura de livros infantis e infanto-juvenis com preferência a escritores negros, destacando o protagonismo negro e suas emoções inseridas nas histórias; exibição de vídeo e histórias sobre personalidades negras que se destacaram nacionalmente e/ou internacionalmente; leitura de textos com os conceitos de raça e etnia, destacando a beleza da diversidade, o respeito e a aceitação; levantamento de questões sobre o racismo e a legislação pertinente à discriminação racial; apresentação de histórias e/ou filmes sobre o continente Africano e sua cultura, destacando a herança brasileira, dentre outros.

“Já é possível observar crianças mais autoconfiantes, capazes de identificar a cor de sua pele, que fortalecem e valorizam suas características ao se apropriarem da sua história, vivenciam uma educação antirracista. Estão em processo de reconhecimento e identificação de suas emoções, aprendendo a nomeá-las e gerenciá-las com mais consciência”, comemora Antônio Carlos Paz de Sousa, diretor da EC 26 de Ceilândia.

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Escolas da rede pública participam do Ciclo de Debates Consciência Negra do Sinpro

Professor Andrei Lemos (em pé) é o palestrante da oficina “Negras e negros: história, cultura e identidade”, idealizada pelo professor de física Cleber Tavares (sentado em primeiro plano), do CED Myriam Ervilha

 

Nesta sexta-feira (18), a dois dias da celebração do 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, muitas escolas da rede pública do Distrito Federal finalizam Projetos Político-Pedagógicos (PPPs) sobre o tema. Várias unidades escolares aderiram ao Ciclo de Debates Consciência Negra, um projeto da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro-DF, para promoverem suas oficinas, debates e, sobretudo, a culminância dos seus PPPs com um debate sobre educação antirracista.

O ciclo de palestras do Sinpro ocorre durante todo o ano letivo e, em novembro, é intensificado por causa da sua participação nas finalizações dos PPPs. Este ano, várias escolas recorreram à parceria no mês da consciência negra. Dentre as escolas que solicitaram o projeto, destacam-se o CEM 10 e o CED 7 de Ceilândia; o CED Myriam Ervilha; Centro de Ensino Setor Oeste de Brasília; CED 04 de Brazlândia.

Estudantes do Ensino Médio do CED Myriam Leitão durante oficina realizada na Semana da Consciência Negra

 

O CED Myriam Ervilha foi uma das escolas que fizeram a parceria com o Sinpro e levou o Ciclo de Debates para a sua tradicional Semana da Consciência Negra, realizada entre os dias 16 e 18/11. O professor regente de física, Cleber Tavares Machado, pediu e o sindicato indicou o palestrante Andrei Lemos, historiador de formação, com especialização em ensino de história, mestrado em políticas públicas e doutorado em saúde coletiva. Pesquisador da saúde da população negra e LGBTQIA+, bem como de história e cultura afro-brasileira, Lemos é colaborador do projeto Abraço, que o Sinpro-DF desenvolve há alguns anos.

“Fico muito feliz de vir participar, embora eu tenha a convicção de que falar sobre a história e cultura afro-brasileira, sobre a identidade negra, pertencimento a essa memória, é um conteúdo para todo o ano letivo. Trata-se de um conteúdo transversal que precisa dialogar com os diferentes conhecimentos e com as diferentes disciplinas. Mas acho muito importante que no mês de novembro as escolas realizem algumas atividades para trazer esse debate porque, nesses últimos anos, vimos um desnudamento do racismo, do fascismo, da misoginia na sociedade brasileira”, declara Andrei Lemos.

Todas as escolas podem solicitar o Ciclo de Debates Consciência Negra do Sinpro no início do ano ou a qualquer tempo durante o ano letivo. Para isso, basta entrar em contato com as diretoras da Secretaria de Raça e Sexualidade ou pelo telefone geral do sindicato, pedindo para falar com a Secretaria de Raça e Sexualidade. Acesse os contatos pelo link a seguir: https://sinpro25.sinprodf.org.br/fale-conosco/ ou pelos contatos da secretaria, confira: https://sinpro25.sinprodf.org.br/diretoria/

 

Ciclo de Debates sobre consciência negra

No CED Myriam Ervilha, estudantes participam da oficina “Encrespei: meu cabelo, minhas origens e os traços negroides!” sobre empoderamento. Flávia Rodrigues de Souza, professora de língua portuguesa, usou a beleza dos cabelos encaracolados para falar da educação antirracista

 

 

Com o Ciclo de Debates, o sindicato oferece materiais e palestrantes altamente capacitados(as) para participarem das atividades pedagógicas relacionadas ao tema racial. Os(as) palestrantes oferecidos pelo projeto do Sinpro levam às escolas o debate sobre uma educação antirracista e diversos temas da pauta racial. A ideia é ajudar a escola a construir uma sociedade com novos marcadores sociais e mais equidade. Na avaliação da diretoria colegiada do sindicato, a educação é um dos principais instrumentos de transformação da sociedade.

“A gente atua também com essa perspectiva. Durante o ano, várias escolas utilizaram o Ciclo de Debates da Secretaria de Raça e Sexualidade e, agora, em novembro, algumas estão nos convidando para participar também deste momento de culminância da proposta de educação antirracista nas escolas e tem sido muito bom”, afirma Márcia Gilda Moreira, coordenadora da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro.

Ela informa que o sindicato tem tido muitas devolutivas positivas e superinteressantes da comunidade escolar sobre o modo como a entidade desenvolve o pertencimento racial quando entra nas escolas e conta a história do povo negro sob uma ótica diferente. “Uma ótica contada pelo povo negro. É essa a nossa proposta: recontar a nossa história sob uma nova perspectiva e, assim, construir uma nova sociedade”, explica Márcia Gilda.

 

Sinpro na vanguarda e a educação antirracista

 

Ana Cristina Machado, diretora do Sinpro-DF, participa do Ciclo de Debates no CED Myriam Ervilha

 

A diretoria colegiada tem o entendimento de que, para consolidar a democracia é necessário superar as ideologias hierarquizadoras e reducionistas que estão enraizadas nas sociedades. É preciso superar não só as ideologias racistas, mas também outras igualmente desumanizadoras.  “O Sinpro é vanguarda em vários temas. Um deles é a implantação de uma Secretaria de Raça e Sexualidade, que está perto de completar 20 anos de existência e isso vem ao encontro do anseio do movimento negro, da luta do povo negro que teve muitos avanços nos governos democrático e popular (Lula e Dilma Rousseff). O Sinpro também vem nessa linha de fazer esse debate”, lembra a diretora.

Segundo ela, a Secretaria de Estado da Educação (SEE-DF) tem em seu quadro de funcionários muitos(as) servidores(as) negros e negras nas escolas e é a rede de educação que abarca o maior número de estudantes negros e negras. “O Sinpro tem de participar da luta pela construção dessa sociedade livre de racismo. Nesse sentido, a gente vem, a cada ano, reformulando estratégias, atualizando reflexões para que a gente alcance o maior número de escolas e não só quantidade, mas também em termos de qualidade. Que seja uma política pública que faça o debate qualitativo, reflexivo e propositivo”.

A Secretaria de Raça e Sexualidade atua com essa proposta nas escolas por meio do Ciclo de Debates, mas também por meio dos seminários, bem como mediante todos os demais projetos, como o Vozes da Democracia, entre outros que a tente sempre está implementando e debates que fazemos nas escolas. É um trabalho árduo e lento, mas a gente percebe que a cada ano, mais escolas e mais profissionais da educação se propõem a pensar esse projeto conosco. Essa é uma pauta muito cara para nós e a gente quer que ela seja cara para a nossa sociedade também”, afirma Márcia Gilda.

Para o próximo ano, a Secretaria de Raça e Sexualidade pretende executar esse projeto nas escolas de forma muito mais intensa. “Queremos que as escolas nos procurem e façam de fato essa parceria com a gente desde o início do ano porque a gente quer sair da pedagogia de projetos e do calendário festivo e a gente quer ingressar de uma vez por todas na proposta de uma educação antirracista, multidisplinar e que perpasse todas as áreas do nosso currículo”.

Ana Cristina Machado, diretor do Sinpro, participou da palestra do professor Andrei no CED Myriam Ervilha e, na avaliação dela, esse tipo de atividade é fundamental para a construção de uma educação antirracista. “Quero reafirmar a necessidade de realizar o enfrentamento do racismo na escola. Ninguém nasce racista. Como dizia Nelson Mandela, ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem, por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e se elas aprenderam a odiar, podem aprender a amar”.

Ela também destaca que o Ciclo de Debates promove o enfrentamento e o combate do racismo na escola, com discussões sobre a Lei 10639/03, que, em 9 de janeiro de 2023, completa 20 anos. Essa lei versa sobre o ensino e a cultura brasileira e africana, como também para discutir assuntos, como políticas públicas, problemas sociais, fazer com que os estudantes conheçam e reflitam sobre a cultura deles, a religião, história da população negra no Brasil e na África.

“É importante reafirmar que as desigualdades continuam, que as cotas raciais são necessárias e que o Distrito Federal hoje é a unidade da Federação considerada a capital da desigualdade e que os trabalhadores negros ganham 40% a menos do que os brancos por hora trabalhada. A diferença salarial é gritante. A diversidade e os desafios são imensos em todos os setores. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, a PNAD, mostram que a maiorida dos servidores públicos são brancos: 48,5%, são brancos; 4,2% são negros; 24%, são pardos; e o restante são amarelos”, finaliza.

 

Fotos: Deva Garcia

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Trabalhadoras da educação organizam os 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra mulheres

Trabalhadoras da educação de todo país se reuniram nesta quinta-feira (17) para organizar os 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra mulheres, que começa no próximo dia 20 de novembro. O Coletivo de mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) também debateu a conjuntura política e os desafios da categoria para o próximo período.

Socióloga, mestre e doutora em Sociologia, Professora universitária e diretora da Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM), Nágyla Drumond, trouxe para o debate os últimos acontecimentos no país, como as eleições, a destruição que Bolsonaro fez no país, nos direitos e nas conquistas da classe trabalhadora, a participação do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, na COP 27, e, claro, sobre os 21 dias de ativismo e os desafios das mulheres para o próximo período.

As dirigentes sindicais de todo país, que participaram do coletivo, falaram sobre as ações regionais e coletivas que vão acontecer para o combate a violência contra mulher.

Em São Paulo, mais especificamente em Campinas, as mulheres ainda estão se organizando para preparar as ações dos 21 dias de ativismo junto com a CUT organizadas em quatro grupos de professoras. No Piauí a campanha começa no Palácio do Governo e várias atividades unificadas acontecerão por diversas regiões do estado. No Rio Grande do Sul, a luta acontece em parceria com o Conselho Municipal de Mulheres com oficinas e encontros em diversos bairros.

Em Alagoas está previsto o lançamento da cartilha lilás, na qual informa como e onde se pode denunciar a violência contra mulher, entre outras atividades, que vão desde mobilizações e um encontro estadual de mulheres. Em Rondônia, as 11 regionais do Conselho Estadual da Mulher vão promover atividades e debates sobre o tema. Ainda estão acontecendo reuniões de organização para as atividades dos 21 dias de ativismo pelo Fim da Violência Contra Mulher em diversos estados. [em breve mais informações]

A Secretária de Relações de Gênero da CNTE, Berenice D’Arc Jacinto, que comandou o coletivo, ouviu atentamente as demandas e reforçou a importância da construção coletiva das mulheres nos 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra mulheres e também em todo os quatro anos de governo Lula.

“Fizemos nossa maior tarefa de resistir e lutar no governo Bolsonaro nos últimos anos e agora teremos a missão de permanecer na luta no governo Lula, porque não será fácil e teremos que ficar atentas. E que juntas, cada um em seu estado ou município, a gente consiga fazer uma grande campanha dos 21 dias de ativismo dialogando com a população e que seja a nossa cara”, destacou.

Sobre os 21 dias de ativismo

A edição 2022 da campanha “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres” começa no próximo dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra no Brasil.
Internacionalmente, a campanha é chamada de “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher” – começa em 25 de novembro (Dia Internacional da Não Violência contra as Mulheres) e termina em 10 de dezembro, data da proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Realizada anualmente em cerca de 150 países, a campanha tem por objetivo conscientizar a população sobre os diferentes tipos de agressão contra mulheres e propor medidas de prevenção e combate à violência, além de ampliar os espaços de debate com a sociedade.

A mobilização é empreendida por diversos atores da sociedade civil e do poder público e contempla as seguintes datas principais:

20 de novembro – Dia da Consciência Negra (início da campanha no Brasil);
25 de novembro – Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres;
29 de novembro – Dia Internacional dos Defensores dos Direitos da Mulher;
1º de dezembro – Dia Mundial de Combate à Aids;
3 de dezembro – Dia Internacional das Pessoas com Deficiência;
6 de dezembro – Dia dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres (campanha do Laço Branco);
10 de dezembro – Dia Internacional dos Direitos Humanos e encerramento oficial da campanha.

Enem: candidato com deficiência recebe acompanhamento falho

Durante a realização do primeiro dia de provas do Enem, no último domingo (13/11), um estudante de 18 anos denuncia ter sido prejudicado. Edson Gabriel Dornelas tem deficiência múltipla e não teve o atendimento especializado adequado para que realizasse a prova.

“Meu filho tem baixa visão, deficiência intelectual e comprometimento motor fino. Assim, foi assegurado para ele auxílio de leitura, auxílio de transcrição e prova com horário ampliado. Tudo estava escrito no cartão de confirmação dele”, detalha Kleyne Dornelas, mãe do candidato, que é professora da SEE-DF.

Devido à sua deficiência, a leitura de Gabriel é silabada (e mais lenta). Isso compromete sua interpretação textual. Ao final da prova, o rapaz relatou à mãe ter conseguido responder apenas 50 das 90 questões da prova, e que uma das duas profissionais que o acompanhou disse que não sabia espanhol. Gabriel tampouco teve suporte para escrever a redação:

“Ele teve que ler a prova de espanhol e escrever o rascunho da prova de redação. Com certeza ele perdeu muito tempo nesse processo, pois ele tem comprometimento motor fino. Com isso só respondeu 50 dos 90 itens. Gabriel teve o seu direito negado!”, lamenta a professora.

A mãe de Gabriel levou a denúncia para a ouvidoria do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e ao Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT), na expectativa que ele possa refazer a primeira etapa do Enem.

A ouvidoria do Inep entrou em contato com Kleyne, dizendo que verificou os fatos junto aos profissionais responsáveis e que de fato houve falha na aplicação. “Eles pediram desculpas e se comprometeram a realizar todas as correções para segunda etapa. Também pediram que eu faça a requisição da reaplicação da primeira etapa conforme o edital, pois o caso dele será  contemplado”, conta.

Os atendimentos especializados fazem parte da Política de Acessibilidade e Inclusão do Inep, instituída em 2000, com a operacionalização para participantes com deficiência. Somente neste ano, a autarquia  aprovou 6.765 pedidos de auxílio para leitura, 5.755 de auxílio para transcrição e 4.313 de prova ampliada.

Para Kleyne, a situação reforça a necessidade de mais cuidado na escolha e formação dos assistentes. “Sabemos que é um serviço terceirizado, mas a responsabilidade é de todos os envolvidos no processo. O direito deve ser assegurado em todas as etapas do processo”, diz. “Gabriel é mais uma vítima da falha do poder público na pauta da inclusão, pois ainda que existam os marcos legais, o que se vê na prática é um sistema falho”, completa a mãe do rapaz.

“Essa falha do Inep não é um caso isolado. Ela se soma à questão envolvendo o concurso da SEE-DF no qual os 89 candidatos surdos que realizaram a prova não tiveram acessibilidade e adaptação razoável. É o resultado do descaso do poder público não só com seres humanos, mas com todo um arcabouço legal que visa a defender pessoas com deficiência. A conquista desse marco legal foi árdua e fruto de muita luta, mas vem sendo alvo do desprezo de governos liberais como o de Bolsonaro e Ibaneis, que desprezam legislação vigente e os direitos das pessoas com deficiência. Isso é resultado da ausência de políticas públicas voltadas para esse segmento da sociedade”, afirma Carlos Maciel, diretor da secretaria de políticas educacionais do Sinpro.

As falhas nas aplicações dos processos seletivos geram prejuízos e transtornos não só para as pessoas com deficiência. No caso do concurso da SEE-DF, a incompetência na aplicação da prova trouxe transtornos para todos os que participaram do certame e viram o andamento do processo suspenso. Também é um desserviço à educação do DF, que sofre com déficit de milhares de vagas de professor que seguem em aberto, enquanto 14 mil professores com contrato temporário estão à espera de concurso público. Todos, absolutamente todos, perdem.

De volta a Edson Gabriel, o rapaz ficou chateado, mas segundo a mãe não se deixou abalar pela situação. Ele está aprendendo os seus direitos e lutando por eles. E acha que todas pessoas com deficiência devem fazer isso também: “Ele não sabia que estava sendo lesado em seu direito. Era a primeira vez que fazia o exame. E está feliz com a possibilidade de reaplicação”.

Edson Gabriel, a diretoria colegiada do Sinpro deseja a você e a todas as pessoas com deficiência que, além de boa sorte na prova, vocês tenham seus direitos garantidos e respeitados! Boa prova!

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Circular da SEE estipula como será o funcionamento das escolas públicas nos dias de jogos da seleção brasileira

Em Circular n.º 8/2022/SEE/GAB, publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), o governo do DF estipula como será o expediente dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais nos dias de jogos da seleção brasileiro na Copa do Mundo. É importante ressaltar que o documento organiza os(as) servidores(as) do GDF para os dias de jogos da primeira fase da competição.

Logo após o governo ter publicado o decreto no mês de outubro para os(as) servidores(as) públicos(as) do DF, o Sinpro procurou a Secretaria de Educação (SEEDF) para negociar a forma como o documento seria aplicado nas escolas da rede pública de ensino. Diante disto, nos dias 24 de novembro e 02 de dezembro haverá aula normal no turno matutino, e no turno vespertino e noturno não haverá aula. Em caráter excepcional, nos dias em que os turnos não estiverem funcionando, a aula deverá ser reposta com atividades não presenciais, conforme determina a Circular.

No dia 28 de novembro não haverá aula nas escolas públicas nos três turnos e o dia deverá ser reposto com atividades não presenciais. As atividades não presenciais devem ser registradas na folha de ponto e no Diário Escolar, conforme orientação da Circular n.º 8/2022. Para as outras fases da Copa, caso o Brasil se classifique, a SEE emitirá novas orientações.

Clique aqui e confira a Circular na íntegra.

Trabalhadores em educação vão compor o gabinete de transição do governo Lula

Trabalhadores(as) da Educação foram confirmados no gabinete de transição do governo Lula. A informação foi dada na última segunda-feira (14), pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, e mostra que para o governo eleito, o setor educacional é prioridade e construirá a perspectiva de um país melhor nos próximos quatro anos, ajudando a levar o diagnóstico e as propostas que o setor tem construído nas etapas municipais, estaduais, distrital e nacional da Conferência Nacional Popular de Educação, além de trabalhar de forma insistente para que todas as entidades do Fórum sejam ouvidas.

O presidente da CNTE, Heleno Araújo, foi convocado e representará o Fórum Nacional Popular da Educação (FNPE). Também foram convidadas para fazer parte do time a ex-secretária geral da CNTE e senadora eleita, Teresa Leitão; a deputada federal e ex-secretária de Educação do Mato Grosso, professora Rosa Neide; e a ex-secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação (MEC), professora Macaé Evaristo.

Confira matéria completa postada no site da CNTE.

 

 

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Fotos: Divulgação 

Na tarde desta segunda-feira (14), o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou o gabinete de transição de educação do governo Luiz Inácio Lula da Silva. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) foi chamada para fazer parte desse grupo que irá estabelecer as prioridades para o próximo governo.

O presidente da CNTE, Heleno Araújo, foi convocado e irá representar o Fórum Nacional Popular da Educação (FNPE). Também foram convidadas para fazer parte do time a ex-secretária geral da CNTE e senadora eleita, Teresa Leitão; a deputada federal e ex-secretária de Educação do Mato Grosso, professora Rosa Neide; e a ex-secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação (MEC), professora Macaé Evaristo.

“Com certeza vamos levar o diagnóstico e as propostas que nós construímos nas etapas municipais, estaduais, distrital e nacional da Conferência Nacional Popular de Educação. Vamos trabalhar de forma insistente para que todas as entidades do Fórum sejam ouvidas. Vamos juntos com o presidente Lula ajudar a reconstruir o Brasil”, assegurou Heleno Araújo sobre o compromisso assumido.

Igualdade racial

Na última quinta-feira (10), a secretária de combate ao racismo da CNTE, Iêda Leal, que também é coordenadora do Movimento Negro Unificado (MNU), foi chamada para compor o grupo técnico de igualdade racial. O objetivo é debater as ações a serem desenvolvidas à população negra, que perdeu inúmeros direitos durante o governo Bolsonaro.

A equipe contará ainda com Nilma Lino Gomes, ex-ministra do governo Dilma Rousseff; Givânia Maria Silva, quilombola e doutora em Sociologia; Douglas Belchior, cofundador da Uneafro Brasil e da Coalizão Negra Por Direitos; Thiago Tonias, advogado da Coalizão Negra; Martvs das Chagas, secretário de Planejamento de Juiz de Fora MG); e Preta Ferreira, ativista pelo movimento negro e de moradia.

Alunos do CEMI do Gama fazem bonito e projeto ambiental será apresentado fora do país

Uma atividade pedagógica realizada por alunos(as) do terceiro ano do Ensino Médio do Centro de Ensino Médio Integrado (CEMI) do Gama ganhou repercussão nacional e até mesmo internacional. Após participarem da Feira Científica do Instituto MOCAM (Movimento Científico da Amazônia), que tem como objetivo incentivar a ciência e apresentar a produção científica de alunos da Educação Básica e Superior, Augusto Santos, Sthefany Oliveira, Eduardo Freitas, Wallyson Matheus, Pedro Henrique Urbieta, Bruno Lima, Giovanna Sousa, Mayara Rodrigues e Marcelo Felipe ganharam o direito de levar suas ideias à Colômbia e Londres no ano de 2023.

Eliani Conceição da Silva Ferreira, professora de tecnologia e orientadora do grupo, explica que os(as) alunos(as) apresentaram três projetos de sustentabilidade e meio ambiente: um ventilador de bambu, uma inteligência artificial para o reflorestamento e um relatório de conscientização do meio ambiente na pandemia da Covid-19. “Vivemos em um mundo com ar muito poluente e a gente tem que começar a respirar novos ares. Então acho que o jovem tem que começar a pensar da forma mais natural possível, pensar em novas ideias para novos artigos”.

 

Os projetos

Sthefany Luanny, Pedro Henrique e Bruno pautaram seu projeto pensando em segurança, saúde e meio ambiente com foco no reflorestamento. O intuito é desenvolver, através da inteligência artificial, um projeto que ajude a identificar a intensidade do solo, quais as propriedades dele e as melhores plantas que se pode plantar naquele ambiente. Já Giovanna, Mayra e Marcelo fizeram uma pesquisa para verificar os pontos positivos e negativos que vieram à tona no período da pandemia da Covid-19. O propósito deste projeto foi trazer a consciência, através de um artigo com base em estatísticas do IBGE, de que podem ter pontos positivos em relação ao meio ambiente, mesmo durante uma pandemia.

Outro projeto de destaque foi o do ventilador de bambu, desenvolvido por Eduardo, Wallyson e Augusto. Um dos objetivos do projeto é a troca do plástico, que demora mais de 400 anos para se decompor, pelo bambo, que demora pouco mais de um mês quando descartado. “Essas sementinhas que eu plantei realmente brotaram. Esses meninos são o que eu plantei e eles deixarão um legado para futuro do Brasil e do mundo quando nós já estivermos velhos. E é muito bom imaginar que eu tenho uma missão pra fazer a diferença quando as pessoas não conseguem mais perceber o valor que tem a natureza”, comemora a professora Eliani.

Confira matéria sobre o projeto em telejornal:

 

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CEF 407 de Samambaia debate a militarização das escolas e a diversidade

Na semana que antecede o Dia da Consciência Negra, celebrado no dia 20 de novembro, o Centro de Ensino Fundamental 407 de Samambaia promoveu um debate sobre um tema que tem feito parte da rotina da escola: Militarização das escolas e diversidade: implicações nas questões de raça e gênero. A exemplo de outras 14 escolas cívico-militares no Distrito Federal, o CEF 407 teve a militarização imposta de forma autoritária pelo governo Ibaneis em 2019 e desde então tem resistido à série de censuras impostas pelo modelo militar. O debate, realizado durante a tarde desta quarta-feira (16), teve a presença da professora da Universidade de Brasília (UnB), Catarina de Almeida, e do diretor do Sinpro Carlos Maciel.

O artigo 205 da Constituição Federal estipula que a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Respaldado nesta lei, a professora Catarina de Almeida lembra que a militarização da escola pública fere diretamente esta premissa, uma vez que ao impor a padronização, impede a condição de pluralismo de ideias, as concepções pedagógicas e o respeito à gestão democrática.

“É inadmissível a padronização da escola por meio da militarização, uma vez que o próprio modelo militar engessa, impede essa condição de pluralismo de ideias, as concepções pedagógicas, a gestão democrática do ensino público, o respeito à liberdade e apreço à tolerância, e a consideração com a diversidade étnico-racial”, afirma a educadora, ressaltando que além de tudo isto, a militarização “exclui alguns perfis de alunos(as), além de “embranquecer” as salas de aula, fruto de questões racistas e sexistas”.

 

Resistência

O Brasil conta, hoje, com mais de 600 escolas militarizadas em vários estados, exemplo de Goiás, Amazonas e Bahia. O vice-diretor do CEF 407, Josuel Silva, lembra que o CEF 407 resistiu a esse modelo de gestão que ocorre em algumas escolas do Distrito Federal, cuja principal ação, quando instalada, é tolher a liberdade de cátedra, as liberdades individuais e pintar os muros de branco. “Somos uma maioria de negros e mulheres em uma escola cujo modelo de gestão não condiz com a nossa diversidade. A militarização engessa o debate, o livre pensar, as manifestações culturais, fatores que enriquecem o aprendizado e são necessários para o crescimento do aluno. Mesmo a escola sendo cívico militar, a direção nunca deixou de construir uma educação antirracista e antissexista”, comemora o vice-diretor.

Catarina de Almeida ainda ressalta que a escola pública é um ambiente para todas as tribos, todas as vertentes. Com a militarização, isto é anulado. “Isto é horrível na formação de uma sociedade diversa porque a militarização tende a padronizar comportamentos, atitudes, pensamentos. Precisamos justamente do contrário”.

Carlos Maciel lembra que o Brasil é o país que mais mata minorias e ao militarizar, o debate é anulado. “Essa escola é motivo de muita felicidade porque ela sempre resistiu. A comunidade escolar foi contra a militarização e mesmo assim o governador impôs o modelo. É importante que tenhamos em mente que a modelo cívico militar não resolve os problemas e mata a pluralidade e a educação democrática. O que resolve os problemas da escola pública é investimento, valorização dos professores e orientadores educacionais”, finaliza o diretor do Sinpro.

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