31 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente

Há 31 anos, em 13 de julho de 1990, através da lei 8.069, foi instituído o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O estatuto foi criado como uma medida de garantia constitucional para menores de 18 anos que não eram vistos como sujeitos de direitos no país. Anteriormente, à lei 8.069, o Brasil tratava crianças e adolescentes que tinham dificuldades de se adaptar a um meio social e familiar, com a mesma punição imposta a alguém que cometesse crimes, como furto, roubo ou assassinato. Com isso, crianças e adolescentes eram punidos dentro do código de menores, que tratava dos menores infratores da época, em sua grande, maioria pobres e negros marginalizados pela sociedade. A preocupação era apenas de manter a ordem social, aplicando punições a quem se encontrava em situações “irregulares”, sendo então afastados da sociedade. 

Instigados pela forma como eram tratadas a infância e juventude, os movimentos sociais pressionaram a justiça e o governo para a inclusão de garantias à criança e ao adolescente na Constituição Federal de 1988, nascendo então o artigo 227 da Constituição Federal. Assim, logo depois, em 1990, foi promulgado o Estatuto da Criança e do Adolescente, rompendo com a Doutrina da Situação Irregular e passando a enxergar menores de 18 anos sob uma nova perspectiva. Entretanto, a vigência do ECA não trouxe garantias de que todas as suas medidas são ou serão cumpridas. Mudanças ocorreram ao longo dos anos, porém, ainda hoje, parte do estatuto não é aplicada. Crianças e adolescentes em situação de rua e abandono ainda são marginalizados pela sociedade.

Direito à Educação

O artigo 53 do ECA assegura que “a criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho”. Porém não é o que se observa nas ações governamentais, especialmente em âmbito federal, que tudo tem feito para dificultar o acesso de crianças e adolescentes ao conhecimento e ao convívio social proporcionado pelo ambiente escolar.

Basta lembrar que Bolsonaro, depois de vetar integralmente a lei que obriga o governo a fornecer acesso à internet a estudantes das escolas públicas, e ver seu veto ser derrubado pelo Congresso Nacional, ainda recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a aplicação da lei aprovada (14.172/2021). E essa foi apenas uma das iniciativas do governo federal de impor obstáculos à inclusão e à democratização do acesso à escola, ao ensino e ao conhecimento.

O ECA também prevê, em seu artigo 56, que é papel dos dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicar ao Conselho Tutelar os casos de maus-tratos envolvendo seus alunos, por exemplo. Isso significa que também cabe à escola a tarefa de observar e denunciar se o estudante, em casa, é vítima de violência de qualquer natureza. 

Mas a execução desse artigo fica prejudicada por outro projeto apoiado pelo governo Bolsonaro: o da educação domiciliar. Quando se admite que seja roubado da criança ou do adolescente o direito ao convívio social, ao confronto de ideias, e, sobretudo, à vivência escolar, está-se chocando frontalmente contra os princípios do ECA.

Desafios 

A importância do ECA está em reconhecer os direitos da infância e juventude, e priorizar o seu cumprimento, porém essas realizações ainda não ocorreram na proporção em que deveriam, expondo um grande desafio no cumprimento da lei. A falta de investimento público nas organizações que cuidam de garantir os direitos destes menores é uma das necessidades do país. Porém, há também questões essenciais que desafiam a aplicação do estatuto, como torná-lo ainda mais conhecido na sociedade e não apenas ser um texto decorado por quem trabalha na área, além de combater propostas que visam a retroceder na defesa dos direitos de crianças e adolescentes. 

A desigualdade que permeia o país ainda é um obstáculo contra o cumprimento destes direitos. Um estudo feito em 2020 pela ONG Visão Mundial aponta a existência de 70 mil crianças em situação de rua em todo o Brasil. Os dados revelam a triste realidade de milhares de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos, que são invisíveis aos olhos da sociedade. A pesquisa ainda aponta que 51% destes menores estão em situação de extrema violação de direitos, mostrando a necessidade de investimentos em políticas públicas. É dever do Estado garantir essas medidas, além de assegurar a proteção, o cuidado e a educação destas crianças conforme determina o estatuto, destinando recursos em prol do desenvolvimento da infância e juventude.  

Em 2018 o presidente Jair Bolsonaro, então deputado, em sua campanha, debochou das defesas dos direitos apresentadas pelo estatuto, quem segundo ele, deveria ser rasgado e jogado na latrina. “Este ECA é o estímulo à vagabundagem, malandragem infantil no nosso país […] você não pode triscar numa criança que o ECA proíbe. Ele presta um desserviço à sociedade”. Suas declarações em ataque ao estatuto são convergentes com o antigo código de menores, que defendia abusos psíquicos, físicos e morais. 

Porém, justificar as medidas que eram tomadas embasadas na Doutrina da Situação Irregular é um retrocesso social e uma afronta às centenas de movimentos sociais que se levantaram anteriormente para garantir que criança e adolescente fossem alcançados pela lei como cidadãos de direito. Contradizer o ECA é ir também contra a democracia, pois nenhuma lei deve ser desprezada, pelo contrário, deve ser garantido o seu cumprimento. O governo atual quer tirar a responsabilidade de investimentos sociais, acabando com as medidas constitucionais dos mais vulneráveis, e deixando os que realmente necessitam de cuidados à míngua. 

De acordo com o conselheiro tutelar Gustavo Henrique, representante do DF no Fórum Colegiado Nacional de Conselheiros Tutelares, falar sobre a importância do ECA nas constituições de direito do país requer uma reflexão sobre o passado. “O estatuto é um divisor de águas na forma de ver e entender os direitos de crianças e adolescentes. Agora estamos na Doutrina da Proteção Integral de todas as crianças e adolescentes, sem exceção de situação irregular ou classe social. Eles passam a ser vistos como sujeitos de direitos, e os cuidados para o bom desenvolvimento passam a ser de todos: família, sociedade e Estado, com prioridade absoluta.” 

Em entrevista ao Sinpro, a conselheira tutelar Ana Maria Soares respondeu uma série de perguntas a respeito do ECA e sua importância no desenvolvimento social de crianças e adolescentes do país.

1 – Qual a importância do ECA no meio social?

São as leis que regem nossas crianças e adolescentes. A importância do ECA é porque ele se torna um marco legal para nossas crianças e adolescentes. Porque antes do ECA, como é que funcionavam as leis? A criança e adolescente, naquela época, não tinham direitos iguais, se a criança cometesse um crime, se ela vivia numa situação de vulnerabilidade social ou qualquer situação parecida, ela estava em situação irregular antes do ECA. Hoje se uma criança comete um ato infracional ou vulnerabilidade social somos nós, adultos, que estamos em situação irregular, não mais a criança. 

2- Quais são os principais pontos defendidos pelo estatuto?

É dever de todos garantir os direitos fundamentais de crianças e adolescentes. Direito à vida, à saúde, ao esporte, ao lazer, à educação. A criança deve ter todos esses direitos que são fundamentais à vida. 

Estes direitos, na verdade, estão apenas lá no papel, mas sabemos que estes direitos nem sempre são garantidos. Quantas crianças estão na fila de espera pra fazer uma consulta, pra fazer um exame, para fazer uma cirurgia, quantas crianças não têm alimentação todos os dias, principalmente agora em plena pandemia, quantas crianças não estão tendo aula online porque não têm um tablet, não têm internet, não têm computador, não têm minimamente um celular para acompanhar estas aulas, e à vezes até o material impresso não chega em casa. Infelizmente, em meio à pandemia, piorou muito, porque todos tiveram que reinventar e esgotar todos os recursos escolares para que façam com que estas crianças tenham acesso às aulas, e mesmo tentando de todas as formas, nem todas as crianças conseguem ter acesso à educação, que é um direito fundamental. 

3- Quais os desafios em cumprir e garantir estes direitos? 

O país é marcado pela desigualdade social, marcado pela violência, pelos preconceitos de muitas pessoas que ainda acham que crianças precisam trabalhar,  porque pensam que é melhor trabalhar do que ficar a rua jogado, é melhor trabalhar do que cometer crimes.  Mas na verdade não é melhor trabalhar, melhor é estudar , o melhor é uma criança brincar, melhor é ter uma infância feliz, do que ser exposta a riscos de ser abusada sexualmente,  o melhor é que ela tenha os seus direitos garantidos, e isso  não depende apenas do ECA, apenas isso não vai fazer com que a sociedade mude o pensamento. Além do ECA, precisamos de investimento nas políticas públicas, criação de campanhas governamentais que façam com que a sociedade entenda que o melhor para nossas crianças é uma família que dê esse suporte, e de um Estado que também fortaleça esses direitos, cuidando e protegendo essas crianças e adolescentes. 

 
 

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Oferta de vacina para 100% dos trabalhadores em educação não significa categoria completamente imunizada

Com o término da campanha de vacinação contra a covid-19 para trabalhadores em educação do DF, nesse domingo (11), a Secretaria de Educação afirmou à imprensa comercial que 100% dos profissionais foram imunizados. O Sinpro-DF alerta que uma série de professoras/es e orientadoras/es educacionais, por exemplo, por motivos diversos, seguem sem tomar a vacina contra o vírus, e isso implica no retorno presencial às aulas.

“Há trabalhadores que tiveram impedimento e não puderam tomar a vacina contra a covid-19. Há os que estiveram doentes, os que tomaram apenas uma dose de vacinas que precisam de duas doses para atingir seu percentual de imunização; há também os que relatam que não tiveram o nome incluído na lista. Portanto, para o retorno presencial às salas de aula, mesmo no critério da vacinação, há situações a serem tratadas”, afirma a diretora do Sinpro-DF Rosilene Corrêa.

Segundo dados da Secretaria de Educação do DF, só na última semana, mais de 5.400 trabalhadores em educação não se vacinaram. A expectativa era de imunizar 16 mil desses trabalhadores, de 7 a 10 de julho. Entretanto, no período, só foram vacinados 10.513 deles.

Além da vacinação de 100% dos trabalhadores em educação, o Sinpro-DF vem atuando para garantir outras medidas indispensáveis para dar segurança ao retorno presencial às salas de aula. Já foi encaminhado à Secretaria de Educação documento com mais de 50 pontos-base que precisam ser debatidos para formular um plano de retorno presencial sólido, com segurança sanitária, pedagógica e psicológica para toda comunidade escolar. Agora, o Sindicato também realiza uma série de reuniões com gestores das escolas públicas para identificar fragilidades e pensar coletivamente as soluções aos problemas que se apresentam.

“O vírus está circulando entre nós. Pessoas morrem todos os dias. Não podemos negligenciar a realidade e nos precipitar. O Sinpro sempre foi taxativo em dizer que a organização para o retorno presencial com segurança começa pela vacinação de todas e todos, mas que inclui também outras medidas indispensáveis”, ressalta a diretora do Sinpro-DF Rosilene Corrêa.

O processo de negociação entre o Sinpro-DF e o GDF para o retorno presencial às aulas está em curso. O pleito do Sindicato é para que as medidas de segurança apontadas pela própria categoria sejam adotadas. No dia 30 de julho, às 9h30, professoras/es e orientadoras/es educacionais se reunirão em assembleia geral para avaliar o andamento das negociações e as respostas do GDF às demandas da categoria.

Antecipação da D2
A imprensa comercial anunciou nesse domingo (11) que a Secretaria de Saúde do Distrito Federal vai reduzir o intervalo de aplicação entre as duas doses de vacinas contra a covid-19. A ideia seria passar de 90 dias para 60 dias a aplicação entre a D1 e a D2 dos imunizantes da AstraZeneca e da Pfizer. Com a mudança, há possibilidade de trabalhadores em Educação que receberam apenas a primeira dose do imunizante receberem a D2 ainda neste mês.

Em nota publicada nesta segunda-feira (12), a Secretaria de Saúde do DF disse que a antecipação “será detalhada e especificada, ainda hoje (12), pelo Comitê de Vacinação, que inclusive irá estabelecer quais grupos prioritários serão incluídos nessa antecipação do prazo de 90 dias para 60 dias na aplicação da segundo dose”.

O Sinpro-DF já cobrou da Secretaria de Saúde parecer sobre a redução do intervalo entre a D1 e a D2 das vacinas que exigem duas doses para atingir seu percentual de imunização. O objetivo é tranquilizar a categoria quanto à segurança da mudança.

 
 

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Brasília Notícias desta terça traz o professor André Lúcio Bento e suas pesquisas sobre os baobás

O professor André Lúcio Bento é o convidado do programa Brasília Notícias desta terça-feira, 13. Ele será entrevistado pela professora e diretora do Sinpro Márcia Gilda e pelo jornalista Paulo Miranda, da TV Comunitária. O programa começa às 17h30min e será transmitido ao vivo pela TV Sinpro, pelo canal no youtube e perfil no facebook.

Especialista em Cultura Afro-Brasileira e Africana pela UFG (Universidade Federal de Goiás), o professor falará sobre suas pesquisas e materiais produzidos sobre os baobás, árvore milenar encontrada em todo a África. O registro dos baobás no território brasileiro é uma forma de valorizar o legado africano no país.

>>> Professor lança site dedicado ao estudo dos baobás

Na ocasião, André também falará sobre o lançamento de seu novo livro infantil, Tâmara e Tamarindo na Terra das Coisas e das Pessoas Doces. Publicado recentemente pela Editora Telha, o livro conta a história de duas crianças negras chamadas Tâmara, nascida em um tacho de doce, e Tamarindo, que surge após uma incrível reviravolta. Ambos vivem em um mundo onde todos os objetos e os personagens são doces. A ideia do autor é contrapor essa doçura à realidade do mundo atual, onde as pessoas são maldosas e continuam a propagar o preconceito racial.

Abertura do ciclo de debates Desenvolvimento, Novas Desigualdades e Justiça Fiscal no Brasil é nesta terça, 13, com Dilma Rousseff

A campanha Tributar os Super Ricos, em parceria com o Instituto Lula, realiza o ciclo de debates Desenvolvimento, Novas Desigualdades e Justiça Fiscal no Brasil. A mesa de abertura será nesta terça-feira, 13, às 19h30, com a ex-presidenta Dilma Rousseff. Haverá transmissão ao vivo pelos canais do Sinpro no youtube e no facebook.

Serão dez encontros remotos, sempre às terças, que colocarão o sistema tributário brasileiro em discussão a partir de eixos como a desigualdade social, as transformações da sociedade contemporânea e os desafios a serem enfrentados para a mudança. A programação vai de 20 de julho a 28 de setembro e contará com a participação de diversos estudiosos e especialistas.

As inscrições são gratuitas e estão abertas até 18 de julho. O formulário online se encontra no link: bit.ly/ciclojusticafiscal. As transmissões serão pelas redes do Instituto Lula, Instituto Justiça Fiscal e campanha Tributar os Super-Ricos.

Além de acompanhar os debates, o inscrito ou inscrita pode acessar o Ambiente Virtual de Aprendizagem, realizar leituras e atividades. O curso soma 50 horas de atividades híbridas, sendo 22 horas síncronas e 28 horas assíncronas. Os participantes terão direito a certificação. Para isso, os interessados e interessadas devem preencher os formulários de presença e realizar as atividades propostas.

 

Emendas do Sinpro ao PLDO são aprovadas pela CLDF

Na última semana, a Câmara Distrital debateu e aprovou o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) para 2022. O Sinpro-DF apresentou algumas sugestões ao texto através de parlamentares. As emendas foram acatadas pela Comissão de Economia, Orçamento e Finanças e pelo plenário da casa.

Dentre as emendas aprovadas, estão a garantia de verba para a realização de concurso público e para a nomeação de professores(as) e orientadores(as) educacionais. Além disso, está contemplada no texto a garantia de recursos para a preparação do ambiente escolar com as condições sanitárias adequadas, e para investimentos em tecnologia e equipamentos para o amplo acesso ao ensino.

Quanto à remuneração, foi aprovada no PLDO que o GDF assegure os recursos necessários para o pagamento do reajuste devido à categoria, bem como para o cumprimento da meta 17 do Plano Distrital de Educação (PDE), que versa sobre os salários da carreira Magistério. O reajuste dos auxílios pagos à categoria também foi incluído no texto.

O PLDO foi encaminhado ao governador Ibaneis Rocha, que deve sancioná-lo ou vetá-lo. O texto orienta a construção do orçamento do DF para 2022, que será discutido e aprovado pela CLDF no último trimestre deste ano.

Clique AQUI para acessar o PDF e saber mais sobre as emendas.

Sinpro-DF inicia série de reuniões para tratar do possível retorno presencial

O Sinpro-DF convida os(as) servidores(as) das Coordenações Regionais de Ensino (CRE) e da sede para reunião, nesta sexta-feira (9), às 16h, pela plataforma Zoom. O encontro vai debater a possível volta presencial das aulas na rede pública, identificar fragilidades e pensar, coletivamente, as saídas. Na sequência, os(as) gestores(as) das modalidades listadas abaixo serão convidados(as) para dar continuidade ao debate. Para participar, solicite o link pelo WhatsApp pelo número (61) 99994-6258.

A reunião dessa sexta será a primeira de uma série de rodadas de conversa a ser realizada ao longo da próxima semana, por modalidade, a fim de pensar, com os(as) gestores(as) e servidores(as) das CRE/ sede, quais são as necessidades de cada um em um eventual retorno presencial.

“Precisamos conversar sobre essa volta, se ela de fato irá ocorrer, discutir quais serão os protocolos para cada modalidade de ensino, identificar o que já existe em termos de estrutura e o que a Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEE-DF) está oferecendo para viabilizar essa volta às aulas presenciais”, explica Vanilce Diniz, diretora do Sinpro-DF.

 

 

 

 

 

 

 

Convoca já! Nomeação de professores no cadastro reserva é fundamental para a qualidade da educação

Na tarde dessa quinta-feira (08), durante a vacinação da categoria magistério público contra a Covid-19, as professoras Poliana Natal e Paula Natal e outras educadoras que aguardavam sua vez de vacinar, como a professora Sarah Raquel Cunha, recuperaram uma importante campanha do Sinpro: a campanha pelo concurso público. Vestidas com a camiseta do Convoca Já, elas levantaram placas pelo Zera Cadastro, pedindo a nomeação daqueles(as) que ainda não foram chamados pelo Governo do Distrito Federal.

 

“Sou a professora Poliana nomeada pelo concurso de 2016. Quero reforçar que o banco ainda não zerou, são 368 professores aprovados e aptos. Muitos deles estão ocupando vagas em regime de contrato temporário! Educação com qualidade se faz com professores nomeados, por isso estamos na luta pelo #zeracadastro reserva de concurso público de professores da Educação Básica 2016”, afirma Poliana.

 

Hoje, cerca de 370 professores(as) aguardam a nomeação do concurso público de 2016, ainda no cadastro reserva. O número não é suficiente para suprir a demanda na rede pública de ensino, mas ajudaria na reposição de educadores(as) que se aposentaram, por exemplo. 

 

Atualmente a rede pública conta com um grande déficit de professores, e a atitude dessas educadoras é importante para o fortalecimento da nossa categoria por meio de nomeações por concurso público. “A nomeação de professores aprovados perpassa pela qualidade da educação e é nesse sentido, do fortalecimento da educação pública, que estamos empenhados nessa nomeação e na realização de novos concursos para atender à demanda da rede”, afirma a coordenadora da Secretaria de Imprensa do Sinpro, Letícia Montandom.

 

Poliana e Sarah, professoras aprovadas que esperam nomeação, e Paula, professora recém-nomeada, levantam as plaquinhas da campanha do Sinpro Zera Cadastro.

 

Governo quer volta às aulas presenciais, mas não investe na estrutura necessária para isto

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, a exemplo do presidente Jair Bolsonaro, tem defendido a volta às aulas presenciais nas escolas públicas em todo o País. O curioso, para não dizer outra coisa, é que o governo federal exige a volta de estudantes e profissionais da educação às escolas sem investir na estrutura necessária para isto.

O contrassenso do governo é ainda mais gritante, uma vez que Bolsonaro protocolou uma ADIN junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a Lei 14.172/21, que destina R$ 3,5 bilhões para a conectividade nas escolas. No resumo, Bolsonaro retira verba que seria destinada à educação, não investe nada nos mecanismos de segurança e de estrutura necessários para receber milhares de estudantes e professores(as) nas escolas públicas, e ainda exige a volta às aulas presenciais em um momento que vivemos uma grave pandemia, com mais de meio milhão de mortos e a esmagadora maioria da população ainda sem ter sido vacinada.

Presidente da Comissão de Educação, a deputada Professora Dorinha Seabra Rezende diz a volta às aulas nesta conjuntura, assusta. “A nossa preocupação é que o volume de recursos investidos é muito distante do necessário. Não é para entregar um computador, não é para entregar um chip, mas precisa vir com arcabouço pedagógico para que possa ter efeito na aprendizagem”, salienta.

Durante audiência pública realizada nessa quinta-feira (08), o ministro da Educação foi cobrado sobre recursos orçamentários para a área. Milton Ribeiro ressaltou que houve aumento nas despesas de custeio e manutenção, e classificou o momento atual como “economia de guerra”, no qual os recursos devem ser distribuídos com prioridade. Diante desta fala, fica mais que claro que a Educação nunca foi uma prioridade para o governo federal, infelizmente.

Desde o ano passado, mais precisamente em março de 2020, momento que teve início a pandemia da Covid-19, professores(as) e orientadores(as) educacionais da rede pública de ensino, além dos(as) estudantes, têm passado por diversos problemas fruto da ausência de políticas públicas dos governos federal e estadual, e de investimento na educação pública.

Além de uma carga bem maior de trabalho, a categoria ainda teve que superar diversos obstáculos para levar conteúdo para a casa de alunos(as). Importante frisar que a pandemia agravou ainda mais o abismo existente entre o ensino público e o privado, visto que muitos(as) estudantes não tem computadores ou aparelhos celulares para acompanhar as aulas, internet e em alguns casos, não tinham sequer energia elétrica, ponto que dificultou ainda mais a continuidade das aulas remotas neste período.

Nos espanta ver a pressa do governo na volta às aulas presenciais sem garantir o mínimo de estrutura para isto, com o agravante de, além de não investir na educação, ainda tirar recursos que poderiam ajudar neste processo, exemplo dos R$ 3,5 bilhões para a conectividade nas escolas.

O Sinpro defende a volta às aulas presenciais no Distrito Federal e está em processo de negociação com a Secretaria de Educação para vacinação de todos(as) os(as) profissionais da educação, condições seguras nas escolas e continuaremos, também, na campanha pela imunização de toda população.

Frente parlamentar reúne 180 assinaturas e apresenta emenda substitutiva à PEC-32

A Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público (Servir Brasil) alcançou o expressivo número de 180 assinaturas para apresentação de texto substitutivo à PEC 32, que trata da Reforma Administrativa. Eram necessárias, no mínimo, 171. Foi uma vitória importante que indica que há margem de disputa para impedir os retrocessos previstos na proposta original.

A Emenda Global Substitutiva foi elaborada pela Servir Brasil, apresentada pelos deputados Professor Israel e André Figueiredo, presidente e secretário-geral da frente, respectivamente. O texto inclui a garantia da estabilidade para todos os servidores; fim do vínculo de experiência; impede a concessão de superpoderes ao Poder Executivo para alterar carreiras e órgãos por decreto; impede que pessoas detentoras de cargos em comissão possam exercer funções técnicas nos órgãos; garante segurança jurídica aos concursos homologados; entre outras.

O próximo passo é ter o parecer favorável do relator, deputado Arthur Maia, e posteriormente conquistar a maioria simples dos votos dos 34 parlamentares que integram a comissão especial. Por isso, a diretoria colegiada do Sinpro-DF chama servidoras e servidores públicos a estarem mais atentos do que nunca. Será fundamental fazer pressão sobre os deputados para que possamos atingir uma grande vitória na defesa do Estado e do serviço público, e enterrar de vez o texto original da PEC 32.

Prorrogado prazo para inscrição no curso “Desenvolvimento à moda brasileira – dinheiro e desigualdades na educação”

O Sinpro-DF prorrogou para o dia 9 de julho o prazo para a inscrição no Curso de Formação Política Desenvolvimento à moda brasileira – dinheiro e desigualdades na educação. A Secretaria de Aposentados(as), em parceria com a Secretaria de Formação, estão promovendo o curso, que terá como recurso pedagógico o livro de mesmo título da Professora Mestre e Doutora em Educação, Urânia Flores da Cruz Freitas.

O curso tem como objetivo compreender como se deu o desenvolvimento brasileiro e suas relações com o campo da educação, visando a identificar suas bases estruturantes. Serão discutidas as mudanças que ocorrem na economia mundial e, em especial, como as inovações tecnológicas influenciam as estruturas sociais.

A diretora do Sinpro, Luciana Custódio, afirma que um objetivo importante do curso é oferecer uma formação com foco a enfrentar os desafios atuais impostos pelas tecnologias, algo necessário para o fortalecimento da nossa categoria e dos(as) aposentados(as) que construíram e constroem a luta. “O curso traz uma perspectiva teórica mais aprofundada, pautada na tríade ação-reflexão-ação”, conta Luciana Custódio, da Secretaria de Formação do Sinpro. “É um investimento na luta em defesa da educação pública, já que os aposentados e aposentadas são imprescindíveis nela”, completa.

O curso será realizado à distância, 100% virtual, com suporte técnico da Secretaria de Formação. Terá formato modular (4 módulos), com carga horária de 300 horas, entre horas indiretas na Plataforma do Moodle e Aulas Virtuais na plataforma Zoom, diretamente, com a mediação da professora/autora Urânia Flores.

A metodologia está centrada na participação, por meio de dinâmicas organizadas a partir da leitura e interpretação do texto, baseada na ação-reflexão-ação a fim de situar a problemática estudada. Serão abertas 40 vagas. A realização do curso se dará mediante a formação da turma. “Nesse período de pandemia, os aposentados(as) terão a oportunidade de participar desse curso, trocar experiências e expressar suas ideias através do modelo virtual”, diz a professora Sílvia Canabrava, da Secretaria de Aposentados e Aposentadas do Sinpro.

A professora Urânia Flores da Cruz Freitas é autora de livros e artigos acadêmicos sobre ação pública, gestão pública, educação, trabalho, políticas públicas, direito à cidade, prospectiva estratégica e população em situação de rua. Atualmente, realiza estágio pós-doutoral na UnB, além de atuar como professora na Secretaria de Educação do DF.

 

Critérios para inscrição

– Estar em dia com o sindicato;

– Assinar o termo de compromisso com a jornada do curso (aulas virtuais e acesso à plataforma);

– Ter participado da reunião do coletivo de aposentados e aposentadas;

– As vagas remanescentes serão oferecidas para os demais interessados(as).

 

 

Período de Inscrição prorrogado até o dia 9 de julho

Para se inscrever, acesse: https://sinpro25.sinprodf.org.br/desenvolvimento-a-moda-brasileira-dinheiro-e-desigualdades-na-educacao/

Para mais informações, procure as diretoras da Secretaria de Aposentados do Sinpro: Sílvia Canabrava (99271-7399), Consuelita Oliveira (99836-0396) e Elineide Rodrigues (99943-0217)

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