Professores e orientadores realizam assembleia geral dia 22

O Sinpro-DF informa que a Assembleia Geral dos professores e orientadores educacionais, marcada para essa terça-feira (22), às 9h30, será realizado em novo local: estacionamento do Espaço Funarte (Clube do Choro, Torre de TV de Brasília – Eixo Monumental, Lote 2).

A assembleia terá uma pauta extensa. Recomposição salarial, segurança sanitária no ambiente escolar e reforma administrativa são alguns dos pontos a serem abordados. Além disso, homeschooling, voucherização do ensino e pautas conservadoras impostas ao ambiente escolar também farão parte do debate.

“A conjuntura é muito dura para nós, professores e professoras, orientadores e orientadoras educacionais, assim como é para toda a classe trabalhadora. As pautas econômicas e sociais estão ameaçadas por políticas que precarizam a educação pública. Por isso, mais que nunca, precisamos estar mobilizados e unidos”, reflete a diretora do Sinpro-DF Rosilene Corrêa.

Valorização
A categoria do magistério público do DF está há sete anos sem reajuste salarial. Desde março de 2015, quando foi atualizada a última tabela salarial da categoria, até janeiro deste ano, a inflação acumulada pelo INPC é de 49%.

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Além da desvalorização salarial sem precedentes, a categoria ainda é vítima de um calote.

“Em 2013, após lutas e greves, garantimos reajuste salarial que foi de 23% a 70%. O pagamento desse reajuste foi negociado em seis vezes, sendo duas parcelas por ano. Entretanto, a última parcela, que deveria ter sido paga em setembro de 2015, não foi paga até hoje; não por falta de luta, mas por falta de um governo que dialogue com a valorização da educação pública”, explica a dirigente do Sinpro-DF Luciana Custódio.

Segundo o governador do DF, Ibaneis Rocha, a dívida será quitada em abril. “O anúncio foi feito com pompa pelo governador. Mas temos que lembrar que isso não é benesse do governo Ibaneis. Essa é uma conquista nossa, e o pagamento do que nos é devido foi determinado por lei. Ibaneis não está fazendo nada além de cumprir a lei”, reflete Luciana Custódio.

Como 2022 é ano eleitoral, reajustes salariais ao funcionalismo público só podem ser concedidos até abril. Além disso, os atuais governos não podem fazer dívidas para gestões posteriores.

É pela vida
Mesmo com o crescimento exponencial de casos de Covid-19 no DF, o que resultou em UTIs da rede pública de saúde lotadas, o GDF determinou o início das aulas presenciais para 14 de fevereiro.

Em defesa da vida, o Sinpro, diversas vezes, tentou dialogar com a Secretaria de Educação sobre o tema e publicou materiais avaliando a necessidade do adiamento do retorno presencial para março, após o carnaval, com ensino remoto nesses dez dias letivos de fevereiro. Entretanto, o GDF não considerou a situação.

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“Diante dessa situação, temos a urgente necessidade de discutirmos os protocolos que serão adotados para garantir a segurança de todas as pessoas que frequentam as escolas. Em 2021, alguns desses protocolos foram estabelecidos, mas, de forma geral, não são suficientes para assegurar risco mínimo de contaminação pelo coronavírus nas escolas. Além disso, várias recomendações também não foram cumpridas. Flagramos diversas unidades escolares sem a ventilação adequada, com salas de aulas lotadas e uma série de questões que facilitam a proliferação do vírus”, afirma Rosilene Corrêa.

A dirigente do Sinpro-DF ainda lembra que a experiência de retorno presencial às aulas em 2021 trouxe uma série de problemas para gestores. “Com a ausência de protocolos bem definidos e até mesmo o descumprimento de parte deles, gestores foram responsabilizados por questões que não eram de sua alçada. É preciso que o GDF cumpra com o seu dever”, ressalta.

Segundo a Secretaria de Saúde do DF, até dia 5 de fevereiro, apenas 30% das crianças de 5 a 11 anos – principal público das escolas públicas do DF – foi vacinada com a primeira dose do imunizante contra a Covid-19. O público total estimado nessa faixa etária é de 268.474 crianças, segundo dados da Codeplan.

Reforma administrativa
Com a luta da carreira do magistério e do conjunto dos servidores públicos de todo país, a reforma administrativa (PEC 32) foi barrada em 2021. Entretanto, a proposta que representa a destruição dos serviços públicos ainda pode virar lei.

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Com a reforma administrativa, serviços públicos que garantem direitos humanos, como a educação, estão na mira da privatização e de suas consequências.

“Para nós da Educação, se a PEC 32 for aprovada, teremos a total ausência de possibilidade de concursos públicos no futuro; abre-se a possibilidade de demissão dos atuais professores e funcionários contratados; e também todo processo de gratuidade da educação pública estará em jogo, pois há a abertura para a iniciativa privada gerir escolas”, alerta a secretária geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Fátima Silva.

De acordo com a sindicalista, servidores(as) da Educação, que estiveram presentes em todas as mobilizações contra a PEC 32, devem se manter mobilizados. “A nossa vitória é temporária, temos que continuar em alerta”, afirma.

Novo ensino médio
Aprovado em 2017 como mais um dos prejuízos para a Educação pública do Brasil, o novo ensino médio começa a valer a partir deste ano letivo. Em um contexto de precarização do setor, com ataques aos direitos dos trabalhadores da educação e redução do quadro de funcionários das escolas, a norma prevê aumento da carga horária e uma grade curricular voltada ao mercado, distanciando a educação da construção do pensamento crítico.

“A precarização do ensino impede a realização desse modelo de ensino médio, sobrecarregando professores e orientadores. Além disso, há o gravíssimo ataque ao objetivo do ensino, tornado-o conteudista. É impulsionar que o jovem em vulnerabilidade socioeconômica saia da escola e vá para o mercado, com uma mão de obra desvalorizada. É afastar esse jovem das universidades e, na ponta, tornar o ensino superior uma coisa para poucos: justamente o que o ministro da Educação de Bolsonaro, Milton Ribeiro, avalia como sendo o ideal”, afirma a diretora do Sinpro-DF Rosilene Corrêa. Ela destaca que é necessário articular maneiras de reagir ao ataque.

As mudanças serão escalonadas. Neste primeiro ano, as alterações só atingirão o primeiro ano. Até 2024, as três séries do ensino médio estarão sob a nova regra.

Pautas-prejuízo
A prática do homeschooling, a voucherização do ensino, militarização das escolas e outras pautas conservadoras estão no radar da educação, e têm potencial de gerar sérios problemas para o ensino-aprendizado e para a formação de crianças e adolescentes.

O DF é a única entidade da federação que tem legislação permitindo o homescholling, ou ensino domiciliar. A prática priva crianças e adolescentes do convívio escolar, onde o diferente é debatido e vivido, gerando prejuízos irreparáveis na formação do estudante. Além disso, o homeschooling é, também, lobby de poderosas entidades internacionais, que mercantilizam a educação.

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Diante dos prejuízos, o Sinpro-DF entrou com Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) na Justiça do Distrito Federal contra a lei aprovada. O Sindicato alega que há posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) atribuindo ao Congresso Nacional a legitimidade de decisão sobre a matéria.

Voucherização
Assim como o homeschooling, a voucherização da educação também tem o apoio de quem quer tornar o direito em mercadoria. De acordo com o projeto, as famílias receberiam apoio financeiro do governo em formato de “voucher” para matricular seus filhos em escolas privadas.

Dois projetos sobre o tema tramitam conjuntamente. Um deles institui o Programa Bolsa do Estudante (PL nº 852/2016), destinado a atender alunos de ensino fundamental e médio do Distrito Federal, de autoria do deputado Rafael Prudente (MDB). O outro, de autoria da deputada Júlia Lucy (Novo), institui o Programa Voucher Educação (PL nº 1.380/2020).

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Ambos os projetos não foram votados em 2021, mas receberam várias emendas, que precisam ser avaliadas pelas comissões da Câmara Legislativa. A pauta de votação para 2022 ainda não foi definida, mas, certamente, a tentativa de voucherizar a educação voltará à tona.

Passos atrás
Até o fechamento desta matéria, não havia novidades sobre o processo de militarização das escolas. Entretanto, é necessário aguardar atualização dos sistemas da Câmara Legislativa para fazer nova verificação sobre tema.

“Se o GDF der sequência ao seu projeto político neste ano, o que é bem provável, a sanha para militarizar escolas a toque de caixa continuará”, avalia a dirigente do Sinpro-DF Luciana Custódio.

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Outro projeto terrivelmente conservador que ronda as escolas públicas é o que proíbe a adoção da linguagem neutra no ambiente escolar e em materiais didáticos (PL 1.557/2020), de autoria do deputado Robério Negreiros (PSD).

O projeto será apreciado pela Comissão de Educação, Saúde e Cultura da Câmara Legislativa. O parecer da presidenta da CESC, deputada Arlete Sampaio (PT), é pela rejeição.

Novo ano letivo da SEEDF: uma realidade distante

SEEDF anuncia novo ano letivo em coletiva completamente distante
da realidade das salas de aula do Distrito Federal

 

A coletiva de imprensa da secretária de educação Hélvia Paranaguá, realizada na tarde desta quarta-feira (9/2), foi mais um evento duramente criticado por todos os profissionais do magistério que se manifestaram – e foram mais uma vez silenciados. Escolhendo perguntas a dedo, a SEEDF optou por ignorar deliberadamente as demandas insistentes de profissionais de educação nos chats das redes sociais. Houve comentários apagados no chat do Youtube.

 

Erro atroz de interpretação

A secretária Hélvia Paranaguá abriu o evento com uma informação errada. Citou um estudo da ONG “Todos pela Educação” que, nas palavras da secretária, indica que “66% das crianças de 6 e 7 anos no Brasil não estão alfabetizadas”. 

Na verdade, o autointitulado estudo aponta que houve um incremento de 66% no número de crianças em idade de alfabetização (6 e 7 anos) que estão analfabetas. O mesmo estudo informa que o número de crianças de 6 e 7 anos não alfabetizadas corresponde a quase metade (40,8%) de todo o grupo. (O estudo citado não faz correlação entre ausência de políticas educacionais eficazes de longo prazo e resultados na alfabetização infantil e, sem indicar metodologia de análise, aponta sem maiores elaborações que “a culpa é da pandemia” – o próprio título do estudo, Impactos da pandemia na alfabetização de crianças, deixa isso claro.)

Com esse erro atroz de interpretação de texto, a secretária de educação anunciou o início do ano letivo para os estudantes da rede pública do DF de forma 100% presencial. “A presença dos professores em sala de aula é 100% obrigatória, assim também como a dos alunos”, segundo a secretária. As aulas remotas estão mantidas apenas para estudantes imunossuprimidos ou com algum tipo de comorbidade comprovada com laudo médico.

Foi apresentada uma cartilha com o protocolo de segurança de volta às aulas, enquanto a secretária afirmava que “todo o protocolo de segurança será adotado, como já vinha sendo feito”. Sobre o 100% de lotação nas UTIs pediátrica e de adulto em todo o Distrito Federal? Nem uma palavra. 

 

Vacinação para “estudantes”

A Secretária também anunciou uma lista de UBS que estão efetuando a vacinação de estudantes de 5 a 11 anos durante esta semana (de 7 a 12/2), e afirmou que o tema foi “amplamente divulgado”. Acreditamos que a secretária tenha se referido tão somente à lista de postos de vacinação infantojuvenil, disponível no site da secretaria de saúde, e que anuncia a vacinação de qualquer criança de 5 a 11 anos, das redes pública ou particular. Até porque toda criança a partir de 5 anos de idade está (ou deveria estar) matriculada em alguma instituição de ensino, pública ou privada.

 

Sem passaporte vacinal

A secretária disse que não vai exigir nem de profissionais de educação nem de estudantes a comprovação de vacinação contra Covid. Argumentou que a SEEDF está focada em “recuperar o aprendizado”, então limitar a entrada de estudantes é segregar ainda mais e promover ainda mais a disparidade de aprendizado entre os diversos estudantes. Sobre as leis distritais e federais que resguardam o passaporte da vacina na volta às aulas, ou sobre uma campanha de vacinação específica para a comunidade escolar? Nem uma palavra.

 

Estagiários para recomposição das aprendizagens perdidas

Ao afirmar que “o foco [da Secretaria de Educação] é nos estudantes”, a secretária declarou que em 2022 haverá a promoção daquilo que a SEEDF chama de “recomposição das aprendizagens perdidas”. Explicou que, em março, a pasta realizará uma avaliação diagnóstica para a rede, “para que tenhamos noção das perdas que nossos estudantes tiveram nesse período, e aí sim entrar com ações pedagógicas para recompor as aprendizagens perdidas”.

E como se dará essa “recomposição de aprendizagem”? Segundo a subsecretária de educação básica, Solange Froizer, uma “parceria” entre UnB e SEEDF resolve tudo. A UnB entra com estagiários de licenciatura em pedagogia para “darem suporte nas unidades escolares”.

Na busca de tapar o sol com a peneira, a SEEDF não se dá conta da demanda reprimida por concursos públicos para repor o quadro do magistério público distrital (cuja demanda reprimida é de mais de 5 mil professores, sem contar com o fato de que, do total de 35.504 professores em sala de aula no DF, 10.791 são de contrato temporário, e sem considerar o aumento demográfico da população que gera a demanda natural por mais unidades físicas de ensino e mais professores).

O Sinpro saúda e valoriza todo o trabalho da Faculdade de Educação daquela que é a melhor universidade do Distrito Federal, mas recuperação de aprendizagem se dá com profissionais concursados e capacitados. Estagiários são muito bem-vindos, mas sua presença não elimina a necessidade de profissionais efetivos para conduzirem o processo.

 

Escola nova e concurso público

A secretária anunciou a construção de 18 novas unidades escolares até o fim deste ano e concurso público para o preenchimento de pouco mais de 700 vagas, ignorando solenemente o fato de que várias obras ainda não saíram do papel, e que algumas reformas se arrastam há anos, bem como a demanda por novos profissionais que supera as 5 mil vagas, como já dissemos no início desta matéria.

Chat do Youtube

A reportagem do Sinpro acompanhou a entrevista coletiva da secretária Hélvia Paranaguá pelo youtube. No chat da plataforma, vários profissionais do magistério também acompanharam o evento online, e se manifestaram sobre diversas questões. A mais recorrente era a superlotação das salas de aula – tema que foi deliberadamente ignorado pela secretária. Havia denúncias de superlotação até mesmo em turmas inclusivas. Também ocorreram alertas sobre a falta de profissionais de disciplinas específicas. Tudo totalmente ignorado. Comentários com cobranças de diálogo da SEEDF com o Sinpro foram apagados pelo moderador (fotos).

A diretoria colegiada do Sinpro avalia que o teor dessa coletiva é consequência da intransigência absoluta da SEEDF em se recusar a dialogar tanto com gestores quanto com o sindicato da categoria. Assistimos ao anúncio de medidas que não condizem com a realidade do ensino do Distrito Federal. E quem chamava a secretaria à realidade era absolutamente ignorado. A se tomar pelo teor dessa coletiva, 2022 será um ano muito difícil para todo mundo, e exigirá de toda a categoria muita luta e união. Lembramos que a assembleia de nossa categoria está convocada para o próximo dia 22 de fevereiro. Por isso, é fundamental a participação de todo mundo.

Demora em obra obriga professoras a atravessarem ponte a pé para chegar à escola

Desde o último dia 7 de fevereiro, quando teve início o ano letivo, professoras da Escola Classe Guariroba, que fica na área rural de Samabaia, são obrigadas a atravessar a pé a ponte sobre o Rio Melchior, na DF-180, para não ampliar em 40 quilômetros o trajeto até a escola.

A ponte ameaça ceder desde o ano passado, e foi interditada há mais de um mês. Para evitar o desvio, professoras da EC Guariroba tiveram que adotar a seguinte estratégia: desembarcam no início da ponte de 27 metros de extensão, driblam pedras, lama, tratores e seguem por mais de 1 quilômetro a pé até a unidade escolar.

“A gente dá um grito para os trabalhadores pararem os tratores; tentamos tomar cuidado. Mas estamos passando em cima de uma ponte que está cedendo. Isso sem falar na chuva. Teve dias que chegamos na escola completamente molhadas”, conta a professora de Atividades Gislene Alexandre dos Reis, que atua há dois anos na EC Guariroba.

Embora enfrente riscos à própria vida, a maior preocupação da professora é com os estudantes, que retornarão às salas de aula no dia 14 de fevereiro.

“O problema maior é com o retorno das crianças. Existe um ônibus que pega as crianças que moram na região, em chácaras. Elas, que antes faziam um trajeto de uns sete quilômetros para chegar à escola, agora terão que enfrentar esse desvio de 40 quilômetros. É certo que essas crianças vão atrasar para chegar na escola”, afirma Gislene.

Atualmente, a EC Guariroba tem cerca de 300 estudantes, que moram em Samambaia, Ceilândia e Santo Antônio do Descoberto, cidades próximas. São crianças que têm de 7 a 11 anos, estão, majoritariamente, em vulnerabilidade socioeconômica e têm como único meio de transporte para chegar à escola o ônibus escolar.

Inquieta para que alguma solução seja dada o quanto antes, professora Gislene avalia que a obra inacabada vai gerar uma série de consequências negativas para os estudantes. “Já tivemos a perda no aprendizado com a pandemia. Agora, com esse atraso previsto, as perdas pedagógicas serão ainda maiores. Sem falar no cansaço dessas crianças. É muito preocupante. Alguma coisa tem que ser feita”, clama a professora.

Sem previsão de término
No último dia 21 de janeiro, a Agência Brasília, do GDF, afirmou que a entrega da ponte sobre o Rio Melchior seria realizada no início deste mês de fevereiro.

Entretanto, a expectativa é de que a obra, que ficou parada por algum tempo e só reiniciou pela pressão da comunidade local, deve demorar bem mais.

Os últimos testes realizados recentemente na ponte não foram bem sucedidos. Ao colocar peso sobre ela, começou a ceder novamente. A ponte terá que ser demolida.

“A informação que deram para a nossa escola é de que vão encomendar uma peça, que se chama gabião. Pelo que pesquisamos, é uma espécie de ponte pré-pronta. E disseram que, para essa peça ficar pronta, leva ainda um mês. Isso é só para poder fabricar. Até chegar a peça, instalar… Vai ser muito tempo”, acredita a professora Gislene Reis. Ela insiste: “é preciso que o governo faça alguma coisa”.

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Às vésperas do início do ano letivo, educação do DF sofre com falta de reformas e construção de novas escolas  

As aulas na rede pública de ensino do Distrito Federal começam na próxima segunda-feira (14), de forma 100% presencial, mas a realidade em várias escolas está longe de ser a ideal para receber os(as) estudantes. Reformas, manutenções pontuais ou mesmo a construção de novas unidades escolares não saíram do papel, enquanto outras estão atrasadas e não serão entregues à tempo.    

Em participação no Bom Dia DF desta quarta-feira (09), a diretora do Sinpro, Rosilene Corrêa, comentou que várias escolas não foram adequadas para o momento de pandemia que ainda estamos vivendo, outras não receberam as melhorias que precisavam, sem falar da necessidade de se construir novas unidades escolares, fato que não foi feito pelo Governo do Distrito Federal. A construção de novas escolas é uma reivindicação antiga da comunidade escolar e do Sinpro, principalmente para acomodar os(as) novos(as) estudantes que se matriculam todos os anos na rede de ensino. Somente em 2022 a Secretaria de Educação recebeu 26 mil novas matrículas. Isto é uma grande preocupação, uma vez que teremos escolas sem reformas, sem estrutura adequada, sem ampliação no número de salas e recebendo este acréscimo de estudantes, fato que deixará muitas salas com mais de 40 alunos(as).

Para se ter uma ideia do descaso do governo com a Educação do DF, na Escola Classe 59, em Ceilândia, a reforma é feita desde 2018, mas as obras ainda estão na fundação. No Centro de Ensino 10 de Ceilândia, a escola está fechada desde 2016, as obras começaram no ano passado e a Secretaria de Educação diz que entregará até março. Enquanto isto, alunos(as) precisam estudar em outro local, distante de suas residências, prejudicando o rendimento escolar e a vida da família, que muitas vezes tira os(as) filhos(as) da escola pela falta de vagas na região onde moram.

Outras escolas, como a Escola Classe 425 de Samambaia, há uma previsão de reforma para iniciar na próxima semana, período em que começam as aulas, enquanto na EC 52 de Taguatinga, no CEM 10 de Ceilândia e na EC 59 de Ceilândia, as obras estão previstas para começarem apenas no decorrer do ano. Tudo isto implica na falta de vagas, no prejuízo pedagógico de centenas de estudantes e no aumento da evasão escolar.

 

Reivindicação antiga

A reforma e construção de novas escolas é uma pauta recorrente da Comissão de Negociação do Sinpro, e desde o fim de 2021 a direção do sindicato tem buscado uma solução para o problema, fato que infelizmente está longe de ser resolvido. “Faltando quatro dias para iniciarmos o ano letivo, temos escolas que ainda não foram adequadas para o momento da pandemia que ainda enfrentamos e continuam sem, por exemplo, salas com boa ventilação, sem janelas adequadas, como é o caso do CEM 1 do Gama. É importante lembrar que várias escolas precisam ser reconstruídas, como é o caso das EC 425 e 410 de Samambaia, e mais preocupante e grave ainda por estarmos recepcionando mais de 26 mil novas matrículas. Isto significa que precisaríamos, obrigatoriamente, estar inaugurando várias escolas. O que nós temos de realidade, hoje, é uma superlotação nas nossas salas de aula, comprometendo duramente o bom resultado da nossa educação pública”, ressalta Rosilene Corrêa.

Nossa luta é e sempre será pela qualidade no ensino, mas para isto é necessário investimento do governo na construção de novas escolas, na realização de novos concursos públicos para corrigir a defasagem de educadores(as) e nas reformas necessárias. O Sinpro, na defesa de seu compromisso com a escola pública, gratuita e democrática, ressalta que somente com o comprometimento do governo e com as melhorias necessárias conseguiremos chegar a uma escola pública de qualidade.

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Palestrantes contratados pela SEEDF retratam o perfil da gestão do GDF

Na manhã desta quarta-feira, 9, o evento da Secretaria de Educação para a semana pedagógica demonstrou seu total desconhecimento em relação ao perfil da categoria. Para “motivar” professores(as) e orientadores(as) educacionais da rede pública de ensino, a secretaria convidou Anthony Portigliatti e Luís Felipe Pondé, que apresentaram palestras rasas, sem conexão alguma com a realidade da educação básica no Distrito Federal e no Brasil.

Pondé, que nunca escondeu seu desprezo pelos conteúdos que buscam igualdade, afirmou que a pandemia gerou estudantes e professores(as) preguiçosos, e acusou os trabalhadores da Educação de “medrosos” por apresentarem suas preocupações com o momento atual. Além de ofender a categoria, Pondé demonstrou, não pela primeira vez, que desconhece a realidade das salas de aula, e que sua grande especialidade mesmo é gerar polêmicas infrutíferas.

“Um novo tempo, re(construindo) sonhos e avivando esperanças” poderia ter sido um bom tema, se tivesse sido abordado a partir dos debates que efetivamente têm acontecido na rede diante dos desafios dos últimos dois anos. No seu site, a secretaria afirma que construiu uma “programação voltada ao diálogo”; e a secretária Hélvia Paranaguá abriu o evento, em tom cívico, sem nem mencionar que estamos ainda em plena pandemia, ignorando, portanto, os desafios mais importantes e atuais do momento. Ou seja: infelizmente, o evento foi mais uma triste demonstração de que o GDF não procura, não faz e não quer diálogo.

No chat ao vivo, a categoria expressou sua indignação. Professores(as) e orientadores(as) educacionais cobraram diálogo, redução das turmas, reposição salarial com pagamento retroativo e condições seguras de trabalho. Em certo momento, o chat chegou a ser suspenso. Certamente, a Secretaria alegará problemas técnicos para justificar o ocorrido.

Ora, como motivar para o ano letivo uma categoria que tem seu salário congelado há quase sete anos, e que enfrenta um retorno às escolas sem diálogo, sem condições adequadas de trabalho e de segurança em meio a uma pandemia que tem vitimado milhares de brasileiros(as), e que vem batendo recordes de novos casos diários? A resposta da SEEDF não poderia ter sido mais equivocada: convocar um especialista em autoajuda e um legítimo representante do discurso que fundamenta a Lei da Mordaça.

O Sinpro-DF manifesta sua indignação com tais apresentações, e destaca que os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais do Distrito Federal trabalham incansavelmente pela Educação, pela escola pública e pelos seus estudantes, e merecem tratamento respeitoso por parte da Secretaria, da secretária e de qualquer convidado de qualquer atividade sua.

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Processo seletivo para contratação de professor para atuar em classes hospitalares

Foi publicado no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) da última segunda-feira (31) o processo seletivo de professor(a) da educação básica para atuar nas classes hospitalares. Com 11 unidades hospitalares participando do programa, a Secretaria de Educação do Distrito Federal, em parceria com a Secretaria de Saúde, está abrindo 15 vagas e cadastro reserva. Para participar os(as) interessados(as) devem fazer as inscrições entre os dias 7 e 10 de fevereiro neste link.

O programa classes hospitalares garante atendimento educacional às crianças da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental, matriculadas na rede pública de ensino, impossibilitadas de frequentar as escolas em razão de tratamento médico. Além disso, assegura o ensino das crianças que estão hospitalizadas, evita a evasão escolar e a repetência do(a) estudante.

 

Quem pode participar

Podem participar do processo seletivo professores(as) de educação básica da carreira magistério do DF com carga horária de 40 horas semanais e efetivo exercício na rede pública de ensino há, no mínimo, três anos. Também é preciso possuir certificado de pós-graduação ou cursos de 180 horas na área de atendimento educacional especializado, aptidão em atendimento educacional especializado e cursos na área de educação hospitalar. Além da inscrição, os(as) interessados(as) deverão participar de mais duas etapas: análise curricular documental e entrevista individual, conforme critérios definidos no edital.

A análise curricular é de caráter classificatório e eliminatório. Somente será convocado(a) para a entrevista o(a) candidato(a) que preencher todos os requisitos obrigatórios. A entrevista individual também será de caráter eliminatório e classificatório, com pontuação mínima de 7 (sete) para aprovação.

Os(as) aprovados(as) no processo seletivo vão cumprir jornada de trabalho de 40 horas semanais, no regime de 20 (vinte) horas mais 20 (vinte) horas semanais.  As atividades serão desenvolvidas no espaço das classes ou no leito, atendendo as necessidades individuais das crianças/adolescentes, podendo ser realizadas de forma individual ou em grupo a depender de orientação médica e/ou condição clínica da criança ou adolescente internado.

O Sinpro lembra que os prazos para a inscrição devem ser respeitados e que somente professores(as) de educação básica com carga horária de 40 horas semanais e efetivo exercício na rede pública de ensino há pelo menos três anos podem participar do processo seletivo. “O direito à educação, como direito à aprendizagem e à escolarização, é constitucional. Diante disto, deve ser oferecida a todos, sem a exclusão de nenhum grupo. Pensar naqueles que estão hospitalizados, não aptos ao ambiente escolar, é respeitar este direito, além de prepara-lo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho, segundo a Constituição Federal no art. 205”, afirma a coordenadora da Secretaria de Formação do Sinpro, Luciana Custódio.

 

Clique aqui para fazer a sua inscrição. 

 

Locais de atuação:

– Hospital Materno Infantil (Hmib)

– Hospital Regional da Asa Norte (Hran)

– Hospital Regional de Taguatinga (HRT)

– Hospital Regional de Ceilândia (HRC)

– Hospital Regional do Gama (HRG)

– Hospital Regional de Sobradinho (HRS)

– Hospital Regional de Planaltina (HRP)

– Hospital Regional de Brazlândia (HRBz)

– Hospital Regional do Paranoá (HRPa)

– Hospital Regional de Samambaia (HRSa)

– Hospital da Criança de Brasília José Alencar

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PARTE 2

SEEDF impede acesso de diretoria do Sinpro à secretaria

Por ordem do Subsecretário de Apoio às Políticas Educacionais (SUAPE), Isaías Aparecido da Silva, a Comissão de Negociação do Sinpro foi barrada na portaria do Edifício Phenicia, sede da SEEDF.

Cinco membros da comissão de negociação do Sinpro foram à SEEDF na tarde desta terça-feira, em mais uma tentativa de dialogar com o gabinete sobre a urgência de um encontro entre Sinpro e SEEDF, e foram barrados na entrada do Edifício Phenicia por ordem expressa do subsecretário que, em tom truculento e autoritário, ordenou que a comissão do Sinpro agendasse uma reunião.

A solicitação para tal encontro vinha sendo requerida pelo Sinpro desde dezembro do ano passado. Houve o agendamento de um encontro para o dia 27 de janeiro, desmarcado na véspera sem data remarcada.

Tudo o que o Sinpro busca da SEEDF é diálogo e entendimento. O Sindicato entende ser urgente conversar com o GDF para discutir uma série de questões que, no entender do sindicato, deixam a situação do ensino público no DF à beira do caos.

Indignados com a falta de respeito do subsecretário, os membros da comissão de negociação do Sinpro se dirigiram à CLDF e foram recebidos pela presidenta e pelo vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputada Arlete Sampaio e deputado Leandro Grass, que denunciaram o ocorrido no plenário da Câmara Distrital. O tema está em destaque na home page da CLDF.

Espera-se que o diálogo seja retomado, de forma civilizada e racional, por parte do Governo do Distrito Federal. Sem diálogo, todos perdem: gestores, professores, governo e, principalmente, estudantes do ensino público do Distrito Federal.

Desde dezembro do ano passado, o Sinpro vem tentando um diálogo com a SEEDF para discutir diversas questões, inclusive buscando mediação entre SEEDF e os gestores das escolas, que também estão sem orientação da SEEDF. Dentre as discussões a serem levadas para a mesa de negociações com a SEEDF, estão:

– Retorno das aulas, 100% presenciais ou não, tanto no aspecto organizacional quanto pedagógico;

Medidas sanitárias necessárias para o retorno às aulas, uma vez que o DF está com 100% dos leitos de UTI pediátrica e adulta ocupadas por contas do recrudescimento dos casos de contágio por Covid

Fortalecimento da campanha de vacinação, tanto entre professores como entre os alunos, principalmente no público pediátrico (5 a 11 anos)

– Mediação entre a SEEDF e os gestores das escolas, que não estão sendo ouvidos em suas várias demandas e são justamente os profissionais que organizam as escolas para o retorno às aulas e lidam com as dificuldades do dia a dia

Atraso na liberação do PDAF 

Quantidade de alunos por turma: essa questão tem impacto gerencial e logístico não só do ponto de vista pedagógico como sanitário, pois quanto mais alunos por turma (como determinado na portaria publicada pela SEEDF após zero negociação e zero diálogo com o Sinpro e com os gestores), maior será a aglomeração

Falta de estrutura para as escolas, tanto material quanto profissional, o que nos leva ao próximo ponto:

– O banco de reservas da SEEDF está zerado, não há previsão para concurso público para o magistério (ainda que tenha sido publicado no Diário Oficial), e a carência de professores e orientadores educacionais beira o caos

– A convocação de professores em contrato temporário ocupando vagas de permanentes causa mais prejuízos (tanto para os profissionais que almejam a efetivação na SEEDF 

Comissão do Sinpro em reunião de emergência com a deputada Arlete Sampaio

como para as questões pedagógicas) do que benefícios;

– A retomada da mesa de negociação permanente, para discutir, também com a secretaria de fazenda, dentre várias outras pautas do Sinpro (como a meta 17 do PDE), a questão financeira de uma categoria que há sete anos não recebe reajuste salarial.

Há muito o que discutir. Há muito o que negociar. A recusa autoritária da SEEDF não fará com que os problemas evaporem – pelo contrário, eles tendem a aumentar. O diálogo e a negociação são sempre o melhor e mais bem pavimentado caminho para o entendimento.

Nossa pauta é a defesa da vida, do ensino público de qualidade, de profissionais trabalhando com um mínimo de condições e orientações.

 

 

ESTRATÉGIA DE MATRÍCULA | GDF retroage 15 anos em política educacional

Em plena alta da Covid-19, o Governo do Distrito Federal decidiu ampliar em até 60% o número de estudantes por turma na rede pública de ensino. A determinação, feita sem qualquer diálogo com o Sinpro-DF, está na Estratégia de Matrícula para a Rede Pública de Ensino do Distrito Federal 2022.

A etapa mais atingida é a educação infantil (creche, maternal I e maternal II), que abrange crianças de 0 a 3 anos – grupo que ainda não pode ser imunizado contra a Covid-19, mas é passível de contrair o vírus, podendo se tornar vítima fatal da doença. A Estratégia de Matrícula de 2021 permitia, no máximo, 15 estudantes por turma desta etapa. Neste ano, esse teto pulou para 24.

Pelos Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil, a relação entre o número de crianças por turma e o número de professores(as) (http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Educinf/eduinfparqualvol2.pdf) é de “uma professora ou um professor para cada 6 a 8 crianças
de 0 a 2 anos; uma professora ou um professor para cada 15 crianças de
3 anos; e uma professora ou um professor para cada 20 crianças
acima de 4 anos”.

No documento que estabelece a Estratégia de Matrícula para o ano letivo de 2022, o GDF determina a ampliação do número de estudantes por turma em praticamente todos os anos da Educação Básica, permitindo salas de aula com até 42 estudantes. Apenas o Novo Ensino Médio não teve alteração. Mesmo assim, aponta até 38 estudantes por turma.

A diretora do Sinpro-DF Berenice D’arc denuncia que a ação arbitrária do GDF retroage 15 anos de política educacional. “Desde 2007, Sinpro e GDF definem em conjunto as Estratégias de Matrícula, equilibrando as possibilidades da rede pública, a qualidade de vida e valorização de professores e professoras e a qualidade do ensino proposto à população. Neste ano, a atual gestão do DF deu seguimento à política de diálogo zero e decidiu unilateralmente sobre o importante instrumento”, afirma.

Berenice D’arc ainda lembra que, na Câmara Federal, está em tramitação avançada o Projeto de Lei 4731/12, do senador Humberto Costa (PT-PE), que limita em 25 a quantidade de alunos na pré-escola e nos dois primeiros anos do ensino fundamental e em 35 nos demais anos do ensino fundamental e no ensino médio. “Das unidades da federação, o DF é uma das que mais tem mais condições de estabelecer a redução do número de estudantes por turma”, diz. O PL já foi aprovado pela Comissão de Educação da Câmara e será analisado em caráter conclusivo (sem passar pelo Plenário) pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

PDE às traças
A determinação da Estratégia de Matrícula do GDF para 2022 também contraria o Plano Distrital de Educação, principal instrumento norteador de políticas públicas necessárias para que o direito à educação seja, de fato, efetivo.

Entre as estratégias do PDE para garantir a aprendizagem dos estudantes, está o número de crianças por sala de aula de acordo com o disposto pela Conferência Nacional de Educação de 2010. Para um padrão mínimo de qualidade, a instância indica turmas com até 13 crianças para estudantes com 3 anos e, no caso de estudantes de 4 e 5 anos, turmas com, no máximo 22 crianças. Isso significa até 84,6% menos que o estabelecido pelo GDF para crianças dessa faixa etária.

“A oferta de um ensino de qualidade também passa pelo número de estudantes em sala de aula. É humanamente impossível que o professor ou a professora ofereça atendimento mais individualizado em um contexto de sala de aula com mais de 40 alunos. A decisão do GDF, de um lado, compromete o processo de aprendizagem dos estudantes e, de outro, impõe a professores e professoras ainda mais sobrecarga de trabalho. Isso é escancarar a falta de compromisso com a educação pública e com o povo do DF”, avalia a diretora do Sinpro-DF Luciana Custódio.

De acordo com a dirigente sindical, a imposição do governo local de superlotar salas de aula vai ao encontro da política de enxugamento do quadro de professores(as) concursados na rede pública de ensino e do descompromisso com os protocolos para conter a pandemia. “Quanto mais alunos em sala de aula, menos professores na rede. Isso já é absurdo em um contexto de tranquilidade sanitária. Agora, em plena pandemia, isso toma proporções ainda mais graves: passa a ser uma investida contra a própria vida. Isso porque está completamente inviável a realização de distanciamento em sala de aula, um dos principais protocolos para conter a Covid-19”, explica Luciana Custódio.

Ainda pior
Ao mesmo tempo em que o GDF amplia o número de estudantes por turma, ele retira das escolas públicas profissionais e mecanismos indispensáveis para o processo de aprendizagem. E isso em um contexto de 26 mil novas matrículas registradas para este ano.

Em entrevista ao TV Sinpro, a gestora da Escola Classe 08 do Guará, Andrea Felisola, denunciou a drástica redução do número de educadores sociais voluntários, que dão suporte à educação especial e às escolas de educação em tempo integral.

“Antes da pandemia, eu trabalhava com 20 a 22 educadores sociais voluntários. Quando voltamos, no sistema híbrido, me deram 15; e fomos nos moldando. Agora, temos 8. O Guará tem direito a 163 (educadores sociais voluntários), eles (o GDF) reduziram para 92”, denuncia a gestora.

Atualmente, educadores sociais voluntários recebem R$ 30 por dia de atuação como ressarcimento exclusivo para alimentação e transporte. Para o Sinpro, a figura desse profissional é essencial no dia a dia escolar. Entretanto, as condições financeiras impostas a eles estão longe de serem as adequadas. “Temos uma crítica a essa forma de contratação. Avaliamos que haja uma precarizção da mão de obra. E não há como as escolas funcionarem sem eles. Entretanto, o correto seria a realização de concurso público para termos esses profissionais com a garantia de condições de trabalho dignas”, pondera a dirigente do Sinpro-DF Rosilene Corrêa.

Também está em atraso o repasse do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF), recurso determinante para a adequação do ambiente escolar. A prática é recorrente, segundo gestores(as) das escolas públicas do DF. Mas fica ainda mais grave diante de um contexto de pandemia/salas de aula lotadas. “Quando se superlota as salas e ainda retira-se o recurso, retira-se a oportunidade de uma educação de qualidade para o aluno”, avalia Eufrázia de Souza, gestora do CED 8 do Gama.

“É uma luta antiga nossa, de que a gente tenha periodicidade já definida para receber (o PDAF), para que gestores saibam o quanto receberão e se programem melhor. Obrigatoriamente, deveríamos receber 30 dias antes do início do ano letivo. Mas chega tudo em cima da hora; e gestores se arriscam comprando fiado”, complementa Rosilene Corrêa.

Criminosos usam nome de diretora do Sinpro para aplicar golpe

O Sinpro-DF informa que criminosos estão usando o nome da diretora do sindicato, Gilza Camilo, para aplicar golpes na categoria. A exemplo de outras modalidades de golpe telefônico, os bandidos entram em contato com professores(as) ou orientadores(as) educacionais aposentados(as) se passando por dirigentes ou pessoas ligadas ao Sinpro para extorquir dinheiro. Na última artimanha, a estelionatária se passa pela “diretora jurídica do sindicato, Gilza Camilo” informando sobre a liberação do precatório, que tramita junto ao TRT.

A diretoria reitera que os(as) professores(as) jamais entrem em contato com os números de telefone fornecidos nessas mensagens, apenas pelo número (61) 3343-4201, e em seguida denuncie o caso à Polícia Civil do Distrito Federal. É importante ressaltar que o Sinpro-DF nunca solicita nenhum tipo de transação bancária para que professores(as) e orientadores(as) recebam vantagens financeiras.

O combate a essa farsa é antigo. A diretoria do sindicato já denunciou várias vezes a situação à polícia e continua atenta para que não haja nenhum tipo de prejuízo aos(às) filiados(as). Não caia neste golpe!

Para facilitar a compreensão de todos(as) sobre as estratégias utilizadas pelos golpistas, seguem, abaixo, todas as versões usadas pelos criminosos:

 

Golpe 1

Criminosos ligam para a casa de educadores(as) informando que foi liberado o alvará de precatório para pagamento. Em seguida, dizem que a vítima tem mais de R$ 100 mil para receber, pedem para ligar no número 99639-2111 e solicitam depósito de um valor na conta: NEXT 237 – AG: 3728 – CONTA 609240-3 (Anderson Fabio de Oliveira – CPF: 031.729.793-77). É importante ficar atento, pois a conversa é feita em aplicativo com perfil que leva a foto da logo do Sinpro-DF.

 

Golpe 2

Para o furto via telefone, usam vários nomes. O nome “Cláudia Maria Rodrigues”, que utiliza o telefone fixo 3181-0041 e o celular/WhatsApp, 96519820, é um dos denunciados pela categoria. O Sinpro-DF informa que o nome “Cláudia Maria Rodrigues”, utilizado pela quadrilha, pertence a uma advogada que também está sendo duramente prejudicada pelo bando. Ela avisou ao Sinpro-DF que já denunciou o caso à polícia e tem Boletim de Ocorrência para comprovar o uso indevido do nome dela. O outro nome usado é “Leonardo Mota” (Núcleo Bancário), com o telefone 3181-0285. Um terceiro nome identificado é “Dr. Marcelo Ricardo”, com o número de telefone 99849-7364.

 

Golpe 3

Para extorquir dinheiro das vítimas, a pessoa que realiza a chamada se passa por diretor, ex-diretor ou funcionário da Secretaria de Assuntos Jurídicos, Trabalhistas e Socioeconômicos do Sinpro-DF. Segundo denúncias realizadas ao Sindicato, em alguns casos, o golpista se apresenta como Dr. Daniel ou Dr. Dimas, e chega a utilizar em sua foto de perfil de WhatsApp a logomarca do Sinpro-DF. Em seguida, o farsante solicita depósito em conta bancária vinculada a uma suposta pessoa com nome de Priscila.

 

Golpe 4

Outra modalidade é o golpe com transferência por PIX. Assim como os outros métodos, o golpista solicita um valor para liberar uma quantia à vítima. No caso de transferência por PIX, não há um sistema de retorno ou cancelamento do envio.

 

Golpe 5

Nesta modalidade, o golpista envia à vítima, via WhatsApp ou e-mail, documento simulando papel timbrado do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT). O documento ainda leva o nome de dirigentes do Sinpro-DF. No último relatado ao Sinpro-DF, constava o nome da dirigente Silvia Canabrava. O envio é feito posteriormente a uma ligação, em que o criminoso confirma vários dados da vítima, como nome completo, CPF e nome do pai e da mãe.

 

Golpe 6

O golpe mais recente consiste no envio de carta nominal, com logomarca de escritório de advocacia fantasma. O documento falso é enviado pelos Correios e traz uma série de argumentos jurídicos bem fundamentados, além de endereço de e-mail, telefones e assinatura com registro da OAB.

 

Golpe 7

O primeiro golpe de 2022 chega por whatsapp e vem supostamente do “Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, DF”. É nominal, informa que o pagamento do precatório referente ao processo da pessoa está liberado para a data de hoje, “primeira ou segunda parcela”. O titular deverá entrar em contato com uma “Dra CHRYSTIANE MAIA GUERCO FARIA LUCAS MORI (Oab: 38015/Df)” para solicitação do recolhimento dos alvarás de liberação do precátorio, nos telefones (061) 99687-2994 ou (061) 99667-9219 (outros números também são usados nesse golpe), e se a pessoa não entrar em contato até às 15h, deverá esperar “uma segunda chamada com carência de tempo de 5 a 10 anos”. Mas é golpe.

 

Confira abaixo algumas matérias que falam sobre o golpe telefônico:

PROFESSORES DO DF SÃO ALVO DE GOLPE TELEFÔNICO

GOLPISTAS USAM NOME DE DIRETORA DO SINPRO-DF E DOCUMENTO FALSO

CUIDADO COM O GOLPE! QUADRILHAS CONTINUAM TENTANDO EXTORQUIR PROFESSORES

GOLPISTAS USAM NOME DE DIRETORA DO SINPRO-DF E DOCUMENTO FALSO

ATENÇÃO PARA GOLPES CONTRA PROFESSORES!

PROFESSORA CAI EM NOVO GOLPE DE TELEFONE E PERDE R$ 71 MIL PELO PIX

CONFIRA QUEM SÃO OS GOLPISTAS QUE TENTAM DAR GOLPE NA CATEGORIA POR TELEFONE

QUADRILHA CONTINUA USANDO O GOLPE DO TELEFONE PARA ARRANCAR DINHEIRO DE PROFESSORES

GOLPISTAS CONTINUAM TENTANDO DAR GOLPE NA CATEGORIA POR TELEFONE

PROFESSORES SÃO ALVO DE GOLPE TELEFÔNICO

VAZAMENTO DE DADOS AJUDOU GOLPISTAS NO GOLPE DO TELEFONE

GOLPISTAS FALAM EM MP PARA ENGANAR PROFESSOR

SINDICALIZADOS SÃO ALVO DE GOLPE TELEFÔNICO

 

 

 

 

 

 

 

 

MATÉRIA EM LIBRAS

GDF ignora aumento de contaminação pela Covid e mantém aulas presenciais

Os dados da própria Secretaria de Estado da Saúde do Distrito Federal (SES-DF) indicam que, na manhã desta terça-feira (8), a capital do País está com 100% das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) lotadas. Segundo levantamento do DF TV, na manhã desta terça, havia mais de 40 pessoas com Covid-19 aguardando, na fila, por um leito de UTI. Os números, mesmo subnotificados, mostram que as taxas de contaminação continuam crescendo. Na sexta-feira (4/2), era de 1.19. Nesta terça, subiu para 1.26. O Distrito Federal registra, desde janeiro, sucessivos recordes de contaminação pela doença.

 

Apesar de tudo isso, segundo o DF TV, o governador Ibaneis Rocha (MDB) declarou à imprensa, também na manhã desta terça (8), que não editará novos decretos com novas medidas sanitárias para impedir a tragédia que já vitimou mais de 11 mil brasilienses e mais de 640 mil brasileiros em apenas 2 anos. Ele mantém o entendimento do governo Bolsonaro de negar a pandemia e insiste nas atividades presenciais nas escolas sem a mínima condição sanitária.

 

O resultado dessa decisão todo mundo já sabe qual será: centenas de milhares de mortes evitáveis por Covid-19. Com os dados atualizados desta terça, a cidade já soma 11.230 óbitos pela doença. Uma alta de 300%. Nas redes de saúde pública e privada, as pessoas não conseguem atendimento. A UPA de Vicente Pires, por exemplo, recém-inaugurada, registrou superlotação na noite de segunda-feira (7) e muita desistência de atendimento.

 

Mesmo diante dessa situação de caos completo, Ibaneis prossegue com o calendário escolar que prevê início das aulas presenciais para a próxima semana. Numa atitude genocida, o Governo do Distrito Federal (GDF) continua sem receber o Sinpro-DF e, com isso, sem dialogar com a categoria. Ignora o fato de, nesta última semana, o Brasil ter iniciado a já conhecida trajetória de aumento de contaminações e mortes pela doença. Confira na matéria “GDF não dialoga com o Sinpro e compromete retomada das aulas”   https://sinpro25.sinprodf.org.br/gdf-nao-dialoga-com-sinpro-e-compromete-retomada-das-aulas/

 


O País atravessa a terceira onda da pandemia que pode se estender por meses, como aconteceu em 2020 e em 2021. Só na semana passada, o Brasil registrou mais de 1,2 milhão de infecções por Covid-19, segundo dados da imprensa. Trata-se da segunda semana epidemiológica com mais casos desde o início da pandemia: foram 1.258.651 infecções entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro.

 

Nesse domingo (6), foram registrados, sempre com números subnotificados, 59.737 novos casos de Covid-19 em 24 horas, segundo os dados  do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass).  Em matéria divulgada no site, nessa segunda (7), o Sinpro-DF mostrou que, “na noite de domingo, 6 de fevereiro, o DF atingiu, mais uma vez, o triste índice de 100% de ocupação de leitos de UTI destinados a pacientes adultos de Covid-19. O número de novos casos diários tem batido recordes e, nos últimos dias, o índice de transmissibilidade da doença na capital federal está em 1,20, o que representa que 100 pessoas infectadas transmitem o vírus para outras 120, indicando pandemia em aceleração”.

 

Segundo a matéria do sindicato, “a vacinação de crianças, boicotada pelo governo  federal, começou tardiamente, e ainda não alcançou um número seguro. Até sexta-feira, 04, 81 mil crianças haviam sido vacinadas em primeira dose. No DF, há 268 mil crianças entre 5 e 11 anos, segundo a secretaria”. Confira a matéria “Retorno às escolas acontece em meio a dados alarmantes na saúde e falta de diálogo da SEE

 

O tema da volta às aulas presenciais se tornou tão problemático neste período de pandemia que voltou a ser debatido no TV Sinpro, na edição de 3 de fevereiro, e o problema da vacinação também. Não há uma campanha em favor da vacinação e, ao contrário, o governo federal continua com a gestão genocida, aproveitando a pandemia para cometer, sem punição, crimes de lesa-humanidade contra o povo brasileiro e desvios exorbitantes de dinheiro público da saúde. Os absurdos são veiculados como coisas naturais e os brasileiros, morrendo às centenas de milhares por Covid-19, perdem a capacidade de se indignar e de lutar contra essa situação.


Em outra matéria publicada no site, o sindicato mostrou como o passaporte da vacina na volta às aulas tem sido encaminhado pela Justiça: “É necessário que o GDF tome providência quanto ao número de crianças vacinadas dentro das escolas. Vacina é um direito, estabelecido inclusive no Estatuto da Criança e do Adolescente. Além disso, a vacina é também a única arma capaz de estabelecer, de fato, um ambiente mais seguro para quem frequenta as escolas”, avalia a Comissão de Negociação do Sinpro-DF. https://sinpro25.sinprodf.org.br/passaporte-da-vacina-volta-as-aulas/

 

O fato é que o número de casos já ultrapassou 4 milhões somente em 2022. Ao todo, são 4.245.491 infecções, superando todo o segundo semestre de 2021, que teve 3.730.380 casos. O Conass informou, na semana passada, que os estados notificaram 391 óbitos por coronavírus. Entre os dias 23 e 29 de janeiro, foram registrados 1.305.477 casos. Ao todo, o Brasil ultrapassa a marca das 640 mil mortes e 26.533.010 infecções pela doença. A média móvel de casos, que leva em consideração os últimos sete dias, está em 169.173. Já a média móvel de óbitos marca 764.

 

No Distrito Federal, apenas 30% das crianças foram vacinadas. No entendimento da diretoria colegiada do Sinpro, é um gesto criminoso manter o calendário presencial em fevereiro de 2022 nas escolas da rede pública de ensino. E observa que, se a falta de empatia do governo Bolsonaro contaminou o GDF, que tem ignorado a letalidade da pandemia e não atende o sindicato para negociar um novo retorno e organizar as aulas virtuais, é preciso que a categoria fortaleça a luta contra o genocídio e pelo direito à vida.

 

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