Assembleia geral com paralisação, nesta quarta (1º/6)
Jornalista: Vanessa Galassi
Professores(as) e orientadores(as) educacionais da rede pública de ensino realizarão assembleia geral com paralisação no dia 1º de junho, quarta-feira. O encontro será às 9h30, na Funarte.
A assembleia tem como objetivo definir os rumos da luta da categoria por recomposição salarial e atendimento às pautas pedagógicas. Isso porque o cenário imposto ao magistério público do DF é de sete anos de congelamento salarial, salas de aula superlotadas, carência de monitores e falta de professores nas escolas.
Na assembleia, além da pauta da recomposição salarial, também serão abordadas questões como a defesa da gestão democrática e a realização de concurso público para o magistério.
Caminho percorrido
O governador Ibaneis Rocha tem tentado capitenear os resultados da luta de professores(as) e orientadores(as) educacionais. Entretanto, não há como negar que a incorporação do auxílio saúde ao vencimento, o pagamento da última parcela do reajuste salarial conquistado em 2013 e devida desde setembro de 2015, além do reajuste do auxílio alimentação (R$ 394,50 para R$ 640) são avanços garantidos a partir da unidade e a da mobilização da categoria.
Mas não para por aí. O objetivo da categoria do magistério público é alcançar a Meta 17 do Plano Distrital de Educação, que equipara o vencimento básico de professores e professoras à média da remuneração das demais carreiras de servidores públicos do DF com nível superior.
É por isso que a orientação do Sinpro-DF é de que a mobilização seja intensificada, para garantir que a Educação seja prioridade.
Transporte
O Sinpro-DF disponibilizará transporte para levar professores(as) e orientadores(as) educacionais à assembleia geral desta quarta-feira, dia 1º. A saída será às 8h, em todos os locais. Confira abaixo:
PLANALTINA-CEE01 Planaltina, próximo à rodoviária
SOBRADINHO-CEM01 (ginásio)
PARANOÃ – Igreja da Praça Central
SÃO SEBASTIÃO – CAIC Unesco
NUCLEO BANDEIRANTE – CEMUB (antigo CEMNB)
SANTA MARIA – CE Especial (passando na EC 215)
GAMA – CEM 02
RECANTO DAS EMAS – CRE – (antiga Faculdade da Terra)
RECANTO DAS EMAS – Ced Mirian Ervilha/ Escola Buriti
SAMAMBAIA – Estacionamento da feira permanente da 202 (entre a feira e o prédio)
TAGUATINGA-Taguaparque (estacionamento ao lado da administração)
CEILANDIA – (estacionamento da agência do BRB do centro)
BRAZLÄNDIA – Praça do Laço
FORMOSA – Igreja Catedral no Centro
GUARÁ – Estacionamento do GG
Senado coloca projeto que regulamenta CREF e CONFEF na ordem do dia dessa quinta (02)
Jornalista: Luis Ricardo
O Sinpro convoca a categoria para se mobilizar contra o PL 2486, projeto que regulamenta os Conselhos Regionais de Educação Física (CREF) e o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF). Os(as) professores(as) de educação física que atuam nas escolas da rede pública de ensino do Distrito Federal têm a última chance de lutar contra esta arbitrariedade, já que o Senado Federal colocou o projeto que regulamenta CREFs e CONFEF na Ordem do Dia do Plenário para essa quinta-feira (02) e caso seja aprovado pela Casa, a contribuição será obrigatória.
O senador Paulo Paim apresentou uma Emenda para que esses profissionais com atuação nas escolas públicas brasileiras, da educação básica, ficassem de fora do escopo de regulamentação que abarca os sistemas de regulação profissional, no caso o sistema CREF/CONFEF. Mesmo diante da pressão feita pelo magistério público, a emenda foi rejeitada pelas comissões de Esporte e de Assuntos Sociais do Senado.
Tramitação no Congresso
O projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados, mantendo a cobrança, e em seguida foi encaminhado para o Senado Federal. Após passar pela Comissão de Esporte, a emenda que retirava a cobrança de taxa dos(as) professores(as) das escolas foi rejeitada e em seguida tramitou na Comissão de Assuntos Sociais. Apesar da relatora, senadora Rose de Freitas, ter sido a favor da emenda do senador Paim Paim, a comissão rejeitou a proposta por 9 votos a 8.
Mande mensagem para os contatos e redes sociais dos(as) senadores(as) e acesse a plataforma do Educação Faz Pressão. Juntos(as) podemos impedir que este retrocesso seja aprovado.
Confira a lista de todos(as) os(as) senadores e o perfil das redes sociais:
Surto de covid nas escolas públicas aumenta o número de professores e estudantes contaminados
Jornalista: Maria Carla
O aumento da taxa de transmissão do novo coronavírus no Distrito Federal já indica, desde a semana passada, que a capital do País começou a enfrentar a quarta onda da pandemia da covid-19. O número de professores, estudantes e trabalhadores técnico-administrativos contaminados nas escolas públicas e privadas demonstra haver um surto um dos principais termômetros de que a população está doente.
Há mais de 10 dias o Sinpro-DF recebe, quase que diariamente, pedidos de orientação sobre o que fazer com escolas que estão vivendo o novo surto de covid-19 e outras doenças respiratórias. No entendimento da diretoria colegiada, essa nova onda já era esperada por causa da histórica irresponsabilidade e desrespeito à vida dos governos Bolsonaro e Ibaneis que editaram decretos retirando o caráter emergencial da situação e eliminando todas as medidas de contenção do vírus, como distanciamento social, uso de máscaras e de álcool 70% e, sobretudo, a vacinação em massa.
Na semana passada, a mãe de uma estudante de uma escola particular da capital denunciou na mídia e reclamou que, em uma turma de Ensino Médio, há 12 casos suspeitos — 10 estudantes e dois professores teriam sido diagnosticados com a doença — sem suspensão das aulas. A denúncia saiu na imprensa. No entanto, muito antes disso, o Sinpro-DF começou a receber pedidos de orientação para conter o surto de contaminação nas escolas públicas.
Enquanto a covid-19 se espalha com rapidez entre crianças e adolescentes nas salas de aula superlotadas da rede pública de ensino, o governo Ibaneis Rocha (MDB) vai à mídia propagandear a “construção” de “novas duzentas” salas de aulas. O Sinpro tem cobrado do governo a construção de novas escolas em razão do crescente aumento do número de estudantes na rede.
O fato é que duzentas salas de aulas não resolvem o problema da demanda e muito menos evita a quarta onda da covid porque até mesmo as novas duzentas salas de aula já estão esgotadas e superlotadas. O resultado disso, todo mundo já sabe: haverá aumento de casos graves e de mortes em pouco tempo. A tragédia está anunciada há tempos. A taxa de transmissibilidade no Distrito Federal chegou a 1,44 na sexta-feira (27/5).
A diretoria do sindicato defende a urgente a continuidade das campanhas de vacinação de todas as idades, mas, sobretudo a imunização com a terceira dose de adolescentes entre 12 e 17 anos. Também defende o investimento do Governo do Distrito Federal (GDF) na vacinação das crianças o mais rápido possível. Para os(as) adolescentes quem já tomaram as duas primeiras, é importante a terceira. E também cobra do governo a deflagração de nova campanha de imunização, com todas as doses, para quem ainda não se vacinou.
Quarta onda e subnotificação
Jonas Brant, professor adjunto da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador da Sala de Situação de Saúde da universidade, disse ao Sinpro-DF que não existe um número “normal” para essa taxa de transmissibilidade. Ele informa que “o ideal é que esteja abaixo de 1 para ir diminuindo a epidemia, mas esse número pode chegar a 2 ou 3 se não houver medida nenhuma para conter”, afirma.
O professor diz que o Distrito Federal e o Brasil estão entrando numa nova onda de covid-19 e que, no caso do DF, já é a quarta onda. “Os casos têm crescido numa maneira bastante rápida e, ao mesmo tempo, com um padrão de casos leves. Não temos visto aumento de internações e número de óbitos. É importante a gente destacar essa mudança no padrão de ocorrência dessa doença, o que tem feito com que alguns gestores não adotem medidas de enfrentamento com o argumento de que isso não está gerando sobrecarga na rede assistencial, mas devemos manter as medidas para diminuir ao máximo a transmissão desse vírus”, diz o professor.
Graças à vacina, há, hoje, um número infinitamente menor de casos graves e de mortes. No entanto, Brant avisa que, com esse novo o aumento de número de casos, como já começou a ocorrer no Distrito Federal, a tendência é aumentar o número de casos graves e mortes, principalmente no grupo de risco que já é conhecido para a covid, como é o caso das pessoas com asma e demais imunosuprimidas.
“Um dos problemas desta quarta onda de covid-19 no Distrito Federal é a baixa testagem pelos sistemas de vigilância por causa dos testes de farmácia e do fato de as pessoas com sintomas leves não buscarem o atendimento hospitalar. Isso faz com que o sistema de público acabe registrando baixa notificação e fica sem conhecer o quadro de contaminação atual. “Com isso, nós tendemos a enxergar uma parte menor do que está acontecendo na realidade. Essa é uma preocupação que os gestores devem levar em consideração, ou seja, o número de casos que estão ocorrendo na comunidade em relação ao número que estamos contabilizando, provavelmente é muito maior, porque temos um grande número de casos de assintomáticos, um grande número de casos leves, além dessa barreira de acesso a esses dados que nós já temos historicamente no nosso sistema de saúde”, afirma Brant.
Ele diz que para as escolas, de maneira geral, há um grande desafio posto. “É um grupo que recebeu menos doses de vacina, principalmente as escolas para crianças menores. Temos aí uma hipótese, ainda em investigação, de que a hepatite de origem desconhecida tem uma relação com a infecção prévia pela covid, então, as crianças devem ser vacinadas. Isso deve ser um foco de atenção das escolas para que o máximo de crianças seja vacinado. Ao mesmo tempo temos outro desafio que é o de garantir que esses espaços com grande adensamento de pessoas não sejam espaços de espalhamento do vírus. Que o vírus não encontre nesses ambientes uma forma de se disseminar, chegando a atingir grupos de risco ou mesmo grupos de jovens que ainda não estejam vacinados”, alerta.
Temos um cenário, no Distrito Federal principalmente, mas no Brasil como um todo, de escolas que optaram por construir planos de contingência, se organizando e definindo turnos para notificação e vigilância e orientações aos pais, e de escolas que optaram por deixar essa responsabilidade para o sistema de saúde que não fez, basicamente, nada do ponto de vista de saúde pública dentro da escola. E isso me parece que vai ser cobrado agora, na quarta onda da covid-19 no DF. Ou seja, as escolas que conseguiram incorporar, dentro de suas cortinas, processos de trabalho para garantir a vigilância de casos suspeitos,a comunicação com familiares e com a comunidade que freqüenta a escola e as medidas de biossegurança dentro da unidade escolar, vai ter condições de enfrentar este momento de uma maneira mais tranqüila.
Para o professor, não há necessidade, a princípio, de suspender as atividades escolares. “Nós já aprendemos muito com este vírus. Temos, hoje, condições de organizar as escolas e os ambientes de trabalho para que eles não sofram o impacto direto dessa transmissão ou de outras doenças. As escolas que se organizaram, terão condições de manter as suas atividades operacionais por muito mais tempo do que uma escola que não se organizou porque nessas escolas sem organização é provável que tenha surtos de muito maior magnitude e aí se justifica a suspensão das atividades escolares ou pelo menos de parte da escola”, observa.
Os fatores que contribuem com o aumento da transmissão
Joana D’arc Gonçalves da Silva, médica infectologista da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) e da rede privada, disse ao Sinpro-DF que existem fatores, atualmente, que podem contribuir para o aumento do número de casos de covid-19 e de síndromes respiratórias agudas. “Por exemplo, a gente sabe que nos meses de inverno, as pessoas ficam mais juntas, em ambientes fechados, e isso predispõe para o aumento de doenças infecciosas e de transmissão respiratória, como é o caso do SARS-Cov-2, de Influenza, Sincicial Respiratória e outros vírus que circulam durante este período de forma mais intensa”, alerta.
Além disso, ela diz que se sabe que existe um percentual da população que ainda não se imunizou contra a covid-19. “Temos aí, aproximadamente, 80% da população do Distrito Federal vacinada. Mas, aí, tem ainda esse bolsão de 20% não vacinado com a segunda dose e ainda temos os que não fizeram o reforço. Há, ainda, um acúmulo de pessoas, que são os imunossuprimidos, que, para desenvolvimento da resposta inflamatória precisa da imunidade e nem sempre eles acabam adquirindo a quantidade de anticorpos suficientes para serem protegidos”.
Joana observa que, mesmo com as vacinas, com o tempo, os anticorpos vão caindo. “A gente tem visto que as vacinas ou mesmo a própria doença dita uma imunidade transitória, além das novas variantes que acabam escapando também do sistema imunológico, produzindo infecção e as pessoas também transmitindo. Todos esses fatores juntos fazem com que a gente tenha aí um aumento no número de casos.
Segundo a médica, “a análise do comportamento do vírus que vai nos auxiliar na predição e na previsão de como vai ser a pandemia nos próximos anos, mas o vírus da covid-19 tem driblado as expectativas e muitas informações não foram como a gente pensou que seria. O comportamento viral tem dificultado aí a previsão em relação às ondas. No Distrito Federal não é diferente. A gente, além de tudo isso, teve a reabertura dos serviços de forma concomitante, com diminuição de todas as restrições, do uso de máscara, e isso tudo, com certeza, vai nos levar a novas ondas, novos aumentos, e a gente vai ter de ficar preparada para conviver com o vírus, mas tentar também driblar a questão da gravidade, de hospitalizações para que a população não adoeça e morra em massa”.
Novo surto e as recomendações para as escolas
“Não é somente o uso da máscara que vai conter a transmissão. É por isso que, num ambiente de um cenário de ambiente escolar, é importante que a escola adote alguns temas que ofereça uma cortina estratégica para isso, que são, principalmente, a vigilância participativa – ou seja, o engajamento da comunidade para que os casos sejam notificados e a escola possa tomar atitudes para evitar novas contaminações”, orienta Jonas Brant.
Neste momento, é preciso levar em consideração as variáveis relacionadas ao inverno e ao comportamento do governo, bem como às novas variantes de covid-19 que escapam da vacina e da imunização provocada pela doença. Com isso, esperamos sim novos surtos, aumento de casos.
“O canal endêmico ainda não foi construído, ou seja, a gente ainda não tem os detalhes exatos do comportamento viral. Isso é para o futuro. Mas, o que a gente espera é que sim, que a tente vai ter, dependendo do comportamento da população, dependendo das festas, dos shows, do grau de exposição da população, a gente vai ter para mais ou para menos o aumento do número de casos”, alerta a médica Joana D’arc.
Ela observa que o decreto desobriga o uso de algumas ferramentas, mas não existe uma proibição e que na maioria das vezes, nas instituições trabalha com manuais de boas práticas. E, assim, a partir do momento que temos um aumento significativo do número de casos, a instituição é autônoma para tomar decisões de acordo com as recomendações técnicas que estão nos manuais.
As recomendações técnicas para contenção de surtos exigem a utilização de algumas ferramentas farmacológicas. Exige ter a disponibilidade do insumo para se ter o rastreio. A escola pode recomendar sim manter o distanciamento e o uso de máscara. A escola pode adotar novamente todas as recomendações que já foram as diretrizes traçadas para o sistema educacional.
“Mesmo que tenha, como temos hoje, uma série de doenças infecciosas sem uma legislação que determine como deva ser o comportamento da população, existem as recomendações técnicas e, com isso, as escolas podem adotá-las, verificando o que é possível fazer para minimizar a infecção generalizada. O gestor tem uma série de manuais e diretrizes para nortear as ações. Dependendo do número de casos na escola, é importante a vigilância epidemiológica juntamente com o governo devem tomar uma decisão mais radical e avaliar a necessidade de obrigatoriedade de algumas ações”, finaliza Joana.
Comissão geral na CLDF mostra que novo ensino médio já fracassou
Jornalista: Alessandra Terribili
Na última quinta-feira, dia 26 de maio, uma comissão geral convocada pelo Bloco Sustentabilidade e Educação da Câmara Legislativa do DF (CLDF) demonstrou que todas as preocupações dos movimentos da área da educação quanto ao “novo” ensino médio (NEM) se confirmaram. E pior: outros problemas se somaram àqueles que tinham sido previstos. A reunião foi presidida pelo deputado distrital Reginaldo Véras, e contou com a participação dos deputados distritais João Cardoso (Avante) e Leandro Grass (PV) e da subsecretária de Educação Básica, Solange Foizer. A diretora do Sinpro Rosilene Corrêa também integrou a mesa, expondo a visão da categoria, e professores(as) e estudantes das escolas onde o projeto começou a ser implementado de modo piloto foram convidados a dar seu testemunho.
As galerias da CLDF estavam tomadas por estudantes, os principais atingidos pelas mudanças. Os relatos ali compartilhados não deixaram dúvidas: o NEM tem uma orientação privatista, de sucateamento da educação pública. Não há remédio ou forma de melhorar a implementação, a única solução é a revogação.
A forma como o projeto foi apresentado à sociedade e imposto à comunidade escolar representa bem o seu cunho autoritário. A proposta veio à tona – e por medida provisória – durante o governo golpista de Michel Temer, em meio aos cortes de orçamento e o teto de gastos imposto pela Emenda Constitucional 95. “O contexto dessa reforma é de muitos ataques à educação”, disse a diretora do Sinpro Rosilene Corrêa. “Como uma proposta que retira conteúdos em vez de acrescentar pode ser boa?”, indagou ela.
No debate realizado na Câmara Legislativa, ficou nítido que o que está sendo oferecido, na realidade, não é o “aprofundamento” em uma área, conforme vende a propaganda governamental, mas sim, o acesso a um conhecimento em detrimento de outro. Os itinerários a serem percorridos pelos estudantes não são apresentados integralmente a todos: as escolas não são obrigadas a oferecer todos eles. Pior: as escolas públicas sequer dispõe das condições, estrutura e recursos necessários para oferecer todos eles.
Dessa forma, as desigualdades sociais e regionais são aprofundadas: em regiões pobres, itinerários mínimos; em regiões ricas, uma oferta ampla e diversificada. “A escola particular talvez tenha condição de garantir a oferta, mas essa não será a realidade da escola pública. Então, os nossos estudantes ficarão excluídos do conjunto das possibilidades”, destacou Rosilene. “O que se apresenta pra eles não é soma, é substituição, e substituição de coisas importantes”, completou.
Uma das estudantes que apresentou seu depoimento revelou que, embora a área que ela buscasse fosse a da biologia, um sorteio a encaixou na área de química. “E agora eu estou em linguagens”, contou ela. Ou seja, a farsa da autonomia e da liberdade de escolha esbarra na retirada de recursos das escolas públicas e na dificuldade de estrutura para garantir as ilusões criadas. Os jovens não efetuam, de fato, uma escolha – afinal, só seria escolha se a oferta fosse ampla -, e ainda são alijados de conteúdos que seriam fundamentais para compor seu conhecimento e sua futura trajetória em qualquer área. “Imagina qual será a realidade nas escolas do campo”, convidou um estudante.
Os professores e professoras que deram seu testemunho apontaram a falta de diálogo e de comunicação. As lacunas na execução da proposta surgiram desde o primeiro momento da implementação nas escolas-piloto. Os sistemas não estavam preparados sequer para os diários de classe. “É como andar sem bússola”, comparou um professor, ressaltando que a falta de informação e de estrutura faz com que todos se sintam perdidos.
A mudança repentina e sem preparação da organização semestral para a bimestral também foi muito criticada. E toda essa mudança se deu em meio a uma pandemia que ceifou a vida de mais de 660 mil brasileiros e brasileiras, sendo 11,6 mil no Distrito Federal. “Como promover uma mudança desse porte, sem diálogo, com cortes orçamentários e ainda em meio a uma pandemia que nos jogou no ensino remoto?”, foi o questionamento de muitos.
A comissão geral mostrou inequivocamente que o projeto de “novo” ensino médio não apenas não corresponde à ideia de inovação, como reforça o sucateamento da educação pública, abrindo caminho para a consolidação de um projeto de privatização. A esta altura do campeonato, a saída permanece sendo a mesma: revogação já.
INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O XII CONCURSO DE REDAÇÃO E DESENHO DO SINPRO
Jornalista: Maria Carla
“Semana de Arte Moderna: 100 anos depois – O 22 de agora é mais que eu, somos nós” é tema do XII Concurso de Redação e Desenho do Sinpro-DF. A atividade, direcionada a estudantes da rede pública de ensino, é gratuita. As inscrições já estão abertas pelo link a seguir:
Nesta edição, é feita a reflexão de que o movimento artístico que rompeu com a formalidade e deu um grito por liberdade centrado no “eu” agora é contextualizado com o “nós”. O 22 de hoje traz a arte-resistência que transpõe a estética e se enraíza no social; realizada na periferia, pelo povo pobre, preto, marginalizado.
“A arte é uma das maneiras mais eficazes de denunciar a opressão, os interesses escusos de governos, as atrocidades feitas com um povo. Ao mesmo tempo, a arte também é uma das principais ferramentas de conscientização da população que, a partir do lúdico, pode compreender definitivamente a atuação das classes dominantes”, analisa a coordenadora de Imprensa e Divulgação do Sinpro-DF, Letícia Montandon.
Ela explica que o espaço da escola é determinante para que a arte-resistência seja valorizada e visibilizada. “A partir das redações e desenhos queremos despertar nos estudantes e nas estudantes da rede pública de ensino a importância da arte e da cultura na construção de uma sociedade justa, plural; democrática. No centenário da Semana de Arte Moderna, queremos ressaltar que o hoje quer a periferia em vez de elitismo, o protagonismo do povo preto em vez de racismo; as mulheres organizadas em vez de machismo, o povo indígena em vez de latifúndio, a comunidade LGBTQIA+ em vez de preconceito; a juventude afrontosa em vez de autoritarismo. E é a educação libertadora que traçará esse destino”, diz a sindicalista.
O Concurso de Redação e Desenho do Sinpro-DF integra a campanha “Quem bate na escola maltrata muita gente”.
Inscrições
Podem participar do XII Concurso de Redação e Desenho do Sinpro-DF “Semana de Arte Moderna: 100 anos depois – O 22 de agora é mais que eu, somos nós” os estudantes de escolas públicas do ensino regular, ensino especial, Altas Habilidades e EJA (Educação de Jovens e Adultos), incluindo estudantes do Sistema Socioeducativo ou do Sistema Prisional. As inscrições vão de 4 de abril a 10 de junho.
Embora as inscrições só possam ser feitas pela internet, a entrega do trabalho poderá ser feita digital ou presencialmente, na sede ou em uma das subsedes do Sinpro-DF.
O trabalho deve ser entregue em folha específica disponível para download no site do Sindicato, junto com autorização para utilização do trabalho concorrente em qualquer peça de comunicação do Sinpro-DF. O modelo de autorização também está disponível no link da inscrição.
O regulamento do concurso divide a apresentação de trabalhos em sete categorias, nas modalidades redação/poesia e desenho. Para cada faixa etária/segmento há regras específicas, como, por exemplo, quantidade mínima e máxima de linhas para a redação.
Premiação
Nesta edição, serão premiados os três primeiros lugares de cada categoria. Em todas elas, o 1º lugar receberá um aparelho celular Samsung Galaxy A12 64GB; o 2º será premiado com um aparelho tablet Samsung Galaxy Tab A7 lite 32GB 4G; e o 3º lugar leva um aparelho celular Samsung Galaxy A02 32GB. Estudantes do Sistema Socioeducativo ou do Sistema Prisional poderão ter o prêmio convertido em dinheiro.
Também serão contemplados professores(as) ou orientadores(as) indicados(as) pelos(as) estudantes vencedores(as) de cada categoria, com premiações de R$ 1.200 para o 1º lugar, R$ 500,00 para o 2º lugar e R$ 300 para o 3º lugar.
Professora e orientadora educacional, responda sinceramente: seus exames de saúde estão em dia? Quando foi a última vez que você fez um exame ginecológico? Já fez uma mamografia? Seu exame de sangue está OK?
Você que, provavelmente, cuida de todos à sua volta, já se permitiu ser cuidada? Ou, pelo menos, se lembra de cuidar de si mesma?
“As mulheres (cis ou trans) são naturalmente sobrecarregadas nas tarefas do cotidiano, e esquecem de cuidar de si mesmas. Esse dia é muito importante para que lembremos de cuidar de nós mesmas. É preciso manter a conscientização de nossa categoria, que é majoritariamente feminina, sobre os cuidados com a saúde.”, lembra a diretora do Sinpro responsável pela Secretaria da Saúde do Trabalhador, Thaís Romanelli.
Neste 28 de maio, é celebrado o dia internacional da saúde da mulher. O principal objetivo dessas datas comemorativas é chamar a atenção e conscientizar a sociedade sobre diversos problemas de saúde comuns na vida das mulheres, tais como: câncer de mama, endometriose, infecção urinária, câncer no colo do útero, fibromialgia, depressão e obesidade.
O prolongamento da pandemia de coronavírus por mais de dois anos traz uma série de impactos e consequências sobre a saúde das mulheres. Alguns desses impactos incluem perda de meios de subsistência, aumento da carga de cuidados não remunerados para mulheres e meninas, riscos aumentados de violência baseada em gênero e barreiras ao acesso a serviços essenciais de saúde sexual e reprodutiva, incluindo aborto seguro e assistência pós-aborto, segundo informações da Rede Global Feminina pelos Direitos Reprodutivos (WGNRR, por suas siglas em inglês).
Ceilândia recebe evento cultural protagonizado por mulheres
Jornalista: Letícia Sallorenzo
A Casa do Cantador, na Ceilândia (QNN qd 32 área especial G), recebe neste fim de semana o evento “Operárias das Artes”. O evento reúne produções culturais e artesanais de mulheres, com o objetivo de promover a elevação da qualidade de vida da população feminina e dar visibilidade às produções artístico-culturais na perspectiva de lançar as bases para a construção de uma nova cultura não patriarcal, com um olhar especial dirigido às mulheres das camadas populares, incentivando o protagonismo feminino na cultura por meio da ampliação do acesso aos meios de valorização, formação, criação, difusão e fruição cultural.
Produções culturais – feitas por mulheres ou sobre mulheres – têm o poder de fazer transitar a questão de gênero em ambientes de formação de ideias e valores. A poesia, o teatro, a música, a arte de rua, o circo, o artesanato, a literatura, o cordel, o cinema… Esta certeza traz para o projeto “Operárias das Artes” ações que buscam potencializar o protagonismo feminino na cultura, com destaque para o apoio à ocupação artística e cultural da cidade e para a atuação em áreas da cadeia produtiva da cultura, que hoje é predominantemente masculina.
O evento contará com expositores como: Psicografando doces, Afronadia.Biju, Mariluce Nogueira Rede Pequi, Akadi Axessórios, Quintal Campesino, Ceuci, Ateliê Hamilton Zen, Cosméticos Xodó e muitos outros.
Há 7 anos, CEF 407 de Samambaia supera analfabetismo funcional com Projeto de Leitura
Jornalista: Maria Carla
Frequentar a escola, assistir às aulas, assinar o próprio nome e ler um livro nem sempre significa que a pessoa esteja entendendo o que está fazendo e que o aprendizado esteja fluindo como deveria. Muitas vezes, crianças e adolescentes passam pelo Ensino Fundamental e Médio sem adquirir e nem internalizar o conhecimento lecionado por falta de habilidades que as capacitem para isso.
Números recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) confirmam essa tragédia educacional, com a qual professores(as) e orientadores(as) educacionais das redes pública e privada de ensino convivem todo dia. Em fevereiro deste ano, a ONG Todos pela Educação divulgou estudo segundo o qual 41% das crianças de 6 a7 anos não sabem ler nem escrever, muito embora seja nessa idade que as crianças brasileiras iniciam sua trajetória no mundo das letras e começam, nesse período, a aprender de fato.
Mesmo assim, a organização diz que esse é o maior índice de analfabetismo registrado no Brasil desde 2012 e que esse recorte de idade ocorreu por causa do Plano Nacional de Educação (PNE), que tem como diretriz curricular a alfabetização de crianças no 1º e 2º Anos do Ensino Fundamental, quando as crianças têm idades entre 6 e 7 anos.
Analfabetismo funcional na mídia
O tema do analfabetismo funcional foi veiculado, nessa segunda-feira (23/5), no Jornal Nacional, da TV Globo, como algo ainda mais grave. Segundo apuração do JN, milhares de estudantes brasileiros chegam ao Ensino Médio sem conseguir ler fluentemente e que mais de 50% chegam ao 3º Ano do Ensino Fundamental sem ter habilidades básicas de leitura.
Na matéria, além de mostrar a presidente-executiva da ONG, Priscila Cruz, falando sobre outros dados e atribuindo muito dessa tragédia educacional à pandemia da covid-19, o JN destaca o Projeto de Leitura do Centro de Ensino Fundamental nº 407 da Samambaia (CEF 407 da Samambaia): uma solução pedagógica vitoriosa, que vem retirando muitos estudantes do analfabetismo funcional.
O Projeto de Leitura foi criado, em 2015, para ensinar crianças e adolescentes do CEF 407 a ler, entender, compreender e aprender o conhecimento ministrado na escola. Cinco anos antes da pandemia do novo coronavírus, a equipe de docentes da escola pública do Distrito Federal detectou o problema mencionado na matéria do JN e começou a enfrentá-lo.
Josuel Santos da Silva, professor de história e vice-diretor do CEF 407, é o autor, juntamente com as professoras de língua portuguesa Márcia Videira e Teresa Cunha, do Projeto de Leitura. Ele diz que foi justamente por causa da constatação desse analfabetismo funcional na escola que o elaboraram. “Em 2015 percebemos que um grupo de estudantes de nossa escola estava incluído nessa estatística e resolvemos retirá-los da lista. Criamos o Projeto de Leitura”, conta.
“Foi elaborado com a preocupação de criar formas de ensinar o e a estudante a gostar de ler. O projeto foi encampado pela escola e, no início de cada semestre, os(as) professores(as) se unem para escolher um livro de literatura paradidático que será lido por todos em todas as disciplinas juntamente com os estudantes na sala de aula; quer seja na aula de história, geografia, matemática, química”, explica Josuel.
Segundo ele, o resultado é extraordinário. “Temos, agora, por exemplo, estudantes se propondo a escrever livros. A proposta é fazer de um grupo de estudantes que tinha dificuldade com a leitura e a escrita a gostar de ler e até a querer ser escritores. Hoje, eles e elas perguntam: ‘professor, como posso escrever um livro?’ Ou seja, se o livro era um objeto afastado numa estante, essa criança agora pensa na possibilidade de ser um escritor, uma escritora”, revela.
Do muro ao concreto: do castigo ao prazer de ler
“Chamamos carinhosamente, entre nós, professores, de Projeto de Leitura, mas a cada ano a gente ajusta o título para a temática do ano. Este ano, o tema está relacionado ao muro da escola em razão da pintura e sua visibilidade, que está vinculada às autoras que trabalhamos nas obras”, anuncia o vice-diretor.
Para ele, o muro da escola é uma escolha política. Aliás, o muro e o baobá (foto) são um sinal de resistência ao modelo de gestão militarizada imposto pelo governo Ibaneis Rocha (MDB) em 2019. O Gisno e o CEF 407 foram duas escolas que resistiram a esse modelo de gestão que ocorre em algumas escolas do Distrito Federal, cuja principal ação, quando é instalada, é tolher a liberdade de cátedra, as liberdades individuais e pintar os muros de branco.
“Mesmo que a Globo não tenha falado sobre isso, temos lá cinco autoras negras. Mulheres negras, escritoras. E aí temos de pensar em qual é a cor da educação pública. Estamos falando de crianças negras. E na nossa prática lidamos muito mais com as mães. Então quando a gente entra em contado com as famílias, a gente fala com as mães, com as avós. Como é uma forma de representar positivamente essa comunidade. Tanto é que a gente escolheu esse relato de família”, diz Josuel.
O vice-diretor conta que, nesses 7 anos, o projeto passou por um amadurecimento que o levou a ter dois princípios básicos: a educação antirracista e a antissexista. “O muro dialoga com esses dois princípios. Agora, estamos construindo um nome temporário que é ‘Do muro ao concreto’. Mas não o concreto do cimento, e sim o concreto da realidade concreta e imediata dos(as) estudantes”, argumenta.
Segundo ele, uma das primeiras iniciativas do grupo ao adotar o Projeto de Leitura foi a de mudar a velha e alienante cultura de que salas de leitura são o espaço de castigo das escolas. “A primeira coisa que a gente rompeu foi com essa cultura e instituímos que a leitura não deve ser um lugar de punir estudantes. Pelo contrário, a leitura tem de ser prazerosa. E foi assim que mudamos a cultura de que estudante deve ser punido em sala de leitura. Conseguimos, em diálogo com os(as) professores(as), superar isso e, em diálogo conosco mesmo, leitores e leitoras, estabelecemos essa nova cultura”.
Em 2015, o Projeto de Leitura começou com a preocupação de ensinar a gostar de ler. O problema da deficiência de leitura, da falta de habilidades básicas de leitura entre os estudantes é um diagnóstico detectado muito antes de 2015, de muito antes da pandemia da covid-19. A equipe da 407 já via que os estudantes não liam e que quando liam não entendiam o que liam, não davam sentido ao que liam e alguns copiavam e não davam sentido ao que copiavam. Professores(as) foram vinculando cada vez mais a leitura à docência e superando o problema.
A cor da educação pública: uma proposta pedagógica
Gina Vieira, criadora do projeto Mulheres Inspiradoras também esteve no CEF 407
Os(as) professores(as) aderiram ao projeto e vincularam, cada vez mais, a leitura ao trabalho pedagógico de cada disciplina e à docência de cada um. Assim, quando o projeto nasceu, ele não nasceu como uma coisa à parte do trabalho docente. Ele é parte desse trabalho.
“Muitas vezes a gente foca muito no livro paradidático, o livro escolhido no semestre, mas esse projeto de leitura acontece o ano inteiro com o material que a professora e o professor montam com o livro didático, com a escrita do e da estudante, com a elaboração do e da estudante e, muitas vezes, no tempo dele ou dela. Claro que o professor e a professora vão corrigindo e reelaborando essa escrita. Mas, num primeiro momento, valoriza muito a escrita criativa. Por isso que tem aquele relato de estudantes falarem de ter vontade de serem escritores e escritoras”, explica Josuel.
Frei Betto e professores no CEF 407
Este ano, o Projeto de Leitura completa 7 anos. Na formatação inicial, de 2015, uma das primeiras obras trabalhadas, foi “O pequeno príncipe”, uma novela escrita pelo aviador aristocrata francês Antoine de Saint-Exupéry. “Escolhemos a tradução de Frei Betto e fomos recebidos por ele, que nos colocou em contato com a editora e com outras possibilidades que refletem até hoje nessa ação pedagógica. Na época, Frei Betto escreveu uma carta para os estudantes da escola que distribuímos para cada um dos estudantes”, conta.
Hoje, o projeto trabalha com autoras negras, como Meimei Bastos, de Brasília e moradora da Samambaia, Kiusam de Oliveira, Carolina Maria de Jesus, a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, dentre várias outras escritoras negras. O CEF 407 vem demarcando uma resistência na educação. Recentemente, a comunidade plantou um baobá (foto) no estacionamento da escola.
“Não é acidental. É uma escolha política porque se trata de uma escola que está construindo uma proposta educacional afrocentrada e, por isso, antirracista e antissexista e em diálogo com as Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08, que estabelecem a obrigatoriedade do ensino da cultura e história africana, afro-brasileira e indígena, além de manter um diálogo com o nosso Currículo em Movimento. Assim, plantar o baobá e pintar o muro é uma escolha política”, afirma Josuel.
De um Projeto de Leitura que nasceu em 2015 como um trabalho de alguns professores e professoras, ele cresceu de tal forma que, em 2016, foi ajustado e passou a integrar o Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola até o início da pandemia da covid-19, envolvendo o maior número de professores dos turnos matutino e vespertino.
Este ano, quando tudo voltou ao normal, presencialmente, o método ainda é utilizado por vários(as) professores(as). Continua sendo um sucesso e segue, há quase uma década, formando novos leitores com habilidades e capacidades para entender o que lê, de escrever textos e até de transformar pessoas com ojeriza à leitura em novos amantes dos livros. O projeto é tão bem recebido pelos(as) estudantes que muitos pedem para a escola os(as) ensinar a ser novos(as) escritores(as).
Professores(as) e orientadores(as) educacionais decidiram nas urnas que a Chapa 1 – Com Você, Por Você dirigirá o Sinpro-DF no triênio 2022-2025. O grupo é composto por 39 titulares e cinco suplentes. Desse total, 13 (1/3 da chapa) são novas lideranças sindicais. Os demais membros foram reeleitos.
A apuração dos votos foi iniciada no fim da noite dessa quinta-feira (26/5) e encerrada às 5h45 desta sexta-feira (27/5). Foram registrados 8.124 votos válidos, 72,71% deles para a Chapa 1 – Com Você, Por você e 27,29% para a Chapa 2 – Alternativa. Brancos e nulos representam 2,69% dos votos.
As eleições do Sinpro-DF tiveram início no dia 25 de maio. Para o processo eleitoral, foram disponibilizadas 168 urnas, sendo 42 fixas e 126 itinerantes.
Para Luciana Custódio, reeleita à direção do Sinpro-DF, a expressiva votação da Chapa 1 é reflexo do trabalho desenvolvido nos últimos anos, “que teve como pilares o compromisso e a responsabilidade com a categoria”.
“Nossa categoria foi às urnas e mostrou que reconhece o nosso trabalho. Agora, temos à frente o desafio de reestabelecer a educação como prioridade no DF. Embora tenhamos feito o impossível para que nossas crianças e adolescentes não ficassem sem o direito à educação durante a pandemia, o cenário é crítico. Nós fizemos nossa parte, mas o GDF abandonou a educação. E hoje faltam até professores nas escolas públicas”, disse a dirigente sindical.
Luciana Custódio lembra que, desde o ano passado, o Sinpro-DF vem insistindo no diálogo com o GDF para que fossem realizadas iniciativas que convergissem com a recomposição salarial pleiteada pela categoria. “Estamos há sete anos sem reajuste salarial. Fizemos todos os esforços para que as nossas perdas fossem compensadas, mas o GDF se mostrou intransigente. Conseguimos sim avanços importantes, como a incorporação do auxílio saúde ao vencimento e o pagamento da última parcela do reajuste salarial conquistado em 2013, devida desde setembro de 2015. Mas ainda há muito a avançar, e não abriremos mão disso”.
A dirigente reeleita do Sinpro-DF lembra que o objetivo da categoria do magistério público é alcançar a Meta 17 do Plano Distrital de Educação, que equipara o vencimento básico de professores e professoras à média da remuneração das demais carreiras de servidores públicos do DF com nível superior.
Além de lutar pela recomposição salarial do magistério público, a Chapa 1 – Com Você, Por Você traz como propostas a luta pela incorporação da Gaped, a realização de concurso público e convocação imediata para carências definitivas, a luta contra a educação domiciliar, a eleição direta para diretores e vice, entre outros pontos.
Pós do Sinpro: Faltam 5 dias para o fim das inscrições
Jornalista: Letícia Sallorenzo
Não se esqueça! Se encerram na próxima terça-feira (31/5) as inscrições para o curso de pós-graduação lato sensu do Sinpro, “Educação Básica e Direitos Humanos na Perspectiva Internacional”. Elaborado na modalidade de ensino a distância (EaD), o curso é voltado para profissionais sindicalizados, portadores de diploma de graduação relacionado ao tema da educação básica. Será ofertado em parceria com o Grupo de Cooperação Internacional de Universidades Brasileiras (GCUB) e o Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da Universidade de Brasília (Ceam/UnB).
A Parceria Sinpro / Ceam-UnB / GCUB resultou na oferta desse curso de pós-graduação lato sensu que formará especialistas em Educação Básica e Direitos Humanos. Serão ofertadas 200 vagas gratuitas para profissionais sindicalizados, com reservas de vagas para aposentados(as), professores(as) de contrato temporário, e também para negros, quilombolas e pessoas com deficiência. O processo seletivo consistirá em análise de currículo e comprovantes.
Serão oferecidos 6 módulos (disciplinas), cada um ofertado por dois professores, ao longo de 12 meses, em 360 horas. O grupo docente é formado por professores(as) de diversas universidades brasileiras e de outros países da América Latina e Europa. Ao final do curso, o(a) aluno(a) deverá defender um trabalho de Conclusão de Curso (TCC), em formato de monografia ou artigo.
Módulo 1: Trabalho, sociedade e educação básica na experiência internacional
Módulo 2: Educação básica: boas práticas no mundo
Módulo 3: Metodologia de pesquisa: ação-reflexão-ação
Módulo 4: Organização sindical na educação básica: diferentes perspectivas
Módulo 5: Organismos internacionais, direitos humanos e educação básica do Brasil
Módulo 6: A relação educação básica e universidade em diferentes países
Metas do PDE
A ideia é criar uma formação continuada, de maneira que, ao final da especialização lato sensu, seja oferecido outro curso em nível de mestrado profissional, uma das lutas principais da diretoria colegiada do Sinpro. Luciana Custódio, coordenadora da secretaria de Formação do Sinpro, é também uma das coordenadoras dessa especialização. Ela lembra que o curso de especialização lato sensu atende ao cumprimento das metas do Plano Distrital de Educação (PDE).
Segundo a secretária de Formação do Sinpro, na prática, este curso de especialização é “mais um passo importante na formação política e pedagógica da categoria, com caráter interseccional e intersetorial e de promoção da luta de classe. Essa formação pavimentará o caminho para a elaboração de um programa de especialização de mestres(as) e doutores(as), bem como a valorização e a progressão horizontal na carreira”.
“O nosso interesse é oportunizar, por meio dessa especialização, o encontro entre o conteúdo previsto (e que foi preparado com muito carinho) com o conhecimento e a prática que cada aluno (a) trará em sua bagagem, gerando trocas que, certamente, resultarão na construção de estratégias para que a educação se paute na defesa dos direitos humanos, na ciência e na prática coletiva e se inspire em experiências exitosas a nível mundial, em especial, na América Latina, por isso tem sua base na Pedagogia da Luta por Direitos e utiliza a ação-reflexão-ação como metodologia”, diz a professora Urânia Flores.