Fique atento e não caia no golpe. Confira todas as modalidades utilizadas pelos criminosos

A notícia é corriqueira, mas a atenção deve ser redobrada. Com o objetivo de impedir que os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais sejam surpreendidos(as) pela ação de bandidos, o Sinpro, de forma incessante, vem informando sobre as constantes tentativas de golpes praticadas por criminosos, que se passam por diretores(as) ou advogados do sindicato para extorquir dinheiro. Para facilitar a compreensão de todos(as) sobre as maneiras utilizadas pelos golpistas, mostraremos todas as versões usadas.

É importante ressaltar que o Sinpro-DF nunca solicitou nenhum tipo de transação bancária para que professores(as) e orientadores(as) recebam vantagens financeiras. Ao identificar a farsa, a vítima deve ligar, imediatamente, para um dos números do Sinpro-DF (61 3343-4200/4201) e, em seguida, denunciar o caso à Polícia Civil do Distrito Federal.

O combate a essa farsa é antiga. A diretoria do sindicato já denunciou várias vezes a situação à polícia e continua atenta para que não haja nenhum tipo de prejuízo aos (às) filiados(as).

Veja abaixo os tipos de golpes já aplicados:

Golpe 1

Criminosos ligam para a casa de educadores(as) informando que foi liberado o alvará de precatório para pagamento. Em seguida, dizem que a vítima tem mais de R$ 100 mil para receber, pedem para ligar no número 99639-2111 e solicitam depósito de um valor na conta: NEXT 237 – AG: 3728 – CONTA 609240-3 (Anderson Fabio de Oliveira – CPF: 031.729.793-77). É importante ficar atento, pois a conversa é feita em aplicativo com perfil que leva a foto da logo do Sinpro-DF.

Golpe 2

Para o furto via telefone, usam vários nomes. O nome “Cláudia Maria Rodrigues”, que utiliza o telefone fixo 3181-0041 e o celular/WhatsApp, 96519820, é um dos denunciados pela categoria. O Sinpro-DF informa que o nome “Cláudia Maria Rodrigues”, utilizado pela quadrilha, pertence a uma advogada que também está sendo duramente prejudicada pelo bando. Ela avisou ao Sinpro-DF que já denunciou o caso à polícia e tem Boletim de Ocorrência para comprovar o uso indevido do nome dela. O outro nome usado é “Leonardo Mota” (Núcleo Bancário), com o telefone 3181-0285. Um terceiro nome identificado é “Dr. Marcelo Ricardo”, com o número de telefone 99849-7364.

Golpe 3

Para extorquir dinheiro das vítimas, a pessoa que realiza a chamada se passa por diretor, ex-diretor ou funcionário da Secretaria de Assuntos Jurídicos, Trabalhistas e Socioeconômicos do Sinpro-DF. Segundo denúncias realizadas ao Sindicato, em alguns casos, o golpista se apresenta como Dr. Daniel ou Dr. Dimas, e chega a utilizar em sua foto de perfil de WhatsApp a logomarca do Sinpro-DF. Em seguida, o farsante solicita depósito em conta bancária vinculada a uma suposta pessoa com nome de Priscila.

Golpe 4

Outra modalidade é o golpe com transferência por PIX. Assim como os outros métodos, o golpista solicita um valor para liberar uma quantia à vítima. No caso de transferência por PIX, não há um sistema de retorno ou cancelamento do envio.

Golpe 5

Nesta modalidade, o golpista envia à vítima, via WhatsApp ou e-mail, documento simulando papel timbrado do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT). O documento ainda leva o nome de dirigentes do Sinpro-DF. No último relatado ao Sinpro-DF, constava o nome da dirigente Silvia Canabrava. O envio é feito posteriormente a uma ligação, em que o criminoso confirma vários dados da vítima, como nome completo, CPF e nome do pai e da mãe.

Golpe 6

O golpe mais recente consiste no envio de carta nominal, com logomarca de escritório de advocacia fantasma. O documento falso é enviado pelos Correios e traz uma série de argumentos jurídicos bem fundamentados, além de endereço de e-mail, telefones e assinatura com registro da OAB.

Sinpro disponibiliza agendas 2022 para professores e orientadores sindicalizados

A partir de segunda-feira (20/12), os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais sindicalizados(as) podem buscar sua agenda 2022 do Sinpro-DF. As agendas estarão disponíveis na sede e nas subsedes do Plano Piloto, Taguatinga, Planaltina e Gama no horário comercial – das 8h às 17h –, de 20 a 23/12/2021. A entrega será suspensa no recesso de Natal e Ano Novo, sendo retomada a partir do dia 3/1/2022.

 

O material traz uma nova temática e novo formato. Em vez de uma simples e tradicional agenda, o Sinpro-DF oferece um planner (planejador) para ajudar a todos e todas a organizarem melhor todas as áreas de sua vida, tanto na escola como fora dela, num mesmo caderno. Disponibiliza espaços para anotações e planejamentos, além de outras informações, como calendários, telefones úteis da entidade e um histórico de lutas da categoria.

 

O Planner do Sinpro-DF 2022 traz uma proposta libertária e convida a categoria para uma luta inédita pela independência do Brasil e em defesa  da soberania do País, com autêntica participação popular. Com o título e o tema “Educação, arte e resistência – Semana de Arte Moderna | 100 anos depois. O 22 de agora é mais que eu, somos nós”, o planner comemora o Centenário da Semana da Arte Moderna, valoriza a cultura com uma homenagem ao movimento de 1922 e se inspira nele para apresentar essa nova proposta.

 

No editorial, a diretoria colegiada do Sinpro explica que “cem anos depois do movimento artístico brasileiro conhecido mundialmente, o grito de liberdade antes centrado no ‘eu’ se amplia para o ‘nós’. O 2022 traz a arte-resistência, que transpõe a estética e se enraíza no social; realizada na periferia, pelo povo pobre, preto, marginalizado e que questiona os dois séculos dessa tal independência realizada sem participação do povo e feita para abafar os gritos de liberdade e manter o regime escravocrata”.

 

Confira. Venha buscar a sua.

Vacinação contra gripe disponível no DF

Vacinas protegem contra diversas doenças causadas por vírus – gripe, inclusive. E a Secretaria de Saúde do DF aproveita pra lembrar que ainda há 50 mil doses de imunizantes contra gripe disponíveis nas unidades de saúde do “quadradinho”.

A campanha de vacinação contra a gripe começou em julho, mas como ocorreu em paralelo à campanha de vacinação contra a Covid, muitos ficaram receosos de receber os dois imunizantes. Segundo a Secretaria de Vigilância Sanitária do DF, não há o que temer: “as duas vacinas [contra gripe e contra Covid] podem ser aplicadas, inclusive, no mesmo dia, conforme orientação do Ministério da Saúde”, explicou Renata Brandão, gerente da Vigilância das Doenças Imunopreveníveis da SVS, ao Correio Braziliense.

A vacina contra gripe é aplicável em indivíduos a partir dos 6 meses de idade. E a vacinação ocorre nas unidades básicas de saúde do DF.

O Brasil está com surtos de gripe nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Há também tendência de alta nos estados do Amazonas e do Espírito Santo. E estão em alerta, além do Distrito Federal, as seguintes capitais: Belo Horizonte (MG), Cuiabá (MT), Porto Velho (RO), Manaus (AM) e Vitória (ES).    

Não dê bobeira, proteja-se! Proteja a quem você ama, proteja todos à sua volta. Vacine-se. Sempre.

Sala de Situação da UnB recomenda uso de máscara, distanciamento e higienização

O fim de 2021 chegou e, com ele, as festas de confraternização. A diretoria colegiada do Sinpro-DF lembra que a pandemia do novo coronavírus não acabou e novas variantes surgem em todo o mundo. Lembra também que, apesar da redução do número de casos, as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) do Distrito Federal continuam lotadas.

 

É mais do que importante manter todos os cuidados com uso de máscara de boa qualidade, higienização das mãos e respiratória, manutenção dos ambientes ventilados e do distanciamento. A Sala de Situação de Saúde, da Universidade de Brasília (UnB), que monitora a pandemia da covid-19 no Distrito Federal, tem emitido informes sobre a situação da covid-19 no DF.

 

Marcela Santos, epidemiologista e coordenadora técnica da Sala, disse, em entrevista ao Sinpro-DF que, “embora o quadro da capital do País apresente uma redução de mortes e de diminuição dos casos de covid-19, temos observado um aumento na taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), que considera não só os leitos dedicados à covid, mas também diversos outros agravos de outras doenças”.

 

Na semana passada, segundo o monitoramento da Sala de Saúde feito com base nos números da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) , o cálculo de incidência era de dois casos para cada 100 mil habitantes nos últimos 7 dias.

 

“Pelos dados que dispomos hoje esse é o quadro do DF. É claro que a disponibilidade e transparência dos dados não é a ideal ainda no Brasil e no DF, mas, é com base nesses dados aos quais temos algum acesso com alguma frequência que temos analisado e observado a situação do DF. Por isso, é importante mantermos as medidas de prevenção e controle, como o uso de máscaras de boa qualidade”, denuncia.

 

Diante dessa situação nebulosa, Marcela recomenda o uso ininterrupto de máscara N95 em ambientes com pessoas. “Na indisponibilidade dessas, use máscaras cirúrgicas ou máscaras de pano de três camadas em locais em que se tenha contato com outras pessoas, em ambientes fechados, principalmente agora, no fim do ano, quando as pessoas procuram shoppings centers para compras, realizam confraternizações. O uso de máscaras é indicado, bem como o asseio das mãos e a higiene respiratória e, sobretudo, o distanciamento social”.

 

Portanto, continue usando máscaras até que seja realmente seguro andar nas ruas sem esse acessório. A máscara é a primeira proteção contra as gotículas de saliva que as pessoas expelem ao falar – é nessas gotas que o vírus da covid-19 e suas variantes se propaga. O uso de máscaras é cuidado consigo mesmo e com o próximo.

 

 

Use máscara. Mantenha o distanciamento. Respeite a vida. Usar a máscara é um gesto de empatia, carinho, amor e preocupação para com todos a sua volta. Não acredite nos governos que liberam a obrigatoriedade da máscara em locais abertos e omitem dados sanitários fundamentais para o combate o controle da pandemia.

 

 

Não caia na armadilha de governantes que não representam o povo e sim empresários que se mantêm isolados em suas mansões, e mantêm seus comércios funcionando por meio de funcionários mal pagos. Para manter o controle, faça sua parte: use a máscara!

Anvisa autoriza vacina contra Covid em crianças de 5 a 11 anos

Em reunião técnica realizada na manhã desta quinta-feira (16/12), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou a vacina da Pfizer para ser ministrada em crianças de 5 a 11 anos.

A diretoria colegiada do Sinpro saúda essa notícia com alegria e alívio: “agora conseguiremos de fato trabalhar dentro de protocolos de segurança. O importante agora é exigir o comprovante de vacinação junto com a matrícula, e garantir a saúde de estudantes, professores, pais e familiares. Nossa preocupação é com a vida, sempre!”, declarou a diretora do Sinpro Thaís Romanelli.

A dosagem do imunizante para pacientes pediátricos é menor do que a ministrada em maiores de 12 anos. Por isso, os frascos das vacinas infantis contra Covid terão cor diferente (laranja para crianças, e roxo para maiores de 12 anos).

As doses pediátricas ainda não estão disponíveis no Brasil. O início da campanha de imunização para as crianças ainda será definido pelo ministério da Saúde.

Participaram da decisão da Anvisa entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

13º salário foi criado em meio a intensa disputa ideológica entre esquerda e direita

(Originalmente publicado pela Agência Senado)

A adoção pelo Brasil de uma gratificação de Natal obrigatória para os trabalhadores ocorreu no bojo das grandes turbulências e transformações da década de 60. Em abril de 1961, os soviéticos haviam pela primeira vez enviado um ser humano para muito além da estratosfera, primeiro grande passo em direção à Lua, cujo solo seria tocado só oito anos mais tarde pela nave norte-americana Apolo 11. No Brasil, que recebera o cosmonauta Iuri Gagarin 90 dias depois de seu feito, discutia-se acaloradamente a criação do “13º mês de salário” como parte dos embates ideológicos entre esquerda e direita típicos da Guerra Fria: de um lado os Estados Unidos e o capitalismo; do outro, a União Soviética e o comunismo.

A criação do 13º, proposta em 1959 pelo deputado Aarão Steinbruch (PTB-RJ), seria aprovada pelo Senado em 27 de junho de 1962 e sancionada pelo presidente João Goulart em 13 de julho. Resultaria na Lei 4.090, de 1962, que garantia a todo empregado o direito a uma gratificação de fim de ano equivalente a 1/12 avos do salário de dezembro para cada mês trabalhado. Na época, entendia-se como empregados os trabalhadores assalariados na iniciativa privada.

No contexto de uma inflação renitente, que chegaria em dezembro a 51,6% (IGP-DI), foi uma das notícias alvissareiras do ano para a população. Em maio, o orgulho dos brasileiros já havia sido massageado pela Palma de Ouro do filme O Pagador de Promessas, em Cannes. Nada, porém, que se comparasse ao delírio das comemorações pelo bicampeonato mundial de futebol, conquistado no Chile em 17 de junho.

Ainda assim, nem todo o otimismo gerado pela Copa do Mundo foi suficiente para desfazer o mau humor no terreno da política e da economia. Contra a vontade dos militares, Jango assumira a Presidência da República em setembro de 1961 com a surpreendente renúncia de Jânio Quadros, eleito pela coligação de direita PTN-PDC-UDN-PR-PL. Sob regime parlamentarista forçado, o Brasil continuou a enfrentar grande inquietação e risco de golpe de Estado, do qual não escaparia em 1964.

Matizando com sua excentricidade a política externa independente arquitetada pelos chanceleres San Thiago Dantas e Afonso Arinos, Jânio tomaria medidas dissonantes, dada a coalizão que o sustentava. Uma delas foi condecorar o guerrilheiro e integrante do governo cubano Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul a seis dias de assinar sua carta de despedida do governo, em 25 de agosto. Um mês antes, ele havia concedido a Ordem da Força Aérea Brasileira ao nada polêmico Gagarin, então uma celebridade em giro pelo mundo e procedente de Cuba. As relações com a URSS seriam normalizadas em dezembro, mas Jânio a essa altura já havia se convertido numa das mais indecifráveis esfinges da política brasileira.

As contradições desse momento ligam, simbolicamente, o cosmonauta soviético às lutas pelo 13º salário, já que Gagarin visitou no Rio de Janeiro o Sindicato dos Metalúrgicos, uma das categorias mais mobilizadas em torno do abono e outras reivindicações. Aprovado em segundo turno no dia 24 de abril de 1962 na Câmara, o PL 440-C/1959 motivara a convocação de uma greve geral em São Paulo, iniciada em 14 de dezembro do ano anterior, quando aquela Casa adiou por 48 horas a votação em definitivo do projeto.

 
De slack, vestimenta que idealizou para funcionários públicos, Jânio Quadros condecorou Iuri Gagarin. O uniforme acabaria apelidado de “pijânio” (Foto: Arquivo Nacional)
 

O 13º, entretanto, não era novidade na pauta dos sindicatos, que por ele já batalhavam havia muitos anos, seja em movimentos setoriais, seja naqueles de caráter mais amplo. “Os primeiros registros de que temos notícia falam de greves e demandas pelo abono natalino em 1921 na Companhia Paulista de Aniagem e na indústria Mariângela”, destaca Murilo Leal Pereira Neto em A Reinvenção do Trabalhismo no “Vulcão do Inferno”, tese por meio da qual obteve o título de doutor em história pela Universidade de São Paulo (USP). Na mesma linha, o trabalho menciona episódios posteriores, começando por uma greve geral pelo pagamento do benefício em Santo André, em 1944, depois da concessão do benefício aos operários da Pirelli no ano anterior, e greves nos anos de 1945, 1946, 1951 e 1952 envolvendo diversas categorias, como ferroviários da Sorocabana, trabalhadores da Light, tecelões, gráficos, químicos, bancários, marceneiros, vidreiros, padeiros, sapateiros e comerciários.

O projeto de Steinbruch também não era novidade. Tratava-se do terceiro protocolado na Câmara.

Duramente reprimida, a greve dos paulistas resultou em prisões, mas marcou a forte posição dos trabalhadores. Eles queriam ir além da concessão da gratificação natalina por mera liberalidade das empresas e, muitas vezes, com valores abaixo do salário mensal.

“O 13º salário é um desses casos de reivindicação surgida no chão da fábrica, legitimada nas relações costumeiras entre patrões e empregados em algumas firmas, transformada em lei às custas de greves, demissões, abaixo-assinados, prisões e cuja memória é depois ofuscada pelo brilho da lei que, supõe-se, como toda lei, deve ter sido iniciativa de algum presidente, deputado ou senador”, escreve Pereira Neto.

O historiador cita em sua tese o depoimento do metalúrgico aposentado João Miguel Alonso sobre esses conflitos:

“O 13º salário, a maior parte do nosso povo ignora, saiu do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Pode confiar com toda a consciência no que eu estou falando. Toda vez que nós abrimos qualquer negociação de fim de ano com os patrões, nós encaixávamos o 13º, porque sabe o que acontecia naquela época? Os patrões ganhavam aquele dinheiro no fim do ano, tudo, chegava e dava um panetone e dava uma garrafa de vinho ruim pro cara. Então nós mostramos a realidade. O trabalhador também precisava passar o Natal melhor. (…) Oh, meu Deus do céu, vocês têm que entender, vocês não vão dar a empresa pra eles. Vocês vão dar apenas o essencial para esse coitado viver, passar um Natal melhor com a família.”

 
Ferroviários de Bauru (SP) em greve pela gratificação natalina: reivindicação nasceu “no chão de fábrica” (Foto: Acervo digital do Museu Ferroviário Regional de Bauru)
 

Na data marcada para começar a paralisação de dezembro de 1961, o deputado Derville Alegretti, do Partido Republicano (PR) de São Paulo, leu em Plenário carta do seu colega Cunha Bueno, do Partido Social Democrático (PSD), também de São Paulo, que expressava preocupação com “os destinos do regime democrático” face à greve e a um sem-número de outras manifestações que tomavam conta do país. “Sente-se um mal-estar em qualquer parte onde nos encontramos”, escreveu Bueno. O parlamentar relatou que, durante visita naqueles dias a São Paulo, Jango reafirmara sua crença de que a estabilidade econômica dependia das chamadas reformas de base, como a redistribuição de terras. Lamentava, porém, a incompreensão do tema por parte “dos nossos homens de governo”. Ao falar em público, observava Bueno, o presidente recebera um misto de apoio e pressão por parte dos grevistas, que agitavam cartazes sem parar. Sua fala também teve de competir com gritos de “fala, Jango” “viva Jango”, “viva Cuba” e “abaixo o imperialismo americano”.

De acordo com Rubens Goyatá Campante, doutor em sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Núcleo de Pesquisas da Escola Judicial do TRT-3ª Região, uma outra greve, deflagrada 18 dias após o Brasil conquistar a Copa — ou seja, já em 1962 — jogou a favor do 13º. Na opinião de Campante, expressa no artigo “O 13º veio de uma greve geral”, esse episódio “desmente análises rasteiras que vinculam os sucessos no futebol a uma ‘apatia sócio-política’ da população”. O movimento afetou principalmente empresas estatais ou sob controle do governo, mas o setor privado não passou incólume. Nos transportes, ferrovias, bancos e portos, a paralisação foi expressiva, assim como nas refinarias e distribuidoras da Petrobras. Cruzaram os braços trabalhadores de São Paulo, Fortaleza, Belém, Recife, Salvador, Campina Grande (PB), Vitória, Santos e Cubatão (SP), Belo Horizonte, Paranaguá (PR), Itajaí e Criciúma (SC), entre outras.

Mesmo pressionada, a Câmara adiou bastante o segundo turno da votação. Quando aprovou o PL, no entanto, o fez sem alterar o texto original de Steinbruch, embora alguns deputados tenham empurrado para o Senado a tarefa de emendar o projeto.

“A proposição foi adiada por 48 horas ainda em dezembro último. Muitas oito horas decorreram sem que a matéria fosse novamente colocada em pauta. Quando se discutiu o assunto naquela ocasião, dizia-se que não era possível sua votação porque se iria surpreender a classe patronal com o pagamento de um mês no próprio mês de dezembro. Estamos em fevereiro, quase ao término da convocação extraordinária, e é preciso que esta Câmara atente em que durante esse período, quase nada votamos”, diria o próprio Steinbruch na sessão de 23 de fevereiro.

Os senadores não foram menos pressionados, conforme deixam claro os registros das sessões da Casa mantidos pelo Arquivo do Senado, um rico acervo a mostrar que o tempo passa, mas embates semelhantes voltam ao plano da vida nacional, a despeito da troca de sinais. Em 1962, como hoje, insistia-se na necessidade de reformas. Aquelas eram voltadas a ampliar os direitos sociais. As de agora, igualmente tidas como condição sine qua non para a estabilidade econômica e o crescimento, incluem disciplina fiscal, reestruturação tributária e administrativa, além da redução de direitos trabalhistas.

 
Mobilização pelas reformas de base teve sempre forte vigilância das Forças Armadas (Foto: Arquivo Nacional/Correio da Manhã)
 

“A esta altura dos acontecimentos, no momento em que o Conselho de Ministros remete vários projetos à Câmara dos Deputados, no alto e elevado propósito de conter a inflação devastadora que aí está, todos nos vemos obrigados a medidas paralelas, no sentido de aliviar um pouco os que vivem de salários, quer funcionários, quer operários, mas essas medidas fatalmente agravarão ainda mais a situação a que chegamos”, advertiu o senador Novaes Filho, do Partido Libertador (PL) de Pernambuco, em um prolongado debate que envolveu a emissão de moeda, o controle dos gastos e até o sistema parlamentarista, no dia 2 de maio de 1962.

Novaes Filho emendou: “Já nos encontramos num ambiente de indisfarçável perigo para a própria ordem pública. Já é difícil a quem encarna, neste país, o princípio da autoridade, exigir prudência, exigir hierarquia, exigir disciplina de um povo sacudido pela fome, de um povo em desespero porque o que ganha hoje não satisfaz mais as necessidades de amanhã. Lamento que no Congresso Nacional não se tenha adotado até hoje uma única medida de prudência, de patriotismo, uma única medida enérgica contra esse estado tremendamente prejudicial ao país, em todos o seus setores de atividade”.

Paulo Fender (PR-PA), principal defensor do 13º no Senado, pergunta então a Novaes se o governo poderia coibir as emissões [de moeda] diante de demandas urgentes e se o Congresso não teria cedido “para atender as necessidades do povo”. No entender dele, a saída era estrutural.  “Parece-me que os projetos que mais interessam à Nação são os chamados de reforma de base, que não acodem a emergências. São, por conseguinte, proposições cujo alcance têm prazo mais longo, que combatem a inflação no seu cerne, na sua base, na sua infraestrutura”, argumentou. Um desses projetos era o que limitava a remessa de lucros de multinacionais para obrigá-las a reinvestir aqui o que ganhavam. “Penso que o Parlamento Nacional tem feito muito, porém a realidade brasileira não permite que se adotem medidas drásticas”.

Poucos dias antes, ao anunciar a chegada do projeto ao Senado, Fender observava: “O assunto já preocupa as classes conservadoras”.

Tais preocupações mereceram uma cautelosa exegese por parte do senador Ruy Carneiro (PSD-PB):

“Sou favorável ao projeto e devo dizer que dirijo uma organização privada — o Banco Hipotecário Lar Brasileiro — há 14 anos, e esse banco vem dando aos seus funcionários a chamada natalina, correspondente a um mês de vencimentos. Por conseguinte, para esse estabelecimento, o projeto não traz novidade, pois o 13º mês já está incorporado aos proventos dos seus servidores e às suas despesas habituais. O que deve haver, por parte das classes conservadoras, é o receio de que certas organizações sem lucro não possam efetuar obrigatoriamente esse pagamento.”

A resposta de Fender, que nas escaramuças com os conservadores recebia apoio de Lima Teixeira (PTB-BA) e Barros Carvalho (PTB-PE), mostra o quanto de antagonismo pairava no ar:

“Neste país, quase toda falência que se registra é fraudulenta. Nunca vi casas comerciais falirem por não lucrarem os seus proprietários. Estes têm o trato especializado de alterar preços a seu talante. Reúnem-se nas suas associações para que suas casas de negócio mantenham sempre as portas abertas, mercê de constantes aumentos percentuais das mercadorias que dão para sustentar empregados, serviços e despesas. E os lucros de 20% ou 30%, seja qual for a carestia da vida, são invioláveis. Assim, não se venha a dizer que o aumento salarial implica, consequentemente, em aumentar o custo de vida. Só poderá tal ocorrer se os comerciantes quiserem pagar esse aumento salarial à custa do povo.”

As preocupações expressas por Guido Mondin, do Partido de Representação Popular (PRP) do Rio Grande do Sul, iam além dos efeitos inflacionários induzidos pelo aumento do meio circulante, consequência do volume global de recursos a serem pagos. Ele alegava que o valor individual a ser recebido pelos trabalhadores seria irrisório, frente ao “alarmante e acachapante custo de vida no Brasil”. E temia pelo abono de Natal que já era pago pelas firmas: “Há muitas que, espontaneamente, abonam os seus funcionários no mês de dezembro. Então, esta lei deverá especificar que o 13° mês será pago sem prejuízo daquelas vantagens voluntariamente oferecidas aos empregados, desta ou daquela empresa. Repare se não há esta falha no projeto de lei?”

O projeto, contudo, não interferia nos pagamentos espontâneos. Apenas universalizava uma gratificação, que segundo Fender, era de certa forma o primeiro passo para se regulamentar o dispositivo constitucional que previa a participação de todo empregado nos lucros das empresas.

E embora um dos princípios do trabalhismo fosse “contribuir cada um segundo suas possibilidades, para outro segundo suas necessidades”, Fender via uma vantagem do abono para o sistema capitalista, que se mostraria verdadeira:

“Leio, na imprensa carioca, manifestações pessimistas de representantes das classes conservadoras, que alertam a Nação para o perigo que esse projeto de lei pode ocasionar com relação à inflação. Há os que calculam em centenas de bilhões de cruzeiros o aumento das despesas de pagamento de salários que o projeto carreará. O que não se diz, porém, é que aumentará o mercado consumidor e, por conseguinte, a produção terá mais fácil colocação. Não se pode admitir, pura e simplesmente, que não havendo aumento de produção correlata com o aumento de salários, esse salário seja indevido ou injusto. É um raciocínio simplista que, desta tribuna, contestamos.”

Em 9 de maio, Aloysio Carvalho (PL-BA) procurou dar voz diretamente aos empresários, ao ler telegrama enviado pela associação comercial de seu estado, que pedia um “meticuloso e profundo exame do projeto, cuja aprovação importará no agravamento da crise financeira nacional, estimulando o surto inflacionário e consequente majoração do custo de vida.”

Uma abordagem mais ampla da questão viria em longo e virulento discurso proferido por Mem de Sá (PL-RS). O senador apoiou sua argumentação em aspectos técnicos e apresentou estimativas para o que considerava uma provável elevação em escala dos recursos dispendidos com salários em razão do 13º, somados aos que deveriam ser pagos aos servidores públicos. As repercussões inflacionárias seriam amplas, acreditava ele, não só pelo aumento dos custos das empresas e da demanda, como também do déficit público, provocando a necessidade de reajuste do salário mínimo e aumento de impostos, num círculo vicioso infinito.

“Poderá o Estado, depois de publicada tal lei, recusar a seus servidores a liberalidade que coercitivamente impôs às empresas e empregadores privados? Com que autoridade moral negará a seus empregados o que forçou a ser dado aos demais? E então, naturalmente, o déficit será ainda maior e tudo será pior ainda”, previa.

Do “quadro desesperador”, que expôs, o senador anunciou “conclusões imediatas”. E a primeira era: “a ordem constitucional e as instituições” não resistiriam, a economia nacional entraria em colapso e o país, em convulsões sociais.

“O Brasil ameaça explodir!”, alertou Mem de Sá, bastante cético sobre o remédio preconizado por Jango e por Fender, que fazia pouco do déficit público:

“Não há reformas de base, nem emendas constitucionais, nem poderes Constituintes, que resolvam nossos problemas dentro da hiperinflação em que afundamos vertiginosamente. Neste clima e neste ambiente, o esquema subversivo em escancarado desenvolvimento, promovido pela inconsciência da ambição e da demagogia, ‘cubanizirá’ o Brasil ou o lançará na anarquia de agitações sangrentas e ditaduras instáveis.”

 
 

Para Mem de Sá, estariam o Congresso e o governo “procedendo como irresponsáveis”, por se distanciarem dos esforços “de sobrevivência” do combate às causas da inflação, para cada vez mais agravá-las, “como se decididos ao suicídio”. O senador criticou ainda o comodismo, o empreguismo, a politicagem e a tendência de governantes para a inépcia e a corrupção.

Na sequência, desferiu um ataque frontal a Goulart, tentando relativizar a culpa do Parlamento e livrá-lo do papel de bode expiatório “dos descalabros” daquele momento:

“O Sr. João Goulart não pode, assim, descer da dignidade [do cargo] de presidente da República para adotar a linguagem e os expedientes de líder de facção, concorrendo, por esta forma, com a autoridade de seu posto para que o povo se deixe mistificar pela demagogia dos agitadores profissionais e dos caçadores de votos”.

A intervenção de Mem de Sá tocaria por fim no explosivo tema do sistema de governo, que também era objeto de manifestações sindicais, seja a favor da troca do primeiro-ministro seja pela volta dos plenos poderes a Goulart, que também queria converter o Congresso seguinte em Constituinte para votar as reformas de base:

“É preciso dizer ao povo que o Ato Adicional não foi cumprido, que não foi implantado no Brasil o sistema parlamentar de governo, que temos hoje uma caricatura de parlamentarismo servindo de máscara à união ou confusão de partidos dentro de um governo em que o presidente da República cada vez mais cresce em força e poder, à medida que o Conselho de Ministros se apequena e encolhe e o Congresso se demite.”

Da parte dos senadores Miguel Couto (PSD-RJ) e Lima Teixeira, a preocupação era ampliar o escopo do projeto de Steinbruch. Couto ainda resgataria em sua fala do dia 30 de maio o espírito cristão que dera origem à proposição:

“Teve este projeto extraordinária repercussão em todo o país, e podemos considerá-lo vitorioso pelos seus elevados propósitos de amparar as classes menos favorecidas pela fortuna. É justo que durante as comemorações natalinas, quando toda a humanidade procura desarmar os espíritos para devotar-se aos festejos pela data do nascimento do Menino Jesus, que se contribua financeiramente, ofertando os meios necessários a que cada lar modesto possa também participar das merecidas alegrias no aconchego da família”, pregou, para em seguida propor a extensão do benefício aos pensionistas e aposentados dos institutos de previdência, “criaturas já envelhecidas ou inválidas, sem meios para um esforço maior em busca das necessidades familiares”.

Teixeira pediu pelos “inúmeros trabalhadores avulsos da estiva”, cujo trabalho não era constante e que reivindicavam o pagamento do 13º com base no percentual de atividade e de frequência quando “da chegada de navios ao porto”.

O projeto acabou aprovado sem emendas no Plenário, apesar de uma das comissões do Senado apresentar substitutivo prevendo converter o benefício em abono de 1/12 avos relativo a novembro, podendo dele serem descontadas gratificações e participações em lucros. O abono seria dedutível do Imposto de Renda sobre o lucro real a pagar das empresas e valeria até que lei sobre participação nos lucros regulamentasse nesse sentido a Constituição, o que só veio a ocorrer no ano 2000. Pelas regras atuais, a participação é desvinculada dos salários e não é obrigatória, depende de negociações trabalhistas.

Já a Lei 4.090 foi regulamentada em 1965, ou seja, já no regime militar, pelo presidente Castello Branco, e depois das alterações introduzidas pela Lei 4.749/1965, sendo a principal delas a obrigação de os empregadores adiantarem metade do 13º entre fevereiro e novembro. O Decreto 57.155, de 1965, detalhou os artigos das duas leis e instituiu uma regra para os trabalhadores com remuneração variável. Em 1988, a Constituição foi promulgada já com a previsão do direito ao 13º por todos os trabalhadores urbanos e rurais, mas esse direito só foi estendido, formalmente, aos servidores públicos em 1998, por meio da Emenda Constitucional 19.

Fantasmas e mitos

 A consultora do Senado Jeane Arruda, economista com mestrado em política social pela Universidade Autônoma de Barcelona, comunga do ponto de vista de que o 13º salário foi muito além do debate ideológico e se firmou como um ingrediente bastante útil ao modelo econômico brasileiro.

Segundo ela, a Gratificação de Natal tem suas origens nos países majoritariamente cristãos, com a concessão, pelos patrões, de cestas alimentícias a seus empregados. Ao longo do tempo, as cestas foram substituídas por valores monetários. No Brasil, antes de 1962, categorias como a dos trabalhadores das empresas telefônicas de São Paulo já haviam conquistado esse benefício. E há relatos de que nos primórdios das Consolidação das Leis do Trabalho, em 1943, estudou-se institucionalizar o 13º, mas pressões empresariais teriam excluído o tema da CLT.

Bastante combatido a princípio, o 13º é um direito consolidado no Brasil, de acordo com a consultora:

— Uma evidência disso pode ser vista, por exemplo, na última reforma trabalhista, ocorrida em 2017, quando não houve alteração alguma relacionada ao 13º. Certamente, o 13º salário aumenta o poder de compra do trabalhador e os recursos na economia. O aumento das vendas no período de fim de ano são positivamente influenciados pelos recursos do 13º. O aumento de gastos que tipicamente o trabalhador tem com as festas de fim de ano e, também, as despesas que se concentram no início do ano seguinte, com pagamento de impostos, matrículas escolares, entre outros, são beneficiados com os recursos desse salário extra. Além disso, os maiores gastos do trabalhador se refletem em maior produção e emprego.

Jeane Arruda explica que esse impacto na economia é significativo porque, além dos trabalhadores ativos no mercado de trabalho, aposentados e pensionistas do INSS também fazem jus ao benefício:

 — Para este ano, em que a inflação está estimada em 8,59%, bastante acima do teto da meta de inflação de 5,25%, a parcela do 13º ainda a ser paga será especialmente relevante para recompor parte da perda do poder de compra que o trabalhador sofreu ao longo do ano.

Os pensionistas e aposentados do INSS, contudo, já receberam as duas parcelas do 13º, pois o governo federal quis estimular a retomada mais rápida da economia e reverter os efeitos da epidemia de covid-19. Assim, parte do impacto geralmente concentrado ao final do ano será menor em 2021. De acordo com o Ministério da Economia, a medida injetou em torno de R$ 52,7 bilhões no mercado e beneficiou 31 milhões de segurados.

— Para este ano, o ingresso de recursos na economia estimado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos está em R$ 233 bilhões, equivalentes a 2,7% do produto interno bruto (PIB). A título de referência, em 2020 o Dieese estimou que foram injetados R$ 215 bilhões ao longo de todo o ano.

O crescimento de um ano para o outro foi de 8,3%. Cerca de 83 milhões de brasileiros serão beneficiados com rendimento adicional, em média, de R$ 2.539, pago aos trabalhadores do mercado formal, inclusive aos empregados domésticos; aos beneficiários da Previdência Social e aos aposentados e beneficiários de pensão da União e dos estados e municípios. Em 2020, o total de beneficiários foi estimado em 80 milhões de brasileiros, com um benefício médio de R$ 2.458.

As previsões catastróficas, afinal não confirmadas, à época da instituição do 13º devem-se, na opinião da consultora, ao fato de que o país passava por forte conturbação política.

 

 
Movimento na Rua 25 de Março, em São Paulo, em fim de semana antes do Natal: o 13º impulsiona as compras (Foto: Paulo Pinto/FotosPublicas)
 

— As empresas, representadas sobretudo pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo [Fiesp], eram contra a instituição do benefício. Para o empregador, o 13º representa aumento do custo da mão de obra. Daí o interesse em que o benefício pudesse ser firmado por liberalidade entre as partes, sem, por exemplo, a compulsoriedade do pagamento ou sem a imposição de valores mínimos. Além do mais, a economia passava por aceleração inflacionária e havia o temor de que o 13º agravasse o cenário, o que não se verificou.

Ao contrário, os contornos do 13º se amoldaram à tradição jurídica e cultural que situa o Brasil no âmbito de países como os latino-americanos México, Argentina e Uruguai e os social-democratas europeus Espanha, França, Itália e Portugal: benefício instituído por lei nacional, sendo frequente o pagamento em valor igual ao do salário habitual, segundo a consultora. Nos países de tradição liberal como Alemanha e Áustria, a gratificação de Natal se dá por meio de contratos coletivos de trabalho e não chega a se igualar ao valor do salário habitual.

Portugal paga um subsídio de Natal a todos os trabalhadores em valor correspondente ao do salário bruto, de uma vez só, em novembro ou dezembro, ou em duodécimos ao longo do ano. Na Espanha, há garantia do abono, mas não obrigatoriedade de valor mínimo, mesmo que na prática os valores definidos nos acordos e convenções coletivas de trabalho equivalham ao da remuneração mensal. Na Argentina, o pagamento é determinado por lei, sendo realizado em duas parcelas, uma em junho e outra em dezembro.

Jeane Arruda diz que depois de quase três décadas de existência legal, o 13º é envolvido em controvérsias de naturezas distintas às da sua gênese — relacionadas atualmente à sua validade como instrumento de ganho econômico e quanto ao grau de sua incolumidade jurídica. Nos últimos anos, circularam formulações, segundo as quais o benefício não seria na verdade um salário extra, mas sim o pagamento pelas semanas a mais trabalhadas no ano, em razão de alguns meses terem quatro semanas e outros, cinco.

— Não há evidências de que o 13º brasileiro tenha essa finalidade. O pagamento no Brasil é mensal, diferentemente de outros países, como os Estados Unidos, onde é semanal. De modo que o argumento não se adequa à realidade brasileira. Por exemplo, se o trabalhador estiver empregado apenas por 20 dias de um mês do ano, ele fará jus a 1/12 (um doze avos) do 13º salário, recebendo o proporcional como se tivesse trabalhado por todo mês, mesmo tendo trabalhado menos de 30 dias. Portanto, não faz sentido o raciocínio por semanas.

Outra dúvida é sobre se o 13º seria uma cláusula pétrea — e, dessa forma, imutável — da Constituição:

— O 13º está previsto no art. 7º da Constituição Federal, que trata dos direitos sociais dos trabalhadores. O art. 60 da Constituição Federal inclui os direitos e garantias individuais dentre as cláusulas pétreas, ou seja, direitos que não podem ser extintos pelo legislador. Na doutrina há o entendimento que os direitos e garantias individuais não se restringem ao artigo 5º da Constituição Federal, estendendo-se por todo o texto constitucional. No entanto, especificamente quanto aos direitos sociais, onde está inserido o 13º salário, não há consenso entre os doutrinadores sobre tais direitos estarem ou não inseridos dentre as cláusulas pétreas. Até o momento, o STF não se posicionou especificamente sobre a questão. Para os que entendem os direitos sociais como cláusula pétrea, o 13º estaria garantido permanentemente, cabendo apenas ampliá-lo, mas não extingui-lo ou reduzi-lo — explica a consultora.

Contrato Temporário: saiba como se dará sua avaliação de desempenho

A avaliação de desempenho dos professores e professoras em contrato temporário acontece ao final de cada semestre letivo e ao final de qualquer carência que o(a) profissional ocupar. Ela é muito importante porque, sendo reprovado ou reprovada na avaliação, o(a) professor(a) tem seu contrato rescindido.

Quem realiza a avaliação de desempenho (ou seja, o avaliador ou avaliadora) é a chefia imediata da escola em que o(a) profissional está atuando. Os critérios a serem considerados são: assiduidade, pontualidade, disciplina, iniciativa, conhecimento profissional, produtividade, cumprimento de prazos, responsabilidade, ética e relacionamento interpessoal. Estará aprovado aquele e aquela que somarem nota igual ou superior a 26 pontos. Recebendo 25 pontos ou menos, o(a) profissional é considerado(a) reprovado(a).

Em caso de avaliação negativa, o professor ou professora pode solicitar a revisão da sua nota. Os pedidos devem ser formulados por escrito, contendo sua identificação, a exposição dos fatos e de seus fundamentos, a data e a assinatura. O prazo para apresentação desse pedido é de até 3 dias da ciência do resultado da avaliação pelo(a) professor(a) substituto(a), e ele deve ser dirigido à autoridade administrativa que proferiu a decisão na escola.

Ao pedido de revisão indeferido também cabe recurso. O professor ou professora terá até 5 dias úteis, contados do conhecimento do indeferimento do pedido de revisão, para endereçar sua solicitação à coordenação da regional. No caso de novo indeferimento, existe a possibilidade de recurso em caráter excepcional à SUGEP (Subsecretaria de Gestão de Pessoas), a ser apresentado no prazo de 7 dias.

A diretoria do Sinpro estará à disposição para sanar dúvidas e contribuir para orientar professores e professoras que eventualmente venham a se sentir injustiçados(as) nas suas avaliações. Nesse caso, procure o diretor ou diretora responsável por sua escola.

Referência: portarias 341 (de 14/07/2021) e 72 (de 18/02/2021). Leia a íntegra AQUI

Boas vindas aos e às profissionais recém contratados(as) pela SEEDF

Esta quarta-feira 15 de dezembro foi um dia muito especial e com gostinho de alegria e vitórias para 337 pessoas muito especiais. Hoje ocorreu a posse dos (e das) 337 professores(as) remanescentes da lista da SEEDF, que compareceram à Secretaria de Educação para a cerimônia. Desses 337, aproximadamente 100 aproveitaram a ocasião para se filiarem ao Sinpro.

Durante a cerimônia, os empossados(as) ouviram as palavras dos titulares da secretaria distrital de educação e também a mensagem de dois diretores/professores do Sinpro.

Vanilce Diniz deu boas vindas, lembrou de quando ela mesma viveu a alegria e a emoção do momento da posse. Também lembrou que somos todos professores da Secretaria de Educação, todos com o mesmo objetivo. Por isso, o sindicato vai sempre liderar as lutas da categoria por melhores condições de trabalho e remuneração, daí a importância da sindicalização para fortalecer as lutas.

A posse desses 337 professores e professoras é simbólica de uma série de lutas e conquistas do Sinpro em meio a governos (federal e distrital) comprometidos com um projeto de destruição do serviço público e da carreira do servidor público, que se concretizam em desmontes tais como a PEC23, a PEC 32 e a EC 95.

Como lembra o diretor Jairo Mendonça: “A efetivação desses profissionais é um momento de alegrias e vitórias, pois zera o cadastro reserva do último concurso e fortalece a carreira do magistério publico do DF. Essa é uma luta permanente da diretoria colegiada do Sinpro, que sempre defendeu a contratação de professores concursados para as vagas efetivas. Isso certamente vai impactar para melhor a qualidade da educação oferecida por funcionários públicos que passaram pelo crivo de um concurso público para assumir os cargos.”

O diretor Luciano Custódio complementa a fala de Jairo, ao lembrar que “O ensino oferecido por uma educação pública com qualidade socialmente referenciada, inclusiva, plural, laica e continuada tem sua excelência garantida por professores efetivos, pois com eles existe um compromisso e conexão maiores com a escola, e assim seu trabalho pedagógico é beneficiado pela sua permanência junto aos estudantes e ao corpo docente.”

E o diretor Samuel Fernandes, ao afirmar que a posse desses professores é muito importante, recorda que ainda temos milhares de vacâncias na Rede Pública de Ensino que devem ser ocupadas por professores concursados. “Esperamos que o governo divulgue logo o próximo edital para que as vagas de abertura de turmas, aposentadorias, falecimentos e exonerações sejam ocupadas por professores concursados!”

Por todos esses motivos, a diretoria colegiada do Sinpro está muito feliz e orgulhosa de dar as boas vindas a todos e todas.

E, aos 237 que ainda não se filiaram: podem vir! A luta dá trabalho, mas a vitória final vem com muita felicidade e energia. Igual à que vocês estão sentindo agora.

Bem-vindos! Bem-vindas!

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Servidores comemoram derrota da PEC 32, mas alertam que luta contra a reforma administrativa continua

O ano de 2021 chega à reta final marcado por um cenário dramático de fome, desemprego, ataque aos direitos trabalhistas e desalento do povo brasileiro. Mesmo com essa conjuntura, servidores públicos de todo o país e das três esferas resistiram e impediram que a PEC 32, da reforma administrativa, fosse votada. O ato de comemoração foi realizado nesta quarta-feira (15/12), em frente ao Anexo II da Câmara dos Deputados, onde as lideranças sindicais alertaram que, mesmo com a vitória arrancada, a pressão contra a proposta que destrói os serviços públicos deve permanecer.

“Hoje vivemos uma ausência do Estado, e se pretende legalizar essa omissão a partir da PEC 32. Vivemos no Brasil uma realidade que é de aprofundamento da pobreza, empobrecimento da classe trabalhadora. O quadro do Brasil é gravíssimo. E a reforma administrativa piora tudo isso, já que tem como objetivo ‘abrir porteiras’ para o uso da máquina pública a serviço da iniciativa privada. Por isso, temos que comemorar, mas entendendo que ainda não terminou”, afirma a dirigente do Sinpro-DF Rosilene Corrêa.

De acordo com o presidente da Central Única dos Trabalhadores do DF (CUT-DF), “em um cenário de desemprego crescente, de pandemia, não ter os serviços públicos fortalecidos significa relegar a população à própria sorte”. “A reforma administrativa fragiliza toda a prestação dos serviços públicos, e um Estado fragilizado significa um Estado que não tem capacidade de implementar políticas necessárias, por exemplo, para a geração de emprego”, diz Rodrigues, e relembra que, atualmente, o Brasil tem quase 15 milhões de desempregados.

Dirigentes do Sinpro-DF e da CNTE presentes na pressão contra a PEC 32

 

Resistência
Durante 14 semanas, servidores públicos de todo país se concentraram em Brasília e realizaram uma série de ações para barrar a reforma administrativa. O palco principal dessa luta foi o Anexo II da Câmara dos Deputados, onde foi realizada uma espécie de vigília contra a proposta que altera a Constituição brasileira. Entretanto, também foram realizados marchas, manifestações no aeroporto na chegada de parlamentares, atuações nas redes sociais e, sobretudo, um trabalho intenso de conscientização da sociedade sobre os prejuízos irremediáveis da PEC 32.

“Não votaram a PEC 32 porque aqui encontraram servidores e servidoras que foram desconstruindo as mentiras do governo, uma a uma, e que foram dialogando com a sociedade para dizer que o Estado precisa de políticas públicas, e para isso é necessário valorização de servidores e servidoras”, discursou a deputada federal Érika Kokay (PT-DF), no ato realizado nesta quarta, em frente ao Anexo II da Câmara.

Coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público, o deputado Rogério Correia (PT-MG) avaliou este dia 14 de dezembro como um “dia histórico”. Segundo ele, o diálogo dos servidores com a sociedade foi fundamental para que houvesse a vitória contra a PEC 32.

“Quando nós (lideranças sindicais e parlamentares) passamos a conversar com o conjunto dos servidores, eles passaram a dialogar também com a sociedade, e mostraram que quem perde com a PEC 32, além dos servidores públicos, é o povo. Isso porque, com essa PEC, era o povo que iria perder acesso à educação pública, da creche à universidade; que ia perder o direito de ter o SUS, da sua unidade de saúde que precisa quando seu filho está doente, e tantos outros serviços. O servidor público mostrou para o povo brasileiro que a derrota, caso a PEC 32 fosse aprovada, era a derrota do povo brasileiro, da Constituição, que diz que é obrigação do Estado prestar os serviços públicos ao povo”, discursou no ato que comemorou a vitória contra a PEC 32.

Rodrigo Rodrigues (de preto), presidente da CUT-DF, discursa contra reforma administrativa

 

Conversa fiada
Para tentar aprovar a reforma administrativa, o governo federal e sua base aliada no Congresso Nacional usaram de uma série de desinformações para tentar ganhar apoio público. E embora a votação da PEC 32 tenha sido barrada neste ano, a insistência do governo e seus aliados em fazer valer a reforma administrativa continua.

Na manhã desta quarta-feira (15), enquanto servidores públicos de todo país se organizavam para o ato em comemoração da vitória contra a reforma administrativa, o relator da PEC 32, deputado Arthur Maia (DEM-BA), defensor da proposta do governo Bolsonaro, disse a uma emissora de televisão que a reforma administrativa é necessária para que o servidor público seja avaliado.

Na entrevista, Maia, que também relatou a reforma da Previdência, disse que um dos principais pontos da reforma administrativa é criar uma plataforma de avaliação pública de servidores, feita de forma digital pelos próprios usuários dos serviços públicos.

“O que o Brasil precisa é de gestão competente, de políticas públicas, de governos que respeitem o povo brasileiro”, rebateu o secretário-geral da Condsef/Fenadsef, confederação e federação que representam os servidores públicos, Sérgio Ronaldo da Silva.

Segundo ele, “em média, 450 servidores públicos são demitidos por ano por não cumprirem com sua missão”. “Os servidores e os funcionários públicos têm um código de ética, critérios, regras a cumprir. É uma grande mentira que servidor público não pode ser demitido. Pode sim, e deve; quando erra deve ser demitido. Mas não podemos tornar regra o que é exceção. O que falta para o serviço público é gestão, é governo que cuida do povo. E isso a reforma administrativa não traz”, denuncia.

Servidores comemoram vitória, mas afirmam que manterão a luta para que PEC 32 seja enterrada definitivamente

 

Com a reforma administrativa, serviços públicos que garantem direitos humanos, como a educação, estão na mira da privatização e de suas consequências.

“Para nós da Educação, se a PEC 32 for aprovada, teremos a total ausência de possibilidade de concursos públicos no futuro; abre-se a possibilidade de demissão dos atuais professores e funcionários contratados; e também todo processo de gratuidade da educação pública estará em jogo, pois há a abertura para a iniciativa privada gerir escolas”, alerta a secretária geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Fátima Silva.

De acordo com a sindicalista, servidores(as) da Educação, que estiveram presentes em todas as mobilizações contra a PEC 32, devem se manter mobilizados. “A nossa vitória é temporária, temos que continuar em alerta”, afirma.

A sindicalista orienta que, na abertura dos trabalhos da Câmara dos Deputados em 2022, a categoria da Educação esteja novamente na Casa para fazer pressão e “enterrar a PEC 32 de uma vez por todas”.

Para que a PEC 32 seja aprovada, são necessários pelo menos 308 votos favoráveis na Câmara dos Deputados. Caso o quórum seja alcançado, a proposta irá para análise do Senado. Entretanto, a avaliação é de que, em ano eleitoral, parlamentares não assumirão o desgaste da aprovação de uma matéria como essa. De toda forma, essa não é uma certeza.

 

 

MATÉRIA EM LIBRAS

PARTE 1

PARTE 2

 

PARTE 3

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Obrigada por tudo, bell! Até um dia! <3

O mundo acabou de perder a escritora, poeta, professora, crítica cultural e ativista bell hooks, nesta quarta-feira 15/12, aos 69 anos.

Gloria Jean Watkins nasceu no Kentucky (EUA) em 25 de setembro de 1952. Em 1978, escreveu seu primeiro livro, “And there we wept” (E lá choramos), sob o pseudônimo de bell hooks, assim mesmo, em letras minúsculas, em homenagem a sua avó. Discípula de Paulo Freire, bell produziu uma bibliografia muito importante para os movimentos negro e feminista.

É com essas palavras que a autora abre o livro “O Feminismo é para todo mundo”, lançado no Brasil em 2019:

Imagine viver em um mundo onde todos nós podemos ser quem somos, um mundo de paz e possibilidades. Uma revolução feminista sozinha não criará esse mundo; precisamos acabar com o racismo, o elitismo, o imperialismo. Mas ela tornará possível que sejamos pessoas – mulheres e homens – autorrealizados, capazes de criar uma comunidade amorosa, de viver juntas, realizando nossos sonhos de liberdade e justiça, vivendo a verdade de que somos todas e todos ‘iguais na criação’. Aproxime-se.

A autora foi única na capacidade de mesclar suas experiências pessoais com teorias importantes do feminismo, movimento negro, educação progressista etc.

Em “Ensinar a Transgredir”, bell defende a importância da educação na formação de cidadãos conscientes, no agir e refletir sobre o mundo para modificá-lo.

Bell sempre acreditou que a educação é primordial na gênese da luta antirracista, do pensamento crítico, como prática anticolonial e para evitar a continuidade da reprodução da dominação. Por isso que a autora sempre defendeu a formação de uma verdadeira comunidade de aprendizagem, com brancos e negros engajados na construção de um mundo de igualdade.

E é em “Ensinar a Transgredir” que bell explicita a importância da obra de Paulo Freira na formação de seu pensar e de sua concepção de mundo.

A diretora do Sinpro Márcia Gilda, Coordenadora da Secretaria de Raça e Sexualidade, lamentou muito a morte de bell hooks: “Ela certamente deixará um grande legado na luta feminista, onde militava evidenciando a interseccionalidade desta luta. Para ela, o debate trazia para o centro aspectos indissociáveis como gênero, raça e classe. Como Paulo Freire, seu mestre, que pontuava que ” Educar é um ato político ” assim bell hooks o fez durante toda a sua trajetória.”

Por toda a sua habilidade em demonstrar a importância da educação na formação de seres mais humanos e mais conscientes, bell, a gente agradece por sua passagem por este plano. Você fez muita diferença! <3

Muito obrigada por tudo, e até um dia!

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