Diz o dicionário que velhaco é adjetivo que significa “que propositadamente engana, ludibria; enganador.” Ou, então, “que age mal, trapaceia; traiçoeiro, ordinário, patife.”
No artigo, Daroncho explica a contrariedade de setores econômicos que temem perder privilégios com o voto livre é histórica e ajuda a entender o assédio contra os trabalhadores no atual processo eleitoral. Conta que nestas eleições, em meio a mensagens com ameaça de fechamento de empresas ou demissão de funcionários em caso de vitória de determinado candidato, “o Ministério Público do Trabalho (MPT) já recebeu 572 denúncias. Das denúncias identificáveis, na disputa presidencial, 99,41% têm Bolsonaro como beneficiário do assédio, enquanto Lula representa 0,59% dos casos”.
O procurador do trabalho faz outra importante diferenciação entre o chamado voto de cabresto e o que vem acontecendo nas eleições de 2022. No voto de cabresto, o eleitor era intimidado e submisso, e obedecia às ordens do coronel do curral eleitoral, enquanto que “no assédio da atual eleição, a irregularidade é ainda mais grave, a vontade do trabalhador pode ser oposta à do patrão”, ou seja, o trabalhador sabe em quem votar, mas é coagido pelo patrão.
Reportagem do portal da CUT publicada também nesta sexta-feira (21/10) informa que “Balanço do MPT mostra que 903 trabalhadores denunciaram 750 empresas por assédio eleitoral. O número é 325% maior em comparação às eleições de 2018”.
Daroncho conclui seu artigo informando o site para denunciar o assédio eleitoral: mpt.mp.br
Reunião com delegados sindicais na próxima terça-feira (25)
Jornalista: Luis Ricardo
Em virtude do atropelo provocado pelo presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), que ameaça colocar a reforma Administrativa em votação a qualquer momento, o Sinpro, por meio da Secretaria de Formação, realiza reunião com os(as) delegados(as) sindicais na próxima terça-feira (25) para debater a PEC 32. O encontro será às 19h, na sede do Sinpro (SIG), e terá como convidado o advogado Marcos Rogério, mestre em Direito, assessor jurídico no Senado Federal e especialista em direito Constitucional e direitos dos servidores públicos.
Com o foco em destruir o Estado de bem-estar social, privatizar direitos fundamentais, entregar o mercado de capitais para banqueiros, além de retirar uma série de direitos de servidores(as), a reforma Administrativa fragiliza toda a prestação dos serviços públicos, e um Estado fragilizado significa um Estado que não tem capacidade de implementar políticas necessárias, por exemplo, para a geração de emprego. “A PEC 32 não é prejudicial só ao servidor, ela também acaba com o direito da população ao acesso do serviço público. A pandemia deixou mais que provado quão importante é a existência dos servidores e dos serviços. É um desmonte do Estado e é dever de todos e todas lutar contra ela”, ressalta a diretora do Sinpro, Vanilce Diniz.
É muito importante a participação de todos os delegados e delegadas regularmente eleitos(as) nas escolas. Somente a pressão da categoria organizada vai impedir a aprovação desta PEC, que se configura em uma das propostas mais trágicas para o(a) servidor(a) público.
Bolsonaro aposta R$ 68 bi de dinheiro público na reeleição
Jornalista: Letícia Sallorenzo
O jornal Valor Econômico traz em sua reportagem de capa desta sexta-feira (21/10) sua preocupação com “a estratégia [do governo federal] de impulsionar a recuperação da economia em ano eleitoral” por meio do “pacote de bondades”.
O tom da reportagem é de preocupação com o uso “que o governo faz do pacote de bondades”.
A reportagem indica que o rombo apenas em 2022 será de R$ 68 bilhões entre cortes de impostos e novos benefícios, além de outros r$ 87 bilhões para micro e pequenas empresas, mas “as ações ajudaram a melhorar a avaliação do presidente Jair Bolsonaro”.
Lembra o jornal que “o custo das decisões e a falta de fontes de financiamento transformaram o futuro das contas públicas em uma incógnita para 2023. Analistas ouvidos pelo jornal afirmam que “As medidas tiveram um fim eleitoral e não possuem nenhuma lógica econômica.
A diretora do Sinpro Luciana Custódio aponta um aspecto que a reportagem do Valor abordou de forma bem suave: “R$ 68 bilhões de dinheiro público gastos para garantir a reeleição de Bolsonaro é a maior compra de votos sem precedentes na história eleitoral do Brasil”. Luciana complementa: “Bolsonaro tira dinheiro da educação e da saúde, joga no orçamento secreto e em alguns benefícios sociais que só duram até a eleição. Depois veremos os preços dos combustíveis e dos alimentos explodirem”.
Publicado edital do processo seletivo externo para formador na EAPE
Jornalista: Luis Ricardo
A Subsecretaria de Formação Continuada dos Profissionais da Educação do Distrito Federal (EAPE) publicou edital para processo seletivo externo simplificado para formador na EAPE. A seleção visa o preenchimento de 99 vagas para atuar como formador, com provimento imediato, e de 125 vagas para a formação de cadastro reserva nos Ciclos ofertados e vinculados à Matriz de Formação Curricular da EAPE.
Poderão concorrer somente servidores(as) efetivos(as) da Carreira Magistério Público do Distrito Federal que não estiverem lotados na EAPE. O(a) servidor(a) poderá candidatar-se para atuar em 01 Ciclo, de acordo com sua formação/experiência e atuação. O(a) selecionado(a) atuará como formador em docência na formação continuada dos profissionais da educação básica e/ou da Carreira Assistência à Educação do DF, de acordo com sua formação/experiência e atuação.
Os(as) selecionados(as) atuarão em ciclos que compreendem: Eixos Integradores: Aprendizagens e Tecnologias; Planejamento e Práticas de Gestão Pedagógica; Fundamentos, Política, Gestão Educacional, Qualidade de Vida no Trabalho – QVT; e Diversidade e Inclusão. Para se inscrever o(a) interessado(a) deverá criar processo no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), em http://sei.df.gov.br, selecionando como tipo de processo a opção “Gestão Educacional–Processo seletivo” e inserir a documentação, digitalizada em formato protegido.
CED 16 da Ceilândia dá protagonismo a estudantes da EJA, que têm muito a ensinar
Jornalista: Vanessa Galassi
Essa última semana foi agitada no CED 16 da Ceilândia. Depois de praticamente um mês de planejamento, estudantes da EJA (Ensino de Jovens e Adultos) apresentaram os trabalhos que compõem a Feira das Profissões e Cultura. Muito mais que o cumprimento do currículo escolar, a atividade é mais uma prova de que estudantes da EJA têm muito a ensinar.
As apresentações iniciaram no último dia 19 e terminam nesta sexta-feira (21/10). Temas diversos, como natureza, democracia, fome, meio ambiente foram apresentados em forma de teatro, poema, stand. “O objetivo é fazer com que o aluno da EJA sinta prazer em estudar, possa se sentir pertencente à escola e parte da construção do seu próprio currículo, porque o conhecimento vai ser construído através da participação do aluno. A gente foge da educação bancária, onde apenas o professor deposita, e abre espaço para que o aluno seja o protagonista da construção, pelo ponto de vista pedagógico”, explica o coordenador do CED 16 de Ceilândia, Wellington Nascimento dos Santos.
Cátila Sabrina, estudante da escola, comemora. “A experiência aqui foi maravilhosa. Graças à EJA consegui terminar meus estudos; e graças à EJA quero cursar uma faculdade”, planeja.
Mas o coordenador Wellington Nascimento conta que, muitas vezes, quem mais ganha quando o foco é a EJA são os próprios professores e orientadores escolares. “Muitas vezes, as pessoas veem a EJA como o fim da esperança, a ausência de conhecimento; desconsideram os conhecimentos desses estudantes. Na EJA, quando não se abre espaço para que o aluno fale, despreza-se uma bagagem de conhecimento imensa. O aluno da EJA pode não ter o conhecimento formal, mas o conhecimento de vivência, a bagagem de vida, é gigante. Ele só precisa de espaço para mostrar isso.”
Emocionado, Wellington Nascimento, que está na rede pública de ensino há 24 anos, 22 deles com estudantes adultos, desabafa: “A gente chora porque vemos que o aluno que, muitas vezes, vai pra EJA como o desprezado, o rebelde; aquele que a sociedade alija, mesmo com todas as dificuldades, vindo do seu trabalho, ou morando numa periferia, marginalizado, ele mostra que pode fazer algo diferente. Isso dá um gás a mais para o nosso trabalho, diante de uma profissão tão desvalorizada como vem sendo o magistério público.”
Wellington Nascimento, coordenador do CED 16 de Ceilândia, na rede pública de ensino há 24 anos, 22 deles com estudantes da EJA
“Esse projeto e essa escola são uma experiência viva de que os estudantes querem estudar, e fazem a diferença”, avalia o dirigente do Sinpro-DF Luciano Matos, que esteve presente nas apresentações da Feira das Profissões e Cultura.
TV Sinpro debate a fatídica reforma Administrativa
Jornalista: Luis Ricardo
O Congresso Nacional, a mando do presidente Jair Bolsonaro, se mobiliza para votar uma das propostas mais trágicas para o(a) servidor(a) público: a PEC 32. Com o foco de destruir o Estado de bem-estar social, privatizar direitos fundamentais, entregar o mercado de capitais para banqueiros, além de retirar uma série de direitos de servidores(as), a reforma Administrativa fragiliza toda a prestação dos serviços públicos, e um Estado fragilizado significa um Estado que não tem capacidade de implementar políticas necessárias, por exemplo, para a geração de emprego.
É para debater sobre esta pauta que o TV Sinpro da próxima quarta-feira (26) traz os diretores do sindicato Luciana Custódio e Raimundo Kamir, além do advogado Marcos Rogério, mestre em Direito, assessor jurídico no Senado Federal e especialista em direito Constitucional e direitos dos servidores públicos. “Hoje, uma escola, por exemplo, com servidor estável, com concurso público, já tem dificuldades em garantir educação. Imagine em um modelo em que os professores não têm estabilidade, não têm concurso público; com políticos podendo indicar quem vai ser contratado nessas entidades privadas”, analisa
O TV Sinpro será ao vivo e vai ao ar às 19h, na TV Comunitária, no Youtube e no Facebook do Sinpro-DF. Não perca!
Dia Nacional da Alimentação nas Escolas: o que comemorar?
Jornalista: Letícia Sallorenzo
Neste 21 de outubro é celebrado o dia nacional da Alimentação nas Escolas. A data foi escolhida para destacar a importância das ações voltadas para a educação alimentar e nutricional dos estudantes de todas as etapas educação básica, resultado do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
O PNAE é responsável por transferir recursos para complementar o orçamento de 27 estados e 5,5 mil municípios para a compra de merenda escolar na educação básica das escolas públicas, instituições filantrópicas e comunitárias sem fins lucrativos. Por esse programa, fica determinado que 30% dos repasses sejam usados para aquisição de produtos provenientes da agricultura familiar, como programas do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Os valores per capita são executados e gerenciados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e beneficiam 41 milhões de estudantes da educação básica pública.
No início da década passada, várias prefeituras brasileiras garantiram por lei que a merenda da rede municipal contivesse produtos orgânicos, para garantir uma alimentação saudável às crianças. Foi assim com Porto Alegre, São Paulo e outras várias cidades do interior do Nordeste. A produção dos alimentos orgânicos sempre ficou a cargo dos assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). Mas com a queda de Dilma Rousseff em 2016 e a ascensão de um governo de extrema direita, a prioridade na alimentação das crianças brasileiras foi relegada a segundo, terceiro plano.
Com vistas a manter a qualidade da merenda escolar, em 2021 foi lançado o Observatório da Alimentação Escolar (ÓAÊ). O observatório é resultado de uma ação conjunta entre organizações da sociedade civil e movimentos sociais para monitorar, e mobilizar a sociedade sobre a importância do PNAE, com o objetivo de ampliar a escuta, as narrativas e o diálogo com estudantes e suas famílias, agricultoras e agricultores familiares, e membros de conselhos que atuam com a alimentação escolar, para incidir de forma coletiva na defesa deste programa.
Fazem parte do comitê gestor do ÓAÊ a ActionAid Brasil, o Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN) e o MST. O projeto conta ainda com o apoio da Rede de Mulheres Negras para a Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (REDESSAN) para a promoção de políticas de raça e gênero.
Orçamento defasado
O orçamento para o PNAE está com defasagem desde 2017. Para 2023, o congresso havia aprovado reajuste no orçamento para o programa, cuja receita saltaria de R$ 3,96 para R$ 5,53 bilhões – o que, ainda assim, não seria suficiente para dar conta da atual demanda.
“Em uma projeção para recuperar somente as perdas da inflação desde 2010, o valor destinado da União ao PNAE para 2023 deveria ser de R$ 7,5 bilhões”, afirma a coordenadora do ÓAÊ, Mariana Santarelli.
Mas, numa conjuntura nacional de insegurança alimentar, que leva milhares de crianças a fazerem, na escola, a única refeição do dia, o orçamento para a merenda escolar permanece defasado. O reajuste foi vetado pelo atual presidente da república, candidato à reeleição.
Alimentação escolar de qualidade é mais uma consequência das escolhas que você faz. Neste período eleitoral, existe um projeto inclusivo, com participação de vários setores da sociedade; e existe um projeto excludente. A escolha não é muito difícil. As consequências dessa escolha, no entanto, podem ser muito difíceis.
Projeto antirracista de Escola de São Sebastião premiado em São Paulo
Jornalista: Letícia Sallorenzo
O Centro Infantil 01 de São Sebastião foi destaque no Prêmio Educar 2022, realizado em São Paulo na noite de terça-feira, 19 de outubro. A escola foi indicada na categoria Educar com Equidade Racial e de Gênero por realizar, desde 2013, o Projeto e Festival de Valorização da Cultura Afrobrasileira e Indígena. Educadoras representantes da escola destacaram a importância da luta antirracista na educação pública. A escola foi uma das 36 escolhidas dentre mais de 700 concorrentes.
Cleyde Cunha Sousa, a gestora do “Centrinho”, como é carinhosamente conhecida a escola, está exultante com a premiação: “ recebemos o resultado dessa premiação com muita alegria e orgulho de vê-lo reconhecido.”
Cleyde conta que as duas coordenadoras pedagógicas da escola, Lediane Corado Costa e Francineia Alves da Silva, se inscreveram no prêmio por incentivo da professora substituta Bárbara Pias, que também é mestranda da UnB.
Francineia reafirmou a importância da premiação. “Represento aqui uma escola da periferia do Distrito Federal e agradeço a premiação pela importância da luta antirracista na educação pública nas nossas comunidades”, afirmou a professora, que ajudou a fundar o projeto.
Cleyde conta que o projeto é desenvolvido desde 2013, e muitos profissionais colaboraram em sua construção: “É um projeto de todo um coletivo, então esse prêmio representa cada um que já passou pela escola”, alegra-se.
Culturas Afrobrasileira e indígena
O Festival da Cultura Afro-brasileira e indígena, realizado anualmente no Centrinho, tornou-se referência tanto pela profunda pesquisa realizada pelas professoras e professores quanto pelo acesso que as crianças têm a culturas de povos de matriz africana e indígena no Brasil. O Centrinho tem 23 turmas de crianças entre 4 e 5 anos.
O festival é resultado de um processo de pesquisa e vivências com as professoras e professores para imersão nos temas, conhecimento da história afrobrasileira e indígena e estudo dos elementos culturais, além de realização de muitas atividades artísticas e vivências com indígenas que vivem no Distrito Federal.
Puxada de Rede, capoeira, pinturas corporais indígenas, beleza e estética afro-brasileira, desfile de moda afro e vestimentas tradicionais indígenas aprofundam o reconhecimento das identidades e diversidades culturais da formação do povo brasileiro. As leis 10.639 e 11.645, que instituem esses elementos fundantes do Brasil na educação, são os fundamentos para essas boas práticas.
Prêmio, debate e diálogos
Para além da premiação, Cleyde comemora a possibilidade de diálogo e debate com outras escolas: “O prêmio Educar nos permitiu participar do encontro Diálogos por uma Educação Antirracista, que nos permitiu saber o que está acontecendo em outros projetos Brasil afora. Isso também nos fortalece nessa luta, nos ajuda a entender melhor os objetivos da educação antirracista, a melhorar ainda mais nosso projeto, ou seja, modificar nossa proposta pedagógica de forma a ampliar o alcance desse projeto”.
Cleyde também quer dividir o sucesso com outras escolas: “Nossa missão é também divulgar o projeto para as demais escolas que tenham interesse e trazer novas parcerias com o projeto”.
O Prêmio
O Ceert – Centro de Estudos de Relações de Trabalho e Desigualdade realiza o Prêmio Educar há 20 anos. Nesta 8° Edição, foram analisados 700 projetos. Destes, 36 foram indicados ao Prêmio deste ano. Essa premiação ocorreu com apoio do Sesc Vila Mariana, em São Paulo.
Semana da EJA do CEM 04 de Sobradinho II traz lições para toda a vida
Jornalista: Vanessa Galassi
Era dia 17 de outubro. Geísa Cristina estava ansiosa para chegar à escola onde cursa o Ensino Médio na modalidade EJA (Educação de Jovens e Adultos): o CEM 04 de Sobradinho II. Como praticamente todo jovem de 21 anos, Geísa sente necessidade – e uma certa urgência – de projetar o futuro profissional. E foi na escola que a estudante teve certeza do que quer fazer: trançar cabelos afro.
Sobradinho II é uma das regiões do Distrito de menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Na atual conjuntura, marcada também por mais de 10 milhões de desempregados e uma juventude empurrada para a informalidade no mercado de trabalho, ter perspectiva de futuro profissional pode ser considerado algo revolucionário.
É assim que a jovem se posiciona frente à vida. Geísa não titubeia ao reafirmar por telefone que “trançar cabelos sempre foi um sonho”, que está próximo de se tornar realidade graças à Semana da EJA do CEM 04 de Sobradinho II. Realizada nos dias 17 e 18 de outubro, o evento trouxe várias atividades oferecidas à comunidade escolar. Entre elas, uma oficina de trança Nagô.
“Achei uma experiência maravilhosa. Fiquei até como assistente (durante a oficina). É uma coisa que eu gosto de fazer. E tendo essa oportunidade de fazer na escola, abriu um pouco mais minha mente e me deixou mais entusiasmada para seguir essa carreira. Quero trabalhar com isso. As meninas com quem eu fiz a oficina também amaram, e me deram mais apoio: disseram que eu podia continuar nesse caminho, que ia dar certo”, conta a estudante.
De acordo com a coordenadora do noturno do CEM 04 de Sobradinho II, Régia Barradas, a experiência de Geísa é justamente o objetivo da Semana da EJA. “A gente procura trabalhar com a realidade dos alunos. De um lado, proporcionamos o incentivo profissional para que esses estudantes tenham condições de sustento. Por outro, estimulamos esses estudantes, que são de uma comunidade carente economicamente e com maioria de negros, a terem criatividade e poderem escolher o que querem para seu futuro.”
Há 22 anos no CEM 04 de Sobradinho II, Régia afirma categórica: “A escola não é só matéria obrigatória, é um ensinamento para a vida”.
Foi da experiência de vida que Elaine Barbosa de Sousa ministrou a oficina de trança Nagô, a que Geísa participou. Hoje dona de um salão de beleza especializado em cabelo afro, Elaine trança cabelos há 18 anos, quase metade da vida.
Convidada para participar da Semana da EJA pelo professor Carlos Assis, ela não quis apenas mostrar aos estudantes como se trança cabelo. “Não adianta chegar e fazer penteado. Tudo na vida tem um fundamento. As tranças não são só uma estética, não são só um ‘ficar bonito’. Há toda uma história por trás disso”, afirma a cabeleireira que aproveitou a atenção de quem participava da oficina – maioria mulheres negras – para contar que as tranças Nagô eram utilizadas para desenhar rotas de fuga para os quilombos.
“São várias histórias, várias culturas. Mas tem uma das histórias que diz que as tranças Nagô eram usadas como mapas. Quando os negros escravizados planejavam fugir, as pretas desenhavam com as tranças os mapas para onde deveriam ir. Além disso, elas colocavam sementes para que, quando chegassem aos quilombos, pudessem plantar”, diz Elaine Barbosa.
“É uma troca de conhecimento entre aluno e professor; ente comunidade e escola. Precisamos disso”, diz o professor de Biologia na EJA/Ensino Médio do CEM 04 de Sobradinho II, Carlos Assis.
Semana da EJA Professor Carlos Assis conta que a Semana da EJA acontece há cinco anos no CEM 04 de Sobradinho II, e é realizada anualmente, uma vez por semestre. “O objetivo é trabalhar de maneira diversificada, como prevê nosso Currículo em Movimento, trazendo a comunidade para dentro das escolas”, esclarece.
Nesta última edição, entre outras atividades, foram realizadas oficinas de fotografia, poesia, dança, fabricação de perfume, canto, hip hop, aeromodelismo; além de palestras sobre comunidade LGBTQIA+ e combate à violência contra as mulheres. O artista plástico Toninho de Souza, de Sobradinho, se somou e expôs algumas de suas telas, mostrando que escola também é lugar para arte e cultura.
Orgulhoso do projeto, professor Carlos Assis anuncia que novos trabalhos virão. “Em novembro, temos o projeto Mandacarú. Nele, trabalharemos a cultura nordestina”, planeja.
Clique AQUI e veja fotos da Semana da EJA, no CED 04 de Sobradinho
Paulo Guedes quer salário mínimo e aposentadoria sem correção pela inflação
Jornalista: Luis Ricardo
O governo de Jair Bolsonaro ameaça jogar uma verdadeira pá de cal sobre os(as) aposentados(as) e pensionistas. Com o pretexto de reformular o teto de gastos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, planeja frear o crescimento de despesas congelando os benefícios previdenciários ou aqueles atrelados ao salário mínimo. No resumo, milhões de aposentados(as) teriam seus salários congelados, perdendo ainda mais o poder de compra, já corroído pela inflação. Bolsonaro e Guedes pretendem congelar o salário e as aposentadorias. Com cerca de 3 mil professores(as) aposentados(as) e sem paridade, a manobra do governo congela o salário, da mesma forma que FHC fez com os aposentados sem paridade.
Para colocar o plano em ação, Guedes e Bolsonaro adotariam como medidas a desindexação do salário mínimo e dos benefícios previdenciários. Hoje, os dois parâmetros são corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior, o que garante ao menos a reposição da perda pelo aumento de preços observado entre famílias com renda de até cinco salários mínimos. A única trava para que o ministro da Economia dê o sinal verde para isto seria a reeleição de Jair Bolsonaro. Nesse caso, uma proposta de emenda à Constituição seria apresentada no dia seguinte à eleição.
No resumo, caso a PEC seja aprovada os(as) aposentados(as) teriam uma correção abaixo da inflação nos benefícios previdenciários. Para se ter uma ideia da dimensão da mudança, o INPC de 2021 teve alta de 10,16%, percentual usado na atualização do salário mínimo para R$ 1.212. Caso apenas a meta de inflação de 2022 fosse aplicada, a elevação seria de 3,5%. Se a opção fosse pela expectativa do início do ano para o IPCA em 2022, o reajuste seria de 5,03%.
Inflação exorbitante
Alimentação e bebidas acumulam inflação de 9,54% no ano, de janeiro a setembro, a maior alta para os nove primeiros meses do ano, desde 1994. Soma-se a isto o fato dos reajustes dos salários estarem praticamente congelados, o que pode levar à mais fome. Hoje metade da população brasileira, aproximadamente 125 milhões de pessoas, não comem as três refeições diárias necessárias para manter uma boa saúde. Outros 33,1 milhões passam literalmente fome.
Para Clemente Ganz Lúcio, assessor das Centrais Sindicais e ex-diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), os prejuízos para os trabalhadores e beneficiários da Previdência Social serão enormes. “70% dos trabalhadores ganham até dois salários mínimos e, se congelar o valor ou reajustar abaixo da inflação, vai haver menor crescimento, deprime 2/3 da base econômica do país, trazendo apenas mais pobreza e desigualdade. Esse arrocho é uma tragédia”, ressalta.
A despeito da Constituição Federal que garante a correção pela inflação, o governo federal enviou a proposta orçamentária de 2023 para o Congresso Nacional sem reajuste além da inflação pelo quarto ano consecutivo. “Isso é mais um tapa no rosto do trabalhador brasileiro. Além de cortar recursos em áreas tão importantes e necessárias para a população brasileira, exemplo da saúde, educação e segurança pública, Bolsonaro quer deixar os aposentados com o poder de compra ainda menor, e os trabalhadores com os salários congelados”, analisa a diretora do Sinpro, Luciana Custódio.