Livro que conta história do Sinpro-DF é lançado no 12º CTE

Sinpro-DF – Uma história de sonhos, lutas e conquistas é o mais novo livro organizado pelo Instituto Museu da Pessoa para recontar os 43 anos do sindicato que representa professores(as) e orientadores(as) educacionais do magistério público do DF. A obra foi lançada nesta sexta-feira (8), segundo dia do 12º Congresso de Trabalhadores(as) em Educação.

A diretora colegiada do Sinpro-DF Rosilene Corrêa fez o lançamento do livro “Sinpro-DF – Uma história de sonhos, lutas e conquistas”

 

Em 139 páginas, “Sinpro-DF – Uma história de sonhos, lutas e conquistas” traz 25 histórias de vida, registradas de março a junho de 2021, além de três entrevistas gravadas em 2019 pela equipe de comunicação de Sinpro. “São testemunhos reveladores da alma de um sindicato combativo, respeitoso com a categoria que representa e profundamente identificado com a comunidade em que atua. São relatos que têm o condão de iluminar o passado, contribuir para compreender o presente e ajudar a proteger o futuro. Em comum, o fato de todos eles convergirem para uma mesma constatação: a educação é libertadora”, contextualiza a apresentação da obra.

O livro é dividido em quatro capítulos: A construção da utopia; Despertar de vocações; Pluralidade, diversidade e luta e Olhar para frente. Entre os personagens da obra, está Wanda Clementina Dias Corso, a primeira professora de Brasília.

“O projeto do livro se defrontou com a pandemia da Covid-19, que acabou prejudicando o processo de produção do material. Entretanto, haverá outras edições da obra, que contemplarão muitas outras histórias de vida, de luta, de resistência, de coragem. O importante é que todos, todas e todes se sintam representados com quem está aqui, pois nossa luta é uma só”, disse a diretora licenciada do Sinpro-DF Rosilene Corrêa.

De forma simbólica, Rosilene Corrêa entregou a primeira edição impressa do livro à professora aposentada Maria Holanda Lopes de Carvalho, que também é uma das personagens da obra por fazer parte da luta histórica da categoria do magistério público do DF.

LEIA AQUI a íntegra do livro Sinpro-DF – Uma história de sonhos, lutas e conquistas no link

12º CTE
O 12º Congresso de Trabalhadores(as) em Educação continua neste sábado (9). Nesta edição, o lema do Congresso é “Um outro Brasil é possível”, e os eixos de debate serão fundamentados nos seguintes temas: conjunturas internacional, nacional e local; defesa da educação pública, gratuita, de qualidade, laica e socialmente referenciada; organização e estrutura sindical; e Plano de Lutas para o próximo período.

Saiba mais sobre o 12º CTE em https://bit.ly/39ZjzXl

 

Educação é instrumento para acabar com a fome

Uma criança de 8 anos da periferia de Manaus levava um pote de sorvete vazio para a escola e pedia para que enchessem com a merenda. Ele queria salvar a família da fome. A história ficou conhecida pelas redes sociais, a partir de publicações de jornais pouco conhecidos.

De imediato, a triste história da criança manauara motiva a reflexão sobre o Brasil da fome. Mas também mostra que a educação é instrumento insubstituível para que todos tenham o que comer. O tema foi tratado no painel “A tragédia da fome – a soberania do Brasil em questão”, realizado nesta sexta-feira, no 12º Congresso de Trabalhadores(as) em Educação. Na atividade, os palestrantes Frei Betto e a deputada distrital Arlete Sampaio mostraram que a educação pode sim interromper a fome de forma imediata, como no caso da criança da periferia de Manaus. Mas também deixaram claro que a educação se apresenta como estrutural no combate à fome.

Frei Betto, que participou do Congresso de forma virtual, lembrou que a educação nutricional é “porta pedagógica que permite entrar no tema da fome”. Segundo ele, a escola deve abordar os benefícios dos alimentos, bem como a ação criminosa do agronegócio, viabilizada como nunca pelo governo federal. “O agronegócio não produz comida para seres humanos, produz para animais”, disse ao afirmar que esse é um modelo de negócios de produção de alimentos voltado ao lucro e não à nutrição. “Escola serve para criar pessoas com consciência, não consumistas”, avalia Frei Betto.

O frade dominicano, que também é jornalista e escritor, lembrou que, atualmente, 33,1 milhões de brasileiros e brasileiras estão em situação crônica de fome e que 61 milhões pessoas no país enfrentam dificuldades para conseguir comida. Os dados são da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Isso em um país “apontado como um dos principais produtores de alimento do mundo”, e que já esteve fora do Mapa da Fome em um passado recente, destaca.

Para Frei Betto, é também através da educação que se esclarece a importância de políticas públicas contra a fome, decisivas para que comida no prato seja permanente. Ele lembra que a estratégia adotada às pressas e de maneira irresponsável pelo governo Bolsonaro por meio do Auxílio Brasil nunca teve como objetivo a sobrevivência do povo, mas sempre foi sobre “a possibilidade de reeleição e sobre a obsessão de salvar a si mesmo e a sua família diante das várias acusações muito sérias”. Prova disso é que a fome visita sistematicamente a casa do povo brasileiro antes mesmo da pandemia, desde 2018, quando o país voltou ao Mapa da Fome. “Os recursos existem para que a fome não predomine em nosso país, o que acontece é que hoje não há disposição política de combater a fome no país”, afirma Frei Betto.

Para a deputada Arlete Sampaio, “a escola é um instrumento fundamental para garantir alimentação para jovens e adolescentes”, seja na oferta da merenda escolar ou na oportunidade de se construir um futuro diferente, com acesso a renda e, consequentemente, a alimentação. Isso, segundo ela, reflete em um país forte e soberano.

“Qual o Brasil que a gente quer? Eu quero um Brasil soberano, que seja respeitado internacionalmente, mas que, sobretudo, cuide do povo brasileiro”, disse a deputada distrital que se despede do cargo público com a trajetória marcada pela defesa da educação pública de qualidade, que seja capaz de destruir todos os monstros sociais, inclusive a fome.

>> ASSISTA AQUI O PAINEL COMPLETO

Em homenagem a parlamentar, a diretora licenciada do Sinpro-DF Rosilene Corrêa, em nome da categoria do magistério público do DF, entregou a Arlete um ramalhete de girassóis. “Falar da Arlete é muito fácil, porque ela é e sempre será uma lutadora pela educação”, disse Rosilene.

12º CTE
O 12º Congresso de Trabalhadores(as) em Educação continua neste sábado (9). Nesta edição, o lema do Congresso é “Um outro Brasil é possível”, e os eixos de debate serão fundamentados nos seguintes temas: conjunturas internacional, nacional e local; defesa da educação pública, gratuita, de qualidade, laica e socialmente referenciada; organização e estrutura sindical; e Plano de Lutas para o próximo período.

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12º CTE: Estado e religião não se misturam

Numa mesa emocionante, representantes de diversas religiões foram unânimes em afirmar que Estado e religião não se misturam; o que a educação deve oferecer é um trabalho pedagógico que aproxime a todos os seres humanos para atingirmos a equidade. Participaram da mesa “Educação Laica e Diversidade religiosa versus fundamentalismo religioso”, o padre Júlio Lancellotti, o pastor Ariovaldo Ramos e Kota Mulanji.

Padre Júlio Lancellotti abriu o debate explicando que o processo educativo tem um segredo: o principio fundamental para o processo educativo é a convivência. Só aprendemos convivendo. Se você não convive, você não ama, não defende, não partilha. Precisamos reaprender  a termos compaixão, partilha, misericórdia e empatia. Esses sentimentos não são dimensões religiosas, mas dimensões humanas. Padre Júlio criticou líderes religiosos que se valem do discurso religioso para manipular as pessoas, promover homofobia, racismo, tantos títulos e nenhum deles digno.  “Não temos que buscar sermos religiosos, temos que buscar sermos humanizadores e humanizados no relacionamento humano. As dimensões humanas da vida não são privativas das religiões que, por sua vez, são um instrumento, e não um fim.” Para ele, o grande desafio para os educadores é como levar essa humanização para a vivência pedagógica, de maneira a formar pessoas capazes de empatia, misericórdia e compaixão.

Também lembrou Padre Júlio que o individualismo tira de nós a capacidade de um olhar com empatia, misericórdia e compaixão, numa sociedade tão desigual como a nossa. O capitalismo neoliberal tem a lógica do descarte. É impossível humanizar o capitalismo, que por si só é desumano, porque ele não leva em conta a vida, e sim a meritocracia. Ao afirmar que o ato educativo deve estar divorciado da meritocracia, e indagar o que significa  solidariedade numa estrutura genocida de um estado necrófilo, Padre Júlio recordou que “certa vez um secretário de educação de São Paulo me mostrou todos os projetos para os melhores alunos. E eu perguntei: E com os piores, o que você faz?”

Padre Júlio falou ainda que temos que lutar historicamente contra o sistema necrófilo de dominação, que está com o joelho na garganta do nosso povo, principalmente dos pobres. “Nessa sociedade racista que despreza os quilombolas, que mata a juventude negra, que é LGBTfóbica, machista, xenófoba, aporófoba  (hostilidade aos pobres e à pobreza) e misógina. São tantos títulos, nenhum elogioso. São sintomas de desumanização, próprios desse sistema.”

Padre Júlio finalizou sua fala de forma emocionante, lembrando que “Todos somos originais e diferentes. Temos que ser equitativos: cada um deve receber aquilo de que necessita. Não lutamos pelo povo, lutamos com o povo. Eu não luto para vencer, luto para ser fiel até o fim, porque sei que muitas vezes serei derrotado, mas serei coerente até o fim.”

O pastor Ariovaldo começou sua fala destacando que o Brasil tem a marca da religiosidade. São séculos sob uma cultura religiosa que apoiou o escravismo e abriu espaço ao capitalismo em suas várias manifestações. O pastor defende que educação religiosa num estado laico é uma impossibilidade. “O estado não pode se envolver com educação. Ou o estado é laico ou ele promove educação religiosa. Se é importante promover educação religiosa, que isto seja função de cada congregação religiosa. Educação religiosa promovida pelo estado é injustiça e ausência de igualdade.”

A sugestão do pastor é que o espaço da educação religiosa seja usado pelo estado para a construção de um programa de aprimoramento dos direitos humanos. Um espaço em que haja aproximação de todos os humanos para atingirmos um estado de equidade, no qual todo o racismo e toda forma de segregação sejam banidos. Isso é um trabalho pedagógico. O que estamos assistindo ao longo de vários anos é um atentado à laicidade do estado. Na prática, a educação religiosa se torna proselitismo, e isso não pode nem deve ser feito a expensas do dinheiro público. O que estamos presenciando é um governo que lança mão da religião com fins eleitoreiros e alienantes. São pessoas que se prestam a ser ópio do povo. Ele concluiu afirmando que todas as fobias citadas pelo Padre Júlio Lancellotti precisam ser tratadas num espaço para a construção da civilização, e não para abrigar esta ou aquela religião.

A última palestrante a fazer o uso da palavra foi Kota Mulanji, que lembrou do apagamento da história dos povos de origem africana ao longo dos séculos. Para a líder (e autoridade) religiosa, quando se pensa num outro Brasil possível, não se pode aceitar que esse novo Brasil tenha em sua estrutura o racismo, a desigualdade de gênero, tampouco que ele seja estruturado a partir da morte das ideias e dos povos originários. O novo Brasil possível, segundo Kota, deve ser pensado a partir do matriarcado, com a participação de todos. Ela lembrou que “apenas 2% da população brasileira é praticante de rituais religiosos de matrizes africanas, e esses 2% sofrem 70% dos atos violentos de intolerância religiosa. Não vamos ter estado ou educação laica se continuarmos com o projeto político em curso, que marginaliza aqueles que pensam de forma diferente.”

O discurso de Kota Mulanji contemplou em cheio a manifestação de uma das delegadas inscritas para falarem após os palestrantes. Muito nervosa, a professora aposentada Regina Célia começou explicando que, em 43 anos de sindicalizada, era a primeira vez que ia falar num evento do sindicato. Foi ovacionada. Emocionada, Regina lamentou profundamente não poder usar branco numa sexta-feira com medo de ser chamada de macumbeira. Também lamentou, aos prantos, que sua filha, no sul do Brasil, fosse discriminada pela diretora da escola em que trabalha quando levava comidas tradicionais para serem partilhadas com os colegas. A diretora vira as costas para a professora e diz que é comida do diabo. Ainda aos prantos, Regina Célia também lamentou profundamente ver seu filho vítima de homofobia.

Ao final de sua fala, diante de um auditório absolutamente emocionado que lhe ovacionava de pé, a professora Regina Célia foi abraçada longamente pelos mediadores da mesa, os diretores do Sinpro Márcia Gilda e Cléber Soares. Ao descer do palco, ela também recebeu um abraço em grupo de vários diretores do Sinpro.

O 12º CTE continua nesta sexta-feira com a mesa sobre a tragédia da fome. Mais tarde, teremos a posse da nova diretoria colegiada do Sindicato.

Assista, ao final deste post, o vídeo com a mesa “Educação Laica e Diversidade religiosa versus fundamentalismo religioso”.

 

 

A necessidade de se revogarem as políticas de destruição da educação

A segunda mesa desta sexta-feira, 08, segundo dia do 12º CTE, debateu os desafios da educação pública. Os palestrantes, professor Carlos Abicalil, ex-presidente da CNTE e ex-deputado federal, e Edileuza Fernandes, doutora em Educação pela UnB e professora aposentada da Secretaria de Educação, falaram sobre a importância de resistir e de reverter o projeto de destruição em curso no Brasil e no DF.

Primeiro a falar, Abicalil lembrou que a ex-presidenta Dilma Rousseff, ao sofrer o impeachment que a tirou do governo, afirmou que aquele era apenas o início de um processo que se aprofundaria. Passados seis anos do golpe, e ao quarto ano do governo diretamente produzido por ele, é possível confirmar que a crise econômica, a crise democrática e a crise civilizatória que enfrentamos hoje é consequência daquele movimento concebido e encaminhado pela elite brasileira para interromper uma caminhada de ampliação de direitos sociais e parâmetros democráticos.

O ex-deputado destacou que a realidade hoje é a da fome, da miséria e uma brutal concentração de renda. Sustentando a crise econômica, há um cenário de perseguição política, guerra cultural, apropriação privada do Estado e, em especial, a mentira como estratégia de comunicação, de disputa ideológica e de propaganda.

Para Abicalil, o governo da família Bolsonaro anunciou e promoveu uma verdadeira faxina ideológica. Na Educação, essa orientação é nítida: a direção de estruturas importantes no MEC, Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e outros órgãos está sob comando de militares ou líderes evangélicos neopentecostais alinhados com a família do presidente.

A tal faxina ideológica foi encaminhada também através da interdição do Plano Nacional de Educação e da censura ao ENEM – o governo alardeia que o exame deve ser técnico, e por técnico entende-se não abordar a ditadura militar ou questões relativas a gênero e diversidade, por exemplo.

Abicalil considera que Bolsonaro, e antes dele, também Michel Temer, assumiram a missão de desconstruir. A destruição deflagrada pelo golpe de 2016 resultou na emenda constitucional 95 (a “PEC do fim do mundo”); que segue se desenvolvendo em outras iniciativas, como a emenda 109, que congela as carreiras.

“Agora temos oportunidade de semear esperança, qualificar o diálogo, mobilizar forças sociais”, destacou o palestrante, apontando que colocar um fim nesse projeto de destruição é uma tarefa central.

Revogar as políticas de destruição

A professora Edileuza Fernandes iniciou sua fala ressaltando o alinhamento político, ideológico e de concepção de educação entre Bolsonaro e Ibaneis. Ambos os governos, de forma articulada, propõem, encampam e encaminham projetos e reformas que reforçam o ataque à educação pública e aos direitos de crianças e jovens.

São fartas as ações de desmonte: enfraquecimento da gestão democrática, militarização, ensino domiciliar, reforma do ensino médio, além das iniciativas de mordaça, que sempre estão rondando a atividade dos professores e professoras em salas de aula. “Não é por acaso, é um projeto”, enfatizou Edileuza. “Na Educação, a boiada está sendo passada”, completou, em referência à revoltante fala do ex-ministro Ricardo Salles no início da pandemia da Covid-19 no Brasil.

A professora observou que o discurso de desqualificação da escola pública e de seus profissionais vem recrudescendo desde o golpe. Assim, os setores ultraconservadores buscam abrir espaço para interferir na organização e nos conteúdos da escola.

Edileuza dedicou sua explanação a aprofundar temas caros à categoria no Distrito Federal, entre eles, a defesa da gestão democrática, da qual a eleição dos diretores – ela destacou – é apenas um dos itens. A militarização de escolas públicas, que fortalece a lógica do vigiar e punir para a educação, e que precisa ser combatida com prioridade.

Sobre a contrarreforma do ensino médio, como ela nomeou, a professora destacou que, entre outros graves problemas, são propostos itinerários formativos que as escolas não têm como operacionalizar, menos ainda num cenário em que não receberam nenhum incremento em estrutura. “Não tem como remendar, tem que revogar”, disse ela.

A palestrante também abordou a centralidade de se assegurar o acesso à educação e permanência com qualidade. “A evasão tem crescido”, ela apontou, destacando que a realidade das famílias mais pobres tem levado muitos jovens a deixarem a escola para assumir postos de trabalho precários.

Por fim, Edileuza também falou das propostas de educação domiciliar. “Que tipo de cidadão o homeschooling vai formar?”, questionou ela, destacando que quem defende tal proposta é a elite, e que os sérios impactos que ela teria sobre a educação das crianças e sobre a carreira do Magistério.

Edileuza finalizou sua com a importância da unidade para derrotar o conservadorismo e o autoritarismo que hoje prevalecem no Congresso Nacional, para que seja possível revogar todas essas políticas nocivas para a educação e para os direitos da população.

Assista o debate na íntegra:

12º CTE

O 12º Congresso de Trabalhadores(as) em Educação continua nesta sexta (8) e sábado (9). Nesta edição, o lema do Congresso é “Um outro Brasil é possível”, e os eixos de debate serão fundamentados nos seguintes temas: conjunturas internacional, nacional e local; defesa da educação pública, gratuita, de qualidade, laica e socialmente referenciada; organização e estrutura sindical; e Plano de Lutas para o próximo período.

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“As eleições de 2022 serão as eleições de nossas vidas”, dizem palestrantes

O título da matéria resume a análise de conjuntura realizada no segundo dia do 12º Congresso de Trabalhadoras/es em Educação (CTE). A primeira mesa, coordenada pelos diretores do Sinpro-DF, Berenice Darc e Fernando Reis, começou com uma profunda análise de conjuntura local, nacional e internacional, apontando soluções para resgatar o Brasil sequestrado pelo fascismo.

A Mesa de Análise de Conjuntura Internacional, Nacional e Local contou com a participação dos palestrantes Antônio de Lisboa Amâncio Vale, secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores Brasil (CUT Brasil) e conselheiro representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Organização Internacional do Trabalho (OIT); Ana Prestes, socióloga, cientista política e analista internacional; e Gabriel Magno, professor de física da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEE-DF), ex-dirigente do Sinpro-DF e dirigente licenciado da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Os três palestrantes apontaram a solução para o Brasil: eleger Luiz Inácio Lula da Silva a presidente da República no primeiro turno; exigir o respeito ao processo eleitoral; e garantir a posse de Lula em janeiro de 2023. Ou seja, evitar a materialização do novo golpe de Estado em curso, que visa a impedir a eleição de Lula e a retomada do desenvolvimento e do crescimento do Brasil. 

Além de destacarem a importância de se eleger Lula presidente no primeiro turno, os três expositores disseram que, mais do que isso, a população terá de ajudá-lo a governar. Observaram que não vai ser fácil governar sem o apoio popular e alertaram para fato de que também não será fácil retirar o Brasil de onde ele foi jogado pelos governos do golpe de Estado de 2016: no fundo do poço, numa situação em que o País está com sua soberania gravemente ferida, numa situação em que o Brasil perdeu credenciais externas, como credibilidade e até confiança para que outras nações o ajudem a crescer e a sair deste lugar de pária do mundo.

Conjuntura internacional

Lisboa, Prestes e Magno foram unânimes em afirmar sobre o andamento deste golpe de Estado, que visa a sequestrar as eleições de 2022 e alertam para o fato de que o golpe só será concretizado se não houver uma força maior, representada pelo povo, capaz de impedir essa escalada de assaltos contra o Brasil e à população.

Antônio de Lisboa foi o primeiro a falar e, segundo sua análise da situação conjuntural do mundo, é importante a todos e todas estarem atentos e atentas para o fato de que o avanço do fascismo é real e está presente no mundo inteiro. Ele avalia também que esse avanço do fascismo tem um pouco de responsabilidade de todos e todas. Segundo ele, começa a viver uma segunda fase da crise com a guerra da Otan e Ucrância contra a Rússia. “É preciso observar que essa crise não começou hoje. Ela vem desde 2013”, afirmou.

“O Fórum de Davos criou o movimento chamado “A grande retomada”. Trata-se do aprofundamento da retirada de mais direitos da classe trabalhadora, mais concentração de renda e mais financeirização das economias. Nesse cenário, a eleição brasileira é a mais importante do mundo. A eleição brasileira é a eleição do ano para o mundo. Todo o campo popular e democrático do planeta está preocupado com as eleições do Brasil”, informou o secretário da CUT Brasil.

Ele ressaltou que mais de 80% dos Produtos Internos Brutos (PIB) dos países estão, atualmente, destinados à especulação financeira e à especulação imobiliária, ou seja, à concentração de renda e de terras, de territórios, em mãos de poucos; e 18% está destinado à produção e à população mundial. “Esse quadro não começou com a pandemia da covid-19. Esse mundo desigual em que os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres começou antes da pandemia. Em 2018, já era bem visível a polarização também das regiões do mundo: os países do norte mais ricos e os países do sul mais pobres e desindustrializados”, disse.

Também lembrou que, antes de 2019, 10% dos países ricos do norte concentram as riquezas do planeta, têm maior uso das tecnologias, vivem a quarta revolução industrial e o mundo assiste, juntamente com isso, a uma escalada do aumento da extrema direita. “Antes de 2019, a riqueza global já estava sendo concentrada no hemisfério norte. Com a pandemia da covid-19, os setores das tecnologias e farmacêuticos foram os que mais concentraram renda, os Estados aceleraram a financeirização da produção de remédios e das vacinas. Ou seja, as vacinas e os remédios que são uma conquista da humanidade foram sequestrados e transformados em commodities”.

Segundo Lisboa, “o Brasil é o grande centro da disputa geopolítica mundial e as eleições deste ano serão as mais importantes do mundo”.

Conjuntura nacional e América Latina

Ana Prestes fez uma análise da situação da América Latina, mas, antes, observou que a nazificação da Ucrânia foi construída pelos EUA e pelos países ricos da Europa, que criaram todas as condições para a atual guerra acontecer. “EUA e Europa não respeitaram nem cumpriram o acordo de Minsk (ou protocolo de Minsk), assinado pela Ucrânia, Rússia, LPR e pela DPR (Donetsk People’s Republic)”, disse. Ela fala situação política e econômica da América Latina e da retomada das gestões democráticas, com eleição de presidentes de esquerda em quase todos os países da América do Sul e Central. Até a Colômbia, que nunca teve presidente da esquerda e é considerada colônia e preposto dos EUA na América do Sul, pela primeira vez na história, elegeu, este ano, um presidente de esquerda, que não assassinado.

“Considero que a Colômbia e o Brasil são as grandes eleições deste ano na América Latina em que a gente vai retomando as condições para reequilibrar essa balança de forças na nossa América Latina e o Brasil está completamente envolvido nessa conjuntura. A América Latina e do Sul dependem muito desta eleição brasileira. 2022 é o ano das eleições das nossas vidas porque enquanto o mundo mudava e a gente enfrentava a maior pandemia do século, o Brasil sucumbiu às forças das trevas, protofascistas, reacionárias, do atraso que estão deixando um legado de um país desindustrializado, na fome”, avalia Prestes.

A socióloga alertou para o fato de que não será fácil ganhar esta eleição. “Eles não vão entregar o governo fácil. Não é menor. A pressão que está sendo feita para a militarização do nosso processo eleitoral. Eles querem colocar os militares dentro do Tribunal Superior Eleitoral e apurem os votos, eles querem que os militares declarem o resultado. Não vamos subestimar. Isso foi feito na Bolívia em 2019. A força da participação popular da Bolívia salvou o país do golpe porque ali foi dado um golpe neste estilo. Não existia esse tipo de milícia e apareceu no golpe de 2019 na Bolívia. O Brasil hoje é um país de milícias. Não vamos subestimar essas operações que têm o apoio e protagonismo da OEA. A nossa luta é dupla: garantir a eleição no primeiro turno e a posse de Lula”, alertou.

Conjuntura local

Na conjuntura local, o professor e liderança sindical licenciada da CNTE, Gabriel Magno, fez uma análise local, mostrando o quanto o Distrito Federal e a categoria docente da capital do País têm levado prejuízos com a gestão do político Ibaneis Rocha (MDB) pelo fato de ele ser aliado ao governo neoliberal e fascista de Jair Bolsonaro (PL).

“Temos enormes desafios e 84 dias decisivos”, disse Magno em sua análise local de conjuntura. Ele observou que a primeira coisa que Ibaneis fez no campo da educação, quando assumiu o governo, foi militarizar 17 escolas públicas. “A primeira coisa que ele fez foi militarizar 17 escolas públicas, enfraquecimento da gestão democrática e perseguição à liberdade de cátedra e a professores e professora. Hoje ele atua na despolitização do processo eleitoral de 2022. O que Bolsonaro fez no Brasil, Ibaneis faz no Distrito Federal”, afirma.

O resultado disso, segundo ele, é a capital do País com mais de 300 mil pessoas vivendo na fome e 260 mil brasilienses nas filas dos CRAS (Centros de Referência de Assistência Social), uma das principais políticas públicas de distribuição de renda que foi, criminosamente, desmontada pelo governo Ibaneis. O desmonte do serviço social no Governo do Distrito Federal é uma vergonha.

Gabriel Magno também observou o desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS), às insistentes infrações à Lei 8080/1990, com a privatização inconstitucional da saúde pública por meio do IGES, que transformou a saúde no caos e na falta de assistência médica aos brasilienses. Também mencionou o caos na cultura e que iniciou o seu mandato na área cultural não garantindo o primeiro edital da FAC no seu governo. “Ele foi desfinanciando os setores e tudo isso foi passando na Câmara Legislativa do Distrito Federal e drenando dinheiro público para os seus próprios amigos”.

Confira no site vídeo com a Mesa Análise de Conjuntura Internacional, Nacional e Local do 12º Congresso de Trabalhadoras/es em Educação

COM MAIS DE 60 MILHÕES SEM ACESSO À COMIDA, BRASIL VOLTA AO MAPA DA FOME, DIZ FAO

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulgou, nessa quarta-feira (6), um levantamento em que o Brasil aparece de volta ao Mapa da Fome com 61 milhões enfrentam dificuldades para conseguir comida.

Na avaliação de Daniel Balaban, diretor do Programa de Alimentos da ONU no Brasil, a situação começou a piorar muito antes da pandemia da covid-19. “A pandemia não é a maior culpada pelo Brasil estar de volta a esses números extremamente altos de pessoas com fome. O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. Essa população precisa do apoio de políticas públicas para ser incluída na cidadania, incluída na sociedade. Fazer com que as pessoas possam produzir, possam participar, colocar pequenos negócios, possam ter hoje uma formação educacional diferenciada, uma formação profissional diferenciada”.

Em 2015, o Brasil tinha conseguido sair da classificação, que representa uma situação grave. Mas pelos números divulgados agora, desde 2018, o País está de volta ao Mapa da Fome. Segundo a classificação da entidade, um país entra no Mapa quando 2,5% da população enfrenta falta crônica de alimentos. O Brasil atingiu a fome crônica em 2022 com 4,1% da população sem acesso à comida.

Rafael Zavala, outro representante da FAO no Brasil, afirma que é preciso o governo federal investir nas políticas públicas que solucionavam e combatiam a fome na década passada, quando o Brasil saiu do Mapa da Fome. “A fome é uma tarefa de todos, mas também temos de gerar um esquema de diminuir riscos. Como? Se as políticas públicas estão dirigidas a fomentar a criação de empregos remunerados que gerem renda para as famílias, uma grande tarefa é investir para criar empregos e gerar estabilidade econômica na sociedade”.

O documento mostra que o número de pessoas que lidaram com algum tipo de insegurança alimentar foi de 61,3 milhões, número alarmante considerando que a população brasileira é estimada em 213,3 milhões.

 

Clique aqui e confira a matéria do Correio Braziliense

 

Descrença no futuro é projeto para inviabilizar um outro Brasil

Fome, miséria, desemprego, casos correntes e impunes de corrupção; tristeza, desesperança. Não seria equivocado dizer que tudo isso impulsiona a população a criar uma perspectiva de futuro perverso. Entretanto, para o economista Márcio Pochmann, a descrença no futuro não é exclusivamente a compreensão (e a vivência) do presente, mas sobretudo uma imposição feita pelas classes dominantes interessadas em não alterar estruturas. A aula magna realizada nesta quinta-feira (7) abriu o 12º Congresso de Trabalhadores(as) em Educação, realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

“Vivemos num momento em que há o cancelamento do futuro do Brasil”, afirma Pochmann. Essa aparente impossibilidade de se ter um futuro, segundo ele, se torna meio para implementação de projetos arrasadores, como a reforma da Previdência. A proposta, implementada em 2016, ganhou o apoio de parte importante da população ao impor que não haveria possibilidade de futuro – discurso ecoado pelos meios de comunicação tradicionais. “Toda vez que há uma possibilidade de mudança, as classes dominantes optam por apresentar as questões de ‘emergência’”, disse Pochmann, e continuou: “a direita se organiza quando a democracia não oferece resultados concretos”.

Foto: Deva Garcia

 

Para o economista, “vivemos uma sociedade de classes sociais, e em geral, a responsabilidade de pensar o futuro é dado ao ‘andar de cima’, pois no ‘andar debaixo’, dirão que não há possibilidade de pensar no Brasil do ano que vem, pois não se sabe se estarão vivos diante das necessidades que passam”.

Ao abrir as reflexões no 12º CTE, Pochmann foi incisivo ao afirmar que o futuro do país, considerando um outro Brasil possível, está nas mãos da classe trabalhadora, das organizações sociais de esquerda, do povo. “Fazem um debate pobre, miserável, que nos impede a utopia, o pensar que o amanhã pode ser melhor do que hoje. É possível, mas é preciso que estejamos organizados”, acredita.

A partir de análise da história do país, Pochmann lembrou que o Brasil, em 1935, tinha um partido fascista como o maior do país, com “1,2 mil organizações, 100 jornais”. “Esse fascismo de hoje é ‘fichinha’”, comparou o economista.

Ele lembrou que as mudanças que abalaram o sistema, como o fim da escravatura ou o voto das mulheres, foram construídas com o pensar no futuro, o acreditar no futuro, de forma organizada, coletiva. “Ao compreender o futuro, é preciso intervir sobre ele. A história está nas nossas mãos, mas precisamos romper com o diagnostico que nos faz acreditar que o futuro é pior do que o presente”, provoca Pochmann.

Embora o presente atordoe “quem não está no andar de cima”, como definiu Márcio Pochmann, o economista encoraja a mudança trazendo à tona a própria história. “Se contrapor à mesmice está na identidade da classe trabalhadora. Não há nada que nos impeça de fazer isso, a não ser o medo. Não tenho dúvidas de que um evento como esse (12º CTE) é capaz de mudar isso”, alertou.

>> VEJA AQUI O PAINEL COMPLETO

12º CTE
O 12º Congresso de Trabalhadores(as) em Educação continua nesta sexta (8) e sábado (9). Nesta edição, o lema do Congresso é “Um outro Brasil é possível”, e os eixos de debate serão fundamentados nos seguintes temas: conjunturas internacional, nacional e local; defesa da educação pública, gratuita, de qualidade, laica e socialmente referenciada; organização e estrutura sindical; e Plano de Lutas para o próximo período.

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Está oficialmente aberto o 12º CTE

O 12º Congresso dos Trabalhadores(as) em Educação (CTE) acaba de ser aberto na noite desta quinta-feira, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, com a participação de diversos integrantes de entidades sindicais que integraram a mesa de abertura.

Quem deu início à abertura do CTE foi o grupo Tambor de Crioula, patrimônio imaterial cultural do povo do Maranhão, com uma bela apresentação tradicional.  A seguir, a professora Myrlla Muniz fez uma interpretação emocionante do Hino Nacional Brasileiro.

Mesa de abertura em sintonia com um novo Brasil possível

Participaram da mesa de abertura os representantes da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) Gabriela Sidrin; da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino Particulares (CONTEE) e do Sindicato dos Professores dos Estabelecimentos Particulares (Sinproep), Rodrigo de Paula; da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão; da Central Única dos Trabalhadores (CUT-Brasil), Sérgio Nobre; do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Marcos Barato; e do Sinpro-DF, Vanilce Diniz.

Gabriela foi a primeira a falar. Lembrou que é muito importante que haja entrosamento entre professores e alunos, motivo pelo qual agradeceu o convite do Sinpro para participação no evento. Ela denunciou que o novo ensino médio foi implementado de cima para baixo, sem que fossem ouvidos os principais envolvidos no processo de aprendizagem: professores e alunos. As dificuldades ficaram ainda piores segundo a estudante, que avisa que o modelo do novo ensino médio abre brecha para a implementação do modelo cívico-militar, um modelo de repressão que não nos representa. A estudante também destacou que o ambiente escolar não é só um ambiente de educação, mas de cultura, lazer e convivência social, e nesse ambiente não cabe a realidade repressora militar.

Rodrigo afirmou que não só outro Brasil é possível: um outro DF também é possível. O Sinproep conta com 8 mil filiados e filiadas, que vivem o dia a dia do assédio moral e da exploração do trabalho. Rodrigo ainda denunciou o avanço que o setor privado tem promovido sobre a educação pública, principalmente o capital internacional.

Barato, do MST, lembrou da necessidade de debater a educação para construir sujeitos que possam de fato se entender e se perceberem como pessoas importantes para a construção de uma nação. E um dos eixos principais de mudança na sociedade é a educação, que é fundamental para construirmos os pilares da democracia e de uma nova sociedade.

Leão, da CNTE, clamou pela volta da democracia ao país, e disse que a democracia é aquela que acontece no dia a dia. Ele ressaltou que a democracia não mata os povos originários, nem assassina quem defende esses povos originários ou os quilombolas, nem mata pessoas em camburões da polícia rodoviária.

Nobre, da CUT, recordou que a nova diretoria do Sinpro toma posse na sexta-feira. Ele afirmou que quem deixa o mandato no Sinpro pode deixá-lo com a missão cumprida, elogiando a conduta e a liderança do sindicato no momento de extrema dificuldade vivido durante a pandemia.

Finalmente, Vanilce lembrou da importância de nosso voto neste momento, pois ele tem consequência e por isso deve ser muito bem pensado. Vanilce também disse que é urgente discutir a educação do Brasil e do DF, que vem sofrendo ataques financeiros e pedagógicos, numa inversão de quem tem autoridade e autonomia para o fazer pedagógico. O objetivo desses ataques, segundo a dirigente do Sinpro, é esconder a inoperância e a incompetência de quem deveria cuidar da educação e da população do DF.

O 12º CTE continua com a palestra de Márcio Pochmann e com a leitura e aprovação do Regimento Interno do Congresso.

Veja no vídeo abaixo a mesa de abertura do 12º CTE e a palestra de Marcio Pochmann.

EXPOSIÇÕES 12º CTE | Arte é resistência

Dez obras de arte expostas na galeria do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, onde é realizado o 12º Congresso de Trabalhadores(as) em Educação, comemoram o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922.

As telas expostas são de Marlene Costa, Dolores Ritter, Kely Karenina, Jorge Oliveira Junior, Regina Célia Melo e Zilá Messeder, professores da rede pública de ensino do DF.

Retrato de Clarice Lispector, de Marlene Costa  Técnica: Acrílica s/ Tela

 

Retrato de Eugênia Brandão, de Marlene Costa | Técnica: Acrílica s/ Tela

 

Cerro Bayo, de Jorge Oliveira Junior | Técnica: Impressão Fine Art 2/30, material museológico Canvas

 

Walter Firmo em cores, de Jorge Oliveira Junior | Técnica: Impressão Fine Art, papel museológico Canson Rag

 

Obra da série Holística – Somos parte do todo e o todo está em nós | Técnica: Acrílico sobre tela

 

Lockdown 2, de Dolores Ritter | Técnica: Aquarela sobre papel canson

 

Locjdown 1, de Dolores Ritter | Técnica: aquarela sobre papel canson

 

Livre, de Zilá Messeder | Escultura – Técnica: molde em cimento

 

Imagem sem ficha técnica

 

Línguas da paz, de Regina Célia Melo | Técnica: Acrílica s/ tela

A Semana de Arte Moderna foi um movimento artístico realizado no Brasil, mas de reconhecimento mundial. Protagonizado pela elite artística brasileira, o movimento, amado e vaiado, rompeu com os aspectos formais antes imprescindíveis à produção de peças artísticas, e inseriu em livros, telas, poemas, músicas cores vívidas, formas desgarradas do realismo, regionalismos que revolucionaram a estética.

O centenário da Semana de Arte Moderna também é tema do XII Concurso de Redação e Desenho do Sinpro-DF, que tem como tema “Semana de Arte Moderna: 100 anos depois – O 22 de agora é mais que eu, somos nós”. O concurso lembra que o grito dado em 1922, pautado na liberdade individual de produção, agora, em 2022, é dado de forma conjunta, com a arte produzida nas ruas, nos palcos improvisados, que querem a periferia em vez de elitismo; o povo preto em vez de racismo; as mulheres organizadas em vez de machismo; o povo indígena em vez de latifúndio; a comunidade LGBTQIA+ em vez de preconceito; a juventude afrontosa em vez de autoritarismo. Saiba mais em https://bit.ly/3584yjq

Culturas, histórias, experiências
O 12º Congresso de Trabalhadores(as) em Educação também reservou espaço para 20 expositores(as), que trouxeram livros, revistas, temperos, artigos indígenas, acessórios, jogos de alfabetização que transpõem o significado de produto e acabam representando culturas, histórias, experiências.

Matheus Teles Aigo é um dos expositores do 12º CTE. Da etnia Boe Bororo, ele traz artesanatos de mais de 300 povos originários. Segundo ele, os artefatos de cores variadas e formatos distintos são trazidos para a cidade para difundir a cultura e a espiritualidade indígena, ao mesmo tempo em que ajuda a no sustento de centenas de pessoas.

“Na nossa tradição, os nossos artesanatos e adornos são usados apenas em rituais sagrados. Então, vivemos da comercialização de artesanatos de parentes de outras etnias. Ajuda, na forma de economia criativa, para eles terem fonte de renda”, explica Matheus.

Matheus Teles Aigo

 

Do outro lado do saguão, a professora aposentada da rede pública de ensino do DF Ana Cláudia Silva expõe uma série de jogos infantis confeccionados por ela, utilizados para a alfabetização e aprimoramento da coordenação motora.

Ela conta que se aposentou há três anos, e decidiu continuar ensinando través do artesanato. Com 25 anos de experiência em alfabetização, ela explica com cuidado cada material exposto.

“Sou apaixonada por alfabetização. Então, me aposentei, mas continuo alfabetizando. Muita gente me procura, e eu fico superfeliz”, conta sorridente Ana Cláudia, que tem 52 anos.

Ana Cláudia Silva

 

Os trabalhos ficarão expostos até sábado (9), quando se encerra o 12º CTE. Nesta edição, o lema do Congresso é “Um outro Brasil é possível”, e os eixos de debate serão fundamentados nos seguintes temas: conjunturas internacional, nacional e local; defesa da educação pública, gratuita, de qualidade, laica e socialmente referenciada; organização e estrutura sindical; e Plano de Lutas para o próximo período. Saiba mais em https://bit.ly/39ZjzXl. Assista ao evento ao vivo. Saiba como no link https://bit.ly/3RfC1vF

Acompanhe o 12º CTE ao vivo

As mesas do 12º Congresso de Trabalhadoras(es) em Educação serão transmitidas ao vivo pelo canal do Youtube (https://bit.ly/3utrmUk) e pela página do Facebook (https://www.facebook.com/sinprodf) do Sinpro-DF. O objetivo é facilitar o acesso da categoria aos debates realizados no 12º CTE.

Temas como desafios da educação pública, educação laica e fundamentalismo religioso e cultura e direitos humanos no enfrentamento ao fascismo estão na programação do 12º CTE. Confira a seguir os links específicos de cada mesa:

 

12º CTE AO VIVO  – DIA 7 | ABERTURA, 19h || UM NOVO BRASIL É POSSIVEL, 19h45
https://youtu.be/B1E0nvEXjHs


12º CTE AO VIVO – DIA 8 | ANÁLISE DE CONJUNTURA INTERNACIONAL, NACIONAL E LOCAL, 8h30
https://youtu.be/Ar9JJV4JkWQ

 

12º CTE AO VIVO – DIA 8 | DESAFIOS DA EDUCAÇÃO PÚBLICA, 10h
https://youtu.be/HbchcqAd0m4

 

12º CTE AO VIVO – DIA 8| EDUCAÇÃO LAICA E DIVERSIDADE RELIGIOSA X FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO, 14h || A TRAGÉDIA DA FOME – A SOBERANIA DO BRASIL EM QUESTÃO, 16h30
https://youtu.be/JWfi0bykd7U


12º CTE AO VIVO – DIA 8 | POSSE DA DIRETORIA COLEGIADA DO SINPRO-DF, 19h30
https://youtu.be/4vAG4Af5L5g


12º CTE AO VIVO – DIA 9| CULTURA E DIREITOS HUMANOS NO ENFRENTAMENTO AO FASCISMO, 13h30
https://youtu.be/T6UbZW4cPYA

 

12º CTE AO VIVO – DIA 9 | DESAFIOS DA CLASSE TRABALHADORA DIANTE DAS MUDANÇAS NO MUNDO DO TRABALHO, 16h30
https://youtu.be/iALUcI8MbfQ

Os links da transmissão ao vivo dos debates também serão enviados pelo Informativo Sinpro-DF. Receberão o material todos(as) aqueles(as) que estão na lista de transmissão do sindicato. Interessados(as) em fazer parte dessa lista deverão enviar uma mensagem de WhatsApp para o número (61) 99323-8131, informando nome completo e regional de ensino que atua. Para receber o material enviado, é necessário salvar o número na agenda do celular.

O 12º Congresso dos Trabalhadores (as) em Educação será realizado de 7 a 9 de julho, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Nesta edição, o lema será: “Um outro Brasil é possível”, e os eixos de debate serão fundamentados nos seguintes temas: conjunturas internacional, nacional e local; defesa da educação pública, gratuita, de qualidade, laica e socialmente referenciada; organização e estrutura sindical; e Plano de Lutas para o próximo período. Saiba mais em https://bit.ly/39ZjzXl.

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