É preciso pensar em uma educação pública de qualidade. Concurso público já

Nos últimos dias a grande imprensa noticiou a falta de professores(as) e orientadores(as) educacionais em escolas da rede pública de ensino do Distrito Federal. A pauta, insuflada pela reclamação de vários pais e mães devido ao número insuficiente de educadores(as) em sala de aula, além da precariedade de materiais pedagógicos e infraestrutura, tem sido levantada pelo Sinpro-DF há anos, pois a deficiência de professores(as) e orientadores(as) educacionais compromete diretamente a qualidade de ensino dos(as) estudantes.

Em uma das frentes de luta, o sindicato lançou a campanha A Educação pede socorro: concurso público já para professores e orientadores educacionais, ação pensada como forma de cobrar do Governo do Distrito Federal a garantia do direito constitucional à educação pública com qualidade socialmente referenciada, inclusiva, plural, laica e continuada; o que só pode ser viabilizado com a garantia do concurso público. É importante salientar que a rede pública conta com inúmeros(as) professores(as) temporários(as), que são de grande importância para a rede no atendimento das vagas temporárias, contudo, acabam ocupando uma vaga definitiva, mas de forma temporária, perdendo a oportunidade de se efetivar devido à ausência do concurso público.

 

Precarização

Segundo dados da própria Secretaria de Educação do DF, a rede pública de ensino tem uma vacância de mais de cinco mil professores(as) efetivos(as). O número é decorrente de aposentadorias (7.232), falecimentos (837), exonerações (637) e demissões (51). Mesmo com a nomeação de 3.371 professores(as) de 2016 a outubro 2021, o saldo de vacâncias na Carreira do Magistério do DF nos últimos cinco anos é de 5,3 mil, segundo informações obtidas via Lei de Acesso à Informação.

Os dados mostram que o número de educadores(as) é insuficiente para a demanda da rede. Apesar disto, o caminho utilizado pelo GDF é de focar nas contratações temporárias. Hoje a rede pública conta com 24.713 mil professores(as) efetivos(as) e 10.791 mil em regime de contratação temporária. Ou seja, do total de 35.504 mil educadores(as) em sala de aula, mais de 30% recebe salário menor, tem direitos fragilizados, não tem progressão salarial, não tem direito a afastamento remunerado para estudo, à licença prêmio, à licença servidor, e sequer tem direito de solicitar dispensa para acompanhar filho adoentado.

Além da flagrante precarização da mão de obra docente, a aposta em contratação temporária em detrimento da realização de concurso público para o magistério reflete na incerteza da continuidade do ensino-aprendizagem, justamente pela falta de estabilidade dos(as) professores(as) em regime de contratação temporária.

 

Orientadores educacionais

Segundo dados de 2020 da SEE, apenas 1.132 orientadores(as) educacionais atendem 685 unidades escolares e 458.805 estudantes. A insuficiência de quadro gera um cenário devastador para este(a) profissional, piorado por iniciativas do próprio GDF. Prova disso é a portaria nº 14 de janeiro desse ano, que estabelece uma modulação impondo 800 estudantes para 1 pedagogo(a)-orientador(a) educacional. Segundo o documento, de 801 a 1.600 estudantes, são destinados apenas 2 pedagogos(as)-orientadores(as) educacionais; e a partir de 1.601 estudantes, 3 pedagogos(as)-orientadores(as) educacionais.

Outro ponto alarmante é que desde 2016 apenas 723 orientadores(as) educacionais foram nomeados(as), sendo que a última convocação foi realizada em 2019. “Antes dessa portaria, já convivíamos com um número alarmante, que destinava 600 estudantes para cada orientador ou orientadora educacional. Agora, temos aumento de número de estudantes por profissional, mesmo sem a realização de concurso para a contratação de novos orientadores. Com isso, o que vemos cada dia mais é o adoecimento desses orientadores e orientadoras e a impossibilidade de avançar na qualidade do trabalho da orientação educacional. Há uma demanda crescente da atuação desses profissionais na rede pública de ensino do DF, o que depende de realização de concurso público para ser solucionado”, reflete o dirigente do Sinpro-DF Luciano Matos.

 

Concurso público é a solução

Para a diretora do Sinpro Rosilene Corrêa, para que haja uma educação sólida, é necessário que professores(as) e erientadores(as) educacionais sejam estáveis, valorizados e autônomos. Estáveis para dar continuidade às relações didático-pedagógicas; valorizados para ter possibilidade aumentar o desempenho; e autônomos para que o exercício da docência e da orientação educacional não esteja submetido a interesses pessoais de terceiros. “Diante da ausência de concurso público e da necessidade de estar inserido no mercado de trabalho, professoras e professores, principalmente os mais jovens, são obrigados a aderir à contratação temporária. Inclusive, muitos desses contratados temporariamente estão no banco reserva do último concurso realizado para o magistério. O resultado é alarmante: precarização da mão de obra docente e prejuízo para o ensino das nossas crianças e adolescentes”, reflete a dirigente do Sinpro-DF Rosilene Corrêa.

Pela lei, professores(as) substitutos(as) são contratados para suprir carências temporárias, provisórias e afastamentos legais dos professores efetivos. “Mas o que a gente vê é uma substituição da eventualidade pela regra. Por custarem menos para os cofres do governo, cada vez mais professores substitutos são contratados, e há cada vez menos concurso público para o magistério”, contesta Rosilene Corrêa.

CREF: Sinpro convoca categoria a pressionar senadores a votarem a favor da emenda 3

O Sinpro convoca a categoria a pressionar, insistentemente, os(as) senadores(as) a votarem em favor da emenda 3, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que altera o Projeto de Lei nº 2.486/2021 e torna facultativa a filiação de professores(as) de educação física do ensino formal em todos os níveis da educação ao Conselho Regional de Educação Física (Cref) e ao Conselho Federal de Educação Física (Confef).

 

O PL 2486/21 é um documento criado pelo governo Jair Bolsonaro (PL-RJ) e apresentado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional para limitar e condicionar o exercício da profissão das pessoas formadas em educação física à filiação ao Cref e ao Confef e ainda impedir esses(as) profissionais de se filiarem a sindicatos. Ele foi aprovado na Câmara dos Deputados e enviado ao Senado Federal, onde tem passado por várias alterações para impedir o autoritarismo.

 

Recentemente, a senadora e relatora do PL, Rose de Freitas (MDB-ES), também protocolou um parecer ao projeto que acata a emenda 3 do senador Paulo Paim e torna facultativa essa filiação. Nesta terça-feira (17/5), esse projeto estava pautado para ser discutido, a partir das 11h, em nova reunião da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), mas foi retirado de última hora a pedido da relatora.

 

Contudo, a emenda 3 de Paim e o parecer de Freitas estão protocolados no sistema eletrônico de tramitação dos projetos do Senado e podem entrar na pauta a qualquer momento. Importante destacar que, além do novo parecer da senadora, que acata a emenda 3 de Paim e outros, havia sido apresentado também um requerimento de destaque da emenda para ser votada em separado ao projeto.

 

Diante da situação, o Sinpro ressalta que o requerimento de urgência 299, apresentado pelo senador Romário (PL-RJ), cujo objetivo é atropelar as discussões democráticas sobre esse conteúdo e aprovar o PL do Cref de qualquer jeito, ainda pode ser apreciado pelo Plenário da Casa Legislativa, abreviando a tramitação do projeto. Por isso, o sindicato convoca a categoria a pressionar, insistentemente, os(as) senadores(as) por meio da plataforma Educação Faz Pressão.

 

Ou seja, o PL 2486/2021, que regulamenta o Cref e o Confef, impõe a obrigatoriedade de os(as) professores(as) de educação física de se filiarem aos dois conselhos. Contudo, após discussões sobre a inconveniência dessa obrigatoriedade, o senador Paim apresentou a emenda 3, que retira essa obrigatoriedade e torna facultativa essa filiação.

 

Em seguida, a senadora Rose de Feiras, que é relatora do PL na CAS, protocolou um parecer que acata o conteúdo da emenda 3 do senador petista e, para o qual, o sindicato pede o apoio dos(as) senadores. Ao acolher a emenda 3, o parecer da senadora também torna facultativa, aos(às) profissionais de educação física integrantes do ensino formal em todos os níveis da educação, a inscrição nesses conselhos.

 

Acesse a plataforma Educação Faz Pressão e pressione os(as) senadores a votarem em favor do parecer de Rose de Freitas. Não permita autoritarismo no magistério! Acesse o link: https://bit.ly/3NkDEFv

 

Reajuste do auxílio alimentação será pago já na folha de maio

O novo valor do auxílio alimentação, de R$640,00, começa a ser pago a partir da folha deste mês, ou seja, até o quinto dia útil de junho. A informação foi confirmada na prévia da folha de pagamento de maio/2022.

O decreto 43.309/2022, publicado pelo GDF na última quarta-feira (11), afirmava que os efeitos financeiros teriam validade a partir de 1º de junho. O reajuste era uma reivindicação antiga da categoria, já que os valores praticados estavam desatualizados e muito comprometidos pela inflação.

O Sinpro-DF continua lutando para equiparar o valor do auxílio alimentação de professores(as) e orientadores(as) educacionais ao dos(as) servidores(as) da Câmara Legislativa (CLDF), que está no valor de R$ 1.532,74 (pago em maio/22).

Prazo para definir data de reposição é até esta quinta (19)

Em circular enviada às coordenações regionais de ensino (CREs), a Secretaria de Educação (SEDF) orienta que as escolas devem definir a data de reposição da última paralisação (12/05) até a próxima quinta-feira, 19. As definições quanto à reposição têm se dado de forma unilateral por parte do governo, rompendo com uma prática histórica de esse processo ser negociado entre Sinpro e SEDF.

A reposição deve ser feita de forma presencial no dia 28 de maio ou 4 de junho, conforme orientação da SEDF. As CREs devem enviar para a Suplav/Diplan/GPOF (Subsecretaria de Planejamento, Acompanhamento e Avaliação – Diretoria de Planejamento), por meio das Uniplats (Unidades Regionais de Planejamento Educacional e Tecnologia na Educação), a relação de escolas que farão a reposição do dia letivo e a respectiva data escolhida. Isso deve ser feito até quinta-feira, 19 de maio.

MATÉRIA EM LIBRAS

17 de maio – Dia Mundial de Combate à Homofobia

A retirada da homossexualidade da lista de Classificação Internacional de Doenças (CID) marcou o dia 17 de maio como o Dia Mundial de Combate à Homofobia. Desde então, a data tornou-se símbolo da luta contra o preconceito e violência a lésbicas, gays, transgêneros, Queers, intersexos, assexuais, e a favor da diversidade sexual. A ação foi realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A data foi concebida em 2004, após uma campanha de um ano culminar no primeiro Dia Internacional Contra a Homofobia. Cerca de 24 mil pessoas e organizações, como a Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA), a Comissão Internacional de Direitos Humanos de Gays e Lésbicas (IGLHRC), o Congresso Mundial de Judeus LGBT e a Coalizão de Lésbicas Africanas assinaram um apelo para apoiar a iniciativa IDAHO, com atividades acontecendo em vários países.

O principal objetivo do dia 17 de maio é aumentar a conscientização sobre violência, discriminação e repressão de comunidades LGBTQIA+ em todo o mundo, o que, por sua vez, oferece uma oportunidade de agir e dialogar com a mídia, legisladores, opinião pública e sociedade civil em geral. Além disso, a data possibilita a visualização, em nível global, da necessidade de se confrontar atos de violência com ações a favor da comunidade. Essa abordagem descentralizada é necessária devido à diversidade de contextos sociais, religiosos, culturais e políticos em que ocorrem violações de direitos.

Apesar de toda luta e de tantas ações feitas pelos quatro cantos do mundo, a luta contra a homofobia ainda enfrenta muitos desafios e precisamos nos engajar pela garantia de direitos ainda negados a essa parcela da população. Parte deste grupo continua agindo como se homossexualidade fosse doença, fato que o Sinpro é totalmente contrário. “Sempre foi muito difícil trabalhar essa pauta nas escolas e no meio sindical. É preciso lutar pelo respeito para estar aberto ao diálogo e, assim, avançarmos cada vez mais. Se os professores LGBTQIA+ encontram um clima ruim no seu ambiente de trabalho, isto traz adoecimento. É preciso lutar para mudanças necessárias”, ressalta a diretora do Sinpro Ana Cristina.

É preciso trabalhar para promover os direitos de pessoas com orientações sexuais, identidades ou expressões de gênero diversas e características sexuais. Isso permite um amálgama generalizado de diferentes expressões que se unem para compartilhar o orgulho de si mesmo, a felicidade e o amor com os outros, à medida que os participantes assumem o controle de diferentes formas desenfreadas de ódio no mundo.

 

Sinpro lança segundo vídeo sobre a Secretaria de Raça e Sexualidade

No segundo vídeo da série sobre a Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro, a diretora Ana Cristina fala sobre a questão do respeito à sexualidade atrelada ao movimento sindical. Desde o início do sindicalismo, muito já foi feito em relação à diversidade ética, de gênero e às demandas específicas da secretaria. Mesmo com estes avanços, direitos da comunidade LGBTQIA+ estão sendo tolhidos devido à militarização de escolas da rede pública de ensino do Distrito Federal.

A diretora Ana Cristina lembra que apesar de todo empoderamento, fruto de muita luta, estudantes e professores(as) estão sendo atacados(as), reprimidos(as) e convidados(as) a saírem das escolas militarizadas. É um clima de muita instabilidade, conflito, opressão e adoecimento. É importante que as bandeiras de respeito e luta por direitos a esta classe saiam da teoria e deem mais visibilidade nas nossas escolas e nas ruas.

Clique aqui e confira o vídeo na íntegra.

Ministério Público derruba legalidade de escolas militarizadas

Usar brincos ou boné, sentar no chão, mascar chiclete, trocar figurinhas ou optar pelo próprio corte de cabelo são consideradas infrações pelo Regulamento Disciplinar para as Unidades de Ensino do Distrito Federal participantes do Programa Colégios Cívico-Militares. Também fazem parte do rol de faltas disciplinares outras ações que chegam a cercear direitos constitucionais, como participar de manifestações. Em vigor no DF desde janeiro de 2019, o projeto implementado por decreto pelo governador Ibaneis Rocha teve revogada sua legalidade a partir de nota técnica do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

O documento expedido pela 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Educação (ProEduc) aponta uma série de violações à legislação na proposta de militarização das escolas, e destaca inclusive que “a regulamentação de sistemas de ensino deve ser feita através da edição de lei formal, pelo Congresso Nacional”.

A nota técnica do MPDFT apresenta como um dos embasamentos para revogar a legalidade do projeto de militarização os direitos constitucionais ao princípio da dignidade da pessoa humana e o pluralismo político.

O princípio da dignidade humana “garante ao indivíduo o direito de fazer suas próprias escolhas, segundo seus planos de vida e projetos existenciais, a partir das suas visões de mundo”. Já o direito ao pluralismo político garante “o direito à livre manifestação do pensamento e da expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação”.

Ao mesmo tempo, como destaca o documento do MPDFT, “o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê, em seu artigo 17, o direito à inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais”.

Na prática, pelo projeto de militarização das escolas implementado pelo Governo do Distrito Federal, o exercício desses direitos configura falta disciplinar.

Para o Ministério Público, “cabe ao Estado Democrático reconhecer, e não suprimir, individualidades, promovendo a proteção integral de crianças e adolescentes e o respeito a seus direitos fundamentais, entre eles, o livre desenvolvimento da personalidade e o direito à educação como instrumento emancipatório”.

Sem efeito
Um dos destaques da nota técnica elaborada pelo MPDFT é a ausência de dados que comprovem o sucesso da proposta de militarização das escolas públicas.

“Transcorridos 3 anos desde o início da implementação da Gestão Compartilhada, não apresentou a Secretaria de Educação o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB das unidades participantes, tampouco o índice de evasão escolar, índice de aprovação/reprovação, número de pedidos de transferências, entre outras informações requisitadas pelo Ministério Público, a fim de demonstrar a melhoria na qualidade do ensino”, aponta trecho da nota técnica.

O documento ratifica a necessidade de apresentação dos dados não informados pelo GDF e ainda solicita, entre outros pontos, a “triagem da relação de denúncias de violação a direitos humanos encaminhada pela Câmara Legislativa do DF”.

Desvio de função e de recurso
A nota técnica do MPDFT que revoga a legalidade do projeto de Escola de Gestão Compartilhada alega também que a presença de policiais militares na função de direção compartilhada nas escolas públicas configura desvio de função.

“Não estão dentre as atribuições da polícia e dos bombeiros militares aquelas de gestão/administração, monitoria (destinada a alunos) e tutoria (destinada a professores) de escolas públicas dos sistemas regulares de ensino”, traz o documento do MPDFT.

Pela Constituição Federal, profissionais da educação escolar da rede pública só podem ingressar na carreira por concurso público.

Um outro desvio também é apontado pela nota técnica: o de recursos. O texto lembra que o decreto que estabelece a militarização das escolas “está dissociado do planejamento decenal contido no Plano Nacional de Educação e desvia recursos que deveriam ser destinados prioritariamente para integral cumprimento dessa política pública”.

Avesso à gestão democrática
A nota técnica do MPDFT ainda aponta que o projeto de militarização das escolas públicas representa violação de norma constitucional. Pelo documento, a proposta “fere os princípios constitucionais da reserva legal e da gestão democrática do ensino público, bem como aqueles fixados pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e pelo Plano Nacional de Educação”.

“O projeto de militarização é verticalizado. É a ordem de um superior e o cumprimento dessa ordem por seus ‘subalternos’. É o avesso do que propõe a gestão compartilhada, onde cabe a todos e todas as decisões, a partir do processo de diálogo; onde a proposta é formar pessoas com consciência crítica, a partir de uma educação libertadora”, afirma a dirigente do Sinpro-DF Luciana Custódio.

Contrário aos direitos humanos
A rigidez registrada nas escolas cívico-militares, além de contrariar a própria Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente, ampliou-se para ações com contornos de violações aos direitos humanos.

Foi manchete de vários meios de comunicação o caso realizado no Centro Educacional 01 da Estrutural. No dia 5 de maio, estudantes da escola realizaram protesto contra a exoneração da vice-diretora Luciana Pain, que se opôs ao encaminhamento de alunos para a Delegacia da Criança do Adolescente por suposto ato de desacato.

Na ação, os estudantes também denunciaram ter sofrido ameaças de policiais após criticarem o modelo de militarização. Vídeo gravado por um estudante e publicado pela TV Globo mostra militares gritando com um aluno em sala de aula. “Bota a mão pra trás”, “eu te arrebento”, “abaixa a cabeça porque estou mandando”, “baixa a bola” foram algumas das frases ditas pelo militar que exerce a função de monitor disciplinar do CED 01 da Estrutural.

O policial foi afastado, e o caso está na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do DF. O MPDFT também cobrou providências do governo.

TV Sinpro anuncia o curso de pós-graduação do sindicato em parceria com a UnB

No TV Sinpro desta quarta-feira (18/05), às 19h, na TV Comunitária e nas redes do Sinpro, as diretoras Luciana Custódio e Berenice D’Arc conversam com as professoras Urânia Flores e Patrícia Pinheiro, coordenadoras do curso de pós-graduação lato sensu que o Sinpro oferece ainda este semestre.

Elaborado na modalidade de ensino a distância (EaD), o curso “Educação Básica e Direitos Humanos na Perspectiva Internacional” é voltado para profissionais sindicalizados, portadores de diploma de graduação relacionado ao tema da educação básica. Será ofertado em parceria com o Grupo de Cooperação Internacional de Universidades Brasileiras (GCUB) e o Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares da Universidade de Brasília (Ceam/UnB).

 

Especialização Lato Sensu

A Parceria Sinpro / Ceam-UnB / GCUB resultou na oferta desse curso de pós-graduação lato sensu que formará especialistas em Educação Básica e Direitos Humanos. Serão ofertadas 200 vagas gratuitas para profissionais sindicalizados, com reservas de vagas para aposentados(as), professores(as) de contrato temporário, e também para negros, quilombolas e pessoas com deficiência. O processo seletivo consistirá em análise de currículo e comprovantes.

Serão oferecidos 6 módulos (disciplinas), cada um ofertado por dois professores, ao longo de 12 meses, em 360 horas. O grupo docente é formado por professores(as) de diversas universidades brasileiras e de outros países da América Latina e Europa. Ao final do curso, o(a) aluno(a) deverá defender um trabalho de Conclusão de Curso (TCC), em formato de monografia ou artigo.

 

Módulo 1: Trabalho, sociedade e educação básica na experiência internacional

Módulo 2: Educação básica: boas práticas no mundo

Módulo 3: Metodologia de pesquisa: ação-reflexão-ação

Módulo 4: Organização sindical na educação básica: diferentes perspectivas

Módulo 5: Organismos internacionais, direitos humanos e educação básica do Brasil

Módulo 6: A relação educação básica e universidade em diferentes países

 

Metas do PDE

A ideia é criar uma formação continuada, de maneira que, ao final da especialização lato sensu, seja oferecido outro curso em nível de mestrado profissional, uma das lutas principais da diretoria colegiada do Sinpro. Luciana Custódio, coordenadora da secretaria de Formação do Sinpro, é também uma das coordenadoras dessa especialização. Ela lembra que o curso de especialização lato sensu atende ao cumprimento das metas do Plano Distrital de Educação (PDE).

Segundo a secretária de Formação do Sinpro, na prática, este curso de especialização é “mais um passo importante na formação política e pedagógica da categoria, com caráter interseccional e intersetorial e de promoção da luta de classe. Essa formação pavimentará o caminho para a elaboração de um programa de especialização de mestres(as) e doutores(as), bem como a valorização e a progressão horizontal na carreira”.

“O nosso interesse é oportunizar, por meio dessa especialização, o encontro entre o conteúdo previsto (e que foi preparado com muito carinho) com o conhecimento e a prática que cada aluno (a) trará em sua bagagem, gerando trocas que, certamente, resultarão na construção de estratégias para que a educação se paute na defesa dos direitos humanos, na ciência e na prática coletiva e se inspire em experiências exitosas a nível mundial, em especial, na América Latina, por isso tem sua base na Pedagogia da Luta por Direitos e utiliza a ação-reflexão-ação como metodologia”, diz a professora Urânia Flores.

O TV Sinpro vai ao ar nesta quarta-feira (18/05), às 19h, na TV Comunitária e nas redes do Sinpro (Youtube e Facebook). Não perca!

Sinpro divulga documentários sobre parceria com MPT na entrega tablets em escolas do DF

Dois documentários disponibilizados no canal do YouTube do Sinpro-DF mostram como uma parceria do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) com o Ministério Público do Trabalho (MPT), durante a pandemia do novo coronavírus, mudou a história de centenas de estudantes de escolas públicas da capital do País.

 

São dois minidocumentários (minidocs) que mostram a entrega de tablets em escolas públicas, entre setembro de 2020 e junho de 2021, cujos estudantes foram, praticamente, excluídos do acesso ao direito de estudar por não terem equipamento tecnológico. O Governo do Distrito Federal (GDF) não investiu o dinheiro público na provisão desses instrumentos de inclusão educacional.

 

Muitos(as) estudantes de famílias que vivem na pobreza ou extrema pobreza foram empurrados para a evasão escolar durante a pandemia. Um levantamento da organização “Todos Pela Educação” de dezembro de 2021 indicou que 244 mil crianças de 6 a 14 anos estavam fora da escola no segundo trimestre no Brasil: um aumento de 171% nos índices de evasão escolar.

 

Os minidocs mostram como o Sinpro e o MPT atuaram rápido para driblar essa realidade no Distrito Federal e retratada a união do sindicato com o ministério para distribuir tablets com Internet para estudantes de baixa renda que não tinham acesso às aulas remotas. Os links para os documentários podem ser acessados no final desta matéria.

 

Eles mostram a realidade de três escolas situadas em duas regiões administrativas consideradas duas grandes favelas: Sol Nascente e Cidade Estrutural. O Sol Nascente, por sinal, é apontado como uma das maiores do País e da América Latina. O documentário mostra que a pandemia da covid-19 revelou que, em Sol Nascente, a única presença do Estado é a escola pública.

 

Os tablets distribuídos pelo Sinpro e MPT foram adquiridos com recursos financeiros das empresas condenadas que causaram danos ao erário. No Sol Nascente, a Escola Classe 66 (EC 66) e o Centro de Ensino Fundamental nº 28 (CEF 28) foram contemplados. Na Cidade Estrutural, o Centro de Ensino Fundamental nº 2 (CEF 2) foi o beneficiado pela parceria.

 

As ações dessa parceria também foram documentadas em matérias divulgadas no site do Sinpro por ocasião da entrega dos tablets.

 

Acesse os documentários pelos links a seguir:

https://youtu.be/sDhKLOxhH28

 

 

https://youtu.be/aKrty74Dm4I

 

Acesse também as matérias publicadas na ocasião

 

90 TABLETES SÃO ENTREGUES PARA ESTUDANTES DO CEF 28 EM CEILÂNDIA

 

O dia que Henrique ganhou um tablet para estudar

 

Mobilização pode garantir tablet e internet para alunos e professores da rede pública

 

Sinpro e MPT entregam tablets aos estudantes do CEF 2 da Estrutural

MATÉRIA EM LIBRAS

Caminhada no Gama marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

O Conselho Tutelar do Gama realiza uma caminhada até a Escola Classe 06, a partir das 8h dessa quarta-feira (18). A atividade marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes e faz parte do Maio Laranja, exclusiva para lembrar a sociedade de proteger os(as) menores de idade contra abusos sexuais e todos os tipos de violências. A concentração será em frente ao Conselho Tutelar e após a caminhada serão realizadas apresentações temáticas com grupos de teatro.

Instituído pela Lei Federal nº 9.970, de 2000, o dia 18 de maio foi escolhido para o caso Aracelina memória nacional. Em 18 de maio de 1973, a menina de 8 anos de idade, Araceli Cabrera Sánchez Crespo, foi sequestrada, drogada, violentada física e sexualmente antes de ser assassinada. Seu corpo foi abandonado em terreno baldio, em Vitória-ES, e encontrado 6 dias depois desfigurado por ácido e com marcas de violência e abuso sexual. Esse crime continua impune. Seus agressores não foram responsabilizados nem punidos.

A impunidade marca o caso Araceli e outros que seguem sem o julgamento correto pela Justiça. Importante lembrar que, no mesmo ano do violento assassinato de Araceli, em setembro, outra barbárie semelhante aconteceu em Brasília, capital do País. A menina Ana Lídia Braga, de 7 anos, foi brutalmente morta por um crime com as mesmas características. “Neste pouquinho de tempo que você tirou para ler esta matéria, quantas Aracelis, Joanas, Patrícias, Alessandras, Marias, quantas Anas Lídias não estão sendo vítimas de abuso sexual e outras violências que rouba a infância de nossas crianças”, indaga a professora da rede pública de ensino do Distrito Federal, conselheira tutelar e coordenadora do Conselho Tutelar do Gama 1, Ana Maria Soares.

 

Campanha Maio Laranja

Especialistas alertam que 80% dos casos são registrados dentro de casa, cometidos por quem deveria proteger as crianças e os adolescente. Grande parte das vítimas são meninas. “Geralmente, o agressor é pai, padrasto, tio, avô”, completa Ana Maria. A conselheira pede para que todos atentem para a campanha Maio Laranja e se mobilize observando e denunciando. “Proteger as crianças e adolescentes não é dever somente do conselho tutelar. É uma responsabilidade de todos e todas, conforme preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Constituição Federal”, alerta.

Professora da SEE-DF ganha 1º lugar no Prêmio Professor Transformador 2022

Professora Celiana durante a premiação

 

O Projeto Desiderata – Coisas desejadas, de autoria da professora Celiana Mota Rodrigues, ganhou o primeiro lugar da edição 2022 do Prêmio Professor Transformador, promovido em parceria entre o Instituto Significare e a Bett Brasil. A iniciativa elegeu, no dia 11 de maio, os melhores projetos em quatro categorias: Educação Infantil, Ensino Fundamental 1 e 2 e Ensino Médio.

O projeto de Celiana, professora de inglês do Centro de Ensino Fundamental nº 16 de Ceilândia (CEF 16 de Ceilândia), foi o primeiro lugar na categoria Ensino Fundamental 2. Ao receber o prêmio, ela o dedicou às educadoras inspiradoras que encontrou na vida e aos estudantes que construíram o Projeto Desiderata, no CEF 16 de Ceilândia, voltado ao protagonismo juvenil.

“As professoras me fizeram enxergar a educação por outro ângulo. Já os estudantes são o coração do projeto e me fizeram sair da síndrome do domingo à noite”, brincou, referindo-se à gíria comum quando não se tem vontade de retomar o expediente na segunda-feira.

“Esse é o meu primeiro prêmio. O Projeto Desiderata foi premiado porque traz uma inovação pedagógica. Eles entendem que a gente tem de repassar para os estudantes algo além do conteúdo. Então, não é o que fazer na escola e sim como fazer. Como o meu fazer pedagógico vai trazer um diferencial. É promover uma transformação. Esse é um dos motivos pelos quais ele foi contemplado entre os finalistas”, explica Celiana.

 

Reconhecimento coletivo e realização pessoal

Para ela, a grande emoção de ser primeiro lugar é o valor-reconhecimento. “É a gente ser reconhecida por um projeto é maravilhoso porque a gente não tem a dimensão do quão grande é o que gente faz na escola. Acredito que em várias escolas públicas do Distrito Federal existam muitos projetos que também valham o primeiro lugar porque não sou só que que faço bons projetos na capital do País. Eu passei por muitas escolas, conheci muitos projetos maravilhosos e acho que o meu é um deles”.

Celiana diz que ela deseja que esse reconhecimento seja representado por todas as professoras e todos os professores que fazem projetos diferenciados em suas respectivas escolas. “Eu fui representar as professoras do DF e quando qualquer outra professora ganha um prêmio eu também me sinto representada”. Já no âmbito da realização pessoal, Celiana diz que a premiação lhe trouxe uma satisfação pessoal plena e o sentimento de orgulho de trabalho bem feito.

“A ideia é esta: é você dar o melhor de si na escola, é ser modelo de positividade, perseverança, resistência e dar o melhor de si em cada momento, cada atividade, cada fala, na presença. É fazer com amor e carinho o que vai fazer com os(as) estudantes. Pessoalmente, sinto-me muito realizada porque gosto muito do que eu faço. Como dizem meus colegas da escola, estou colhendo o que eu plantei porque o quando a gente planta com amor não tem como a gente colher bons frutos. Minha alegria é imensa. Estou nas nuvens. Este é o meu primeiro prêmio”, declara.

 Valor pedagógico

A professora explica que o maior valor pedagógico que ela vê no Projeto Desiderata é o envolvimento de todo o CEF 16 de Ceilândia. Ela ganha o prêmio 3 anos depois de ter iniciado o projeto. “Estou nesta escola desde 2018 e o projeto nasceu em 2019”, conta. Há 21 anos, Celiana é professora da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEE-DF). “Já fui de Escola Classe, lecionei no Ensino Médio e hoje sou professora de inglês de sete turmas do 8º Ano e sete do 9º Ano do CEF 16 de Ceilândia”, diz.

Ela explica que as 14 turmas participam do projeto. Também participam os(as) professores(as),  o que o transformou em um projeto interdisciplinar. “A equipe gestora dá todo o apoio para a gente fazer o Desiderata. O que a gente entende de transformação é dar fala ao estudante. Ele e ela têm o seu lugar de fala. Tem o seu momento de colocar para fora suas emoções, sobre o que está sentindo sobre o texto ou sobre a música que ele ouviu. A gente faz rodas de conversas para que eles e elas tenham seu momento de fala”.

A professora conta que também quando o projeto promove momentos de produção de poesias, é também outro momento em que assegura o lugar de fala dos(as) estudantes. “Já ouvi discursos de estudantes em que diziam que estavam entrando em momento de depressão e que quando começaram a escrever, perceberam que era bom escrever, colocar para fora essas emoções que sentem, assim como viram as autoras fazendo isso pelos livros, textos e poesias que a gente oferece, sentiram-se melhores”, conta.

“É desviar da cabeça deles esse pensamento negativo, essa depressão. Uma estudante já relatou que ela escreve poesia porque assim ela evita se mutilar. Isso foi muito emocionante. Nossos e nossas estudantes, emocionalmente, não estão preparados(as). Tem todo um conhecimento grandioso aí na Internet, mas, muitas vezes, nossos(as) estudantes não sabem o que fazer com isso”, observa.

 

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