Live debate o possível retorno às aulas na educação básica
Jornalista: Luis Ricardo
O Sinpro convida os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais para participarem de um debate promovido pelo Observatório de Educação Básica da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UnB). A Live, que terá como tema Aulas presenciais na Educação Básica, será nesta quinta-feira (29), das 18h30 às 20h30, e será transmitido pelo canal do ObsEB no Youtube, e pelo Facebook e Youtube do sindicato.
O evento contará com a presença da diretora do Sinpro e da CNTE, Rosilene Corrêa; da professora Aira Carina, diretora do CEF 8 de Sobradinho 2; do Dr. Cláudio Maierovitch, da Fiocruz Brasília; e do secretário executivo da Secretaria de Educação do DF, Denilson Bento. A mediação ficará sob a responsabilidade de Henrique Torres.
A participação da categoria é de grande importância, uma vez que vivemos um possível retorno às aulas presenciais e toda informação neste momento é necessária e muito bem-vinda.
Encontro de trabalhadores do setor público discute plano de lutas contra a PEC 32
Jornalista: Luis Ricardo
A Reforma Administrativa (PEC 32) de Bolsonaro e Paulo Guedes vai acabar com os serviços públicos e deixar a população brasileira sem assistência nem direitos sociais. Por isso, as centrais sindicais e diversas entidades de classe realizarão, nesta quinta-feira (29) e sexta-feira (30), o Encontro Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Setor Público. O evento será online e vai discutir um plano de lutas para preparar uma grande mobilização nacional contra a PEC 32.
No dia 29 de julho, às 19h, o evento será transmitido publicamente através do Facebook e do YouTube Contra a PEC 32, e pelo Facebook e Youtube do Sinpro. Já no dia 30 de julho, a partir das 9h, o evento ocorrerá na plataforma ZOOM. O link de acesso será enviado por e-mail e pelo WhatsApp, caso suas informações sejam fornecidas no ato da inscrição. Acesse www.contrapec32.com.br, inscreva-se no Encontro e vamos, juntos(as), fortalecer a defesa dos serviços públicos.
Sinpro-DF pede explicação sobre impedimento para 2º dose e SEE-DF responde
Jornalista: Maria Carla
O Sinpro-DF informa que entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) e explica que os(as) professores(as) que completaram 60 dias da primeira dose da vacina Oxford/AstraZeneca e que tomaram o imunizante entre os dias 18, 19 e 20 de maio já podem tomar a segunda dose do imunizante.
O Sinpro-DF buscou o secretário Executivo da SEE-DF, Denilson Bento da Costa, para explicar as denúncias de que professores(as) aptos(as) para a segunda dose da AstraZeneca, conforme as regras divulgadas pela SEE-DF, na segunda-feira (26), foram impedidos de tomar o imunizante na manhã desta terça (27) nos postos de vacinação.
Costa, por sua vez, ao atender à solicitação do Sinpro-DF, esclareceu que a secretaria já tomou as providências para evitar esse tipo de impedimento nos postos de saúde. Ele disse que conversou com o médico responsável pelo Comitê de Vacinação para que seja passada uma circular em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Regionais de Saúde a fim de deixar os(as) profissionais de saúde avisados(as) dessa antecipação.
“Todos os professores estão autorizados a vacinar ao completarem 60 dias”, afirma Bento. Ele avisa que quem não tem ainda os 60 dias completos não será vacinado. E informa que a antecipação será constante: “Isso é uma constante. Não vai ser só um dia. A partir de 60 dias da primeira dose, o professor pode ir a qualquer momento tomar a segunda dose. Mas é bom que fique claro: ele só pode ir depois que completar 60 dias do dia que tomou a primeira dose da AstraZeneca”, explica.
Caso o(a) professor(a) apto(a) para a antecipação seja impedido(a) de tomar a segunda dose da AstraZeneca, o Sinpro-DF orienta a anotar o nome e número do posto de saúde e entrar em contato com o sindicato a fim de que a entidade acione a SEE-DF e sejam tomadas as providências.
Costa destaca ainda que é importante levar o cartão de vacinação com o registro da primeira dose. “E tem de ser com 60 dias. Não adianta o professor chegar lá com um dia antes de completar os 60 dias porque não irá vacinar”, insiste.
Quanto à segunda dose de outro imunizante e demais casos, o Sinpro-DF continua cobrando um posicionamento da SEE-DF e avisará à categoria à medida que for recebendo os esclarecimentos da secretaria.
Saúde nega antecipação da segunda dose da AstraZeneca a professores
Jornalista: Maria Carla
Os(as) professores(as) da rede pública de ensino do Distrito Federal que buscaram os postos de vacinação contra Covid-19, na manhã desta terça-feira (27), não conseguiram antecipar a aplicação da segunda dose da vacina Oxford/AstraZeneca, conforme anunciado pela Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEE-DF). Ou seja, as pessoas que tomaram a primeira dose da vacina da Oxford/AstraZeneca entre os dias 21/5 e 2/6, com cartão de vacinação com o registro D1 e com crachá, contracheque ou documento que comprove vínculo com a instituição de ensino e documento pessoal com foto não estão conseguindo antecipar a vacinação.
Segundo relatos enviados ao Sinpro-DF por professores(as) que tentaram vacinar, o entendimento da Secretaria de Estado da Saúde (SES-DF) é diferente do da SEE-DF. De acordo com os(as) professores(as) que buscaram a antecipação da segunda dose hoje (terça) de manhã, seguindo orientação exclusiva da SEE-DF, a segunda dose foi negada porque, no entendimento do Comitê de Vacinação só é aplicada com intervalo de 70 dias e que menos do que isso não se aplica.
O Sinpro-DF informa que já está em contato com a Secretaria de Estado da Educação do DF (SEE-DF) para saber qual o que realmente vai valer em termos de orientação aos(às) professores(as).
Sinpro-DF convida os gestores para reunião nesta quinta (29)
Jornalista: Maria Carla
A diretoria colegiada do Sinpro-DF convida os(as) gestores(as) para reunião virtual, pela plataforma Zoom, nesta quinta-feira (29), às 9h. A pauta é sobre a avaliação das condições do retorno presencial.
Para acessar o link da reunião, basta entrar em contato com o celular da Secretaria de Organização pelo número (61) 9 9323-8140.
Segunda dose da vacinação contra a Covid para os profissionais da educação estará disponível a partir de terça (27)
Jornalista: Luis Ricardo
O Sinpro informa que foi antecipada, para os(as) profissionais da Educação, a segunda dose da vacinação contra a Covid-19. A partir desta terça-feira (27), todos(as) aqueles(as) que tomaram o imunizante Oxford/AstraZeneca na primeira fase do Plano de Vacinação da Educação, entre 21 de maio e 2 de junho, poderão tomar o reforço em qualquer ponto de vacinação do Distrito Federal. É importante ressaltar que a vacina está disponível exclusivamente para os que foram vacinados com a AstraZeneca.
Para ter acesso à segunda dose do imunizante, os(as) profissionais da educação deverão ir aos pontos de vacinação com Cartão de Vacinação com registro da D1 Oxford/AstraZeneca; crachá, contracheque ou documento que comprove vinculação com a instituição de ensino; e documento pessoal com foto.
Imunização para os remanescentes
Além da antecipação da D2 para os imunizados com a AstraZeneca, todos(as) aqueles(as) que não puderam se vacinar depois de 2 de junho por algum motivo poderão se vacinar com a Janssen Farmacêutica, cujo protocolo de uso prevê a administração de dose única. Para este grupo, a vacinação acontecerá exclusivamente na Praça dos Cristais do QG do Exército, nas próximas quinta (29), sexta (30) e sábado (31), das 18h às 22h. Serão administradas 700 doses por dia.
É importante que todos(as) fiquem atentos(as), pois serão convocados novamente pelas escolas onde atuam. Os nomes serão publicados no site da Secretaria de Educação, como foi feito desde o primeiro dia do Plano de Vacinação da Educação.
A vacinação é um mecanismo imprescindível para a diminuição no número de mortes e infectados, e para começar a pensar em um retorno presencial com segurança. O Sinpro ainda informa que o processo de negociação sobre o possível retorno das aulas está ocorrendo e que teremos, ainda esta semana, uma reunião com a secretária da Educação do Distrito Federal, que apresentará respostas às inúmeras dúvidas como, por exemplo, os grupos da D2 que não estão incluídos nesta antecipação e outros aspectos importantes sobre a imunização contra a Covid, além de falar sobre toda estrutura física, material e profissional necessária para o possível retorno.
Diante disto convocamos todos e todas para Assembleia Geral na próxima sexta-feira (30).
Defensor do “fim dos privilégios”, Paulo Guedes ganha 11 vezes mais que o piso nacional do magistério
Jornalista: Vanessa Galassi
Pagamento de supostos supersalários para a maioria dos servidores públicos é um dos pilares da reforma administrativa de Bolsonaro-Guedes. Moldada em argumentos inverídicos e dados manipulados, basta um sopro de verdade para a estrutura da falácia ruir. Estudos que comprovam isso não são poucos. E também não é difícil descobrir quem são os verdadeiros privilegiados no conjunto do funcionalismo.
Uma simples busca no Portal da Transparência com o nome completo de Paulo Guedes mostra que o ministro embolsa R$ 30.934,70 por mês, fora o que entra via jetom. A bagatela representa 10,7 vezes o valor do piso nacional do magistério (R$ 2.886,24). Ou podemos dizer que o salário de Guedes é 1.070% maior que o valor base pago a professores e professoras de todo Brasil.
Segundo o estudo “Remunerações iniciais nas carreiras do magistério nas redes estaduais do Brasil”, realizado pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em março deste ano, 16 estados brasileiros não cumprem o piso nacional do magistério (Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Tocantins, Pará, Paraná, Bahia, São Paulo, Sergipe, Goiás, Santa Catarina, Pernambuco, Rondônia, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas). Se considerarmos o piso do magistério no Rio Grande do Norte, o mais baixo do país (R$ 1.260,20), o supersalário de Guedes é 24,54 vezes maior ou 2.454% mais que o piso do magistério no estado.
A disparidade salarial entre o ministro que defende o arrocho no serviço público e os servidores que realizam as atividades essenciais à população não está restrita ao setor da educação. Segundo levantamento da Revista Piauí, a média salarial de um varredor de rua é de R$ 1,6 mil. Isso quer dizer que com um mês de salário de Guedes, é possível pagar um servidor público que é varredor de rua por mais de um ano e meio.
Ainda segundo a pesquisa da Revista Piauí, metade dos servidores ganha menos de R$ 2,7 mil por mês. Em 2018, apenas 3% ganhava mais de R$ 19,1 mil. Ainda assim, estudo divulgado em agosto deste ano pelo Instituto Millenium – que tem o ministro da Economia de Bolsonaro como um dos fundadores – afirmou que a média salarial dos servidores públicos no Brasil chega a R$ 10 mil.
“Esse estudo é no mínimo questionável, fictício, que mistura dados e números de entes federativos para fazer confusão e querer jogar a população contra os servidores e os serviços públicos. Os serviços públicos estão defasados, há ausência de servidores e de concursos públicos. Os salários estão congelados há praticamente quatro anos”, afirma o secretário geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), em vídeo. O dirigente sindical ainda lamenta que o instituto Millenium não comente sobre “o R$ 1,6 trilhão pago esse ano para amortização dos juros da dívida pública”.
O presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, avalia que o problema dos supersalários e os consequentes privilégios podem ser resolvidos de uma forma bem mais lógica. “Enquanto a maioria dos servidores públicos não chega a receber nem R$ 3 mil por mês, tem juiz, membro do ministério público, ministro, ganhando mais que R$ 100 mil por mês, ou seja, mais que o teto constitucional. Então, não precisa ser nenhum matemático para saber que a simples regulamentação desse teto já traria um grande alívio financeiro para o Brasil”, diz o dirigente sindical.
Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, de setembro de 2017 a abril de 2020 foram registrados 13.595 pagamentos acima de R$ 100 mil pelo sistema judiciário. 507 magistrados receberam vencimentos acima de R$ 200 mil 565 vezes.
Rodrigo Rodrigues também aponta a taxação de fortunas e a tributação justa como alternativas justas à reforma administrativa e à crise financeira brasileira. “A lógica é: quem tem mais paga mais; quem tem menos paga menos. Aqui no Brasil, 206 bilionários possuem juntos mais de R$ 1,2 trilhão. Então tem que tributar altos salários, aumentar tributação sobre bancos, cobrar IPVA de jatinho, de iate. A verdade é que a reforma administrativa não trata de fim de privilégios. Ela é, na verdade, uma inversão de valores. Essa reforma trata de fragilizar e precarizar ainda mais a estrutura do serviço público para poder manter o privilégio de quem sempre se beneficiou no Brasil: a elite dominante”, avalia o presidente da CUT-DF.
Do total de arrecadação de impostos que o Brasil tem, 48% vem da taxação sobre o consumo. Ou seja, Paulo Guedes que ganha mais de R$ 30 mil por mês e um professor que ganha menos que R$ 2 mil são taxados da mesma forma. O tema dos impostos sobre grandes fortunas está na Constituição de 1988, mas até hoje não foi implementado.
Fonte: A matéria foi publicada na série Brasil Por Um Fio, realizada pela CUT-DF, em outubro de 2020. Os dados apresentados não tiveram alteração
Foto capa: Sergio Lima/AFP
Atenção professor/a! Não caia no golpe do telefone
Jornalista: Vanessa Galassi
O Sinpro-DF continua recebendo denúncias de professores/as e orientadoras/es educacionais sindicalizados que receberam ligações telefônicas de golpistas. As fraudes vêm tentando ser emplacadas mesmo diante das inúmeras alertas realizadas pelo Sindicato em todos os meios de comunicação com a categoria. Diante disso, é necessário ficar alerta às orientações.
O primeiro ponto a ser destacado é que o Sinpro-DF nunca solicitou depósito bancário ou envio de PIX para que sindicalizados/as tenham ganhos financeiros oriundos de processos na Justiça, como precatórios, ações de indenizações e outros. Além disso, o Sindicato não utiliza serviço telefônico com prefixo 0800 e nem liga de código de área diferente de 61.
Caso o/a sindicalizado/a receba alguma ligação suspeita, ligue imediatamente para um dos números do Sinpro-DF disponíveis no site da entidade.
O golpe
Para extorquir dinheiro das vítimas, a pessoa que realiza a chamada se passa por diretor, ex-diretor ou funcionário da Secretaria de Assuntos Jurídicos, Trabalhistas e Socioeconômicos do Sinpro-DF. Segundo denúncias realizadas ao Sindicato, em alguns casos o golpista se apresenta como Dr. Daniel ou Dimas, e chega a utilizar em sua foto de perfil de WhatsApp a logomarca do Sinpro-DF. Em seguida, o farsante solicita depósito em conta bancária vinculada a uma suposta pessoa com nome de Priscila.
O combate a essa farsa é antiga. A diretoria colegiada do Sinpro-DF já denunciou várias vezes a situação à Polícia Civil do Distrito Federal e continua atenta para que não haja nenhum tipo de prejuízo às/aos) filiadas/os.
Este sábado, 24, foi mais um dia em que brasileiros e brasileiras de todo o país foram às ruas gritar fora Bolsonaro. Em diversas capitais e grandes cidades de todo o país, manifestantes pediam o impeachment do genocida que usa a faixa presidencial.
Em Brasília, o ato reuniu milhares de pessoas que tomaram a Esplanada dos Ministérios, que caminharam do Museu Nacional à Praça dos Três Poderes. Professores e professora estiveram presentes. “Hoje é mais um dia em que o Brasil vem às ruas pedir socorro”, destacou a diretora do Sinpro-DF Rosilene Corrêa. “A CPI da Covid confirma a cada depoimento que vidas poderiam ter sido poupadas, empregos poderiam ter sido poupados, não precisaríamos ter 19 milhões de brasileiros passando fome”, concluiu.
A economia vem piorando, a carestia e a fome aumentam e o povo afirma que ‘Bolsonaro é pior do que o vírus’. Mais da metade dos brasileiros querem o impeachment de Jair Bolsonaro, segundo o Datafolha. A maior indignação da população é que ele, propositalmente, deixou morrerem quase 550 mil pessoas ao atrasar a compra de vacinas contra a Covid-19, desqualificar todas as medidas de proteção contra a doença, entre tantas outras ações e omissões que estão sendo apuradas pela CPI da Covid no Senado.
A campanha Fora, Bolsonaro é organizada pela CUT, demais centrais, movimentos sociais e pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo. Foi o quarto ato contra Bolsonaro este ano, e a campanha cresce a cada dia.
Assista abaixo o vídeo com imagens do ato em Brasília!
Luta contra essa reforma administrativa
Dentre as políticas nocivas aplicadas pelo desgoverno de Bolsonaro, está a proposta de reforma administrativa (PEC 32) que tramita no Congresso Nacional. Nesta segunda-feira, 26, haverá uma plenária de servidores(as) públicos do DF e entorno para criação do Fórum Distrital dos Servidores Públicos, para encaminhar a luta contra a PEC. A plenária começa às 19h e será realizada em formato remoto. Acompanhe a transmissão pelo facebook do Sinpro.
Estudo que identifica 130 mil órfãos da Covid-19 no Brasil alerta para os desafios da Educação
Jornalista: Maria Carla
O mundo foi surpreendido, nesta semana, com uma nova notícia alarmante relacionada à pandemia do novo coronavírus. A revista The Lancet, um periódico científico qualis do Reino Unido, divulgou, na terça-feira (20), um estudo que diz haver, só no Brasil, mais de 130 mil crianças e adolescentes órfãos porque perderam o pai, a mãe, os avós ou todos os seus cuidadores para a Covid-19.
Susan Hillis, coordenadora do estudo e pesquisadora de doenças infecciosas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, mostrou que há 1,5 milhão de órfãos da pandemia pelo mundo e que o Brasil é o segundo país mais afetado pelo problema. “Se você parar agora e contar até 12, é o tempo que basta para haver um novo órfão por Covid-19 no mundo”.
Olga Freitas, professora da rede pública de ensino do Distrito Federal, pedagoga, mestra e doutoranda em neurociência e especialista em Gestão, Educação e Democracia, afirma que “para além dessa orfandade da Covid-19 e dos mais de 550 mil mortos registrados até agora, temos, insistentemente, dito que quem faleceu era o amor de alguém: era uma mãe de alguém, um pai de alguém, um filho, uma avó etc. Isso se concretiza neste último estudo que mostra a quantidade de órfãos que a Covid-19 deixou e deixa a cada 12 minutos”.
O estudo revelou que há 2,4 órfãos para cada mil brasileiros menores de idade, o quarto maior número registrado entre 21 países participantes do estudo e que, no Brasil, tem um órfão por Covid-19 a cada 5 minutos: “Pensamos que crianças não são afetadas, mas é o oposto”, afirma Hillis. Os autores do artigo científico consideram essa tragédia de “uma pandemia oculta”.
Eles dizem que “essas crianças não identificadas são a consequência trágica esquecida dos milhões de mortos na pandemia”. Detalhamento do estudo indica que mais de 113 mil crianças e adolescentes brasileiros perderam o pai, a mãe ou ambos para a Covid-19 entre março de 2020 e abril de 2021 e que se consideradas as crianças e adolescentes que tinham como principal cuidador os avós/avôs, esse número salta para 130.363 órfãs por causa da Covid-19.
O estudo indica que o Peru tem a situação mais grave, com 10,2 órfãos para cada mil menores. Em termos absolutos, o número do Brasil só não é pior do que o do México, que registra pouco mais de 141 mil órfãos, ou 3,5 por mil. Embora o Instituto Nacional dos Direitos das Criança e do Adolescente afirme que contabilizar os órfãos brasileiros é viável por meio das certidões de óbito, não há estatística oficial no País até agora.
“As crianças que perderam pais ou responsáveis na pandemia precisam de apoio governamental urgente ou enfrentarão danos de longo prazo”, afirmou Seth Flaxman, pesquisador do Departamento de Matemática do Imperial College de Londres e de ciência da computação da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e um dos 16 autores do trabalho.
Volta às aulas presenciais, impacto da orfandade e os desafios Educação
“Infelizmente, o Brasil vive um dos piores momentos de sua história recente. É um momento regado a um negacionismo da ciência, ao fundamentalismo, a muita ignorância e a muita intencionalidade de se destruir aquilo que a sociedade e o povo brasileiro têm de mais rico que é a sua diversidade e a sua cultura. O governo federal e o do Distrito Federal deixam à míngua a sua população porque, assim, se livram de terem de prestar o papel para o qual o Estado existe que é o de assistente social, de promotor de políticas públicas para diminuir as desigualdades”, critica Olga Freitas.
Segundo ela, tanto o governo federal como o distrital se eximiram e se eximem de adotarem políticas públicas em saúde, educação, trabalho, moradia etc. Ela considera esse estudo ainda superficial sobre os impactos da política econômica dos governos Bolsonaro e Ibaneis e a de combate à pandemia. “Intencionalmente, esses governos negligenciam a parte mais pobre e mais necessitada da população. Não por acaso vimos, nos primeiros meses de pandemia, o afloramento das desigualdades sociais. Essa desigualdade social ficou mais transparente e, além de ficar mais escancarado, o abismo entre os mais pobres e mais ricos aumentou. Esse estudo é um retrato ainda muito superficial da situação que vivemos neste momento”.
Ela assegura que essa situação de orfandade por Covid-19 impacta na educação. “O impacto dessa orfandade na Educação, por exemplo, é incalculável. Se já pensávamos que demoraríamos mais de 10 anos para recuperar os estragos que a pandemia causou nos estudantes de famílias mais pobres, principalmente porque foram desassistidos, porque a pandemia foi uma janela de oportunidade para quem quer privatizar o ensino, entregando-o a grandes conglomerados privados de tecnologia, deixaram essas crianças e adolescentes à mercê, sem acesso à tecnologia, à Internet e sem condição nenhuma de acompanhar as atividades remotas, agora, com a orfandade tanto mais. Se imaginávamos que esse acesso negado à educação já vai causar um retrocesso enorme e um problema seriíssimo em termos de escolarização, educação, cultura, situações de trabalho profissional no futuro, imaginem o que essas crianças e adolescentes perderam por não terem tido o acesso a esse período”.
A professora afirma que o Brasil e o DF precisam pensar e criar estratégias para recuperar essas crianças e adolescentes. “E não será fácil!”, avisa. O país tem de buscar também a recuperação da frequência e da participação nas escolas porque a evasão aumentou de forma gritante. “Se tínhamos de pensar estratégias para lidar com essas defasagens e problemas que surgiram, imagine o que precisaremos lidar com as crianças e adolescentes que podem ser um número muito coincidente entre crianças e adolescentes sem acesso à tecnologia, na situação de pobreza, em situação de fome. A interseccionalidade não para por aí porque também boa parte dessas crianças e adolescentes pode ser as que perderam suas mães e seus pais para a Covid-19”, alerta.
“Precisamos pensar em estratégias de ensino e aprendizagem, de escolarização que seja qualitativa, garanta e defenda a vida. Não pode ser a qualquer custo que a gente tenha de voltar às escolas”, diz Olga
Olga entende que o impacto dessa orfandade na sociedade brasileira é muito grande, maior do que o que o estudo inglês informa. “Não conseguimos calcular as dimensões desse problema, até porque não falamos que é só um problema afetivo pela perda do pai e da mãe. É também porque os vínculos afetivos constroem aprendizagens, nos constituem sujeitos de nós mesmos, nos constituem indivíduos autônomos e nos preparam para o enfrentamento da vida. Mas para além dos vínculos afetivos, o que vamos ter de crianças e adolescentes marginalizadas, sem ter quem os assumam, os orientem, os norteiem, os acolham, os ensinem os valores que estão para além da escola. O impacto dessa mortandade, totalmente evitável, essas 130 mil crianças e adolescentes até o momento órfãs, é bom que a gente lembre que a pandemia não acabou e que está num estágio muito avançado no País, que ainda nem sequer sabe lidar com as novas cepas que estão chegando, até este momento, é um número invisibilizado, mas que terá profundas consequências na sociedade brasileira”.
A professora diz que é preciso a sociedade inteira se posicionar, reivindicar e cobrar dos governos Bolsonaro e Ibaneis que não se pode, de maneira alguma, tomar medidas exacerbadas para o retorno às aulas presenciais de qualquer forma. “Precisamos prensar nos impactos, nas perdas, nas sequelas físicas, emocionais e sociais que a Covid-19 está deixando e precisamos pensar políticas públicas para assistir e minimizar os estragos que já são feitos até aqui. Precisamos pensar estratégias de ensino e aprendizagem, de escolarização que seja qualitativa, que efetivamente garanta e defenda a vida. Não pode ser a qualquer custo que a gente tenha de voltar às escolas”.
Segundo ela, a perda das crianças e adolescentes de não estarem na escola é grande, mas ela será muito maior na medida em que retomarem as atividades presenciais de qualquer forma. É preciso considerar e desenvolver estratégias de acolhimento, inclusive emocional, psicológico, que se preocupe com a defasagem de aprendizagem. Enfim, é preciso política pública para garantir que essas crianças e adolescentes estejam seguras, acolhidas, alimentadas, com seus direitos garantidos. A gente precisa lembrar que educação é um direito, mas o direito não é só ao acesso. O direito é ao acesso, à permanência com aprendizagem com êxito.
“Estamos felizes, enquanto professoras e professores, porque estamos sendo vacinados. Fico feliz porque a maioria da nossa categoria entenda que a vacina é um dos mais eficazes remédios para o combate ao vírus, associada, é claro, às medidas de distanciamento social e de higiene, mas isso só não basta para que retornemos às aulas. Precisamos pensar estratégias que atuem nas dimensões biopsicossocial. Não somos sujeitos só cognitivos, apenas físicos, nem apenas sociais. Somos sujeitos em que essas três potências interagem e se uma dessas dimensões não está bem trabalhada, o todo não estará bem. Precisamos antes ter um planejamento severo. Não é só dizer que a escola vai ter distanciamento social. Não basta ter álcool em gel na escola. O que não se discute e não se debate de forma alguma, e isso é intencionalmente, é o que ativa os afetos, é o que acolhe, é o que trata, dialoga, debate aquilo que alimenta os sujeitos sendo visto numa perspectiva biopsicossocial”, finaliza.